quinta-feira, 31 de agosto de 2023

Boxset: Born To Swing "100 Original Big Band Classics" Vol:04

Artista: VA
Lançamento: 1996
Selo: PLC da Castle Communications 
Gênero: Big Band, Swing


As músicas tocadas pelas big bands possui, geralmente, arranjos mais elaborados, muito frequentemente sendo previamente preparados e escritos em partituras. Ali, os solos e improvisações são executados nos momentos determinados no arranjo. É das Big Bands também que provém a expressão band leader, que é assim chamado o artista no qual influencia toda a banda, que se inspira e o segue, por exemplo: na linguagem e dinâmica ao interpretar certas frases da musica. Esse artista geralmente é o 1º trompetista. Dentre as maiores big bands estão, por exemplo, as dos artistas: Maynard Ferguson, Dizzy Gillespie, Count Basie, Duke Ellington, Glenn Miller, Benny Goodman, Frank Sinatra.

Arnold Jacob Arshawsky (1910-2004) conhecido como Artie Shaw foi clarinetista, compositor e bandleader. Famoso por clássicos como ‘Begin the Beguine‘, versão de Cole Porter gravada em 1938 e uma das gravações de definição da época e ‘Oh, Lady Be Good’. Em 1940, Shaw participou do filme ‘Second Chorus’, estrelado por Fred Astaire e Paulette Goddard, no papel dele mesmo, e recebeu duas indicações ao Oscar pela Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção (Love of My Life). Ele também foi autor de livros de ficção e não-ficção. Shaw foi um dos mais populares líderes de big bands dos anos 30 e 40. Musicalmente inquieto também foi um dos primeiros defensores da Third Stream, termo cunhado em 1957 pelo compositor Gunther Schuller para descrever um gênero musical que é a síntese de música clássica e jazz. Artie Shaw também algumas sessões com pequenos grupos que flertaram com be-bop antes de se aposentar da música em 1954.

Les Brown Sr. (1912-2001) foi líder de big band e compositor, mais conhecido por suas quase sete décadas de trabalho com o grupo ‘Les Brown and His Band of Renown’. Em 1945, a banda foi destaque com Doris Day e a gravação de ‘Sentimental Journey‘. O lançamento da canção coincidiu com o fim da Segunda Guerra Mundial na Europa e se tornou tema oficial do regresso para casa para muitos veteranos.

Woodrow Charles Herman (1913-1987), conhecido como Woody Herman, foi clarinetista, saxofonista, cantor e bandleader. Liderando vários grupos chamados de ‘The Herd’, Herman foi um dos mais populares das décadas de 30 e 40. A sua primeira banda tornou-se conhecida por suas orquestrações de blues e às vezes era anunciada como ‘The Band That Plays The Blues’. Junto com a grande aclamação por suas apresentações de jazz e blues, Woody Herman encomendou uma série de composições clássicas para o compositor russo Igor Stravinsky, entre elas ‘Ebony Concerto’ para solo de clarinete. Ao longo da história do jazz, sempre houve músicos que procuraram combiná-lo com música clássica. ‘Ebony Concerto’ foi tocada ao vivo pela banda de Herman em 1946 no ‘Carnegie Hall’. Apesar do sucesso no ‘Carnegie Hall’ e outros triunfos, Herman foi obrigado a dissolver a orquestra em 1946, no auge de seu sucesso para passar mais tempo com a sua esposa com crescentes problemas com alcoolismo e dependência de comprimidos. Herman voltou em 1947 e continuou a se apresentar até 1980, após a morte de sua esposa e com sua saúde em declínio.

Thomas Wright Waller (1904-1943) mais conhecido como Fats Waller, foi pianista, organista, compositor e comediante. Foi um dos mais populares artistas de sua época, com sucesso comercial e de crítica, em seu país e na Europa. Ele era um talentoso pianista e mestre do stride piano. Leia +…

Charles Daly Barnet (1913-1991) foi saxofonista, compositor e bandleader. Embora tenha começado a sua carreira em 1933, estava no auge de sua popularidade entre 1939 e 1941, período em que gravou a sua versão do hit ‘Cherokee’. Admirador declarado de Count Basie e Duke Ellington que gravou a sua composição ‘In a Mizz’. Em 1949 ele se aposentou, aparentemente porque tinha perdido o interesse pela música e era um dos poucos herdeiros de uma família muito rica. Ocasionalmente voltou para breves apresentações, nunca em tempo integral. Em 1964, Barnet organizou uma festa privada para o seu herói musical, Duke Ellington e orquestra. Barnet morreu de complicações da doença de Alzheimer e pneumonia.

Edward Kennedy ‘Duke’ Ellington (1899-1974) foi compositor, pianista e líder de orquestra eternizado com a alcunha de ‘The Duke’. A música de Duke Ellington foi uma das maiores influências no jazz desde a década de 20 até à de 60. Ainda hoje suas obras têm influência apreciável e é, por isso, considerado o maior compositor de jazz americano de todos os tempos. Ellington tinha a preocupação de adaptar as suas composições de acordo com o talento dos músicos que compunham a sua orquestra, e muitos permaneceram ao lado dele durante décadas. Seu primeiro emprego, no entanto, não foi na música. Sua grande paixão antes do piano foi o baseball, e para poder ver seus ídolos, arrumou um emprego de vendedor de amendoim.

Boa audição - Namastê

terça-feira, 29 de agosto de 2023

Boxset: Born To Swing "100 Original Big Band Classics" Vol.03

Artista: VA

Álbum: Born To Swing Vol.03

Lançamento: 1996

Selo: PLC da Castle Communications 

Gênero: Big Band, Swing


Uma big band consiste, basicamente, de 12 a 25 músicos e contém primordialmente 4 naipes de instrumentos: os saxofones (2 saxofones altos - 1°e 3° sax altos; 2 saxofones tenores - 2° e 4° sax tenores; e 1 saxofone barítono - 5° sax barítono. Ocasionalmente 1 ou 2 saxofones sopranos), os trompetes e trombones (3 trombones tenores e 1 trombone baixo), e a 'cozinha', é como é denominada nas big bands o naipe que executa predominantemente a base harmônica do grupo é formado de: guitarra, bateria, baixo ou contrabaixo, e piano. Algumas big bands usam um terceiro naipe em sua formação que a amplia na execução harmônica e também em alguns solos, o naipe de cordas, composto de: violino, viola, violoncelo, e contrabaixo. Algumas Big Bands podem ainda admitir outros instrumentos como flauta, clarinete e instrumentos de percussão que variam de uma banda a outra dependendo do estilo e arranjo musical. Os termos banda de jazz, orquestra de jazz e dance band, também são usados. As músicas tocadas pelas big bands possui, geralmente, arranjos mais elaborados, muito frequentemente sendo previamente preparados e escritos em partituras. Ali, os solos e improvisações são executados nos momentos determinados no arranjo. É das Big Bands também que provém a expressão band leader, que é assim chamado o artista no qual influencia toda a banda, que se inspira e o segue, por exemplo: na linguagem e dinâmica ao interpretar certas frases da música. Esse artista geralmente é o 1º trompetista.

Arnold Jacob Arshawsky (1910-2004) conhecido como Artie Shaw foi clarinetista, compositor e bandleader. Famoso por clássicos como ‘Begin the Beguine‘, versão de Cole Porter gravada em 1938 e uma das gravações de definição da época e ‘Oh, Lady Be Good’. Em 1940, Shaw participou do filme ‘Second Chorus’, estrelado por Fred Astaire e Paulette Goddard, no papel dele mesmo, e recebeu duas indicações ao Oscar pela Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção (Love of My Life). Ele também foi autor de livros de ficção e não-ficção. Shaw foi um dos mais populares líderes de big bands dos anos 30 e 40. Musicalmente inquieto também foi um dos primeiros defensores da Third Stream, termo cunhado em 1957 pelo compositor Gunther Schuller para descrever um gênero musical que é a síntese de música clássica e jazz. Artie Shaw também algumas sessões com pequenos grupos que flertaram com be-bop antes de se aposentar da música em 1954.

Les Brown Sr. (1912-2001) foi líder de big band e compositor, mais conhecido por suas quase sete décadas de trabalho com o grupo ‘Les Brown and His Band of Renown’. Em 1945, a banda foi destaque com Doris Day e a gravação de ‘Sentimental Journey‘. O lançamento da canção coincidiu com o fim da Segunda Guerra Mundial na Europa e se tornou tema oficial do regresso para casa para muitos veteranos.

Woodrow Charles Herman (1913-1987), conhecido como Woody Herman, foi clarinetista, saxofonista, cantor e bandleader. Liderando vários grupos chamados de ‘The Herd’, Herman foi um dos mais populares das décadas de 30 e 40. A sua primeira banda tornou-se conhecida por suas orquestrações de blues e às vezes era anunciada como ‘The Band That Plays The Blues’. Junto com a grande aclamação por suas apresentações de jazz e blues, Woody Herman encomendou uma série de composições clássicas para o compositor russo Igor Stravinsky, entre elas ‘Ebony Concerto’ para solo de clarinete. Ao longo da história do jazz, sempre houve músicos que procuraram combiná-lo com música clássica. ‘Ebony Concerto’ foi tocada ao vivo pela banda de Herman em 1946 no ‘Carnegie Hall’. Apesar do sucesso no ‘Carnegie Hall’ e outros triunfos, Herman foi obrigado a dissolver a orquestra em 1946, no auge de seu sucesso para passar mais tempo com a sua esposa com crescentes problemas com alcoolismo e dependência de comprimidos. Herman voltou em 1947 e continuou a se apresentar até 1980, após a morte de sua esposa e com sua saúde em declínio.

Thomas Wright Waller (1904-1943) mais conhecido como Fats Waller, foi pianista, organista, compositor e comediante. Foi um dos mais populares artistas de sua época, com sucesso comercial e de crítica, em seu país e na Europa. Ele era um talentoso pianista e mestre do stride piano.

Charles Daly Barnet (1913-1991) foi saxofonista, compositor e bandleader. Embora tenha começado a sua carreira em 1933, estava no auge de sua popularidade entre 1939 e 1941, período em que gravou a sua versão do hit ‘Cherokee’. Admirador declarado de Count Basie e Duke Ellington que gravou a sua composição ‘In a Mizz’. Em 1949 ele se aposentou, aparentemente porque tinha perdido o interesse pela música e era um dos poucos herdeiros de uma família muito rica. Ocasionalmente voltou para breves apresentações, nunca em tempo integral. Em 1964, Barnet organizou uma festa privada para o seu herói musical, Duke Ellington e orquestra. Barnet morreu de complicações da doença de Alzheimer e pneumonia.

Edward Kennedy ‘Duke’ Ellington (1899-1974) foi compositor, pianista e líder de orquestra eternizado com a alcunha de ‘The Duke’. A música de Duke Ellington foi uma das maiores influências no jazz desde a década de 20 até à de 60. Ainda hoje suas obras têm influência apreciável e é, por isso, considerado o maior compositor de jazz americano de todos os tempos. Ellington tinha a preocupação de adaptar as suas composições de acordo com o talento dos músicos que compunham a sua orquestra, e muitos permaneceram ao lado dele durante décadas. Seu primeiro emprego, no entanto, não foi na música. Sua grande paixão antes do piano foi o baseball, e para poder ver seus ídolos, arrumou um emprego de vendedor de amendoim.


Boa audição - Namastê

sábado, 26 de agosto de 2023

Boxset: Born To Swing "100 Original Big Band Classics" Vol:02

Artista: VA

Álbum: Born To Swing Vol.02 

Lançamento: 1996

Selo: PLC da Castle Communications 

Gênero: Big Band, Swing

O swing remete também às músicas de big bands. Até 1924, as big bands tendiam a tocar arranjos que ficavam amarrados às melodias, oferecendo poucas surpresas e inibindo a espontaneidade e a criatividade dos melhores solistas. Em 1924, o jovem cornetista Louis Armstrong se juntou à orquestra de Fletcher Henderson. Seu timbre, adicionado ao uso dramático do espaço e ao seu senso de balanço impressionaram bastante o arranjador chefe da orquestra de Henderson, Don Redman, e esse momento pode ser datado como o início do swing. Outras importantes big bands da década foram a de: ‘Bennie Moten’s Kansas City Orchestra’, que no meio da década de 30 se tornaria a de Count Basie; a de Jean Goldkette em 1927 que contava com os arranjos de Bill Challis e solos do cornetista Bix Beiderbecke e do saxofonista Frankie Trumbauer; a de Ben Pollack que serviu de aprendizado para Benny Goodman, Glenn Miller e para o trombonista Jack Teagarden e a de Paul Whiteman, que por volta de 1927 tinha se tornado na maior orquestra de jazz. Porém, a essa altura os arranjos eram sempre mais avançados para os solistas do que aqueles praticados no jazz de New Orleans. A mais importante big band do final dos anos 20 e aquela que se sucedeu à de Fletcher Henderson foi a de Duke Ellington. Com a crise de 1929 e o começo da depressão econômica, era de se esperar que as big bands se tornassem pouco viáveis economicamente, mas por ironia, ocorreu o contrário.

James ‘Jimmy’ Dorsey (1904-1957) foi um proeminente clarinetista, saxofonista, trompetista, compositor e bandleader. Conhecido como ‘JD’ compôs os standards de jazz ‘I’m Glad There Is You’ e ‘It’s The Dreamer In Me’. Irmão mais velho de Tommy Dorsey que também se tornou um músico de destaque, Jimmy Dorsey é considerado um dos mais importantes e influentes saxofonistas de bigband e da era swing. Charlie Parker o mencionou como um dos seus favoritos

Thomas Francis ‘Tommy’ Dorsey (1905-1956) foi trombonista, trompetista, compositor e maestro. Embora esteja em segundo lugar em relação a Benny Goodman, Artie Shaw, Glenn Miller ou Harry James, foi o maestro mais popular da era do swing, que durou de 1935 a 1945. Apelidado de ‘o cavalheiro sentimental do swing’, sua banda foi formada por grandes músicos do jazz, arranjadores e cantores, incluindo Frank Sinatra. E foi o artista mais vendido da história da ‘RCA Victor Records’, uma das maiores gravadoras do mundo, até a chegada de Elvis Presley, o qual se apresentou nacionalmente pela primeira vez no programa de televisão que Tommy apresentava com seu irmão Jimmy. Sedado com pílulas para dormir após uma refeição pesada, engasgou-se acidentalmente e faleceu aos 51 anos. Seu irmão regeu a banda depois, vindo a falecer um ano mais tarde.

Erskine Hawkins Ramsay (1914-1993) foi trompetista e bandleader de Birmingham, Alabama. No auge de sua popularidade durante a época dourada do swing, a maestria com que tocava o trompete lhe rendeu o apelido de ‘A Twentieth Century Gabriel’. O grupo de músicos que compunham sua orquestra produziu algumas das melhores e mais influentes músicas da era das big bands e sua popularidade se aproximou a das bandas lideradas por gigantes como Duke Ellington e Count Basie. Compositor do standart ‘Tuxedo Junction’ com o saxofonista e arranjador Bill Johnson, a canção se tornou um hit popular durante a Segunda Guerra Mundial na versão da ‘Glenn Miller Orchestra’.

James Melvin ‘Jimmie’ Lunceford (1902-1947) foi saxofonista e líder de banda. Bacharel em artes enquanto lecionava organizou uma banda de estudantes, a ‘Chickasaw Syncopators’, que depois teve seu nome alterado para ‘Jimmie Lunceford Orchestra’. A orquestra fez sua primeira gravação em 1930 e aceitou um convite para tocar no nightclub ‘The Cotton Club’ do Harlem, em 1933, que já apresentava Duke Ellington e Cab Calloway. A orquestra de Lunceford, com sua fina musicalidade e humor em sua música e letras, tornou-se a banda do clube, e a sua reputação começou a crescer rapidamente. Em 1947, Jimmie Lunceford entrou em choque e morreu de parada cardiorrespiratória durante uma sessão de autógrafos. Rumores circularam de que fora envenenado por um dono de restaurante revoltado por ter servido a um negro.

Stanley Newcomb Kenton (1911-1979) foi pianista, compositor e arranjador que liderou uma inovadora, controversa e muito influente orquestra de jazz. Kenton tocou nos anos 30 em algumas bandas, mas sua vocação natural sempre foi para bandleader. Formou sua primeira orquestra em 1941. Competente como pianista foi muito mais importante para seus companheiros, um deles o violonista brasileiro Laurindo Almeida, como arranjador. É considerado uma das influências da Bossa Nova, por seu modo suave de tocar. Nos anos seguintes, ele foi muito ativo como educador.

William ‘Count’ Basie (1904-1984) foi pianista, organista, compositor e bandleader. Foi autor das clássicas ‘One O’clock Jump’, ‘April in Paris’ e ‘Jumpin’ at the Woodside’ executadas, com primor, respectivamente, por Duke Ellington e Benny Goodman, e suas orquestras. Chamado de ‘Count’ (conde), considerando-se a sua importância entre os grandes mestres da era swing assim como Benny Goodman (rei), Duke Ellington (duque), Lester Young (presidente) e Billie Holliday (lady). Basie levou sua orquestra de jazz quase continuamente por quase 50 anos. Muitos músicos notáveis ganharam destaque sob a sua direção, incluindo o saxofonista tenor Lester Young. Basie morreu de câncer no pâncreas com 79 anos.


 Boa audição - Namastê

quinta-feira, 24 de agosto de 2023

Boxset: Born To Swing "100 Original Big Band Classics" - Vol.01

Artista: VA

Álbum: Born To Swing Vol.01 

Lançamento: 1996

Selo: PLC da Castle Communications 

Gênero: Big Band, Swing

O termo ‘swing’, que significa balanço e oscilação, é utilizado no jazz de duas formas completamente diferentes. No sentido técnico, usualmente arranjado para grandes orquestras dançantes, caracterizado por uma batida menos acentuada que a do estilo tradicional, e menos complexo, rítmica e harmônicamente falando, do que o jazz moderno. No sentido histórico, o swing coincide com a era do swing, o período clássico do jazz, que começa nos primeiros anos após a grande depressão econômica dos anos 20 e os últimos da Segunda Guerra Mundial, aproximadamente entre 1932 e 1943. Embora o swing só tenha caído no gosto popular com a ascensão de Benny Goodman em 1935, o estilo já existia há mais de uma década. O jazz nas suas formas iniciais enfatizava a improvisação espontânea, mas à medida que as bandas de dança se tornaram populares nos anos 20 e começaram a usar mais três ou quatro instrumentos de sopros, se tornou necessário que os arranjos fossem escritos para que a música pudesse estar organizada e coerente.

Alton Glenn Miller (1904-1944) foi trombonista profissional na banda de Ben Pollack e bandleader na era do swing. Mais tarde transformou-se num organizador de orquestras, sobretudo das dos irmãos Dorsey, iniciada em 1934, e de Ray Noble, organizada em 1935. Depois de ter tentado infrutiferamente formar a sua própria orquestra em 1937, acabou por conseguir no ano seguinte. Ele foi um dos artistas de mais vendas entre 1939 e 1942, liderando uma das mais famosas big bands. Durante a 2.ª Guerra Mundial, era capitão, sendo promovido mais tarde a major e a diretor da banda da força aérea do exército dos Estados Unidos na Europa. Ao voar da Inglaterra para Paris, desapareceu; os corpos dos ocupantes nem os destroços do avião jamais foram avistados.

Rowland Bernard ‘Bunny’ Berigan (1908-1942) foi trompetista que chegou à fama durante a era do swing, mas cujo virtuosismo e influência foram encurtados por uma batalha perdida com o alcoolismo, que terminou em sua morte prematura aos 33 anos. Sua clássica gravação de 1937, ‘I Cant Get Started’, com letra do então pouco conhecido Ira Gershwin e música de Vernon Duke foi introduzida no Hall da Fama do Grammy em 1975.

Earl Kenneth Hines (1903-1983) foi compositor, líder de bandas e um dos mais importantes pianistas da história do jazz. Em Chicago conheceu Louis Armstrong e, juntamente com Zutty Singleton, tocaram no ‘Sunset Café’. Em 1927, esta torna-se a banda de Louis Armstrong, e Hines o seu diretor. Armstrong percebe o estilo ‘avant garde’ de Hine ao tocar piano como um trompete, recorrendo ao uso de oitavas para que o seu piano pudesse ser mais facilmente ouvido. Em 1928, lidera a sua própria banda. Foi no clube de Al Capone, o ‘Grand Terrace Ballroom’, que estreou como líder de banda. Pela sua banda passaram Nat King Cole, que o substituía no piano, Dizzy Gillespie, Sarah Vaughan e Charlie Parker. Liderou a sua banda até 1947, quando passou temporariamente a liderar a banda de Duke Ellington, enquanto este se encontrava doente. O tempo das grandes bandas e orquestras encontrava-se no fim.


James Fletcher Henderson Hamilton Jr. (1897-1952) foi pianista, bandleader, arranjador e compositor, importante no desenvolvimento das big bands e do swing. Henderson, juntamente com Don Redman, estabeleceu a fórmula para a música swing. Foi o responsável por trazer Louis Armstrong de Chicago para Nova York. Em 1922 ele formou sua própria banda, que rapidamente se tornou conhecida como a melhor banda composta por afro-americanos em Nova York. Além de sua própria banda, ele arranjou para várias outras bandas, incluindo as de Teddy Hill, Isham Jones, e a mais famosa, a de Benny Goodman.

Benjamin David Goodman (1909-1986) foi clarinetista e bandleader conhecido como ‘O Rei do Swing’, ‘Patriarca da Clarineta’, ‘O Professor’ e ‘Mestre do Swing’. Na década de 30, Benny Goodman liderou um dos grupos musicais mais populares da América. Seu concerto de 1938 no Carnegie Hall em Nova York é descrito como o mais importante na história da música popular. Goodman lançou as carreiras de muitos grandes nomes do jazz, e durante a era de segregação ele foi um dos primeiros a integrar em sua banda músicos negros. Foi responsável por um passo significativo na integração racial na América. No início dos anos 30, músicos negros e brancos não podiam tocar juntos na maioria dos clubes ou concertos. Benny Goodman quebrou a tradição ao contratar o pianista negro Teddy Wilson e o baterista branco Gene Krupa para tocarem no Trio Benny Goodman. Goodman continuou a sua ascensão meteórica ao longo do final dos anos 30 com sua big band, o seu trio e quarteto e um sexteto. Por meados dos anos 40, no entanto, as grandes bandas perderam muito de sua popularidade.



 Boa audição - Namastê

terça-feira, 22 de agosto de 2023

Boxset CD 10 - Donald Byrd Quintet - The Blues Walk [Rec. 1958]


Lançamento: 2009
Selo: Membran
Gênero: Hard Bop


  O músico acompanhou nomes como John Coltrane, Thelonious Monk e Herbie Hancock, um dos nomes mais influentes do trompete. Notável do hard bop e expoente do jazz funk, iniciou a carreira nos anos 1950, com os Jazz Messengers, a lendária fábrica de talentos de Art Blakey, que formou craques como Clifford Brown, Horace Silver e Wayne Shorter. Como band leader e sideman, gravou todos os grandes da época, como John Coltrane, Thelonious Monk, Sonny Rollings, Eric Dolphy, Herbie Hancock, e Red Garland, entre outros. Seus lançamentos pela Blue Note estabeleceram sua reputação entre os destaques da gravadora, com composições acessíveis e um timbre de trompete límpido. No final dos anos 1960, a influência de Miles Davis levou Byrd a enveredar pelo fusion. Ele concebeu uma fórmula mais acessível para o gênero, acoplando a batida constante do funk e trazendo melodias e vozes e não improvisação, ao primeiro plano. Alcançou a fama com o grupo The Blackbyrds, emplacado hits como Happy Music e Walking in Rhythm. Também participou no grupo Jazzmatazz, do rapper Guru, da dupla Gang Starr, ressaltando sua importância para o movimento de jazz-rap. Donaldson Toussaint L”Ouverture Byrd II nasceu em Detroit, Michigan, em 1932. Seu pai, um pastor metodista, era músico amador. Ao terminar o colegial, Byrd já havia tocado com o grupo de Lionel Hampton. Mudou-se para Nova York, em 1955, e em dezembro do mesmo ano, foi convidado a juntar-se aos Jazz Messengers, de Art Blakey, como substituto do seu ídolo, Clifford Brown. Byrd deixou os Messengers no ano seguinte e, em 1958, assinou um contrato com a Blue Note que duraria até os anos 1980. Donald Byrd morreu em 4 de fevereiro de 2013, aos 80 anos, em Delaware, onde morava.

I'Olympia, Paris 22 de outubro, 1958

Trompete - Donald Byrd

Sax. Tenor - Bobby Jaspar

Piano - Walter Davis Jr.

Baixo - Doug Watkins

Bateria - Art Taylor

Boa audição - Namastê

sábado, 19 de agosto de 2023

Boxset CD 09 - Art Simmons, Ronnel Bright - My Funny Valentine [Rec. 1956-1958]



Artista: Art Simmons & Ronnel Bright  

Álbum: My Funny Valentine

Lançamento: 2009

Selo: Membran

Gênero: Hard Bop, Bop, Cool Jazz 

 Ronnel Bright era um pianista talentoso que teve um impacto imediato desde muito jovem. Suas composições foram gravadas por Sarah Vaughan, Cal Tjader e Blue Mitchell. Ele também colaborou com Johnny Mercer como letrista. Aos nove anos, ele ganhou um concurso de piano e foi membro da The Chicago Youth Piano Symphony Orchestra. Bright estudou na Juilliard e se formou no início dos anos 1950. Ele também tocou seus primeiros shows de jazz com uma banda do exército. Mais tarde, ele trabalhou em Chicago como baixista com Johnny Tate. Ele foi o acompanhante de Carmen McRae em meados dos anos 50. Bright imigrou para Nova York em 2005, onde se apresentou e gravou com Rolf Kuhn. Ele então formou seu próprio trio em 1956. Em 1957 e 1958, ele fez parte da big band de Dizzy Gillespie. Ele também acompanhou e regeu Gloria Lynne, Lena Horne, e Vaughan em vários pontos no final dos anos 50, 60, e foi acompanhante, maestro e maestro. Depois de se mudar para Los Angeles em 1964, ele se tornou o arranjador e maestro, pianista e diretor musical de Nancy Wilson. Em 1972, Bright ingressou na Supersax e se envolveu com o trabalho de estúdio. Bright lecionou no ensino médio por um ano depois de deixar a banda em 1974. 

Art Simmons nasceu o 5 de fevereiro de 1926 em West Virginia, EUA. Era ator e foi conhecido pelo seu trabalho em Dois Homens em Manhattan (1959), Três Quartos em Manhattan (1965) e Six-Five Special (1957). Morreu o 23 de abril de 2018 em West Virginia, EUA.

Art Simmons - Paris, 13 de março de 1956

Piano - Art Simmons

Guitarra - Terry Donoughue 

Baixo - Bill Crow

Bateria - Dave Bailey


Ronnel Bright - Paris,5 de junho de 1958

Piano - Ronnel Bright

Guitarra - Terry Donoughue 

Baixo - Dave Bailey

Bateria - Art Morgon 


 Boa audição - Namastê

quinta-feira, 17 de agosto de 2023

Boxset CD 08 - Lucky Thompson, Sammy Price - Paris Blues [Rec. 1956-1957]

Álbum: Paris Blues
Lançamento: 2009
Selo: Membran
Gênero: Boogie-Woogie, Piano Blues, Jump Blues 


 A origem do termo ‘boogie-woogie’ é desconhecido. No entanto, Dr. John Tennison, psiquiatra, pianista e musicólogo sugeriu alguns precursores interessantes da lingüística africana. Entre eles estão quatro termos africanos: a palavra ‘boog’ da língua Hausa e ‘booga’ da língua Mandinga, ambas significando ‘bater’, como batendo um tambor. Há também a palavra ‘bogi’ do Oeste Africano que significa ‘para dançar’, e ‘mbuki mvuki’ do Bantu, ‘mbuki’ que significa ‘voar’ e mvuki ‘dançar descontroladamente’. Os significados de todas estas palavras são consistentes com a dança e os comportamentos desinibidos historicamente associados a música boogie-woogie. A origem africana é evidente pois a música surgiu entre os recém-emancipados afro-americanos. Na literatura das partituras antes de 1900, há pelo menos três exemplos do uso da palavra ‘bogie’ em títulos de música nos arquivos da Biblioteca do Congresso dos EUA. E em 1901, ‘hoogie boogie’ apareceu no título de partituras publicadas. Quanto às gravações de áudio, a primeira aparição no título de uma gravação parece ter sido feita do ‘American Quartet’ por Thomas Edison em ‘That Synchopated Boogie Boo’ em 1913, e na composição ‘Boogie Rag’ de Wilbur Sweatman em 1917. No entanto, nenhum destes exemplos de partituras ou de gravação de áudio contém os elementos musicais que os identificam como boogie-woogie. As gravações ‘Weary Blues’ de 1915, do grupo ‘Louisiana Five’, uma das primeiras dixieland jazz band, e do pianista Artie Matthews são reconhecidas como as mais antigas com figuras musicais do boogie-woogie.


Lucky Thompson The Modern Jazz Group Quatet-Tentet, 5 e 6 março, 1956 - Paris

Sax Tenor - Lucky Thompson, Jean Louis Chautemps

Trompete - Fred Gerald, Roger Guerin

Trmbone - Benny Vasseur

Sax Alto - Teddy  Hameline

Sax. Barito - William Boucaya

Piano - Henri Renaud

Baixo - Benoit Quersin

Bateria - Roger Paraboschi


Lucky Thompson & & Sammy Price ,Pigalle Theatre, 6 de junho, 1957

Sax Tenor - Lucky Thompson

Vocal, Piano - Sammy Price

Guitarra - Jean-Pierre  Sasson

Baixo - Pierre Michelot

Bateria - Gerard Pochonet



terça-feira, 15 de agosto de 2023

Boxset CD 07 - Chet Baker Quartet - I'll Remember April [Rec. 1955]

Artista: Chet Baker
Lançamento: 2009
Selo: Membran
Gênero: Cool jazz, West Coast 

 Baker é aquela figura lendária dentro da história do Jazz, assim  como o medico e o mostro na literatura clássica se faz presente nas paginas dos noticiários de sua época. Apelidado por Miles Davis de 'BRANCO', Chet é e continuará sendo um dos principais músicos do cool jazz, conhecido também como West Coast Jazz, estilo que desfilou pela atmosfera quente da Califórnia em meados dos anos 1950. Por mais introspectivo e contido que seja enquadrar e associar o cool jazz como uma espécie de jazz “frio”, sem swing ou mesmo sem alma, é sem sombra de duvida quase um sacrilégio. Chet e outros músicos de sua época, como Gerry Mulligan, Miles Davis e Stan Getz, deixaram um legado grandioso, com gravações cool de ritmos ágeis e intensos solos sincopados, que são verdadeiras obras-primas do Jazz moderno. Como em toda história da música, não diferente no jazz, a figura do músico e sua vida é extremamente importante para tentarmos decifrar sua música, embora no caso de Baker, essa seja uma árdua tarefa. Dono de um rosto belo, uma espécie de James Dean, Chet Baker era um elegante jovem com um talento excepcional no trompete e dono de uma voz doce, suave e que influenciou cantores como Caetano Veloso, Gal Costa entre outros. Durante sua vida repleta de romances conturbados, encontros com jazzistas famosos da época como Bill Evans e Charlie Parker, Chet Baker acabou conhecendo na década de 60 outro universo além do musical. As drogas arrastaram o precoce e talentoso “garoto” para uma experiência que marcaria sua vida para sempre. Seu rosto branco e liso de feição terna, quase angelical, viu-se de um momento a outro transformar-se em um rosto duro, cansado e cheio de erosões. O próprio Chet Baker em seu livro "Memórias Perdidas", relata as dificuldades que a heroína, cocaína e outros estimulantes lhe trouxeram e as atrocidades que cometia e enfrentava para conseguir manter-se vivo e ativo musicalmente. Os períodos que costumava passar encarcerado de cadeia em cadeia, as crises de abstinência entre um show e outro e dividas que só aumentavam com o passar do tempo, fizeram com que ele experimentasse o sublime céu da música e o beco escuro e infernal do mundo das drogas. Chega a soar estranho dizer que apesar de todos esses problemas, o seu gênio musical ainda conseguia tirar de seu trompete um som pungente, limpo, gracioso, simplesmente único. Segundo depoimentos e livros sobre a história do Jazz, a morte de Chet Baker foi e ainda continua sendo um mistério. Teria ele se suicidado? Teria se drogado tanto a ponto de não ter mais consciência e despencar da janela de um hotel em Amsterdã? A hipótese de assassinato chegou a ser cogitada, visto que eram constantes os contatos de Chet Baker com traficantes, cujas dívidas apenas aumentavam para sustentar seu vício desenfreado. Com essa nuvem de mistério, certo é que, na noite de 13 de Maio de 1988, ironicamente uma sexta-feira, aos 58 anos a vida de um dos maiores nomes do jazz chegou ao fim. Nunca mais sua voz e o som aveludado, triste e limpo de seu trompete seriam ouvidos nos palcos dos bares, das casas de shows e acima de tudo na vida de seus admiradores e amigos. A vida de Chet segundo amigos e sua própria esposa, Carol Baker, foi uma vida intensa. Nas palavras do discógrafo dinamarquês, Hans Lerfeldt, Chet Baker teve uma vida marcada pelo mistério. “Ele surgiu para nós como um mistério e foi-se como um mistério.”


Studio Pathé-Magellan, 24 de outubro, 1955 - Paris

Trompete - Chet Baker

Piano - Gerard  Gustin

Baixo - Jimmy Bond

Bateria - Nils-Bertil Dahlander


 Boa audição - Namastê

sábado, 12 de agosto de 2023

Boxset CD 06 - Lester Young - Lullaby Of Birdland [Rec. 1959]

Artista: Lester Young
Lançamento: 2009
Selo: Membran
Gênero: Bebop, Cool jazz


 O estilo exuberante de Prez incluía a maneira de tocar o saxofone em ângulos um tanto estranho com o seu saxofone para cima em um ângulo de 45 graus, fazia a presença de Young no palco era impressionante. Suas frases, tanto em palavras quanto na música, tornaram-se lendárias entre outros músicos. Lester e seu contemporâneo Coleman Hawkins são frequentemente listados como as torres gêmeas do saxofone do jazz moderno. Um dos gigantes do jazz, Lester ao invés de adotar a abordagem então dominante de Coleman Hawkins veio com uma concepção completamente diferente. Um não-conformista que foi importante para o desenvolvimento progressivo do cool jazz, que surgiu no final de 1940. Particularmente conhecido por seu trabalho com a banda de Count Basie nos anos 30 e 40 e nas gravações com a vocalista Billie Holiday a quem apelidou de ‘Lady Day’ e esta, por sua vez, o apelidou de ‘presidente’, mais tarde encurtado para ‘pres’ ou ‘prez’. Certa vez, Young observou que seu estilo era muito parecido com o cantar de Billie Holiday. Na autobiografia de Billie, ‘Lady Sings the Blues’, Lester é citado como tendo dito que ao ouvir os discos de Billie em duetos com ele teve a impressão de que o saxofone e a voz de Billie soavam como uma única voz e se prestasse mais atenção era como se fossem uma só pessoa. A verdade é que ele amava Billie Holiday. Se o quente do jazz foi definido por Louis Armstrong em 1920, o lado lírico do jazz encontrou seus expoentes perfeitos em Billie Holiday e Lester Young durante os anos 30 e 40. Suas colaborações revelaram um lado diferente na arte do jazz. A emoção, a simplicidade e a força de expressão que somente são conseguidos através da sensibilidade. Como se para esta música sensível de Billie e Lester fosse necessário algum tipo de magnetismo, atração mútua para tornar isso possível. Ou simplesmente um romance musical. ‘All of Me’, a minha predileta, revela tudo isso. Young liderou uma série de pequenos grupos que variavam de trios, quintetos para sextetos. E a formação dos grupos poderia ser simplesmente casual e incluíam fiéis da era swing ou boppers dedicados. Parece que isso pouco importava para Lester Young. Seu som era uma das maravilhas do jazz, e não apenas por sua transparência, mas por sua suavidade. O trio de 1942 tinha Nat ‘King’ Cole no piano e Red Callendar no baixo. O solo de Young em ‘Indiana’ é uma das maravilhas do swing.  Tornou o favorito de uma nova geração de músicos de jazz, entre eles John Coltrane, Sonny Rollins e Stan Getz. E foi o destaque no filme ‘Jammin’ the Blues’, um curta de 1944 com vários proeminentes músicos de jazz reunidos em uma raríssima de ‘jam session’. 


Barclay Studios, 02 de março, 1959 - Paris

Sax. Tenor - Lester Young
Piano - René Urtregger
Guitarra - Jimmy Gourley
Baixo - Jamil Nasser
Bateria - Kenny Clarke

Boa audição - Namastê

quinta-feira, 10 de agosto de 2023

Boxset CD05 - Sarah Vaughan, Harold Nicholas, June Richmond & Andy Bey - Misty [Rec. 1958-1959]

Lançamento: 2009
Selo: Membran
Gênero: Vocal Jazz, Bebop, Cool jazz


 O canto de Vaughan teve uma exibição lendária em 1942, quando ela ganhou o renomado concurso amador do Apollo Theatre no Harlem. O pianista Earl Hines a contratou para se juntar a sua banda assim que a ouviu pela primeira vez, incluindo a Charlie Parker e Dizzy Gillespie, dois dos mentores do bop em ascensão. Vaughan absorveu suas inovações, acrescentando a elas seu som extraordinariamente belo. O que faltava a ela foi explicado em uma crítica: “Ela não é exatamente bonita de se olhar.” Vendo seu potencial, ele investiu em uma reforma completa - penteado, alisamento dos dentes, vestidos - e engenhosamente a guiou para os holofotes. Ao longo de muitas páginas trabalhosas, Hayes analisa o casamento em termos da história de Pigmalião e dos contos de fadas: expressões de “valores patriarcais” usadas para “controlar as mulheres e minar sua individualidade e realizações”. Treadwell, ela acrescenta, tinha uma “compreensão inteligente” do fato de que o público da época, especialmente os brancos, “precisava que Vaughan parecesse silencioso, submisso, impotente e não perturbador para que, ironicamente, eles pudessem ouvir sua voz, com sua vitalidade, humanidade, beleza e capacidade de desafiar as fronteiras raciais”. Poderia a história ser simplesmente a de um acompanhante obscuro que se casou com uma estrela em ascensão e teorizar demais também sobrecarrega seu estudo dos sucessos peso pena que Vaughan gravou nos anos 50 para seu novo selo, Mercury. O sedutor “Fique à vontade”, escreve o autor, “refletiu as visões do pós-guerra sobre a domesticidade e o papel aceitável das mulheres”. Para Hayes, “Quão importante pode ser” (“Que eu provei outros lábios? / Isso foi muito antes de você vir até mim / Com a maravilha do seu beijo”) era “uma linha de história em harmonia com os papéis de gênero contemporâneos e costumes sexuais.” Vaughan provavelmente teria revirado os olhos com essas afirmações. Por mais dolorosos que tenham sido seus primeiros encontros com o racismo - Hayes relata vários - eles não a definiram nem a impediram. Apesar do que a autora afirma, Vaughan não era uma “mulher de raça”; ela não estava inclinada a marchar, fazer campanha ou cruzada. Seu significado racial é mais o de uma mulher negra talentosa e de alto desempenho que inspirou pelo exemplo. As principais batalhas da cantora foram românticas, e Hayes detalha as pós-Treadwell comovente. Vaughan continuou convidando os homens por quem ela se apaixonou para administrá-la, o que causou problemas. Em 1958, ela se casou com Clyde B. Atkins, um charlatão abusivo que jogou fora seu dinheiro. Ela viveu nos anos 70 com o sólido Marshall Fisher, que colocou sua carreira vacilante de volta nos trilhos. Mas em 1978, Vaughan mudou para um romance vertiginoso, depois um breve casamento, com um homem muito mais jovem, o trompetista Waymon Reed, que amigos descreviam como controlador e violento. Seu instrumento, pelo menos, nunca a decepcionou, e Vaughan deu como certo, fumando e cheirando coca. Em 1989, ela descobriu que tinha câncer de pulmão. No Blue Note em Nova York, onde ela cantou pela última vez, sua voz soou magicamente intocada. Ela morreu seis meses depois, aos 66 anos. Imitar Vaughan, como muitos fizeram, parece nada além de falso; seu som e estilo eram sua impressão digital, intransferíveis. Seu verdadeiro legado foi resumido para mim pela cantora de jazz Dianne Reeves, que relembrou sua primeira resposta a Vaughan: “Quer dizer, existem esses tipos de possibilidades?” Nesse quesito, “Rainha do Bebop” não deixa dúvidas.- James Gavin, Uma nova biografia para Sarah Vaughan 

Paris, july 07, 1958
Sarah Vaughan (faixas 01, 11)
Paris, 1959
Harold Nicholas et son orchestre (faixas 12, 18)
Paris, 1959
June Richmond and The Quincy Jones Orchestra (faixas 19, 22)
Paris, 1959
Andy and The Bey Sisters (faixas 23, 24)

Boa audição - Namastê

terça-feira, 8 de agosto de 2023

Boxset: CD04- Mary Lou Williams - Autumn In New York [Rec. 1954]

Artista: Mary Lou Williams

Álbum: Autumn In New York [Rec. 1954]

Lançamento: 2009

Selo: Membran

Gênero: Swing, Bop, Boogie Woogie


 O talento de Mary Lou Williams mostrou-se já na adolescência, quando tocava na Filadélfia com Duke Ellington. Foi na banda Clouds of Joy, de Andy Kirks, que a pianista aprendeu a compor e arranjar com estilo próprio e inovador. Nos anos 40, reunia músicos da época como Dizzy Gillespie, Tadd Dameron e Thelonious Monk em seu apartamento em Nova Iorque que servia de ponto de encontro para toda essa efervescência musical. Muito espiritualizada, Williams atendeu ao chamado da alma e passou a compor música religiosa, lançando vários discos com essa temática até sua morte em 1981. Foi dominante como pianista, arranjadora, compositora e bandleader por mais de três décadas, durante a era do swing até as vanguardas dos anos 1960. Duke Ellington a considerava “perpetuamente contemporânea. Sua escrita e sua performance sempre estiveram um pouco à frente. Sua música tem uma qualidade atemporal” e mestra do blues, do swing e do bebop. Tocou o piano, ao lado dos Ray Charles Singers regidos por Howard Roberts. Seu elevado nível de qualidade musical destruiu estereótipos de gênero no fechado clube do bolinha do jazz onde só cabiam normalmente cantoras. Depois de um show em Paris em 1954, Mary Lou afastou-se do mundo do jazz. Queria encontrar significados mais profundos para sua vida. Meditava e rezava diariamente em seu apartamento no Harlem e numa igreja católica. Nos 24 anos que teve de vida, até 1981, seu maior desafio foi balancear suas crenças religiosas com seu trabalho no jazz.

Gravado em 11 e 14 de janeiro de 1954, Paris

Piano – Mary Lou Williams
Vocal - Beryl Briden
Trompete – Nelson Williams
Sax. Tenor - Ray Lawrence
Trompa Francesa – Dave Amram
Baixo - Buddy Banks
Bateria - Jean-Louis Viale, Kansas Fields, Jacques Davis

Boa audição - Namastê

sábado, 5 de agosto de 2023

Boxset: CD03 - Lionel Hampton And His French New Sound - A La French [Rec. 1955]

Artista:  Lionel Hampton

Álbum:  A La French [Rec. 1955]

Lançamento: 2009

Selo: Membran

Gênero: Swing, Hard Bop

Considerado o primeiro vibrafonista do jazz, também foi um hábil baterista, pianista e cantor e ímpeto líder de bandas. Ao longo da sua vida, Hampton tocou com os grandes nomes do jazz desde Benny Goodman e Buddy Rich, a Charlie Parker e Quincy Jones. Como membro do grupo de Benny Goodman ele fez alguns de seus melhores discos, tendo solos memoráveis em canções como ‘Dizzy Spells’ e ‘Moonglow’. Ele também realizou sessões de gravação com músicos lendários como Coleman Hawkins, Benny Carter e Nat Cole, alguns dos melhores do jazz da época. Lionel Leo Hampton nasceu em Louisville, Kentucky, e foi criado por sua avó e em 1916 sua família mudou-se para Chicago. Na juventude, Hampton era um membro do ‘Bud Billiken Club’, um clube para jovens negros. Durante a década de 20, quando ainda era um adolescente teve aulas de xilofone e bateria com o baterista de blues e jazz Jimmy Bertrand. E mudou para Califórnia em 1927 ou 1928, tocando bateria para o ‘Dixieland Blues-Blowers’. Sua estreia em gravações foi com ‘The Quality Serenaders’, e foi baterista do bandleader Les Hite. Durante este período começou a praticar no vibrafone. Em 1930, Louis Armstrong chegou à Califórnia e contratou a banda de Les Hite, pedindo a Hampton para tocar o instrumento. Assim começou sua carreira como vibrafonista, popularizando o seu uso desde então. Durante os anos 30, ele estudou música na ‘University of Southern Califórnia’. Em 1934, conduziu a sua própria orquestra. Em 1936, a orquestra de Benny Goodman chegou a Los Angeles para tocar no famoso salão de dança ‘Palomar Ballroom’, e Goodman convidou Lionel Hampton para integrar seu trio, que assim se tornou o famoso ‘Benny Goodman Quartet’, com o pianista Teddy Wilson e o baterista Gene Krupa completando o lineup. O trio e depois quarteto estavam entre os primeiros grupos de jazz racialmente integrados e em uma época que o jazz era dominado por grandes bandas. Enquanto trabalhou para Goodman em New York, Hampton também gravou com diversos pequenos grupos conhecidos como ‘Lionel Hampton Orchestra’. Em 1940 deixou Goodman em circunstâncias amistosas para formar sua própria big band que se tornou popular durante os anos 40 e início dos anos 50. Sua terceira gravação em 1942 produziu uma versão do clássico ‘Flying Home’ com solo do saxofonista Illinois Jacquet que antecipou o rhythm & blues. O sucesso fez com que gravasse ‘Flying Home, Number Two’ com o saxofonista Arnett Cobb. O guitarrista Billy Mackel ingressou em sua orquestra em 1944, e iria tocar e gravar com ele quase continuamente através dos anos 70. Em 1947 Lionel Hampton gravou ‘Stardust’ com o trompetista Charlie Shavers e com o baixista Slam Stewart no concerto ‘Just Jazz’. Dos anos 40 até início dos anos 50, Hampton gravou para a ‘Decca Records’ com inúmeros jovens artistas que mais tarde alcançaram fama, como o baixista Charles Mingus, o saxofonista Johnny Griffin, o guitarrista Wes Montgomery, a vocalista Dinah Washington e o tecladista Milt Buckner. E continuou a gravar com pequenos grupos e em jam sessions. Durante os anos 60, os grupos de Hampton estavam em declínio, e não se saíram muito melhor na década de 70. Mesmo assim, Lionel Hampton permaneceu ativo até sofrer um derrame em Paris em 1991. Esse incidente, combinado com anos de artrite crônica forçou-o a parar drasticamente. Em 1997, seu apartamento pegou fogo e destruiu seus prêmios e pertences. Hampton escapou ileso vindo a falecer em 2002.

Gravado em 19 de março de 1955, Schola Cantorum, Paris

Vibrafone – Lionel Hampton

Trompete – Nat Adderley, Benny Bailey, Bernard Hulin,

Trompa Francesa – Dave Amram

Sax. Tenor e Clarinete – Maurice Meunier, Ray Lawewnce

Sax. Barito – William Boucaya

Piano – René Urtreger, Mary Lou Williams

Baixo – Guy Pedersen, Buddy Banks

Bateria – Jean-Baptiste "Mac Kac" Reilles

Guitarra – Sacha Distel

Vocais - Mary Lou Williams, Beryl Briden


 Boa audição - Namastê

quinta-feira, 3 de agosto de 2023

Boxset: CD02 - Art Blakey's Jazz Messengers And Barney Wilen - Moanin [Rec. 1958-1959]

Artista:  Art Blakey

Álbum: Moanin [Rec. 1958-1959]

Lançamento: 2009

Selo: Membran

Gênero: Hard Bop, Soul-Jazz

 
Arthur Blakey nasceu em Pittsburgh, Pensilvânia, em 1919. Na juventude, trabalhou em uma fábrica de aço e como muitos músicos de jazz começou sua educação musical nos cultos religiosos. Ele era filho adotivo e estudou religião em casa, bem como piano. Na adolescência já era líder de sua própria banda que se apresentava em clubes locais, mas decidiu que se sairia melhor como baterista. Em 1939 deu um grande passo quando passou a executar com o bandleader Fletcher Henderson e sua orquestra. No outono de 1942, Art e seu grupo se juntou a pianista Mary Lou Williams. Depois de um ano em Boston, Blakey foi contratado pelo cantor Billy Eckstine como baterista de seu grupo, que na época era uma espécie de incubadora de talentos do movimento bebop. Eckstine decidiu dissolver o grupo em 1947, e Blakey formou o ‘The Seventeen Messengers’. No mesmo ano, realizou várias sessões com o pianista Thelonious Monk. A música gravada durante as sessões produziram as primeiras versões de algumas das mais famosas composições de Monk, como ‘Round Midnight’, ‘Well, You Needn’t’ e ‘Ruby, My Dear’. No ano seguinte, Blakey fez uma viagem para a África Ocidental para satisfazer a sua curiosidade sobre religiões do mundo principalmente a cultura islâmica e ingressou na comunidade muçulmana ‘Ahmadiyya’ e tomou para si um nome Islâmico, Abdullah Ibn Buhaina. Em 1949, retomou sua participação na cena bebop, tocando com Miles Davis e Charlie Parker. Em 1954, liderou um quinteto com o pianista Horace Silver, o baixista Curly Russell, o trompetista Clifford Brown e o saxofonista Lou Donaldson. No mesmo ano, o quinteto gravou ‘A Night at Birdland’ que se tornou um clássico do hard bop. No mesmo ano, apareceu no álbum ‘Somethin ‘Else’ do saxofonista Cannonball Adderley, juntamente com Miles Davis. No final de 1954, Blakey e Horace Silver formaram o ‘The Jazz Messengers’, com o trompetista Kenny Dorham, o saxofonista Hank Mobley e o baixista Doug Watkins. O grupo se dissolveu em 1956 e Blakey reviveu o grupo como ‘Art Blakey and The Jazz Messenger’ que encarnou o som do hard bop ao longo dos quase quarenta anos seguintes incluindo os trompetistas Donald Byrd, Lee Morgan, Freddie Hubbard e Wynton Marsalis, bem como o saxofonista Wayne Shorter e os pianistas Keith Jarrett e Joanne Brackeen. Em 1958 é gravado o álbum ‘Moanin’, clássico do jazz, com a formação da foto, que foi introduzido no ‘Grammy Hall of Fame‘ em 2001. Art Blakey morreu em 1990, em Manhattan, com a idade de setenta e um anos, após uma longa batalha contra o câncer de pulmão. Quinze anos após sua morte, foi agraciado com o prêmio ‘Grammy Award for Lifetime Achievement’ por sua contribuição ao jazz.

1-3: Theatre des Champs-Elysees, 18 Dezembro, 1959
Bateria – Art Blakey
Trompete – Lee Morgan
Sax. Soprano – Barney Wilen
Sax. Soprano – Wayne Shorter
Piano – Bud Powell, Walter Davis, Jr.
Baixo – Jymmy Merritt 

4-9: I'Olympia - Paris, 22 Novembro e 17 Dezembro, 1958 
Bateria – Art Blakey
Trompete – Lee Morgan
Sax. Soprano – Barney Wilen
Sax. Soprano – Wayne Shorter
Piano – Bud Powell, Walter Davis, Jr.
Baixo – Jymmy Merritt 

Boa audição - Namastê