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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Boxset: Triumphs Of The Blues (20xCD's) CD04

 
Lançamento: 2001/02/03
Selo: Habana 
Gênero: Chicago Blues, Country Blues, Delta Blues, Harmonica Blues, Jump Blues, Louisiana Blues, Piano Blues, Rhythm & Blues, Texas Blues, East Coast Blues, Vaudeville Blues

O quarto volume da prestigiada coleção Les Triomphes du Blues (Habana) desvia o foco do rigor instrumental masculino para celebrar a força sísmica e o monopólio expressivo das grandes divas do início do século XX. Intitulado Chanteuses de Blues, este disco resgata as gravações pioneiras da década de 1920 que transformaram o blues rural em um fenômeno de massas comercial, unindo a crueza temática das classes trabalhadoras à imponência teatral dos grandes palcos de vaudeville e das orquestras de jazz primitivo. Este volume desconstrói o mito historiográfico de que o blues primitivo era um domínio exclusivamente masculino, argumentando que foram as chamadas Classic Blues Queens as verdadeiras responsáveis por moldar a primeira grande indústria fonográfica voltada para o público afro-americano (Race Music). A tese central sustenta que essas mulheres não apenas cantavam sobre dor e opressão, mas reivindicavam autonomia financeira, sexual e social em uma América implacável de leis segregacionistas. Na década de 1920, gravadoras como a Paramount e a Columbia descobriram o imenso poder de consumo das comunidades urbanas do norte dos EUA. As artistas apresentadas neste volume eram as verdadeiras estrelas pop de sua era, gravando acompanhadas por músicos de escol do jazz primitivo — com participações lendárias de pianistas e cornetistas como o jovem Louis Armstrong. Acusticamente, a projeção vocal dessas cantoras era tão colossal que muitas vezes estouraba a capacidade limitada dos microfones de carbono da época, exigindo que os engenheiros as posicionassem a metros de distância do equipamento de gravação para evitar a distorção total das matrizes de cera. Análise de destaques (três faixas-chave): "Downhearted Blues" de Bessie Smith: O hino definitivo do gênero. A interpretação de Bessie Smith transborda autoridade inabalável e resignação dolorosa. O uso magistral de blue notes na sua tessitura vocal grave confere à faixa uma dignidade trágica que eleva o desamor à categoria de alta arte dramática, "Bo-Weavil Blues" de Ma Rainey: a "mãe do Blues", utiliza uma dicção ríspida, seca e altamente cadenciada, apoiada por uma estrutura de chamada e resposta com cornetas melancólicas. a letra aborda a praga agrícola que dizimou o algodão no Sul, transformando uma crise socioeconômica nacional em lamento poético e "Empty Bed Blues" de Bessie Smith: marcado por um contraponto sutil e elegante de trombone e piano, este blues de doze compassos utiliza metáforas domésticas e corporais perspicazes para tratar do luto do abandono e da solidão na metrópole. Curiosidade de bastidor (fato raro), o vagão de trem particular de Bessie Smith, curiosamente, devido ao seu colossal sucesso de vendas e bilheteria, Bessie Smith tornou-se a artista afro-americana mais bem paga do mundo na segunda metade da década de 1920. Para escapar das leis de Jim Crow, da hostilidade policial e da violência racial nas estradas do sul dos EUA, ela comprou e operava seu próprio vagão de trem Pullman particular, onde morava, dormia e viajava com toda a sua trupe de músicos durante as extenuantes turnês de vaudeville. A força interpretativa, o timbre cortante, a postura de empoderamento e a técnica de projeção vocal destas pioneiras pavimentaram a estrada direta para a ascensão do jazz vocal moderno, do gospel secularizado e do soul das décadas seguintes, influenciando diretamente ícones absolutos como Mahalia Jackson, Nina Simone e Janis Joplin.“O Volume 4 de Les Triomphes du Blues prova que a fundação sonora do século XX não foi construída apenas com o suor dos violões de madeira, mas com a voz indomável e soberana das rainhas que dominaram a aurora do disco.” 

Boa audição - Namastê

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Boxset: Triumphs Of The Blues (20xCD's) CD03

Lançamento: 2001/02/03
Selo: Habana 
Gênero: Chicago Blues, Country Blues, Delta Blues, Harmonica Blues, Jump Blues, Louisiana Blues, Piano Blues, Rhythm & Blues, Texas Blues, East Coast Blues, Vaudeville Blues.

O terceiro volume da aclamada coleção europeia Les Triomphes du Blues (Habana) direciona sua lente arqueológica para o estado do Texas, uma das regiões mais férteis e estilisticamente distintas do mapa fonográfico afro-americano. Intitulado estruturalmente como Texas Blues, este disco desvenda a transição monumental que vai do violão folk campestre, altamente sincopado e improvisacional da década de 1920, até a sofisticação urbana, elegante e eletrificada do pós-guerra na década de 1940. Enquanto o Delta do Mississippi priorizava a urgência telúrica e o desespero existencial calcado em acordes densos, a escola texana moldou-se sob a influência de uma sonoridade mais arejada, marcada por arpejos complexos inspirados no ragtime, balanço rítmico fluído e uma abordagem quase aristocrática ao instrumento. Este volume defende a tese de que o blues texano não era apenas um subgênero regional, mas o laboratório onde a guitarra se transformou de simples acompanhamento rítmico em uma voz solista autônoma. A primeira metade do CD mergulha na era dos "cantores de calçada" e trovadores itinerantes dos anos 1920, liderados pela figura monumental de Blind Lemon Jefferson. As gravações originais de 78 RPM aqui resgatadas — muitas licenciadas de matrizes raras da Paramount — exibem uma clareza instrumental impressionante, onde a mão direita de Jefferson executa linhas de baixo independentes e improvisações melódicas ágeis sem seguir uma contagem rígida de compassos. Na segunda metade, o eixo histórico salta para o pós-guerra, fixando-se na revolução estética protagonizada por T-Bone Walker. Aqui, a acústica primitiva dá lugar à revolução da guitarra elétrica de corpo oco (hollow-body), amplificada com saturação limpa e enriquecida por acordes de nona emprestados diretamente do jazz de vanguarda. Análise de destaques (Três faixas-chave), "Match Box Blues" (Blind Lemon Jefferson): Uma aula magna de compasso maleável. Jefferson estica e encolhe o tempo das doze barras de acordo com o fluxo dramático de sua letra. O uso de notas cortantes nas cordas agudas serve como um eco melancólico que pontua cada frase cantada com sua voz anasalada e imperativa. "Piney Brown Blues de T-Bone Walker: O nascimento oficial do jazz-blues sofisticado. Walker abandona a crueza rural e introduz acordes abertos, notas de passagem cromáticas e um vibrato de cordas longo e sustentado, elevando o blues a um patamar de requinte de cabaré e "Call It Stormy Monday (But Tuesday Is Just as Bad)" de T-Bone Walker: Uma obra-prima melódica absoluta. O solo de introdução utiliza curvas de corda (string bends) que mimetizam com precisão assustadora o pranto da voz humana, estabelecendo o vocabulário emocional que todo guitarrista elétrico de blues replicaria nas décadas seguintes. Curiosidade de dastidor (fato raro), o pioneirismo acrobático de T-Bone Walker: curiosamente, T-Bone Walker não inovou apenas na harmonia e na introdução da guitarra elétrica na Costa Oeste e no Texas; ele foi o primeiro verdadeiro showman da história da guitarra moderna. Décadas antes de Jimi Hendrix queimar guitarras ou de Chuck Berry inventar seu famoso passo de pato, Walker já realizava números acrobáticos impressionantes nos palcos dos anos 1940 — tocando o instrumento inteiramente nas costas e fazendo espacatos verticais sem errar uma única nota de seus complexos acordes de jazz. A conexão evolutiva deste terceiro volume é a raiz genética direta de toda a vertente elegante e melódica da guitarra moderna. O vocabulário de T-Bone Walker moldou diretamente a carreira de B.B. King (que declarou ter comprado sua primeira guitarra após ouvi-lo) e estabeleceu a fundação técnica que mais tarde geraria o estilo fulminante de Stevie Ray Vaughan na mesma escola texana. “O Volume 3 de Les Triomphes du Blues prova que o sol do Texas não apenas aquecia a terra, mas queimava as velhas regras da música popular, transformando o violão em um instrumento de alta conversação aristocrática.”


Boa audição - Namastê

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Boxset: Triumphs Of The Blues (20xCD's) CD02


Lançamento: 2001/02/03
Selo: Habana 
Gênero: Chicago Blues, Country Blues, Delta Blues, Harmonica Blues, Jump Blues, Louisiana Blues, Piano Blues, Rhythm & Blues, Texas Blues, East Coast Blues


O segundo volume das coleção mergulha nas raízes profundas e no coração mítico do gênero: o Mississippi Blues. Se o primeiro volume mapeou a rota de transição do campo para a cidade, este capítulo foca nos grandes artífices do Delta, consagrando lendas fundamentais para a história da música americana. O CD concentra-se nas planícies aluviais do Delta do Mississippi, uma região marcada pelo solo fértil para o cultivo de algodão, pela pobreza extrema do pós-guerra e pela segregação racial severa das primeiras décadas do século XX. É neste cenário inóspito que o blues surge como o principal veículo de expressão, catarse e resistência da população afro-americana, ecoando nas esquinas, plantações e juke joints locais. O álbum destaca dois dos maiores expoentes da história do violão de raiz e do canto visceral: Son House (O titã do Delta): Conhecido por seu estilo agressivo, rítmico e profundamente espiritual, Son House influenciou diretamente gerações inteiras de blueseiros (incluindo Muddy Waters e Robert Johnson). Suas performances eram carregadas de uma intensidade dramática quase religiosa, alternando letras sobre pecado, redenção e a dureza da vida no campo. Robert Johnson (O misto de mito e realidade): Considerado a figura mais icônica e influente da história do blues acústico. Sua técnica inovadora de violão — que criava a ilusão de que múltiplos músicos tocavam simultaneamente —, unida a letras de uma poesia fantasmagórica (como acordes firmados em encruzilhadas), moldou a fundação de todo o rock and roll moderno. Violão Acústico de Aço, o instrumento central do volume, tocado com a exigência de uma técnica vigorosa de fingerpicking com uso de Slide (Bottleneck): O recurso de deslizar um gargalo de garrafa de vidro ou um tubo de metal pelas cordas do violão era amplamente utilizado para simular o choro humano, imitando os lamentos vocais característicos do Delta. Relação voz e instrumento resgata uma sonoridade crua, analógica e minimalista, dependendo inteiramente da força interpretativa do artista, sem o auxílio de amplificação elétrica ou baterias. As faixas que compõem este volume resgatam gravações lendárias extraídas de antigas sessões de campo realizadas por engenheiros itinerantes na década de 1930 (como as famosas gravações da Vocalion e da Paramount Records). Os registros originais foram capturados em locais improvisados, desde pequenos hotéis no interior do Mississippi até estúdios temporários no norte (como em Grafton, Wisconsin), preservando a atmosfera documental de época. Este volume é frequentemente apontado por colecionadores como a "pedra fundamental" de todo o box por documentar a gênese técnica do estilo que influenciou o ecossistema da gravadora Habana na preservação do acervo. A edição mantém o padrão editorial da coleção francesa, acompanhando o resgate de raridades em discos de 78 RPM quase extintos, remasterizados de forma a preservar o som cru do vinil histórico.

Boa audição - Namastê

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Boxset: Triumphs Of The Blues (20xCD's) CD01

Lançamento: 2001/02/03
Selo: Habana 
Gênero: Chicago Blues, Country Blues, Delta Blues, Harmonica Blues, Jump Blues, 
Louisiana Blues, Piano Blues, Rhythm & Blues, Texas Blues, East Coast Blues

Les Triomphes du Blues — Volume 01: "Du Delta à Detroit", abre o primeiro volume da aclamada coleção francesa "Les Triomphes du Blues" (lançada pelo selo Habana) traz o subtítulo sugestivo "Du Delta à Detroit" (Do Delta a Detroit), obra funcional como uma verdadeira cartografia sonora e antropológica, traçando a linha de evolução e migração do blues rural primitivo do sul dos Estados Unidos até as correntes urbanas e industrializadas do norte. O conceito e a rota geográfica (do Delta a Detroit) mapeia a grande rota de migração da população negra americana (frequentemente chamada de Great Migration), que deixou as plantações de algodão do Delta do Mississippi em direção aos grandes centros industriais do Centro-Oeste, como Detroit e Chicago, em busca de melhores condições de vida e trabalho nas fábricas automobilísticas. O CD reflete essa transição estética, começa com o som rústico, acústico e visceral das margens do rio Mississippi e culmina no blues elétrico, magnético e hipnótico das metrópoles industriais. Os músicos em destaque divide-se essencialmente entre a genialidade fundadora de dois grandes pilares de eras distintas: Charley Patton (O patriarca do Delta), Considerado por muitos historiadores como o verdadeiro "pai do Delta blues", Patton é a voz da primeira metade do disco. "Spoonful Blues", "Revenue Man Blues" e "Mississippi Bo Weavil Blues" são faixas marcantes, sua performance vocal era estridente, áspera e cortante, projetada para ser ouvida em juke joints barulhentos sem amplificação elétrica. John Lee Hooker (O Rei de Detroit), representando a chegada ao norte industrial, Hooker traz a batida magnética baseada em um único acorde (one-chord boogie), carregada de tensão urbana. O clássico revolucionário "Boogie Chillen", "Hobo Blues" e "Crawling King Snake" são seus destaques sonoros e sua pegada modernizada do gênero, preparando o terreno para o advento do rock and roll. Instrumentos e sonoridade. O contraste instrumental é um dos maiores atrativos técnicos deste volume,  era acústica (O Delta) predomínio absoluto do violão de aço (muitas vezes tocado com bottleneck ou slide de metal/vidro para imitar o som de lamentos vocais) e a stomping rhythm (batidas de pé no chão de madeira para marcar o ritmo). Marcas de violão clássicas da época, como os modelos da Stella e Gibson, ditavam a sonoridade estalada e ressonante. A era elétrica (Detroit), introdução marcante da guitarra amplificada (com destaque para o uso primitivo de distorção valvulada e microfonação direta de amplificadores compactos), além da introdução da pulsação estática e hipnótica que simulava o ritmo das máquinas das fábricas de Detroit. Já os locais de gravação e contexto histórico nas faixas presentes neste volume resgatam gravações originais de arquivo extraídas de antigas sessões em campos móveis de gravadoras (como a Paramount Records) em hotéis do Sul rural durante os anos 1920 e 1930, migrando posteriormente para estúdios urbanos em Detroit e Chicago nos anos 1940. O processo de remasterização presente nesta edição francesa buscou limpar os chiados excessivos dos discos originais de 78 RPM sem eliminar a atmosfera crua e analógica da época. Itens de enriquecimento e curiosidades na estética do Box: A coleção original francesa destaca-se pelo cuidado editorial, trazendo capas em estilo cardboard sleeves (réplicas miniaturas dos compactos/LPs originais) e livretos informativos. O impacto cultural ao scutar este volume em sequência permite entender como o desespero econômico do pós-depressão no campo ("Revenue Man Blues") transformou-se na urgência urbana e autoral do homem livre nas ruas de Detroit ("Boogie Chillen"). Uma audição obrigatória para compreender a transição de raiz do blues primitivo para a modernidade elétrica.


Boa audição - Namastê

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

# 084 - Dizzy Gillespie & His Operatic Strings Orchestra (1952-1953)

 

Artista: Dizzy Gillespie

Álbum: Jazz in Paris 084

Lançamento: 2001

Selo: Gitanes Jazz Produção

Gênero: Bop, Big Band

O jeito irreverente e as brincadeiras que fazia com colegas e mesmo com os próprios regentes lhe valeram não poucas reprimendas e até demissões. Entre 1942 e 1945, Dizzy tocou nas orquestras de Earl Hines e de Billy Eckstine, que consituíram verdadeiros celeiros de talentos do nascente estilo bebop. Em 1941 Dizzy encontrou Charlie Parker pela primeira vez, quando este tocava na orquestra de Jay McShann. A partir daí, os dois tocaram juntos diversas vezes, com diferentes grupos e dando contornos definitivos ao bebop. Somente em 1945, porém, Dizzy e Bird finalmente gravariam juntos. Em 1945 Dizzy optou pelo formato big band. Sua orquestra do período 1946-1950 contou com músicos de peso, como Milt Jackson, John Lewis, Ray Brown e Kenny Clarke que, juntos, constituiriam a primeira formação do ‘Modern Jazz Quartet’, além de Jay Jay Johnson, Yusef Lateef e até John Coltrane. Essa orquestra teve que ser desfeita em 1950 devido a dificuldades econômicas. Mas Dizzy continuou muito ativo, e participou de turnês do ‘Jazz at the Philarmonic’.

Clarinete – Albert Gillot (faixas: 7 a 16)

Contrabaixo – Joe Benjamin (faixas: 7 a 16), Lou Hackney (faixas: 1 a 6)

Bateria – Al Jones (faixas: 1 a 6), Bill Clark (faixas: 7 a 16)

Flauta – René Bigerille (faixas: 7 a 16)

Guitarra – Jean-Jacques Tilché (faixas: 7 a 16)

Piano – Arnold Ross (faixas: 7 a 16), Wade Legge (faixas: 1 a 6)

Trombone – André Gosset (faixas: 7 a 16), Guy Destanges  faixas: 7 a 16), René Vasseur (faixas: 7 a 16)

Trompete – Dizzy Gillespie



01-06 gravadas em 22 de fevereiro de 1953 em Paris

07-16 gravadas em 6 de abril de 1952 em Paris

Boa audição - Namastê


terça-feira, 4 de outubro de 2022

# 083 - Sarah Vaughan - Vaughan And Violins (1958)

Artista: Sarah Vaughan

Álbum: Jazz in Paris 083

Lançamento: 2001

Selo: Gitanes Jazz Produção

Gênero: Vocal, Ballad, Easy Listenin

Sarah Vaughan, juntamente com Ella Fitzgerald, ajudou a elevar o papel da vocalista ao mesmo nível de importância do instrumentista de jazz. Seus primeiros sucessos e uma série de duetos com Billy Eckstine na década de 40 fizeram dela uma das maiores cantoras de jazz durante quase meio século. Possuindo uma perfeita afinação ela cantava com sofisticação a mais desafiadora e complicada harmonia. O sucesso inicial foi atingido com uma mistura de músicas originais de jazz e o melhor da música do ‘Tin Pan Alley’, nome dado aos compositores que se concentravam em New York e que dominavam a música popular dos EUA no século 19 e início do século 20, músicas como ‘Body and Soul’ e ‘Tenderly’. Na década de 50 ela nadou em águas mais comerciais, mas algumas das canções foram descartadas, indignas de seu grande talento. Mesmo assim, em algumas a pirotecnia vocal era evidente, uma exceção foi o seu grande hit ‘Misty’ que ela gravou com a banda de Quincy Jones e com o apoio do brilhante saxofonista Zoot Sims. ‘Misty’ foi a música mais associada à Sarah Vaughan e a mais solicitada pelo público nas apresentações ao vivo, mas nos anos 70, ‘Send in the Clowns’ tornou-se a sua assinatura musical nos encerramentos dos shows. Sarah voltou integralmente à sua força artística nos anos 60, e nos últimos 30 anos de sua carreira ela cantava em clubes de jazz e produziu um notável catálogo musical em vários rótulos. Sua produção foi excelente, mas entre os seus melhores álbuns estão os volumes 1 e 2 de ‘The Duke Ellington Songbook’ que contém versões magníficas. Desde a sua primeira aparição na cena do jazz no início dos anos 1940 até sua morte, a voz de Sarah Vaughan tornou-se um modelo e inspiração para aqueles que querem se aventurar além do simples vocal popular e dominar a arte musical. Sarah Lois Vaughan nasceu em Newark, New Jersey. Aos sete anos estudou piano e aos doze se tornou organista e vocalista solo no coro da igreja. Seu pai era um carpinteiro e um guitarrista amador e sua mãe era lavadeira e vocalista na igreja. Apesar de ser um homem religioso, o pai de Vaughan, passava as noites a tocar blues. Sarah tocava piano e ouvia as gravações de artistas de jazz. Depois de descobrir e se apresentar, cantando e tocando piano, em teatros e clubes locais decidiu atravessar o rio Harlem e passou a freqüentar o ‘Savoy Ballroom’ e o ‘Apollo Theatre’ onde ganhou um concurso amador interpretando ‘Body and Soul’, que tanto impressionou o cantor de jazz Billy Eckstine que persuadiu seu bandleader, Earl Hines, a contratá-la. Pianista talentosa, ao tornar-se membro das bandas de Earl Hines e Billy Eckstine, ela entrou para as fileiras do movimento ‘bebop’, uma das correntes mais influentes do jazz que privilegia os pequenos conjuntos, como os trios, os quartetos e os solistas de grande virtuosismo como ela. Logo formou a sua própria e influenciada por Dizzy Gillespie e Charlie Parker gravou com eles em 1945. Depois de um ano, Sarah começou a sua longa carreira como solista para o resto de sua carreira, alternando entre música popular e jazz trabalhou com pequenas e grandes bandas de jazz e grandes orquestras sinfônicas. Uma mulher conhecida por sua personalidade franca e eloquência artística, carinhosamente era conhecida como ‘Sassy’ e ‘a divina’. Sarah foi casada quatro vezes: com o bandleader George Treadwell, com o jogador de futebol profissional Clyde Atkins, com Marshall Fisher, dono de um restaurante em Las Vegas e com o trompetista de jazz Waymon Reed. Tudo terminou em divórcio. A cantora incansável ainda mantinha uma bela voz, mas nos bastidores, no entanto, os membros da banda começaram a perceber o ritmo lento do seu andar e a falta de ar. Diagnosticada com câncer de pulmão, ela foi submetida a tratamento quimioterápico. Infelizmente, ela morreu em 1990, um ano depois de receber um Grammy por sua obra.

Saxofone Alto – Marcel Hrasko (faixas: 1 a 7)

Saxofone Barítono – Jo Hrasko (faixas: 1 a 7), William Boucaya (faixas: 1 a 7)

Maestro – Quincy Jones

Contrabaixo – Richard Davis 

Bateria – Kansas Field (faixas: 8 a 11), Kenny Clarke (faixas: 1 a 7) ,Roger Paraboschi (faixas: 8 a 11)

Guitarra – Pierre Cullaz (faixas: 1 a 7)

Orquestra – Quincy Jones e sua orquestra

Piano – Maurice Vander (faixas: 8 a 11) , Ronnel Bright

Saxofone Tenor – Zoot Sims (faixas: 1 a 7)

Vibrafone – Michel Hausser (faixas: 1 a 7)

Vocais – Sarah Vaughan


Gravado em Paris em 1958: 7 de julho (1-4), 8 de julho (5-7), 12 de julho (8-11).


Boa audição - Namastê
 

sábado, 1 de outubro de 2022

# 082 - Stephane Grappelli & Stuff Smith - Stuff And Steff (1965)


Lançamento: 2001
Selo: Gitanes Jazz Produção
Gênero: Swing, Bop

 

Miles Davis ajudou a promover a fusão do jazz com o rock de meados para o fim dos anos 60 em álbuns como Bitches Brew e Jack Johnson. Tocavam em suas bandas durante esse período Herbie Hancock, Chick Corea e Joe Zawinul no piano elétrico, Ron Carter e Dave Holland no baixo, John McLaughlin na guitarra e Tony Williams e Jack DeJohnette na bateria. Tony Williams formou uma banda inclinada para o rock chamada Lifetime, com John McLaughlin, que também teve seu próprio grupo de alta intensidade, a Mahavishnu Orchestra. Nos anos 70, Miles continuou a explorar novas direções no uso de equipamentos eletrônicos e a incorporação de elementos do funk e do rock em sua música, o que levou a álbuns como Pangea e Agharta. Outros grupos combinaram jazz e rock numa maneira mais voltada para o grande público, do crossover Top 40 de Spyro Gyra e Chuck Mangione ao guitarrista um tanto mais esotérico Pat Metheny. Entre outras bandas populares de fusion estão a Weather Report, com Wayne Shorter, Joe Zawinul e os baixistas Jaco Pastorius e Miroslav Vitous; Return To Forever, com Chick Corea e o baixista Stanley Clarke; The Crusaders, com o saxofonista Wilton Felder e o tecladista Joe Sample; a Yellowjackets, com o tecladista Russell Ferrante; e a Jeff Lorber Fusion, que originalmente tinha Kenny G no saxofone. Nos últimos anos, várias bandas de fusion alcançaram muito sucesso comercial, inclusive as de Pat Metheny e Kenny G

Contrabaixo – Michel Gaudry

Bateria – Michel Delaporte

Piano – René Urtreger

Violino – Stuff Smith, Stéphane Grappelli

Vocais – Stuff Smith (faixas: 2, 4)


Gravado em 22 de junho de 1965 no estúdio Hoche, Paris.

Boa audição - Namastê

quinta-feira, 29 de setembro de 2022

# 081 - Elek Bacsik - Nuages (1962)

Artista: Elek Bacsik
Lançamento: 2001
Selo: Gitanes Jazz Produção
Gênero: Bossa Nova, Cool Jazz



 Enquanto o fusion parecia dominar o mercado do jazz nos anos 70 e começo dos 80, havia também outros desenvolvimentos. Alguns músicos começaram a tomar emprestado da música clássica do século 20 bem como da música africana e de outras formas da música internacional. Entre esses músicos incluem-se Don Cherry, Charlie Haden, os saxofonistas Anthony Braxton, David Murray e Dewey Redman, o clarinetista John Carter, os pianistas Carla Bley e Muhal Richard Abrams, o World Saxophone Quartet, com quatro saxofonistas e sem seção rítmica, e o Art Ensemble Of Chicago, com o trompetista Lester Bowie e Roscoe Mitchell tocando instrumentos de sopro de madeira. A música deles tendia a enfatizar elementos composicionais mais sofisticados do que a forma tema-solos-tema. Alguns grupos, como o Oregon, rejeitaram a complexidade e as dissonâncias do jazz moderno e tocaram num estilo muito mais simples, que deu início à atual música New Age. No outro extremo estavam músicos como o saxofonista John Zorn e os guitarristas Sonny Sharrock e Fred Frith, que se engajaram numa frenética forma de livre improvisação às vezes chamada “energy music”. Em algum ponto no meio desses extremos estava o duradouro grupo formado pelo saxofonista George Adams, que foi influenciado por Coltrane e Pharoah Sanders, e o pianista Don Pullen, influenciado por Cecil Taylor. Esse grupo pegou muito do blues, bem como da música de vanguarda. Outros músicos importantes durante os anos 70 e 80 foram os pianistas Abdullah Ibrahim, Paul Bley, Anthony Davis e Keith Jarrett. Nem todos os desenvolvimentos do jazz ocorreram nos Estados Unidos. Muitos músicos europeus estenderam algumas das ideias do free jazz de Ornette Coleman e Cecil Taylor, e dispensaram ainda mais as formas tradicionais. Outros se voltaram a uma música mais introspectiva. Entre os mais bem-sucedidos dos improvisadores europeus estão os saxofonistas Evan Parker, John Tchicai, John Surman e Jan Garbarek, os trompetistas Kenny Wheeler e Ian Carr, o pianista John Taylor, os guitarristas Derek Bailey e Allan Holdsworth, o baixista Eberhard Weber, o baterista John Stevens e os arranjadores Mike Westbrook, Franz Koglman e Willem Breuker.


Contrabaixo – Michel Gaudry (faixas: 2, 3, 6, 9), Pierre Michelot (faixas: 1, 4, 5, 7, 8, 10)

Bateria – Daniel Humair (faixas: 2, 3, 6, 9), Kenny Clarke (faixas: 1, 4, 5, 7, 8, 10)

Guitarra Elétrica – Elek Bacsik


Gravado em 1962 em Paris.

Boa audição - Namastê

terça-feira, 27 de setembro de 2022

# 080 - Henri Crolla - Begin The Beguine (1955)

Artista: Henri Crolla

Álbum: Jazz in Paris 080

Lançamento: 2001

Selo: Gitanes Jazz Produção

Gênero: Gypsy Jazz

O elemento mais básico do suingue do jazz é a colcheia suingada. Na música clássica, as colcheias num compasso 4/4 devem ocupar exatamente metade de um tempo cada. Elas são chamadas pelo pessoal do jazz de colcheias exatas (straight eighth notes, ou simplesmente straight eighths). Toque uma escala de Dó Maior (“Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si, Dó”) com colcheias exatas. Se tiver um metrônomo, ajuste ele para 96 batidas por minuto. Essas são semínimas: “um dois três quatro”. Agora subdivida isso mentalmente: “um-e dois-e três-e qua-e”. Uma aproximação comum para o suingue do jazz usa tercinas. Os tempos básicos são subdivididos mentalmente como “um-e-a dois-e-a três-e-a qua-e-a”, e você toca somente no tempo e no “a”. A primeira nota de cada tempo terá o dobro da duração da segunda. Isso vai soar como um Código Morse traço-ponto-traço-ponto-traço-ponto-traço-ponto, e é exagerado demais para sua utilização no jazz. Em algum ponto entre as colcheias exatas (proporção 1:1 entre a primeira e a segunda nota) e as tercinas (proporção 2:1) estão as notas do verdadeiro suingue do jazz. Não posso dar uma proporção exata, contudo, porque ela varia dependendo do andamento e do estilo da peça. Em geral, quanto mais rápido o andamento, mas exatas as colcheias. Além disso, os músicos da era pré-bebop geralmente usam um suingue mais exagerado do que os de períodos posteriores, mesmo no mesmo andamento. Independente de qual seja a proporção, a segunda “metade” de cada tempo geralmente é acentuada, e os tempos dois e quatro geralmente são acentuados também. Aqui também a quantidade de acento depende do músico e da situação. Também há o problema de tocar antes ou depois do tempo. Quando Dexter Gordon toca, até mesmo as notas que deviam cair no tempo são geralmente tocadas um pouco retardadas. Isso geralmente é chamado de laying back. Isso dá um ar mais relaxado para a música, enquanto tocar um pouco antes as notas que deviam cair no tempo pode ter o efeito oposto. Os baixistas geralmente tocam ligeiramente antes do tempo, especialmente nos andamentos mais rápidos, para fazer a música seguir à frente. Nem todos os estilos de jazz usam o suingue da mesma maneira. A maioria dos estilos de jazz latino e muitos estilos de fusion e jazz moderno usam colcheias exatas, ou colcheias que são só ligeiramente suingadas. O shuffle e alguns outros estilos de rock usam um suingue muito exagerado. Ouça de perto a gravações de diferentes estilos, prestando atenção às diferenças. Não se engane achando que o suingue é uma constante universal.


Clarinete – Maurice Meunier (faixas: 9 a 16)

Contrabaixo – Emmanuel Soudieux

Bateria – Jacques David

Guitarra – Henri Crolla

Piano – Georges Arvanitas (faixas: 9 a 16) , Lalos Bing (faixas: 1 a 8)

Vibraphone – Michel Hausser (faixas: 9 a 16)


Gravado em 1955 em Paris

* Géo Daly é erroneamente listado como vibrafonista.


Boa audição - Namastê
 

sábado, 24 de setembro de 2022

# 079 - Stan Getz Quartet In Paris (1966)

Artista: Stan Getz

Álbum: Jazz in Paris 079

Lançamento: 2001

Selo: Gitanes Jazz Produção

Gênero: Bossa Nova, Post Bop


Um dos maiores saxofonistas tenor de todos os tempos, Stan Getz tinha um dos tons mais bonitos da história do jazz. Conhecido como O Som, seu nome figura entre os grandes improvisadores por seu som e vocabulário únicos! Apesar de ser mais conhecido no Brasil por sua parceria de sucesso com João Gilberto — que levou a bossa nova para o mundo — o jazz era a sua verdadeira casa. Desde cedo, o jovem Getz demonstrava aptidão para a música e, aos 6 anos, tocava gaita ouvindo as canções que passavam no rádio. Aos 13 anos, ganha do pai seu primeiro saxofone e clarinete. De instrumento na mão, não demorou muito para que ingressasse na All City High School Orchestra, na cidade de Nova York. A música Girl from Ipanema (Garota de Ipanema) já foi a 5ª mais ouvida nos Estados Unidos e já figurou no top da Billboard? Pois é, uma loucura! Aconteceu em julho de 1964. Neste mesmo ano, Stan Getz e João Gilberto foram indicados ao Grammy em 4 categorias e venceram 3, sendo elas: Melhor Performance Instrumental de Jazz, Álbum do Ano e Música do Ano por Girl from Ipanema!

Contrabaixo – Steve Swallow (faixas: 1 a 5, 7)

Bateria – Roy Haynes (faixas: 1 a 5, 7)

Saxofone Tenor – Stan Getz (faixas: 1 a 5, 7)

Vibrafone – Gary Burton

Gravado em 13 de novembro de 1966 na Salle Pleyel, Paris


 Boa audição - Namastê 

quinta-feira, 22 de setembro de 2022

# 078 - Don Byas – En Ce Temps-La (1947-1952)

Artista: Don Byas
Lançamento: 2001
Selo: Gitanes Jazz Produção
Gênero: Bop, Swing


(1912 – 1972) foi saxofonista tenor, mais associado ao estilo bebop. Ele tocou com Count Basie, Duke Ellington, Art Blakey e Dizzy Gillespie, entre outros, bem como liderou sua própria banda. Carlos Wesley Byas nasceu em Muskogee, Oklahoma, de pais músicos. Sua mãe tocava piano, e o pai clarinete. Byas iniciou sua formação em música clássica, aprendendo a tocar clarinete, violino e saxofone alto, que tocou até o final da década de 20. Benny Carter, que tocava muitos instrumentos, era seu ídolo nesta época. Don Byas começou a tocar em orquestras locais com 17 anos, com o pianista Bennie Moten, o trompetista Terrence Holder e o multi-instrumentista Walter Page. Depois mudou para o saxofone tenor e tocou com várias bandas de Los Angeles. Em 1935 tocou na banda de Lionel Hampton juntamente com o arranjador Eddie Barefield. Em 1937, mudou-se para Nova York para trabalhar com a banda de Eddie Mallory acompanhando a esposa de Mallory, a cantora Ethel Waters, em turnê, e também no Cotton Club. Gravou seu primeiro disco solo ‘Is This to Be My Souvenir’ em 1939. E no início de 1941, teve sua grande chance quando Count Basie o escolheu para suceder Lester Young. Em 1946, foi para a Europa em turnê com a big band de Don Redman. Eles eram a primeira orquestra só de negros a aparecer na capital francesa desde o final da segunda guerra mundial. Byas permaneceu na Europa onde viveu durante os últimos 26 anos de sua vida. Depois de tocar na Bélgica e na Espanha, ele finalmente se estabeleceu em Paris, e foi capaz de gravar quase imediatamente. Enquanto esteve em Genebra, gravou ‘Laura’ e ‘How High the Moon’. Em 1946, gravou pela primeira vez na França. Em 1947 e 1948 viveu em Barcelona. Byas estava no auge de sua forma ao longo destes anos e se tornou uma figura conhecida não só em Paris, mas também na Riviera. O tenor gravava regularmente e tinha muitos amigos. Eles o adoravam, não só pelo seu talento musical, mas também pelas suas habilidades na mesa de bilhar; como desportista da pesca e do mergulho; e como chef de cozinha especialista em comida crioula. Byas finalmente se mudou para Holanda e se casou com uma nativa. E trabalhou extensivamente na Europa, muitas vezes com músicos em turnês tais como Art Blakey, Duke Ellington, Gillespie, Bud Powell e Ben Webster. E também gravou fado com a cantora portuguesa Amália Rodrigues. Byas não retornou aos EUA até 1970, quando se apresentou no Festival de Jazz de Newport. Don Byas morreu em Amsterdam de câncer no pulmão, aos 59 anos.

Baixo – Joe Benjamin (faixas: 7 to 13), Lucien Simoens (faixas: 1 to 6)

Bateria – Armand Molinetti (faixas: 1 to 6), Bill Clark (faixas: 7 to 13)

Guitarra – Jean-Jacques Tilché (faixas: 1 to 6)

Piano – Art Simmons (faixas: 7 to 13), Jack Diéval (faixas: 1 to 6)

Sax. Tenor – Don Byas


Gravado em 12 de junho de 1947 no estúdio Technisonor, Paris (1-6)

Gravado em 1952 no estúdio Pathé-Pelouze, Paris: 26 de março (7-10), 

10 de abril (11-13)


Boa audição - Namastê

terça-feira, 20 de setembro de 2022

# 077 - Le Dernier Message De - Lester Young (1959)

Artista: Lester Young

Álbum: Jazz in Paris 077

Lançamento: 2001

Selo: Gitanes Jazz Produção

Gênero: Bop



 Lester Young foi um músico cujo estilo inovador no saxofone teve uma grande influência sobre outros grandes nomes do instrumento. Ele era particularmente conhecido por seu trabalho com a banda de Count Basie nos anos 30 e 40 e nas gravações com a vocalista Billie Holiday a quem apelidou de ‘Lady Day’ e esta, por sua vez, o apelidou de ‘presidente’, mais tarde encurtado para ‘pres’ ou ‘prez’. Com olhos verdes e cabelos avermelhados, vestia ternos trespassados e chamativos e chapéu estilo ‘pork pie’, sua outra marca, que foram copiados por várias gerações de músicos do jazz. O estilo exuberante de Young incluía a maneira de tocar o saxofone em ângulos estranhos. Com o seu saxofone para cima em um ângulo de 45 graus, a presença de Young no palco era impressionante. Suas frases, tanto em palavras quanto na música, tornaram-se lendárias entre outros músicos. Lester Young e seu contemporâneo Coleman Hawkins são frequentemente listados como as torres gêmeas do saxofone do jazz moderno. Um dos gigantes do jazz, Lester ao invés de adotar a abordagem então dominante de Coleman Hawkins veio com uma concepção completamente diferente. Um não-conformista que foi importante para o desenvolvimento progressivo do cool jazz, que surgiu no final de 1940. Certa vez, Young observou que seu estilo era muito parecido com o cantar de Billie Holiday. Na autobiografia de Billie, ‘Lady Sings the Blues’, Lester é citado como tendo dito que ao ouvir os discos de Billie em duetos com ele teve a impressão de que o saxofone e a voz de Billie soavam como uma única voz, e se prestasse mais atenção era como se fossem uma só pessoa. A verdade é que ele amava Billie Holiday. Se o quente do jazz foi definido por Louis Armstrong em 1920, o lado lírico do jazz encontrou seus expoentes perfeitos em Billie Holiday e Lester Young durante os anos 30 e 40. Suas colaborações revelaram um lado diferente na arte do jazz. A emoção, a simplicidade e a força de expressão que somente são conseguidos através da sensibiidade. Como se para esta música sensível de Billie e Lester fosse necessário algum tipo de magnestismo, atração mútua para tornar isso possível. Ou simplesmente um romance musical. ‘All of Me’, a minha predileta, revela tudo isso. Lester Young gravou para o selo ‘Aladdin’ entre 1945 e 1947, liderando uma série de pequenos grupos que variavam de quintetos para sextetos. E a formação dos grupos poderia ser simplesmente casual e incluíam fiéis da era swing ou boppers dedicados. Parece que isso pouco importava para Lester Young. Seu som era uma das maravilhas do jazz, e não apenas por sua transparência, mas por sua suavidade. Além das sessões de ‘Aladdin’, este dois CDs incluem músicas com o trio de 1942 que tinha Nat ‘King’ Cole no piano e Red Callendar no baixo. O solo de Young em ‘Indiana’ é uma das maravilhas do swing. Há também uma sessão de 1945 com a cantora Helen Humes com a participação fantástica do trompetista Snooky Young e o saxofonista Willie Smith, bem como Lester Young.

Tenor Saxofone – Lester Young

Piano - René Urtreger

Guitarra - Jimmy Gourley

Contrabaixo - Jamil Nasser

Bateria - Kenny Clarke


Gravado em 1959 At The Studio Hoche, Paris.

Boa audição - Namastê

sábado, 17 de setembro de 2022

# 076 - Dance A Saint-Germain-des-Pres (1958-1961)

Artista: Michel De Villers & Claude Bolling Et Son Orchestre

Álbum: Jazz in Paris 076

Lançamento: 2001

Selo: Gitanes Jazz Produção

Gênero: Easy Listening, Big Band, Swing


Embora as big bands, como são chamadas as orquestras de jazz, sejam normalmente associadas a uma era ligeiramente posterior, havia várias dessas orquestras tocando durante os anos 20 e o começo dos 30, entre elas a de Fletcher Henderson. Bix Beiderbecke foi um solista de corneta que tocava com várias bandas e era considerado uma legenda em sua época. Os meados dos anos 30 trouxeram a Era do Swing e o surgimento das big bands como a música popular do momento. Glenn Miller, Benny Goodman, Tommy Dorsey, Artie Shaw, Duke Ellington e Count Basie regeram algumas das orquestras mais conhecidas. Houve também algumas importantes gravações de pequenos grupos de swing durante os anos 30 e 40. Essas diferiam dos pequenos grupos anteriores porque faziam muito pouca improvisação coletiva. A música enfatizava o solista individual. Goodman, Ellington e Basie gravaram com frequência nesses arranjos de pequenos grupos. Entre os importantes saxofonistas dessa era estão Johnny Hodges, Paul Gonsalves, Lester Young, Coleman Hawkins e Ben Webster. Entre os trompetistas estão Roy Eldridge, Harry “Sweets” Edison, Cootie Williams e Charlie Shavers. Entre os pianistas, temos Ellington, Basie, Teddy Wilson, Erroll Garner e Oscar Peterson; no violão, Charlie Christian, Herb Ellis, Barney Kessell e Django Reinhardt; no vibrafone, Lionel Hampton; entre os principais baixistas estão Jimmy Blanton, Walter Page e Slam Stewart; bateristas, Jo Jones e Sam Woodyard. Billie Holiday, Dinah Washington e Ella Fitzgerald foram importantes cantoras dessa era. A maioria desses músicos gravava em pequenos grupos, bem como com grandes orquestras de jazz. Os estilos desses músicos pode ser melhor resumido dizendo-se que eles se concentraram basicamente em tocar melodicamente, no molejo do suingue, e no desenvolvimento da sonoridade individual. O blues foi, como em muitos outros estilos, um importante elemento dessa música.

Alto Saxofone – Claude Civelli (faixas: 13 a 22) , Michel de Villers (faixas: 01 a 12)
Dirigido por [Tv Show] – Jean-Christophe Averty (faixas: 13 a 22)
Contrabaixo – Michel Gaudry (faixas: 13 a 22)
Bateria – Roger Paraboschi (faixas: 13 a 22)
Piano, Escrito por – Claude Bolling (faixas: 13 a 22)
Saxofone Tenor, Clarinete – Gérard Badini (faixas: 13 a 22)
Trombone – Claude Gousset (faixas: 13 a 22), Raymond Katarzynsky (faixas: 13 a 22)
Trompete – Ivan Jullien (faixas: 13 a 22), Vincent Casino (faixas: 13 a 22)

Gravado em 1958 (5-12), 1959 (1-4) e 1961 (13-22) em Paris.
Faixas 13-22: trilha sonora original do programa de TV "Spécial Show", dirigido por Jean-Christophe Averty.


 Boa audição - Namastê