sábado, 5 de julho de 2008

1965 - Ascension

Divido a carreira de John Coltrane em quatro fases. A primeira dela, como um oriundo saxofonista hardbop, mas propenso a um hardmam de luxo em bandas em especial com Miles Davis, se firmando como um saxofonista inexpressivo. Segunda fase é quando ele começa a fazer uma releitura das formas expressivas do jazz, experimentado novos modelos de sonoridade e se recuperando da primeira queda com as drogas, com uma volta filtrada da química que corria em sua veias, tocando com T. Monk e participando do Kind of Blues de Miles.Terceiro fase é quando se lança em uma promissora carreira solo com uma impar e inigualável inspiração em cada álbum lançado até chegar a sua maior obra", A Love Supreme" com grande estrelado. E a quarta fase é em seus últimos momentos de 1965-67 quando morreu vitimado por câncer, onde dedicou quase que exclusivamente em suas gravações ao ponto de desmarcar agenda lotada de shows. A fome insaciável de coltrane por novos vocabulários foi crucial para produção de álbuns exemplares como 'Ascension', 'Meditation', 'Living Space', 'Sun Ship', 'Stellar Regions', 'Expression' e 'Interstellar Space'. Multifacetado, percorreu a trilha em direção a espiritualidade, sem jamais perder o fogo dos arranjos atonais e polirritmicos. Durante a maioria dos discos gravados entre 1965 e 1967, o clássico quarteto de sua fase mais popular e consagrada (61-64), foi trocado por formações pomposas, com sete ou dez instrumentistas, todos dedicados aos arranjos drásticos e desafiadores promovidos pelo líder. O plano era encontrar a linguagem para conversar com Deus (ou intenda-se de passagem os não ortodoxos) confabular um canto que no mínimo, Coltrane purificase a alma dos mais céticos. Para a gravação de “Ascension”, Coltrane recrutou sete músicos de extraordinária habilidade expressavas da época, além dos três magníficos que completavam o famoso John Coltrane Quartet, elaborado com apenas duas composição de aproximadamente 40 minutos cada, baseada em um tema curto, mas chancelada pela improvisação coletiva de uma orquestra formada por cinco saxofonistas (Coltrane, Pharoah Sanders e Archie Shepp no tenor; Marion Brown e John Tchicai no alto), dois trompetistas (Freddie Hubbard e Dewey Johnson), dois baixistas (Art Davis e Jimmy Garrison), McCoy Tyner no piano e Elvin Jones na bateria. Talvez seja o disco mais brilhante do compositor, mas carrega a fama de complexo e do experimental demais. Há quem ame, porém, muitos não o suportam. Em 1965, John Coltrane recebeu três prémios nas categorias de "Artista do Ano", "Melhor Saxofonista" e o "Jazz Hall of. Fame", promovidos pela revista Down Beat. Nesse ano, Coltrane gravou o seu opus magnum, intitulado Ascension, uma das obras seminais do jazz contemporâneo, que provocou enorme impacto no público do jazz (e de outros gêneros e subgêneros, como o rock psicodélico da segunda metade da década de 60), e profundas divisões na crítica, com clara separação em conservadores e progressistas. Com Ascension, cujo precedente estético fora Free Jazz de Ornette Coleman, Coltrane criou um novo paradigma na arte da improvisação colectiva e individual, pela monumentalidade da estrutura, densidade harmônica e interação entre solistas, orquestra e seção rítmica, a um nível organizacional nunca antes experimentado. É certo que Ornette Coleman já havia desenvolvido uma proposta aproximada, quando gravou com um duplo quarteto, o marcante disco “Free Jazz” (Atlantic, 1960), mas a proposta de Coltrane prolonga-se em termos de intensidade, força e libertação. Um fato curioso foi a maneira com coltrane regeu essa quase orquestra com simples acenos quando necessitado na elaboração das notas e nos improvissos que cada musico faria.

Tracks:
01 – Ascension Edition II
02 – Ascension Edition I

Pessoal:
John Coltrane – Sax. Tenor
Archie Shepp – Sex. Tenor
Pharoah Sanders - Sax. Tenor
John Tchicai – Sax. Alto
Marion Brown – Alto Sax
Freddie Hubbard - Trompete
Dewey Johnson - Trompete
Jimmy Garrison - Baixo
Art Davies - Baixo
McCoy Tyner - Piano
Elvin Jones - Bateria

Download - Here

Boa audição - Namastê

2 comentários:

Vagner Pitta disse...

Um excelente acervo Sr Borboleta



Seu blog já está entre os links preferidos do Farofa Moderna



abraços!

BORBOLETAS DE JADE disse...

Pitta,
Grato pela lisonjas e quero agradecer pela oportunidade que vem dando ao meu blog de se enteirar com seu publico.confesso que tenho muito trabalhos a ser postado em seu blog com a mesma finalidade que comecei, intercalando junto com o meu "BORBOLETAS DE JADE".Aguardo um comentario ou dica sobre o blog que esta ainda engatinhando.Gostaria de saber como vc montou um slide show no seu e como faço pra colocar um no meu.
Grato mais uma vez e meu muito consteno.
Namastê.