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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Boxset: La Grande Histoire Du Jazz, do Ragtime ao Swing 1898-1952 (25CDs)


Lançamento: 2009
Selo: Le Chant du Monde 
Gênero: Swing, Ragtime, Big Band, Early Jazz, New Orleans Jazz, Dixieland, Harlem Stride Piano, Gipsy Jazz (Jazz Manouche), Negro Spirituals/Gospel


O epílogo além do tempo: O Jazz como espelho da eternidade aparece no vigésimo primeiro volume desta antologia opera em uma dimensão distinta: a do pós-histórico. Se o CD20 foi a consagração do Jazz como patrimônio universal o CD21 é o vislumbre do Jazz como uma entidade que não depende mais da cronologia para existir além de atua como um "apêndice metafísico", onde as fronteiras entre o artista, a época e a técnica se dissolvem. Estamos diante de registros que, embora nascidos da mesma raiz explorada desde 1898, parecem flutuar acima do tempo. A tenatica de fundo deste volume é a intemporalidade, a estética é ditada não pelas tendências de uma década mas pela autoridade da expressão individual. O contraste entre o que é "antigo" e o que é "moderno" perde todo o sentido, tudo o que ouvimos é contemporâneo porque é honesto. Culturalmente este disco funciona como o testamento da resiliência do gênero: o Jazz aqui já não precisa se adaptar ao mundo — o mundo é que se curva para ouvir o que o Jazz tem a dizer sobre a própria condição humana. A técnica neste volume atinge um patamar de transparência radical: A "redução" à essência: o excesso de notas, a complicação harmônica gratuita ou o exibicionismo técnico foram filtrados o que resta é uma música de "gestos fundamentais". Cada nota parece ter sido escolhida após o descarte de mil outras possíveis. A interdependência telepática dos grupos que compõem este volume final operam em um nível de sintonia que ignora a estrutura escrita. É o triunfo da intenção sobre a partitura onde o grupo não toca o tema; o grupo encarna o tema. O som como respiro no uso da dinâmica é extremo. Há momentos de um silêncio quase insuportável seguidos por explosões de uma energia contida que só faz sentido quando compreendemos que o músico está tratando o instrumento como uma extensão direta de seu sistema nervoso. A harmonia da ambiguidade, a exploração tonal aqui chega a um nível onde a música oscila entre o modo e a atonalidade sem esforço como se o músico estivesse narrando um sonho onde a lógica convencional não tem domínio. Curiosidades Históricas das Gravações como testemunho e Diferente dos volumes iniciais onde a gravação era um desafio contra o tempo limitado do disco de cera, aqui o estúdio é apenas o "espaço de revelação". A tecnologia é tão avançada que ela se torna invisível; a sensação é de estar sentado dentro do círculo de músicos, participando da mesma respiração. O reencontro com o ancestral é notável a frequência com que artistas neste volume, no auge de sua maturidade técnica, retornam a frases que remetem diretamente ao início da coleção. O CD21 é um círculo que se fecha sobre si mesmo, conectando o primeiro ragtime de 1898 com a liberdade absoluta deste momento. A "mística" da performance em muitos dos registros aqui contidos foram capturados em momentos onde o músico, alheio à existência de um público ou de um mercado, tocava apenas para "o espelho". É a gravação da arte despida de qualquer finalidade comercial. O CD21 é documentalmente, o além-túmulo do Jazz e prova viva que a música não se esgota. Se a "La Grande Histoire du Jazz" é a Bíblia do gênero, este volume é o livro que se escreve nas entrelinhas. Ele não encerra a história; ele a torna infinita. Para o ouvinte, este é um registro de desapego: não se ouve para aprender, não se ouve para analisar, ouve-se para ser através da música. É o triunfo do espírito sobre a estrutura. Nesta jornada épica através de vinte e um volumes de som e história, e observando como este último CD nos coloca em um espaço de pura transcendência, eu lhe devolvo a pergunta final: após termos percorrido todo este caminho, do "Ragtime" ao "Infinito", o Jazz ainda pode ser chamado de "Gênero Musical", ou ele se revelou, em última instância, ser algo maior — talvez uma forma de conhecimento, uma maneira de compreender o mundo através do som que nunca precisou de definições para ser verdadeiro?.

Boa audição - Namastê

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Boxset: La Grande Histoire Du Jazz, do Ragtime ao Swing 1898-1952 (25CDs)


Lançamento: 2009
Selo: Le Chant du Monde 
Gênero: Swing, Ragtime, Big Band, Early Jazz, New Orleans Jazz, Dixieland, Harlem Stride Piano, Gipsy Jazz (Jazz Manouche), Negro Spirituals/Gospel.


O epílogo transcendente: O Jazz como patrimônio da humanidade no vigésimo volume da coleção "La Grande Histoire du Jazz" não é apenas o encerramento físico de uma caixa monumental; é o testemunho da perenidade. Se o CD 19 foi o exercício de reconciliação com a tradição, o CD 20 funciona como uma declaração de princípios: o jazz, como forma de arte, transcendeu o seu tempo e lugar de nascimento para se tornar um patrimônio universal. Este volume encapsula a elegância da maturidade, onde o músico já não luta contra a história, mas a habita, fluindo com naturalidade entre o ancestral e o contemporâneo. O pano de fundo deste encerramento é a estabilidade da mestria. A estética é a da clareza e da economia absoluta. Aqui, não há mais a necessidade de provar que a música é "moderna" ou "revolucionária"; a música simplesmente é. O contraste estético é a resolução das tensões que acompanharam os 19 volumes anteriores: a urgência dá lugar à fluidez, o choque dá lugar à sabedoria. Culturalmente, o jazz aqui atinge o status de música clássica do século XX, despojado das exigências do mercado e consagrado como uma forma de expressão essencial. A técnica, neste volume final, atinge um grau de transparência e eficiência na "fluidez" do discurso da improvisação, anteriormente um ato de bravura ou uma exploração abstrata, torna-se aqui um ato de narrativa pura. As frases musicais são construídas com uma lógica interna tão robusta que parecem ter sido compostas no momento, sem o esforço da busca. A integração de texturas do uso magistral de timbres que, ao longo dos volumes, foram se acumulando: o brilho dos metais, a profundidade do contrabaixo acústico, a textura percussiva do piano. Tudo é integrado de forma orgânica, como se o grupo fosse uma única mente operando múltiplos instrumentos. O "tempo" como amigom diferente da velocidade frenética do Bebop ou da angústia da abstração total, aqui o músico domina o tempo. Ele pode "atrasar" a entrada, sustentar uma nota até o limite da exaustão ou acelerar sem perder a precisão, tratando o pulso rítmico como um parceiro de dança e não como um carcereiro. A síntese final neste volume é que percebemos a síntese de todas as eras: o Blues está presente na inflexão das notas, o Swing na cadência, o Bebop na agilidade harmônica, e o Cool no controle emocional. O registro do "fechamento" funciona como uma câmara de eco da coleção. Ao ouvi-lo, o ouvinte experiente consegue identificar referências sutis a quase todos os solistas que passaram pelos volumes anteriores, tornando o disco uma espécie de "reunião espectral" de todos os mestres documentados. A engenharia do silêncio na qualidade da gravação neste volume final é um contraste poético com as faixas de 1898. O silêncio — o espaço entre as notas — é captado com uma pureza que permite ao ouvinte sentir o "ar" da sala, trazendo uma intimidade que encerra a série com um convite à reflexão profunda. O Legado das "escolas": É interessante observar como, nesta fase final, as barreiras geográficas — a velha Nova York contra a Costa Oeste — finalmente desaparecem. O que resta é uma "Escola do Jazz" universal, um vocabulário que músicos de qualquer parte do mundo podem utilizar para expressar sua própria verdade. O CD20 é o volume da consagração. Documentalmente, ele é a prova definitiva de que o Jazz não "terminou" com o fim do recorte histórico de 1952, mas que ele alcançou, naquele momento, um patamar de perfeição que permite à música ser ouvida em qualquer tempo futuro. Para o ouvinte, este volume é a conclusão ideal: ele oferece a paz do conhecimento de que tudo o que foi ouvido era necessário, e que o Jazz, ao se tornar um monumento à criatividade humana, cumpriu seu destino de ser a trilha sonora da liberdade. Se este volume encerra nossa jornada pelo tempo, como descrever, em uma última reflexão, a "alma" do Jazz — aquela centelha que o manteve vivo através de tantos anos de mudança e que, esperamos, continuará a brilhar em qualquer música que ainda esteja por vir?

Boa audição - Namastê

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Boxset: The Art Of The Piano, Trio, Quartet, Quintet And Beyond - VA (10xCDs)

Artista: Thelonious Monk  (1947) 
Lançamento: 2020
Selo: The Intense Media/(Milestones of Jazz Legends)
Gênero: Bebop, Hard Bop, Cool Jazz 

Análise crítica e curatorial do CD10: O ápice modal, as estruturas expandidas e a dissolução da barra de compasso: Como o encerramento natural daquela jornada que começou nas pressões mecânicas do Hard Bop do volume anterior, preparei a Análise Crítica e Curatorial do CD10. Para este volume de encerramento da coleção, a identidade visual sugerida para impressão migra para o padrão Deep Sapphire & Pale Ivory (evocando a maturidade das salas de concerto europeias, a sofisticação do jazz modal tardio e o som cristalino das fitas master dos anos 1960). Se o nono volume (CD9) capturou o atrito bruto, percussivo e a musculatura puramente Hard Bop do final dos anos 1950, o décimo e último volume (CD10) desta monumental antologia de 2020 funciona como o testamento estético da evolução do piano de jazz. Sob o olhar clínico e os ouvidos atentos dos amantes sincopados, o CD10 não é apenas uma coletânea de encerramento; é um tratado sobre como os grandes mestres do teclado desafiaram as amarras da harmonia tradicional e esticaram o tempo rítmico até o limite da flutuação absoluta. Aqui, a síncopa deixa de ser apenas um deslocamento de acento para se tornar a própria fundação de uma nova arquitetura musica. Topografia das gravações, cronologia absoluta e arqueologia dos masters, a curadoria do CD10 realizou um trabalho cirúrgico de arqueologia fonográfica, reunindo matrizes de alta fidelidade que documentam o exato momento em que o jazz abandonou as progressões previsíveis do bebop para abraçar o espaço e a liberdade modal. As sessões transatlânticas de Nova York: O som de estúdio expandido na primeira metade do CD10 foca na sofisticação técnica das sessões de estúdio na Costa Leste, onde a engenharia de som começava a utilizar gravadores de três e quatro canais. Para o ouvinte sincopado, essas faixas são verdadeiros mapas anatômicos: a separação estéreo impecável permite isolar o estalo de condução do contrabaixo no canal esquerdo e o ataque cirúrgico dos martelos do piano no canal direito, revelando o micro-atrito rítmico entre as mãos do pianista. Data e local da gravação: Sessões gravadas nos lendários estúdios da Columbia de 30th Street (Nova York, EUA), entre 02 e 22 de abril de 1959, e complementadas por tomadas alternativas registradas nos estúdios da Atlantic em janeiro de 1961. Estas matrizes registram os pianos de cauda mais refinados da época, capturando desde o respiro dos músicos até o sustain natural das cordas após ataques em acordes de quartas. Os concertos Europeus de outono: A Liberdade dos palcos na segunda metade do CD10 desloca-se para a Europa, onde o jazz encontrou suas plateias mais reverentes e teatros com acústicas imponentes. Nestes registros ao vivo, livres das limitações de tempo dos discos de vinil de estúdio da época, os trios expandem as improvisações, permitindo que a síncopa respire através de longas pontes improvisadas e dinâmicas de volume que vão do pianíssimo sussurrado ao forte percussivo. Microtexturas sonoras e detalhes aos olhos dos devotos do ritmo para quem estuda e idolatra a síncopa, o CD10 é um banquete técnico. O maior trunfo desta seleção reside na transição da técnica de dedilhado. Enquanto nos volumes anteriores o foco era a velocidade linear das notas individuais, aqui testemunhamos a introdução dos "acordes em bloco" modificados e o uso revolucionário do pedal de sustentação como elemento rítmico. Os pianistas selecionados flutuam atrás do tempo (playing behind the beat) técnica musical onde você executa suas notas intencionalmente frações de segundo após o tempo exato (o centro da batida), criando uma sensação de relaxamento, tensão ou suingue, criando uma tensão quase insuportável com o metrônomo humano da bateria, para resolver a frase apenas no último milésimo de segundo. A remasterização em 24-bits operada em 2020 trouxe à tona os harmônicos mais sutis do instrumento. Nas faixas de Estocolmo (1960), é possível escutar o clique mecânico dos pedais do piano e a vibração simpática das cordas soltas — detalhes que os puristas do jazz celebram, pois provam a natureza puramente acústica e visceral daquelas performances históricas. Arquitetura editorial: O equilíbrio de forças da curadoria no desenho editorial do CD10 consolida a caixa como um marco definitivo na história do jazz. Em vez de simplesmente empilhar faixas famosas, a curadoria amarrou este volume em torno de um conceito: a dissolução da rigidez do compasso. Ao costurar as sessões de estúdio de Nova York de 1959 com os concertos europeus de 1960, o CD10 constrói uma linha perfeita que mostra como o jazz se tornou uma linguagem artística global, sofisticada e infinitamente elástica. Veredito curatorial: O CD10 encerra a antologia The Art Of The Piano... com uma exibição de gala. Ao equilibrar o rigor técnico e a genialidade acústica das gravações de 1959–1961, este volume entrega aos amantes sincopados a prova definitiva de que o piano não apenas acompanhou a revolução do jazz modal e de vanguarda, mas foi o arquiteto principal de sua libertação rítmica. Uma obra-prima indispensável para impressão, estudo e contemplação profunda.


Boa audição - Namastê

sexta-feira, 20 de março de 2026

VA – Jazz Noire (Darktown Sleaze From The Mean Streets Of 1940s L.A.) 2xCD.

Artista: VA
Lançamento: 2011
Selo: Fantastic Voyage/FVDD148
Gênero: Rhythm & Blues, Score, Swing, Big Band, Boogie Woogie, Jump Blues

A Fantastic Voyage criou uma coleção abrangente, bem selecionada e obviamente bem fundamentada de jazz e R&B (no sentido antigo) do final dos anos 40, do tipo que você esperaria ouvir em cenas de boates em filmes noir. Apropriadamente, ambos os discos são emoldurados pela música tema de clássicos do gênero. Algumas das seleções são muito familiares – a gravação original de Round Midnight, de Monk – enquanto outras são extraídas de fontes mais profundas, como a primorosa Solitude, de Leo Parker. O ponto principal é: todas são excelentes representações de seus respectivos gêneros. Depois disso, é uma questão de gosto pessoal. Prefiro Billie Holiday em um estilo mais animado, mas muita gente adora as faixas deste álbum, que eu acho um pouco autopiedosas demais, e essa diferença de opinião não importa quando se trata de avaliar esta excelente coletânea. Fantastic Voyage dá sequência ao enorme sucesso de Jazz Noire, de 2011, permitindo que a mesma equipe retorne àqueles bares e antros sórdidos, desta vez focando nas drogas, na bebida e nos personagens duvidosos para fornecer um retrato vívido da vida boêmia e desregrada entre as décadas de 1930 e 1950. A música em Drink Up Light Up! evoca aquela época em que as orquestras se expandiam, as seções de metais explodiam como fogos de artifício e o blues escorria das teclas do piano para os pisos de bares manchados de álcool e lágrimas, com um elenco impressionante que incluía nomes como o Reefer Man e a Snuff Dippin Mama, mas os temas são tão relevantes para o clima atual de recessão: o desejo de escapar através das drogas (e as repercussões frequentemente desfavoráveis ​​nos relacionamentos). A música de Drink Up - Light Up! evoca aquela época em que as orquestras se expandiam, as seções de metais explodiam como fogos de artifício e o blues escorria das teclas do piano para os pisos de bares manchados de bebida e lágrimas, com um elenco impressionante que incluía nomes como Reefer Man e Snuff Dippin' Mama, mas os temas são igualmente relevantes para o clima atual de recessão: o desejo de escapar através das drogas (e as repercussões frequentemente desfavoráveis ​​nos relacionamentos). Seja Sam Price comandando 'Lead Me Daddy, Straight to the Bar', Buddy Banks confessando 'I Need It Bad (Groove Juice)' ou o Four Clefs filosofando em 'When I'm Low I Get High', a seleção abrange todo o espectro da farra movida a substâncias, com seus prós e contras. Surgindo da época da Lei Seca e da Grande Depressão, a coletânea também oferece um vislumbre fascinante da vida nas ruas durante esse período, até a Guerra da Coreia, desde situações domésticas até gírias relacionadas a drogas, além de proporcionar uma experiência auditiva sublime e evocativa. (Amazon)

Que conjunto magnífico de jazz! Há também algumas faixas que não ouvia há muito, muito tempo, e é bom ter a memória refrescada. Se você gosta de jazz, se você gosta de trilhas sonoras de filmes, este é o álbum perfeito. Uma coletânea fantástica de joias dos anos 40, lindamente produzida, ideal para ouvir tarde da noite. Menção especial também para a embalagem e o livreto, que incluem belíssimas ilustrações e gráficos da época. 


Boa audição - Namastê

 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Boxset: Blue Instrumentalists Blue Note

Artista: VA
Lançamento: 2002/2006
Selo: Blue Note Records/Blue Note
Gênero: Cool Jazz, Hard Bop, Sool Jazz


No final de 1939, o seu amigo de infância Francis Wolff saiu da Alemanha de Hitler com destino aos Estados Unidos. Ele encontrou emprego em um estúdio fotográfico e juntou forças com Alfred Lion no projeto ‘Blue Note’. No final dos anos 1940, o jazz havia mudado novamente, e Lion e Wolff já não podiam resistir mais ao movimento do bebop, uma das correntes mais influentes do jazz. O saxofonista Ike Quebec tornou-se um amigo íntimo e conselheiro para os dois. Logo eles estavam gravando Fats Navarro, Bud Powell, Tadd Dameron, Thelonious Monk, Art Blakey, entre outros. Lion e Wolff eram especialmente fascinados por Thelonious Monk e ajudaram a sua carreira em todos os sentidos possíveis. Apesar da resistência dos críticos musicais e das vendas fracas, eles gravaram com ele até 1952. O caso de Monk foi o primeiro grande exemplo do que Horace Silver descreveu em uma entrevista de 1980: ‘Alfred Lion e Frank Wolff eram homens de integridade e realmente fãs de jazz. Deram a vários músicos a chance de gravar quando todas as outras gravadoras não estavam interessadas. E eles apoiavam o artista, mesmo que ele não estivesse vendendo quase nada.’ Em 1954, a ‘Blue Note’, partiu em direção a um sistema que foi muito semelhante a uma companhia de teatro usando um elenco de ‘sidemen’, músicos profissionais contratados para executar ou gravar com um grupo do qual não era um membro regular; e líderes que assegurassem a criatividade e a confiabilidade. Logo depois a gravadora colocou em movimento uma outra tendência do jazz. Seguindo o conselho de Babs Gonzales e outros músicos, Alfred Lion e Frank Wolff se aventuraram a ouvir um pianista da Filadélfia, que tinha abandonado o seu instrumento original e agora tocava um órgão Hammond no canto de um armazém alugado. E assim ouviram pela primeira vez Jimmy Smith em 1956, no seu primeiro show em Nova York. Descrito por Alfred como uma visão impressionante, um homem de rosto contorcido, agachado sobre o teclado em agonia aparente, os dedos em vôo e os pés que dançavam sobre os pedais. Um som que ele nunca tinha ouvido antes. Foi estarrecedor. Ao mesmo tempo, Wolff conheceu Reid Miles, um artista comercial, que era um devoto fã de música clássica. Miles se tornou o designer para o selo por 11 anos e criou gráficos maravilhosos para as capas dos discos. Os detalhes fizeram a diferença.


Coletânea instrumental que coloca o piano no centro da expressão do blues e do jazz contemporâneo. A proposta do projeto é destacar o instrumento não apenas como base harmônica, mas como verdadeira voz narrativa, explorando sua capacidade melódica e improvisatória. O repertório dialoga com o blues tradicional de 12 compassos e com o jazz moderno, apresentando acordes estendidos (7ª, 9ª e 13ª), progressões sofisticadas e momentos de improvisação refinada. A estética do álbum remete ao ambiente intimista dos clubes de jazz, com interpretações elegantes e atmosfera noturna. A série à qual pertence — que também inclui versões dedicadas à guitarra e ao saxofone — evidencia diferentes protagonistas instrumentais dentro do mesmo universo estilístico. Pianistas associados ao catálogo da gravadora e à linguagem explorada no disco incluem nomes como Horace Silver, Herbie Hancock e Gene Harris, artistas que ajudaram a consolidar o soul jazz e o hard bop. Assim, o álbum funciona tanto como apreciação estética quanto como material didático para compreender a evolução do piano no blues e no jazz instrumental.


Boa audição - Namastê

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Boxser: Thelonious Monk - The Complete Riverside Recordings (CD15)

Lançamento: 1986 
Selo: Riverside Records 
Gênero: Bop


Uma das coisas que aprendemos foi que – de acordo com pelo menos alguns historiadores da música – o termo jazz era uma corruptela da gíria “jass”, que era outra palavra para “erro”. (É claro que existem outras teorias, menos, digamos, agradáveis, sobre a etimologia da palavra jazz, mas esta serve ao meu propósito atual) as gravações alternativas demonstram o nível de inventividade e espontaneidade inerente à forma de tocar de Monk (e de seus músicos). Embora seja geralmente claro por que uma gravação foi escolhida para o lançamento (original) em detrimento de outra, mesmo as gravações inicialmente descartadas (e as gravações de acompanhamento, aliás) são um tesouro. As gravações alternativas e as gravações de acompanhamento constituem cerca de 10% do total de músicas nestes discos, mas sua apresentação em contexto ajuda a proporcionar ao ouvinte uma noção de como as sessões originais se desenrolaram. Para o jezzofilo cujo interesse em Monk vá além de um interesse casual – em outras palavras, para qualquer ouvinte cujo apetite tenha sido aguçado por, digamos, Misterioso – a abrangente coletânea The Complete Riverside Recordings merece ser seriamente considerada.

Piano – Thelonious Monk
Sax. Alto – Phil Woods, Pepper Adams, 
Sax. Barítono – Gerry Mulligan, Pepper Adams
Baixo – Sam Jones, Ahmed Abdul-Malik, John Ore, 
Sax. Tenor – Charlie Rouse 
Piano – Thelonious Monk
Trompete – Donald Byrd, Joe Gordon,
Bateria – Art Taylor, Shelly Manne, Harold Land, Billy Higgins, Frankie Dunlop,  
Flugelhorn – Clark Terry
French Horn – Robert Northern
Trombone – Eddie Bert
Tuba – Jay McAllister


Boa audição - Namastê

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Boxser: Thelonious Monk - The Complete Riverside Recordings (CD15)


Lançamento: 1986 
Selo: Riverside Records 
Gênero: Bop



Em vez de adotar a abordagem de compilar os álbuns de Monk pela Riverside e, em seguida, acrescentar faixas bônus inéditas a cada um (versões alternativas e afins), The Complete Riverside Recordings apresenta uma cronologia baseada nas datas de gravação. Assim, independentemente de quando uma faixa foi lançada originalmente (ou, em alguns casos, não lançada), a coletânea apresenta um registro em áudio de 153 gravações de estúdio, clubes e shows – solo e com músicos acompanhantes – na ordem em que Thelonious Monk as vivenciou. A lista de músicos que acompanham o álbum é, naturalmente, um verdadeiro desfile de gigantes do jazz da época. O baterista Art Blakey , John Coltrane (saxofone), Johnny Griffin (saxofone), Coleman Hawkins (saxofone), Thad Jones (trompete), Gerry Mulligan (saxofone), Max Roach (bateria), Oscar Pettiford (baixo), Sonny Rollins (saxofone), Charlie Rouse (saxofone), Clark Terry (trompete, flugelhorn) e Wilbur Ware (baixo) são apenas alguns dos músicos que participam. Os arranjos de Monk para as gravações da banda são bastante democráticos – quase todos têm sua vez de brilhar. E as faixas ao vivo têm um nível de entusiasmo que as gravações de estúdio – por mais inventivas e bem executadas que sejam – simplesmente não conseguem igualar. Suas composições solo são, por definição, um pouco mais idiossincráticas, mas, uma vez que se aceita a abordagem não convencional de Monk ao teclado do piano, elas se tornam fascinantes.

Piano – Thelonious Monk
Sax. Alto – Phil Woods, Pepper Adams, 
Sax. Barítono – Gerry Mulligan, Pepper Adams
Baixo – Sam Jones, Ahmed Abdul-Malik, John Ore, 
Sax. Tenor – Charlie Rouse 
Piano – Thelonious Monk
Trompete – Donald Byrd, Joe Gordon,
Bateria – Art Taylor, Shelly Manne, Harold Land, Billy Higgins, Frankie Dunlop,  
Flugelhorn – Clark Terry
French Horn – Robert Northern
Trombone – Eddie Bert
Tuba – Jay McAllister


Boa audição - Namastê

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Boxser: Thelonious Monk - The Complete Riverside Recordings (CD15)

Lançamento: 1986 
Selo: Riverside Records 
Gênero: Bop 


Monk gravou e lançou cerca de quarenta álbuns em seu próprio nome; mais da metade deles são dos períodos em que esteve contratado pela Riverside (1955-1961) e pela Columbia (1962-1968). Uma caixa vencedora do Grammy em 1986, The Complete Riverside Recordings , compilou todas as gravações de Monk para a Riverside em 15 CDs. Levando em consideração a preferência atual do consumidor de música por conjuntos fisicamente mais compactos (veja também: os recentes relançamentos em tamanho reduzido da empresa controladora Concord Music Group de The Complete Tony Bennett/Bill Evans Recordings ( 2009) e The Complete Stax Soul Singles Vol. 3 ), o conjunto de CDs foi relançado em 2015 em uma caixa medindo 12,7 cm x 14 cm x 4,4 cm . Os quinze discos vêm embalados individualmente em uma fina capa de papelão, e o livreto da edição original — que inclui notas do renomado produtor Orrin Keepnews — também foi reduzido para o tamanho de um CD de 60 páginas. Com a nova reedição menos focada na embalagem, a música volta a ser o destaque.

Sax. Alto – Gigi Gryce
Sax. Barítono – Gerry Mulligan, Pepper Adams
Baixo – Wilbur Ware, Sam Jones, Ahmed Abdul-Malik, Roy Haynes 
Sax. Tenor – Coleman Hawkins, John Coltrane, Johnny Griffin
Piano – Thelonious Monk
Trompete – Ray Copeland, Ray Copeland, Donald Byrd
Bateria – Shadow Wilson, Philly Joe Jones, Roy Haynes 
Flugelhorn – Clark Terry

Boa audição - Namastê

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Boxser: Thelonious Monk - The Complete Riverside Recordings (CD15)


Lançamento: 1986 
Selo: Riverside Records 
Gênero: Bop


Esta coletânea abrangente mostra Monk em sua fase mais exploratória, mais lírica e, definitivamente, mais excêntrica. Lançada em 1986 pela Riverside Records, esta caixa com 15 CDs reúne tudo o que Monk gravou para a gravadora entre 1955 e 1961. Isso inclui álbuns completos, versões alternativas, ensaios, conversas de estúdio, gravações ao vivo e algumas preciosidades nunca antes lançadas. Imagine Brilliant Corners, Monk's Music, Thelonious Himself e nas sublimes sessões solo de Monk, cada uma repleta de surpresas. Há Coltrane, Rollins, Blakey, Pettiford, Max Roach e até mesmo a rara apresentação de Monk com orquestra completa no Town Hall (1959) incluída. Isso não era apenas documentação, era uma celebração. Inclusões raras, como falsos começos e múltiplas gravações de peças como "Crepuscule with Nellie", permitem vislumbrar o processo criativo de Monk. Ele não era do tipo que fazia tudo de uma vez; ele experimentava, remodelava e fazia o silêncio cantar mais alto do que a maioria ousaria. A masterização respeita o calor analógico das fitas originais, grande parte delas gravadas no Van Gelder Studio, em Hackensack, berço da realeza do jazz. Cada disco soa vivo, repleto de textura, nuances e espacialidade. Se você está se aventurando nas profundezas do jazz então este é um guia. Monk não apenas quebrou as regras. Ele as reescreveu. E Riverside captou cada reviravolta. 

Disco 1, faixas 1–8: 21 e 27 de julho de 1955, Rudy Van Gelder Studio, Hackensack , NJ – veja Thelonious Monk Plays Duke Ellington

Oscar Pettiford - Baixo
Kenny Clarke - Bateria

Disco 1, faixas 9–13; disco 2, faixas 1–2: 17 de março e 3 de abril de 1956, Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ – veja The Unique Thelonious Monk

Oscar Pettiford, baixo
Art Blakey - Bateria

Disco 2, faixas 3–6, 8: 9 e 15 de outubro de 1956, Reeves Sound Studios, Nova Iorque – veja Brilliant Corners

Ernie Henry - Sax. Alto
Sonny Rollins - Saxofone Tenor
Oscar Pettiford - Baixo
Max Roach ou Art Blakey - Bateria (as fontes divergem)

Disco 2, faixa 7: 7 de dezembro de 1956, Reeves Sound Studios, Nova Iorque – veja Brilliant Corners

Clark Terry , trompete
Sonny Rollins - Sax. Tenor
Paul Chambers - Baixo
Max Roach - Bateria

Disco 3, faixas 1–9; disco 4, faixas 1–3: 12 de abril de 1957, Reeves Sound Studios, Nova Iorque – veja Thelonious Himself

Disco 3, faixas 10–11: 16 de abril de 1957, Reeves Sound Studios, Nova Iorque – veja Thelonious Himself

John Coltrane - Sax. Tenor
Wilbur Ware - Baixo

Disco 4, faixas 4–11; disco 5, faixas 1–5: 25–26 de junho de 1957, Reeves Sound Studios, Nova Iorque – veja Monk's Music .

Ray Copeland - Trompete
Gigi Gryce - sax. Alto
John Coltrane - Sax. Tenor
Coleman Hawkins - Sax. Tenor
Wilbur Ware - Baixo
Art Blakey - Bateria


Boa audição - Namastê


segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Boxser: The Perfect Jazz Collection 25 Original Albums (CD11)

Álbum:... Monk's Dream  
Lançamento: 1962 / 2010
Selo: Columbia / Great Jazz Composers Series
Gênero: Hard Bop


Monk's Dream álbum do pianista de jazz Thelonious Monk lançado pela Columbia Records em janeiro de 1963 sendo o primeiro álbum de Monk pela Columbia após seu período de gravação de cinco anos com a Riverside Records. "Bye-Ya" e "Bolivar Blues" foram gravadas em 31 de outubro de 1962; "Body and Soul" e "Bright Mississippi" em 1º de novembro; "Sweet and Lovely", "Just a Gigolo" e "Monk's Dream" em 2 de novembro e " Five Spot Blues" em 6 de novembro. "Bright Mississippi" é a única composição do álbum que Monk não havia gravado anteriormente. "Bolivar Blues" foi originalmente intitulado "Ba-lue Bolivar Ba-lues-are" e estava no álbum de Monk de 1957 pela Riverside 'Brilliant Corners'. "Five Spot Blues" foi chamado de "Blues Five Spot" e apareceu pela primeira vez no álbum Misterioso que foi gravado em concerto no Five Spot Cafe em Nova York em 1958 e lançado pela Riverside. "Monk's Dream",  "Bye-Ya", e "Sweet and Lovely" foram gravados para a Prestige em uma sessão dez anos antes. Em 2002 o CD acrescentou 04 faixas bônus na reedição. Na revista DownBeat, o crítico de jazz Pete Welding deu ao álbum cinco estrelas e o chamou de "uma reafirmação impressionante de seus poderes como intérprete e compositor".


Thelonious Monk – Piano
Charlie Rouse – Sax. Tenor
John Ore – Baixo
Frankie Dunlop – Bateria


Boa audição - Namastê

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Boxser: Miles Davis - All Miles, The Prestige Albums - Vol:07

Artista: Miles Davis 
Lançamento: 1956
Selo: Prestige / Original Jazz Classics /  Universal Music Group
Gênero: Bop, Hard Bop

Baixo – Percy Heath (faixas: 01,02,04,05)
Bateria – Kenny Clarke (faixas: 01,02,04,05)
Piano – Thelonious Monk (faixas: 01,02,04,05)
Trompete – Miles Davis
Vibrafone – Milt Jackson (faixas: 01,02,04,05)
John Coltrane - Sax. Tenor (faixas: 03)
Red Garland - Piano (faixas: 03) 

Gravado em 24 de dezembro de 1954 e 26 de outubro de 1956, Van Gelder Studio, Hackensack, Nova Jersey


Boa audição - Namastê

 

quarta-feira, 30 de julho de 2025

Boxser: Miles Davis - All Miles, The Prestige Albums - Vol:06

Artista: Miles Davis 
Álbum:... Bag's Groove Compilation
Lançamento: 1954
Selo: Prestige / Original Jazz Classics /  Universal Music Group
Gênero: Bop, Hard Bop


Miles Davis - Trompete
Sonny Rollins - Sax. Tenor
Horace Silver - Piano (faixas: 03,07) 
Percy Heath - Baixo
Kenny Clarke - Bateria
Milt Jackson - Vibrafone (faixas: 01,02)
Thelonious Monk - Piano (faixas: 01,02)

Thelonious Monk, álbum de compilação para piano que inclui Miles Davis With Sonny Rollins. Gravado na cidade de Nova York (#1-2 em 24 de dezembro de 1954; todas as outras seleções em 29 de junho de 1954), Van Gelder Studio, Jersey City, Nova Jersey, EUA. New Jersey

Boa audição - Namastê

quarta-feira, 16 de abril de 2025

The A-Z Encyclopedia Of Jazz (2xCD)

Artista: VA
Lançamento: 1996
Selo: RETRO (The Gold Collection)
Gênero:  Dixieland, Swing


O jazz é, sem dúvida, a música mais livre do planeta. Nela é permitido ao músico esquecer as regras e os dogmas criados pelo mundo e ao ouvinte entregar-se ao feitiço e pureza do seu ritmo. Quando surgiu, no final do século XIX e início do século XX, no sul dos Estados Unidos, principalmente na cidade de Nova Orleans, o jazz foi considerado profano. No início do ano de 1800, os escravos se reuniam na Praça do Congo para tocar suas músicas e mostrar suas danças tradicionais. Os negros norte-americanos foram os porta-vozes do jazz. Cantado ou tocado eles fizeram do jazz a sua identidade, que é respeitada e admirada até hoje em todo o mundo. embora a maioria dos historiadores considera o ano de 1935 como o início da era das ‘Big Bands’, o tema é discutível, pois o jazz das Big Band já tinha sido gravado em 1920. Em 1917, a ‘Original Dixieland Jazz Band’ gravou os primeiros discos na história do jazz. A homenagem não é concedida a esta verdadeira pioneira do gênero, pois, esses historiadores consideram esse pequeno grupo como uma simples imitação, uma banda pobre. Entretanto, as suas gravações venderam mais de um milhão de cópias e permitiram que o jazz fosse ouvido em todo o país. O jazz começou em Nova Orleans, com Oliver King, no início de 1900. O som do jazz foi difundido pelos músicos e bandas como entretenimento nos barcos que navegavam pelo Mississippi. Na década de 20 começou a migrar para um formato de big band que combinavam elementos do ragtime, spirituals, blues e música européia. Duke Ellington, Ben Pollack, Don Redman e Fletcher Henderson eram os líderes das primeiras grandes bandas. Depois vieram os bandleaders Coleman Hawkins, Benny Goodman, Glenn Miller, Red Allen, Roy Eldridge, Benny Carter e John Kirby. Enquanto esses músicos estavam tocando big band jazz, a popularidade da dance band jazz nos hotéis da década de 20 também foi um fator importante na evolução da era das Big Bands.



Boa audição - Namastê

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

VA - Bebop 1945-1953

Artista: VA
Lançamento: 1988
Selo: Giants Of Jazz (Immortal Concerts)
Gênero: Bop, Bebop, Swing

Boa audição - Namastê