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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Boxset: La Grande Histoire Du Jazz, do Ragtime ao Swing 1898-1952 (25CDs)


Lançamento: 2009
Selo: Le Chant du Monde 
Gênero: Swing, Ragtime, Big Band, Early Jazz, New Orleans Jazz, Dixieland, Harlem Stride Piano, Gipsy Jazz (Jazz Manouche), Negro Spirituals/Gospel.


O epílogo transcendente: O Jazz como patrimônio da humanidade no vigésimo volume da coleção "La Grande Histoire du Jazz" não é apenas o encerramento físico de uma caixa monumental; é o testemunho da perenidade. Se o CD 19 foi o exercício de reconciliação com a tradição, o CD 20 funciona como uma declaração de princípios: o jazz, como forma de arte, transcendeu o seu tempo e lugar de nascimento para se tornar um patrimônio universal. Este volume encapsula a elegância da maturidade, onde o músico já não luta contra a história, mas a habita, fluindo com naturalidade entre o ancestral e o contemporâneo. O pano de fundo deste encerramento é a estabilidade da mestria. A estética é a da clareza e da economia absoluta. Aqui, não há mais a necessidade de provar que a música é "moderna" ou "revolucionária"; a música simplesmente é. O contraste estético é a resolução das tensões que acompanharam os 19 volumes anteriores: a urgência dá lugar à fluidez, o choque dá lugar à sabedoria. Culturalmente, o jazz aqui atinge o status de música clássica do século XX, despojado das exigências do mercado e consagrado como uma forma de expressão essencial. A técnica, neste volume final, atinge um grau de transparência e eficiência na "fluidez" do discurso da improvisação, anteriormente um ato de bravura ou uma exploração abstrata, torna-se aqui um ato de narrativa pura. As frases musicais são construídas com uma lógica interna tão robusta que parecem ter sido compostas no momento, sem o esforço da busca. A integração de texturas do uso magistral de timbres que, ao longo dos volumes, foram se acumulando: o brilho dos metais, a profundidade do contrabaixo acústico, a textura percussiva do piano. Tudo é integrado de forma orgânica, como se o grupo fosse uma única mente operando múltiplos instrumentos. O "tempo" como amigom diferente da velocidade frenética do Bebop ou da angústia da abstração total, aqui o músico domina o tempo. Ele pode "atrasar" a entrada, sustentar uma nota até o limite da exaustão ou acelerar sem perder a precisão, tratando o pulso rítmico como um parceiro de dança e não como um carcereiro. A síntese final neste volume é que percebemos a síntese de todas as eras: o Blues está presente na inflexão das notas, o Swing na cadência, o Bebop na agilidade harmônica, e o Cool no controle emocional. O registro do "fechamento" funciona como uma câmara de eco da coleção. Ao ouvi-lo, o ouvinte experiente consegue identificar referências sutis a quase todos os solistas que passaram pelos volumes anteriores, tornando o disco uma espécie de "reunião espectral" de todos os mestres documentados. A engenharia do silêncio na qualidade da gravação neste volume final é um contraste poético com as faixas de 1898. O silêncio — o espaço entre as notas — é captado com uma pureza que permite ao ouvinte sentir o "ar" da sala, trazendo uma intimidade que encerra a série com um convite à reflexão profunda. O Legado das "escolas": É interessante observar como, nesta fase final, as barreiras geográficas — a velha Nova York contra a Costa Oeste — finalmente desaparecem. O que resta é uma "Escola do Jazz" universal, um vocabulário que músicos de qualquer parte do mundo podem utilizar para expressar sua própria verdade. O CD20 é o volume da consagração. Documentalmente, ele é a prova definitiva de que o Jazz não "terminou" com o fim do recorte histórico de 1952, mas que ele alcançou, naquele momento, um patamar de perfeição que permite à música ser ouvida em qualquer tempo futuro. Para o ouvinte, este volume é a conclusão ideal: ele oferece a paz do conhecimento de que tudo o que foi ouvido era necessário, e que o Jazz, ao se tornar um monumento à criatividade humana, cumpriu seu destino de ser a trilha sonora da liberdade. Se este volume encerra nossa jornada pelo tempo, como descrever, em uma última reflexão, a "alma" do Jazz — aquela centelha que o manteve vivo através de tantos anos de mudança e que, esperamos, continuará a brilhar em qualquer música que ainda esteja por vir?

Boa audição - Namastê

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Nat King Cole – 20 Golden Greats


Lançamento: 1978/2004
Selo: Capitol Records, Inc./EMI-Bovema
Gênero: Soul, Big Band, Swing


A coletânea "20 Golden Greats" destaca gravações feitas por Nat King Cole para a Capitol Records no final dos anos 50 e início dos anos 60. Com foco em sua sequência de baladas românticas que chegaram ao topo das paradas, essas faixas foram relançadas inúmeras vezes ao longo dos anos, então não há nada aqui que o colecionador já não possua em abundância. Ainda assim, é inegável a combinação de arranjos de cordas exuberantes e a voz suave de Cole em clássicos atemporais como "Nature Boy", "Mona Lisa", "Unforgettable", "Ramblin' Rose", "Too Young" e "Smile". Apesar da embalagem sem graça, "20 Golden Greats" é uma coletânea sólida, perfeita para o ouvinte casual. Para os amantes sincopados, a coletânea 20 Golden Greats (lançada originalmente pela Capitol Records em 1978) é muito mais do que um compêndio de sucessos comerciais; é um documento histórico que mapeia a genialidade de uma das figuras mais revolucionárias do jazz moderno. Antes de se tornar o maior cantor de baladas da América, Nathaniel Adams Coles foi um pianista de bebop e swing de primeiríssima linha, cuja técnica influenciou diretamente nomes como Oscar Peterson e Bill Evans. Sob os ouvidos atentos dos devotos do ritmo, este álbum equilibra perfeitamente a transição onde o fraseado percussivo do piano dá espaço à emissão vocal impecável, tudo amarrado por arranjos orquestrais de tirar o fôlego. A curadoria deste álbum reúne duas décadas de evolução técnica nos estúdios da Costa Oeste americana, cobrindo o período áureo de 1943 a 1962. A evolução da engenharia de som salta aos olhos do ouvinte analítico: passamos dos registros em matrizes de laca e fitas mono magnéticas dos anos 40 até a exuberância do som estéreo High-Fidelity de três canais nos anos 60. A grande maioria das faixas que compõem esta antologia foi gerada no coração de Hollywood. É aqui que o famoso "Som da Capitol" foi forjado, caracterizado por salas de gravação projetadas com câmaras de eco acústico subterrâneas exclusivas, que conferiam à voz e ao piano de Cole uma textura tridimensional inimitável. As sessões fundamentais foram registradas majoritariamente nos estúdios Capitol Studios (localizados inicialmente na Melrose Avenue e, a partir de 1956, na icônica Capitol Tower na Vine Street, em Hollywood, Los Angeles, EUA). O arco temporal das gravações compreende sessões históricas como as de 30 de novembro de 1943 (marcando os primeiros registros do clássico King Cole Trio) até as grandes sessões orquestrais com arranjos de Nelson Riddle, Billy May e Gordon Jenkins, estendendo-se até meados de 1962. Para além do reduto californiano, a Capitol utilizou estúdios de ponta na Costa Leste para capturar momentos cruas de swing quando o trio estava em turnê. Essas faixas destacam-se por uma captação de microfone mais direta e íntima no piano de cauda de Nat. Sessões complementares realizadas nos estúdios de Nova York, incluindo o WMCA Air Studios (Nova York, EUA), entre 1946 e 1949. Nessas fitas, o arranjo sincopado do trio (piano, guitarra e contrabaixo, sem bateria) exibe uma precisão cirúrgica, onde cada acento no contratempo da guitarra de Oscar Moore desenha a moldura perfeita para os solos de Nat. Para o amante sincopado, o verdadeiro tesouro de 20 Golden Greats está nas entrelinhas rítmicas. Ao ouvir faixas como "Straighten Up and Fly Right" (1943) ou "Route 66" (1946), o que impressiona é a economia de notas de Nat King Cole ao piano combinada com um balanço impiedoso. Nat utilizava um ataque leve nos martelos, mas suas antecipações rítmicas e o uso de acentuações cruzadas no piano-trio estabeleceram o padrão para tudo o que veio depois no jazz de câmara. A transição para as grandes orquestras em faixas como "Nature Boy" (1948) e "Mona Lisa" (1950) revela uma engenhosidade rítmica oculta: mesmo sob densas camadas de cordas, Nat King Cole jamais se arrastava atrás da batida. Sua entrega vocal mantém o timing exato do jazzman; ele flutua sobre os arranjos com a mesma elasticidade que demonstrava em seus solos improvisados de piano. A remasterização dessas fitas permite aos puristas pescar o sutil arrastar de pés no estúdio, a respiração controlada de Nat e o estalo de unhas nas cordas do contrabaixo acústico de Johnny Miller. O desenho editorial de 20 Golden Greats é um triunfo porque não divide o artista de forma estanque. Ele não apresenta "Nat, o Pianista" contra "Nat, o Cantor". Em vez disso, a engenharia de fluxo do álbum costura os sucessos de forma que o ouvinte percebe como o fraseado do piano migrou organicamente para a voz de barítono de Cole. A síncopa está presente no sorriso vocal, nas pausas dramáticas e na elegância com que ele conduzia as transições harmônicas. Nat King Cole – 20 Golden Greats transcende o status de mero álbum de rádio. Ao documentar a trajetória cronológica e geográfica nos estúdios de Hollywood e Nova York de 1943 a 1962, esta antologia oferece aos devotos da música sincopada uma aula prática de sofisticação, precisão rítmica e textura acústica. É o registro definitivo de um gênio que transformou a complexidade do swing em pura poesia popular.
nel

Boa audição - Namastê

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Boxset: The Art Of The Piano, Trio, Quartet, Quintet And Beyond - VA (10xCDs)

Artista: Bill Evans Trio (1961) & Oscar Peterson (1953)
Lançamento: 2020.
Selo: The Intense Media/(Milestones of Jazz Legends)
Gênero: Bebop, Hard Bop, Cool Jazz

O Diálogo entre Bill Evans e Oscar Peterson - Crítica e Curatorial do CD1:
A coletânea The Art Of The Piano, Trio, Quartet, Quintet And Beyond (2020) configura-se como uma das mais ambiciosas compilações discográficas recentes, funcionando como uma verdadeira enciclopédia sonora do jazz instrumental. O primeiro volume (CD1) focado primordialmente nas dinâmicas de piano solo e nas formações clássicas de trio, destaca-se de forma arrebatadora ao colocar em perspectiva histórica e curatorial duas das maiores e mais influentes forças da história do instrumento: Bill Evans e Oscar Peterson. O resultado é um panorama profundo sobre a evolução estética do piano na era de ouro do jazz. As Performances: O Contraste entre a Alma e a Técnica: O grande triunfo técnico e artístico do CD1 reside na capacidade de contrapor duas abordagens pianísticas que, embora partam de premissas estéticas opostas, revelam-se profundamente complementares no desenvolvimento do jazz moderno: Bill Evans (O Poeta do Impressionismo): As performances de Evans selecionadas para este volume traduzem com precisão sua assinatura inconfundível. Evidencia-se o uso de harmonias sofisticadas diretamente inspiradas no impressionismo europeu de Debussy e Ravel, manifestadas através de um toque focado na introspecção e em um lirismo quase doloroso. Suas faixas mostram o piano como um espaço de confissão íntima. O ritmo, longe de ser meramente marcado, flutua em um sutil rubato, priorizando a coloração emocional e a condução primorosa das vozes internas. Oscar Peterson (O Incontrolável Prometeu do Swing): Em uma direção diametralmente oposta, Peterson surge como uma força percussiva e exuberante da natureza. Onde Evans busca a nuance silenciosa e o espaço, Peterson entrega um virtuosismo técnico monumental, sem jamais esvaziar a substância melódica. Suas performances no CD1 são repletas de um swing vigoroso, linhas de blues velozes com a mão direita e uma independência de mãos tão absoluta que faz o instrumento simular a densidade de uma orquestra inteira. Trata-se do ápice do domínio físico aliado à paixão. Curiosidades Históricas dos Bastidores: Embora o título geral da caixa sugira explorações de grandes conjuntos, o CD1 mantém um foco rigoroso na intimidade do piano e na reinvenção do formato de trio. A grande curiosidade curatorial reside em observar como ambos os músicos revolucionaram, de maneiras totalmente distintas, o conceito de trio de jazz. Enquanto Bill Evans transformou o seu conjunto em uma conversação democrática e polifônica de três vias (notadamente ao lado de Scott LaFaro e Paul Motian), Peterson estruturou seu trio como uma máquina rítmica impecavelmente azeitada, projetada para impulsionar seu piano monumental. Ademais, o alinhamento das faixas desconstrói um mito da crítica da época, que tentava rivalizar o estilo "cerebral" de Evans com o estilo "físico" de Peterson. Na realidade, ambos nutriam uma admiração mútua profunda. Peterson declarou publicamente que Evans era um dos pianistas mais originais e revolucionários que já vira, enquanto Evans sempre demonstrou reverência diante da maestria técnica insuperável de Oscar. O CD1 funciona, portanto, como uma celebração definitiva desse respeito mútuo velado. Nível de Escolha das Faixas: Uma Curadoria Cirúrgica: O nível de seleção das obras para o CD1 demonstra um rigor excepcional, distanciando-se do lugar-comum das coletâneas comerciais. Em vez de recorrer às gravações exaustivamente repetidas em estúdio — como as matrizes tradicionais de Waltz for Debby —, os curadores demonstraram sensibilidade ao pinçar momentos específicos que traduzem a verdadeira "Arte do Piano" em sua essência viva. O encadeamento e a transição entre as faixas operam com precisão milimétrica, alternando momentos de profunda meditação e exploration harmônica de acordes blocados (característicos de Evans) com explosões de pura vivacidade melódica baseadas no fraseado bebop (onde brilha o gênio de Peterson). Para estudantes de música, historiadores e entusiastas do jazz, essa seleção cuidadosa transforma o disco em uma autêntica masterclass sobre texturas, timbres e dinâmicas pianísticas. Veredito Curatorial: O CD1 de The Art Of The Piano... transcende a função de mero entretenimento e estabelece-se como um documento histórico indispensável. O volume captura o instrumento em sua dualidade máxima e mais bela: o piano como um gerador de poesia geométrica e conceitual por Bill Evans, e o piano como uma celebração percussiva, visceral e rítmica por Oscar Peterson. Uma peça fundamental para compreender os pilares que sustentam o jazz moderno


Boa audição - Namastê

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Boxset: The Art Of The Piano, Trio, Quartet, Quintet And Beyond - VA (10xCDs)


O box set "The Art Of The Piano, Trio, Quartet, Quintet And Beyond", produzido pelos grupos The Intense Media e Documents como parte da série de compilações "Milestones of a Jazz Legends", é um verdadeiro tesouro para os entusiastas da música, especialmente aqueles apaixonados por jazz e composições clássicas para piano. O que torna este box set excepcional é a sua extensa seleção de faixas que abrangem uma ampla gama de estilos e épocas da música para piano. Apresenta performances de vinte dos pianistas mais influentes da história, incluindo Bill Evans, Oscar Peterson, Duke Ellington e Bud Powell. Cada disco do conjunto foi cuidadosamente selecionado para destacar a evolução e a versatilidade da música para piano, desde trios intimistas a quintetos expansivos. Melodia, harmonia e ritmo – "The Art of the Piano" combina essas três qualidades elementares da música de forma maravilhosa e perfeita. Os vinte álbuns originais documentados neste box set comprovam que, nas mãos de um mestre, a música que esses mestres produzem ao piano pode e irá realizar verdadeira magia. Um dos principais motivos pelos quais este box set é indispensável para qualquer colecionador de música sério é o seu valor histórico e educativo. A coleção não só demonstra a maestria técnica dos artistas apresentados, como também oferece uma imersão profunda no desenvolvimento da música para piano ao longo das décadas. Por exemplo, os ouvintes podem apreciar a delicada interação do Bill Evans Trio, a energia vibrante das performances de Oscar Peterson e as composições inovadoras de Duke Ellington. Além disso, o box set proporciona uma oportunidade única de explorar faixas raras e pouco conhecidas, de difícil acesso em outros lugares. Isso o torna um recurso inestimável para aqueles que apreciam as nuances e sutilezas da música para piano. A inclusão de peças menos conhecidas ao lado de faixas icônicas garante uma experiência auditiva completa, que agrada tanto aos aficionados experientes quanto aos iniciantes. Além de sua importância musical, o box também é um testemunho do legado duradouro desses pianistas lendários. Ele serve como uma lembrança de suas contribuições para o mundo da música e de sua influência nas gerações subsequentes de músicos. Possuir esta coleção não se trata apenas de apreciar boa música; trata-se de preservar um pedaço da história da música e celebrar o talento artístico de alguns dos maiores pianistas de todos os tempos. A obra "The Art Of The Piano, Trio, Quartet, Quintet And Beyond" merece um lugar na biblioteca de todo amante da música.


Boa audição - Namastê


quarta-feira, 15 de abril de 2026

Bill Evans - Smile With Your Heart: The Best of Bill Evans on Resonance Records


Artista: Bill Evans
Lançamento: 2019
Selo: Resonance Records/HLP-9043
Gênero: Modern jazz, Cool Jazz

Quase quatro décadas após sua morte, o legado de Bill Evans continua vivo. Sua influência sobre os pianistas do futuro reside na utilização criativa de acordes em bloco, harmonia impressionista e desenvolvimento motívico. Após trabalhos impressionantes com Miles Davis (Kind Of Blue) e Art Farmer (Modern Art), Evans iniciou uma carreira solo que redefiniu o piano jazz. Seu catálogo mais prolífico foi em formato de trio. Ele habilmente delegava os acordes fundamentais ao baixista, permitindo-se maior flexibilidade na improvisação e na exploração melódica. Permaneceu dedicado ao jazz "estrito" e jamais abraçou os diversos movimentos de fusão ou outras fusões de gênero. Apesar de suas batalhas com demônios pessoais, a produção de Evans ao longo das décadas de 60 e 70 foi extraordinária. A Resonance Records, uma gravadora independente de jazz, fundada por George Klabin em 2005 e seu objetivo da gravadora era preservar a arte e o legado do jazz e promover novos talentos do gênero. Entre os artistas preservados estavam John Coltrane, Gene Harris, Scott LeFaro, Wes Montgomery e Bill Evans. A descoberta de gravações "perdidas" de grandes estrelas do jazz catapultou a Resonance para o estrelato no gênero. Houve quatro lançamentos de material de Bill Evans: Live At Art D'Lugoff's Top Of The Gate, Some Other Time: The Last Session From The Black Forest, Another Time: The Hilversum Concert e Evans In England. Com a colaboração dos herdeiros do pianista (um elemento essencial deste programa), Klabin e o co-produtor Zev Feldman reuniram uma seleção desses álbuns. Bill Evans – Smile With Your Heart certamente encantará a legião de fãs de Bill Evans, ou qualquer entusiasta do jazz. A faixa de abertura é uma versão acelerada em compasso 3/4 de "Someday My Prince Will Come", canção inspiradora foi apresentada pela primeira vez no filme da Disney de 1937, Branca de Neve e os Sete Anões. Ela agora está enraizada nos anais da história do jazz, com versões de Dave Brubeck, Miles Davis e Herbie Hancock, para citar alguns. Evans gravou essa composição no álbum de 1959, Portrait In Jazz. Esta versão é ao vivo e abraça a dinâmica de seu trio (Eddie Gomez/contrabaixo; Marty Morell/bateria). Evans desliza com a melodia, trazendo seu ritmo e fraseado precisos à tona. Os acordes e a notação no primeiro solo são hipnotizantes. Gomez traz uma urgência discreta ao seu solo. As viradas de bateria de Morell são eficazes. Evans consegue destilar o anseio intrínseco e esperançoso e traduzi-lo para o swing. Músicos de jazz frequentemente tocam uma canção popular menos conhecida e a apresentam a um novo público. Esse é o caso de “Yesterdays”. Oscar Peterson, Erroll Garner, Art Tatum e Bud Powell gravaram essa música. Bill Evans a incluiu em Further Conversations With Myself. Novamente, piano, contrabaixo e bateria se entrelaçam com maestria. Enquanto Gomez faz um solo, Evans e Morell respondem com uma elocução precisa. Evans executa uma passagem emocionante aos 2:40, que é ao mesmo tempo vigorosa e lírica. O ritmo geral do trio é impecável. Em uma mudança de ritmo, “Mother Of Earl” exala uma atmosfera lúdica e saltitante. Evans parece flutuar sobre as notas, injetando acordes atmosféricos enquanto Gomez responde. O final remete à fraseologia da música clássica e ao ritmo do jazz. “You're Gonna Hear From Me” faz parte da trilha sonora de André e Dory Previn para o filme cult de 1965, “Inside Daisy Clover”. A vibração de estalar os dedos é emoldurada por acordes e notas alegres que possuem um tom inspirador e pontuações ocasionais. Em “Baubles Bangles And Beads”, outra canção da Broadway, o fluxo perfeito de Evans em ritmo de valsa conduz a um solo característico, liricamente notado. Seus solos são medidos e tornam-se cada vez mais complexos. O floreio sincopado de Gomez adiciona outra textura. Quando uma ótima melodia se une a um grande músico, o resultado pode ser algo especial. O clássico perene de Rodgers/Hart, “My Funny Valentine”, tornou-se parte vital da história do jazz quando Chet Baker e Stan Getz o interpretaram em 1954. Esta ode à melancolia em dó menor é o veículo perfeito para a interpretação melódica de Evans. Sua sensibilidade etérea, ressonância comovente e floreios precisos são cativantes. Há mudanças de andamento, alterações de acordes e uma eloquência geral que envolvem a canção. “Nardis” é uma composição de Miles Davis que se tornou fortemente associada a Evans. Este exemplo clássico da modalidade jazzística do final dos anos 50 tem sido uma parte significativa do legado de gravações de Bill (múltiplas versões). Aqui, Evans apresenta riffs swingados e passa a palavra para Gomez, que executa seu solo com maestria. O trio retorna com ferocidade e o solo de Evans é cintilante. Jack DeJohnette é magnético em um extenso solo de quatro minutos. É um trio de jazz em sua melhor forma! “Very Early” (uma composição original) data de 1962, o início da história do trio de Evans. Após a introdução contemplativa, Evans transita para um swing com nuances de bebop, construindo a partir de uma transição em 3/4 que também encerra a música. Essas mudanças reflexivas são um componente de outra composição original, “Turn Out The Stars”. Evans transita com maestria entre o ritmo acelerado e a contemplação tranquila. O primeiro sucesso de Frank Sinatra com big band, “Polka Dots And Moonbeams”, já foi interpretado por diversos artistas de jazz, mas nenhum com as nuances sofisticadas de Evans. Esta apresentação ao vivo é um clássico. O ouvinte pode apreciar a expressividade e a leveza da interpretação de Evans em “Re; The Person I Know”. Além disso, a intensidade musical nunca diminui, com o baixo pulsante e a bateria constante impulsionando essa jam. É provável que “Waltz For Debbie” (inspirada em sua sobrinha) seja a obra mais marcante de Bill Evans em seu notável repertório. Os críticos consideram a canção o ápice da performance de Bill Evans com trio. É lúdica e organicamente propulsiva. Smile With Your Heart: The Best Of Bill Evans On Resonance é um álbum de jazz extremamente agradável e um testemunho de um artista lendário e de uma gravadora à altura de sua arte.

Boa audição - Namastê

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

VA - The Very Best Jazz Instrumentals

Artista: VA
Lançamento: 2015
Selo: Verve Records/Compilation 
Gênero: Cool Jazz, Bossa Jazz, Soul Jazz, Funk Jazz, Swing, Big Band, Standards 


O álbum funciona como uma curadoria definitiva da virtuosidade instrumental. Sem o uso de letras, a narrativa é conduzida puramente pela improvisação e pelo diálogo entre instrumentos icônicos como o saxofone, o trompete e o piano. É uma obra projetada tanto para o ouvinte atento quanto para quem busca uma atmosfera sofisticada de "easy listening". O destaques do repertório dessa seleção atravessa diferentes vertentes do Cool Jazz ao Swing e à Bossa Nova incluindo gigantes da música de "Hinos Eternos" que abre com clássicos absolutos como "Take Five" do Dave Brubeck Quartet e "So What" de Miles Davis, groove e ritmo energia de "Soul Bossa Nova" de Quincy Jones e o Hard Bop de "Moanin’" de Art Blakey trazem o balanço necessário à coletânea e grandes Orquestras e solistas trafendo nomes como Duke Ellington ("Take the 'A' Train"), Herbie Hancock ("Watermelon Man") e Stan Getz ("Desafinado") para garantem a diversidade técnica e cultural da obra.  A crítica e os ouvintes destacam que "cada faixa é uma vencedora", oferecendo uma mistura equilibrada de temas muito conhecidos e raridades relativas. As edições recentes, como a de 2023, apresentam áudio remasterizado, preservando a vitalidade das gravações originais em formatos de alta qualidade como o Vinil de 180g. Em suma, "The Very Best Jazz Instrumentals" é um mapa essencial para qualquer pessoa que deseje explorar o jazz sem a distração das palavras, focando apenas no sentimento e na técnica que definiram o século XX.


Boa audição - Namastê
 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Stan Getz - Stan Getz & Friends (1988)

Artista: Stan Getz
Lançamento: 1988
Selo: Verve Records
Gênero: Cool, Bop

"Compact Jazz: Getz & Friends" é uma coletânea (álbum de compilação) de jazz lançada em 1988 pela gravadora Verve Records. O álbum apresenta o saxofonista Stan Getz em colaborações com diversos outros músicos de renome, referidos como "Friends" (amigos). O CD inclui faixas gravadas com uma variedade de músicos notáveis, extraídas de sessões e álbuns originais produzidos por Norman Granz e Creed Taylor. Os colaboradores incluem: Dizzy Gillespie, Oscar Peterson. Bill Evans, Gerry Mulligan, Ella Fitzgerald, Chick Corea, Bob Brookmeyer, Gary Burton, entre outros em gravações que datam de 1953 a 1967, fazendo parte da série "Compact Jazz" da Verve, que compilava o melhor de seus artistas em formato de CD. 


Saxofone Tenor – Stan Getz
Saxofone Barítono – Gerry Mulligan
Contrabaixo – Ray Brown, Ron Carter, Bill Anthony, Gene Cherico, Leroy Vinnegar
Bateria – Max Roach, Grady Tate, Art Mardigan, Elvin Jones, Joe Hunt, Stan Levey, Shelly Manne, Connie Kay
Guitarra – Herb Ellis
Piano – Oscar Peterson, Chick Corea, Johnny Williams, Bill Evans, Lou Levy
Trompete – Dizzy Gillespie
Trompone - Bob Brookmeyer, JJ Johnson
Vibrafone – Gary Burton, Lionel Hampton
Voz – Ella Fitzgerald

Datas de gravação:

Faixa 01 - 09 de dezembro de 1953, Los Angeles;
Faixa 02 - 30 de março de 1967, Nova York
Faixa 03 - 08 de novembro de 1954, Shrine Auditorium, Los Angeles
Faixa 04 - 06 de maio de 1964, Nova York
Faixa 05 - 19 de agosto de 1964, Cafe Au GoGo
Faixa 06 - 10 de outubro de 1957, Los Angeles
Faixa 07 - 22 de outubro de 1957, Los Angeles
Faixa 08 - outubro de 1957, Los Angeles;
Faixa 09 - 01 de agosto de 1955, Los Angeles
Faixa 10 - 07 de outubro de 1957, Shrine Auditorium, Los Angeles.

Boa audição - Namastê


quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Boxser: Thelonious Monk - The Complete Riverside Recordings (CD15)


Lançamento: 1986 
Selo: Riverside Records 
Gênero: Bop


Esta coletânea abrangente mostra Monk em sua fase mais exploratória, mais lírica e, definitivamente, mais excêntrica. Lançada em 1986 pela Riverside Records, esta caixa com 15 CDs reúne tudo o que Monk gravou para a gravadora entre 1955 e 1961. Isso inclui álbuns completos, versões alternativas, ensaios, conversas de estúdio, gravações ao vivo e algumas preciosidades nunca antes lançadas. Imagine Brilliant Corners, Monk's Music, Thelonious Himself e nas sublimes sessões solo de Monk, cada uma repleta de surpresas. Há Coltrane, Rollins, Blakey, Pettiford, Max Roach e até mesmo a rara apresentação de Monk com orquestra completa no Town Hall (1959) incluída. Isso não era apenas documentação, era uma celebração. Inclusões raras, como falsos começos e múltiplas gravações de peças como "Crepuscule with Nellie", permitem vislumbrar o processo criativo de Monk. Ele não era do tipo que fazia tudo de uma vez; ele experimentava, remodelava e fazia o silêncio cantar mais alto do que a maioria ousaria. A masterização respeita o calor analógico das fitas originais, grande parte delas gravadas no Van Gelder Studio, em Hackensack, berço da realeza do jazz. Cada disco soa vivo, repleto de textura, nuances e espacialidade. Se você está se aventurando nas profundezas do jazz então este é um guia. Monk não apenas quebrou as regras. Ele as reescreveu. E Riverside captou cada reviravolta. 

Disco 1, faixas 1–8: 21 e 27 de julho de 1955, Rudy Van Gelder Studio, Hackensack , NJ – veja Thelonious Monk Plays Duke Ellington

Oscar Pettiford - Baixo
Kenny Clarke - Bateria

Disco 1, faixas 9–13; disco 2, faixas 1–2: 17 de março e 3 de abril de 1956, Rudy Van Gelder Studio, Hackensack, NJ – veja The Unique Thelonious Monk

Oscar Pettiford, baixo
Art Blakey - Bateria

Disco 2, faixas 3–6, 8: 9 e 15 de outubro de 1956, Reeves Sound Studios, Nova Iorque – veja Brilliant Corners

Ernie Henry - Sax. Alto
Sonny Rollins - Saxofone Tenor
Oscar Pettiford - Baixo
Max Roach ou Art Blakey - Bateria (as fontes divergem)

Disco 2, faixa 7: 7 de dezembro de 1956, Reeves Sound Studios, Nova Iorque – veja Brilliant Corners

Clark Terry , trompete
Sonny Rollins - Sax. Tenor
Paul Chambers - Baixo
Max Roach - Bateria

Disco 3, faixas 1–9; disco 4, faixas 1–3: 12 de abril de 1957, Reeves Sound Studios, Nova Iorque – veja Thelonious Himself

Disco 3, faixas 10–11: 16 de abril de 1957, Reeves Sound Studios, Nova Iorque – veja Thelonious Himself

John Coltrane - Sax. Tenor
Wilbur Ware - Baixo

Disco 4, faixas 4–11; disco 5, faixas 1–5: 25–26 de junho de 1957, Reeves Sound Studios, Nova Iorque – veja Monk's Music .

Ray Copeland - Trompete
Gigi Gryce - sax. Alto
John Coltrane - Sax. Tenor
Coleman Hawkins - Sax. Tenor
Wilbur Ware - Baixo
Art Blakey - Bateria


Boa audição - Namastê


sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Boxset: Les Trésors Du Jazz - 1944-1951



 Artista: VA
Lançamento: 2002
Selo: Le Chant Du Monde
Série: Boxset 'Les Trésors Du Jazz' (10 CD)
Gênero: Swing, Big Band, Bop, Cool Jazz, Mainstream Jazz

Boa audição - Namastê


quinta-feira, 4 de maio de 2023

Billie Holiday – Billie's Best (Compilation - Remastered)

Lançamento: 1992
Selo: Verve Records
Gênero: Vocal Jazz, Swing

Billie Holiday é considerada uma das melhores vocalistas de jazz de todos os tempos. Holiday teve uma carreira próspera como cantora de jazz por muitos anos antes de perder a batalha contra o abuso de substâncias. Também conhecida como Lady Day, sua autobiografia foi transformada no filme de 1972 Lady Sings the Blues . Em 2000, Holiday foi introduzido no Hall da Fama do Rock and Roll. Holiday nasceu Eleanora Fagan em 7 de abril de 1915, na Filadélfia, Pensilvânia. (Algumas fontes dizem que seu local de nascimento era Baltimore, Maryland, e sua certidão de nascimento diz "Elinore Harris".) Holiday passou grande parte de sua infância em Baltimore, Maryland. Sua mãe, Sadie, era apenas uma adolescente quando ela a teve. Acredita-se que seu pai seja Clarence Holiday, que acabou se tornando um músico de jazz de sucesso, tocando com nomes como Fletcher Henderson. Infelizmente para Holiday, seu pai era um visitante pouco frequente em sua vida enquanto crescia. Sadie se casou com Philip Gough em 1920 e, por alguns anos, Holiday teve uma vida doméstica um tanto estável. Mas esse casamento acabou alguns anos depois, deixando Holiday e Sadie lutando por conta própria novamente. Às vezes, Holiday era deixado aos cuidados de outras pessoas. Holiday começou a faltar à escola e ela e sua mãe foram ao tribunal por causa da evasão escolar de Holiday. Ela foi então enviada para a House of Good Shepherd, uma instalação para meninas afro-americanas problemáticas, em janeiro de 1925. Com apenas 9 anos na época, Holiday era uma das meninas mais novas de lá. Ela foi devolvida aos cuidados de sua mãe em agosto daquele ano. De acordo com a biografia de Donald Clarke, Billie Holiday: Wishing on the Moon , ela voltou para lá em 1926 depois de ter sido abusada sexualmente. Em sua infância difícil, Holiday encontrou consolo na música, cantando junto com os discos de Bessie Smith e Louis Armstrong . Ela seguiu sua mãe, que se mudou para a cidade de Nova York no final dos anos 1920, e trabalhou em uma casa de prostituição no Harlem por um tempo. Por volta de 1930, Holiday começou a cantar em clubes locais e renomeou-se "Billie" em homenagem à estrela de cinema Billie Dove. O critico musical Rick Anderson avalia com palavras certeiras Billie's Best: "Não há fim à vista para o debate sobre a carreira de Billie Holiday como vocalista: a essência de sua arte pode ser encontrada em suas primeiras gravações para a Columbia ou nas gravações que ela fez para a Verve no final de seu curta e, por todos contas, vida miserável? Os primeiros trabalhos a encontram com uma voz mais clara e cantando com energia e convicção, enquanto nas gravações posteriores sua voz é devastada, ainda mais comovente e talvez com mais nuances. Em 1992, a Verve defendeu a última posição ao lançar uma monumental caixa de dez discos contendo tudo que Holiday gravou para a empresa entre 1945-1959 e, simultaneamente, lançou este sampler de 16 faixas como um paliativo para aqueles que não tinham 150 faixas. dólares espalhados. Nada aqui resolverá o argumento para sempre, Oscar Peterson e Jimmy Rowles para uma bela performance de "All the Way" com uma orquestra regida por Ray Ellis . Este provavelmente não deveria ser o único álbum de Billie de ninguém, mas é um documento valioso, e às vezes comovente, do fim de uma carreira triste, mas ilustre."  


Vocal - Billie Holiday

Baixo – Ray Brown, Red Mitchell, John Simmons, Red Callender, Joe Mondragon, Leonard Gaskin, Aaron Bell, Joe Benjamin

Bateria – Ed Shaughnessy, Alvin Stoller, Larry Bunker, Gus Johnson, Chico Hamilton, Cozy Cole, Lenny McBrowne, Osie Johnson

Guitarra Elétrica – Herb Ellis, Barney Kessel, Freddie Green, Billy Bauer

Piano – Oscar Peterson, Jimmy Rowles, Bobby Tucker, Billy Taylor, Wynton Kelly, Hank Jones

Trompete – Charlie Shavers, Harry "Sweets" Edison, Joe Newman

Sax. Tenor – Ben Webster, Paul Quinichette, Flip Phillips, Budd Johnson

Sax. Alto – Benny Carter, Willie Smith, Romeo Penque

Clarinete – Tony Scott, Romeo Penque

Harpa – Janet Putnam

Celesta – Hank Jones

Gravação dos anos 1952 - 1959.

Seleções recentemente remasterizadas da coleção Box set 'The Complete Billie Holiday on Verve 1945-1959' (conjunto de 10 CDs).


Boa audição - Namastê

quinta-feira, 30 de março de 2023

VA - SWING! The Music of Duke Ellington

Artista: VA
Álbum: SWING!
Lançamento: 1999
Selo: Telarc International Corporation
Gênero: Swing


Duke Ellington, como muitos outros, foi vitima de uma sociedade racista, de uma ‘democracia’ que jamais recompensava os negros, e que descaradamente punia aqueles que resistiam, desafiavam e ultrapassavam os pequenos espaços a que eram obrigados a habitar. Uma sociedade racista, que muitas vezes não admitiu elogios a Duke Ellington e os concedeu a outros compositores e músicos americanos, como George Gershwin ou Benny Goodman. Por mais de 50 anos, Ellington usou sua música para analisar as complexidades da vida dos negros americanos e para desafiar as contradições da democracia americana, contradições que, até recentemente, negou a ele até seu legítimo lugar entre os gênios da música. Entre os negros, mesmo antes do blues ser inventado, que se aperfeiçoou e evoluiu para o rock and roll, uma forma separada de música com herança étnica e geográfica semelhante estava seguindo sua própria trajetória. No final de 1800, com raízes no ragtime e no dixieland, o jazz surgiu antes mesmo de Son House e Robert Johnson terem começado a gravar. Desde o início da década de 1920 até sua morte em 1974, Duke Ellington foi um gigante do jazz. A contribuição da Telarc Jazz para o centenário de Ellington foi esta compilação envolvente, todo material do catálogo dos anos 90, com duas exceções notáveis. Como isca para o colecionador completo de Dave Brubeck , eles lançaram um par de faixas inéditas que sobraram da turnê do Brubeck Quartet no Reino Unido em novembro de 1998: uma longa exploração de "Take The 'A' Train" com um solo quente de o tenor Bobby Militello e algumas brincadeiras politonais de Brubeck e uma versão relaxada de piano solo de "Things Ain't What They Used to Be" de Mercer Ellington . Duas faixas ao vivo com Mel Torméem sua forma mais insinuante, o álbum ("I'm Gonna Go Fishin '," "It Don't Mean a Thing"), e bem no centro está uma virada elegante de Tormé na bateria em "Rockin' in Rhythm". O restante das faixas é entregue a nomes confiáveis ​​do mainstream como Oscar Peterson, Ray Brown Trio, Jim Hall , Ahmad Jamal, o trio de André Previn, Joe Pass e Brown e Bobby Short .
 
 Baixo – Ray Brown
Guitarra – Joe Pass
Piano – André Previn , Dave Brubeck , Oscar Peterson
Vocais – Mel Tormé

Boa audição - Namastê

terça-feira, 14 de março de 2023

Ella Fitzgerald The Irving Berlin Song Book 1958

Artista: Ella Fitzgerald  

Álbum: The Irving Berlin

Lançamento: 1993

Selo: Verve Records

Gênero: Vocal Jazz, Easy Listening, Swing, Cool Jazz

No início de 1960 ela continuou a trabalhar no circuito de grandes hotéis e se apresentar em turnê pela Europa, América Latina e no Japão. Em 1965 ela se reuniu novamente com Duke Ellington para outra turnê. Em 1968 ela se juntou com o magnífico pianista Tommy Flanagan. Na década de 70, Ella Fitzgerald foi apresentada para os figurões do jazz Count Basie, Oscar Peterson e Joe Pass, entre outros. Ella Fitzgerald sempre foi agraciada com excelentes acompanhantes. Em 1971, fez uma cirurgia ocular. Seu canto, e sua voz que uma vez foi um instrumento de singular brilho e graça começou a mostrar sinais de declínio. Em 1986 fez uma cirurgia do coração. Em 1993, teve as duas pernas amputadas abaixo do joelho devido a complicações da diabetes. Tanto profissional quanto pessoalmente, Ella era uma sobrevivente. Em 1996, Ella Fitzgerald morreu tranquilamente. Tímida e sempre muito calada ela sempre parecia um pouco surpresa e sempre feliz ao saber que as pessoas gostavam tanto de sua música. Gravou quase 150 discos, no total e em quase sessenta anos de gravação foi destinatária de quase todos os prêmios importantes. Ella Fitzgerald será eternamente lembrada com carinho como uma das melhores vocalistas de jazz. Ella Fitzgerald, com orquestra de estúdio regida e arranjada por Paul Weston, com foco nas canções de Irving Berlin. É difícil saber por onde começar ao abordar uma artista tão maravilhosa quanto Ella Fitzgerald, especialmente ao cobrir uma gravação reverenciada como Sings the Irving Berlin Song Book do final dos anos 50. Este conjunto inclui dois CDs com 32 canções escolhidas da coleção de cerca de 800 canções de Berlim. Essas seleções são perfeitamente adequadas para a voz de Fitzgerald e sua sensibilidade romântica; eles são felizes, às vezes tristes e cheios de ritmo oscilante. Algumas dessas canções - "Cheek to Cheek", "Puttin' on the Ritz" e "Blue Skies" - serão mais familiares; outros, "Top Hat, White Tie, and Tails", "Russian Lullaby" e "All By Myself" são tão memoráveis, mas talvez menos conhecidos. Escolhas como "Este não é um lindo dia?" apresentam tudo o que um ouvinte deseja em uma música: letras inteligentes, melodias memoráveis ​​e um forte centro emocional. Dizer que Fitzgerald está em boa voz para essas gravações". 

Vocals: Ella Fitzgerald   

Violinos: Israel Baker, Jacques Gasselin, Benny Gill, Dan Lube, Marshall Sosson, Joe Stepansky, Gerald Vinci, Nathan Ross, Mischa Russell, Murray Kellner, Lou Raderman e Erno Neufeld.  

Trumpete: Frank Beach, Don Fagerquist, Conrad Gozzo, 

Bateria: Alvin Stoller, 

Piano: Paul Andrew Smith, Lou Levy, 

Baixo: Joe Mondragon, Wilfred Middlebrooks, 

Cello: Ray Kramer, Edgar Lustgarten, Armand Karpoff, Eleanor Slatkin

Trombone: Richard L. Noel, Milt Bernhart, Eddie Kusby, George Roberts

Sax (Tenor): Plas Johnson,

Sax (Alto): Benny Carter,

Guitarra: Herb Ellis, Al Hendrickson

Viola: Alvin Dinkin

Harpa: Veryle Brilhart  

Sopro de madeira: Henry Beau, Justin Gordon, Jules Jacob, Wilbur Schwartz 

Viola: Virginia Majewski, Paul Robyn  

Billy May: Arranger, Conductor, Guest Artist

Vibraphone: Emil Richards  

Gravado em Los Angeles, de 13 a 19 de março de 1958


 Boa audição - Namastê

sábado, 11 de março de 2023

Ella Fitzgerald Sings the Harold Arlen Song Book 1961

Lançamento: 1993
Selo: Verve Records
Gênero: Vocal Jazz, Easy Listening, Swing, Cool Jazz

Em 1955 assinou contrato com a ‘Verve’. Seus álbuns mais famosos para a gravadora tem sido a série de ‘songbooks’ dedicada a obras de grandes compositores e letristas norte-americanos. Cada um contém uma mistura de canções conhecidas e obscuras acompanhadas por orquestrações luxuosas que induziram Ella Fitzgerald a mostrar uma elegante cantora pop, mesmo nos dois volumes do jazzista Duke Ellington. Essas gravações para muitos entusiastas são a última palavra da canção popular americana. Ao mesmo tempo Ella apareceu na televisão e no cinema, em um memorável destaque no filme Pete Kelly’s Blues de 1955. No início de 1960 ela continuou a trabalhar no circuito de grandes hotéis e se apresentar em turnê pela Europa, América Latina e no Japão. Em 1965 ela se reuniu novamente com Duke Ellington para outra turnê. Em 1968 ela se juntou com o magnífico pianista Tommy Flanagan. Na década de 70, Ella Fitzgerald foi apresentada para os figurões do jazz Count Basie, Oscar Peterson e Joe Pass, entre outros. Ella Fitzgerald sempre foi agraciada com excelentes acompanhantes. Em 1971, fez uma cirurgia ocular. Seu canto, e sua voz que uma vez foi um instrumento de singular brilho e graça começou a mostrar sinais de declínio. Em 1986 fez uma cirurgia do coração. Em 1993, teve as duas pernas amputadas abaixo do joelho devido a complicações da diabetes. Tanto profissional quanto pessoalmente, Ella era uma sobrevivente. Em 1996, Ella Fitzgerald morreu tranquilamente. Tímida e sempre muito calada ela sempre parecia um pouco surpresa e sempre feliz ao saber que as pessoas gostavam tanto de sua música. Gravou quase 150 discos, no total e em quase sessenta anos de gravação foi destinatária de quase todos os prêmios importantes. Ella Fitzgerald será eternamente lembrada com carinho como uma das melhores vocalistas de jazz. Ella Fitzgerald Sings the Harold Arlen Song Book é um álbum de 1961 da cantora de jazz americana Ella Fitzgerald, com uma orquestra de estúdio conduzida e arranjada por Billy May. Este álbum marcou a única vez que Fitzgerald trabalhou com May. The Harold Arlen Song Book é o sexto álbum da série de gravações de Fitzgerald de canções escritas pelo panteão de compositores da Broadway que formaram o corpo de trabalho agora considerado o Great American Songbooks.

Ella Fitzgerald – Vocais

Billy May – Arranjador, maestro

Orquestra

Trompete – Don Fagerquist , Frank Beach, Conrad Gozzo , Joseph Tiscari

Trombone – Milt Bernhart Edward Kusby, Richard Noel

Trombone baixo – George Roberts

Saxofone alto – Benny Carter

Saxofone tenor – Plas Johnson

Sopros , flauta – Harry Klee, Justin Gordon, Wilbur Schwartz

Vibrafone – Emil Richards

Piano – Paul Smith

Guitarra – John Collins

Contrabaixo – Joe Mondragon

Bateria – Alvin Stoller

Seção de string

Violin – Israel Baker , Victor Arno, Victor Bay, Alex Beller, Dan Lube, Erno Neufeld, Lou Raderman, Nathan Ross, Sidney Sharp, Gerald Vinci

Viola – Alex Neimann, Paul Robyn, Barbara Simons

Violoncelo – Armand Kaproff, Ray Kramer Eleanor Slatkin

Norman Granz – Produção


Gravado em cinco sessões de 1º de agosto de 1960 a 14 de julho de 1961 em Hollywood , Los Angeles .


 Boa audição - Namastê

quinta-feira, 2 de março de 2023

Ella Fitzgerald - The Complete Piano Duets 1950-60 (2CD)

Lançamento: 2020
Selo: Verve Records
Gênero: Swing, Cool, Bebop, Bop, Vocal Jazz


 Até o início dos anos 1950 o domínio de Ella Fitzgerald sobre fãs e críticos foi absoluto. Na verdade, entre 1953 e 1970, a cada ano ela era a vencedora da enquete promovida pela revista ‘Down Beat’ a mais antiga e respeitada revista de jazz do mundo, e assim ficou conhecida como ‘a primeira dama da canção’. Ao contrário de algumas outras cantoras de jazz como Billie Holiday e Anita O’Day, Ella Fitzgerald tinha uma vida privada desprovida de notoriedade relacionadas com drogas. Em contraste com a sua carreira ativa como intérprete, levava uma vida pessoal tranquila. Com uma voz bonita, Ella era uma cantora brilhante, e tinha a dicção quase perfeita, podia se entender as palavras que ela cantava. A falha era que, uma vez que ela sempre parecia feliz por estar cantando, nem sempre a sua interpretação condizia com as canções que ela interpretava. E ninguém poderia adivinhar que seu canto nos primeiros dias foi tão melancólico como o de Billie. Nascida em 1918, em Newport News, Virgínia. Seus pais, William Fitzgerald e Temperança Williams Fitzgerald, separaram-se depois de um ano do seu nascimento e logo em seguida, ela se mudou para o norte com a mãe, estabelecendo-se em Yonkers, perto de Nova York onde recebeu sua educação musical nas escolas públicas. Ella Fitzgerald também cresceu na pobreza e foi literalmente uma sem-teto. Na adolescência aspirava ser uma dançarina. No entanto, aos 17 anos depois de vencer um concurso de talentos no ‘Teatro Apollo’, no Harlem, ficou claro que cantar seria sua vocação. Ella ganhou a competição com a sua interpretação de ‘The Object of My Affection’ uma melodia que se tornou popular com a cantora Connee Boswell, uma das melhores cantoras de jazz dos anos 30 e sempre citada por Ella como sendo a sua principal influência. O primeiro compromisso profissional veio, logo depois, no Harlem Opera House, onde se apresentou durante uma semana. Foi assistida pelo baterista e líder de uma das bandas mais marcantes do jazz dos anos 30, Chick Webb, por indicação de um dos principais estilistas do saxofone alto, arranjador e maestro, Benny Carter, que estava na platéia do Teatro Apollo. Chick Webb, que não ficou impressionado com a aparência de Ella, relutantemente foi convencido a deixá-la cantar com sua orquestra em uma noite. Logo o baterista reconheceu o seu potencial comercial. Nascida em 1918, em Newport News, Virgínia. Seus pais, William Fitzgerald e Temperança Williams Fitzgerald, separaram-se depois de um ano do seu nascimento e logo em seguida, ela se mudou para o norte com a mãe, estabelecendo-se em Yonkers, perto de Nova York onde recebeu sua educação musical nas escolas públicas. Ella Fitzgerald também cresceu na pobreza e foi literalmente uma sem-teto. Na adolescência aspirava ser uma dançarina. No entanto, aos 17 anos depois de vencer um concurso de talentos no ‘Teatro Apollo’, no Harlem, ficou claro que cantar seria sua vocação. Ella ganhou a competição com a sua interpretação de ‘The Object of My Affection’ uma melodia que se tornou popular com a cantora Connee Boswell, uma das melhores cantoras de jazz dos anos 30 e sempre citada por Ella como sendo a sua principal influência. O primeiro compromisso profissional veio, logo depois, no Harlem Opera House, onde se apresentou durante uma semana. Foi assistida pelo baterista e líder de uma das bandas mais marcantes do jazz dos anos 30, Chick Webb, por indicação de um dos principais estilistas do saxofone alto, arranjador e maestro, Benny Carter, que estava na platéia do Teatro Apollo. Chick Webb, que não ficou impressionado com a aparência de Ella, relutantemente foi convencido a deixá-la cantar com sua orquestra em uma noite. Logo o baterista reconheceu o seu potencial comercial. Em 1935, Ella Fitzgerald já estava gravando com a orquestra de Webb, e em 1937 mais da metade das seleções musicais da orquestra eram acompanhadas por sua voz. ‘A-Tisket, A-Tasket’ se tornou um enorme sucesso em 1938, e ‘Undecided’ logo em seguida. Durante esta época, Fitzgerald era essencialmente uma cantora pop de baladas, já tinha uma bela voz, mas as improvisações iriam se desenvolver mais tarde. Em 1939, Chick Webb morreu e foi decidido que Ella Fitzgerald ficaria à frente da orquestra, para contratar ou demitir os músicos. Quando se separou da banda em 1941 e decidiu seguir carreira solo, não demorou muito para assinar contrato com a gravadora ‘Decca’. A sua reputação de grande cantora e, acima de tudo, um talento para a improvisação era maior entre os músicos do que entre o público em geral, e ela corrigiu esse desequilíbrio. E assim, sua carreira decolou somente após a Segunda Guerra Mundial, quando Norman Granz se tornou o seu empresário. Ela excursionou com a big band de Dizzy Gillespie e suas gravações tornaram-se populares e o resultado foi o seu sucesso como cantora de jazz.

Ella Fitzgerald: Vocal em todas as faixas:

CD 1: Ellis Larkins, piano. Nova York, 11 a 12 de setembro de 1950 (1 a 8) e 29 a 30 de março de 1954 (9 a 20).

CD 2 (1): Paul Smith, piano. Los Angeles, 7 de fevereiro de 1956.

CD 2 (2): Oscar Peterson, piano. Los Angeles, 17 de outubro de 1957.

CD 2 (3-15): Paul Smith, piano. Hollywood, 14 e 19 de abril de 1960.

Tracks Bônus (CD 2 [16-19]): duetos de voz/guitarra Ella Fitzgerald, vocais; Barney Kessel, guitarra. Los Angeles, agosto - setembro de 1956.

Boa audição - Namastê