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segunda-feira, 27 de abril de 2026

Boxset: Kuschel Jazz Collection, Vol.1-8 (2002-2011)

 

Mesmo antes do primeiro álbum do KuschelRock, o nome já existia como programa musical noturno semanal na rádio HR3 (com sede em Frankfurt, Alemanha). O autor e apresentador do projeto era Thomas Koschwitz, considerado coautor de diversos álbuns do Kazle… Após a Sony Music patentear os direitos de lançamento da série de álbuns "KuschelRock", a rádio HR3 foi proibida de transmitir o programa noturno… Atualmente, a Sony Music lança álbuns regularmente todos os anos… Posteriormente, a Mpano começou a produzir uma série de álbuns por gênero, alguns dos quais intitulados "Kuschel Jazz". Este lançamento merece sua atenção. A série Kuschel Jazz não é apenas um derivado da gigante marca alemã Kuschelrock; ela representa uma curadoria estratégica que ajudou a definir o consumo do "Jazz de Estilo de Vida" (Lifestyle Jazz) na Europa no início dos anos 2000. Aqui está uma análise aprofundada sobre a identidade, a sonoridade e o impacto dessa coleção:

1. A Proposta Estética: O Jazz como Refúgio. O termo alemão Kuschel (aconchego/carinho) dita a regra de ouro da série: a ausência de atrito. Diferente do jazz purista, que muitas vezes foca na improvisação complexa e no virtuosismo técnico que exige atenção plena, o Kuschel Jazz foca na atmosfera. A premicia da série passa invariavelmente pela transição do Jazz para o Lounge. As faixas são selecionadas para servir como uma "trilha sonora de bem-estar", priorizando:

*Andamentos lentos (Ballads): Predomínio de escovinhas na bateria e pianos suaves.

*Vozes Aveludadas: Grande foco em vocalistas de timbres quentes e envolventes.

*Produção Impecável: Áudio limpo, com muita profundidade (reverb) para criar uma sensação de espaço e relaxamento.

2. Curadoria: A Ponte entre o Clássico e o Pop. O grande triunfo do Kuschel Jazz foi a sua capacidade de misturar épocas sem soar datado. Em um mesmo volume, a Sony Music conseguiu colocar:

*Os Gigantes do Passado: Louis Armstrong, Ella Fitzgerald e Chet Baker trazem a legitimidade e a nostalgia.

*O "Vocal Jazz" Moderno: Artistas como Norah Jones, Diana Krall e Michael Bublé, que foram os pilares comerciais do gênero na década de 2000.

*Incursões Pop: Versões jazzísticas de músicas pop ou artistas como Sade e George Michael, que utilizam elementos do soul e jazz em suas produções.

Essa mistura democratizou o gênero, tornando o jazz acessível para quem o considerava "difícil" ou intelectualizado demais.

3. Impacto Cultural e o "Efeito Starbucks"

*A série Kuschel Jazz surfou a onda da sofisticação urbana. Era a música perfeita para o florescimento dos cafés modernos e do design de interiores minimalista.

*A "Playlist" antes do Streaming: Antes do Spotify, essas coletâneas em CD duplo eram o equivalente às atuais playlists de "Lofi Jazz" ou "Coffee Table Jazz". Elas resolviam o problema do ouvinte que queria 2 ou 3 horas de música ininterrupta sem precisar trocar o disco ou conhecer profundamente a discografia de cada artista.

Ponto Crítico: para os críticos mais severos do jazz, a série pode ser vista como uma "diluição" da arte, transformando o jazz em "música de elevador" de luxo. No entanto, do ponto de vista da apreciação musical, serve como uma excelente porta de entrada. Muitas pessoas descobriram o trompete melancólico de Miles Davis ou a profundidade de Nina Simone através dessas compilações comerciais.


Boa audição - Namastê

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Box Set: The Ladies Of Jazz - VA (3CDs)

Artista: VA
Lançamento: 1997
Selo: Bluenite/BN304
Gênero: Soul-Jazz, Bossa Nova, Big Band, Easy Listening, Swing, Bop


Lena Mary Calhoun Horne (30 de junho de 1917 – 09 de maio de 2010) foi cantora, atriz, ativista dos direitos civis e dançarina. Em 1933, Lena Horne se juntou ao coro do famoso ‘Cotton Club’, com a idade de dezesseis anos antes de ir para Hollywood, onde teve pequenos papéis em peças e vários filmes musicais. Devido às suas opiniões políticas de esquerda Horne foi posta na lista negra e incapaz de conseguir trabalho em Hollywood. Voltando às suas raízes, Lena Horne participou da ‘Marcha sobre Washington por Empregos e Liberdade’ ou ‘A Grande Marcha sobre Washington’, como ficou conhecida; um grande comício em prol dos direitos civis e econômicos para os afro-americanos que teve lugar em Washington, DC, em 1963, onde Martin Luther King fez seu histórico ‘I Have a Dream’ discurso defendendo a harmonia racial no Memorial Lincoln durante a marcha. E Lena continuou a trabalhar como artista, tanto em casas noturnas como na televisão, enquanto lançava álbuns bem-recebidos. Ela anunciou sua aposentadoria em 1980, mas no ano seguinte estrelou o show ‘Lena Horne: The Lady and Her Music’, com mais de 300 apresentações na Broadway e que lhe valeu inúmeros prêmios e elogios. Continuou gravando e se apresentando esporadicamente na década de 90, desaparecendo dos olhos do público em 2000.


Boa audição - Namastê

segunda-feira, 30 de março de 2026

Box Set: The Ladies Of Jazz - VA (3CDs)


Artista: VA
Lançamento: 1997
Selo: Bluenite/BN304
Gênero: Soul-Jazz, Bossa Nova, Big Band, Easy Listening, Swing, Bop


Dinah Washington, pseudônimo de Ruth Lee Jones (Tuscaloosa, Alabama, EUA, 29 de agosto de 1924 – 14 de dezembro de 1963) foi cantora de jazz, blues e gospel. De família de baixa renda, mudou-se para Chicago aos quatro anos. Teve uma infância solitária, já que seu pai, um apreciador de cassinos, raramente estava em casa, e sua mãe passava os dias na rua atrás do dinheiro para sustentar Dinah, suas irmãs e pagar as freqüentes dívidas do marido. Sozinhas em casa, as meninas começaram a se refugiar na igreja, onde passavam as tardes. Dinah tocava piano, assim como sua mãe, e todas cantavam no coral. Antes da adolescência, Dinah tocava piano e cantava gospel por toda Chicago, até vencer um concurso de calouros cantando blues. O concurso lhe rendeu um convite para participar do conjunto vocal ‘Sarah Martin Singers’, pouco antes de completar doze anos. Aos quinze anos, diante das proibições de sua mãe, começou a fugir pela janela de seu quarto para cantar à noite em bares e clubes, onde também começou desenvolver seu gosto pela bebida. Apesar da pouca idade, sua fantástica voz e técnica fizeram com que o bandleader Lionel Hampton a contratasse imediatamente quando a viu cantar em 1943. Foi nessa época que mudou seu nome de Ruth Lee Jones (nomes comuns nos EUA) para o mais pomposo Dinah Washington. Passou três anos junto a banda de Hampton onde conquistou prestígio pleno, gravando, apresentando-se e vendendo muito até sua morte. Gravou diversos estilos de música, apenas não gostando de gravar gospel, pois não apreciava a mistura de assuntos espirituais com profanos. Apesar de seus discos lhe renderem bastante dinheiro, possuía um estilo de vida bastante dispendioso, comprando jóias e carros, além de querer dar para a filha uma infância de luxo, diferente da sua. Morreu aos 39 anos de idade após ingerir inibidores de apetite com bebida alcoólica.


Boa audição - Namastê

sexta-feira, 27 de março de 2026

Box Set: The Ladies Of Jazz - VA (3CDs)


"Sou pedaços de músicas, fragmentos de textos, 
sou um pouco de um muito, sou apenas uma 
mistura de tudo"

Este box set de 1997, lançado sob o selo Bluenite (BN304), não é apenas uma compilação; é um inventário sonoro da sofisticação feminina no século XX. Composto por 3 CDs, o álbum atravessa o Jazz, a Bossa Nova e o Soul, servindo como uma aula magna sobre a arquitetura do ritmo e a síncope vocal. A voz como instrumento de ruptura é diferente de outras coletâneas da época, The Ladies Of Jazz organiza um diálogo geracional raro. O ouvinte é conduzido pela perfeição técnica de Ella Fitzgerald, passa pela intimidade minimalista de Astrud Gilberto e deságua na crueza política de Nina Simone. No Jazz sincopado, o deslocamento do acento rítmico é o que traz o "suingue", e aqui artistas como Dinah Washington mostram que a síncope não está apenas nos instrumentos, mas na respiração. Em faixas como "Mad About The Boy", Dinah atrasa propositalmente a entrada das frases, criando uma tensão melódica que é a essência do gênero. A curiosidades e o contexto histórico do  "Revival" dos Anos 90: tem inclusão de Dinah Washington como abre-alas do CD 1 não foi por acaso. Em 1992 um comercial da Levi’s (dirigido por Tarsem Singh) imortalizou "Mad About The Boy", fazendo com que a faixa voltasse às paradas europeias e se tornasse o cartão de visitas obrigatório para compilações de jazz daquela década. O selo Bluenite, conhecido por licenciamentos europeus de nicho, focava em edições que serviam como "portas de entrada" para novos colecionadores de CD que em 1997 vivia seu auge comercial antes da era digital. O contraste geográfico coloca o box uno ao "cool jazz" americano com a Bossa Nova brasileira ("The Girl From Ipanema"), evidenciando como o jazz se tornou uma linguagem universal de resistência e elegância.A finalização Crua traz encerramento com "Sea Line Woman" (Nina Simone) ao vivo no CD 3, uma escolha curatorial corajosa. Ela quebra a estética polida do estúdio para entregar o jazz em seu estado mais percussivo e ancestral. Guia para o amante do Jazz sincopado, para quem busca profundidade no Jazz, este box ensina que a música acontece no espaço entre as notas. A síncope é a arte de ocupar o silêncio com intenção. Ao ouvir estas damas, não procure a métrica rígida; procure o "atraso" elegante, o improviso que desafia o metrônomo e a capacidade de transformar uma melodia simples em uma narrativa complexa. O jazz sincopado é a liberdade de chegar no tempo certo, mesmo parecendo estar fora dele.


Boa audição - Namastê

segunda-feira, 23 de março de 2026

VA - Jazz Noire, Drink Up, Light Up! Tales Of Dope, Booze & Sleaze (2012)

Artista: VA
Lançamento: 2011
Selo: Fantastic Voyage/FVDD148
Gênero: Rhythm & Blues, Score, Swing, Big Band, Boogie Woogie, Jump Blues

 

Entrar no universo de "Drink Up - Light Up! (Jazz Noire Tales Of Dope, Booze & Sleaze)" é como atravessar a porta dos fundos de um speakeasy clandestino em 1947, onde a fumaça de tabaco é tão densa quanto o mistério de um crime não resolvido. Lançada pela curadoria impecável da Fantastic Voyage, esta antologia transcende a mera compilação de catálogo; ela funciona como um documento antropológico e cinematográfico das décadas de 1940 e 1950. O compilador Dave Penny executa uma tarefa magistral ao costurar 50 faixas que orbitam o "lado B" do sonho americano. O álbum não se contenta em apresentar apenas o Jazz e o R&B de auditório; ele mergulha no argot das ruas, trazendo à tona o Jump Blues febril, o Swing malicioso e o Jazz de vanguarda que serviam de trilha sonora para a marginalidade. O gênio da obra reside na sua estrutura narrativa: a inserção estratégica de diálogos e temas de filmes cult — como Reefer Madness, D.O.A. e o visceral The Man With The Golden Arm — transforma a audição em uma experiência de rádio-teatro noir. Musicalmente, o disco é um banquete de contrastes. Temos o humor anfetamínico e frenético de Harry "The Hipster" Gibson em "Who Put the Benzedrine in Mrs. Murphy's Ovaltine?", contrapondo-se à elegância esfumaçada de Sarah Vaughan e ao carisma magnético de Cab Calloway em seu hino canábico "Reefer Man". Há uma crueza deliciosa em ouvir Wynonie Harris e Nelson Alexander Trio celebrando a indulgência em tempos onde tais temas eram tabus rigorosamente vigiados pela censura. Profissionalmente, a produção merece aplausos pela restauração sonora, que preserva o chiado orgânico da era sem sacrificar a clareza dos metais e a profundidade dos contrabaixos. De forma lúdica, podemos dizer que este CD é um "coquetel perigoso": começa com a euforia do primeiro gole de gim, passa pela paranoia das substâncias ilícitas e termina no balanço melancólico de uma madrugada solitária em uma esquina de Los Angeles. "Drink Up - Light Up!" é, em última análise, um triunfo da curadoria musical. É cínico, sofisticado, sujo e irresistivelmente dançante. Uma peça essencial para quem entende que o Jazz, antes de chegar às academias, foi forjado no calor do vício, do suor e da rebeldia das sombras. Veredito: Uma obra-prima de cinco estrelas para ser ouvida no volume máximo, de preferência com uma dose de bourbon ao alcance da mão. Para além da sua aura mística de fumaça e neon, "Drink Up - Light Up!" revela-se, sob um olhar clínico, uma aula magna de transição fonográfica e crônica social proibida. O que o curador Dave Penny articula nesta antologia não é apenas uma sucessão de canções, mas uma autópsia sonora da metamorfose do Jazz das Big Bands para o R&B visceral e o Cool Jazz analítico, capturando o exato momento em que o virtuosismo técnico encontrou a urgência das ruas. Tecnicamente, a compilação é um triunfo da restauração. A preservação do punch percussivo original das gravações em 78 RPM mantém o calor analógico necessário, sem sacrificar a clareza dos metais "sujos" (dirty brass) — saxofones e trompetes que utilizam bends e growls para mimetizar a voz humana em estados de embriaguez ou êxtase. O piano, motor rítmico de figuras como Harry "The Hipster" Gibson e Julia Lee, abandona a polidez das salas de concerto para assumir uma função quase puramente percussiva, onde o Stride e o Boogie-Woogie ditam o nervosismo das substâncias celebradas nas letras. A arqueologia musical aqui presente é o que realmente eleva o álbum ao status de item de colecionador. O conjunto resgata "pérolas negras" que habitaram o limbo da censura e dos selos independentes (race records). Faixas como a frenética "Who Put the Benzedrine in Mrs. Murphy's Ovaltine?" — que custou a carreira de Gibson devido à sua alusão explícita a anfetaminas — e a raríssima "Weed", de Bea Foote, oferecem um realismo lírico que antecipa em décadas a crueza do rap moderno. O diálogo estabelecido com as trilhas cinematográficas, especialmente o tema de "The Man With The Golden Arm" (de Elmer Bernstein), amarra a experiência técnica: aqui, o Jazz deixa de ser entretenimento para se tornar a linguagem psicológica da agonia e do vício urbano. Em última análise, "Drink Up - Light Up!" é um registro essencial da "música maldita". É o som de uma era onde o contrabaixo acústico já galopava no walking bass que daria luz ao Rock 'n' Roll, e onde artistas como Tiny Grimes e Clarence Williams usavam o improviso como fuga e reflexo de uma sociedade em transe. Uma obra tecnicamente impecável e historicamente subversiva.


Boa audição - Namastê



sexta-feira, 20 de março de 2026

VA – Jazz Noire (Darktown Sleaze From The Mean Streets Of 1940s L.A.) 2xCD.

Artista: VA
Lançamento: 2011
Selo: Fantastic Voyage/FVDD148
Gênero: Rhythm & Blues, Score, Swing, Big Band, Boogie Woogie, Jump Blues

A Fantastic Voyage criou uma coleção abrangente, bem selecionada e obviamente bem fundamentada de jazz e R&B (no sentido antigo) do final dos anos 40, do tipo que você esperaria ouvir em cenas de boates em filmes noir. Apropriadamente, ambos os discos são emoldurados pela música tema de clássicos do gênero. Algumas das seleções são muito familiares – a gravação original de Round Midnight, de Monk – enquanto outras são extraídas de fontes mais profundas, como a primorosa Solitude, de Leo Parker. O ponto principal é: todas são excelentes representações de seus respectivos gêneros. Depois disso, é uma questão de gosto pessoal. Prefiro Billie Holiday em um estilo mais animado, mas muita gente adora as faixas deste álbum, que eu acho um pouco autopiedosas demais, e essa diferença de opinião não importa quando se trata de avaliar esta excelente coletânea. Fantastic Voyage dá sequência ao enorme sucesso de Jazz Noire, de 2011, permitindo que a mesma equipe retorne àqueles bares e antros sórdidos, desta vez focando nas drogas, na bebida e nos personagens duvidosos para fornecer um retrato vívido da vida boêmia e desregrada entre as décadas de 1930 e 1950. A música em Drink Up Light Up! evoca aquela época em que as orquestras se expandiam, as seções de metais explodiam como fogos de artifício e o blues escorria das teclas do piano para os pisos de bares manchados de álcool e lágrimas, com um elenco impressionante que incluía nomes como o Reefer Man e a Snuff Dippin Mama, mas os temas são tão relevantes para o clima atual de recessão: o desejo de escapar através das drogas (e as repercussões frequentemente desfavoráveis ​​nos relacionamentos). A música de Drink Up - Light Up! evoca aquela época em que as orquestras se expandiam, as seções de metais explodiam como fogos de artifício e o blues escorria das teclas do piano para os pisos de bares manchados de bebida e lágrimas, com um elenco impressionante que incluía nomes como Reefer Man e Snuff Dippin' Mama, mas os temas são igualmente relevantes para o clima atual de recessão: o desejo de escapar através das drogas (e as repercussões frequentemente desfavoráveis ​​nos relacionamentos). Seja Sam Price comandando 'Lead Me Daddy, Straight to the Bar', Buddy Banks confessando 'I Need It Bad (Groove Juice)' ou o Four Clefs filosofando em 'When I'm Low I Get High', a seleção abrange todo o espectro da farra movida a substâncias, com seus prós e contras. Surgindo da época da Lei Seca e da Grande Depressão, a coletânea também oferece um vislumbre fascinante da vida nas ruas durante esse período, até a Guerra da Coreia, desde situações domésticas até gírias relacionadas a drogas, além de proporcionar uma experiência auditiva sublime e evocativa. (Amazon)

Que conjunto magnífico de jazz! Há também algumas faixas que não ouvia há muito, muito tempo, e é bom ter a memória refrescada. Se você gosta de jazz, se você gosta de trilhas sonoras de filmes, este é o álbum perfeito. Uma coletânea fantástica de joias dos anos 40, lindamente produzida, ideal para ouvir tarde da noite. Menção especial também para a embalagem e o livreto, que incluem belíssimas ilustrações e gráficos da época. 


Boa audição - Namastê

 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Boxset: The Diva Series (9xCD's) + Bonus


Lançamento: 2003
Selo: Verve Records/Compilation 
Gênero: Vocal Jazz, Bop, Cool, Crossover Jazz, Hard Bop, Mainstream Jazz, 
Post-Bop, Standards, Traditional Pop, West Coast Jazz

Coleção Definitiva das Divas: Análise da Série Diva 

A coletânea "Verve's Ultimate Diva Collection: The Diva Series" reúne faixas de 16 cantoras que gravaram para a gravadora (ou para uma das gravadoras que o Verve Group distribui atualmente) em algum momento de suas carreiras. A lista é um verdadeiro desfile de estrelas do jazz vocal: lendas como Dinah Washington , Peggy Lee e Carmen McRae dividem espaço com cantoras menos aclamadas, mas igualmente dignas de serem consideradas divas, como Ernestine Anderson , Blossom Dearie e a sempre fabulosa Shirley Horn . Adicione algumas surpresas como Etta James e Astrud Gilberto , e o resultado se torna quase definitivo. Há também uma infinidade de canções clássicas dos anos 50 e 60 (e dos anos 90, no caso de Shirley Horn ). "How High the Moon", de Ella Fitzgerald , "Lullaby of Birdland", de Sarah Vaughan , " You'd Be So Nice to Come Home To", de Helen Merrill , e "Body and Soul", de Billie Holiday , são apenas alguns dos melhores exemplos. Com exceção da questionável inclusão da gravação de "It's Crazy", de Natalie Cole , de 2001, todas as músicas aqui são clássicos do jazz vocal. É claro que todo esse classicismo não significaria muito se os artistas e as músicas tivessem sido escolhidos aleatoriamente, mas a Verve fez um excelente trabalho ao construir uma coleção que flui como um riacho tranquilo e limpo, e pode ser facilmente recomendada a qualquer pessoa que procure uma introdução vibrante ao jazz vocal. Os fãs do gênero também acharão a coletânea muito proveitosa.


Boa audição - Namastê

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Boxset: The Diva Series (9xCD's) + Bonus

 Artista: Dinah Washington
Lançamento: 2003
Selo: Verve Records/Compilation 
Gênero: Vocal Jazz, Soul-Jazz


Dinah Washington, pseudônimo de Ruth Lee Jones (Tuscaloosa, Alabama, EUA, 29 de agosto de 1924 – 14 de dezembro de 1963) foi cantora de jazz, blues e gospel. De família de baixa renda, mudou-se para Chicago aos quatro anos. Teve uma infância solitária, já que seu pai, um apreciador de cassinos, raramente estava em casa, e sua mãe passava os dias na rua atrás do dinheiro para sustentar Dinah, suas irmãs e pagar as freqüentes dívidas do marido. Sozinhas em casa, as meninas começaram a se refugiar na igreja, onde passavam as tardes. Dinah tocava piano, assim como sua mãe, e todas cantavam no coral. Antes da adolescência, Dinah tocava piano e cantava gospel por toda Chicago, até vencer um concurso de calouros cantando blues. O concurso lhe rendeu um convite para participar do conjunto vocal ‘Sarah Martin Singers’, pouco antes de completar doze anos. Aos quinze anos, diante das proibições de sua mãe, começou a fugir pela janela de seu quarto para cantar à noite em bares e clubes, onde também começou desenvolver seu gosto pela bebida. Apesar da pouca idade, sua fantástica voz e técnica fizeram com que o bandleader Lionel Hampton a contratasse imediatamente quando a viu cantar em 1943. Foi nessa época que mudou seu nome de Ruth Lee Jones (nomes comuns nos EUA) para o mais pomposo Dinah Washington. Passou três anos junto a banda de Hampton onde conquistou prestígio pleno, gravando, apresentando-se e vendendo muito até sua morte. Gravou diversos estilos de música, apenas não gostando de gravar gospel, pois não apreciava a mistura de assuntos espirituais com profanos. Apesar de seus discos lhe renderem bastante dinheiro, possuía um estilo de vida bastante dispendioso, comprando jóias e carros, além de querer dar para a filha uma infância de luxo, diferente da sua. Morreu aos 39 anos de idade após ingerir inibidores de apetite com bebida alcoólica.


Boa audição - Namastê

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Dinah Washington - Back Water Blues



Back Water Blues
When it rains five days and the skies turn dark as night
When it rains five days and the skies turn dark as night
Then trouble's takin' place in the lowlands at night
I woke up this mornin', can't even get out of my door
I woke up this mornin', can't even get out of my door
There's been enough trouble to make a poor girl wonder where she want to go
Then they rowed a little boat about five miles 'cross the pond
Then they rowed a little boat about five miles 'cross the pond
I packed all my clothes, throwed them in and they rowed me along
When it thunders and lightnin' and when the wind begins to blow
When it thunders and lightnin' and the wind begins to blow
There's thousands of people ain't got no place to go
Then I went and stood upon some high old lonesome hill
Then I went and stood upon some high old lonesome hill
Then looked down on the house were I used to live
Backwater
blues done call me to pack my things and go
Backwater blues done call me to pack my things and go
'Cause my house fell down and I can't live there no more
Mmm, I can't move no more
Mmm, I can't move no more
There ain't no place for a poor old girl to go



1958 - Sings Bessie Smith - Dinah Washington

Dotada de uma voz forte, bonita e fraseado muito preciso, o espírito irreprimível de Dinah Washington traduz a imperatriz do Blues, Bessie Smith, em um talento incomum se comparado por varias outras divas que prestaram semelhante homenagem. Washington parece simplesmente gloriosa, com foco em alternando frases que lembra a própria Smith, enfatizando suas raízes próprias do velho Blues as margens do Mississipi, berço da criação. Acompanhada por Eddie Chamblee e Sua Orquestra, enfatiza o vaudeville e som Dixieland do início do século com direito a trombone, trompete e percussão no ritmo da época. Reeditado várias vezes (ocasionalmente sob o título A Bessie Smith Songbook), Dinah Washington "Sings Bessie Smith" traça um equilíbrio perfeito entre tributo e declaração artística genuína de uma artista consagrada a um mito perpetuado na lenda. A Verve em sua reedição acrescentou as faixas alternativas "Trombone Blues (AKA Trombone Cholly)" e "Careless Love", além de três músicas tiradas de um desempenho no festival Newport. Gravado no Universal Studio, Chicago, Illinois, 30 de dezembro de 1957, 07 e 20 de janeiro 1958 e ao vivo no Jazz Festival, Newport, Rhode Island em 06 de julho de 1958.


Album: Dinah Sings Bessie Smith
Artista: Dinah Washington
Lançamento: 1958
Selo: UMG Recordings, Inc.
Genero: Jazz, Vocal Jazz, Blues

01. After You've Gone
02. Send Me To The 'Lectric Chair
03. Jailhouse Blues
04. Trombone Blues (AKA Trombone Cholly)
05. You've Been A Good Ole Wagon
06. Careless Love
07. Backwater Blues
08. If I Could Be With You One Hour Tonight
09. Me And My Gin
10. Fine Fat Daddy
11. Trombone Butter (Alternative Take)
12. Carless Love (Master Take In Mono)
13. Send Me To The 'Lectric Char (Live Version)
14. Me And My Gin (Live Version)
15. Backwater Blues (Live Version)

Boa audição - Namaste.