"É pau, é pedra, é pele, é osso - o homem desde os tempos primais descarregou suas tensões batendo, batucando, marcando ritmo no que estivesse ao alcance de sua mão. Surgiu dai a parafernália rítmica, o arsenal de instrumentos que compõe a bateria moderna, os mil e um apetrechos da percussão, coisas ainda de índole artesanal, a família das marimbas, dos xilofones e seu primo rico o vibrafone e as extensões eletrônicas de tudo isso, propagadas nos mais modernos computadores. Claro, o ritmo digitalizado - os drum’n' bass da vida - nada tem a ver com o verdadeiro suingue do jazz, que nasceu do contato da pele e da mão humana com os couros, das baquetas e das vassourinhas fazendo vibrar os pratos turcos de cobre feitos também manualmente. Vocês podem ver as pinturas das cavernas, o mundo que nossos ancestrais grafitaram para a eternidade; mas o som daquelas épocas primais só pode ser captado mesmo na arte dos bateristas, percussionistas e vibrafonistas de jazz". - Cedric Doranges
Billie Holiday é reconhecida como a maior intérprete que o jazz já produziu. Com interpretações intensas e com sentimento encantou o público e mudou a arte dos vocais para sempre. Mais de meio século depois de sua morte é difícil acreditar que as vocalistas de jazz antes de seu surgimento raramente personalizavam suas canções; na verdade, apenas as cantoras de blues como Bessie Smith e Ma Rainey davam a impressão de que tinham vivido o que estavam cantando. Billie Holiday fez a leitura desta tradição do blues e revolucionou o jazz e o pop tradicional, rasgando a tradição de décadas se recusou a comprometer sua arte. Em sua autobiografia, ela admitiu que sempre quis ser uma cantora como Bessie Smith e ter o sentimento de Louis Armstrong, e que muitas vezes tentou cantar como um trompete. mas, na verdade, seu estilo era praticamente ela própria. A tragédia pessoal e as drogas marcaram a sua vida. Mas todo o lixo que ela viveu era transformado pelo seu canto. Surras, prisões, droga pesada, mais o drama de uma cantora negra naquele tempo, quando muitas vezes nos hotéis onde se hospedava, no auge da carreira, era ‘convidada’ a subir pelo elevador de serviço para que não se misturasse com os brancos. Tudo isso foi transformado em interpretações históricas. Quando se ouve Billie cantar, sente-se que ela está contando sua história. Era linda, louca, sexy e livre. Billie é a minha deusa. Com seu estilo brilhando em cada gravação, a sua perícia técnica também se destacou em comparação à grande maioria de seus contemporâneos. Muitas vezes entediada e cansada das velhas canções que ela era forçada a gravar no início de sua carreira, Billie brincava com a melodia e rejuvenescia as canções com harmonias emprestadas de seus instrumentistas favoritos, Louis Armstrong e Lester Young. A sua notória vida privada com uma série de relações abusivas, dependência de substâncias químicas e períodos de depressão, sem dúvida, ajudaram seu status lendário. ‘Lover Man’, ‘Don't Explain’, ‘Strange Fruit’ e sua própria composição ‘God Bless the Child’, que versa sobre a pobreza, estão entre os seus melhores desempenhos e permanecem entre as apresentações mais sensíveis já registradas. Mais do que a capacidade técnica, mais do que a pureza da voz, o que fez Billie Holiday uma das melhores vocalistas do século foi o seu temperamento implacavelmente individualista. A vida caótica de Billie Holiday, supostamente, começou em Baltimore quando ela nasceu como Eleanora Fagan Gough. Seu pai, Clarence Holiday, foi um adolescente guitarrista de jazz que mais tarde tocou na Orquestra de Fletcher Henderson. Sua mãe também foi uma jovem adolescente, e se por causa de inexperiência ou negligência, muitas vezes deixava a filha com parentes indiferentes. Billie foi expulsa da escola católica com 10 anos, depois que admitiu ter sido estuprada, e condenada a ficar presa até a idade adulta foi liberada depois de dois anos por um amigo da família. Com a mãe, ela se mudou em 1927, primeiro para New Jersey e, logo depois para o Brooklyn. Em New York, Billie ajudava a mãe como empregada doméstica, mas logo começou a se prostituir para ter uma renda adicional. E já cantava em clubes do Harlem desde 1930. Teve um pouco de publicidade no início de 1933, quando o produtor e caçador de talentos John Hammond, também no início de uma carreira legendária, escreveu sobre ela em uma coluna para o mais antigo jornal sobre música já existente, o ‘Melody Maker’, do Reino Unido, e trouxe Benny Goodman a uma de suas apresentações. Depois de gravar uma demo na Columbia Studios, Billie se juntou ao pequeno grupo de Goodman para fazer sua estreia comercial com a música ‘Your Mother's Son-In-Law’. Apesar de não voltar ao estúdio por mais de um ano, Billie passou 1934 galgando os degraus da competitiva cena dos bares de New York. No início de 1935, ela fez sua estreia no Teatro Apollo, e apareceu em um filme com Duke Ellington. Durante a última metade de 1935, finalmente entrou em um estúdio novamente e gravou quatro sessões. Com uma banda supervisionada pelo pianista Teddy Wilson, ela gravou uma série de canções obscuras e esquecíveis da Tin Pan Alley, nome dado à editora de música de New York e seus compositores que dominaram a música popular dos Estados Unidos no final do século 19 e início do século 20. Em outras palavras, músicas disponíveis apenas para uma banda obscura de afroamericanos dos anos 30. Durante a era do swing, as editoras de música mantinham as melhores músicas estritamente nas mãos de orquestras populares e cantores brancos. Apesar da qualidade pobre das canções, Billie energizou essas canções. No final de 1937, gravou vários números com um pequeno grupo, mais uma descoberta de John Hammond, a orquestra de Count Basie. O saxofonista tenor Lester Young, que tinha conhecido brevemente Billie alguns anos antes, e o trompetista Buck Clayton se tornaram seus parceiros. E juntos gravaram o seu melhor trabalho e Billie deu o apelido de ‘Pres’ a Young, enquanto ele a apelidou de ‘Lady Day’ por sua elegância. Na primavera de 1937, ela começou a excursionar com Basie como o complemento feminino de seu vocalista masculino, Jimmy Rushing. A associação durou menos de um ano. Embora oficialmente ela tenha sido despedida da banda por ser temperamental e pouco confiável, a verdade é que o alto escalão do mundo editorial ordenou a ação depois que ela se recusou a cantar clássicos de blues dos anos 20. Menos de um mês depois de deixar Basie, ela foi contratada por Artie Shaw, um dos primeiros exemplos de uma mulher negra que apareceu com um grupo branco. Apesar do apoio contínuo de toda a banda, no entanto, promotores e patrocinadores de rádio logo começaram a contestar Billie, com base em seu estilo de cantar pouco ortodoxa, e também por ser negra. Após uma série de indignidades Billie deixou a banda com desgosto. Mais uma vez, a sua percepção foi valiosa, a maior liberdade lhe permitiu dar um show em um novo clube chamado ‘Café Society’, a primeira boate popular com um público inter-racial. Lá, Billie Holiday aprendeu a canção que iria catapultar sua carreira para um novo nível: ‘Strange Fruit’. ‘Strange Fruit’ é uma canção que condena o racismo americano, especialmente o linchamento de afro-americanos que ocorreu principalmente no sul dos Estados Unidos, mas também em outras regiões do país. ‘Strange Fruit’ foi composta como um poema, escrito por Abel Meeropol, um professor judeu de colégio do Bronx, sobre o linchamento de dois homens negros. Ele a publicou sob o pseudônimo de Lewis Allan. Abel Meeropol e sua esposa adotaram, em 1957, Robert e Michael, filhos de Julius e Ethel Rosenberg, acusados e condenados por espionagem e executados pelo governo dos Estados Unidos. Embora Billie inicialmente manifestasse dúvidas sobre a inclusão de tal música em seu repertório, ela o fez confiando em seus poderes de sutileza. E ‘Strange Fruit’ logo se tornou o destaque em suas apresentações e foi gravada. Uma vez liberada, ‘Strange Fruit’ foi proibida por muitas estações de rádio. Billie continuou a gravar e atingiu novamente grande sucesso com a sua mais famosa composição de 1941, ‘God Bless the Child’ e em 1944 com ‘Lover Man’, uma canção escrita especialmente para ela e seu terceiro grande hit. Billie logo se tornou prioridade para a ‘Decca Records’, ganhando o direito de material musical de alta qualidade e seções de cordas de luxo para suas gravações. Apesar de estar no alto da popularidade, a vida emocional de Billie começou um período turbulento. Já fortemente viciada em álcool e maconha, começou com o ópio com seu primeiro marido, Johnnie Monroe. O casamento não durou, e o vício na heroína veio com o segundo casamento com o trompetista Joe Guy. A morte de sua mãe a afetou profundamente, e em 1947 ela foi presa por posse de heroína e condenada a oito meses de prisão. Infelizmente, os problemas continuaram depois de sua libertação. As drogas tornaram impossíveis as suas apresentações. Atormentada ela seguiu em frente. Embora os estragos de uma vida dura estivessem refletidos em sua voz, muitas das gravações de Billie doa anos 50 são tão intensas e belas quanto sua obra clássica. Em 1954, Billie excursionou pela Europa com grande sucesso, e sua autobiografia de 1956 trouxe ainda mais notoriedade. Ela fez sua última grande aparição, em 1957, na televisão em um especial com Ben Webster, Lester Young e Coleman Hawkins dando-lhe apoio. Durante seu último ano, ela fez mais duas apresentações na Europa antes de cair doente do coração e doença hepática em 1959. E foi presa por posse de heroína em seu leito de morte. Morreu no mesmo ano. O filme ‘Lady Sings the Blues’ de 1972 interpretado por Diana Ross ilumina a sua vida trágica e lhe deu muitos fãs de novas gerações. - Fonte: Pintando Musica
Em 1957, jazzman fez shows no Municipal, Country e Maracanãzinho e foi homenageado com banquete no Palácio Laranjeiras, onde cantou acompanhado por Sivuca. (fonte: O Globo)
New Orleans. Music by Louis Alter, lyrics by Eddie Delange. New
Orleans (1947) by Arthur Lubin, with Louis Armstrong, Billie Holiday,
Zutty Singleton, Barney Bigard, Kid Ory, Bud Scott, Red Callender &
Charlie Beal. Actors : Dorothy Patrick, Arturo de Córdova, Richard Hageman.
Falar de Billie Holiday é exaltar o nome de uma das maiores cantoras do século XX, considerada a primeira grande dama do jazz de todos os tempos, dona de uma voz única e sublime, que arrastava notas e dava à música uma nova roupagem em suas interpretações, influenciando uma legião de cantoras no mundo todo e perdurando seu legado por mais de cinco décadas após sua morte. Nasceu em 07 de abril de 1915, na Filadélfia, nos Estados Unidos. Teve uma infância humilde e conturbada, fomentada pelo desamparo materno, pelas dificuldades financeiras, pelo abuso sexual, passagens a reformatórios e iniciação à prostituição na adolescência. Sua mãe, Sarah Harris, muito pobre, separada do marido, não tinha condições de cuidar da filha, deixando Billie, que era até então apenas Eleonora Harris, seu nome de batismo, sob os cuidados da meia-irmã que, por sua vez, passou a menina para a responsabilidade de sua sogra. A pequena futura grande diva da música também passaria pela experiência de viver num reformatório. Posteriormente, ao voltar para os cuidados da mãe, onde passou a ajudá-la no restaurante construído, em Baltimore, seria abusada sexualmente por um vizinho. Mas, no lugar do homem que a abusou, a própria vítima foi quem sofreu as consequências, sendo levada novamente para um reformatório. Sim, a história de Billie é um dramático relato de blues, e não termina por aí. Na condição de pobre e negra, num país segregado pela discriminação racial, passou a oferecer serviços domésticos a um bordel local e, consequentemente, a se prostituir como forma de sobrevivência. E foi num dos quartinhos do bordel onde Billie trabalhava que ela, supostamente, ouviu na vitrola um disco de Louis Amstrong e Bessie Smith, apaixonando-se profundamente pelo som de ambos, que seriam as suas maiores influências musicais. A partir daí o espírito jazzístico passara a nutrir sob a alma blue da jovem, que começou a cantar no mesmo bordel de Baltimore. Em 1929, foi detida ao lado da mãe e de outras prostitutas, passando cem dias num reformatório. Logo depois, vai morar no Brooklyn com a mãe, atuando como cantora em bordeis e boates da cidade, como também nos Queens de Nova Iorque. Em 1933, a carreira de Billie tomaria o primeiro grande impulso quando foi ouvida pelo produtor John Hammond, num pequeno clube nova iorquino. Hammond teria ficado impactado com a sensibilidade vocal da jovem cantora, na época, ainda com 17 anos. Em novembro, vai para o estúdio pela primeira vez, acompanhada pela orquestra clarinetista de Benny Goodman. O nome Billie Holiday surgira por conta do pai da cantora, Clarence Holiday, um guitarrista de Baltimore, de quem Eleonora passou a usar artisticamente o sobrenome. Já para o “Billie”, há duas versões: a primeira, de que o pai da jovem costumava chama-la de Bill, e daí fez o salto; e a segunda, porque a cantora, quando menina, adorava ir ao cinema para assistir a atriz Billie Dove, grande estrela do cinema mudo. Pode-se dizer que os anos 30 e 40 foram o grande apogeu da cantora, que deixou em vida mais de 130 gravações, ao lado de grandes orquestras jazzísticas como as de Duke Ellington, Cout Basie e Teddy Wilson, assim como parcerias, posteriores, com o pianista Oscar Peterson e o baixista Ray Brown, na década de 50. Viveu uma vida turbulenta, cercada por altos e baixos, impulsionados por seus conturbados relacionamentos amorosos, que resultaram em três casamentos com homens oportunistas e violentos, e pelo vício degradante de drogas e bebida, o que afetaria, pouco a pouco, sua saúde física e a jovialidade de sua voz, que já na década de 40 mostrava sinais de declínio. Mesmo tornando-se uma grande estrela reconhecida internacionalmente, Lady Day, apelido concedido pelo amigo e saxofonista Lester Young, sofreu constantes discriminações em passagens por hotéis e restaurantes, por sua condição de mulher negra, revelados pela própria em entrevistas. “Strange fruit”, composição de Lewis Allan, pseudônimo do escritor Abel Meeropol, judeu comunista de Nova Iorque, e eternizada na voz de Billie, em 1939, relata como nenhuma outra a grande violência regida contra os negros, e tornou-se um símbolo da luta contra a discriminação racial. O fruto estranho citado na música fazia alusão aos linchamentos ocorridos principalmente no sul dos Estados Unidos, onde os corpos dos negros linchados ficavam expostos pendurados numa árvore. O mais assustador é deparar com as fotografias antigas da época e ver a naturalidade das pessoas frente aos cadáveres. O mesmo impacto fez com que Lewis Allan se inspirasse na letra de “Strange fruit”. Em 2012, foi lançado no Brasil o livro Strange fruit: Billie Holiday e a biografia de uma canção, escrito pelo jornalista David Margolick, com tradução de José Rubens Siqueira, editado pela Cosaic Naify, que reflete sobre a emblemática canção no momento de seu lançamento e todo o seu contexto histórico ligado à violência contra os negros nos Estados Unidos e a sua influência com o passar das décadas. Nos anos 50, quase esquecida pelo público, pelos empresários e pelas gravadoras, embora na Europa seu nome ainda cativasse as plateias, após sua volta aos Estados Unidos Billie decide escrever sua autobiografia como estratégia de marketing para que seu nome fosse novamente impulsionado na grande imprensa norte-americana de forma positiva, já que os últimos anos, agravados pelos excessos relacionados ao consumo de drogas e bebida e passagens pela prisão, tinham desfavorecido sua popularidade. O que seria a autobiografia intitulada Lady sings the blues, nem sequer foi, de fato, escrita. O jornalista Willian Dufty, o escritor fantasma contratado pelo terceiro marido de Billie, supostamente interessado em faturar em cima do nome da esposa, apresentou um trabalho biográfico um tanto quanto falseado e apelativo, beirando a comiseração, sabendo que tais ingredientes estimulariam as vendas. Contudo, a autobiografia romanceada de Lady Day ao menos devolveu um pouco da fama à cantora, que se mostrava cada vez mais vulnerável e com a saúde debilitada. Embora os últimos anos de Billie tenham sido depressivamente instáveis, com passagens mal sucedidas em clínicas de reabilitação e experiências nada agradáveis com a justiça, é possível encontrar belos achados daqueles anos na internet, em apresentações na Europa e nos Estados Unidos, como em 8 de dezembro de 1957, no The sound of jazz, programa estadunidense de grande audiência na época, nos estúdios da CBS, onde foi convidada para cantar, ao lado do saxofonista Lester Young, a canção “Fine and mellow”. Considerado um dos melhores registros da última década de sua vida. Na manhã do dia 17 de julho de 1959, morria, aos 44 anos, a primeira grande dama do jazz. E, como no caso de outros artistas que partiram cedo, a morte de Billie apenas alavancou ainda mais sua popularidade e fez de Lady Day uma das maiores lendas do jazz de todos os tempos. Onde quer que se fale sobre o gênero, é quase inevitável que seu nome seja citado. (Fonte: Márwio Câmara,10/05/2013)
Foram 59 anos de carreira, cantando com diversos artistas, bandas, orquestras e gravadoras e uma carreira de grandes álbuns e shows de casas lotadas. Uma de suas célebres parcerias foi com um dos seus ídolos Louis Armstrong, com quem gravou três álbuns intitulados Ella and Louis. Interpretou diversos artistas durante sua trajetória, incluindo um álbum inteiro dedicado a Tom Jobim, chamado de Ella Abraça Jobim. Fitzgerald possuía uma voz poderosa que abrangia três oitavas, e se tornou conhecida pela pureza de seu canto, de tonalidade e dicção impecáveis. Especializou-se na técnica do Scat, habilidade criada por Armstrong, que consiste em sonorizar sílabas desconexas, que ressoam como um instrumento de sopro. Era extremamente tímida, mas isso não a impediu de ganhar 14 prêmios Grammy e duas medalhas das mãos de dois presidentes: a Medalha Nacional da Artes e a Medalha Presidencial da Liberdade. Mais além, participou de quatro filmes americanos, bem como diversos comerciais de TV, para empresas como KFC e American Express.
Carinhosamente chamada de ”A Primeira Dama da Canção”, EllaFitzgerald(1917 – 1996) foi a cantora de jazz mais popular dos Estados Unidos
durante mais de meio século. Ganhou 13 Grammys, vendeu mais de 40 milhões de
discos e trabalhou com os grandes nomes do jazz, como Duke Ellington, Count
Basie, Nat King Cole, Frank Sinatra, Benny Goodman , Dizzy Gillespie e a
nostalgica parderia "Louis Armstrong &Ella Fitzgerald", nos molde do jazz. Em 1966, gravou “I Want
Something To Live For” e”Jazz Samba” ao
lado do pianista Duke Ellington e sua orquestra, em Côte d’Azur, na França em
uma apresentação memorável....vale conferir!
Artista: VA Album:Paris for Lovers Lançamento: 2005 Selo: Verve Genero: Jazz, Vocal Jazz
Faixas: 01. Ella Fitzgerald And Louis Armstrong - April In Paris 02. Johnny Hodges - The Last Time I Saw Paris 03. Michel Legrand - Las Valse Des Lilas 04. Blossom Dearie - Tout Doucement 05. Stephane Grappelli - Nuages 06. Abbey Lincoln - Cest Si Bon 07. Nina Simone - Ne Me Quitte Pas 08. Roland Kirk - Petit Fleur 09. Helen Merrill - Quand Tu Dors Pres De Moi 10. Laura Fygi - Les Feuilles Mortes 11. Louis Amrstrong - La Vie En Rose
Uma das coleções de jazz mais interessantes e arrojadas que conheço "Jazz in Paris'', lançada em 2002 pela Verve/Universal/Gitanes. Trata-se de um box gigante, com 75 cd’s e livreto, cobrindo um vasto período do jazz feito na França, especialmente em Paris, desde 1917 até 1972. Além desses 75 cd’s, posteriormente foram lançados individualmente outros 37 cd’s simples, 3 cd’s duplos, 4 cd’s triplos, um DVD e alguns outros itens associados à coleção original. Entre os músicos apresentados, você encontra mestres comoLouis Armstrong, Sidney Bechet, Buck Clayton,Lester Young, Dizzy Gillespie,Miles Davis, Chet Baker e outros, inclusive vários músicos europeus. (Fonte: Jazzseen)
04 - Parisian Sketches - Max Roach
CD1 - Swing from Pari 01. Parisian Thoroughfare - Quincy Jones 02. Olympia Orgy - Sacha Distel 03. Paris, je taime... damour - Bernard Pfeiffer 04. Parisian sketches - Max Roach 05. Eiffel tower - Sammy Price 06. Swing from Paris - Le quintette du hot club de France 07. La parisienne - Henri Crolla 08. Menilmontant - Gus Viseur 09. April in Paris - Charlie Lewis 10. Sous le ciel de Paris - Michel Legrand 11. Midday on the champs-Elysees - Bernard Pfeiffer 12. Paris in the spring - Michel Legrand 13. Montmartre loan - Danny Polo 14. Sous les ponts de Paris - Pierre Michelot 15. Swingin Parisian Rhythm - Barney Willen 16. Parisian Thoroughfare - Donald Byrd 17. Flying at the Olympia - Lionel Hampton
01. Menilmontant - Barney Willen 02. Alemberts - Henri Crolla 03. Paris je taime - Gus Viseur 04. Parisian thoroughfare - Le jazz groupe de Paris 05. Champs-Elysees club - Hubert Rostaing 06. Jumpin at Pleyel - Bill Coleman 07. Sous les ponts d eParis - Michel Legrand 08. April in Paris - Blossom Dearie 09. I made you love Paris - Mary Lou Williams 10. Montparnasse - Sammy Price 11. Etoile - Howard McGhee 12. Nuits de saint-germain-des-pres - Django Reinhardt 13. Relaxin at the grand balcon - Rene Thomas 14. Moulin rouge - Michel Legrand 15. Blues a la schola - Charlie Singleton 16. Blues on the champs-Elysees - Joe Newman 17. Pigalle love - memphis Slim & Willie Dixon
01 - Florence sur les Champs-Elysees - Miles Davis
01. Florence sur les Champs-Elysees - Miles Davis 02. The last time I saw Paris - Michel Legrand 03. Montparnasse jump - Danny Polo 04. Good paree - Sammy Price 05. Paris Blues - Sammy Price & Lucky Thompson 06. Paris Canaille - Michel Legrand 07. Swing from Paris - Les amis de Django 08. Revoir Paris - Gus Viseur 09. Eddie Barclay - Eddie Barclay 10. Quel temps fait-il a Paris - Gus Viseur 11. I love Paris - Michel Legrand 12. Parisian thoroughfare - Rene Urtreger 13. Ballad in Paris - Bernard Pfeiffer 14. Le bal du ptit jardin - Gus Viseur 15. April in Paris - Michel Legrand 16. Embassy Boogie - Sammy Price & Lucky Thompson
The Fletcher Henderson Orchestra - 1924 Howard Scott , Coleman Hawkins, Louis Armstrong, Charlie Dixon, Fletcher Henderson, Kaiser Marshall, Buster Bailey, Elmer Chambers, Charlie Green, Bob Escudero & Don Redman
The Washingtonians - 1924 Sonny Greer, Charlie Irvis, Bubber Miley, Elmer Snowden, Otto Hardwick, and Duke Ellington
Buddy Bolden and his Orchestra - 1905 William Warner, Willie Cornish, Buddy Bolden, James Johnson, Frank Lewis & Jefferson Mumford.
The Count Basie Band - 1938 Walter Page, Jo Jones, Freddie Green, Benny Morton, Count Basie, Herschel Evans, Buck Clayton, Dicky Wells, Earle Warren, Edison Harry , Washington
King Oliver's Creole Jazz Band - 1923 Baby Dodds, Honore' Dutrey, Joe Oliver, Bill Johnson, Louis Armstrong, Johnny Dodds, and Lil Hardin
St. Louis Cotton Club Band. Fotografado por Studio Bloco Brothers, ca. 1925.
Missouri Museu de História fotograficas e gravuras . Coleções Brothers Studio Collection.
A partir de 1923 oCotton Club de Nova York abria suas portas e apresentava muitos dos maiores astros afro-americanos da época como Duke Ellington, Ella Frizgerald, Louis Armstrong, Nat King Cole, Billie Holiday entre outros no berço da nova referencia do jazz e grandes shows. A lei seca americana quando fabricar, vender e transportar bebidas alcoólicas se tornou proibido, os gângster e as questões raciais faziam o plano de fundo de suas atividades ilícitas o contexto da época. No Cotton Club estava a chamada “Aristocracia doHarlem”. Stutz Bearcats e Roll Royces desfilavam continuamente à sua porta. Dapper Jimmy Walker - prefeito de NY, atrizes e atores famosos faziam do Cotton Club o lugar da moda, do dinheiro e glamour. Aqui o cliente era tratado como um rei, desde a entrega do menu ao acender do charuto pelo garçom com fósforos personalizados encontrados em cada mesa. Os visitantes estrangeiros tinham no bar a estranha visão da clientela branca nas mesas e os animadores negros no palco ou no salão servindo. Nesse ambiente enfumaçado predominava, como em todo os EUA, a política de exclusão e também o desejo de perpetuação de estereótipos afro-americanos. O lugar não foi o único de platéias brancas, mas foi o maior, o mais caracterizado e de espetáculos mais extravagantes. Praticava-se aqui os preços mais elevados da época. Em nenhum lugar desfilavam tantos astros. Grandes nomes do jazz iniciaram suas carreiras aqui. A vida noturna do Harlem nos presenteou com músicos talentosos e sons maravilhosos. Por trás de todo o prazer de ser exclusivo no ambiente do Cotton havia a figura de Owney "The Killer" Madden (18/10/1891 - 24/04/1965), o gangster branco do submundo de Manhattan e promotor de boxe, fazendo do clube uma saída para a sua bebida alcoólica ilegal num período de lei seca.
Cotton Club - 1937
Cotton Club - Harlem, New York City, 1930 Clarence Robinson, Cab Callaway, Ethel Waters, Duke Ellington, and Viola Nicholas
Cotton Club - 1927 Ella Frizgerald and Her All-Star Combo
Duke Ellington and His Cotton Club Orchestra - 1927
(direita pra esquerda) Duke Ellington, Joe Nanton, Sonny Greer, Bubber Miley, Harry Carney, Wellman Braud, Rudy Jackson, Fred Guy, Nelson Kincais, Ellsworth Reynolds.
O jazz, assim como a ópera, sempre teve suas divas. Foi ao microfone que as mulheres deram sua principal contribuição a esse gênero musical. O exército das grandes cantoras supera em muito o dos cantores que se destacaram. Para cadaFrank Sinatra há umaBillie Holliday, uma Ella Fitzgerald, uma Sarah Vaughan. Presença constante no jazz, a diva foi mudando de perfil ao longo do tempo . A sua mais nova encarnação surgiu no fim da década passada. Seus principais atributos: a sensualidade (devidamente ressaltada pelas gravadoras, que sabem que homens de meia-idade compõem uma fatia respeitável do público interessado nesse tipo de música) e o fato de emprestarem um tratamento pop ao jazz – em vez de dar um tratamento jazzístico ao popular. É essa receita que tem garantido o sucesso de intérpretes como Diana Krall, Norah Jones e Jane Monheit. O caso da americana Norah Jones é emblemático. Ela é filha do citarista indiano Ravi Shankar e de uma enfermeira americana. Só ficou sabendo que tinha pai famoso na adolescência. Recusa-se a falar sobre ele e diz que seu interesse por música jamais esteve relacionado à profissão paterna. Seus estudos de piano e saxofone deram-se por indicação de um psicólogo: ela era uma criança hiperativa e a música fazia parte de uma terapia. Foi tiete do roqueiro Bon Jovi antes de se interessar por Louis Armstrongou Miles Davis. Mas foi um selo de jazz que resolveu lançá-la: o Blue Note, que gravou vários grandes nomes do gênero e resolveu dar tratamento de grande estrela à novata. Compensou. Gravado em 2002, seu primeiro CD - Come Away with Me, vendeu 3 milhões de cópias nos Estados Unidos. No Brasil, foram cerca de 30.000 unidades, valor significativo para um artista internacional. A crítica também gostou. Norah é uma das principais figuras ao Grammy, o Oscar da indústria fonográfica. "O jazz é essencial no meu trabalho, mas tenho muitas outras influências, como o country", explica . A pioneira nessa seara foi a canadense Diana Krall. No início da carreira, ela preferia tocar piano a cantar. No fim dos anos 90, resolveu fazer algumas experiências para ver se ampliava seu público. Aprendeu alguns standards da Bossa Nova, uma ou outra balada célebre e deu-se um banho de loja. A loiríssima sempre foi uma mulher bonita, mas quem a viu tocar antes da metamorfose diz que seu visual era mais relaxado. Atualmente, ela não sobe ao palco sem estar impecavelmente produzida. Seus três últimos discos venderam juntos mais de 3 milhões de cópias. When I Look in Your Eyes, que ela lançou em 1999, tornou-se o primeiro álbum de jazz a concorrer ao Grammy na categoria principal em 25 anos. Seu álbum seguinte, The Look of Love (2001), entrou na nona colocação da parada americana. Até veteranas do jazz mudaram seu comportamento por causa do fenômeno Diana Krall. Por exemplo, a pianista brasileira Eliane Elias. Ela se notabilizou pela destreza ao instrumento. Vez ou outra adicionava vocais a seus álbuns. No entanto, seu CD - Kissed by Nature, traz canto em nove das treze faixas. "Fiz um disco para o fã dejazzque anseia por ouvir canções suaves após um dia de trabalho", afirma Eliane. O ecletismo e o flerte com gêneros mais populares não são uma novidade no jazz. Nos anos 50 e 60, Sarah Vaughan e Ella Fitzgerald já subiam ao palco para cantar um sucesso dos Beatles ou uma versão da Bossa-Nova Águas de Março. Ao fazerem isso, freqüentemente reinventavam a música, seja pelo virtuosismo técnico, que as levava a quebrar um fraseado, seja pela pura força de sua interpretação. Diana Krall e companhia não vão tão longe. Elas dão um verniz refinado ao pop – ao mesmo tempo que revisitam clássicos da tradição do jazz. Talvez lhes falte algo da profundidade emocional de suas antecessoras. Mas ninguém vai negar que é gostoso ouvi-las. Graças a elas o jazz está saindo do nicho em que se encontrava, para tornar-se novamente um gênero grande e rentável. Entre os fãs das novas divas, há tanto senhores de meia-idade que conhecem as interpretações de Bessie Smith de trás para a frente quanto uma garotada que até pouco tempo atrás estava feliz com Alanis Morissette.