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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Boxset: Triumphs Of The Blues (20xCD's) CD01

Lançamento: 2001/02/03
Selo: Habana 
Gênero: Chicago Blues, Country Blues, Delta Blues, Harmonica Blues, Jump Blues, 
Louisiana Blues, Piano Blues, Rhythm & Blues, Texas Blues, East Coast Blues

Les Triomphes du Blues — Volume 01: "Du Delta à Detroit", abre o primeiro volume da aclamada coleção francesa "Les Triomphes du Blues" (lançada pelo selo Habana) traz o subtítulo sugestivo "Du Delta à Detroit" (Do Delta a Detroit), obra funcional como uma verdadeira cartografia sonora e antropológica, traçando a linha de evolução e migração do blues rural primitivo do sul dos Estados Unidos até as correntes urbanas e industrializadas do norte. O conceito e a rota geográfica (do Delta a Detroit) mapeia a grande rota de migração da população negra americana (frequentemente chamada de Great Migration), que deixou as plantações de algodão do Delta do Mississippi em direção aos grandes centros industriais do Centro-Oeste, como Detroit e Chicago, em busca de melhores condições de vida e trabalho nas fábricas automobilísticas. O CD reflete essa transição estética, começa com o som rústico, acústico e visceral das margens do rio Mississippi e culmina no blues elétrico, magnético e hipnótico das metrópoles industriais. Os músicos em destaque divide-se essencialmente entre a genialidade fundadora de dois grandes pilares de eras distintas: Charley Patton (O patriarca do Delta), Considerado por muitos historiadores como o verdadeiro "pai do Delta blues", Patton é a voz da primeira metade do disco. "Spoonful Blues", "Revenue Man Blues" e "Mississippi Bo Weavil Blues" são faixas marcantes, sua performance vocal era estridente, áspera e cortante, projetada para ser ouvida em juke joints barulhentos sem amplificação elétrica. John Lee Hooker (O Rei de Detroit), representando a chegada ao norte industrial, Hooker traz a batida magnética baseada em um único acorde (one-chord boogie), carregada de tensão urbana. O clássico revolucionário "Boogie Chillen", "Hobo Blues" e "Crawling King Snake" são seus destaques sonoros e sua pegada modernizada do gênero, preparando o terreno para o advento do rock and roll. Instrumentos e sonoridade. O contraste instrumental é um dos maiores atrativos técnicos deste volume,  era acústica (O Delta) predomínio absoluto do violão de aço (muitas vezes tocado com bottleneck ou slide de metal/vidro para imitar o som de lamentos vocais) e a stomping rhythm (batidas de pé no chão de madeira para marcar o ritmo). Marcas de violão clássicas da época, como os modelos da Stella e Gibson, ditavam a sonoridade estalada e ressonante. A era elétrica (Detroit), introdução marcante da guitarra amplificada (com destaque para o uso primitivo de distorção valvulada e microfonação direta de amplificadores compactos), além da introdução da pulsação estática e hipnótica que simulava o ritmo das máquinas das fábricas de Detroit. Já os locais de gravação e contexto histórico nas faixas presentes neste volume resgatam gravações originais de arquivo extraídas de antigas sessões em campos móveis de gravadoras (como a Paramount Records) em hotéis do Sul rural durante os anos 1920 e 1930, migrando posteriormente para estúdios urbanos em Detroit e Chicago nos anos 1940. O processo de remasterização presente nesta edição francesa buscou limpar os chiados excessivos dos discos originais de 78 RPM sem eliminar a atmosfera crua e analógica da época. Itens de enriquecimento e curiosidades na estética do Box: A coleção original francesa destaca-se pelo cuidado editorial, trazendo capas em estilo cardboard sleeves (réplicas miniaturas dos compactos/LPs originais) e livretos informativos. O impacto cultural ao scutar este volume em sequência permite entender como o desespero econômico do pós-depressão no campo ("Revenue Man Blues") transformou-se na urgência urbana e autoral do homem livre nas ruas de Detroit ("Boogie Chillen"). Uma audição obrigatória para compreender a transição de raiz do blues primitivo para a modernidade elétrica.


Boa audição - Namastê

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Boxset: Triumphs Of The Blues (Box Set 20xCD)

As proximas postagens traz em sua integra o ambicioso box set "Triumphs Of The Blues" (frequentemente catalogado sob o título europeu/francês "Les Triomphes du Blues", lançado pelo selo Habana/distribuições especializadas) representando um marco colossal na arquivística fonográfica do gênero. Composto por 20 CDs remasterizados e  apresentados em embalagens individuais (cardboard sleeves), esta coleção funciona menos como uma simples coletânea comercial e mais como um verdadeiro museu portátil da música afro-americana, mapeando a evolução do blues desde as raízes rurais do Delta do Mississippi até as metrópoles industriais do pós-guerra. O contexto histórico e curadoria no início dos anos 2000, uma época áurea para a salvaguarda de arquivos fonográficos históricos, o box adota uma abordagem temática e geográfica estrito-sensu. Diferente de coletâneas cronológicas lineares, "Triumphs Of The Blues" agrupa os discos por escolas regionais, subgêneros e papéis de gênero (como o protagonismo feminino). O mérito crítico da curadoria evita os clichês puramente comerciais ao resgatar gravações raras de 78 RPM (muitas delas licenciadas de catálogos de preservação rigorosa, ecoando o rigor de selos como a Document Records) trazendo a crítica técnica no processo de remasterização lida admiravelmente bem com o ruído de fundo inerente aos acetatos e matrizes dos anos 1920 e 1930, embora em alguns discos os filtros de redução de ruído (noise reduction) possam suprimir sutilmente a "respiração" original dos instrumentos acústicos. Já a estrutura de conteúdo por blocos temáticos (panorama dos 20 CDs), em buscar análise de um volume tão vasto, a obra pode ser dividida criticamente em cinco grandes pilares estéticos: 01: As raízes rurais e a diáspora do Delta (Ex: CDs dedicados ao Delta, Mississippi e Country Blues) com destaques na imortalização de lendas primordiais como Charley Patton, Robert Johnson, Son House e Bukka White perfazendo o coração telúrico do box, onde o violão slide e as letras de forte teor confessional e místico moldam o arquétipo do bluesman. 02:  A vertente Texana e o virtuosismo do violão (Ex: Texas Blues) com destaques ao focar na sofisticação melódica de Blind Lemon Jefferson e na transição para o jazz e o R&B com T-Bone Walker, cujos acordes prefiguraram a era da guitarra elétrica. 03: O empoderamento e o monopólio das grandes vozes femininas (Ex: Chanteuses de Blues / Classic Blues) com destaques aos  volumes essenciais que resgatam matronas e pioneiras do 'vaudeville blues' como Bessie Smith, Ma Rainey, Memphis Minnie, Ethel Waters e incursões de jazz com Billie Holiday e Ella Fitzgerald  desmistificando a ideia de que o blues inicial era um reduto exclusivamente masculino. 04: A eletrificação e a mutação urbana (Chicago, Detroit e Jump Blues) com destaques ao mapeiar a migração em massa dos negros do sul rural para o norte industrial. John Lee Hooker (Boogie Chillen), Muddy Waters e nomes do jump blues e piano blues mostram como o ritmo ganhou volume para competir com o barulho dos juke joints urbanos. 05: O aprofundamentos regionais e mestiçagens com destaques de discos dedicados às ramificações da Louisiana, Costa Leste (East Coast Blues) e harmonica Blues, demonstrando a versatilidade de um gênero que se adaptava a cada microclima cultural dos Estados Unidos. Já a curiosidades e análise crítica de produção é o Enigma do Embalamento. O formato original em caixas de papelão minimalistas priorizou o apelo de colecionador purista europeu, embora exija cuidado extremo no manuseio para evitar o desgaste das mídias. O impacto documental é historicamente na caixas com essa amplitude serviram na virada do milênio para introduzir a nova geração de ouvintes digitais à vastidão pré-bélica do blues, preenchendo lacunas que compilações de uma única gravadora (como RCA ou Columbia) isoladamente não conseguiam cobrir. O ponto fraco fica na ausência de um libreto (liner notes) multilíngue e fartamente ilustrado em algumas tiragens limitadas, diminui o escopo acadêmico do produto e exigindo que o ouvinte recorra a enciclopédias externas para contextualizar a discografia de cada faixa. Minha avaliação de audiofilo e curador de anos do genero. Minha  avaliação de “Triumphs Of The Blues" não fica apenas em uma caixa de CDs exposata na estante sem uso continuo mas uma monumental arqueologia sonora, documentando o momento em que a dor da segregação e do trabalho braçal se transformou na fundação de toda a música popular ocidental contemporânea.” Veredito: Indispensável para historiadores de música, universidades, colecionadores sérios e amantes da arte dos dozes compasos. Minha nota Técnica/Artística: 9.2 / 10 (Perde décimos apenas pela esparsa documentação de texto em edições específicas, compensada integralmente pela altíssima relevância do repertório sonoro resgatado).
 

Boa audição - Namastê


terça-feira, 2 de abril de 2013

1990 - Um Lugar Muito Quente (The Hot Spot - Jack Nitzsche) OST

 Artista: Miles Davis
Album: The Hot Spot
Genero: Trilha Sonora, Jazz, Blues
Lançamento: 1990
Selo: Verve / Antilles
Codec: MP3
 
 07. Bank Robbery
 
 
Boa audição - Namaste