Artista: Teddy Wilson Trio, Gerry Mulligan & Bill Evans
Álbum: At Newport (1957)
Lançamento: 2016
Selo: Verve Records/Immortal Jazz On Verve IX
Gênero: Cool Jazz, Swing
O registro do Newport Jazz Festival de 1957, lançado pela Verve Records é mais do que um simples álbum ao vivo; é um manifesto contra as divisões artificiais que a crítica da época tentava impor ao Jazz. Em uma noite onde o "Swing" de Teddy Wilson e o "Cool" de Gerry Mulligan dividiram o palco onde que se ouviu não foi um choque de gerações, uma conversa fluida e profundamente respeitosa. Resultado:Equilíbrio Improvável. Teddy Wilson a Elegância Inoxidável, abre o disco com a precisão de um relojoeiro. No set do seu trio (acompanhado pelo lendário contrabaixista Milt Hinton), ele reafirma por que foi a espinha dorsal dos pequenos grupos de Benny Goodman. Faixas como "Stompin' At The Savoy" e "I Got Rhythm" não são meras revisitações; Wilson toca com uma clareza polida, onde cada nota tem um propósito arquitetônico. É o Swing em seu estado mais puro e sofisticado. Mulligan o arquitetura do ar, assume a ausência de piano criando um espaço negativo que Mulligan e o trombonista Bob Brookmeyer preenchem com um contraponto quase barroco. A interpretação de "My Funny Valentine" é de um lirismo seco e intelectual, característica marcante do som da Costa Oeste. A curiosidade técnica aqui é o entrosamento telepático entre o sax barítono de Mulligan e o trombone de válvula de Brookmeyer, que operam em frequências graves com uma leveza surpreendente e a miragem" de Bill Evans, Um detalhe que frequentemente confunde colecionadores é o crédito a Bill Evans. Evans não toca com Mulligan ou Wilson nesta gravação. Ele aparece em faixas bônus (como "Dancing In The Dark") como integrante do Don Elliott Quartet. Ouvir Evans aqui é testemunhar um gênio em formação, ainda exibindo uma agilidade mais próxima do Bop tradicional, antes de mergulhar no impressionismo que definiria sua carreira solo. A grande joia do álbum é a colaboração em "Sweet Georgia Brown", onde Mulligan se junta ao trio de Wilson. É o momento em que as etiquetas caem por terra: o barítono moderno de Mulligan se encaixa perfeitamente no balanço clássico de Wilson. Este disco não é apenas música de festival; é a prova de que o Jazz, independentemente do prefixo — swing, cool ou bop — fala uma língua única quando os mestres estão no comando. O contexto histórico explorado em 1957 foi o "ano de ouro" do festival (o mesmo ano do lendário show de Louis Armstrong e da consagração de Ella Fitzgerald), detalhe importante da engenharia de som da Verve Records, que conseguiu capturar a acústica aberta do festival com uma clareza rara para gravações externas da década de 50.
Sax. Barítono – Gerry Mulligan (tracks 6, 7,8-10)
Baixo – Ernie Furtado (tracks 8-10), Joe Benjamin (tracks 6,7), Milt Hinton ( tracks 1-5)
Bateria – Al Beldini (tracks 8-10), Dave Bailey (tracks 6,7), Specs Powell (tracks 1-5)
Mellofone – Don Elliott (tracks 8-10)
Piano – Bill Evans (tracks 8-10), Teddy Wilson (tracks 1-5)
Trombone – Bobby Brookmeyer (tracks 6,7)
Mestre de Cerimônias – Willis Conover
Gravado durante uma apresentação no Newport Jazz Festival, Newport, RI, em 6 de julho de 1957
Boa audição - Namastê



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