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segunda-feira, 27 de abril de 2026

Boxset: Kuschel Jazz Collection, Vol.1-8 (2002-2011)

 

Mesmo antes do primeiro álbum do KuschelRock, o nome já existia como programa musical noturno semanal na rádio HR3 (com sede em Frankfurt, Alemanha). O autor e apresentador do projeto era Thomas Koschwitz, considerado coautor de diversos álbuns do Kazle… Após a Sony Music patentear os direitos de lançamento da série de álbuns "KuschelRock", a rádio HR3 foi proibida de transmitir o programa noturno… Atualmente, a Sony Music lança álbuns regularmente todos os anos… Posteriormente, a Mpano começou a produzir uma série de álbuns por gênero, alguns dos quais intitulados "Kuschel Jazz". Este lançamento merece sua atenção. A série Kuschel Jazz não é apenas um derivado da gigante marca alemã Kuschelrock; ela representa uma curadoria estratégica que ajudou a definir o consumo do "Jazz de Estilo de Vida" (Lifestyle Jazz) na Europa no início dos anos 2000. Aqui está uma análise aprofundada sobre a identidade, a sonoridade e o impacto dessa coleção:

1. A Proposta Estética: O Jazz como Refúgio. O termo alemão Kuschel (aconchego/carinho) dita a regra de ouro da série: a ausência de atrito. Diferente do jazz purista, que muitas vezes foca na improvisação complexa e no virtuosismo técnico que exige atenção plena, o Kuschel Jazz foca na atmosfera. A premicia da série passa invariavelmente pela transição do Jazz para o Lounge. As faixas são selecionadas para servir como uma "trilha sonora de bem-estar", priorizando:

*Andamentos lentos (Ballads): Predomínio de escovinhas na bateria e pianos suaves.

*Vozes Aveludadas: Grande foco em vocalistas de timbres quentes e envolventes.

*Produção Impecável: Áudio limpo, com muita profundidade (reverb) para criar uma sensação de espaço e relaxamento.

2. Curadoria: A Ponte entre o Clássico e o Pop. O grande triunfo do Kuschel Jazz foi a sua capacidade de misturar épocas sem soar datado. Em um mesmo volume, a Sony Music conseguiu colocar:

*Os Gigantes do Passado: Louis Armstrong, Ella Fitzgerald e Chet Baker trazem a legitimidade e a nostalgia.

*O "Vocal Jazz" Moderno: Artistas como Norah Jones, Diana Krall e Michael Bublé, que foram os pilares comerciais do gênero na década de 2000.

*Incursões Pop: Versões jazzísticas de músicas pop ou artistas como Sade e George Michael, que utilizam elementos do soul e jazz em suas produções.

Essa mistura democratizou o gênero, tornando o jazz acessível para quem o considerava "difícil" ou intelectualizado demais.

3. Impacto Cultural e o "Efeito Starbucks"

*A série Kuschel Jazz surfou a onda da sofisticação urbana. Era a música perfeita para o florescimento dos cafés modernos e do design de interiores minimalista.

*A "Playlist" antes do Streaming: Antes do Spotify, essas coletâneas em CD duplo eram o equivalente às atuais playlists de "Lofi Jazz" ou "Coffee Table Jazz". Elas resolviam o problema do ouvinte que queria 2 ou 3 horas de música ininterrupta sem precisar trocar o disco ou conhecer profundamente a discografia de cada artista.

Ponto Crítico: para os críticos mais severos do jazz, a série pode ser vista como uma "diluição" da arte, transformando o jazz em "música de elevador" de luxo. No entanto, do ponto de vista da apreciação musical, serve como uma excelente porta de entrada. Muitas pessoas descobriram o trompete melancólico de Miles Davis ou a profundidade de Nina Simone através dessas compilações comerciais.


Boa audição - Namastê

segunda-feira, 20 de abril de 2026

California Cool (Presenting The Hip Jazz Sounds Of The West Coast) - 1993

Artista: VA
Lançamento: 1993
Selo: Blue Note/0777 7 80707 2 6
Gênero: Bop, Modal, Swing, Hard Bop, Cool Jazz, Latin Jazz


Esta compilação transcende a mera curadoria fonográfica bem como estabelece um inventário antropológico da sofisticação urbana de meados do século XX. Enquanto o Hard Bop de Nova York se ancorava na urgência visceral do Blues e do Gospel, o som da Califórnia — aqui representado em sua plenitude — propunha uma simbiose audaciosa entre a improvisação jazzística e o rigor formal da tradição camerística europeia. Sua análise técnica, a desconstrução do "Cool" é  o amálgama sonoro presente neste álbum revelando três pilares técnicos fundamentais: Arquitetura Contrapontística: faixas lideradas por nomes como Gerry Mulligan demonstram a renúncia à harmonia percussiva do piano em favor de um contraponto linear entre sopros. A técnica do "barítono-tenor" cria uma malha melódica onde o ritmo é implícito, exigindo do ouvinte uma percepção intelectualizada do pulso. Timbragem e Textura: Há um foco obsessivo no timbre "non-vibrato". O trompete de Chet Baker e o saxofone de Stan Getz operam em uma frequência de baixa fricção, priorizando a pureza tonal e a clareza dos harmônicos em detrimento da saturação sonora característica das big bands do Leste. Experimentalismo Métrico: A presença de Dave Brubeck exemplifica a incursão em assinaturas rítmicas assimétricas (5/4, 9/8), que desafiaram o padrão quaternário do Swing tradicional, elevando o Jazz a um patamar de música de concerto. Sua perspectiva historiográfica e social é imperativo notar que o "California Cool" foi o reflexo de um ecossistema específico: os estúdios de Hollywood e as casas de show de Hermosa Beach. A precisão técnica dos músicos, muitos dos quais atuavam na indústria cinematográfica, permitiu um nível de controle dinâmico raramente visto. Contudo, a crítica moderna ressalta que essa estética "polida" também serviu como uma barreira cultural, muitas vezes branqueando as raízes rítmicas afro-americanas em favor de uma palatabilidade comercial e acadêmica. Conclusão: O legado da contenção em última análise, traz um manifesto sobre a economia de meios provando que a intensidade artística não é diretamente proporcional ao volume ou à velocidade, mas à intenção colocada no silêncio e na articulação. É uma obra essencial para a compreensão de como o Jazz moldou — e foi moldado por — a arquitetura e o design modernista da Costa Oeste.


Boa audição - Namastê

segunda-feira, 2 de março de 2026

The Teddy Wilson Trio & Gerry Mulligan Quartet With Bob Brookmeyer & Bill Evans – At Newpo

Lançamento: 2016
Selo: Verve Records/Immortal Jazz On Verve IX 
Gênero: Cool Jazz, Swing


O registro do Newport Jazz Festival de 1957, lançado pela Verve Records é mais do que um simples álbum ao vivo; é um manifesto contra as divisões artificiais que a crítica da época tentava impor ao Jazz. Em uma noite onde o "Swing" de Teddy Wilson e o "Cool" de Gerry Mulligan dividiram o palco onde que se ouviu não foi um choque de gerações, uma conversa fluida e profundamente respeitosa. Resultado:Equilíbrio Improvável. Teddy Wilson a Elegância Inoxidável, abre o disco com a precisão de um relojoeiro. No set do seu trio (acompanhado pelo lendário contrabaixista Milt Hinton), ele reafirma por que foi a espinha dorsal dos pequenos grupos de Benny Goodman. Faixas como "Stompin' At The Savoy" e "I Got Rhythm" não são meras revisitações; Wilson toca com uma clareza polida, onde cada nota tem um propósito arquitetônico. É o Swing em seu estado mais puro e sofisticado. Mulligan o arquitetura do ar, assume a ausência de piano criando um espaço negativo que Mulligan e o trombonista Bob Brookmeyer preenchem com um contraponto quase barroco. A interpretação de "My Funny Valentine" é de um lirismo seco e intelectual, característica marcante do som da Costa Oeste. A curiosidade técnica aqui é o entrosamento telepático entre o sax barítono de Mulligan e o trombone de válvula de Brookmeyer, que operam em frequências graves com uma leveza surpreendente e a miragem" de Bill Evans, Um detalhe que frequentemente confunde colecionadores é o crédito a Bill Evans. Evans não toca com Mulligan ou Wilson nesta gravação. Ele aparece em faixas bônus (como "Dancing In The Dark") como integrante do Don Elliott Quartet. Ouvir Evans aqui é testemunhar um gênio em formação, ainda exibindo uma agilidade mais próxima do Bop tradicional, antes de mergulhar no impressionismo que definiria sua carreira solo. A grande joia do álbum é a colaboração em "Sweet Georgia Brown", onde Mulligan se junta ao trio de Wilson. É o momento em que as etiquetas caem por terra: o barítono moderno de Mulligan se encaixa perfeitamente no balanço clássico de Wilson. Este disco não é apenas música de festival; é a prova de que o Jazz, independentemente do prefixo — swing, cool ou bop — fala uma língua única quando os mestres estão no comando. O contexto histórico explorado em 1957 foi o "ano de ouro" do festival (o mesmo ano do lendário show de Louis Armstrong e da consagração de Ella Fitzgerald), detalhe importante da engenharia de som da Verve Records, que conseguiu capturar a acústica aberta do festival com uma clareza rara para gravações externas da década de 50.

Sax. Barítono – Gerry Mulligan (tracks 6, 7,8-10)
Baixo – Ernie Furtado (tracks 8-10), Joe Benjamin (tracks 6,7), Milt Hinton ( tracks 1-5)
Bateria – Al Beldini (tracks 8-10), Dave Bailey (tracks 6,7), Specs Powell (tracks 1-5)
Mellofone – Don Elliott (tracks 8-10)
Piano – Bill Evans (tracks 8-10), Teddy Wilson (tracks 1-5)
Trombone – Bobby Brookmeyer  (tracks 6,7)
Mestre de Cerimônias – Willis Conover

Gravado durante uma apresentação no Newport Jazz Festival, Newport, RI, em 6 de julho de 1957


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sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Stan Getz - Stan Getz & Friends (1988)

Artista: Stan Getz
Lançamento: 1988
Selo: Verve Records
Gênero: Cool, Bop

"Compact Jazz: Getz & Friends" é uma coletânea (álbum de compilação) de jazz lançada em 1988 pela gravadora Verve Records. O álbum apresenta o saxofonista Stan Getz em colaborações com diversos outros músicos de renome, referidos como "Friends" (amigos). O CD inclui faixas gravadas com uma variedade de músicos notáveis, extraídas de sessões e álbuns originais produzidos por Norman Granz e Creed Taylor. Os colaboradores incluem: Dizzy Gillespie, Oscar Peterson. Bill Evans, Gerry Mulligan, Ella Fitzgerald, Chick Corea, Bob Brookmeyer, Gary Burton, entre outros em gravações que datam de 1953 a 1967, fazendo parte da série "Compact Jazz" da Verve, que compilava o melhor de seus artistas em formato de CD. 


Saxofone Tenor – Stan Getz
Saxofone Barítono – Gerry Mulligan
Contrabaixo – Ray Brown, Ron Carter, Bill Anthony, Gene Cherico, Leroy Vinnegar
Bateria – Max Roach, Grady Tate, Art Mardigan, Elvin Jones, Joe Hunt, Stan Levey, Shelly Manne, Connie Kay
Guitarra – Herb Ellis
Piano – Oscar Peterson, Chick Corea, Johnny Williams, Bill Evans, Lou Levy
Trompete – Dizzy Gillespie
Trompone - Bob Brookmeyer, JJ Johnson
Vibrafone – Gary Burton, Lionel Hampton
Voz – Ella Fitzgerald

Datas de gravação:

Faixa 01 - 09 de dezembro de 1953, Los Angeles;
Faixa 02 - 30 de março de 1967, Nova York
Faixa 03 - 08 de novembro de 1954, Shrine Auditorium, Los Angeles
Faixa 04 - 06 de maio de 1964, Nova York
Faixa 05 - 19 de agosto de 1964, Cafe Au GoGo
Faixa 06 - 10 de outubro de 1957, Los Angeles
Faixa 07 - 22 de outubro de 1957, Los Angeles
Faixa 08 - outubro de 1957, Los Angeles;
Faixa 09 - 01 de agosto de 1955, Los Angeles
Faixa 10 - 07 de outubro de 1957, Shrine Auditorium, Los Angeles.

Boa audição - Namastê


quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Boxser: Thelonious Monk - The Complete Riverside Recordings (CD15)

Lançamento: 1986 
Selo: Riverside Records 
Gênero: Bop


Uma das coisas que aprendemos foi que – de acordo com pelo menos alguns historiadores da música – o termo jazz era uma corruptela da gíria “jass”, que era outra palavra para “erro”. (É claro que existem outras teorias, menos, digamos, agradáveis, sobre a etimologia da palavra jazz, mas esta serve ao meu propósito atual) as gravações alternativas demonstram o nível de inventividade e espontaneidade inerente à forma de tocar de Monk (e de seus músicos). Embora seja geralmente claro por que uma gravação foi escolhida para o lançamento (original) em detrimento de outra, mesmo as gravações inicialmente descartadas (e as gravações de acompanhamento, aliás) são um tesouro. As gravações alternativas e as gravações de acompanhamento constituem cerca de 10% do total de músicas nestes discos, mas sua apresentação em contexto ajuda a proporcionar ao ouvinte uma noção de como as sessões originais se desenrolaram. Para o jezzofilo cujo interesse em Monk vá além de um interesse casual – em outras palavras, para qualquer ouvinte cujo apetite tenha sido aguçado por, digamos, Misterioso – a abrangente coletânea The Complete Riverside Recordings merece ser seriamente considerada.

Piano – Thelonious Monk
Sax. Alto – Phil Woods, Pepper Adams, 
Sax. Barítono – Gerry Mulligan, Pepper Adams
Baixo – Sam Jones, Ahmed Abdul-Malik, John Ore, 
Sax. Tenor – Charlie Rouse 
Piano – Thelonious Monk
Trompete – Donald Byrd, Joe Gordon,
Bateria – Art Taylor, Shelly Manne, Harold Land, Billy Higgins, Frankie Dunlop,  
Flugelhorn – Clark Terry
French Horn – Robert Northern
Trombone – Eddie Bert
Tuba – Jay McAllister


Boa audição - Namastê

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Boxser: Thelonious Monk - The Complete Riverside Recordings (CD15)


Lançamento: 1986 
Selo: Riverside Records 
Gênero: Bop



Em vez de adotar a abordagem de compilar os álbuns de Monk pela Riverside e, em seguida, acrescentar faixas bônus inéditas a cada um (versões alternativas e afins), The Complete Riverside Recordings apresenta uma cronologia baseada nas datas de gravação. Assim, independentemente de quando uma faixa foi lançada originalmente (ou, em alguns casos, não lançada), a coletânea apresenta um registro em áudio de 153 gravações de estúdio, clubes e shows – solo e com músicos acompanhantes – na ordem em que Thelonious Monk as vivenciou. A lista de músicos que acompanham o álbum é, naturalmente, um verdadeiro desfile de gigantes do jazz da época. O baterista Art Blakey , John Coltrane (saxofone), Johnny Griffin (saxofone), Coleman Hawkins (saxofone), Thad Jones (trompete), Gerry Mulligan (saxofone), Max Roach (bateria), Oscar Pettiford (baixo), Sonny Rollins (saxofone), Charlie Rouse (saxofone), Clark Terry (trompete, flugelhorn) e Wilbur Ware (baixo) são apenas alguns dos músicos que participam. Os arranjos de Monk para as gravações da banda são bastante democráticos – quase todos têm sua vez de brilhar. E as faixas ao vivo têm um nível de entusiasmo que as gravações de estúdio – por mais inventivas e bem executadas que sejam – simplesmente não conseguem igualar. Suas composições solo são, por definição, um pouco mais idiossincráticas, mas, uma vez que se aceita a abordagem não convencional de Monk ao teclado do piano, elas se tornam fascinantes.

Piano – Thelonious Monk
Sax. Alto – Phil Woods, Pepper Adams, 
Sax. Barítono – Gerry Mulligan, Pepper Adams
Baixo – Sam Jones, Ahmed Abdul-Malik, John Ore, 
Sax. Tenor – Charlie Rouse 
Piano – Thelonious Monk
Trompete – Donald Byrd, Joe Gordon,
Bateria – Art Taylor, Shelly Manne, Harold Land, Billy Higgins, Frankie Dunlop,  
Flugelhorn – Clark Terry
French Horn – Robert Northern
Trombone – Eddie Bert
Tuba – Jay McAllister


Boa audição - Namastê

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Boxser: Thelonious Monk - The Complete Riverside Recordings (CD15)

Lançamento: 1986 
Selo: Riverside Records 
Gênero: Bop 


Monk gravou e lançou cerca de quarenta álbuns em seu próprio nome; mais da metade deles são dos períodos em que esteve contratado pela Riverside (1955-1961) e pela Columbia (1962-1968). Uma caixa vencedora do Grammy em 1986, The Complete Riverside Recordings , compilou todas as gravações de Monk para a Riverside em 15 CDs. Levando em consideração a preferência atual do consumidor de música por conjuntos fisicamente mais compactos (veja também: os recentes relançamentos em tamanho reduzido da empresa controladora Concord Music Group de The Complete Tony Bennett/Bill Evans Recordings ( 2009) e The Complete Stax Soul Singles Vol. 3 ), o conjunto de CDs foi relançado em 2015 em uma caixa medindo 12,7 cm x 14 cm x 4,4 cm . Os quinze discos vêm embalados individualmente em uma fina capa de papelão, e o livreto da edição original — que inclui notas do renomado produtor Orrin Keepnews — também foi reduzido para o tamanho de um CD de 60 páginas. Com a nova reedição menos focada na embalagem, a música volta a ser o destaque.

Sax. Alto – Gigi Gryce
Sax. Barítono – Gerry Mulligan, Pepper Adams
Baixo – Wilbur Ware, Sam Jones, Ahmed Abdul-Malik, Roy Haynes 
Sax. Tenor – Coleman Hawkins, John Coltrane, Johnny Griffin
Piano – Thelonious Monk
Trompete – Ray Copeland, Ray Copeland, Donald Byrd
Bateria – Shadow Wilson, Philly Joe Jones, Roy Haynes 
Flugelhorn – Clark Terry

Boa audição - Namastê

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Boxser: The Perfect Jazz Collection 25 Original Albums (CD14)

Álbum:... Two Of A Mind 
Lançamento: 1963 / 2010
Selo: Columbia / Great Jazz Composers Series
Gênero: Cool Jazz


Álbum gravado pelos saxofonistas de jazz americanos Paul Desmond e Gerry Mulligan com performances de gravação em 1962 e lançadas pela gravadora RCA Victor. O álbum é o segundo de dois encontros que Mulligan e Desmond gravaram em um quarteto sem piano sebdo o primeiro, gravado em 1957, "Blues in Time" (originalmente intitulado Gerry Mulligan - Paul Desmond Quartet ). A faixa-título do álbum é uma contrafação baseada em "Look for the Silver Lining".

Paul Desmond – Sax. Alto
Gerry Mulligan – Sax. Barítono
Jim Hall – Guitarra (faixas 10 e 11)
John Beal - Baixo (faixas 4, 5, 7, 10 e 11), Joe Benjamin (faixas 3, 6 e 9), Wendell Marshall (faixas 01, 02 e 08)   
Connie Kay - Bateria (faixas 1, 2, 4, 5, 7 e 8), Mel Lewis (faixas 03, 06 e0 9), Ed Shaughnessy (faixas 10 e 11)  

Gravado no 'Webster Hall', Nova York em 08 de junho de 1962 (faixas 10 e 11), 'RCA Studio A' em Nova York em 26 de junho de 1962 (faixas 04, 05 e 07), 03 de julho de 1962 (faixas 01, 02 e 08) e 13 de agosto de 1962 (faixas 3, 6 e 9).


Boa audição - Namastê

quarta-feira, 16 de abril de 2025

The A-Z Encyclopedia Of Jazz (2xCD)

Artista: VA
Lançamento: 1996
Selo: RETRO (The Gold Collection)
Gênero:  Dixieland, Swing


O jazz é, sem dúvida, a música mais livre do planeta. Nela é permitido ao músico esquecer as regras e os dogmas criados pelo mundo e ao ouvinte entregar-se ao feitiço e pureza do seu ritmo. Quando surgiu, no final do século XIX e início do século XX, no sul dos Estados Unidos, principalmente na cidade de Nova Orleans, o jazz foi considerado profano. No início do ano de 1800, os escravos se reuniam na Praça do Congo para tocar suas músicas e mostrar suas danças tradicionais. Os negros norte-americanos foram os porta-vozes do jazz. Cantado ou tocado eles fizeram do jazz a sua identidade, que é respeitada e admirada até hoje em todo o mundo. embora a maioria dos historiadores considera o ano de 1935 como o início da era das ‘Big Bands’, o tema é discutível, pois o jazz das Big Band já tinha sido gravado em 1920. Em 1917, a ‘Original Dixieland Jazz Band’ gravou os primeiros discos na história do jazz. A homenagem não é concedida a esta verdadeira pioneira do gênero, pois, esses historiadores consideram esse pequeno grupo como uma simples imitação, uma banda pobre. Entretanto, as suas gravações venderam mais de um milhão de cópias e permitiram que o jazz fosse ouvido em todo o país. O jazz começou em Nova Orleans, com Oliver King, no início de 1900. O som do jazz foi difundido pelos músicos e bandas como entretenimento nos barcos que navegavam pelo Mississippi. Na década de 20 começou a migrar para um formato de big band que combinavam elementos do ragtime, spirituals, blues e música européia. Duke Ellington, Ben Pollack, Don Redman e Fletcher Henderson eram os líderes das primeiras grandes bandas. Depois vieram os bandleaders Coleman Hawkins, Benny Goodman, Glenn Miller, Red Allen, Roy Eldridge, Benny Carter e John Kirby. Enquanto esses músicos estavam tocando big band jazz, a popularidade da dance band jazz nos hotéis da década de 20 também foi um fator importante na evolução da era das Big Bands.



Boa audição - Namastê

segunda-feira, 14 de abril de 2025

Boxser: Jazz Cats Sax (3xCD)

Artista: VA
Lançamento: 2006
Selo: GOLDEN STARS Records
Gênero: Bop, Bebop

 O saxofone se tornou particularmente popular no jazz, onde foi usado por muitos músicos talentosos, incluindo Charlie Parker, John Coltrane e Stan Getz. O som único do saxofone é bem adequado ao jazz, permitindo que os músicos expressem suas emoções e improvisem com facilidade. O sax é um instrumento musical único e versátil que tem uma longa história e uma rica tradição. Desde a sua invenção no século XIX por Adolphe Sax até os dias de hoje, o saxofone tem sido usado em uma variedade de gêneros musicais, incluindo jazz (seu epicentro), blues, rock e música clássica. O saxofone é um instrumento musical fascinante e emocionante que continuará a encantar e inspirar músicos e amantes da música por muitos anos vindouros.

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"O saxofone é um instrumento especial. Ele tem um som quente e expressivo que pode fazer você sentir tudo, desde tristeza até felicidade." - Charlie Parker

Boa audição - Namastê


terça-feira, 28 de março de 2023

Chet Baker Sings and Plays from the Film "Let's Get Lost" (1989)

Artista: Chet Baker
Álbum: Let's Get Lost 
Lançamento: 1989
Selo: Verve Records
Gênero: Cool Jazz, OST

No documentário ‘Let’s Get Lost’, Bruce Weber parece que quis parar o tempo, preservando a ilusão de que nada de trágico aconteceu a Chet Baker desde o início dos anos 50. No álbum composto especialmente para o documentário, na companhia de Frank Strazzeri no piano, John Leftwich no baixo, Ralph Penland na bateria e percussão e Nicola Stilo na guitarra e flauta, nas músicas de Duke Ellington & Billy Strayhorn, Cole Porter, Johnny Burke & Jimmy Van Huesen e Antônio Carlos Jobim, o talento musical de Chet Baker é indiscutível, e estas gravações são um testemunho incrível disso. Cada uma delas é filtrada através do coração e alma de Chet Baker. Há momentos em que parece que ele está pendurando nas notas e carinhosamente acaricia cada canção. A intimidade que ele é capaz de expressar faz parecer que estamos em um mal iluminado clube de jazz. Os músicos são perfeitos em seu apoio e a voz de Baker é o centro de cada arranjo, e não há dor tão clara quanto a expressa na sua voz sussurrada. O fotógrafo Bruce Webber resgatou Baker e na companhia de fantásticos músicos gravou 12 antológicas canções para um dos mais importantes documentários sobre o famoso representante do cool jazz e do west coast. Weber mostra que Chet Baker mesmo corroído pelo uso contínuo de drogas, era um gênio. Feito em 1988, Weber traça a carreira de Chet a partir da década de 50, tocando com grandes nomes do jazz como Charlie Parker, Gerry Mulligan e o pianista Russ Freeman, até a década de 80, quando seu vício em heroína manteve-o na Europa. Através da justaposição dessas duas décadas, entre clips de arquivamento e imagens de 1987, Weber apresenta um contraste acentuado entre o Baker bonito e sexy que se assemelhava a uma mistura de James Dean e Jack Kerouac e em que ele se tornou: uma triste figura destruída. ‘Let’s Get Lost’ começa perto do final da vida de Baker, nas praias de Santa Monica, e termina no Festival de Cannes. Bruce Weber aos 16 anos se interessou por Chet Baker quando viu a foto do músico na capa do LP de vinil de 1955 em uma loja de discos de Pittsburgh. Pessoalmente, Weber conheceu Baker, no inverno de 1986 em um clube de jazz na cidade de Nova York e convenceu-o a fazer uma sessão de fotos e o que foi originalmente um filme de três minutos. Eles estiveram um bom tempo juntos e Baker começou a revelar-se a Weber. Posteriormente, Baker foi convencido a fazer mais um filme e as filmagens começaram em 1987. Entrevistar Baker foi um desafio para Weber devido ao vício, mas Weber conseguiu um retrato sonhador de Chet Baker. ‘Let’s Get Lost’ teve sua estreia mundial no ‘Festival Internacional de Toronto’ e foi indicado para o Oscar de melhor documentário. O título do filme é de uma canção gravada no álbum ‘Chet Baker Sings and Plays’, o primeiro álbum de Chet Baker que o diretor Bruce Weber comprou quando tinha 16 anos. Um dos últimos registros de Baker em vida, que foi lançado pouco depois de sua morte, o documentário é difícil de se ver, é devastador testemunhar o que a heroína fez. Nos últimos anos ele era apenas um rascunho do que foi. Seu rosto está cadavérico e ele sempre parece ter alguma dificuldade em permanecer acordado, e em alguns momentos parece que ele passeia por ‘Let’s Get Lost’ como um sonâmbulo. Para os críticos Chet morrera décadas antes daquele fatal mergulho da janela de seu quarto em Amsterdã. Até hoje ninguém sabe como ele morreu, se foi suicídio, assassinato ou delírios causados pela droga. Para os fãs, como eu, a voz e o trompete de Chet, mesmo decadente, sempre remeterão a um clima sofisticado e intimista. E eu teimo em querer guardar aquele Chet Baker no seu auge, como uma imagem estranhamente espectral, como alguém preso em um bloco de gelo. 

Baixo – John Leftwich
Bateria, Percussão – Ralph Penland
Violão, Flauta – Nicola Stilo
Piano – Frank Strazzeri
Produtor – Steve Backer
Gravado por – Jim Mooney ( faixas: 1, 2, 4 a 7, 9, 10 ) , Philippe Omnes ( faixas: 3, 8, 11, 12 )
Gravado por (assistente) – Jerry Wood ( faixas: 1, 2, 4 a 7, 9, 10 )
Trompete, Vocais – Chet Baker

Faixas 1, 2, 4, 5, 6, 7, 9 e 10 gravadas no Sage & Sand Sound Studios, Hollywood, CA.
Faixas 3, 8, 11 e 12 gravadas no Studio Davout Recording, Paris, França.
Todas as músicas mixadas no Clinton Recording Studios, Nova York, NY.

Boa audição - Namastê


quinta-feira, 23 de março de 2023

Chet Baker Almost Blue

Artista: Chet Baker

Álbum: Almost Blue 

Lançamento: 2002

Selo: Verve Records

Gênero: Vocal Jazz, Cool Jazz

Morreu em 1988 ao cair da janela de um hotel em Amsterdã. A causa do acidente tem duas versões: suicídio ou excesso de drogas. O que dá no mesmo. Foi um trompetista de jazz. Na infância, começou a cantar na igreja e ganhou um trompete do pai, guitarrista amador de bandas de country, de quem herdou a paixão pela música. Aos 17 anos, acrescentou um ano em seus documentos e alistou-se no Exército. Sendo transferido para Berlim começou a tocar em bandas militares. É nesse período que ouve jazz pela primeira vez, pela rádio do exército. Ao sair do exército parte para Los Angeles e começa a estudar teoria musical. Iniciou a sua carreira de sucesso com Charlie Parker quando este estava à procura de um trompetista para acompanhá-lo em sua turnê pelos Estados Unidos e Canadá. Baker tinha grande afeição por Charlie Parker, por sua gentileza, honestidade e pela maneira como protegia os músicos da banda, tentando mantê-los longe da heroína que tanto lhe corroía. Amante do jazz, Baker não tardou em conquistar o sucesso, sendo apontado como um dos melhores trompetistas do gênero. Em seguida, entrou para o ‘Gerry Mulligan Quartet’, que criou o estilo ‘west coast’, um estilo de jazz mais calmo, menos frenético cujas músicas caracterizavam-se por composições mais elaboradas. Tempos depois, Chet conquistou um novo público ao lançar-se como cantor, à frente do próprio quarteto. Sua versão de ‘My Funny Valentine’ com Mulligan é clássica. A música de Chet foi um retrato de sua vida, triste. O trompetista teve tudo: prestígio, dinheiro, todas as mulheres que poderia, beleza e talento. Lendo isso nem parece que seu fim foi tão trágico e, a culpa é (mais uma vez), do álcool e das drogas, mais especificamente da Heroína, companheira do americano durante boa parte de sua vida. Conheci o timbre de seu trompete logo depois de escutar a mística de Miles Davis e, mesmo Chet não sendo tão virtuoso (ou até mesmo visionário como o mestre do Fusion), acho que poucos realmente percebem seu talento, sendo este um dos nomes mais injustiçados e subestimados do Jazz. Um ser dotado de uma voz leve, calma, aveludada, e um trompete delicado, econômico, que mesmo não sendo nada assombrosamente técnico, era sentimento puro. 


Saxofone Alto – Steve Houben (faixas: 1 a 5)

Baixo – Hein Van de Geyn (faixas: 6 a 8) e Kermit Driscoll (faixas: 1 a 5) 

Bateria – Bruno Castellucci (faixas: 1 a 5) e John Engels (faixas: 6 a 8) 

Guitarra – Bill Frisell (faixas: 1 a 5) 

Piano – Dennis Luxion (faixas: 1 a 5) e Harold Danko (faixas: 6 a 8) 

Trompete e Vocais – Chet Baker  

 

Faixas 01-05, gravando em Bruxelles, novembro de 1979 (originalmente emitido como Chet Baker - Steve Houben). Faixas 06-08 gravando em Tóquio, junho de 1987 (faixas 6, 8 de Memories - In Tokyo, faixa 07 do álbum 'Four' de 1989). Almost Blue foi composto por Elvis Costello


 Boa audição - Namastê

terça-feira, 29 de novembro de 2022

# 106 - Guy Lafitte - Blues (1969)

Artista: Guy Lafitte

Álbum: Jazz in Paris 106

Lançamento: 2007

Selo: Gitanes Jazz Produção

Gênero: Cool

Embora Miles Davis tenha aparecido primeiro em gravações bebop de Charlie Parker, sua primeira sessão importante como um líder de banda foi chamada The Birth Of The Cool. Um álbum contendo todas as gravações desse grupo está à venda. O estilo cool jazz foi descrito como uma reação contra os andamentos acelerados e as complexas ideias melódicas, harmônicas e rítmicas do bebop. Essas ideias foram apreendidas por muitos músicos da Costa Oeste americana, e esse estilo por isso também é chamado West Coast jazz. Essa música é geralmente mais relaxada que o bebop. Entre os outros músicos do estilo cool estão os saxofonistas Stan Getz e Gerry Mulligan e o trompetista Chet Baker. Stan Getz também leva o crédito pela popularização de estilos brasileiros, como a bossa nova e o samba, nos Estados Unidos. Esses estilos e alguns poucos outros estilos latino-americanos são às vezes chamados coletivamente de jazz latino. Muito grupos do estilo cool jazz não usam um piano e contam, em vez disso, com o contraponto e a harmonização entre os instrumentos de sopro, geralmente o saxofone e o trompete, para delinear as progressões de acordes. Entre os grupos liderados por pianistas que saíram dessa escola estão os de Dave Brubeck (com Paul Desmond no saxofone), Lennie Tristano (com Lee Konitz e Warne Marsh no saxofone) e o Modern Jazz Quartet ou MJQ (com John Lewis no piano e Milt Jackson no vibrafone), que também utiliza elementos de música clássica. A incorporação de música clássica no jazz é geralmente chamada de terceira corrente, ou third stream.

Baixo – Henri Texier

Coordenador – François Lê Xuân

Bateria – Charles Saudrais (faixas: 3, 5, 7), Daniel Humair (faixas: 1, 2, 4, 6, 8)

Guitarra – Pierre Cullaz

Piano – Raymond Fol

Saxofone Tenor – Guy Lafitte


Gravado em Paris 16,17 e 26 de junho de 1969


 Boa audição - Namastê

terça-feira, 26 de julho de 2022

# 053 - Chet Baker Quartet Plays Standards (1955)

Artista: Chet Baker 

Álbum: Jazz in Paris 053

Lançamento: 2001

Selo: Gitanes Jazz Produção

Gênero: Easy Listening, Cool Jazz

Chet Baker, trompetista e cantor, depois de tocar em bandas do exército, atraiu a atenção durante os seus embates musicais com Charlie Parker e Gerry Mulligan em 1952 e 1953. As gravações como ‘My Funny Valentine’, com sua abordagem frágil como vocalista, se reflete no seu estilo no trompete. Grande parte de sua carreira, interrompida várias vezes por problemas decorrentes da dependência de drogas, foi na Europa. Periodicamente, recebendo elogios da crítica durante uma carreira errática devido ao vício e outros problemas pessoais, Chet Baker foi uma força fundamental por trás do cool jazz, um movimento que surgiu no final da década de 40 em Nova Iorque e ganhou popularidade na década de 50. Um de seus maiores representantes foi o músico Miles Davis. O estilo caracteriza-se por ser, na maioria das vezes, uma música mais lenta e mais melancólica. Chet Baker produziu solos com uma beleza introspectiva que sintetizou a sensibilidade do estilo cool. Estabeleceu sua reputação primeiramente como trompetista tocando com o quarteto de Gerry Mulligan, em seguida, como instrumentista e cantor por conta própria. Sua aparência, semelhante ao ídolo James Dean, e seu tom de voz suave e gentil ajudaram a garantir a sua popularidade e fez dele um símbolo do cool jazz.

Contrabaixo – Jimmy Bond

Bateria – Bert Dahlander 

Piano – Gérard Gustin

Trompete – Chet Baker

Gravado em 24 de outubro de 1955 no Estúdio Pathé-Magellan, Paris


Boa audição - Namastê

domingo, 8 de setembro de 2019

2004 - Jazz Ballads 01 - Chet Baker & Gerry Mulligan


Álbum: Jazz Ballads Vol. 01
Artista: Chet Baker & Gerry Mulligan
Lançamento: 2004
Selo; Membran Music
Gênero: Jazz, West Cost Jazz, Cool, Hard Bob
Boa audição - Namastê

quarta-feira, 22 de maio de 2019

O que é a 'Bossa Nova'

Recentemente dei uma entrevista sobre Bossa Nova para a BBC de Londres e sabendo que me dirigia a um povo culto me expandi à vontade, quase que em catarse. Ficou claro que a bossa nova é um fenômeno ainda não bem compreendido e sugere algumas considerações. Para começar existe uma grande afinidade com a Escola Provençal do século XIII, também conhecida como Fin Amors. Ali, Leonor de Aquitânia, mãe de Ricardo Coração de Leão, era destacada poeta e rodeada de trovadores e menestréis que ao som do alaúde (ancestral do violão) compunham trovas que eram sussurradas ao ouvido das mulheres. Também a Bossa Nova é sussurrada e nunca gritada. Romântica e elegante, nunca vulgar, está de acordo com a descrição do cineasta Luiz Buñuel: o discreto charme da burguesia. Sim porque a bossa nova nada mais é que um produto da classe média do Rio de Janeiro que se dirige à classe média do mundo inteiro. Classe média do Rio de Janeiro que abrigava, além dos cariocas, baianos como João Gilberto, capixabas como Roberto Menescal e Nara Leão, paraibanos como Geraldo Vandré, acreanos com João Donato e paulistas como Sérgio Ricardo e Wanda Sá e, futuramente, Toquinho. Cumpre notar que, durante minha vida artística, constatei uma coisa curiosa: que o talento artístico independe totalmente de inteligência, cultura, bom caráter e sanidade mental ou física. Conheci ou ouvi dizer de artistas dotados de indiscutível excelência e, no entanto, destituídos de uma ou outra das qualidades ou benefícios citados. Um compositor de Bossa Nova que se preza sofre uma série de influências que começam com o impressionismo de Ravel e Debussy, além de Bach, Villa-Lobos, Stravinsky, Brahms e Schumann. Sofre influência do bolero mexicano de Agustín Lara, Gonzalo Curiel e Maria Griber, bolero esse que no Brasil tomou o formato de samba canção. Da canção francesa de Charles Trenet e Henry Salvador. Em seguida vem a influência dos cinco grandes compositores norte americanos, Cole Porter, George Gerhwin, Jerome Kern, Irving Berlin e Richard Rogers estes, como nós, identificados com o jazz west coast de Gerry Mulligan, Chet Baker, Shorty Rogers, Barney Kessel, Stan Kenton e Modern Jazz Quartet. A Bossa Nova, enfim, deve seu nascimento a um efervescente surto cultural (e nãomovimento, como se diz erroneamente) que se processou no Brasil durante os anos 50 e que se manifestou no teatro com o Teatro de Arena de São Paulo, o TBC, o Teatro dos Quatro e o Oficina. Nas artes plásticas com Lygia Clark, Lygia Pape, Hélio Oiticica, Wesley Duke Lee , entre outros. Na arquitetura com Oscar Niemayer, Lucio Costa e Burle Marx. Na indústria automobilística, e nos esportes com Pelé e Garrincha nos mundiais de futebol, com Eder Jofre no box, Maria Esther Bueno no tênis, Ademar Ferreira da Silva no salto tríplice e até em beleza com a conquista do título de Miss Universo por Yeda Maria Vargas. A Bossa Nova foi, nada mais nada menos, que o fundo musical disso tudo. Quanto ao nome Bossa Nova, esse foi criado durante uma apresentação que fizemos, em 1958, na Sociedade Israelita: eu, Silvinha Teles, Menescal, Ronaldo Bôscoli e Nara Leão. Na porta do clube havia um cartaz com nossos nomes seguidos dos dizeres “...e os Bossa Nova”. Perguntei ao produtor e diretor social do clube o que significava aquilo. A resposta foi: Isso é um nome que inventei para vocês. Adotamos o nome e soubemos, mais tarde, que esse judeuzinho criativo se havia mudado para Israel. Depois disso nunca mais ouvimos falar dele.
Boa leitura - Namastê

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

A história da Bossa Nova - Parte II

Na área de composição, quem mais havia ousado era o romântico Custódio, morto precocemente aos 35 anos, em 1945, autor de Mulher, Velho Realejo e Saia do Caminho, seu maior sucesso, e Noturno, composição de harmonia muito elaborada, de bela linha melódica e considerada, na época, um verdadeiro teste de interpretação para qualquer cantor ou cantora. Custódio, que compôs cerca de 700 canções, gravadas pelos grandes nomes da época, como Orlando Silva e Sílvio Caídas, já tentava misturar os recursos do jazz e da música erudita aos elementos da música brasileira. Também era moderno gostar de conjuntos vocais como os Garotos da Lua, do qual João Gilberto foi crooner, e os Quitandinha Serenaders, que contavam com Luiz Bonfá ao violão. Ou ainda Os Cariocas, então em sua formação original: Ismael Neto, Severino Filho, Badeco, Quartera e Valdir. Todos eles também demonstravam uma sensível influência da música americana, mais elaborada e de certa forma mais elegante. Dick Farney, nome artístico de Farnésio Dutra da Silva, chegou a ser apelidado de "o Frank Sinatra brasileiro", tal a qualidade de sua voz. Logo após o lançamento de Copacabana, Dick, um apaixonado pela música americana, especialmente por Sinatra, Mel Tormé e Dick Haymes, embarcou para os Estados Unidos a fim de tentar a carreira por lá, cantando também em inglês. Em 1948, o cantor voltou ao Brasil, mas sua carreira já estava irremediavelmente influenciada pela música americana. Nos anos seguintes ele gravaria sucessos como Marina e Alguém Como Tu. No verão de 1949, foi fundado na Rua Dr. Moura Brito, na Tijuca, o primeiro fã-clube do Brasil: o Sinatra-Farney Fã-Clube, do qual faziam parte nomes como Johnny Alf, João Donato e Paulo Moura. Lá, além de ouvir fervorosamente sucessos de seus dois ídolos, eles também começavam a "arranhar" os seus instrumentos. Voltando para a América, Dick tornou-se amigo dos mais conhecidos instrumentistas do jazz como Dave Brubeck, uma de suas principais influências no piano. Na década de 50, já amigo de diversos músicos americanos e com respeitado conceito entre eles, Dick Farney tocava no Peacock Alley, um requintado bar do hotel Waldorf Astoria, em Nova York. Como os frequentadores do bar em sua maioria não falavam português, Dick apresentava a música Copacabana com uma versão em inglês. Na época, Ipanema ainda não era cantada em prosa e verso, sendo o bairro de Copacabana o verdadeiro cartão-postal do Rio de Janeiro, o que despertava a curiosidade, na letra em inglês, da canção que havia sido no Brasil um grande sucesso do cantor. Numa viagem ao Rio, em 1958, Dick deu um memorável concerto de jazz no auditório do jornal 'O Globo', apresentando-se com o baixista Xu Viana e o baterista Rubinho. Entre os temas de jazz, tocou sua versão de Copacabana com a letra em português e inglês, o que foi o sucesso da noite. O concerto foi gravado ao vivo e virou um LP no qual curiosamente a faixa Copacabana não se encontra. Dick Farney foi um dos primeiros cantores a procurar uma nova maneira de interpretar o samba. "Por que não existe um samba que a gente possa cantarolar no ouvido da namorada?", perguntava ele. Logo em seguida, uma turma de adolescentes do Flamengo resolveu criar o Dick Haymes-Lúcio Fan Club, para homenagear o fundador do grupo Namorados da Lua. Lúcio Ciribelli Alves, nascido em Cataguases, Minas Gerais, também era um amante da música americana, principalmente do jazz, que começou a ouvir ainda criança, na Tijuca. Estimulado pela família, Lúcio participou de um programa infantil na Rádio Mayrink Veiga, Bombonzinho. Deste, passou para o Picolino, na mesma rádio. De lá foi para a Rádio Nacional, onde, no programa Em Busca de Talentos, ganhou o primeiro prêmio. Daí em diante, Lúcio não parou mais de cantar. Fã de conjuntos vocais como Pied Pipers, Moderneer's e Starlighter's, aos 14 anos fundou o grupo Namorados da Lua, do qual era crooner, violonista e arranjador. Com o grupo vocal, inscreveu-se no programa de calouros de Ary Barroso, conseguindo o primeiro lugar. A partir daí, os Namorados gravaram mais de 40 discos em 78 rotações e apresentaram-se em cinemas e cassinos durante alguns anos. Em 1947, Lúcio foi convidado para integrar, em Cuba, o grupo Anjos do Inferno. De lá, com o grupo, foi para os Estados Unidos, onde, assim como Dick Farney, também muito aprendeu. Logo Carmen Miranda convidava os Anjos para acompanhá-la. Lúcio, no entanto, preferiu abandonar o grupo e voltar para o Brasil, encantando seus fãs com sucessos como Foi a Noite, De Conversa em Conversa e Sábado em Copacabana. Apesar das inovações na área de interpretação, trazidas principalmente das experiências de Lúcio Alves e Dick Farney no exterior, no início dos anos 50, as músicas consideradas modernas eram do tipo dor de cotovelo, embora com as harmonias já mais trabalhadas, como em Ninguém Me Ama, do lendário jornalista Antonio Maria. (...) Continua na próxima postagem. Fonte: Revista Caras - Edição Especial de Julho de 1999.
Boa leitura - Namastê