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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Boxset: La Grande Histoire Du Jazz, do Ragtime ao Swing 1898-1952 (25CDs)


Lançamento: 2009
Selo: Le Chant du Monde 
Gênero: Swing, Ragtime, Big Band, Early Jazz, New Orleans Jazz, Dixieland, Harlem Stride Piano, Gipsy Jazz (Jazz Manouche), Negro Spirituals/Gospel


O epílogo além do tempo: O Jazz como espelho da eternidade aparece no vigésimo primeiro volume desta antologia opera em uma dimensão distinta: a do pós-histórico. Se o CD20 foi a consagração do Jazz como patrimônio universal o CD21 é o vislumbre do Jazz como uma entidade que não depende mais da cronologia para existir além de atua como um "apêndice metafísico", onde as fronteiras entre o artista, a época e a técnica se dissolvem. Estamos diante de registros que, embora nascidos da mesma raiz explorada desde 1898, parecem flutuar acima do tempo. A tenatica de fundo deste volume é a intemporalidade, a estética é ditada não pelas tendências de uma década mas pela autoridade da expressão individual. O contraste entre o que é "antigo" e o que é "moderno" perde todo o sentido, tudo o que ouvimos é contemporâneo porque é honesto. Culturalmente este disco funciona como o testamento da resiliência do gênero: o Jazz aqui já não precisa se adaptar ao mundo — o mundo é que se curva para ouvir o que o Jazz tem a dizer sobre a própria condição humana. A técnica neste volume atinge um patamar de transparência radical: A "redução" à essência: o excesso de notas, a complicação harmônica gratuita ou o exibicionismo técnico foram filtrados o que resta é uma música de "gestos fundamentais". Cada nota parece ter sido escolhida após o descarte de mil outras possíveis. A interdependência telepática dos grupos que compõem este volume final operam em um nível de sintonia que ignora a estrutura escrita. É o triunfo da intenção sobre a partitura onde o grupo não toca o tema; o grupo encarna o tema. O som como respiro no uso da dinâmica é extremo. Há momentos de um silêncio quase insuportável seguidos por explosões de uma energia contida que só faz sentido quando compreendemos que o músico está tratando o instrumento como uma extensão direta de seu sistema nervoso. A harmonia da ambiguidade, a exploração tonal aqui chega a um nível onde a música oscila entre o modo e a atonalidade sem esforço como se o músico estivesse narrando um sonho onde a lógica convencional não tem domínio. Curiosidades Históricas das Gravações como testemunho e Diferente dos volumes iniciais onde a gravação era um desafio contra o tempo limitado do disco de cera, aqui o estúdio é apenas o "espaço de revelação". A tecnologia é tão avançada que ela se torna invisível; a sensação é de estar sentado dentro do círculo de músicos, participando da mesma respiração. O reencontro com o ancestral é notável a frequência com que artistas neste volume, no auge de sua maturidade técnica, retornam a frases que remetem diretamente ao início da coleção. O CD21 é um círculo que se fecha sobre si mesmo, conectando o primeiro ragtime de 1898 com a liberdade absoluta deste momento. A "mística" da performance em muitos dos registros aqui contidos foram capturados em momentos onde o músico, alheio à existência de um público ou de um mercado, tocava apenas para "o espelho". É a gravação da arte despida de qualquer finalidade comercial. O CD21 é documentalmente, o além-túmulo do Jazz e prova viva que a música não se esgota. Se a "La Grande Histoire du Jazz" é a Bíblia do gênero, este volume é o livro que se escreve nas entrelinhas. Ele não encerra a história; ele a torna infinita. Para o ouvinte, este é um registro de desapego: não se ouve para aprender, não se ouve para analisar, ouve-se para ser através da música. É o triunfo do espírito sobre a estrutura. Nesta jornada épica através de vinte e um volumes de som e história, e observando como este último CD nos coloca em um espaço de pura transcendência, eu lhe devolvo a pergunta final: após termos percorrido todo este caminho, do "Ragtime" ao "Infinito", o Jazz ainda pode ser chamado de "Gênero Musical", ou ele se revelou, em última instância, ser algo maior — talvez uma forma de conhecimento, uma maneira de compreender o mundo através do som que nunca precisou de definições para ser verdadeiro?.

Boa audição - Namastê

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Boxset: La Grande Histoire Du Jazz, do Ragtime ao Swing 1898-1952 (25CDs)


Lançamento: 2009
Selo: Le Chant du Monde 
Gênero: Swing, Ragtime, Big Band, Early Jazz, New Orleans Jazz, Dixieland, Harlem Stride Piano, Gipsy Jazz (Jazz Manouche), Negro Spirituals/Gospel


A transcendência do estilo como reflexo da modernidade tardia aborda o volume desta coleção transcende o rigor cronológico para atuar como uma releitura hermenêutica do legado acumulado até então. Se o volume anterior marcou a abertura para o novo, o CD16 cristaliza o Jazz como um sistema de pensamento. Estamos aqui no terreno da "Modernidade Tardia", onde a música deixa de ser um evento para se tornar uma atmosfera. Este volume não documenta apenas uma época, mas a maneira como os músicos passaram a habitar o vocabulário que eles mesmos construíram nos 15 volumes anteriores. O pano de fundo deste CD é o início do reconhecimento do Jazz como uma "Arte de Câmara" de escala global. A estética aqui é a do equilíbrio reflexivo. O contraste entre a urgência do passado e a calma do presente é resolvido através da sofisticação do "fazer musical". Culturalmente, o jazz desliga-se de vez da necessidade de ser um produto de entretenimento puro ou um manifesto político imediato; ele se torna o domínio do artesão-filósofo, um espaço onde o tempo é suspenso para a exploração de nuances tímbricas e harmônicas que antes passavam despercebidas. A evolução técnica neste volume revela um refinamento quase cirúrgico: A "escuta ativa" do solista, o músico já não toca sobre a harmonia; toca com a harmonia, tratando cada acorde como um organismo vivo, repleto de tensões e resoluções alternativas. É a era do detalhismo harmônico. O triunfo do "Space": Se o Bebop era a saturação de notas, este volume valoriza o intervalo. O silêncio ganha peso de nota musical, funcionando como um elemento dramático que dá contorno e propósito à improvisação. A timbre como assinatura mais do que a nota tocada, o foco vira a qualidade do som (o tone). A busca por uma sonoridade única — um vibrato específico, uma forma particular de atacar a nota — torna-se o principal objetivo do solista. A estrutura como escultura nas composições neste volume são tratadas com um rigor de escultura: o tema é introduzido, desconstruído e reconstruído durante a improvisação, mantendo uma unidade arquitetônica que conecta o início e o fim da faixa como um círculo perfeito. A "memória" da gravação permite perceber como a tecnologia de estúdio (agora mais evoluída) começou a influenciar a própria composição. Músicos que sabiam que seriam ouvidos com clareza em sistemas de alta fidelidade começaram a compor peças que exploravam o silêncio e as dinâmicas extremas, algo que os discos de cera de 1920 teriam suprimido. O intercâmbio cultural é fascinante notar neste volume as influências de estéticas globais que começavam a circular. O jazz aqui já não é uma música americana exportada; é uma linguagem que já foi processada por sensibilidades europeias, latinas e asiáticas, tornando-se o primeiro gênero musical verdadeiramente cosmopolita. O status de "clássico" captura o momento em que os grandes nomes do jazz passaram a ser vistos como "clássicos em vida". A abordagem musical é, portanto, de reverência e, ao mesmo tempo, de ousadia revisionista. O CD16 é um exercício de essencialismo. Documentalmente, ele cumpre o papel de demonstrar que, após a exploração técnica, o Jazz atingiu o seu estágio de "sabedoria": a capacidade de dizer tudo com o mínimo necessário. É um volume que convida à escuta contemplativa, sendo o ponto de chegada ideal para quem deseja compreender que a complexidade do Jazz, no fundo, sempre serviu para alcançar uma simplicidade emocional profunda. É a prova final de que o Jazz se tornou uma linguagem capaz de conter a totalidade da experiência humana. PerguntA: se o jazz é um organismo vivo que passou por todas essas fases — da rusticidade do Ragtime à sofisticação absoluta deste décimo sexto volume — em que medida você acredita que o jazz, hoje, ainda mantém uma conexão real com a sua origem, ou ele se transformou em uma "língua morta" que preservamos em museus, admirando sua beleza sem que sejamos mais capazes de recriar sua pulsão original?

Boa audição - Namastê


quarta-feira, 22 de julho de 2026

Boxset: La Grande Histoire Du Jazz, do Ragtime ao Swing 1898-1952 (25CDs)

Lançamento: 2009
Selo: Le Chant du Monde 
Gênero: Swing, Ragtime, Big Band, Early Jazz, New Orleans Jazz, Dixieland, Harlem Stride Piano, Gipsy Jazz (Jazz Manouche), Negro Spirituals/Gospel


O estio do Jazz: O equilíbrio entre a vanguarda e o lirismo narca o décimo terceiro volume da coleção "La Grande Histoire du Jazz" situabdo-se em um momento de consolidada sofisticação pós-revolucionária. Se os volumes anteriores documentaram a ruptura sísmica do Bebop, este reflete um período de "sedimentação". Aqui, a linguagem moderna já está assimilada; os músicos não precisam mais provar sua capacidade técnica através da velocidade excessiva e o jazz entra em uma fase de reflexão onde o timbre, a melodia e o arranjo recuperam o protagonismo, sem, contudo, abandonar a complexidade harmônica conquistada. A temática do pano de fundo deste volume é a "era da introspecção", o jazz dos anos 40 tardios e início dos 50, registrado aqui, revela uma estética que transita entre a urgência urbana de Nova York e o surgimento de uma sensibilidade mais lírica. Há um nítido contraste entre a ferocidade de antigamente e uma nova calma, quase cinematográfica. Culturalmente, o jazz começa a se estabelecer como uma arte que demanda escuta profunda, apropriando-se dos clubes e teatros como espaços de contemplação. A construção do gênero e a evolução técnica documentada neste volume é um estudo de polimento e refinamento: O ressurgimento da melodia após a desconstrução quase hermética do início do Bebop, este volume mostra como os solistas redescobriram o valor do espaço e da pausa. As frases musicais tornam-se mais desenhadas, com um sentido de forma que busca o equilíbrio entre o inesperado e o familiar. A "cor" orquestral observa-se um uso mais criativo dos instrumentos menos convencionais e uma atenção maior à textura sonora como a maneira do piano "enquadra" o solista em acordes dispostos de forma mais espaçada e harmônicas menos ruidosas, confere à música uma elegância que define o início do Cool Jazz. O domínio do estúdio na gravação torna-se, de fato, um instrumento em si. As técnicas de equalização e a proximidade da microfonação começam a ser usadas para destacar as nuances do toque — o ar no saxofone, o ataque preciso na tecla do piano, a textura das escovinhas na bateria. A estrutura do "Standard" do jazz aqui consolida o uso dos standards (canções do cancioneiro americano) como plataforma para a improvisação profunda, elevando essas melodias a novos patamares de complexidade harmônica. A persistência do Blues, apesar de toda a modernização harmônica, é fascinante notar como o blues nunca desaparece do vocabulário desses músicos. Ele permanece como a "espinha dorsal" invisível, a gramática básica que mantém a música aterrada, não importa quão longe o solista vá em suas explorações melódicas. A transição do "Bop" para o "Cool" traz neste CD funcional como uma crônica da transição entre a "quente" energia da 52ª Rua e o novo som mais "frio" que começava a emanar dos estúdios da Costa Oeste. É possível ouvir, faixa a faixa, a mudança de paradigma na escolha das notas e na intenção do fraseado. O nascimento do intérprete como "Auteur", mais do que nunca, os nomes presentes neste volume começam a ser vistos não apenas como instrumentistas, mas como curadores de um som pessoal. A assinatura sonora de cada solista torna-se seu maior patrimônio. O CD13 é um triunfo de maturidade artística. Documentalmente, ele é a prova de que o Jazz, ao se tornar mais refinado, não perdeu sua alma, mas ganhou em profundidade. É um registro essencial para entender como a música de improviso evoluiu de um exercício de bravura para uma forma de meditação sonora. Para o ouvinte, este volume oferece a satisfação de uma música que é, ao mesmo tempo, intelectualmente desafiadora e esteticamente reconfortante. Como observando esta fase em que o jazz começa a abraçar o lirismo e o refinamento harmônico, você consideraria essa tendência como uma "domesticacão" da energia selvagem do Bebop, ou como a etapa final da evolução do jazz em direção a uma forma de arte absoluta, capaz de comportar qualquer nível de complexidade sem perder a elegância?


Boa audição - Namastê

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Boxset: La Grande Histoire Du Jazz, do Ragtime ao Swing 1898-1952 (25CDs)

Lançamento: 2009
Selo: Le Chant du Monde 
Gênero: Swing, Ragtime, Big Band, Early Jazz, New Orleans Jazz, Dixieland, Harlem Stride Piano, Gipsy Jazz (Jazz Manouche), Negro Spirituals/Gospel

O refinamento da revolução, a maturidade do Bebop e o surgimento do Cool são abordagem no décimo segundo volume da coleção "La Grande Histoire du Jazz", situando-se em um momento de equilíbrio delicado: a consolidação da linguagem do Bebop e o surgimento das primeiras sementes de uma estética oposta, o Cool Jazz. Se o volume anterior foi o grito de independência da nova vanguarda, o CD12 é o registro da sua maturidade. Estamos na metade final dos anos 40, um período em que a agressividade inicial do Bop começa a ceder lugar a uma nova elegância, e onde a busca por um fraseado mais lírico e estruturado passa a ocupar a mente dos grandes improvisadores.O pano de fundo deste CD é o amadurecimento dos clubes de jazz como templos de escuta, a estética marcada pelo contraste entre a intensidade frenética — que ainda dita o pulso da época — e um novo intelectualismo que valoriza o silêncio, a economia de notas e a precisão tonal. É um momento de respiro após a revolução. Culturalmente, o jazz começa a absorver influências da música erudita ocidental, buscando legitimidade através de harmonias mais complexas e arranjos que flertam com o impressionismo. A construção do gênero e evolução técnica apresentada neste volume reflete uma sofisticação na exploração dos recursos musicais: A "lógica" do pmproviso deixa de ser apenas uma demonstração de velocidade para se tornar uma construção temática. Os solistas deste volume demonstram uma capacidade única de desenvolver motivos melódicos ao longo do solo, algo que diferencia os mestres dos meros virtuosos. A textura dos grupos uma diversificação nos tamanhos dos grupos. Enquanto os trios de piano e os quintetos de sopro se tornam o padrão ouro, percebemos um uso muito mais criativo do piano como instrumento de acompanhamento, introduzindo acordes com voicings (disposições de notas) cada vez mais densos e modernos. O controle do tom, a busca pela pureza sonora é evidente. O vibrato quase banido no auge do Bebop, começa a ser utilizado de forma parcimoniosa, revelando um cuidado com a "cor" da nota que prenuncia a era do Cool. A interação rítmica na seção rítmica aqui é quase telepática con o diálogo entre o baterista, o baixista e o pianista é constante, criando um fluxo sonoro onde o tempo não é algo rígido, mas uma entidade orgânica que respira conforme a narrativa do solista. Curiosidades históricas da "Era de Ouro" das Jam Sessions: O volume capta a atmosfera das jam sessions que se tornaram mais organizadas. É um período em que os músicos, agora cientes de que estavam criando uma nova tradição, começam a registrar com mais cuidado as suas descobertas, elevando o status do músico de jazz a um nível de "artista de estúdio". A influência da gravação em Long-Play (LP) embora o formato de 78 rpm ainda dominasse a transição tecnológica para o LP verdaeiranebte dito começou a pairar no horizonte, permitindo que os artistas pensassem em solos mais longos e estruturas narrativas menos limitadas pelo tempo físico. Este CD reflete essa ambição de "dizer mais". Já o dialogo entre escolas é fascinante observar neste volume como a energia da Costa Leste (Nova York) começa a dialogar com as propostas mais contidas e líricas que começavam a surgir na Costa Oeste (Califórnia). Este CD é um mapa desse intercâmbio. O CD12 é, documentalmente o atestado de que o Jazz não só sobreviveu à sua própria revolução como floresceu através dela. Ele registra um momento de transição em que a música tendo alcançado a liberdade radical, decide usar essa liberdade para construir beleza e complexidade estruturada. Para o ouvinte este volume oferece a satisfação de uma música que atingiu o seu estágio de "clássico" moderno: tecnicamente irrepreensível, emocionalmente profunda e historicamente inquestionável. Como historiador musical, observando como o Bebop começou a "se acalmar" e abrir espaço para o nascimento de estéticas mais líricas neste décimo segundo volume, então fica a pergunta: você diria que o Jazz, ao se tornar mais "clássico" e intelectualizado nesta fase, perdeu definitivamente a sua capacidade de se conectar com a visceralidade do Blues, ou acredita que o Blues apenas se transformou em uma estrutura invisível, mais interna e sofisticada, que continua a sustentar tudo o que ouvimos aqui?


Boa audição - Namastê

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Boxset: La Grande Histoire Du Jazz, do Ragtime ao Swing 1898-1952 (25CDs)


Lançamento: 2009
Selo: Le Chant du Monde 
Gênero: Swing, Ragtime, Big Band, Early Jazz, New Orleans Jazz, Dixieland, Harlem Stride Piano, Gipsy Jazz (Jazz Manouche), Negro Spirituals/Gospel


A aurora da modernidade no nascimento da linguagem do Bebop Introduz o décimo primeiro volume dessa coleção marcando o ponto de inflexão mais drástico na cronologia do gênero. Se o CD 10 foi o crepúsculo das grandes orquestras, este CD é a aurora da revolução do Bebop. Estamos no meio da década de 1940, um período de radicalização estética onde o jazz abandona definitivamente o seu papel de música de dança para assumir o seu lugar como arte de vanguarda. Este volume captura a transição definitiva da "música de entretenimento" para o "jazz como discurso artístico". O pano de fundo é a atmosfera de fervura intelectual dos clubes da 52ª Rua em Nova York. A estética deste volume é marcada pela tensão e urgência. Há um contraste absoluto entre a cadência relaxada do Swing e a angústia frenética e tecnicamente exigente desta nova linguagem. O jazz deixa de ser o conforto das pistas de baile para se tornar um desafio auditivo. É uma música urbana, noturna, cerebral, que reflete a ansiedade do pós-guerra e a busca de uma identidade negra artística que não dependesse da aprovação da indústria de entretenimento comercial. A evolução técnica apresentada neste volume é uma verdadeira desconstrução dos pilares anteriores na abstração Harmônica onde os músicos começam a utilizar as extensões dos acordes (as nonas, décimas primeiras e décimas terceiras) não como enfeites, mas como a base melódica. A harmonia torna-se "cromatizada", com passagens rápidas que exigem um domínio absoluto do instrumento. A rítmica "decomposta", a bateria anteriormente o metrônomo da orquestra torna-se um instrumento de comentários com o uso do bumbo para "acentos inesperados" (os famosos bombs de bebop) e a condução fluida no prato de ride criam um pulso que não é mais de dança, mas de pura energia cinética. O fraseado "Dizziano" tornam-se longas, irregulares e assimétricas. A ideia não é mais terminar a frase no tempo forte, mas cruzá-lo, criando uma sensação de constante movimento para frente, típica da linguagem de mestres como Dizzy Gillespie ou Charlie Parker. O fim do arranjo de bloco, estrutura baseada em riffs orquestrais dá lugar à estrutura de Head-Solo-Head. O tema é exposto de forma uníssona e complexa (muitas vezes vertiginosamente rápida), seguida de uma série de solos que ignoram a melodia original para explorar apenas a estrutura harmônica subjacente. A estética da "irritabilidade", diz a lenda que o Bebop foi criado em parte para desencorajar a dança pois os músicos ficavam exaustos de tocar para um público que via a música apenas como trilha sonora para beber e dançar. O volume é um testemunho sonoro desse "afastamento" proposital. O ambiente de gravação de muitas dessas sessões foram gravadas em condições precárias em estúdios pequenos de Nova York. Isso, ironicamente conferiu ao Bebop uma sonoridade crua, direta e "spiky" (pontuda) que combina perfeitamente com a agressividade intelectual da música. A nova geração funciona como o batismo de uma nova linhagem de instrumentistas que viam o jazz como uma ciência. É fascinante ouvir como eles tratam a improvisação como uma forma de composição em tempo real, onde cada erro é uma oportunidade de re-harmonização. O CD11 é a peça mais corajosa desta coleção. Documentalmente, ele registra o momento em que o jazz escolheu a liberdade sobre a popularidade. É uma lição de história sobre como um gênero musical, ao atingir o seu ápice comercial, prefere destruir a si mesmo e renascer em uma forma mais pura e complexa do que se submeter à estagnação. Este volume não é apenas música; é um manifesto de independência artística, transição para o Bebop contida neste volume diria que a perda do público de massa foi um "preço inevitável" para que o jazz fosse finalmente reconhecido como uma forma de arte erudita, ou acredita que foi um erro tático que isolou o gênero num gueto intelectual?

Boa audição - Namastê

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Boxset: La Grande Histoire Du Jazz, do Ragtime ao Swing 1898-1952 (25CDs)


Lançamento: 2009
Selo: Le Chant du Monde 
Gênero: Swing, Ragtime, Big Band, Early Jazz, New Orleans Jazz, Dixieland, Harlem Stride Piano, Gipsy Jazz (Jazz Manouche), Negro Spirituals/Gospel 

A consolidação da virtuosidade: A arte da narrativa no Jazz foca o oitavo volume da coleção La Grande Histoire du Jazz marcando o auge da sofisticação técnica e a maturidade expressiva do Jazz no final da década de 1930 e início dos anos 40. Este recorte temporal não é apenas uma sequência de registros musicais; é o momento em que o jazz, tendo consolidado o seu vocabulário rítmico e harmônico durante a era do Swing, começa a olhar para dentro de si, valorizando a profundidade emocional do solista como o centro gravitacional da obra. O pano de fundo deste CD é o amadurecimento cultural do jazz como arte legítima. O contraste estético é sutil, mas profundo: saímos da "dança" pura das orquestras de massa para um cenário onde a jam session e o pequeno grupo (quartetos, sextetos) tornam-se laboratórios de experimentação. Culturalmente, o jazz aqui deixa de ser apenas a "música das pistas de dança" para se tornar uma música de escuta atenta, onde a complexidade da interação entre músicos de alto calibre reflete uma sociedade que, embora ainda segregada, encontra no jazz a sua forma mais refinada de diálogo inter-racial e expressão individual. A evolução técnica documentada neste volume revela a transição entre o arranjo rígido e a liberdade criativa, a "conversa" instrumental no papel dos instrumentos evolui de forma dialética. O piano, muitas vezes percussivo nos volumes anteriores, assume aqui um papel de orquestrador, onde as mãos de artistas magistrais criam camadas harmônicas ricas que sustentam o solista com delicadeza e precisão. O advento do fraseado "moderno" percebe-se a transição na articulação dos sopros. O vibrato torna-se mais controlado e elegante, menos operístico, caminhando em direção a uma pureza tonal que influenciaria profundamente o Bebop. A estrutura rítmica aqui já opera como um organismo vivo. O contrabaixo deixou de ser apenas um metrônomo para se tornar um elemento melódico secundário, e a bateria, com o uso mais frequente dos pratos de condução (ride cymbals), começa a criar aquele "tapete" fluido que permite ao solista planar sobre a harmonia. A "democratização" da Improvisação curiosamente, este volume destaca músicos que frequentemente transitavam entre grandes orquestras e pequenos grupos de estúdio. Esse "trânsito" permitiu que técnicas de orquestração de grande escala fossem aplicadas em pequenos grupos, criando um gênero híbrido, por vezes chamado de chamber jazz (jazz de câmara). A era do 78 rotações como filtro é notável como, neste volume, os artistas já dominam a "arte dos três minutos". Existe uma precisão narrativa cirúrgica: introdução, exposição do tema, improviso e reexposição. É um exercício de economia e impacto que serve como uma aula de edição para músicos contemporâneos. O papel dos "sidemen": muitos dos músicos presentes neste volume, embora não fossem os líderes das bandas, tornaram-se pilares da história do jazz por sua capacidade de "completar" o pensamento musical dos líderes. A escuta atenta neste CD permite identificar o diálogo entre o solista principal e os músicos de apoio, algo frequentemente negligenciado na historiografia convencional. O CD8 é, fundamentalmente, um registro de refinamento. Ele não apresenta a "explosão" do início da era do jazz, mas a "polidez" do mestre que conhece todas as ferramentas do seu ofício. É um volume que documenta a transição de um gênero musical que buscava a sua voz para um gênero que agora dita as regras da linguagem musical moderna. A importância documental aqui reside na demonstração de que o jazz atingiu, nesta fase, um equilíbrio quase impossível entre a acessibilidade melódica e a complexidade técnica, servindo como a ponte última antes da ruptura radical que o Bebop promoveria poucos anos depois. Considerando a maestria contida neste oitavo volume, você vê a transição para a liberdade total do improviso (que explodiria na era do Bebop) como um desenvolvimento natural dessa "narrativa do solista" que este CD tão bem documenta, ou como uma reação deliberada contra a estrutura orquestral que aqui atinge seu apogeu?

Boa audição - Namastê

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Boxset: La Grande Histoire Du Jazz, do Ragtime ao Swing 1898-1952 (25CDs)

Lançamento: 2009
Selo: Le Chant du Monde 
Gênero: Swing, Ragtime, Big Band, Early Jazz, New Orleans Jazz, Dixieland, Harlem Stride Piano, Gipsy Jazz (Jazz Manouche), Negro Spirituals/Gospel


O alvorecer da sofisticação: O jazz em transição para a modernidade ergulha no  sétimo volume da coleção La Grande Histoire du Jazz situa-se em um dos períodos mais férteis da cronologia musical: a consolidação definitiva do Swing e o prenúncio da harmonia moderna. Se o volume anterior marcou a transição da polifonia rústica para a organização orquestral, este CD7 captura o momento em que as grandes orquestras se tornam as "máquinas de som" dominantes, elevando o jazz ao posto de música popular de massa enquanto, simultaneamente, os virtuosos começam a esticar as fronteiras do que era harmonicamente aceitável. O pano de fundo deste volume é o período de maturidade da era do Swing e a ascensão da indústria do rádio e do cinema musical. Esteticamente, o disco reflete o contraste entre a energia explosiva das big bands que animavam os salões de baile — projetadas para o movimento, para o corpo e para o entretenimento coletivo — e a busca por uma identidade artística individual, onde o solista começa a emergir como uma figura de autoridade quase mística, rivalizando em importância com a própria orquestra que o sustenta. A construção do gênero a evolução técnica neste volume revela um refinamento sem precedentes na articulação dos naipes e na escrita para jazz: A "Mecânica" do Swing: Observa-se a otimização dos arranjos, onde a escrita para metais e palhetas atinge um equilíbrio sofisticado. A força não vem mais da massa sonora caótica, mas da precisão milimétrica dos ataques e da "respiração" rítmica da seção de metais. O Papel do Contrabaixo: O uso do contrabaixo torna-se o alicerce fundamental, substituindo de vez a tuba e proporcionando o walking bass que define o balanço do gênero. Harmonias expandidas dos solistas deste volume começam a explorar tensões harmônicas (notas "fora" do acorde, mas que fazem sentido dentro da frase), algo que começava a ser uma marca de músicos que olhavam para o futuro. O improviso passa a ser menos sobre decorar melodias e mais sobre a compreensão profunda das progressões harmônicas. O surgimento da "estrela", o papel do frontman (seja ele cantor ou instrumentista) é solidificado. O carisma individual, a técnica vocal e a capacidade de fraseado tornam-se o coração emocional da música. A curiosidades históricas pertinente na tecnologia do CD remota período que coincide com a era de ouro do disco de 78 rotações. O tempo limitado de gravação (cerca de 3 minutos) obrigou os arranjadores a serem gênios da síntese; é fascinante notar como, neste CD, cada nota parece ter sido calculada para extrair o máximo de impacto emocional dentro dessa janela estrita. Os estúdios como Laboratórios e muitas destas gravações foram feitas sob condições que hoje consideraríamos precárias, mas que resultaram em uma estética sonora de "presença" inigualável. O uso de microfones únicos no centro da sala forçava a banda a ter um equilíbrio natural (o que chamamos de balance) puramente acústico, um segredo de sonoridade que a era digital tenta, muitas vezes, emular artificialmente. A evolução das "Jams" em algumas faixas neste volume capturam a energia que antes só existia nas jam sessions informais de Nova York ou Kansas City, trazidas agora para a formalidade estéril dos estúdios, perdendo um pouco da "sujeira", mas ganhando em precisão técnica. Este volume é um documento essencial que encapsula o "momento de ouro" do jazz. É o registro da música que deu sentido à vida americana durante a crise e a reconstrução, e que se espalhou pelo mundo como um símbolo de liberdade e sofisticação. Documentalmente, o CD 7 é indispensável: ele prova que o jazz, naquele momento, havia alcançado o ápice da sua aceitação comercial sem sacrificar a sua integridade técnica. É a audição obrigatória para entender por que, para várias gerações, o Swing não foi apenas um estilo, mas a trilha sonora de uma nova era de modernidade. Pergunta que fica é observando a elegância e a precisão alcançadas neste sétimo volume, pergunto: na sua análise pessoal, qual destas orquestras você sente que melhor equilibrou o peso da tradição de blues com a necessidade de inovação harmônica que o Swing exigia?


Boa audição - Namastê

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Boxset: The Art Of The Piano, Trio, Quartet, Quintet And Beyond - VA (10xCDs)

Lançamento: 2020
Selo: The Intense Media/(Milestones of Jazz Legends)
Gênero: Bebop, Hard Bop, Cool Jazz.

Análise Crítica e Curatorial do CD7: A Explosão Rítmica de Tatum, Hampton, Rich e Horace Silver: O sétimo volume (CD7) da aclamada caixa antológica The Art Of The Piano..., editada em 2020, estabelece-se como o capítulo mais eletrizante, febril e percussivo de toda a coleção. Se os volumes anteriores mapearam o lirismo e a economia do espaço, o CD7 é um monumento dedicado à velocidade propulsiva, à síncopa de alta voltagem e ao puro dinamismo físico dos instrumentos. A curadoria deste volume atinge o status de obra de arte ao justapor duas forças gravitacionais do jazz: o encontro de titãs da Era do Swing liderado pela velocidade cegante de Art Tatum com Lionel Hampton e Buddy Rich, e, no polo de transição, a urgência rítmica e o groove impregnado de blues do pai do Hard Bop, Horace Silver. Para o amante sincopado, este volume é um banquete de acentuações fora do tempo, polirritmias de tirar o fôlego e virtuosismo técnico inabalável. As Performances, datas absolutas e a geografia das sessões traz um repertório documental do CD7 preserva o som cru de duas eras de ouro do jazz, resgatando matrizes analógicas cujos registros históricos são detalhados com rigor cronológico a seguir: O Encontro de Titãs: Tatum, Hampton e Buddy Rich (A Era do Swing Extremo). Quando o pianista quase cego Art Tatum — cuja técnica orquestral assombrou até mestres eruditos como Vladimir Horowitz — uniu forças ao vibrafonista elétrico Lionel Hampton e ao vulcão percussivo de Buddy Rich, o resultado foi um terremoto rítmico. As performances resgatadas no CD7 mostram um Tatum operando com cascatas de notas, arpejos de velocidade sobre-humana e substituições harmônicas décadas à frente de seu tempo. Hampton responde com improvisos cheios de síncopas ruidosas e balanço cortante, enquanto Buddy Rich dita um pulso implacável na caixa e nos pratos, gerando um duelo de velocidade técnica que desafiava os limites do formato de trio. Data e local da gravação: Registrado nos estúdios da Clef/Verve Records, em Los Angeles, Califórnia (CA), no dia 01 de agosto de 1955. Esta memorável sessão de estúdio reuniu esses três gigantes sob a supervisão do produtor Norman Granz, capturando o ápice da pirotecnia instrumental americana antes do fechamento definitivo daquela era de ouro do Swing de vanguarda. Horace Silver: A arquitetura do groove e do Hard Bop sincopado em completo contraponto à densidade de notas de Tatum, a performance de Horace Silver no CD7 introduz o ouvinte à espinha dorsal do Hard Bop. Silver joga fora o exibicionismo e introduz o piano "percussivo-gospel", onde a mão esquerda ataca o teclado com acordes pesados e cheios de suingue, enquanto a mão direita desenha linhas melódicas curtas, repetitivas e intensamente balançadas. Silver usava o piano como se fosse uma seção de metais inteira. Seu senso de tempo era rigorosamente sincopado, quebrando a linearidade do bop tradicional com pausas dramáticas e ataques agressivos nos tempos fracos que faziam a plateia balançar o corpo instantaneamente. Data e local da gravação: Gravado nos estúdios da Blue Note Records por Rudy Van Gelder, em Hackensack, Nova Jersey (NJ), no dia 23 de novembro de 1956. Trata-se de uma sessão seminal que capturou as fundações do Horace Silver Quintet, logo após sua histórica separação dos Jazz Messengers de Art Blakey, documentando o nascimento do jazz moderno de raiz urbana. Curiosidades de bastidores e a física do ritmo, a principal curiosidade que o CD7 revela aos amantes sincopados é a surpreendente dinâmica de estúdio ocorrida na lendária sessão de Los Angeles de 1955. Buddy Rich, conhecido por seu temperamento explosivo e por engolir outros músicos com seus solos torrenciais, confessou anos mais tarde ter sentido um respeito quase reverencial por Art Tatum. Para não obstruir as intrincadas linhas harmônicas e os arpejos velozes da mão esquerda de Tatum, Rich abdicou de seus tradicionais bumbos pesados e focou de maneira obsessiva na condução milimétrica do chimbal e nas escovinhas na caixa. Essa contenção genial gerou um dos balanços mais limpos, rápidos e ricamente sincopados de toda a sua vasta discografia. No plano técnico da engenharia de som, o contraste entre as duas sessões do CD7 é uma aula de história da captação de áudio. A gravação da Costa Oeste de 1955 capta o piano de Tatum com uma reverberação de sala natural e acústica aveludada típica dos estúdios de Los Angeles. Já a sessão de Horace Silver de 1956, processada no icônico estúdio de Hackensack por Rudy Van Gelder, traz a clássica assinatura do selo Blue Note: um som de piano cru, incisivo, seco e frontal, onde o ataque mecânico dos dedos de Silver nas teclas de marfim possui uma presença física quase agressiva, perfeita para evidenciar as síncopas cortantes do Hard Bop. Nível de escolha das faixas: Um tratado sobre o Ataque Percussivo, o desenho curatorial implementado no CD7 da edição de 2020 mostra-se impecável por evitar o óbvio e concentrar-se na evolução da percussividade no jazz. Em vez de isolar Tatum em seus tradicionais e solitários discos de solo, a curadoria inseriu-o no epicentro de uma usina rítmica ao lado de Hampton e Rich, provando que seu piano conseguia duelar com os maiores percussionistas do planeta sem perder a elegância harmônica. A transição sequencial para as faixas de Horace Silver é de uma inteligência pedagógica brilhante. O ouvinte experimenta o fio condutor do ritmo: a síncopa que nasceu nas corridas de dedos de Art Tatum na Califórnia transforma-se e condensa-se no groove minimalista, funkeado e cheio de suor de Horace Silver em Nova Jersey. A restauração digital de 2020 realizou um trabalho cirúrgico nas fitas originais, limpando as distorções das frequências médias do vibrafone de Hampton e dando um peso monumental ao contrabaixo acústico que ancora as síncopas de Silver, entregando uma experiência auditiva texturizada e visceral para os puristas do gênero. Veredito Curatorial: O CD7 de The Art Of The Piano... é um documento histórico indispensável e avassalador. Ao costurar a velocidade astronômica do trio de Art Tatum, Lionel Hampton e Buddy Rich em Los Angeles com o groove seminal de Horace Silver em Hackensack, o volume oferece uma radiografia definitiva de como o piano de jazz se afirmou como um instrumento percussivo de vanguarda. Um disco obrigatório para os ouvidos que vibram na tensão do tempo quebrado.


Boa audição - Namastê

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Boxset: The Art Of The Piano, Trio, Quartet, Quintet And Beyond - VA (10xCDs)


O box set "The Art Of The Piano, Trio, Quartet, Quintet And Beyond", produzido pelos grupos The Intense Media e Documents como parte da série de compilações "Milestones of a Jazz Legends", é um verdadeiro tesouro para os entusiastas da música, especialmente aqueles apaixonados por jazz e composições clássicas para piano. O que torna este box set excepcional é a sua extensa seleção de faixas que abrangem uma ampla gama de estilos e épocas da música para piano. Apresenta performances de vinte dos pianistas mais influentes da história, incluindo Bill Evans, Oscar Peterson, Duke Ellington e Bud Powell. Cada disco do conjunto foi cuidadosamente selecionado para destacar a evolução e a versatilidade da música para piano, desde trios intimistas a quintetos expansivos. Melodia, harmonia e ritmo – "The Art of the Piano" combina essas três qualidades elementares da música de forma maravilhosa e perfeita. Os vinte álbuns originais documentados neste box set comprovam que, nas mãos de um mestre, a música que esses mestres produzem ao piano pode e irá realizar verdadeira magia. Um dos principais motivos pelos quais este box set é indispensável para qualquer colecionador de música sério é o seu valor histórico e educativo. A coleção não só demonstra a maestria técnica dos artistas apresentados, como também oferece uma imersão profunda no desenvolvimento da música para piano ao longo das décadas. Por exemplo, os ouvintes podem apreciar a delicada interação do Bill Evans Trio, a energia vibrante das performances de Oscar Peterson e as composições inovadoras de Duke Ellington. Além disso, o box set proporciona uma oportunidade única de explorar faixas raras e pouco conhecidas, de difícil acesso em outros lugares. Isso o torna um recurso inestimável para aqueles que apreciam as nuances e sutilezas da música para piano. A inclusão de peças menos conhecidas ao lado de faixas icônicas garante uma experiência auditiva completa, que agrada tanto aos aficionados experientes quanto aos iniciantes. Além de sua importância musical, o box também é um testemunho do legado duradouro desses pianistas lendários. Ele serve como uma lembrança de suas contribuições para o mundo da música e de sua influência nas gerações subsequentes de músicos. Possuir esta coleção não se trata apenas de apreciar boa música; trata-se de preservar um pedaço da história da música e celebrar o talento artístico de alguns dos maiores pianistas de todos os tempos. A obra "The Art Of The Piano, Trio, Quartet, Quintet And Beyond" merece um lugar na biblioteca de todo amante da música.


Boa audição - Namastê


quarta-feira, 18 de março de 2026

The Columbia Jazz Piano Moods Sessions (1949-1952) (7CD)

 

Artista: VA

Álbum: Piano Moods Sessions (CDs 7/) Scans

Lançamento:  2000

Selo: Mosaic Records/MD7-199 

Gênero: Big Band, Boogie-Woogie, Bop, Cool, Dixieland, Early Jazz, Hard Bop, Jazz Blues, Jazz-Pop, Mood Music, New Orleans Jazz, Standards, Stride, Swing

🎹 Art Tatum (1909–1956)

Considerado por muitos — incluindo músicos clássicos como Vladimir Horowitz — como o maior pianista de jazz de todos os tempos. Tatum possuía uma técnica quase sobre-humana e uma compreensão harmônica décadas à frente de seu tempo.

Estilo: Suas improvisações eram famosas pelas coridas rápidas, arpejos complexos e rearmonizações constantes de padrões populares.

Legado: Embora fosse quase totalmente cego, sua habilidade era tão intimidadora que, ao entrar em um clube onde Fats Waller tocava, Waller anunciou: "Eu toco piano, mas Deus está na casa hoje à noite".

🎹 Max Miller (1911–1985)

Uma figura influente na cena de jazz de Chicago, Miller era um multi-instrumentista (piano e vibrafone) e compositor conhecido por sua abordagem experimental e técnica refinada.

Versatilidade: Além do piano, Miller destacou-se no vibrafone, frequentemente alternando entre os instrumentos em suas apresentações.

Carreira: Liderou grupos que exploravam sonoridades mais modernas e sofisticadas para a época, mantendo uma presença sólida em rádios e clubes de prestígio, sempre prezando por arranjos precisos e uma estética elegante.

Baixo – Al Ham (faixas: 5-14 a 5-22), Al McKibbon (faixas: 2-1 a 2-8,5-10 a 5-13), Arvell Shaw (faixas: 5-1 a 5-9), Bill Holyoke (faixas: 7-1 a 7-8), Bob Casey (faixas: 3-11 a 4-4), Bob Haggart (faixas: 4-17 a 4-24, 6-9 a 6-16) ,Eddie Calhoun (faixas: 1-9 a 1-16), Frank Carroll (faixas: 6-1 a 6-8 ), Jack Lesberg (faixas: 3-1 a 3-10), John Simmons (faixas: 1-1 a 1-8), Morty Corb (faixas: 4-9 a 4-16)), Sid Weiss (faixas: 2-9 a 2-16 ), Walter Page (faixas: 4-5 a 4-8)Bateria – Bunny Shawker (faixas: 4-17 a 4-24, 6-9 a 6-16), Buzzy Drootin (faixas:3-11 a 3-18), George Wettling (faixas:3-1 a 3-10, 4-1 a 4-8 ), JC Heard (faixas: 2-1 a 2-8, 5-1 a 5-9), Kansas Fields (faixas: 5-10 a 5-13 ), Morey Feld (faixas: 2-9 a 2-16), Nick Fatool (faixas: 4-9 a 4-16 ), Remo Belli (faixas: 7-1 a 7-8), Shadow Wilson (faixas: 1-1 a 1-8), Terry Snyder (faixas: 5-14 a 6-8) Guitarra – Al Casamenti (faixas: 6-9 a 6-12), Danny Perri (faixas: 4-17 a 4-24), Earl Backus (faixas: 7-1 a 7-8), George Van Eps (faixas: 4-9 a 4-16), Ray Crawford (faixas: 1-9 a 1-16), Tony Mottola (faixas: 6-13 a 6-16) Piano – Ahmad Jamal (faixas: 1-9 a 1-16), Art Tatum (faixas: 7-9 a 7-17), Bill Clifton (faixas: 5-14 a 5-22), Buddy Weed (faixas: 4-17 a 4-24), Earl Hines (faixas: 2-1 a 2-8), Eddie Heywood (faixas: 6-1 a 6-8), Erroll Garner (faixas: 1-1 a 1-8), Jess Stacy (faixas: 4-9 a 4-16), Joe Bushkin (faixas: 2-9 a 2-16), Joe Sullivan (faixas: 4-1 a 4-8), Max Miller (faixas: 7-1 a 7-8), Ralph Sutton (faixas: 3-1 até 3-18), Stan Freeman (faixas: 6-9 a 6-16), Teddy Wilson (faixas: 5-1 a 5-13), Shaker – Artista Desconhecido (faixas: 1-11)

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segunda-feira, 9 de março de 2026

Boxset: The Columbia Jazz Piano Moods Sessions (1949-1952) (7CD)

Esta coleção de sete CDs documenta exaustivamente a primeira tentativa da Columbia Records de criar um nicho de mercado com a série Piano Moods. Nascida de um plano de marketing improvisado por uma pequena equipe da Columbia Records em 1950, a série Piano Moods surgiu da constatação de que havia mais pianos do que fonógrafos (para quem não se lembra dos discos de vinil) nas casas da América do pós-guerra. O LP de 12 polegadas havia sido lançado apenas dois anos antes e havia poucos títulos disponíveis. A série Piano Moods reunia 20 álbuns do mesmo estilo, todos produzidos e sequenciados por George Avakian, que havia criado o catálogo de jazz e pop em LP para a Columbia a partir de 1948 — embora originalmente fossem lançados em discos de 10 polegadas e 33 rpm para facilitar o armazenamento para quem tinha tantos discos de 10 polegadas e 78 rpm. Os lados eram gravados — geralmente — sem espirais (espaços) entre as músicas, dando a cada lado uma sensação de maior duração do que seus 17 minutos, pois a música era contínua. A maioria dos pianistas pré-definia suas sequências e preparava introduções na tonalidade da música anterior, que modulava para a tonalidade da próxima. Alguns gravavam as modulações posteriormente e pediam para Avakian fazer a emenda ou, no caso de Teddy Wilson , ele tocava a música inteira e, se achasse que havia errado em algum ponto, regravava a música e pedia para Avakian fazer a mágica com a fita. A série foi um enorme sucesso. Um conjunto completo, e a maioria das casas tinha pelo menos alguns desses discos, e algumas tinham muitos ou todos. O interessante aqui é que muitos desses pianistas tinham pouco ou nada em comum entre si. Eles variavam de jazzistas como Wilson, Art Tatum , Errol Garner e Ahmad Jamal (cujo álbum foi lançado como um LP de 12 polegadas) a músicos de stride como Ralph Sutton e Joe Sullivan — que interpreta Fats Waller aqui — a swingistas como Earl "Fatha" Hines, Joe Bushkin (famoso por sua participação com Tommy Dorsey) e Jess Stacy . Há também alguns jazzistas desconhecidos, como Buddy Weed , Max Miller , Eddie Heywood e Bill Clifton . Incluído ainda está o homem que podia — e tocava — de tudo, o virtuoso de concerto Stan Freeman .  Os sete CDs deste conjunto estão divididos de forma um tanto arbitrária e, em seguida, recebem seus números de catálogo na parte de trás do conjunto. O primeiro disco reúne Garner (com suas versões originais de "Long Ago and Far Away" e "It Could Happen to You") com Jamal (com "The Surrey With the Fringe on Top" e "Perfida" entre suas gravações) e, portanto, os lados com Hines e Bushkin não se sustentam tão bem, mas não porque o material seja de má qualidade — muito pelo contrário. É que o primeiro disco cria uma atmosfera tão sólida que é impossível comparar o swing vibrante de Hines e o swing característico de Bushkin, típico dos anos 30, com o jazz moderno de 1950. Os discos três e quatro se saem melhor, com Sutton de um lado arrasando no repertório de Waller — verdadeiros clássicos do mestre, tocados como só um discípulo experiente consegue, de "Ain't Misbehavin'" a "Muskrat Ramble", passando por "Blue Turning Grey Over You" e "Take It From Me". Sullivan mantém o clima stride, e então passamos para o material mais popular e com temática bebop, com Stacy e Weed, ambos verdadeiros monstros da técnica — especialmente Weed, cujas mãos dominavam o lado esquerdo do teclado enquanto a direita executava nonas alongadas e até décimas segundas para acompanhar. No quinto disco, há uma simetria magnífica entre o pianismo de Wilson e o de Clifton. Primeiramente, temos a noção pura de "Voo" de Wilson. Seus padrões rítmicos criam as possibilidades harmônicas para passagens dentro dos acordes e mudanças de tonalidade que enriquecem ainda mais a armadura de clave e o acorde dominante. O fato de ele improvisar tanto com a mão esquerda quanto com a direita é outro de seus dons. Muitos que o conheciam afirmavam que nem ele mesmo percebia isso até o momento de inspiração. Muitas das canções emblemáticas de Wilson estão aqui: "Honeysuckle Rose", "Just One of Those Things", "(I Don't Stand) A Ghost of a Chance With You" e "Between the Devil and the Deep Blue Sea". Seja balada, swing vibrante ou blues cintilante, Wilson se destacou em todas as ocasiões aqui — e também há as gravações alternativas que ele rejeitou (prova de que não há diferença de qualidade, exceto na percepção do pianista). Clifton, por outro lado, é um pianista com forte presença no registro médio, utilizando as mesmas estruturas harmônicas graves e amplas em suas composições — se não os mesmos acordes e o mesmo método para chegar a eles que Wilson. A diferença está na abordagem. Wilson atacava o teclado, ainda que graciosamente, enquanto Clifton prefere brincar com ele e seduzir seus segredos. Sua versão de "Let's Fall in Love" teria se encaixado melhor com os jazzistas da Costa Oeste do que em Nova York, mas é uma interpretação deslumbrante com um toque de contraponto a duas mãos à la Brubeck na ponte. Quanto ao sexto disco, não há dúvida de que Heywood e Freeman eram músicos talentosos; suas abordagens tecnicamente refinadas criam obras-primas cristalinas em seus repertórios escolhidos, mas são excessivamente limpas — quase estéreis devido à sua proeza técnica. Finalmente, no último disco, os ouvintes se deparam com as harmonias bombásticas e brutais de Miller, que tocava guitarra e vibrafone antes de se tornar pianista. Resumindo: o cara massacra tudo o que toca, com uma completa falta de sutileza. O equilíbrio, no entanto, é garantido pela segunda metade do disco, que encerra a obra com o sublime pianismo de Tatum, gravado ao vivo em um concerto no Shrine Auditorium em Los Angeles, em 1949, e apresenta — além de joias conhecidas como "Willow Weep for Me", "Someone to Watch Over Me" e "How High the Moon" — duas das maiores performances de piano já gravadas: "I Know That You Know" e a Humoresque de Dvorak. A origem da inspiração de Tatum é desconhecida; O limite da improvisação de Avakian era o que ele explorava. Ele conseguia expandir o equilíbrio de qualquer configuração harmônica e, em seguida, envolvê-la em outra sem errar uma nota. No total, sete CDs é muita coisa para obras praticamente dedicadas ao piano solo, gravadas com um tema de marketing em mente. Mas há mais performances excelentes do que medíocres, e apenas uma ruim do começo ao fim — e mesmo essa é compensada por puro gênio. O pior que se pode dizer sobre o Complete Jazz Piano Mood Sessions é que há material demais — até mesmo para os fãs da gravadora Mosaic. O melhor que se pode dizer é que, primeiro, o som é fenomenal (assim como as notas do próprio Avakian) e, segundo, há material demais. De qualquer forma, é um negócio em que todos saem ganhando. Fonte: allmusic.com


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quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Boxser: The Perfect Jazz Collection 25 Original Albums (CD18)

Artista: Art Tatum
Lançamento: 1968 / 2010
Selo: Columbia / Great Jazz Composers Series
Gênero: Stride, Swing, Piano Jazz


Por consenso, Tatum é o maior pianista de jazz de todos os tempos. Nunca vi uma lista dos "dez melhores" que não o colocasse em primeiro lugar. Oscar Peterson foi o último elo com o estilo Tatum de piano de jazz puro, e um descendente direto dele em termos de estilo. Apesar de ser totalmente cego (ele tinha visão parcial de um olho), ele era um autodidata no piano. Assim, o QI de Wolfgang Amadeus Mozart foi estimado entre 150 e 155 – claramente um nível de gênio. Outros não foram tão astutos. Entre os azarados estava Christoph Willibald Gluck, com a estimativa variando entre 110 e 115, ou aproximadamente o mesmo nível de um estudante universitário médio. Tatum formou sua própria banda em 1926 e trabalhou em casas noturnas de Toledo pelos anos seguintes. Em 1932 e 1933, foi acompanhador, mas durante a maior parte de sua carreira foi um solista brilhante. Casou-se duas vezes e morreu em 1956 de uremia, causada por insuficiência hepática, aos 47 anos. As faixas ao vivo do Shrine Auditorium foram gravadas em 02 de abril de 1949. Todas as versões lançadas precisam de correção de tom, como foi descoberto durante a produção da recriação do SACD Art Tatum - Piano Starts Here - Live At The Shrine. Além disso, a faixa 13 era originalmente um medley de Gershwin que incluía "The Man I Love", "Summertime", "I Got Plenty Of Nothin'", "It Ain't Necessarily So" e uma reprise de "The Man I Love". Evidentemente, esta edição foi feita para economizar em royalties. A única edição que contém o medley completo de Gershwin é o disco de transcrição de 16 polegadas AFRS Just Jazz 69.

Art Tatum - Compositor, Piano, Artista Principal

Faixas 01 e 09 publicadas pela Harms, Inc.
Faixa 02 publicada pela Handy Bros.
Faixa 03 publicada pela Leo Feist, Inc.
Faixa 04 publicada pela Mills Music, Inc.
Faixa 05 publicada pela Chappell & Co., Inc.
Faixas 07 e 13 publicadas pela New World Music Corp.
Faixa 08 publicada pela TB Harms Co.
Faixa 10 publicada pela Bourne Co.
Faixa 11 publicada pela Atlantic Music Corp


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quarta-feira, 17 de setembro de 2025

The Perfect Jazz Collection - 25 Original Albums (Box Set 25 CD's)

Esta coleção The Perfect Jazz Collection - 25 Original Albums (Box Set 25 CD's) é uma compilação de álbuns clássicos do jazz, originalmente lançada pela gravadora Sony Music em 2010. A compilação é um excelente ponto de partida para novos ouvintes e uma adição valiosa para colecionadores, oferecendo 25 álbuns históricos do gênero por um preço acessível. A compilação foca em álbuns de jazz de alta qualidade e de grande importância histórica. O repertório abrange diversas vertentes do gênero e conta com nomes essenciais. Embora a lista exata possa variar um pouco dependendo da prensagem, o conteúdo central permanece o mesma. Para quem deseja construir uma biblioteca de jazz clássico sem gastar uma fortuna em álbuns separados, esta caixa é uma ótima opção. Ela oferece uma introdução abrangente e de alta qualidade à história do jazz, reunindo 25 álbuns importantes em uma edição compacta e de bom acabamento. No entanto, colecionadores mais exigentes ou aqueles que já possuem parte do material podem preferir buscar as edições individuais dos álbuns, que por vezes apresentam embalagens mais robustas e encartes com informações detalhadas. Além disso, a seleção dos artistas, embora de alto nível, pode não agradar a todos os amantes de jazz. 

Vantagens:

Preço acessível por um grande volume de conteúdo.

- Ótima introdução para iniciantes no jazz.

- Embalagem compacta e com design atraente.

- Boa qualidade de áudio nas remasterizações. 

Desvantagens:

- Embalagem frágil e sem a proteção de uma caixa de acrílico tradicional.

- Ausência de encartes com informações detalhadas, comuns nas edições individuais.

- Pode conter faixas ou edições ligeiramente diferentes das originais.  


Boa audição - Namastê