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sexta-feira, 1 de maio de 2026

Boxset: Kuschel Jazz Collection, Vol.1-8 (2002-2011)

Artista: VA
Lançamento: 2003
Selo: Sony Music/512088 2
Gênero: Jazz Bebop, Soul-Jazz, Downtempo, Easy Listening

O Jazz Romântico no Cinema: Aplicação, Impacto e Representação na Sétima Arte.
O uso do jazz romântico no cinema ultrapassa a função de simples acompanhamento sonoro, consolidando-se como uma ferramenta narrativa capaz de intensificar a experiência emocional do espectador. Inserido no contexto da história do cinema, esse estilo musical passou a desempenhar um papel fundamental na construção de atmosferas subjetivas, sobretudo a partir da segunda metade do século XX, quando o jazz se firmou como linguagem moderna e expressiva. Caracterizado por harmonias sofisticadas, improvisação sutil e timbres intimistas — especialmente do piano e do saxofone —, o jazz romântico é frequentemente associado a sentimentos como melancolia, desejo, introspecção e contemplação. No cinema, sua presença não se limita a ilustrar emoções já evidentes na imagem; ao contrário, ele atua como uma extensão do subtexto narrativo, revelando aquilo que permanece implícito. Um exemplo significativo dessa aplicação pode ser observado em Anatomy of a Murder, cuja trilha sonora, composta por Duke Ellington, dialoga diretamente com as tensões morais da narrativa. Nesse caso, o jazz não apenas acompanha a história, mas a interpreta, criando uma camada adicional de leitura sensorial. Outro ponto essencial nessa discussão é o filme Bird, dirigido por Clint Eastwood, que retrata a vida de Charlie Parker — um dos nomes mais influentes da história do jazz. Embora o estilo de Parker esteja mais associado ao bebop do que ao jazz romântico em sua forma clássica, o filme evidencia como a dimensão emocional e existencial do jazz permeia a construção narrativa. A obra apresenta o jazz não apenas como expressão artística, mas como extensão da condição humana, marcada por intensidade, sofrimento e busca por transcendência. Nesse sentido, “Bird” amplia a compreensão do jazz no cinema ao mostrar que, mesmo fora de um enquadramento estritamente romântico, o gênero carrega uma carga afetiva profunda que dialoga diretamente com o espectador. Em produções mais recentes, como La La Land, o jazz romântico assume uma função ainda mais simbólica, representando o próprio ideal de amor: fluido, improvisado e, muitas vezes, efêmero. Essa abordagem evidencia a capacidade do gênero de transcender o plano sonoro, tornando-se um elemento conceitual dentro da narrativa cinematográfica. Do ponto de vista do público, o impacto do jazz romântico ocorre de maneira sutil, porém duradoura. Diferentemente de trilhas sonoras grandiosas e impositivas, ele sugere emoções em vez de determiná-las, permitindo uma participação mais ativa do espectador na construção do sentido. Essa característica contribui para uma experiência estética mais introspectiva, na qual o indivíduo projeta suas próprias vivências sobre a obra. Como consequência, observa-se também um fenômeno relevante no consumo cultural: trilhas sonoras baseadas em jazz romântico frequentemente ultrapassam os limites do filme, sendo apreciadas de forma independente, especialmente por públicos que valorizam uma escuta mais atenta e contemplativa. No âmbito da teoria do cinema, o jazz romântico ocupa uma posição singular. Embora nunca tenha sido o estilo dominante nas produções cinematográficas, sua presença é recorrente em obras que buscam maior profundidade estética. Durante o período do film noir, por exemplo, o jazz contribuiu para a construção de arquétipos marcantes, como o detetive solitário e a figura da femme fatale, além de reforçar a atmosfera urbana e existencialista. Posteriormente, passou a ser associado à nostalgia, à memória e à passagem do tempo, ampliando ainda mais seu campo simbólico. Entretanto, sua utilização também revela uma tensão dentro da indústria cinematográfica contemporânea. Em um cenário cada vez mais orientado por estímulos rápidos e consumo imediato, o jazz — com sua complexidade e necessidade de escuta ativa — pode ser percebido como menos acessível. Ainda assim, é precisamente essa densidade que garante sua permanência e relevância, pois o gênero oferece uma experiência que resiste à superficialidade. Em síntese, o jazz romântico no cinema configura-se como uma linguagem sensorial e interpretativa, capaz de revelar dimensões profundas da experiência humana. Sua aplicação na sétima arte não depende de popularidade massiva, mas de sua eficácia em expressar o indizível. Ao evocar emoções de forma indireta e duradoura, ele estabelece uma conexão íntima com o espectador, permanecendo como um elemento essencial sempre que o cinema busca transcender o visível e alcançar o campo do sensível.


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segunda-feira, 27 de abril de 2026

Boxset: Kuschel Jazz Collection, Vol.1-8 (2002-2011)

 

Mesmo antes do primeiro álbum do KuschelRock, o nome já existia como programa musical noturno semanal na rádio HR3 (com sede em Frankfurt, Alemanha). O autor e apresentador do projeto era Thomas Koschwitz, considerado coautor de diversos álbuns do Kazle… Após a Sony Music patentear os direitos de lançamento da série de álbuns "KuschelRock", a rádio HR3 foi proibida de transmitir o programa noturno… Atualmente, a Sony Music lança álbuns regularmente todos os anos… Posteriormente, a Mpano começou a produzir uma série de álbuns por gênero, alguns dos quais intitulados "Kuschel Jazz". Este lançamento merece sua atenção. A série Kuschel Jazz não é apenas um derivado da gigante marca alemã Kuschelrock; ela representa uma curadoria estratégica que ajudou a definir o consumo do "Jazz de Estilo de Vida" (Lifestyle Jazz) na Europa no início dos anos 2000. Aqui está uma análise aprofundada sobre a identidade, a sonoridade e o impacto dessa coleção:

1. A Proposta Estética: O Jazz como Refúgio. O termo alemão Kuschel (aconchego/carinho) dita a regra de ouro da série: a ausência de atrito. Diferente do jazz purista, que muitas vezes foca na improvisação complexa e no virtuosismo técnico que exige atenção plena, o Kuschel Jazz foca na atmosfera. A premicia da série passa invariavelmente pela transição do Jazz para o Lounge. As faixas são selecionadas para servir como uma "trilha sonora de bem-estar", priorizando:

*Andamentos lentos (Ballads): Predomínio de escovinhas na bateria e pianos suaves.

*Vozes Aveludadas: Grande foco em vocalistas de timbres quentes e envolventes.

*Produção Impecável: Áudio limpo, com muita profundidade (reverb) para criar uma sensação de espaço e relaxamento.

2. Curadoria: A Ponte entre o Clássico e o Pop. O grande triunfo do Kuschel Jazz foi a sua capacidade de misturar épocas sem soar datado. Em um mesmo volume, a Sony Music conseguiu colocar:

*Os Gigantes do Passado: Louis Armstrong, Ella Fitzgerald e Chet Baker trazem a legitimidade e a nostalgia.

*O "Vocal Jazz" Moderno: Artistas como Norah Jones, Diana Krall e Michael Bublé, que foram os pilares comerciais do gênero na década de 2000.

*Incursões Pop: Versões jazzísticas de músicas pop ou artistas como Sade e George Michael, que utilizam elementos do soul e jazz em suas produções.

Essa mistura democratizou o gênero, tornando o jazz acessível para quem o considerava "difícil" ou intelectualizado demais.

3. Impacto Cultural e o "Efeito Starbucks"

*A série Kuschel Jazz surfou a onda da sofisticação urbana. Era a música perfeita para o florescimento dos cafés modernos e do design de interiores minimalista.

*A "Playlist" antes do Streaming: Antes do Spotify, essas coletâneas em CD duplo eram o equivalente às atuais playlists de "Lofi Jazz" ou "Coffee Table Jazz". Elas resolviam o problema do ouvinte que queria 2 ou 3 horas de música ininterrupta sem precisar trocar o disco ou conhecer profundamente a discografia de cada artista.

Ponto Crítico: para os críticos mais severos do jazz, a série pode ser vista como uma "diluição" da arte, transformando o jazz em "música de elevador" de luxo. No entanto, do ponto de vista da apreciação musical, serve como uma excelente porta de entrada. Muitas pessoas descobriram o trompete melancólico de Miles Davis ou a profundidade de Nina Simone através dessas compilações comerciais.


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sexta-feira, 3 de abril de 2026

Box Set: The Ladies Of Jazz - VA (3CDs)


Artista: VA
Lançamento: 1997
Selo: Bluenite/BN304
Gênero: Soul-Jazz, Bossa Nova, Big Band, Easy Listening, Swing, Bop

Astrud Gilberto (1940–2023) foi uma cantora brasileira reconhecida mundialmente como uma das principais vozes da bossa nova. Seu estilo suave, contido e intimista marcou profundamente a música internacional, especialmente a partir da década de 1960. Nascida como Astrud Evangelina Weinert, em 29 de março de 1940, na cidade de Salvador, Bahia, mudou-se ainda jovem para o Rio de Janeiro, onde teve contato direto com o movimento da bossa nova. Apesar de não ser cantora profissional no início, sua entrada na música ocorreu de forma inesperada, mas decisiva. Seu reconhecimento internacional aconteceu em 1963, durante a gravação do álbum “Getz/Gilberto”, ao lado de João Gilberto e do saxofonista norte-americano Stan Getz. Nesse projeto, Astrud interpretou, em inglês, a canção “The Girl from Ipanema”, que se tornaria um dos maiores sucessos da música mundial. Sua voz simples e natural foi fundamental para a aceitação da bossa nova pelo público estrangeiro. Diferente de cantoras tradicionais da época, Astrud adotava uma abordagem minimalista: sua interpretação evitava excessos emocionais e priorizava a leveza, a naturalidade e a precisão. Esse estilo acabou se tornando uma de suas maiores características, influenciando gerações de músicos e cantores. Após o sucesso internacional, desenvolveu uma carreira sólida, lançando diversos álbuns e se apresentando em vários países. Cantou em diferentes idiomas, incluindo inglês, português, espanhol e italiano, ampliando ainda mais seu alcance global. Ao longo de sua trajetória, Astrud colaborou com importantes nomes do jazz e da música popular, consolidando-se como uma artista de relevância internacional. Sua obra contribuiu significativamente para a difusão da música brasileira no exterior. Nos últimos anos de vida, viveu nos Estados Unidos e manteve-se mais reservada em relação à vida pública. Faleceu em 5 de junho de 2023. Seu legado permanece como um marco na história da música: uma artista que, com simplicidade e sutileza, transformou a forma de interpretar canções e levou a bossa nova a um reconhecimento mundial duradouro.

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quarta-feira, 1 de abril de 2026

Box Set: The Ladies Of Jazz - VA (3CDs)

Artista: VA
Lançamento: 1997
Selo: Bluenite/BN304
Gênero: Soul-Jazz, Bossa Nova, Big Band, Easy Listening, Swing, Bop


Lena Mary Calhoun Horne (30 de junho de 1917 – 09 de maio de 2010) foi cantora, atriz, ativista dos direitos civis e dançarina. Em 1933, Lena Horne se juntou ao coro do famoso ‘Cotton Club’, com a idade de dezesseis anos antes de ir para Hollywood, onde teve pequenos papéis em peças e vários filmes musicais. Devido às suas opiniões políticas de esquerda Horne foi posta na lista negra e incapaz de conseguir trabalho em Hollywood. Voltando às suas raízes, Lena Horne participou da ‘Marcha sobre Washington por Empregos e Liberdade’ ou ‘A Grande Marcha sobre Washington’, como ficou conhecida; um grande comício em prol dos direitos civis e econômicos para os afro-americanos que teve lugar em Washington, DC, em 1963, onde Martin Luther King fez seu histórico ‘I Have a Dream’ discurso defendendo a harmonia racial no Memorial Lincoln durante a marcha. E Lena continuou a trabalhar como artista, tanto em casas noturnas como na televisão, enquanto lançava álbuns bem-recebidos. Ela anunciou sua aposentadoria em 1980, mas no ano seguinte estrelou o show ‘Lena Horne: The Lady and Her Music’, com mais de 300 apresentações na Broadway e que lhe valeu inúmeros prêmios e elogios. Continuou gravando e se apresentando esporadicamente na década de 90, desaparecendo dos olhos do público em 2000.


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segunda-feira, 30 de março de 2026

Box Set: The Ladies Of Jazz - VA (3CDs)


Artista: VA
Lançamento: 1997
Selo: Bluenite/BN304
Gênero: Soul-Jazz, Bossa Nova, Big Band, Easy Listening, Swing, Bop


Dinah Washington, pseudônimo de Ruth Lee Jones (Tuscaloosa, Alabama, EUA, 29 de agosto de 1924 – 14 de dezembro de 1963) foi cantora de jazz, blues e gospel. De família de baixa renda, mudou-se para Chicago aos quatro anos. Teve uma infância solitária, já que seu pai, um apreciador de cassinos, raramente estava em casa, e sua mãe passava os dias na rua atrás do dinheiro para sustentar Dinah, suas irmãs e pagar as freqüentes dívidas do marido. Sozinhas em casa, as meninas começaram a se refugiar na igreja, onde passavam as tardes. Dinah tocava piano, assim como sua mãe, e todas cantavam no coral. Antes da adolescência, Dinah tocava piano e cantava gospel por toda Chicago, até vencer um concurso de calouros cantando blues. O concurso lhe rendeu um convite para participar do conjunto vocal ‘Sarah Martin Singers’, pouco antes de completar doze anos. Aos quinze anos, diante das proibições de sua mãe, começou a fugir pela janela de seu quarto para cantar à noite em bares e clubes, onde também começou desenvolver seu gosto pela bebida. Apesar da pouca idade, sua fantástica voz e técnica fizeram com que o bandleader Lionel Hampton a contratasse imediatamente quando a viu cantar em 1943. Foi nessa época que mudou seu nome de Ruth Lee Jones (nomes comuns nos EUA) para o mais pomposo Dinah Washington. Passou três anos junto a banda de Hampton onde conquistou prestígio pleno, gravando, apresentando-se e vendendo muito até sua morte. Gravou diversos estilos de música, apenas não gostando de gravar gospel, pois não apreciava a mistura de assuntos espirituais com profanos. Apesar de seus discos lhe renderem bastante dinheiro, possuía um estilo de vida bastante dispendioso, comprando jóias e carros, além de querer dar para a filha uma infância de luxo, diferente da sua. Morreu aos 39 anos de idade após ingerir inibidores de apetite com bebida alcoólica.


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sexta-feira, 27 de março de 2026

Box Set: The Ladies Of Jazz - VA (3CDs)


"Sou pedaços de músicas, fragmentos de textos, 
sou um pouco de um muito, sou apenas uma 
mistura de tudo"

Este box set de 1997, lançado sob o selo Bluenite (BN304), não é apenas uma compilação; é um inventário sonoro da sofisticação feminina no século XX. Composto por 3 CDs, o álbum atravessa o Jazz, a Bossa Nova e o Soul, servindo como uma aula magna sobre a arquitetura do ritmo e a síncope vocal. A voz como instrumento de ruptura é diferente de outras coletâneas da época, The Ladies Of Jazz organiza um diálogo geracional raro. O ouvinte é conduzido pela perfeição técnica de Ella Fitzgerald, passa pela intimidade minimalista de Astrud Gilberto e deságua na crueza política de Nina Simone. No Jazz sincopado, o deslocamento do acento rítmico é o que traz o "suingue", e aqui artistas como Dinah Washington mostram que a síncope não está apenas nos instrumentos, mas na respiração. Em faixas como "Mad About The Boy", Dinah atrasa propositalmente a entrada das frases, criando uma tensão melódica que é a essência do gênero. A curiosidades e o contexto histórico do  "Revival" dos Anos 90: tem inclusão de Dinah Washington como abre-alas do CD 1 não foi por acaso. Em 1992 um comercial da Levi’s (dirigido por Tarsem Singh) imortalizou "Mad About The Boy", fazendo com que a faixa voltasse às paradas europeias e se tornasse o cartão de visitas obrigatório para compilações de jazz daquela década. O selo Bluenite, conhecido por licenciamentos europeus de nicho, focava em edições que serviam como "portas de entrada" para novos colecionadores de CD que em 1997 vivia seu auge comercial antes da era digital. O contraste geográfico coloca o box uno ao "cool jazz" americano com a Bossa Nova brasileira ("The Girl From Ipanema"), evidenciando como o jazz se tornou uma linguagem universal de resistência e elegância.A finalização Crua traz encerramento com "Sea Line Woman" (Nina Simone) ao vivo no CD 3, uma escolha curatorial corajosa. Ela quebra a estética polida do estúdio para entregar o jazz em seu estado mais percussivo e ancestral. Guia para o amante do Jazz sincopado, para quem busca profundidade no Jazz, este box ensina que a música acontece no espaço entre as notas. A síncope é a arte de ocupar o silêncio com intenção. Ao ouvir estas damas, não procure a métrica rígida; procure o "atraso" elegante, o improviso que desafia o metrônomo e a capacidade de transformar uma melodia simples em uma narrativa complexa. O jazz sincopado é a liberdade de chegar no tempo certo, mesmo parecendo estar fora dele.


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quarta-feira, 25 de março de 2026

Archie Shepp – The Way Ahead



Artista: Archie Shepp
Lançamento: 1968/1969/1998
Selo: Impulse!/ABC Records
Gênero: Free Jazz, Post Bop


Este é o primeiro álbum do saxofonista Archie Shepp com um pianista, o que confere à sua música uma acessibilidade imediata que não existia antes. Isso talvez seja mais evidente na faixa funky "Frankenstein", composta pelo trombonista Grachan Moncour III, que forma uma linha de frente com três instrumentos de sopro, juntamente com Shepp e o trompetista Jimmy Owens. Não se trata apenas de Shepp usar um pianista; a seção rítmica é a mais profissional com a qual ele já havia trabalhado até então. O pianista Walter Davis Jr. tocou com Art Blakey, e o baixista Ron Carter acabara de sair da banda de Miles Davis. A bateria é dividida entre o baterista habitual de Shepp, Beaver Harris, e Roy Haynes, que já tocou com artistas como Charlie Parker, Sarah Vaughan e John Coltrane.
"The Way Ahead foi um ponto de virada para Archie Shepp. Para começar, ele havia procurado por toda parte no cenário do jazz/improvisação a combinação ideal de músicos — sem piano. Pode-se especular que isso se deva ao fato de ele ter começado sua carreira com o pianista Cecil Taylor, o que talvez tenha marcado qualquer um para sempre. Gravado em 1969, The Way Ahead contou com Ron Carter no baixo, Grachan Moncur III no trombone, Jimmy Owens no trompete e a bateria de Beaver Harris ou Roy Haynes, com Walter Davis Jr. no piano. O álbum é uma gloriosa fusão do antigo e do novo, com blues profundo, gospel e muito swing irreverente na mistura. Desde a abertura com o blues pós-bop "Damn If I Know (The Stroller)", o álbum segue a linha de Ellington-Webster e parte em busca do outro lado de Mingus. O solo de Shepp é frágil, entrecortado, estridente e glorioso, contrastando com uma série de mudanças graciosamente empregadas por Moncur e Owens. O ritmo gaguejante e frenético de Harris pode mantê-lo ancorado no blues, mas sustenta tudo o que possa acontecer. Da mesma forma, a pegada moderna da música, evidenciada em "Frankenstein" de Moncur (gravada originalmente com o grupo de Jackie McLean em 1963), aumenta um pouco a intensidade. A interpretação de Shepp é completamente diferente, acentuando os pontos de pedal e os microharmônicos nas pausas. Em "Sophisticated Lady" e "Fiesta", Haynes assume a bateria e imprime seu swing frenético nos arranjos, conferindo-lhes um toque de elegância que talvez não mereçam aqui, embora também aprofundem a emoção mais do que se esperaria. As duas últimas faixas do CD são gravações remanescentes de fevereiro de 1969, que substituem Davis por Dave Burrell e Carter por Walter Booker, e adicionam Charles Davis no saxofone barítono com Harris na bateria. No entanto, elas soam diferentes dessas gravações; há uma fúria e uma obscuridade nelas que tiram um pouco da alegria festiva do álbum original". - Resenha de Thom Jurek


Archie Shepp: Ten. Saxophone
Jimmy Owens: Trumpet
Grachan Moncur III: Trombone
Walter Davis Jr.: Piano (tracks 1–4)
Ron Carter: Baixo (tracks 1–4)
Roy Haynes: Bateria (tracks 3-4)
Beaver Harris: Bateria (tracks 1-2; 5-6)
Charles Davis: Baritone Saxophone (track 5-6)
Dave Burrell: Piano (tracks 5-6)
Walter Booker: Baixo (tracks 5-6)

Faixas 1–4 gravado no RCA Studio, Nova Iorque, em 29 de janeiro de 1968 
Faixas 5–6 gravado no National Recording Studios, Nova Iorque, em 26 de fevereiro de 1969 


Boa audição - Namastê

segunda-feira, 23 de março de 2026

VA - Jazz Noire, Drink Up, Light Up! Tales Of Dope, Booze & Sleaze (2012)

Artista: VA
Lançamento: 2011
Selo: Fantastic Voyage/FVDD148
Gênero: Rhythm & Blues, Score, Swing, Big Band, Boogie Woogie, Jump Blues

 

Entrar no universo de "Drink Up - Light Up! (Jazz Noire Tales Of Dope, Booze & Sleaze)" é como atravessar a porta dos fundos de um speakeasy clandestino em 1947, onde a fumaça de tabaco é tão densa quanto o mistério de um crime não resolvido. Lançada pela curadoria impecável da Fantastic Voyage, esta antologia transcende a mera compilação de catálogo; ela funciona como um documento antropológico e cinematográfico das décadas de 1940 e 1950. O compilador Dave Penny executa uma tarefa magistral ao costurar 50 faixas que orbitam o "lado B" do sonho americano. O álbum não se contenta em apresentar apenas o Jazz e o R&B de auditório; ele mergulha no argot das ruas, trazendo à tona o Jump Blues febril, o Swing malicioso e o Jazz de vanguarda que serviam de trilha sonora para a marginalidade. O gênio da obra reside na sua estrutura narrativa: a inserção estratégica de diálogos e temas de filmes cult — como Reefer Madness, D.O.A. e o visceral The Man With The Golden Arm — transforma a audição em uma experiência de rádio-teatro noir. Musicalmente, o disco é um banquete de contrastes. Temos o humor anfetamínico e frenético de Harry "The Hipster" Gibson em "Who Put the Benzedrine in Mrs. Murphy's Ovaltine?", contrapondo-se à elegância esfumaçada de Sarah Vaughan e ao carisma magnético de Cab Calloway em seu hino canábico "Reefer Man". Há uma crueza deliciosa em ouvir Wynonie Harris e Nelson Alexander Trio celebrando a indulgência em tempos onde tais temas eram tabus rigorosamente vigiados pela censura. Profissionalmente, a produção merece aplausos pela restauração sonora, que preserva o chiado orgânico da era sem sacrificar a clareza dos metais e a profundidade dos contrabaixos. De forma lúdica, podemos dizer que este CD é um "coquetel perigoso": começa com a euforia do primeiro gole de gim, passa pela paranoia das substâncias ilícitas e termina no balanço melancólico de uma madrugada solitária em uma esquina de Los Angeles. "Drink Up - Light Up!" é, em última análise, um triunfo da curadoria musical. É cínico, sofisticado, sujo e irresistivelmente dançante. Uma peça essencial para quem entende que o Jazz, antes de chegar às academias, foi forjado no calor do vício, do suor e da rebeldia das sombras. Veredito: Uma obra-prima de cinco estrelas para ser ouvida no volume máximo, de preferência com uma dose de bourbon ao alcance da mão. Para além da sua aura mística de fumaça e neon, "Drink Up - Light Up!" revela-se, sob um olhar clínico, uma aula magna de transição fonográfica e crônica social proibida. O que o curador Dave Penny articula nesta antologia não é apenas uma sucessão de canções, mas uma autópsia sonora da metamorfose do Jazz das Big Bands para o R&B visceral e o Cool Jazz analítico, capturando o exato momento em que o virtuosismo técnico encontrou a urgência das ruas. Tecnicamente, a compilação é um triunfo da restauração. A preservação do punch percussivo original das gravações em 78 RPM mantém o calor analógico necessário, sem sacrificar a clareza dos metais "sujos" (dirty brass) — saxofones e trompetes que utilizam bends e growls para mimetizar a voz humana em estados de embriaguez ou êxtase. O piano, motor rítmico de figuras como Harry "The Hipster" Gibson e Julia Lee, abandona a polidez das salas de concerto para assumir uma função quase puramente percussiva, onde o Stride e o Boogie-Woogie ditam o nervosismo das substâncias celebradas nas letras. A arqueologia musical aqui presente é o que realmente eleva o álbum ao status de item de colecionador. O conjunto resgata "pérolas negras" que habitaram o limbo da censura e dos selos independentes (race records). Faixas como a frenética "Who Put the Benzedrine in Mrs. Murphy's Ovaltine?" — que custou a carreira de Gibson devido à sua alusão explícita a anfetaminas — e a raríssima "Weed", de Bea Foote, oferecem um realismo lírico que antecipa em décadas a crueza do rap moderno. O diálogo estabelecido com as trilhas cinematográficas, especialmente o tema de "The Man With The Golden Arm" (de Elmer Bernstein), amarra a experiência técnica: aqui, o Jazz deixa de ser entretenimento para se tornar a linguagem psicológica da agonia e do vício urbano. Em última análise, "Drink Up - Light Up!" é um registro essencial da "música maldita". É o som de uma era onde o contrabaixo acústico já galopava no walking bass que daria luz ao Rock 'n' Roll, e onde artistas como Tiny Grimes e Clarence Williams usavam o improviso como fuga e reflexo de uma sociedade em transe. Uma obra tecnicamente impecável e historicamente subversiva.


Boa audição - Namastê



sexta-feira, 20 de março de 2026

VA – Jazz Noire (Darktown Sleaze From The Mean Streets Of 1940s L.A.) 2xCD.

Artista: VA
Lançamento: 2011
Selo: Fantastic Voyage/FVDD148
Gênero: Rhythm & Blues, Score, Swing, Big Band, Boogie Woogie, Jump Blues

A Fantastic Voyage criou uma coleção abrangente, bem selecionada e obviamente bem fundamentada de jazz e R&B (no sentido antigo) do final dos anos 40, do tipo que você esperaria ouvir em cenas de boates em filmes noir. Apropriadamente, ambos os discos são emoldurados pela música tema de clássicos do gênero. Algumas das seleções são muito familiares – a gravação original de Round Midnight, de Monk – enquanto outras são extraídas de fontes mais profundas, como a primorosa Solitude, de Leo Parker. O ponto principal é: todas são excelentes representações de seus respectivos gêneros. Depois disso, é uma questão de gosto pessoal. Prefiro Billie Holiday em um estilo mais animado, mas muita gente adora as faixas deste álbum, que eu acho um pouco autopiedosas demais, e essa diferença de opinião não importa quando se trata de avaliar esta excelente coletânea. Fantastic Voyage dá sequência ao enorme sucesso de Jazz Noire, de 2011, permitindo que a mesma equipe retorne àqueles bares e antros sórdidos, desta vez focando nas drogas, na bebida e nos personagens duvidosos para fornecer um retrato vívido da vida boêmia e desregrada entre as décadas de 1930 e 1950. A música em Drink Up Light Up! evoca aquela época em que as orquestras se expandiam, as seções de metais explodiam como fogos de artifício e o blues escorria das teclas do piano para os pisos de bares manchados de álcool e lágrimas, com um elenco impressionante que incluía nomes como o Reefer Man e a Snuff Dippin Mama, mas os temas são tão relevantes para o clima atual de recessão: o desejo de escapar através das drogas (e as repercussões frequentemente desfavoráveis ​​nos relacionamentos). A música de Drink Up - Light Up! evoca aquela época em que as orquestras se expandiam, as seções de metais explodiam como fogos de artifício e o blues escorria das teclas do piano para os pisos de bares manchados de bebida e lágrimas, com um elenco impressionante que incluía nomes como Reefer Man e Snuff Dippin' Mama, mas os temas são igualmente relevantes para o clima atual de recessão: o desejo de escapar através das drogas (e as repercussões frequentemente desfavoráveis ​​nos relacionamentos). Seja Sam Price comandando 'Lead Me Daddy, Straight to the Bar', Buddy Banks confessando 'I Need It Bad (Groove Juice)' ou o Four Clefs filosofando em 'When I'm Low I Get High', a seleção abrange todo o espectro da farra movida a substâncias, com seus prós e contras. Surgindo da época da Lei Seca e da Grande Depressão, a coletânea também oferece um vislumbre fascinante da vida nas ruas durante esse período, até a Guerra da Coreia, desde situações domésticas até gírias relacionadas a drogas, além de proporcionar uma experiência auditiva sublime e evocativa. (Amazon)

Que conjunto magnífico de jazz! Há também algumas faixas que não ouvia há muito, muito tempo, e é bom ter a memória refrescada. Se você gosta de jazz, se você gosta de trilhas sonoras de filmes, este é o álbum perfeito. Uma coletânea fantástica de joias dos anos 40, lindamente produzida, ideal para ouvir tarde da noite. Menção especial também para a embalagem e o livreto, que incluem belíssimas ilustrações e gráficos da época. 


Boa audição - Namastê

 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Boxset: The Diva Series (9xCD's) + Bonus


Lançamento: 2003
Selo: Verve Records/Compilation 
Gênero: Vocal Jazz, Bop, Cool, Crossover Jazz, Hard Bop, Mainstream Jazz, 
Post-Bop, Standards, Traditional Pop, West Coast Jazz

Coleção Definitiva das Divas: Análise da Série Diva 

A coletânea "Verve's Ultimate Diva Collection: The Diva Series" reúne faixas de 16 cantoras que gravaram para a gravadora (ou para uma das gravadoras que o Verve Group distribui atualmente) em algum momento de suas carreiras. A lista é um verdadeiro desfile de estrelas do jazz vocal: lendas como Dinah Washington , Peggy Lee e Carmen McRae dividem espaço com cantoras menos aclamadas, mas igualmente dignas de serem consideradas divas, como Ernestine Anderson , Blossom Dearie e a sempre fabulosa Shirley Horn . Adicione algumas surpresas como Etta James e Astrud Gilberto , e o resultado se torna quase definitivo. Há também uma infinidade de canções clássicas dos anos 50 e 60 (e dos anos 90, no caso de Shirley Horn ). "How High the Moon", de Ella Fitzgerald , "Lullaby of Birdland", de Sarah Vaughan , " You'd Be So Nice to Come Home To", de Helen Merrill , e "Body and Soul", de Billie Holiday , são apenas alguns dos melhores exemplos. Com exceção da questionável inclusão da gravação de "It's Crazy", de Natalie Cole , de 2001, todas as músicas aqui são clássicos do jazz vocal. É claro que todo esse classicismo não significaria muito se os artistas e as músicas tivessem sido escolhidos aleatoriamente, mas a Verve fez um excelente trabalho ao construir uma coleção que flui como um riacho tranquilo e limpo, e pode ser facilmente recomendada a qualquer pessoa que procure uma introdução vibrante ao jazz vocal. Os fãs do gênero também acharão a coletânea muito proveitosa.


Boa audição - Namastê

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Boxset: The Diva Series (9xCD's) + Bonus

Artista: Sarah Vaughan
Lançamento: 2003
Selo: Verve Records/Compilation 
Gênero: Swing, Vocal


Sarah Vaughan, juntamente com Ella Fitzgerald, ajudou a elevar o papel da vocalista ao mesmo nível de importância do instrumentista de jazz. Seus primeiros sucessos e uma série de duetos com Billy Eckstine na década de 40 fizeram dela uma das maiores cantoras de jazz durante quase meio século. Possuindo uma perfeita afinação ela cantava com sofisticação a mais desafiadora e complicada harmonia. O sucesso inicial foi atingido com uma mistura de músicas originais de jazz e o melhor da música do ‘Tin Pan Alley’, nome dado aos compositores que se concentravam em New York e que dominavam a música popular dos EUA no século 19 e início do século 20, músicas como ‘Body and Soul’ e ‘Tenderly’. Na década de 50 ela nadou em águas mais comerciais, mas algumas das canções foram descartadas, indignas de seu grande talento. Mesmo assim, em algumas a pirotecnia vocal era evidente, uma exceção foi o seu grande hit ‘Misty’ que ela gravou com a banda de Quincy Jones e com o apoio do brilhante saxofonista Zoot Sims. ‘Misty’ foi a música mais associada à Sarah Vaughan e a mais solicitada pelo público nas apresentações ao vivo, mas nos anos 70, ‘Send in the Clowns’ tornou-se a sua assinatura musical nos encerramentos dos shows. Sarah voltou integralmente à sua força artística nos anos 60, e nos últimos 30 anos de sua carreira ela cantava em clubes de jazz e produziu um notável catálogo musical em vários rótulos. Sua produção foi excelente, mas entre os seus melhores álbuns estão os volumes 1 e 2 de ‘The Duke Ellington Songbook’ que contém versões magníficas. Desde a sua primeira aparição na cena do jazz no início dos anos 1940 até sua morte, a voz de Sarah Vaughan tornou-se um modelo e inspiração para aqueles que querem se aventurar além do simples vocal popular e dominar a arte musical. Sarah Lois Vaughan nasceu em Newark, New Jersey. Aos sete anos estudou piano e aos doze se tornou organista e vocalista solo no coro da igreja. Seu pai era um carpinteiro e um guitarrista amador e sua mãe era lavadeira e vocalista na igreja. Apesar de ser um homem religioso, o pai de Vaughan, passava as noites a tocar blues. Sarah tocava piano e ouvia as gravações de artistas de jazz. Depois de descobrir e se apresentar, cantando e tocando piano, em teatros e clubes locais decidiu atravessar o rio Harlem e passou a freqüentar o ‘Savoy Ballroom’ e o ‘Apollo Theatre’ onde ganhou um concurso amador interpretando ‘Body and Soul’, que tanto impressionou o cantor de jazz Billy Eckstine que persuadiu seu bandleader, Earl Hines, a contratá-la. Pianista talentosa, ao tornar-se membro das bandas de Earl Hines e Billy Eckstine, ela entrou para as fileiras do movimento ‘bebop’, uma das correntes mais influentes do jazz que privilegia os pequenos conjuntos, como os trios, os quartetos e os solistas de grande virtuosismo como ela. Logo formou a sua própria e influenciada por Dizzy Gillespie e Charlie Parker gravou com eles em 1945. Depois de um ano, Sarah começou a sua longa carreira como solista para o resto de sua carreira, alternando entre música popular e jazz trabalhou com pequenas e grandes bandas de jazz e grandes orquestras sinfônicas. Uma mulher conhecida por sua personalidade franca e eloquência artística, carinhosamente era conhecida como ‘Sassy’ e ‘a divina’. Sarah foi casada quatro vezes: com o bandleader George Treadwell, com o jogador de futebol profissional Clyde Atkins, com Marshall Fisher, dono de um restaurante em Las Vegas e com o trompetista de jazz Waymon Reed. Tudo terminou em divórcio. A cantora incansável ainda mantinha uma bela voz, mas nos bastidores, no entanto, os membros da banda começaram a perceber o ritmo lento do seu andar e a falta de ar. Diagnosticada com câncer de pulmão, ela foi submetida a tratamento quimioterápico. Infelizmente, ela morreu em 1990, um ano depois de receber um Grammy por sua obra.


Boa audição - Namastê

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Boxset: - The Diva Series (9xCD's) + Bonus


Lançamento: 2003
Selo: Verve Records/Compilation 
Gênero: Vocal Jazz, Swing, Smooth, Bossa Nova 

História que tem início de forma inusitada e casual como em um conto de fadas, The Astrud Gilberto Album foi gravado entre os dias 27 e 28 de janeiro de 1965, e logo se impôs como explosão, como o ápice, de um processo lento e revelador. Pouco menos de dois anos antes, nos dias 18 e 19 de março de 1963, João Gilberto, então marido de Astrud, fez o mesmo trajeto Rio de Janeiro/Nova York para registrar, pela mesma Verve e em parceria com o saxofonista tenor americano Stan Getz, o álbum Getz/Gilberto. Produzido por Creed Taylor, o chefão da Verve, depois do relativo sucesso de um experimento anterior, o LP Jazz Samba Encore!, que reuniu Getz e o violonista Luiz Bonfá, Getz/Gilberto foi arranjado por Tom Jobim e contou também com as presenças do baterista Milton Banana e do baixista Tião Neto. Nascida Astrud Weinert em Salvador, filha de um imigrante alemão, professor de idiomas e de literatura, e de uma dona de casa baiana, Astrud partiu com a família, aos 8 anos de idade, para morar na zona sul do Rio de Janeiro, na Avenida Atlântica, em Copacabana. Caçula de três irmãs, Astrud cresceu observando os procedimentos cultos do pai e se deixando influenciar pela paixão da mãe (que cantava e tocava bandolim) pela música. Tímida, passou anos a reprimir seu interesse pelo canto. Situação confrontada na adolescência pela melhor amiga, a aspirante a cantora Nara Leão, que aos poucos foi incentivando a amiga baiana a soltar a voz até que, apresentada por Nara ao amigo João Gilberto, Astrud cruzou o caminho do conterrâneo e, no papel de namorada dedicada, passou a ter em João seu grande incentivador e norte estético. João e Astrud se casaram em 1959. Em menos de um ano ela esperava o menino João Marcelo, primogênito de João e filho ûnico do casal. Sem grandes pretensões, em maio de 1960, Astrud experimentou, pela primeira vez, a sensação de subir em um palco e soltar a voz, no histórico show A Noite do Amor, do Sorriso e da Flor. Apesar desse sucesso, ela nunca foi aceita como uma estrela em seu país natal. Nisso, ela não estava sozinha: o Brasil raramente acolhe brasileiros que chegam ao estrelato morando no exterior, principalmente nos Estados Unidos. Antes de Gilberto, a cantora Carmen Miranda recebeu a mesma frieza. E os brasileiros também desdenharam (e ainda desdenham) de Sérgio Mendes, uma lenda da música brasileira, que alcançou a fama internacional no final dos anos 1960. Astrud Gilberto acabou se apresentando apenas uma vez em seu país de origem depois do estrelato e de emigrar para os Estados Unidos em meados da década de 1960. Apesar de uma carreira de quatro décadas, Astrud foi e é vista por muitos no Brasil apenas como a esposa de João Gilberto – a garota que teve sorte com aquele disco de sucesso. Morreu na cidade de Filadélfia, em 05 de junho de 2023 aos 83 anos, conforme anunciado por sua neta Sofia Gilberto.


Boa audição - Namastê

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Boxset: The Ultimate Diva Collection (10xCDs)

Artista: Anita O'Day
Lançamento: 2003
Selo: Verve Records/Compilation 
Gênero: Vocal Jazz, Swing, Smooth Jazz 

O jazz, assim como a ópera, sempre teve suas divas, que deram sua contribuição a esse gênero musical. O número das grandes cantoras supera o dos cantores que se destacaram. Para cada Frank há uma Billie, uma Bessie, uma Ella e uma Sarah. Presença constante no jazz, a diva foi mudando de perfil ao longo do tempo. Nos anos 30 e 40, os grandes ícones eram Billie Holiday, Bessie Smith, Anita O’Day. A especialidade não era o virtuosismo vocal, e sim a emoção, proporcionada por fartas doses de aflições românticas, familiares e com drogas. Tudo doia. Nos anos 50 e 60, as divas Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Lena Horne, intérpretes irretocáveis, mostravam sua diversidade no repertório, iam de standards da canção americana a bossa nova e canções dos ‘Beatles’. Elas tudo podiam. Eram épocas ‘de’ ouro. Nos anos 70 e 80, as cantoras passaram a ser também instrumentistas. Umas recuperavam as raízes blues do gênero e outras incorporavam ritmos africanos. As divas eram Diane Schuur, Nina Simone e a brasileira Eliane Elias. Elas faziam tudo. A nova encarnação de diva surgiu nos anos 90 e 2000. Os atributos eram a sensualidade e o fato de emprestarem um tratamento pop ao jazz, em vez de dar um tratamento jazzístico ao popular. Elas dão um verniz refinado ao pop. A elas faltam a emoção e o virtuosismo técnico de suas antecessoras, mas é gostoso ouví-las. É essa receita que tem garantido o sucesso de intérpretes como Diana Krall, Norah Jones e Jane Monheit. Beldades que cantam, tocam, saem muito bem nas fotos e vendem milhões de discos. Elas dão as cartas na indústria do jazz. Elas são tudo. É a época ‘do’ ouro. (fonte: revista Veja)


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segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Boxset: The Diva Series (9 x CD's + Bonus) 2003

 "The Diva Series" refere-se a uma aclamada coleção de CDs lançada pela gravadora "Verve" no início dos anos 2000 (principalmente 2003), dedicada às maiores vozes femininas do jazz e pop clássico, com grandes artistas, com compilações focadas em performances marcantes e sucessos. O destaques da Coleção "The Diva Series" (Verve Records), tem reunião de faixas clássicas de jazz, blues e pop de renomadas cantoras, incluídos artistas como: Dinah Washington, Astrud Gilberto, Blossom Dearie, Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald, Billie Holiday, Sarah Vaughan, Dinah Washington e Astrud Gilberto entre outras no formato remasterizados, frequentemente apresentando as "melhores de" cada cantora. Já o contexto  Lançada pela Verve Records se destaca na profundidade emocional e o talento técnico de vocalistas femininas, capturando gravações desde a década de 1950 até 2001. A série é amplamente reconhecida como uma antologia essencial para colecionadores de jazz, oferecendo uma visão geral da carreira de cada "diva" em um único disco. 

ALBUMS:

Anita O'Day
Astrud Gilberto
Billie Holiday
Blossom Dearie
Carmen McRae
Dinah Washington
Ella Fitzgerald
Nina Simone
Sarah Vaughan


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segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Boxser: The Perfect Jazz Collection 25 Original Albums (CD02)

Artista: Sarah Vaughan
Lançamento: 1955 / 2010
Selo: Columbia / Great Jazz Composers Series
Gênero: Cool Jazz, Hard Bop, Pós-Bop, Bop, Dixieland

 

Sarah Vaughan in Hi-Fi é um álbum de compilação de 12 faixas de Sarah Vaughan lançado em 1955 e gravado de 21 de dezembro de 1949 a dezembro de 1952. Em 1950, um LP de estreia de 10" intitulado Sarah Vaughan foi lançado com oito canções que mais tarde seriam usadas em Sarah Vaughan em Hi-Fi. Em 1955, essas oito músicas, junto com outras quatro, foram lançadas no LP de 12" Sarah Vaughan in Hi-Fi . A ordem das oito músicas originais foi alterada e as novas músicas foram intercaladas. Em 1996, uma versão expandida de Sarah Vaughan in Hi-Fi foi lançada em CD. A ordem das oito músicas originais foi alterada de volta para a do lançamento de 10" de 1950. As quatro músicas adicionais lançadas em Sarah Vaughan in Hi-Fi seguem. Depois disso, o CD contém material bônus – versões alternativas de muitas das músicas.

Baixo – Billy Taylor  
Clarinete – Tony Scott  
Bateria – JC Heard  
Guitarra elétrica, solista – Mundell Lowe
Guitarra – Freddie Green
Piano – Jimmy Jones  
Saxofone Tenor – Buddy Johnson  
Trombone – Benny Green  
Trompete – Miles Davis
Vocais – Sarah Vaughan


Boa audição - Namastê