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terça-feira, 3 de julho de 2018

CTI records: the cool revolution

A ‘CTI Records’ (Creed Taylor Incorporated) foi uma gravadora de jazz fundada em 1967 por Creed Taylor. Em 1970, o visionário produtor montou e desenvolveu uma lista histórica de artistas, apoiados por uma equipe criadora, chefiada pelo engenheiro de som Rudy Van Gelder. Inicialmente foi uma filial da ‘A&M Records’ e Don Sebesky, trombonista de jazz, foi o criador dos muitos arranjos para o rótulo, mais tarde se juntou a ele Bob James e, em seguida, em meados dos anos 70, David Matthews. Cada sessão contava com alguns dos melhores do jazz, o baixista Ron Carter, o guitarrista Eric Gale, organista Richard Tee e, nos primeiros anos, Herbie Hancock foi frequente ao piano. A ‘CTI Records’ trabalhou quase como uma companhia teatral, em que grandes músicos se revezavam no centro das atenções e acompanhavam uns aos outros. Os álbuns criados estabeleceram novos padrões e o sucesso imediato das gravações ecoou através das décadas, como uma profunda influência no jazz, pop, R&B e hip-hop. Suas produções para a ‘CTI Records’ ajudaram a estabelecer o ‘smooth jazz’ como um gênero musical comercialmente viável. O rótulo também se tornou conhecido pelas suas capas marcantes, algumas delas com imagens fotográficas de Pete Turner. Creed TaylorCreed Taylor já era importante na indústria da gravação a algum tempo. Ele tocou trompete antes de se tornar o chefe da ‘A&R Records’, em 1954, e durante dois anos registrou artistas como Carmen McRae e Charles Mingus entre outros. Em 1956, mudou para a ‘ABC-Paramount’, e em 1960 fundou a sua subsidiária ‘Impulse Records’. Apesar de ter assinado com John Coltrane para a gravadora, mudou para a ‘Verve Records’. Em 1970, na 'CTI Records' teve grande sucesso em equilibrar o artístico com o comercial. Entre os artistas que gravaram alguns de seus melhores trabalhos com Taylor durante este período foram Freddie Hubbard, Stanley Turrentine, George Benson e Hubert Laws. No entanto, as grandes gravadoras começaram a atrair os artistas de Taylor e embora ele fosse capaz de gravar com Chet Baker, Art Farmer e Yusef Lateef, problemas financeiros forçaram a gravadora à falência em 1978, que foi posteriormente adquirida pela Columbia. É lamentável que Creed Taylor tenha sido responsabilizado pelo fim da gravadora apesar da evidente traição de Hubbard, Turrentine, Benson e Laws cujos discos foram bastante inferiores nos outros rótulos às joias gravadas para a CTI. Depois de anos fora da cena, Taylor fundou uma nova CTI na década de 1990, que não conseguiu estabelecer a sua própria identidade como a antecessora. Fonte: Pintando Musica.
Boa leitura - Namastê

quarta-feira, 8 de julho de 2009

1970 - Live at the Fillmore East - Miles Davis

“Entre 1969 e 1970, acrescentei um percussionista brasileiro do Brooklyn chamado Airto Moreira. Airto estava nos Estados Unidos há alguns anos e tocara no conjunto de Cannonball Adderley com Joe Zawinul. Acho que foi Cannonball ou Joe que o indicaram (esqueci como encontrei Steve). Era um grande percussionista e passei a ter percussionistas no conjunto desde então. Ele me mostrou o que seu talento e som podiam fazer pro som de meu conjunto. Quando se juntou a nós tocava alto demais e não ouvia o que acontecia com a música. Mandei que parasse de bater e tocar tão alto e ouvisse um pouco mais. Aí durante algum tempo ele não tocou nada e tive de mandar que tocasse mais um pouco. Acho que ele tinha medo de mim e quando mandei que não tocasse tanto simplesmente o deixei confuso. Mas então ele passou a ouvir mais e quando voltou a tocar, tocava na hora certa. Durante essa época e nos cinco anos seguintes usei muitos músicos diferentes em meus discos (e também no grupo permanente) porque vivia buscando as melhores combinações. Usava tanta gente diferente que comecei a perder a pista de todos eles, mas tinha um grupo básico de músicos: Wayne Shorter (mesmo depois que ele saiu) e Gary Bartz, Steve Grossman, Airto Moreira, Mtume Heath, Bennie Maupin, John McLaughlin, Sonny Sharrock, Chick Corea, Herbie Hancock, Keith Jarrett, Larry Young e Joe Zawinul nos pianos e teclados elétricos; Harvey Brooks, Dave Holland, Ron Carter e Michael Henderson nos baixos; Billy Cobham e Jack DeJohnette na bateria; e três indianos – Khalil Balakrishna, Bihari Sharma e Badal Roy. E depois outros, como Sonny Fortune, Carlos Garnett, Lonnie Liston Smith, Al Foster, Billy Hart, Harold Williams, Cedric Lawson, Reggie Lucas, Pete Cosey, Cornell Dupree, Bernard Purdee, Dave Liebman, John Stobblefield, Azar Lawrence e Dominique Gaumont. Usei todos esses músicos em todos os tipos de combinações, uns mais que outros alguns uma vez só. Depois de algum tempo eles ficaram conhecidos no meio musical como “O Estoque de Músicos da Empresa Miles”. O som de minha música mudava tão rápido quanto eu mudava de músicos, mas eu ainda buscava a combinação que me desse o som que eu queria. Jack DeJohnette me proporcionava um certo clima profundo no qual eu adorava tocar, mas Billy Cobham me dava um som mais pro rock. Dave Holland tocava o baixo acústico e eu podia seguir atrás de um modo que não podia quando Harvey Brooks introduzia o som de seu baixo elétrico. O mesmo acontecia com Chick, Herbie, Joe, Keith e Larry. Eu via tudo isso como um processo de gravar toda aquela música, de registrá-la á medida que ela fluía de minha cabeça. Em 1970, me pediram que tocasse no espetáculo televisado de entrega dos Prêmios Grammy. Quando acabei o mestre-de-cerimônias Merv Griffin, correu pra mim agarrou meu braço e se pôs a falar aquela besteirada toda. Cara foi um vexame. Empurrei o babaca ali mesmo na frente da televisão ao vivo. O cara correu pra mim dizendo aquelas idiotices que dizem os apresentadores de televisão por não terem nada mais pra dizer e não saberem – ou não ligarem pra – o que estão fazendo. Falam apenas pra encher lingüiça. Eu não gosto dessa merda, e portanto depois disso não fui a muitos programas de entrevistas a não ser os de Johnny Carson, Dick Cavett e Steve Allen. Steve era o único dos três que sabia um pouco o que eu fazia. Pelo menos tentava tocar piano e fazia perguntas inteligentes. Johnny Carson e Dick Cavett não me mostraram nenhuma compreensão do que eu tentava fazer; eram caras legais, mas pareciam não saber nada de música. A maioria desses apresentadores de televisão apenas tentava se comunicar com alguns brancos cansados e velhos de algum lugar do qual ninguém ouvira falar. Minha música era demais pra eles, porque tinham os ouvidos acostumados a Lawrence Welk. Esses programas de entrevistas só punham um negro na televisão naquele tempo se ele sorrisse, bancasse o palhaço, como Louis Armstrong. Isso eles curtiam. Eu adorava o trompete de Louis, cara, mas odiava aquele seu jeito de sorrir pra ficar bem com alguns brancos cansados. Cara, eu odiava quando o via fazendo isso, porque ele era quente, tinha consciência negra era um homem realmente decente. Mas a única imagem que as pessoas têm dele é aquela sorridente da tv. Imaginei que se eu fosse a esses programas, teria de dizer aos sacanas que eles eram patéticos demais e sei que eles não iam querer isso. Portanto, na maioria das vezes eu simplesmente não ia. Depois de algum tempo até mesmo o programa de Steve Allen se tornou branco e idiota demais pra mim. Eu só ia ao programa porque Steve é um ser humano decente. E eu o conhecia há muito tempo. Mas ele queria me pagar apenas a tabela do sindicato pra eu tocar. Depois de algum tempo, deixei definitivamente de ir a qualquer desses programas e a Columbia acabou se irritando porque os via como um meio de vender mais discos. Logo após o funeral de Jimi Hendrix (setembro de 1970), Chick Corea e Dave Holland deixaram o conjunto e eu trouxe Michael Henderson pro baixo. Michael vinha tocando com a orquestra de Stevie Wonder e com Aretha Franklin. Conhecia as figuras do baixo que eu queria e fiquei muito feliz por tê-lo no grupo. Mas antes dele vir permanentemente, Miroslav Vitous fez umas duas apresentações como substituto de Dave. E então Gary Bartz substituiu Steve Grossman e eu me vi com um conjunto inteiramente novo. Eu abandonava os solos no som do grupo, passava mais pra coisa de conjunto como os grupos de rock e funk. Queria John McLaughlin na guitarra mas ele gostava do que estava fazendo no conjunto Lifetime, de Tony Williams. Consegui que tocasse conosco na Cellar Door, em Washington, numa apresentação que fizemos lá posteriormente naquele mesmo ano. As fitas que fizemos nessa ocasião foram mixadas no disco Live-Evil. A essa altura eu usava o tempo todo o wah wah no trompete pra chegar mais perto daquela voz que Jimi fazia quando usava o wah wah na guitarra. Sempre tocara o trompete como guitarra e o wah wah aproximava mais o som. Em 1971 fui escolhido o Homem de Jazz do Ano pela revista Down Beat e meu conjunto foi eleito o melhor do ano. Também me elegeram melhor trompetista. Não dou muito valor a essas coisas, embora saiba o que elas significam pra carreira de alguém. Não me entenda mal; estou feliz por ter ganho esses prêmios mas não é uma coisa que eu curta de fato. Airto Moreira saiu no início de 1971 e consegui o filho de Jimi Heath, Mtume, pra substituí-lo na percussão. Ficamos sem gravar por algum tempo porque é preciso deixar o conjunto se acostumar a tocar junto pra gravar alguma coisa. Caímos na estrada pra tentar nos entrosar. Mtume era maluco por história e eu o conhecia através de seu pai por isso conversávamos muito. Eu lhe contava velhas histórias e ele me contava coisas que tinham acontecido na história africana porque realmente curtia isso. Além do mais era insone como eu. Assim eu podia ligar pra ele às quatro da manhã, porque sabia que estaria acordado. Jack DeJohnette deixou o grupo no fim de 1971, mais ou menos na mesma época que Keith Jarrett. Eu queria que o baterista tocasse certos ritmos funk, um papel exatamente igual ao de todos no conjunto. Não queria que o conjunto tocasse livre o tempo todo, porque em minha cabeça me aproximava mais do funk. Ora, Jack tocava pra caralho como base, sabia realmente fazer isso, mas também queria fazer outras coisas, tocar um pouco mais livre, ser um líder, fazer tudo à sua maneira e por isso saiu. Experimentei Leon NduguChancler (que mais tarde tocou em discos de Michael Jackson e Stevie Wonder, na década de 80). Chancler foi pra Europa comigo no verão de 1971, mas não deu certo e quando voltei, Jack DeJohnette retornou pra algumas apresentações. O mesmo aconteceu com Billy Hart. Mas depois que Gary Bartz, Keith e Jack saíram, fui buscar meus músicos em grupos de funk, e não de jazz, porque era pra esse lado que estava indo. Esses caras foram os últimos de jazz puro que tive em meus conjuntos, até hoje.”
Miles - Autobiografia, pps 273 a 275, 279 a 281.
Reduzido a 07 integrantes de 11 musicos de excelente qualidade, Miles realizou quatro shows no Fillmore East de NYC, entre os dias 17 a 20 de junho de 1970. O produtor Teo Macero resolveu adicionar sua criatividade ao disco perfazendo colagens ao trabalho, recortando diversos temas apresentados durante a cada noite e montando uma única e longa faixa. O termo “ao vivo” fica no show de Miles, perfazendo uma coletâneas, nomeadas originalmente com o dia da semana em que foi realizado. Resultado é surprieendente ja que Teo era mestre na arte, mostra um grupo mais agressivo do que em Bitches Brew e tedencias bastante destinado ao fusion. Produzido por Têo Macero para a Columbia

Faixas:
Disco I
Wednesday Miles
01 - Directions
02 - Bitches Brew
03 - The Mask
04 - It’s About That Time
05 - Bitches Brew/The Theme

Thursday Miles
06 - Directions
07 - The Mask
08 - It’s About That Time

Disco II
Friday Miles
01 - It’s About That Time
02 - I Fall in Love Too Easily
03 - Sanctuary
04 - Bitches Brew/The Theme

Saturday Miles
05 - It’s About That Time
06 - I Fall in Love Too Easily
07 - Sanctuary
08 - Bitches Brew
09 - Willie Nelson/The Theme

Musicos:
Miles Davis - Trompete
Steve Grossman - Sax. Soprano
Chick Corea - Piano Eletrico
Keith Jarrett - Orgão Eletrico
Dave Holland - Baixo Acústico & Baixo Eletrico
Jack DeJohnette - Bateria
Airto Moreira - Percurssão & Cuica


Download Here - Click Aqui Part I

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Boa audição - Namastê.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

1970 - Tristeza on Piano - Oscar Peterson Trio

Oscar Emmanuel Peterson (Montreal, 15 de agosto de 1925 - 23 de dezembro de 2007). Pianista canadense, foi considerado por muitos críticos como um dos maiores pianistas de jazz de todos os tempos. Com cinco anos de idade começou a estudar trompete e piano com seu pai na idade, onde depois por motivos de doença (tuberculose) dedicou ao piano com maestria ate o fim de sua vida. Em 1944 participa da Johnny Holmes Orchestra, aprendendo composição e arranjo onde três anos mais tarde montou seu primeiro trio com Bert Brown e Frank Gariepy, apresentando em concertos semanais na Alberta Lounge, quando Norman Granz o descobriu levando para tocar no Carnegie Hall. Fundou em 1952 um novo trio com o guitarrista Barney Kessel e baixista Ray Brown, substituido por Herb Ellis um ano mais tarde. Meiado dos anos 50 fez apresentações e concertos com grandes nomes do jazz como: Ella Fitzgerald, Billie Holiday, Carmen McRae, Louis Armstrong, Lester Young, Count Basie, Charlie Parker, Quincy Jones, Stan Getz, Coleman Hawkins, Dizzy Gillespie, Roy Eldridge, Clark Terry, Freddie Hubbard e com o Modern Jazz Quartet. Nos anos 70 Ray Brown sai do trio e sendo substituido pelo baixista dinamarquês Niels-Henning Orsted Pedersen. Peterson sofreu um derrame em 1993 deixando paralisado o lado esquerdo por dois anos, recuperando tempo depois e tocando de modo limitado. Em 1997 ganhou um Grammy pela sua obra e foi premiado pela International Jazz Hall of Fame. Grava o DVD "A Night in Vienna" em 2003, pelo selo Verve. Apesar de ter perdido um pouco seu charme, Oscar Peterson continua fazendo apresentações nos Estados Unidos e Europa durante um mês por ano, com intervalos de alguns dias para descanso entre uma apresentação e outra. Apresenta acompanhado de Ulf Wakenius (guitarra), David Young (contrabaixo) e Alvin Queens (percussão). Cancelou sua apresentação no Toronto Jazz Festival 2007 e compareceu no dia 8 de junho a um espetáculo em tributo a ele no Carnegie Hall. Uma das grandes lendas do piano no jazz, morreu em 23 de dezembro de 2007, de insuficiência renal, com idade de 82 anos. "Tristeza on Piano" traz Oscar com parceiros de longa carreira com Sam Bass e Bobbycom Sam Bass e Bobby Brown Durham. Gravado em 1970 por Hans-Georg Brunner Schwer. Este álbum é de uma época onde Peterson fez realmente bons álbuns, embora este talvez não seja tão essencial devido a sonoridae um pouco além do esperado do genio. Produzido por: H.G. Brunner-Schwer - New York, pelo selo Verve Records.


01. Tristeza
02. Nightingale
03. Porgy
04. Triste
05. You Stepped Out Of A Dream
06. Watch What Happens
07. Down Here On The Ground
08. Fly Me To The Moon

Musicos:
Oscar Peterson - Piano
Sam Jones - Baixo Acustico
Bobby Brown Durham. - Bateria

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Boa audição - Namastê.

domingo, 29 de junho de 2008

1970 - Live Evil - Miles Davis

Hermeto Pascoal morou alguns anos nos Estados Unidos, a convite de amigo de percussão Airto Moreira – várias vezes considerado o melhor do mundo, abandonou o Quarteto Novo em 1969, indo para a terra do Tio Sam e encerrando a trajetória do grupo. Em Nova York, 1971, Hermeto apresentou-se para uma seleta platéia que incluía Miles Davis, Wayne Shorter e Gil Evans, impressionando a todos, tanto que Miles o convidou a participar do álbum Live-Evil. O trabalho traz duas composições de Hermeto (Capelinha - Little Church) e Nem um Talvez. (nota canina: são três composições, com Selim; e nenhuma foi creditada.) Ele conta que, enquanto não estavam tocando, costumava lutar boxe com o trompetista. Mas como exatamente Miles Davis e Hermeto Pascoal se conheceram? Conta Hermeto, numa entrevista recente: “Eu fui ver um show dele, levado por um tradutor. Antes do show começar, vi aquele crioulão - apesar de ele não ser muito alto, mas sempre bem vestido, gostava muito de couro, impressionava - se quando aproximava. Chegou pertinho de mim e sussurou com aquela voz rouca no meu ouvido. Não o reconheci e achei que era um cara me passando uma cantada. Como não falava inglês, o tradutor que estava do meu lado me disse que era o Miles e que ele queria saber quem eu era. O tradutor respondeu ao Miles e marcamos de nos conhecermos depois. Mostrei a ele umas 12 músicas, que eram bem diferentes de tudo aquilo que ele fazia. Disse que queria colocar algumas no disco dele e eu me senti à vontade para brincar e dizer que eu veria quantas músicas deixaria ele colocar no disco dele. Aí o Miles continuou a brincadeira dizendo: “Esse albino é mais louco que eu”. Tínhamos mais um CD engatilhado, mas ninguém imaginou que ele fosse morrer tão cedo.”
(…) Diz ele, sobre o que acha de Miles, hoje: “Um eterno gênio. Digo isso pela sua essência, pela sua contribuição. Claro que ele teve seus erros. Tivemos um amizade espiritual, maravilhosa. Deus me deu um presente ao conhecer o Miles. Acredito que nada acontece por acaso. Ele era um sujeito que não gostava de passar as mãos nas costas. Se ele não gostava de você logo dizia “vamos interromper nossa conversa por aqui” e era isso, direto.”
Diz a lenda que Miles jamais despediu um músico (um item para desmentir que Coltrane forá demetido) ; eles simplesmente sabiam a hora de sair. As formações em constante mutação, como vocês podem ver abaixo junto ao nome das músicas, são recorrentes - e com vantagem para o ouvinte. Miles, se não era um excelente gestor de Recursos Humanos, tinha um olho inigualável para talentos e para ajustar as melhores formações. Nestes registros, temos só craques. Meio estúdio (duas sessões em fevereiro, uma em junho, 1970), meio ao vivo (faixas 1, 4, 7 e 8 gravadas em 19 de dezembro daquele ano), é sucessor de Bitches Brew; se o som segue o fusion iniciado na obra-prima anterior, aqui ele vem ainda mais miscigenado - cheio de funk e grooves, além do rock. Diz-se que é um disco para iniciados; eu o considero um grande iniciador ao fusion, também. Esperem destreza técnica, trumpete com filtros (notadamente um wah-wah) e muita eletricidade - sendo as composições de Hermeto os interlúdios leves. Suas participações nas músicas (e também nas de Airto Moreira) descrevem-se sozinhas, e provocam sorrisos no ouvinte. Produzido por Teo Macero para a Columbia
Dica:Pra quem deseja se aprofundar na literatura do jazz com boa informação, curiosidades e dicas o ideal é: O Jazz - do rag ao rock (Joachim E. Berendt - Ed. Perpectiva). Leitura obrigatoria para os neofitos. Recomendo.

Tracks:
1. Sivad (Miles Davis)
2. Little Church (Hermeto Pascoal)
3. Medley: Gemini/Double Image (Miles Davis/Joe Zawinul)
4. What I Say (Miles Davis)
5. Nem Um Talvez (Miles Davis)
6. Selim (Miles Davis)
7. Funky Tonk (Miles Davis)
8. Inamorata and Narration by Conrad Roberts (Miles Davis)

Pessoal:
Miles Davis - Trompete
Gary Bartz - Sax. Soprano e Alto nas faixas 1, 4, 7, 8
John McLaughlin - Guitarra nas faixas 4, 7, 8
Keith Jarrett - Piano e Orgão na faixas 1, 2, 4, 8
Michael Henderson - Guitara Base nas faixas 1, 4, 7, 8
Jack DeJohnette - Bateria
Airto Moreira - Percursão
Steve Grossman - Sax. Soprano nas faixas 2, 5, 6
Chick Corea - Piano nas faixas 2, 3, 5, 6
Herbie Hancock - Piano nas faixas 2, 5, 6
Dave Holland - Guitarra bas e Contabaixo nas faixas 2, 3
Hermeto Pascoal - Percussão, Piano e Vocais nas faixas 2, 5, 6
Wayne Shorter - Sax. Soprano na faixa 3
Joe Zawinul - Piano na faixa 3
Khalil Balakrishna - Citarra Eletrica na faixa 3
Billy Cobham - Bateria na faixa 3
Ron Carter - Contabaixo nas faixas 5, 6
Download - Here Part. I
Download - Here Part. II
Boa audição - Namastê