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quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Chet Baker - Tenderly (2008)

Artista: Chet Baker
Álbum: Tenderly
Lançamento: 2008
Selo: EmArcy (Series:Jazzclub/Legends)
Gênero: Bop, Cool Jazz

Lançada em 2008 pela gravadora EmArcy (Universal Music) como parte da prestigiada coleção Jazzclub, a compilação remasterizada Chet Baker – Tenderly sintetiza o auge do lirismo e do refinamento instrumental que consagraram Chet Baker como o maior ícone do Cool Jazz. Composta por 15 faixas cuidadosamente selecionadas, a obra reúne sessões históricas gravadas nos meados dos anos 1950 — período em que Chet exibia um domínio melódico irretocável.  Curiosidades históricas e de produção das sessões Européias e de Paris (1955–1956), Grande parte do material do álbum deriva das célebres sessões captadas na França para o selo Barclay. O arranjador e pianista francês René Urtreger e o saxofonista Pierre Michelot acompanham Chet num período crucial de sua transição artística pela Europa. A ausência proposital dos vocais ao contrário de compilações mais comerciais focadas no carisma vocal do músico (como Chet Baker Sings), Tenderly foca no Chet virtuoso do trompete, priorizando a linguagem estritamente instrumental e a construção harmônica de baladas e standards. A curadoria do selo EmArcy, braço histórico de jazz da Mercury Records, resgatou másters de alta fidelidade para o lançamento de 2008. A engenharia de som aplicou remasterização digital moderna mantendo o calor das fitas analógicas originais dos anos 50. Os músicos e seção Rítmica ao longo das faixas, Chet Baker divide o estúdio com formações de apoio americanas e europeias de primeiro nível como Russ Freeman (seu colaborado fundamental no início da carreira) e René Urtreger nos pianos, Carson Smith e Pierre Michelot baixista de longas datas, Bob Neel e Jean-Louis Viale excelentes baterista e Bob Zieff, Saxofones / Arranjos de faixas como "Sad Walk" e "Vline". Destaques do repertório fica para:"Sad Walk" e "Tasty Pudding", peças compostas por Bob Zieff e Al Cohn, respectivamente, que abrem o CD demonstrando o contraponto inteligente e as dinâmicas contidas características do estilo West Coast, "Tenderly" faixa-título entrega uma performance contemplativa, na qual Chet explora o registro médio do trompete com notas sustentadas e um uso expressivo do ar, "Autumn In New York" e "Summertime", leituras profundas de dois dos maiores padrões do Great American Songbook, destacando o fraseado espaçado e sem artifícios e "Piece Caprice" e "Chik-Eta", exibições de articulação impecável em andamentos médios, revelando o controle técnico do músico sem perder a leveza poética. Do ponto de vista estético e da linguagem do jazz, Tenderly serve como uma cartilha sobre a economia de notas e a sensibilidade do espaço acústico. Diferente da tradição do Bop novaiorquino — marcada pelo virtuosismo pirotécnico e andamentos vertiginosos —, o sopro de Chet Baker em Tenderly apoia-se no timbre aveludado e na escolha rigorosa de notas essenciais. Há um domínio magistral da dinâmica pianissimo, na qual o ar no interior do instrumento torna-se elemento integrante da textura musical. Mesmo sem utilizar a voz nesta seleção, a execução de Chet permanece essencialmente vocal. O músico reconstrói as linhas melódicas originais das composições como se estivesse cantando através do trompete, utilizando um vibrato sutil ao final das frases e mantendo um lirismo contínuo. A edição de 2008 destaca-se pelo equilíbrio de frequências. O contrabasso de apoio ganha corpo no espectro grave sem soar turvo, enquanto as frequências médias do trompete sobressaem-se com clareza cristalina e intimismo. Chet Baker – Tenderly (2008) é um registro refinado que celebra a essência lírica de um dos trompetistas mais influentes da história do jazz. Trata-se de uma obra indispensável para apreciadores da estética Cool e do tratamento poético de baladas clássicas.


Boa audição - Namastê

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Chet Baker & Miles Davis - With The Lighthouse All Stars (2003)

Lançamento: 2003
Selo: The Jazz Factory
Gênero: Bop, Cool Jazz

A gravação histórica de 13 de setembro de 1953 no lendário clube The Lighthouse (em Hermosa Beach, Califórnia) documenta um momento singular do jazz moderno. Lançado e reeditado em compilações sob títulos como At Last! ou Chet Baker & Miles Davis • With The Lighthouse All Stars, este registro documenta o encontro no mesmo palco e na mesma tarde dos dois maiores expoentes da trompete do Cool Jazz. Contexto e curiosidades históricasdo Templo do West Coast Jazz, o Lighthouse Café era o epicentro do jazz da Costa Oeste americana. Sob o comando do baixista Howard Rumsey, o grupo residente — The Lighthouse All Stars — servia de laboratório para arranjadores e virtuoses da região. A presença simultânea de Miles e Chet em meados de 1953, onde Miles Davis estava na Califórnia tentando se reestruturar pessoal e profissionalmente e  Chet Baker, por sua vez, havia estourado na cena internacional ao lado do quarteto sem piano de Gerry Mulligan. Embora o CD traga ambos no título, eles não dividiram a mesma sessão de improviso em estúdio nem gravaram juntos em sexteto fixo no mesmo segundo: o álbum reúne as apresentações gravadas naquela mesma jam session de domingo, em formações alternadas com a banda da casa. A gravação reúne uma verdadeira constelação do jazz da época, dividida entre os conjuntos de apoio e a linha de frente. Nos trompetes, destacam-se Miles Davis, Chet Baker e Rolf Ericson, enquanto a seção de palhetas traz a precisão de Bud Shank no sax alto e barítono, Bob Cooper no sax tenor, e Jimmy Giuffre no sax tenor e nos arranjos. A sustentação rítmica e harmônica conta com o piano intercalado de Lorraine Geller, Russ Freeman e Claude Williamson, a condução firme do contrabaixista Howard Rumsey e o impulso de Max Roach na bateria, cuja presença adiciona a propulsão rítmica do Bop nova-iorquino ao grupo californiano. A estrutura do álbum passa por momentos marcantes do repertório. Em At Last, o grupo oferece uma interpretação lírica do clássico de Harry Warren com Miles Davis ao lado dos All Stars. Na sequência, a balada 'Round Midnight traz uma abalizada leitura da obra de Thelonious Monk, antecipando a clássica interpretação que Miles imortalizaria anos mais tarde. A energia eleva-se em A Night In Tunisia, uma performance expansiva e de fôlego bop com andamento acelerado liderada por Miles Davis, Rolf Ericson, Bud Shank e Max Roach. Já nas faixas Pirouette e Witch Doctor, com Chet Baker, Jimmy Giuffre e Russ Freeman, sobressaem-se os típicos arranjos do West Coast com dinâmicas contrapontísticas. Encerrando esse painel, Infinity Promenade, composição de Shorty Rogers, oferece espaço para solos longos reunindo Miles Davis, Chet Baker e os All Stars. Do ponto de vista estético e de produção, o álbum oferece um estudo sobre a dualidade do trompete no jazz dos anos 1950. A audição comparativa no mesmo espaço acústico revela a divergência de linguagem entre os dois mestres. Miles Davis apresenta um som mais incisivo, focado na escolha harmônica das notas, no uso do espaço e no silêncio; seus ataques contêm o timbre áspero e o fraseado sinuoso herdado de Charlie Parker, demonstrando a intenção de romper com a polidez técnica em favor da tensão emocional. Em contrapartida, Chet Baker exibe um lirismo fluido e instintivo, caracterizado por um fraseado melódico, construído com um sopro aveludado e uma continuidade linear que se encaixa perfeitamente na estética arquitetada do West Coast Jazz. Do ponto de vista estético e de produção, o álbum oferece um estudo sobre a dualidade da trompete no jazz dos anos 1950 o contraste estilístico (Miles vs. Chet), audição comparativa no mesmo espaço acústico revela a divergência de linguagem entre os dois mestres: Miles Davis: Apresenta um som mais incisivo, focado na escolha harmônica das notas, no espaço e no silêncio. Seus ataques contêm o timbre áspero e o fraseado sinuoso herdado de Charlie Parker, demonstrando a intenção de romper com a polidez técnica em favor da tensão emocional. Chet Baker: Exibe um lirismo fluido e instintivo. Seu fraseado é melódico, construído com um sopro aveludado e uma continuidade linear que se encaixa perfeitamente na estética arquitetada do West Coast Jazz. Qualidade do áudio e valor histórico por tratar-se de uma gravação ao vivo feita em 1953 num ambiente de clube, a captação de áudio apresenta limitações inerentes de balanceamento e resposta de frequência. No entanto, a autenticidade e o frescor da jam session superam qualquer imperfeição técnica. O registro captura a espontaneidade sem o rigor dos estúdios comerciais da época. Considerações finais mostra Chet Baker & Miles Davis no With The Lighthouse All Stars um documento indispensável para compreender a evolução da trompete moderna e a convivência das vertentes Hard Bop e Cool Jazz. É um álbum que registra um momento único em que os caminhos de duas lendas se cruzaram no mesmo palco californiano.

Saxofone Alto, Saxofone Barítono – Bud Shank
Baixo – Howard Rumsey
Bateria – Max Roach (faixas: 1a3), Shelly Manne (faixas: 4,5)
Piano – Claude Williamson (faixas: 4,5), Russ Freeman (faixas: 1a3 
Saxofone tenor – Bob Cooper (faixas: 3a5), ​​Jimmy Giuffre (faixas: 1,2)
Trompete – Chet Baker , Rolf Ericson & Miles Davis 

Gravado ao vivo no The Lighthouse, Hermosa Beach, Califórnia; domingo, 13 de setembro de 1953


Boa audição - Namastê

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Boxset: Kuschel Jazz Collection, Vol.1-8 (2002-2011)

Artista: VA
Lançamento: 2004
Selo: Sony Music/512088 2
Gênero: Jazz Bebop, Soul-Jazz, Downtempo, Easy Listening

                    

A Influência do Jazz nas Músicas de Salão e o Impacto na Cultura de Massa (1930–1950)
Entre as décadas de 1930 e 1950, o jazz deixou de ser apenas uma expressão musical para se tornar um 
fenômeno social de larga escala. No centro desse movimento estavam as músicas de salão, impulsionadas pelas big bands, que transformaram espaços urbanos em ambientes de encontro coletivo, onde dançar, beber e descontrair não eram apenas atividades recreativas, mas práticas culturais estruturantes. O chamado swing — vertente dominante do período — foi o motor dessa transformação. Com ritmos marcados, repetitivos e envolventes, o jazz das grandes orquestras oferecia exatamente o que o público buscava: energia, fluidez e possibilidade de participação física imediata. Diferente de formas musicais mais contemplativas, o jazz de salão era essencialmente funcional — feito para ser vivido em grupo, no corpo e no espaço compartilhado. Essa dinâmica se consolidou em locais emblemáticos como o Savoy Ballroom e o Cotton Club, onde centenas de pessoas se reuniam regularmente. Esses ambientes funcionavam como verdadeiros centros de cultura urbana: a música ao vivo criava uma atmosfera contínua de movimento, enquanto a dança — especialmente o lindy hop — estabelecia uma linguagem coletiva entre os frequentadores. O jazz, nesse contexto, não era apenas ouvido; era incorporado. A presença de grandes artistas e arranjadores orquestrais ajudou a consolidar esse cenário. Suas orquestras não apenas forneciam a trilha sonora, mas também definiam padrões de comportamento, estilo e consumo. O público seguia as bandas, imitava seus gestos, sua estética e sua energia. Assim, o jazz passou a influenciar não só a música, mas também a moda, a linguagem corporal e a forma de socialização. Do ponto de vista da cultura de massa, esse período marca uma virada importante. O jazz se torna acessível, popular e amplamente difundido por meio do rádio, dos discos e do cinema. A experiência dos salões de dança é amplificada e replicada em diferentes cidades, criando uma identidade cultural compartilhada. Pela primeira vez, grandes multidões passam a consumir o mesmo tipo de música de forma sincronizada, estabelecendo um senso coletivo de pertencimento. Há também um aspecto social relevante: apesar das barreiras raciais ainda presentes, o ambiente dos salões — especialmente no Savoy Ballroom — permitiu uma convivência mais integrada entre diferentes grupos. O jazz, nascido da cultura afro-americana, atravessou fronteiras sociais e se tornou um dos primeiros elementos de unificação cultural em larga escala nos Estados Unidos. O impacto desse movimento vai além do entretenimento. Ao criar espaços onde música, corpo e convivência se fundem, o jazz das décadas de 30 a 50 redefine o conceito de lazer urbano. Ele estabelece um modelo que ainda hoje se repete: a música como catalisadora de encontros, consumo e identidade coletiva.


Boa audição - Namastê

segunda-feira, 20 de abril de 2026

California Cool (Presenting The Hip Jazz Sounds Of The West Coast) - 1993

Artista: VA
Lançamento: 1993
Selo: Blue Note/0777 7 80707 2 6
Gênero: Bop, Modal, Swing, Hard Bop, Cool Jazz, Latin Jazz


Esta compilação transcende a mera curadoria fonográfica bem como estabelece um inventário antropológico da sofisticação urbana de meados do século XX. Enquanto o Hard Bop de Nova York se ancorava na urgência visceral do Blues e do Gospel, o som da Califórnia — aqui representado em sua plenitude — propunha uma simbiose audaciosa entre a improvisação jazzística e o rigor formal da tradição camerística europeia. Sua análise técnica, a desconstrução do "Cool" é  o amálgama sonoro presente neste álbum revelando três pilares técnicos fundamentais: Arquitetura Contrapontística: faixas lideradas por nomes como Gerry Mulligan demonstram a renúncia à harmonia percussiva do piano em favor de um contraponto linear entre sopros. A técnica do "barítono-tenor" cria uma malha melódica onde o ritmo é implícito, exigindo do ouvinte uma percepção intelectualizada do pulso. Timbragem e Textura: Há um foco obsessivo no timbre "non-vibrato". O trompete de Chet Baker e o saxofone de Stan Getz operam em uma frequência de baixa fricção, priorizando a pureza tonal e a clareza dos harmônicos em detrimento da saturação sonora característica das big bands do Leste. Experimentalismo Métrico: A presença de Dave Brubeck exemplifica a incursão em assinaturas rítmicas assimétricas (5/4, 9/8), que desafiaram o padrão quaternário do Swing tradicional, elevando o Jazz a um patamar de música de concerto. Sua perspectiva historiográfica e social é imperativo notar que o "California Cool" foi o reflexo de um ecossistema específico: os estúdios de Hollywood e as casas de show de Hermosa Beach. A precisão técnica dos músicos, muitos dos quais atuavam na indústria cinematográfica, permitiu um nível de controle dinâmico raramente visto. Contudo, a crítica moderna ressalta que essa estética "polida" também serviu como uma barreira cultural, muitas vezes branqueando as raízes rítmicas afro-americanas em favor de uma palatabilidade comercial e acadêmica. Conclusão: O legado da contenção em última análise, traz um manifesto sobre a economia de meios provando que a intensidade artística não é diretamente proporcional ao volume ou à velocidade, mas à intenção colocada no silêncio e na articulação. É uma obra essencial para a compreensão de como o Jazz moldou — e foi moldado por — a arquitetura e o design modernista da Costa Oeste.


Boa audição - Namastê

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Bill Evans - Smile With Your Heart: The Best of Bill Evans on Resonance Records


Artista: Bill Evans
Lançamento: 2019
Selo: Resonance Records/HLP-9043
Gênero: Modern jazz, Cool Jazz

Quase quatro décadas após sua morte, o legado de Bill Evans continua vivo. Sua influência sobre os pianistas do futuro reside na utilização criativa de acordes em bloco, harmonia impressionista e desenvolvimento motívico. Após trabalhos impressionantes com Miles Davis (Kind Of Blue) e Art Farmer (Modern Art), Evans iniciou uma carreira solo que redefiniu o piano jazz. Seu catálogo mais prolífico foi em formato de trio. Ele habilmente delegava os acordes fundamentais ao baixista, permitindo-se maior flexibilidade na improvisação e na exploração melódica. Permaneceu dedicado ao jazz "estrito" e jamais abraçou os diversos movimentos de fusão ou outras fusões de gênero. Apesar de suas batalhas com demônios pessoais, a produção de Evans ao longo das décadas de 60 e 70 foi extraordinária. A Resonance Records, uma gravadora independente de jazz, fundada por George Klabin em 2005 e seu objetivo da gravadora era preservar a arte e o legado do jazz e promover novos talentos do gênero. Entre os artistas preservados estavam John Coltrane, Gene Harris, Scott LeFaro, Wes Montgomery e Bill Evans. A descoberta de gravações "perdidas" de grandes estrelas do jazz catapultou a Resonance para o estrelato no gênero. Houve quatro lançamentos de material de Bill Evans: Live At Art D'Lugoff's Top Of The Gate, Some Other Time: The Last Session From The Black Forest, Another Time: The Hilversum Concert e Evans In England. Com a colaboração dos herdeiros do pianista (um elemento essencial deste programa), Klabin e o co-produtor Zev Feldman reuniram uma seleção desses álbuns. Bill Evans – Smile With Your Heart certamente encantará a legião de fãs de Bill Evans, ou qualquer entusiasta do jazz. A faixa de abertura é uma versão acelerada em compasso 3/4 de "Someday My Prince Will Come", canção inspiradora foi apresentada pela primeira vez no filme da Disney de 1937, Branca de Neve e os Sete Anões. Ela agora está enraizada nos anais da história do jazz, com versões de Dave Brubeck, Miles Davis e Herbie Hancock, para citar alguns. Evans gravou essa composição no álbum de 1959, Portrait In Jazz. Esta versão é ao vivo e abraça a dinâmica de seu trio (Eddie Gomez/contrabaixo; Marty Morell/bateria). Evans desliza com a melodia, trazendo seu ritmo e fraseado precisos à tona. Os acordes e a notação no primeiro solo são hipnotizantes. Gomez traz uma urgência discreta ao seu solo. As viradas de bateria de Morell são eficazes. Evans consegue destilar o anseio intrínseco e esperançoso e traduzi-lo para o swing. Músicos de jazz frequentemente tocam uma canção popular menos conhecida e a apresentam a um novo público. Esse é o caso de “Yesterdays”. Oscar Peterson, Erroll Garner, Art Tatum e Bud Powell gravaram essa música. Bill Evans a incluiu em Further Conversations With Myself. Novamente, piano, contrabaixo e bateria se entrelaçam com maestria. Enquanto Gomez faz um solo, Evans e Morell respondem com uma elocução precisa. Evans executa uma passagem emocionante aos 2:40, que é ao mesmo tempo vigorosa e lírica. O ritmo geral do trio é impecável. Em uma mudança de ritmo, “Mother Of Earl” exala uma atmosfera lúdica e saltitante. Evans parece flutuar sobre as notas, injetando acordes atmosféricos enquanto Gomez responde. O final remete à fraseologia da música clássica e ao ritmo do jazz. “You're Gonna Hear From Me” faz parte da trilha sonora de André e Dory Previn para o filme cult de 1965, “Inside Daisy Clover”. A vibração de estalar os dedos é emoldurada por acordes e notas alegres que possuem um tom inspirador e pontuações ocasionais. Em “Baubles Bangles And Beads”, outra canção da Broadway, o fluxo perfeito de Evans em ritmo de valsa conduz a um solo característico, liricamente notado. Seus solos são medidos e tornam-se cada vez mais complexos. O floreio sincopado de Gomez adiciona outra textura. Quando uma ótima melodia se une a um grande músico, o resultado pode ser algo especial. O clássico perene de Rodgers/Hart, “My Funny Valentine”, tornou-se parte vital da história do jazz quando Chet Baker e Stan Getz o interpretaram em 1954. Esta ode à melancolia em dó menor é o veículo perfeito para a interpretação melódica de Evans. Sua sensibilidade etérea, ressonância comovente e floreios precisos são cativantes. Há mudanças de andamento, alterações de acordes e uma eloquência geral que envolvem a canção. “Nardis” é uma composição de Miles Davis que se tornou fortemente associada a Evans. Este exemplo clássico da modalidade jazzística do final dos anos 50 tem sido uma parte significativa do legado de gravações de Bill (múltiplas versões). Aqui, Evans apresenta riffs swingados e passa a palavra para Gomez, que executa seu solo com maestria. O trio retorna com ferocidade e o solo de Evans é cintilante. Jack DeJohnette é magnético em um extenso solo de quatro minutos. É um trio de jazz em sua melhor forma! “Very Early” (uma composição original) data de 1962, o início da história do trio de Evans. Após a introdução contemplativa, Evans transita para um swing com nuances de bebop, construindo a partir de uma transição em 3/4 que também encerra a música. Essas mudanças reflexivas são um componente de outra composição original, “Turn Out The Stars”. Evans transita com maestria entre o ritmo acelerado e a contemplação tranquila. O primeiro sucesso de Frank Sinatra com big band, “Polka Dots And Moonbeams”, já foi interpretado por diversos artistas de jazz, mas nenhum com as nuances sofisticadas de Evans. Esta apresentação ao vivo é um clássico. O ouvinte pode apreciar a expressividade e a leveza da interpretação de Evans em “Re; The Person I Know”. Além disso, a intensidade musical nunca diminui, com o baixo pulsante e a bateria constante impulsionando essa jam. É provável que “Waltz For Debbie” (inspirada em sua sobrinha) seja a obra mais marcante de Bill Evans em seu notável repertório. Os críticos consideram a canção o ápice da performance de Bill Evans com trio. É lúdica e organicamente propulsiva. Smile With Your Heart: The Best Of Bill Evans On Resonance é um álbum de jazz extremamente agradável e um testemunho de um artista lendário e de uma gravadora à altura de sua arte.

Boa audição - Namastê

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Boxser: The Perfect Jazz Collection 25 Original Albums (CD10)

Lançamento: 1962 / 2010
Selo: Columbia / Great Jazz Composers Series
Gênero: Cool Jazz

Este pode muito bem ser um dos melhores e mais subestimados discos de jazz do trompetista Chet Baker. Se o trompetista nunca fez um disco "ótimo" – seja qual for o favorito de cada um – este é o mais perto que ele chegou de fazer um disco memorável ou digno. Mas parece um pouco distante do tempo. O programa é composto por standards e clássicos do bop que datam principalmente dos anos 40 e início dos anos 50 (“Pent-Up House”, de Sonny Rollins, de 1956, é a peça mais recente do programa). Em um ano que viu as estreias de Herbie Hancock, McCoy Tyner, sem mencionar Nina Simone e Bob Dylan, este disco – um dos primeiros dos múltiplos retornos de Baker – parece um pouco antiquado. Mas as novas garrafas de Baker e companhia adicionam um delicioso sabor picante a este vinho envelhecido. "Chet is Back!" foi gravado em janeiro de 1962, exatamente um mês após o trompetista ser libertado de uma prisão italiana. Ele havia cumprido 17 meses de uma pena de mais de 19 meses por tráfico de drogas e falsificação.  Libertado da prisão em dezembro de 1961, Baker logo conseguiu um contrato com a RCA Italiana, que pagou ao trompetista US$ 10.000 (cerca de US$ 150.000 em valores atuais) por um contrato de um ano. A primeira dessas gravações foi um set de jazz, felizmente intitulado "Chet is Back!". Até a capa reproduz, de certa forma, a lendária fotografia anterior de William Claxton, embora em cores (estranhamente, há uma lavagem laranja estranha em algumas edições e um verde doentio em outras). O sexteto — um formato incomum para o trompetista — apresenta Baker com o pianista italiano Amedeo Tommasi (1935-2021), que excursionou pela Itália com um quarteto de Baker naquele inverno; os belgas Bobby Jaspar (1926-63) nas palhetas, René Thomas (1926-75) na guitarra e Benoît Quersin (1927-92) no baixo; e o baterista suíço Daniel Humair (nascido em 1938). Embora Baker já tivesse gravado com Jaspar e Quersin em Paris em 1955, este era um grupo praticamente novo para Baker. Mas cada membro deste sexteto lindamente concebido está a todo vapor.

Baixo – Benoit Quersin
Bateria – Daniel Humair
Guitarra – René Thomas
Piano – Amedeo Tommasi
Sax. Tenor, Flauta – Bobby Jaspar
Trompete – Chet Baker, vocais
Ennio Morricone e sua Orquestra - cordas, metais, percussão (Faixas 09-12)

Gravado em 05 a 15 de janeiro de 1962, RCA Italiana Studios, Roma, Itália



Boa audição - Namastê

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

The Perfect Jazz Collection - 25 Original Albums (Box Set 25 CD's)

Esta coleção The Perfect Jazz Collection - 25 Original Albums (Box Set 25 CD's) é uma compilação de álbuns clássicos do jazz, originalmente lançada pela gravadora Sony Music em 2010. A compilação é um excelente ponto de partida para novos ouvintes e uma adição valiosa para colecionadores, oferecendo 25 álbuns históricos do gênero por um preço acessível. A compilação foca em álbuns de jazz de alta qualidade e de grande importância histórica. O repertório abrange diversas vertentes do gênero e conta com nomes essenciais. Embora a lista exata possa variar um pouco dependendo da prensagem, o conteúdo central permanece o mesma. Para quem deseja construir uma biblioteca de jazz clássico sem gastar uma fortuna em álbuns separados, esta caixa é uma ótima opção. Ela oferece uma introdução abrangente e de alta qualidade à história do jazz, reunindo 25 álbuns importantes em uma edição compacta e de bom acabamento. No entanto, colecionadores mais exigentes ou aqueles que já possuem parte do material podem preferir buscar as edições individuais dos álbuns, que por vezes apresentam embalagens mais robustas e encartes com informações detalhadas. Além disso, a seleção dos artistas, embora de alto nível, pode não agradar a todos os amantes de jazz. 

Vantagens:

Preço acessível por um grande volume de conteúdo.

- Ótima introdução para iniciantes no jazz.

- Embalagem compacta e com design atraente.

- Boa qualidade de áudio nas remasterizações. 

Desvantagens:

- Embalagem frágil e sem a proteção de uma caixa de acrílico tradicional.

- Ausência de encartes com informações detalhadas, comuns nas edições individuais.

- Pode conter faixas ou edições ligeiramente diferentes das originais.  


Boa audição - Namastê
 

sexta-feira, 11 de abril de 2025

BoxSet: The Complete Pacific Jazz Live Recordings Of...3xCD


Lançamento: 1989
Selo: MOSAIC Records
Gênero: Cool Jazz

Baixo – Carson Smith
Bateria – Bob Neel
Piano – Russ Freeman
Trompete – Chet Baker

O selo independente de reedições de jazz Mosaic Records conquistou uma reputação legítima como líder da indústria e favorito dos entusiastas com pacotes de luxo e estritamente de edição limitada como este. O conteúdo desta coleção de três CDs é derivado de duas apresentações durante o verão de 1954 e apresenta o Chet Baker Quartet: Baker (trompete/percussão "boom bam"), Russ Freeman (piano), Carson Smith (baixo) e Bob Neel (bateria). As duas apresentações — gravadas em 21 de julho no Civic Auditorium de Santa Cruz e em 10 de agosto no The Tiffany Club em Los Angeles, respectivamente — são apresentadas cronologicamente. As cinco músicas do conjunto de julho foram documentadas pelo renascentista do Pacific Jazz, Dick Bock, usando tecnologia primitiva de rolo aberto portátil (também conhecido como rolo a rolo). Apesar de algumas anomalias inerentes à fita, o som incrivelmente rico 
rivaliza com o de muitos lançamentos de estúdio da mesma época. Liberado de dentro do tom normalmente reservado de Baker está uma exibição agressiva de alta energia e batidas bop notavelmente fluidas em "Billie's Bounce" de Charlie "Bird" Parker. A réplica irrestrita entre Baker e Freeman é igualmente um destaque, pois os dois são capazes de aumentar e transformar melodias em pequenas obras de arte expressionista. Até mesmo as decididamente mais frias "Stella by Starlight" e "Line for Lyons" contêm trocas ardentes entre os dois. A apresentação no Tiffany Club é decididamente mais longa e já está em andamento. Essas apresentações de 10 de agosto capturam o Chet Baker Quartet cinco noites em uma corrida que se estendeu por seis semanas. Por razões que não são claras, esses mais de 90 minutos de Baker Quartet ao vivo e primitivo permaneceram em grande parte inéditos por mais de três décadas. Apenas versões editadas de "Zing Went the Strings of My Heart" e da composição de Freeman "Russ Job" foram acessadas, embora nenhuma delas tenha aparecido em um lançamento de Baker ou Freeman. O quarteto inteiro está em uma forma verdadeiramente excepcional nessas gravações. Os destaques incluem o cover dominado por Freeman e Baker de "Lady Bird" de Tadd Dameron, o tropicalmente rítmico "Frenesi" e uma leitura de parar o show do baixista Carson Smith "Carson City Blues". Ao contrário de grande parte do catálogo de Baker que permaneceu decididamente mais contido, The Complete Pacific Live Jazz Recordings of Chet Baker with Russ Freeman captura o trompetista como um jovem no auge de seus talentos. Embora todos os materiais neste conjunto também estejam disponíveis no comparativamente barato Chet Baker Quartet Live, Vol. 2: Out of Nowhere e Chet Baker Quartet Live, Vol. 3: My Old Flame, eles sentem falta do livreto luxuoso que contém algumas das brilhantes fotografias de William Claxton da banda por volta do verão de 1954. Esta é uma adição essencial para qualquer apreciação de Chet Baker ou Russ Freeman. O talento de Chet Baker brilha em toda esta coleção. Sua forma de tocar trompete é lírica e emotiva, demonstrando sua habilidade de transmitir emoções profundas por meio de seu instrumento. O fraseado e o tom de Baker são impecáveis, tornando cada nota um testamento de sua maestria no trompete. Suas habilidades de improvisação estão em plena exibição, criando uma experiência auditiva cativante que o atrai a cada faixa. Russ Freeman, o pianista do quarteto, complementa perfeitamente a forma de tocar de Baker. O trabalho de piano de Freeman é sofisticado e inventivo, fornecendo uma base sólida para o som do quarteto. Sua interação com Baker é perfeita, demonstrando uma profunda conexão musical que eleva a performance geral. 



Boa audição - Namastê

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

The Greatest Jazz Legends - CD10

Lançamento: 2015
Selo: The Intense Media
Gênero: Bebop, West Coast 


Boa audição - Namastê

quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

VA - VA - The Greatest Jazz Legends-19 Original Álbum (10CD BoxSet - 10CD BoxSet)


Caixa de 10 CDs, contendo vinte álbuns originais clássicos dos maiores artistas de jazz de todos os tempos, incluindo Miles Davis, Chet Baker, Bill Evans, Sonny Rollins, Thelonius Monk, Art Pepper, Bud Powell, Cannonball Adderley, Art Blakey e outros. Estão incluídos álbuns icônicos que merecem um lugar nas melhores coleções de amantes e apreciadores do melhor do jazz, como: 'Kind of Blue' e 'Sketches of Spain' de Miles Davis, 'Saxophone Colossus' de Sonny Rollins, 'Blue Train' de John Coltrane, 'Time Out' de Dave Brubeck. ' e 'Somethin' Else' de Cannonball Adderley, Chet Baker Sing de Chet Baker entre outros colossais nomes e albuns sincopados do autêntico jazz.
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Álbum: The Greatest Jazz Legends/10CDs
Lançamento: 2015
Selo: The Intense Media
Gênero: Cool, Modal, Hard bop, Post-bop, west cool

Boa audição - Namastê


terça-feira, 15 de agosto de 2023

Boxset CD 07 - Chet Baker Quartet - I'll Remember April [Rec. 1955]

Artista: Chet Baker
Lançamento: 2009
Selo: Membran
Gênero: Cool jazz, West Coast 

 Baker é aquela figura lendária dentro da história do Jazz, assim  como o medico e o mostro na literatura clássica se faz presente nas paginas dos noticiários de sua época. Apelidado por Miles Davis de 'BRANCO', Chet é e continuará sendo um dos principais músicos do cool jazz, conhecido também como West Coast Jazz, estilo que desfilou pela atmosfera quente da Califórnia em meados dos anos 1950. Por mais introspectivo e contido que seja enquadrar e associar o cool jazz como uma espécie de jazz “frio”, sem swing ou mesmo sem alma, é sem sombra de duvida quase um sacrilégio. Chet e outros músicos de sua época, como Gerry Mulligan, Miles Davis e Stan Getz, deixaram um legado grandioso, com gravações cool de ritmos ágeis e intensos solos sincopados, que são verdadeiras obras-primas do Jazz moderno. Como em toda história da música, não diferente no jazz, a figura do músico e sua vida é extremamente importante para tentarmos decifrar sua música, embora no caso de Baker, essa seja uma árdua tarefa. Dono de um rosto belo, uma espécie de James Dean, Chet Baker era um elegante jovem com um talento excepcional no trompete e dono de uma voz doce, suave e que influenciou cantores como Caetano Veloso, Gal Costa entre outros. Durante sua vida repleta de romances conturbados, encontros com jazzistas famosos da época como Bill Evans e Charlie Parker, Chet Baker acabou conhecendo na década de 60 outro universo além do musical. As drogas arrastaram o precoce e talentoso “garoto” para uma experiência que marcaria sua vida para sempre. Seu rosto branco e liso de feição terna, quase angelical, viu-se de um momento a outro transformar-se em um rosto duro, cansado e cheio de erosões. O próprio Chet Baker em seu livro "Memórias Perdidas", relata as dificuldades que a heroína, cocaína e outros estimulantes lhe trouxeram e as atrocidades que cometia e enfrentava para conseguir manter-se vivo e ativo musicalmente. Os períodos que costumava passar encarcerado de cadeia em cadeia, as crises de abstinência entre um show e outro e dividas que só aumentavam com o passar do tempo, fizeram com que ele experimentasse o sublime céu da música e o beco escuro e infernal do mundo das drogas. Chega a soar estranho dizer que apesar de todos esses problemas, o seu gênio musical ainda conseguia tirar de seu trompete um som pungente, limpo, gracioso, simplesmente único. Segundo depoimentos e livros sobre a história do Jazz, a morte de Chet Baker foi e ainda continua sendo um mistério. Teria ele se suicidado? Teria se drogado tanto a ponto de não ter mais consciência e despencar da janela de um hotel em Amsterdã? A hipótese de assassinato chegou a ser cogitada, visto que eram constantes os contatos de Chet Baker com traficantes, cujas dívidas apenas aumentavam para sustentar seu vício desenfreado. Com essa nuvem de mistério, certo é que, na noite de 13 de Maio de 1988, ironicamente uma sexta-feira, aos 58 anos a vida de um dos maiores nomes do jazz chegou ao fim. Nunca mais sua voz e o som aveludado, triste e limpo de seu trompete seriam ouvidos nos palcos dos bares, das casas de shows e acima de tudo na vida de seus admiradores e amigos. A vida de Chet segundo amigos e sua própria esposa, Carol Baker, foi uma vida intensa. Nas palavras do discógrafo dinamarquês, Hans Lerfeldt, Chet Baker teve uma vida marcada pelo mistério. “Ele surgiu para nós como um mistério e foi-se como um mistério.”


Studio Pathé-Magellan, 24 de outubro, 1955 - Paris

Trompete - Chet Baker

Piano - Gerard  Gustin

Baixo - Jimmy Bond

Bateria - Nils-Bertil Dahlander


 Boa audição - Namastê

sábado, 29 de julho de 2023

Boxset: VA - Americans In Paris (The City Of Love And All That Jazz) 10 CDs


 O Boxset 'Americans in Paris: The City of Love and All That Jazz', 10 CDs é um tesouro de gravações do jazz clássicas dos anos 1950. O conjunto apresenta alguns dos maiores nomes do jazz, incluindo Dizzy Gillespie, Art Blakey, Lionel Hampton, Chet Baker, Sarah Vaughan, Mary Lou Williams, Lester Young e Donald Byrd. As gravações neste conjunto foram todas feitas em Paris, e capturam a energia e emoção únicas da cena jazz da cidade das luzes na época, livres para experimentar as fronteiras do jazz com resultados de algumas das gravações mais inovadoras e revolucionárias do gênero. O conjunto é dividido em 10 CDs, cada um dos quais se concentra em um artista ou grupo diferente repletos de faixas clássicas, como: "A Night in Tunisia" de Art Blakey e os Jazz Messengers, "Summertime" de Dizzy Gillespie e "Lullaby in Rhythm" de Mary Lou Williams. Além das faixas clássicas, o conjunto apresenta algumas gravações raras e inéditas por exemplo, o CD 8, com performance de uma gravação ao vivo de Chet Baker do Paris Jazz Festival em 1955. Americans in Paris: The City of Love and All That Jazz é item obrigatório para qualquer fã de jazz. O conjunto é uma coleção abrangente e essencial de algumas das maiores gravações de jazz já feitas. Detalhes adicionais incluem: Conjunto lançado em 2012 pela Membran. Conjunto inclui um livreto de 120 páginas com notas de rodapé do historiador do jazz, Richard Cook. Conjunto é alojado em uma caixa resistente com fecho magnético. Conjunto se encontra disponível em CDs e vinil. Detalhes adicionais das características notáveis, incluem: A seleção de artistas e grupos, que inclui alguns dos maiores nomes do jazz. A qualidade das gravações, que foram feitas em alguns dos melhores estúdios de Paris. A variedade de estilos musicais, que abrange desde o bebop ao hard bop. A inclusão de gravações raras e inéditas. Americans in Paris: The City of Love and All That Jazz é uma obra-prima da música jazz. O conjunto obrigatório para qualquer fã do gênero. Se você é fã de jazz, então você precisa ter Americans in Paris: The City of Love and All That Jazz. Este é um conjunto clássico que o transportará de volta à era dourada do jazz em Paris. Próximas postagens. 


 Boa audição - Namastê



terça-feira, 28 de março de 2023

Chet Baker Sings and Plays from the Film "Let's Get Lost" (1989)

Artista: Chet Baker
Álbum: Let's Get Lost 
Lançamento: 1989
Selo: Verve Records
Gênero: Cool Jazz, OST

No documentário ‘Let’s Get Lost’, Bruce Weber parece que quis parar o tempo, preservando a ilusão de que nada de trágico aconteceu a Chet Baker desde o início dos anos 50. No álbum composto especialmente para o documentário, na companhia de Frank Strazzeri no piano, John Leftwich no baixo, Ralph Penland na bateria e percussão e Nicola Stilo na guitarra e flauta, nas músicas de Duke Ellington & Billy Strayhorn, Cole Porter, Johnny Burke & Jimmy Van Huesen e Antônio Carlos Jobim, o talento musical de Chet Baker é indiscutível, e estas gravações são um testemunho incrível disso. Cada uma delas é filtrada através do coração e alma de Chet Baker. Há momentos em que parece que ele está pendurando nas notas e carinhosamente acaricia cada canção. A intimidade que ele é capaz de expressar faz parecer que estamos em um mal iluminado clube de jazz. Os músicos são perfeitos em seu apoio e a voz de Baker é o centro de cada arranjo, e não há dor tão clara quanto a expressa na sua voz sussurrada. O fotógrafo Bruce Webber resgatou Baker e na companhia de fantásticos músicos gravou 12 antológicas canções para um dos mais importantes documentários sobre o famoso representante do cool jazz e do west coast. Weber mostra que Chet Baker mesmo corroído pelo uso contínuo de drogas, era um gênio. Feito em 1988, Weber traça a carreira de Chet a partir da década de 50, tocando com grandes nomes do jazz como Charlie Parker, Gerry Mulligan e o pianista Russ Freeman, até a década de 80, quando seu vício em heroína manteve-o na Europa. Através da justaposição dessas duas décadas, entre clips de arquivamento e imagens de 1987, Weber apresenta um contraste acentuado entre o Baker bonito e sexy que se assemelhava a uma mistura de James Dean e Jack Kerouac e em que ele se tornou: uma triste figura destruída. ‘Let’s Get Lost’ começa perto do final da vida de Baker, nas praias de Santa Monica, e termina no Festival de Cannes. Bruce Weber aos 16 anos se interessou por Chet Baker quando viu a foto do músico na capa do LP de vinil de 1955 em uma loja de discos de Pittsburgh. Pessoalmente, Weber conheceu Baker, no inverno de 1986 em um clube de jazz na cidade de Nova York e convenceu-o a fazer uma sessão de fotos e o que foi originalmente um filme de três minutos. Eles estiveram um bom tempo juntos e Baker começou a revelar-se a Weber. Posteriormente, Baker foi convencido a fazer mais um filme e as filmagens começaram em 1987. Entrevistar Baker foi um desafio para Weber devido ao vício, mas Weber conseguiu um retrato sonhador de Chet Baker. ‘Let’s Get Lost’ teve sua estreia mundial no ‘Festival Internacional de Toronto’ e foi indicado para o Oscar de melhor documentário. O título do filme é de uma canção gravada no álbum ‘Chet Baker Sings and Plays’, o primeiro álbum de Chet Baker que o diretor Bruce Weber comprou quando tinha 16 anos. Um dos últimos registros de Baker em vida, que foi lançado pouco depois de sua morte, o documentário é difícil de se ver, é devastador testemunhar o que a heroína fez. Nos últimos anos ele era apenas um rascunho do que foi. Seu rosto está cadavérico e ele sempre parece ter alguma dificuldade em permanecer acordado, e em alguns momentos parece que ele passeia por ‘Let’s Get Lost’ como um sonâmbulo. Para os críticos Chet morrera décadas antes daquele fatal mergulho da janela de seu quarto em Amsterdã. Até hoje ninguém sabe como ele morreu, se foi suicídio, assassinato ou delírios causados pela droga. Para os fãs, como eu, a voz e o trompete de Chet, mesmo decadente, sempre remeterão a um clima sofisticado e intimista. E eu teimo em querer guardar aquele Chet Baker no seu auge, como uma imagem estranhamente espectral, como alguém preso em um bloco de gelo. 

Baixo – John Leftwich
Bateria, Percussão – Ralph Penland
Violão, Flauta – Nicola Stilo
Piano – Frank Strazzeri
Produtor – Steve Backer
Gravado por – Jim Mooney ( faixas: 1, 2, 4 a 7, 9, 10 ) , Philippe Omnes ( faixas: 3, 8, 11, 12 )
Gravado por (assistente) – Jerry Wood ( faixas: 1, 2, 4 a 7, 9, 10 )
Trompete, Vocais – Chet Baker

Faixas 1, 2, 4, 5, 6, 7, 9 e 10 gravadas no Sage & Sand Sound Studios, Hollywood, CA.
Faixas 3, 8, 11 e 12 gravadas no Studio Davout Recording, Paris, França.
Todas as músicas mixadas no Clinton Recording Studios, Nova York, NY.

Boa audição - Namastê


sábado, 25 de março de 2023

Chet Baker - Chet (1959)

Artista: Chet Baker
Álbum: Chet 
Lançamento: 2013
Selo: Verve Records
Gênero: Hard Bop, Cool Jazz, West Cost.

 Apesar do sucesso, sua vida ia de mal a pior, com seguidas detenções por porte de heroína. Na Itália, onde morou nos anos 60, passou mais de um ano preso. O vício deteriorou sua reputação nos Estados Unidos, embora ele ainda fosse aclamado na Europa. Em 1964 volta aos EUA, agora dominados pelo rock dos Beatles, restando pouco espaço para os músicos de jazz. Nessa mesma época perdeu diversos dentes em consequência de um briga em uma negociação de heroína. Chet Baker desceu ao inferno. No início da carreira, encantava as mulheres pela beleza e o canto suave. Vinte anos depois, com o rosto sulcado pela devastadora dependência de drogas, o outrora belo e jovem trompetista aos quarenta anos parecia estar com sessenta, e aos cinquenta parecia ter oitenta. A vasta obra do músico é dividida em duas fases: a cool, do início da sua carreira, mais ligada ao virtuosismo jazzístico e a segunda parte, quando a sensibilidade na interpretação torna-se ainda mais evidente. Chet Baker gostava também de cantar, com sua voz pequena e frágil criando um modo de cantar no qual a voz era quase sussurrada, influenciando assim a bossa nova. Avesso às partituras, Baker era dotado de extrema criatividade, para tocar as músicas pedia apenas o tom, improvisava com sentimento e paixão. Vale a pena conferir Chet Baker Tribute. Lançado pela primeira vez em 1959, 'Chet' apresenta o flautista alto Herbie Mann, o saxofonista barítono Pepper Adams, o pianista Bill Evans, o guitarrista Kenny Burrell, o baixista Paul Chambers e Connie Kay e Philly Joe Jones tocando bateria. Gravado em dezembro de 1958 e janeiro de 1959 com lançado pelo selo Riverside com grande aceitação de publico e critica. Embora Baker fosse no final dos anos 1950 conhecido tanto por cantar quanto por tocar trompete, este álbum é inteiramente instrumental. Ele contém 09 baladas padrão (e a composição de Chet Baker "Early Morning Mood" como uma faixa bônus adicional na versão em CD) tocada nos estilos de Hard Bop a Cool Jazz. Embora o álbum seja inteiramente dedicado à exploração do clima de balada, ele inclui uma variedade considerável. A seção rítmica Chambers-Evans-Jones era conhecida na época por seu trabalho com o trompetista Miles Davis. A crítica premiou o álbum com 04 estrelas e afirma: " Chet é um bom álbum para ouvir o jeito especial de Baker com seu trompete, e fica ainda mais atraente com a presença e contribuições dos principais artistas do jazz".

Saxofone Barítono – Pepper Adams
Baixo – Paul Chambers  
Bateria – Philly Joe Jones  faixas: 04, 06, 10), Connie Kay (faixas: 01, 02, 03, 07, 08, 09)
Flauta – Herbie Mann
Guitarra – Kenny Burrell (faixas: 03, 08)
Piano – Bill Evans
Trompete – Chet Baker

Gravado em 30 de dezembro de 1958 e 19 de janeiro de 1959, Nova York.

Boa audição - Namastê
 

quinta-feira, 23 de março de 2023

Chet Baker Almost Blue

Artista: Chet Baker

Álbum: Almost Blue 

Lançamento: 2002

Selo: Verve Records

Gênero: Vocal Jazz, Cool Jazz

Morreu em 1988 ao cair da janela de um hotel em Amsterdã. A causa do acidente tem duas versões: suicídio ou excesso de drogas. O que dá no mesmo. Foi um trompetista de jazz. Na infância, começou a cantar na igreja e ganhou um trompete do pai, guitarrista amador de bandas de country, de quem herdou a paixão pela música. Aos 17 anos, acrescentou um ano em seus documentos e alistou-se no Exército. Sendo transferido para Berlim começou a tocar em bandas militares. É nesse período que ouve jazz pela primeira vez, pela rádio do exército. Ao sair do exército parte para Los Angeles e começa a estudar teoria musical. Iniciou a sua carreira de sucesso com Charlie Parker quando este estava à procura de um trompetista para acompanhá-lo em sua turnê pelos Estados Unidos e Canadá. Baker tinha grande afeição por Charlie Parker, por sua gentileza, honestidade e pela maneira como protegia os músicos da banda, tentando mantê-los longe da heroína que tanto lhe corroía. Amante do jazz, Baker não tardou em conquistar o sucesso, sendo apontado como um dos melhores trompetistas do gênero. Em seguida, entrou para o ‘Gerry Mulligan Quartet’, que criou o estilo ‘west coast’, um estilo de jazz mais calmo, menos frenético cujas músicas caracterizavam-se por composições mais elaboradas. Tempos depois, Chet conquistou um novo público ao lançar-se como cantor, à frente do próprio quarteto. Sua versão de ‘My Funny Valentine’ com Mulligan é clássica. A música de Chet foi um retrato de sua vida, triste. O trompetista teve tudo: prestígio, dinheiro, todas as mulheres que poderia, beleza e talento. Lendo isso nem parece que seu fim foi tão trágico e, a culpa é (mais uma vez), do álcool e das drogas, mais especificamente da Heroína, companheira do americano durante boa parte de sua vida. Conheci o timbre de seu trompete logo depois de escutar a mística de Miles Davis e, mesmo Chet não sendo tão virtuoso (ou até mesmo visionário como o mestre do Fusion), acho que poucos realmente percebem seu talento, sendo este um dos nomes mais injustiçados e subestimados do Jazz. Um ser dotado de uma voz leve, calma, aveludada, e um trompete delicado, econômico, que mesmo não sendo nada assombrosamente técnico, era sentimento puro. 


Saxofone Alto – Steve Houben (faixas: 1 a 5)

Baixo – Hein Van de Geyn (faixas: 6 a 8) e Kermit Driscoll (faixas: 1 a 5) 

Bateria – Bruno Castellucci (faixas: 1 a 5) e John Engels (faixas: 6 a 8) 

Guitarra – Bill Frisell (faixas: 1 a 5) 

Piano – Dennis Luxion (faixas: 1 a 5) e Harold Danko (faixas: 6 a 8) 

Trompete e Vocais – Chet Baker  

 

Faixas 01-05, gravando em Bruxelles, novembro de 1979 (originalmente emitido como Chet Baker - Steve Houben). Faixas 06-08 gravando em Tóquio, junho de 1987 (faixas 6, 8 de Memories - In Tokyo, faixa 07 do álbum 'Four' de 1989). Almost Blue foi composto por Elvis Costello


 Boa audição - Namastê