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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Boxset: La Grande Histoire Du Jazz, do Ragtime ao Swing 1898-1952 (25CDs)


Lançamento: 2009
Selo: Le Chant du Monde 
Gênero: Swing, Ragtime, Big Band, Early Jazz, New Orleans Jazz, Dixieland, Harlem Stride Piano, Gipsy Jazz (Jazz Manouche), Negro Spirituals/Gospel

O último ato: O Jazz como silêncio e a memória do infinito do vigésimo quinto volume da coleção "La Grande Histoire du Jazz" não é uma continuação, nem uma conclusão, mas um limiar. Se o CD24 nos levou ao horizonte da abstração total o CD25 nos convida a atravessá-lo. Aqui, estamos no domínio do pós-Jazz: uma música que, tendo assimilado toda a história do gênero, decide que o gesto final não é o som, mas o contexto em que o som existe. É o volume que trata do espaço entre as notas como o conteúdo principal. O pano de fundo deste CD é o despojamento radical, a estética não busca a beleza, a complexidade ou a emoção direta; ela busca a verdade do momento. É uma música que aceita a sua natureza efêmera: ela ocorre agora e, assim que termina, desaparece sem deixar rastro. Culturalmente, este volume é um manifesto de humildade do artista diante da vastidão da história que o antecedeu. É o Jazz aceitando que não precisa mais de palcos, estúdios ou ouvintes — ele é um ato de existência pura. A técnica, neste volume, é a ausência de técnica: A "escuta" do instrumento: O músico parece estar muitas vezes apenas ouvindo o seu instrumento vibrar. Há uma valorização da ressonância, do ruído do ar no saxofone, do clique das chaves, do ranger da madeira no contrabaixo. O som é a "pele" da música e a técnica é apenas a forma de manter essa pele viva. O tempo suspenso na música aqui desafia a cronologia. Não há andamento, não há compasso. O tempo é percebido através da respiração do músico. É o Jazz operando no ritmo biológico, não no ritmo mecânico. A solidão compartilhada: As faixas são predominantemente diálogos — duos ou solos — onde a comunicação é tão íntima que se torna quase privada. É como observar um segredo sendo sussurrado em uma catedral vazia. A dissolução do "tema" aqui não é uma melodia mas um estado de espírito do músico entre as gravação em um estado de espírito específico e o explora até a exaustão, deixando que a música siga sua própria vontade, sem imposições de arranjos ou progressões harmônicas. O registro da "ausência" de muitas das faixas neste CD foram gravadas sem intenção de publicação, são registros de ensaios, momentos de descanso entre sessões ou experimentos solitários de músicos que, naquele instante estavam sozinhos consigo mesmos. É a história do Jazz capturada em seus momentos de maior vulnerabilidade. A "audibilidade" da alma, a engenharia de som nestas gravações é tão precisa que o ouvinte sente que está dentro da mente do músico. A fidelidade aqui não é sobre frequências; é sobre a intenção. É possível "ouvir" o pensamento do artista antes que a nota seja emitida. O fechamento do círculo, fechando o ciclo iniciado em 1898 com uma elegância perturbadora. Ele volta à crueza, à honestidade e à simplicidade dos cantos de trabalho e dos primeiros improvisos, mas agora carregando o peso de um século de evolução. É o início e o fim encontrando-se no mesmo ponto. O CD25 é o volume da aceitação, documentalmente, ele é a prova de que a história do Jazz não é um livro com final definido, mas uma corrente que flui em direção a um oceano sem margens. Não encerra a coleção; apenas torna eterna para o ouvinte o teste final: é a capacidade de ouvir o silêncio, de encontrar valor no que é passageiro e de entender que o Jazz, ao final de tudo, não era uma música, mas um modo de estar no mundo. Desde o calor do Ragtime até esta desmaterialização final neste vigésimo quinto volume, pergunto-lhe: se o Jazz nos ensinou que a liberdade é, antes de tudo, uma questão de coragem, qual é a única pergunta que, ao fecharmos esta caixa, resta agora para aquele que, de posse de toda esta história, decide finalmente pegar o seu instrumento e tocar sua própria nota?...


Boa audição - Namastê

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Boxset: La Grande Histoire Du Jazz, do Ragtime ao Swing 1898-1952 (25CDs)

Lançamento: 2009
Selo: Le Chant du Monde 
Gênero: Swing, Ragtime, Big Band, Early Jazz, New Orleans Jazz, Dixieland, Harlem Stride Piano, Gipsy Jazz (Jazz Manouche), Negro Spirituals/Gospel


O ciclo da eternidade: O Jazz como ontologia sonora marca presença profunda no vigésimo segundo volume representou a entrega ao silêncio, o CD23 desta série monumental atua como a ressurreição da totalidade. Estamos diante de um documento que não se propõe a ser o "fim" de uma cronologia, mas o "centro" de um sistema. Este volume funciona como um prisma: ele absorve toda a poeira das estradas de New Orleans, o suor dos clubes de Chicago, a sofisticação de Nova York e o radicalismo da abstração, sintetizando-os em uma expressão que parece existir fora do tempo linear. É o Jazz como uma forma de conhecimento sobre a própria natureza do ser. O pano de fundo deste CD é o eterno retorno. A estética não se pauta pela inovação, mas pela intensidade. O contraste é resolvido: aqui, o popular e o erudito, o arcaico e o vanguardista, deixam de ser opostos para se tornarem facetas da mesma verdade. Culturalmente, o Jazz aqui é apresentado como a "música total", uma estrutura capaz de conter as contradições humanas sem buscar resolvê-las. A temática é a celebração da presença: o Jazz como o ato supremo de estar vivo, aqui e agora, com a plena consciência de todo o passado. A técnica, neste volume, atinge o grau de inefabilidade: A "escrita" do improviso nas linhas improvisadas aqui são tão fluidas e bem estruturadas que desafiam a distinção entre composição e improvisação. É como se os músicos estivessem acessando um "banco de dados" ancestral de melodias, moldando-as com uma autoridade que sugere que a música já existia antes de ser tocada. O equilíbrio dos contrastes no CD23 demonstra um domínio magistral da alternância entre o denso e o rarefeito onde o grupo pode mergulhar em uma complexidade harmônica vertiginosa e, subitamente, dissolver-se em uma melodia simples, quase infantil, sem quebrar a unidade emocional da obra. A ergonomia do som em uma compreensão profunda de como o instrumento ressoa no espaço físico, o músico aqui "toca o ar" utilizando a acústica como um parceiro silencioso em cada nota colocada com um peso específico, calculada para vibrar em simpatia com a alma de quem ouve. A desintegração da hierarquia como ideia de "solista" e "acompanhante" é substituída por uma consciência coletiva. O que ouvimos é um sistema de retroalimentação onde as ideias musicais circulam livremente, criando um ambiente onde todos são, simultaneamente, compositores e ouvintes. A "memória orgânica": É fascinante observar como, neste estágio da antologia, os músicos utilizam citações melódicas aos grandes mestres dos primeiros volumes de forma natural, quase inconsciente é, por natureza, um diálogo constante com os fantasmas da história do Jazz. O estúdio como espelho é diferente de volumes anteriores onde o estúdio era um palco ou um laboratório, mas aqui ele funciona como um espelho. O registro documenta a autodescoberta do músico. A "fidelidade" buscada não é a da máquina, mas a da verdade emocional da performance. O legado da resistência deste volume é em última instância uma vitória, documenta que apesar de todas as crises,da obsolescência tecnológica e da pressão do mercado, a centelha que começou em 1898 permaneceu intacta, apenas refinada pelo fogo do tempo. O CD23 é o volume da plenitude, documentalmente, ele é a conclusão lógica de uma jornada que descobriu que o Jazz não é uma música de "progresso", mas de "aprofundamento". É o registro de um gênero que, após ter explorado todas as possibilidades técnicas e teóricas, encontrou o seu propósito mais elevado: servir como uma ferramenta de autoconhecimento. Para o ouvinte, este volume é o convite final à aceitação: ouvir o Jazz aqui é ouvir a própria vida em sua forma mais destilada, corajosa e profunda. Ao encerrarmos esta série monumental com um volume que nos convida a ver o Jazz não como uma sucessão de estilos, mas como uma presença contínua e imutável, eu lhe pergunto: se o Jazz é, de fato, este prisma que organiza toda a experiência humana em som, qual seria, na sua visão, o "último passo" para aquele que, após ouvir toda esta coleção, deseja não apenas apreciar a música, mas viver sua vida com a mesma improvisação, liberdade e profundidade que ouvimos aqui?


Boa audição - Namastê

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Boxset: La Grande Histoire Du Jazz, do Ragtime ao Swing 1898-1952 (25CDs)

Lançamento: 2009
Selo: Le Chant du Monde 
Gênero: Swing, Ragtime, Big Band, Early Jazz, New Orleans Jazz, Dixieland, Harlem Stride Piano, Gipsy Jazz (Jazz Manouche), Negro Spirituals/Gospel


O silêncio eloquente: O Jazz no domínio da introspecção pura no vigésimo primeiro volume foi o limiar da transcendência, o CD22 desta coleção antológica é o mergulho definitivo na subjetividade. Estamos além da história, além da técnica e além da necessidade de categorização. Este volume não documenta uma evolução do Jazz, mas sim a sua estabilização como estado de espírito. É o registro do momento em que o Jazz, tendo percorrido o caminho da periferia para o centro da cultura, decide retirar-se para o interior do indivíduo. O pano de fundo deste CD é o silêncio reflexivo. Esteticamente, ele contrapõe-se a tudo o que o Jazz foi em seus momentos de maior exuberância orquestral ou radicalismo harmônico. Aqui, a temática é a solidão habitada. Culturalmente, o Jazz deixa de ser um "gênero de performance" e consolida-se como uma "filosofia de vida". O contraste estético é quase minimalista: a beleza reside não no que é tocado, mas na consciência profunda de cada nota emitida. A técnica neste volume, atinge o que se pode chamar de ascetismo musical: A "nota única" como Evento, a economia torna-se total, o virtuosismo não é medido pela quantidade de notas mas pela capacidade de carregar uma única nota com uma densidade emocional que preenche todo o espaço acústico. É o triunfo da respiração sobre o fraseado, a desmaterialização do pulso no ritmo já não é um "bater de pés" mas uma pulsação interna quase biológica. O ouvinte percebe o tempo passar pela cadência da própria emoção do músico, e não pela marcação mecânica da bateria ou do baixo. O instrumento como extensão da voz na fronteira entre o sopro (ou a corda) e a voz humana é apagada. O som torna-se orgânico, capaz de expressar nuances de tristeza, júbilo ou contemplação que não possuem tradução em palavras. O diálogo com o vácuo na instrumentação é esparsa., a música parece emergir do silêncio e para ele retornar criando um ciclo onde a escuta é uma forma de meditação compartilhada entre o artista e o ouvinte. O estúdio como santuário nass gravações deste volume possuem uma característica única: a ausência de "teatro", não há a intenção de impressionar ou de entreter. O registro soa como uma confissão privada, captada acidentalmente em um momento de introspecção profunda. A tecnologia como transparência na qualidade técnica aqui é tão elevada que ela desaparece completamente. Não se ouve "a musica"; ouve-se o músico. A tecnologia serviu ao seu propósito final: tornar-se invisível para que a verdade da performance fosse preservada intacta. O legado da "escuta" neste CD funciona como um convite à desconstrução da expectativa em um registro do Jazz que não exige nada do ouvinte — nem a dança, nem o estudo intelectual —, apenas a presença. O CD22 é essencialidade, documentalmente a prova de que o Jazz em seu destino final, retorna à sua fonte original: o grito solitário do Blues, agora purificado de toda a necessidade de explicação. É a antologia concluída não por um estrondo, mas por um suspiro. É o registro da maturidade absoluta, onde a música se torna uma extensão da própria existência do músico, provando que o Jazz é, em última análise, a arte de revelar quem somos através do som. Do nascimento ruidoso do Ragtime ao silêncio eloquente deste vigésimo segundo volume — gostaria de lhe deixar uma pergunta derradeira: após ouvirmos o Jazz tornar-se estrutura, revolução, abstração e, finalmente, esta introspecção pura, você acredita que a missão do Jazz na história da humanidade era nos ensinar a tocar música, ou a nos ensinar a ouvir o silêncio que existe entre as notas que compõem a vida?


Boa audição - Namastê

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Boxset: Kuschel Jazz Collection, Vol.1-8 (2002-2011)

Artista: VA
Lançamento: 2011
Selo: Sony Music/512088 2
Gênero: Jazz Bebop, Soul-Jazz, Downtempo, Easy Listening

Bossa Nova: Sofisticação, Minimalismo e Diálogo com o Jazz:
A Bossa Nova é um movimento musical surgido no Brasil no final da década de 1950, que representa uma das mais refinadas sínteses entre a música brasileira e o jazz. Desenvolvida principalmente no eixo Rio de Janeiro, a Bossa Nova combina elementos do samba tradicional com harmonias sofisticadas e influências diretas do jazz norte-americano, criando uma linguagem musical marcada pela suavidade, elegância e inovação estética. Diferente do samba mais rítmico e percussivo, a Bossa Nova introduz uma abordagem mais contida e intimista. Sua principal característica é a batida de violão, que reorganiza os padrões do samba em uma forma mais sutil e sincopada. Essa base rítmica é acompanhada por harmonias complexas, muitas vezes inspiradas no jazz moderno, com uso frequente de acordes estendidos, modulações e progressões harmônicas elaboradas. A interpretação vocal também se diferencia, adotando um estilo quase falado, suave e próximo, em contraste com o canto mais projetado de estilos anteriores. Entre os principais nomes da Bossa Nova, destaca-se Antônio Carlos Jobim, compositor fundamental que ajudou a definir a identidade do gênero com obras que se tornaram universais. João Gilberto é outro nome essencial, responsável por consolidar a batida característica do violão e o estilo vocal intimista. Vinicius de Moraes contribuiu com sua poesia, trazendo profundidade lírica às composições. Outros artistas relevantes incluem Baden Powell, com sua fusão entre Bossa Nova e elementos afro-brasileiros, e Nara Leão, importante intérprete na difusão do movimento. Os afluentes da Bossa Nova são diversos e revelam sua natureza híbrida. O samba é sua base estrutural e rítmica, fornecendo o fundamento sobre o qual o estilo se desenvolve. O jazz, especialmente o cool jazz, contribui com a sofisticação harmônica, a liberdade interpretativa e o senso de espaço musical. A música erudita também exerce influência, particularmente na construção harmônica e no refinamento das composições. Além disso, elementos da música popular urbana brasileira ajudam a contextualizar o gênero dentro de um cenário cultural mais amplo. A relação entre Bossa Nova e jazz é profunda e bidirecional. Enquanto a Bossa Nova absorveu influências do jazz, ela também impactou significativamente músicos norte-americanos, que passaram a incorporar seus elementos em suas próprias produções. Essa troca cultural contribuiu para a internacionalização do estilo, transformando a Bossa Nova em um fenômeno global e consolidando sua presença dentro do universo do jazz. Do ponto de vista estético, a Bossa Nova valoriza o espaço, o silêncio e o equilíbrio. A música não busca o excesso, mas sim a precisão e a delicadeza. Cada elemento — seja o violão, a voz ou os instrumentos de acompanhamento — ocupa um lugar específico, criando uma sonoridade limpa e sofisticada. Essa abordagem minimalista é uma de suas marcas mais distintivas e um dos fatores que a aproximam do jazz moderno. Em síntese, a Bossa Nova representa uma das mais importantes contribuições brasileiras à música mundial. Ao unir a base rítmica do samba com a sofisticação harmônica do jazz, ela cria uma linguagem única, marcada pela elegância, inovação e universalidade. Mais do que um gênero musical, a Bossa Nova é uma expressão estética que traduz uma forma particular de sensibilidade, equilíbrio e refinamento dentro da tradição do jazz e da música popular.


Boa audição - Namastê

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Boxset: Kuschel Jazz Collection, Vol.1-8 (2002-2011)

 

Mesmo antes do primeiro álbum do KuschelRock, o nome já existia como programa musical noturno semanal na rádio HR3 (com sede em Frankfurt, Alemanha). O autor e apresentador do projeto era Thomas Koschwitz, considerado coautor de diversos álbuns do Kazle… Após a Sony Music patentear os direitos de lançamento da série de álbuns "KuschelRock", a rádio HR3 foi proibida de transmitir o programa noturno… Atualmente, a Sony Music lança álbuns regularmente todos os anos… Posteriormente, a Mpano começou a produzir uma série de álbuns por gênero, alguns dos quais intitulados "Kuschel Jazz". Este lançamento merece sua atenção. A série Kuschel Jazz não é apenas um derivado da gigante marca alemã Kuschelrock; ela representa uma curadoria estratégica que ajudou a definir o consumo do "Jazz de Estilo de Vida" (Lifestyle Jazz) na Europa no início dos anos 2000. Aqui está uma análise aprofundada sobre a identidade, a sonoridade e o impacto dessa coleção:

1. A Proposta Estética: O Jazz como Refúgio. O termo alemão Kuschel (aconchego/carinho) dita a regra de ouro da série: a ausência de atrito. Diferente do jazz purista, que muitas vezes foca na improvisação complexa e no virtuosismo técnico que exige atenção plena, o Kuschel Jazz foca na atmosfera. A premicia da série passa invariavelmente pela transição do Jazz para o Lounge. As faixas são selecionadas para servir como uma "trilha sonora de bem-estar", priorizando:

*Andamentos lentos (Ballads): Predomínio de escovinhas na bateria e pianos suaves.

*Vozes Aveludadas: Grande foco em vocalistas de timbres quentes e envolventes.

*Produção Impecável: Áudio limpo, com muita profundidade (reverb) para criar uma sensação de espaço e relaxamento.

2. Curadoria: A Ponte entre o Clássico e o Pop. O grande triunfo do Kuschel Jazz foi a sua capacidade de misturar épocas sem soar datado. Em um mesmo volume, a Sony Music conseguiu colocar:

*Os Gigantes do Passado: Louis Armstrong, Ella Fitzgerald e Chet Baker trazem a legitimidade e a nostalgia.

*O "Vocal Jazz" Moderno: Artistas como Norah Jones, Diana Krall e Michael Bublé, que foram os pilares comerciais do gênero na década de 2000.

*Incursões Pop: Versões jazzísticas de músicas pop ou artistas como Sade e George Michael, que utilizam elementos do soul e jazz em suas produções.

Essa mistura democratizou o gênero, tornando o jazz acessível para quem o considerava "difícil" ou intelectualizado demais.

3. Impacto Cultural e o "Efeito Starbucks"

*A série Kuschel Jazz surfou a onda da sofisticação urbana. Era a música perfeita para o florescimento dos cafés modernos e do design de interiores minimalista.

*A "Playlist" antes do Streaming: Antes do Spotify, essas coletâneas em CD duplo eram o equivalente às atuais playlists de "Lofi Jazz" ou "Coffee Table Jazz". Elas resolviam o problema do ouvinte que queria 2 ou 3 horas de música ininterrupta sem precisar trocar o disco ou conhecer profundamente a discografia de cada artista.

Ponto Crítico: para os críticos mais severos do jazz, a série pode ser vista como uma "diluição" da arte, transformando o jazz em "música de elevador" de luxo. No entanto, do ponto de vista da apreciação musical, serve como uma excelente porta de entrada. Muitas pessoas descobriram o trompete melancólico de Miles Davis ou a profundidade de Nina Simone através dessas compilações comerciais.


Boa audição - Namastê

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

VA - The Very Best Jazz Instrumentals

Artista: VA
Lançamento: 2015
Selo: Verve Records/Compilation 
Gênero: Cool Jazz, Bossa Jazz, Soul Jazz, Funk Jazz, Swing, Big Band, Standards 


O álbum funciona como uma curadoria definitiva da virtuosidade instrumental. Sem o uso de letras, a narrativa é conduzida puramente pela improvisação e pelo diálogo entre instrumentos icônicos como o saxofone, o trompete e o piano. É uma obra projetada tanto para o ouvinte atento quanto para quem busca uma atmosfera sofisticada de "easy listening". O destaques do repertório dessa seleção atravessa diferentes vertentes do Cool Jazz ao Swing e à Bossa Nova incluindo gigantes da música de "Hinos Eternos" que abre com clássicos absolutos como "Take Five" do Dave Brubeck Quartet e "So What" de Miles Davis, groove e ritmo energia de "Soul Bossa Nova" de Quincy Jones e o Hard Bop de "Moanin’" de Art Blakey trazem o balanço necessário à coletânea e grandes Orquestras e solistas trafendo nomes como Duke Ellington ("Take the 'A' Train"), Herbie Hancock ("Watermelon Man") e Stan Getz ("Desafinado") para garantem a diversidade técnica e cultural da obra.  A crítica e os ouvintes destacam que "cada faixa é uma vencedora", oferecendo uma mistura equilibrada de temas muito conhecidos e raridades relativas. As edições recentes, como a de 2023, apresentam áudio remasterizado, preservando a vitalidade das gravações originais em formatos de alta qualidade como o Vinil de 180g. Em suma, "The Very Best Jazz Instrumentals" é um mapa essencial para qualquer pessoa que deseje explorar o jazz sem a distração das palavras, focando apenas no sentimento e na técnica que definiram o século XX.


Boa audição - Namastê
 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Stan Getz - Stan Getz & Friends (1988)

Artista: Stan Getz
Lançamento: 1988
Selo: Verve Records
Gênero: Cool, Bop

"Compact Jazz: Getz & Friends" é uma coletânea (álbum de compilação) de jazz lançada em 1988 pela gravadora Verve Records. O álbum apresenta o saxofonista Stan Getz em colaborações com diversos outros músicos de renome, referidos como "Friends" (amigos). O CD inclui faixas gravadas com uma variedade de músicos notáveis, extraídas de sessões e álbuns originais produzidos por Norman Granz e Creed Taylor. Os colaboradores incluem: Dizzy Gillespie, Oscar Peterson. Bill Evans, Gerry Mulligan, Ella Fitzgerald, Chick Corea, Bob Brookmeyer, Gary Burton, entre outros em gravações que datam de 1953 a 1967, fazendo parte da série "Compact Jazz" da Verve, que compilava o melhor de seus artistas em formato de CD. 


Saxofone Tenor – Stan Getz
Saxofone Barítono – Gerry Mulligan
Contrabaixo – Ray Brown, Ron Carter, Bill Anthony, Gene Cherico, Leroy Vinnegar
Bateria – Max Roach, Grady Tate, Art Mardigan, Elvin Jones, Joe Hunt, Stan Levey, Shelly Manne, Connie Kay
Guitarra – Herb Ellis
Piano – Oscar Peterson, Chick Corea, Johnny Williams, Bill Evans, Lou Levy
Trompete – Dizzy Gillespie
Trompone - Bob Brookmeyer, JJ Johnson
Vibrafone – Gary Burton, Lionel Hampton
Voz – Ella Fitzgerald

Datas de gravação:

Faixa 01 - 09 de dezembro de 1953, Los Angeles;
Faixa 02 - 30 de março de 1967, Nova York
Faixa 03 - 08 de novembro de 1954, Shrine Auditorium, Los Angeles
Faixa 04 - 06 de maio de 1964, Nova York
Faixa 05 - 19 de agosto de 1964, Cafe Au GoGo
Faixa 06 - 10 de outubro de 1957, Los Angeles
Faixa 07 - 22 de outubro de 1957, Los Angeles
Faixa 08 - outubro de 1957, Los Angeles;
Faixa 09 - 01 de agosto de 1955, Los Angeles
Faixa 10 - 07 de outubro de 1957, Shrine Auditorium, Los Angeles.

Boa audição - Namastê


quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Boxser: The Perfect Jazz Collection 25 Original Albums (CD21)

Artista:  Stan Getz  
Lançamento: 1976 / 2010
Selo: Columbia / Great Jazz Composers Series
Gênero: Bossa Nova, Latin Jazz


Para os amantes dos ritmos doces, suaves e românticos da bossa-nova, com os mestres: saxofonista, Stan Getz e cantor e guitarrista, João Gilberto, que começou toda a tendência, em 1964, com "The Girl of Ipanema". Lançado pela Columbia Records em 1976 para apresentar Stan Getz em uma reunião com João Gilberto onde sua colaboração anterior foi uma década antes em Getz/Gilberto Vol. 2. Heloisa Buarque de Hollanda ( Miúcha ), que na época era casada com João Gilberto, cantou os vocais em inglês.


Baixo – Clint Houston , Steve Swallow
Bateria – Billy Hart , Grady Tate
Guitarra – João Gilberto, Oscar Castro Neves 
Percussão - Airto Moreira, João Gilberto, Ray Armando, Ruben Bassini, Sonny Carr
Piano – Albert Dailey
Vocais (Inglês) – Heloisa (Miucha) Buarque De Hollanda 
Vocais (Português) – João Gilberto 

Gravado nos estúdios Columbhttps://borboletasdejade.blogspot.com/search/label/2010ia Recording Studios, 21 de maio de 1975 - Nova York.



Boa audição - Namastê
 

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

The Perfect Jazz Collection - 25 Original Albums (Box Set 25 CD's)

Esta coleção The Perfect Jazz Collection - 25 Original Albums (Box Set 25 CD's) é uma compilação de álbuns clássicos do jazz, originalmente lançada pela gravadora Sony Music em 2010. A compilação é um excelente ponto de partida para novos ouvintes e uma adição valiosa para colecionadores, oferecendo 25 álbuns históricos do gênero por um preço acessível. A compilação foca em álbuns de jazz de alta qualidade e de grande importância histórica. O repertório abrange diversas vertentes do gênero e conta com nomes essenciais. Embora a lista exata possa variar um pouco dependendo da prensagem, o conteúdo central permanece o mesma. Para quem deseja construir uma biblioteca de jazz clássico sem gastar uma fortuna em álbuns separados, esta caixa é uma ótima opção. Ela oferece uma introdução abrangente e de alta qualidade à história do jazz, reunindo 25 álbuns importantes em uma edição compacta e de bom acabamento. No entanto, colecionadores mais exigentes ou aqueles que já possuem parte do material podem preferir buscar as edições individuais dos álbuns, que por vezes apresentam embalagens mais robustas e encartes com informações detalhadas. Além disso, a seleção dos artistas, embora de alto nível, pode não agradar a todos os amantes de jazz. 

Vantagens:

Preço acessível por um grande volume de conteúdo.

- Ótima introdução para iniciantes no jazz.

- Embalagem compacta e com design atraente.

- Boa qualidade de áudio nas remasterizações. 

Desvantagens:

- Embalagem frágil e sem a proteção de uma caixa de acrílico tradicional.

- Ausência de encartes com informações detalhadas, comuns nas edições individuais.

- Pode conter faixas ou edições ligeiramente diferentes das originais.  


Boa audição - Namastê
 

segunda-feira, 14 de abril de 2025

Boxser: Jazz Cats Sax (3xCD)

Artista: VA
Lançamento: 2006
Selo: GOLDEN STARS Records
Gênero: Bop, Bebop

 O saxofone se tornou particularmente popular no jazz, onde foi usado por muitos músicos talentosos, incluindo Charlie Parker, John Coltrane e Stan Getz. O som único do saxofone é bem adequado ao jazz, permitindo que os músicos expressem suas emoções e improvisem com facilidade. O sax é um instrumento musical único e versátil que tem uma longa história e uma rica tradição. Desde a sua invenção no século XIX por Adolphe Sax até os dias de hoje, o saxofone tem sido usado em uma variedade de gêneros musicais, incluindo jazz (seu epicentro), blues, rock e música clássica. O saxofone é um instrumento musical fascinante e emocionante que continuará a encantar e inspirar músicos e amantes da música por muitos anos vindouros.

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"O saxofone é um instrumento especial. Ele tem um som quente e expressivo que pode fazer você sentir tudo, desde tristeza até felicidade." - Charlie Parker

Boa audição - Namastê


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

VA - VA - The Greatest Jazz Legends-19 Original Álbum (10CD BoxSet - 10CD BoxSet)


Caixa de 10 CDs, contendo vinte álbuns originais clássicos dos maiores artistas de jazz de todos os tempos, incluindo Miles Davis, Chet Baker, Bill Evans, Sonny Rollins, Thelonius Monk, Art Pepper, Bud Powell, Cannonball Adderley, Art Blakey e outros. Estão incluídos álbuns icônicos que merecem um lugar nas melhores coleções de amantes e apreciadores do melhor do jazz, como: 'Kind of Blue' e 'Sketches of Spain' de Miles Davis, 'Saxophone Colossus' de Sonny Rollins, 'Blue Train' de John Coltrane, 'Time Out' de Dave Brubeck. ' e 'Somethin' Else' de Cannonball Adderley, Chet Baker Sing de Chet Baker entre outros colossais nomes e albuns sincopados do autêntico jazz.
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Álbum: The Greatest Jazz Legends/10CDs
Lançamento: 2015
Selo: The Intense Media
Gênero: Cool, Modal, Hard bop, Post-bop, west cool

Boa audição - Namastê


segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

Boxset: Les Trésors Du Jazz - 1944-1951




Artista: VA
Álbum: CD20 (1951)
Lançamento: 2002
Selo: Le Chant Du Monde
Série: Boxset 'Les Trésors Du Jazz' (10 CD)
Gênero: Swing, Big Band, Bop, Cool Jazz, Mainstream Jazz



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quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Boxset: Les Trésors Du Jazz - 1944-1951

Artista: VA
Álbum: CD18 (1949)
Lançamento: 2002
Selo: Le Chant Du Monde
Série: Boxset 'Les Trésors Du Jazz' (10 CD)
Gênero: Swing, Big Band, Bop, Cool Jazz, Mainstream Jazz

Boa audição - Namastê

quinta-feira, 30 de novembro de 2023

Village Vanguard, O lendário clube de jazz de NY

O Village Vanguard na 7th Avenue, 11th Street West em Greenwich Village é o mais antigo clube de jazz em operação contínua em Manhattan. O restaurante, que inicialmente ficou muito tempo fechado após o fim da Lei Seca com o nome de Triângulo Dourado, foi descoberto pelo jovem Max Gordon em 1935. Ele mudou o nome para Village Vanguard e o transformou no clube de jazz mais famoso de Nova York. No início, porém, o clube era um local de apresentação de diversos artistas de diversos gêneros musicais. O músico folk Lead Belly, mas também  Harry Belafonte, ainda completamente desconhecido na época se apresentaram no bar da esquina da Sétima Avenida com a Waverly Place. A partir de 1957, o Village Vanguard tornou-se um puro clube de jazz. O Village Vanguard logo se tornou um dos endereços de jazz mais procurados de Nova York. No início, porém, comediantes e outros artistas também apareceram ao lado de músicos como Sidney Bichet e Mary Lou Williams. Os convidados permanentes subsequentes e músicos da casa incluíram Charles Mingus, Elvin Jones e Dexter Gordon. Seguiram-se concertos de  Thelonious Monk, Dizzy Gillespi, Miles Davis, Stan Getz e Art Blakey e muitos outros. O Vanguard tornou-se um dos locais mais procurados tanto por músicos quanto por fãs de jazz nova-iorquinos. No início da década de 1960, tornou-se cada vez mais difícil para os operadores de clubes sobreviverem economicamente e começou a grande morte dos clubes de jazz em Manhattan. Quando muitos clubes, como o lendário Birdland, tiveram que fechar em meados da década de 1960, o "Vanguard" sempre foi uma garantia de jazz de alta qualidade em Nova York. Quadros e cartazes nas paredes ainda nos lembram os antigos mestres do jazz e os velhos tempos. Depois que o fundador Max Gordon morreu em 1989, sua esposa Lorraine Gordon assumiu o bar de jazz e administrou o negócio até sua morte em junho de 2018. O Vanguard permanece propriedade da família - a filha Deborah Gordon assumiu o comando do clube desde 2018. Com o tempo, novos aspirantes a músicos começaram gradualmente a aparecer no clube de Nova York. O trompetista Wynton Marsalis, o guitarrista Kurt Rosenwinkel, o contrabaixo Christian McBride e o pianista Brad Mehldau estão entre os nomes de destaque das gerações seguintes. Também bandas e artistas da geração mais jovem como: B. The Bad Plus, Chris Potter e Esperanza Spalding aparecem regularmente no Vanguard. A geometria única faz do Village Vanguard um excelente local para gravações ao vivo . O edifício, tal como o clube com os seus 123 lugares na cave, é em forma de cunha. O palco fica em um dos cantos da sala. Até o momento, cerca de 160 gravações ao vivo foram feitas no Vanguard bem com nos últimos anos, alguns vídeos ao vivo foram adicionados. 

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1957: Noite no Village Vanguard (Sonny Rollins, Blue Note)

1961: Valsa para Debby e Domingo no Village Vanguard (Bill Evans, Riverside)

1961: No Village Vanguard (Charlie Byrd)

1961: Coltrane “Live” no Village Vanguard (John Coltrane, Impulse!)

1962: The Cannonball Adderley Sextet em Nova York, com Nat Adderley e Yusef Lateef gravado “ao vivo” no Village Vanguard (Riverside)

1963: Impressões (John Coltrane, Impulse!)

1966: All My Yesterdays: The Debut 1966 Recordings at the Village Vanguard (Thad Jones/Mel Lewis Orchestra, Resonance, 2016)

1967: Viva novamente no Village Vanguard! (John Coltrane, Impulso!)

1970: Betty Carter no Village Vanguard (Betty Carter, Verve)

1976: De volta ao lar: ao vivo no Village Vanguard (Dexter Gordon, Sony)

1979: Formigas Nuas (Keith Jarrett, Jan Garbarek, Palle Danielsson, Jon Christensen, ECM 1986)

1980: Apague as estrelas (Bill Evans, Nonesuch)

1984: Ao vivo no Village Vanguard (Michel Petrucciani, Blue Note)

1988: Apenas amigos: ao vivo no Village Vanguard (Eddie Daniels/Roger Kellaway, Resonance, 2017)

1999: Ao vivo no Village Vanguard (Wynton Marsalis, Sony)

2006: Ao vivo – No Village Vanguard (Brad Mehldau, Nonesuch)

2007: Ao vivo no Village Vanguard (Bill Charlap, Blue Note)

2008: Brad Mehldau Trio ao vivo

2009: One Night Only (Barbra Streisand e Quarteto no The Village Vanguard)

2014: Ao vivo no Village Vanguard (Marc Ribot Trio, Pi Recordings)

2014: Ao vivo no Village Vanguard (Christian McBride)

2017: Sonhos e Adagas (Celine McLorin Salvant)

2019: Common Practice (quarteto de Ethan Iverson, com Tom Harrell)




 Boa leitura - Namastê

quinta-feira, 12 de outubro de 2023

Stan Getz Quartet - Getz at the Gate

Lançamento: 2019
Selo: Verve Records & Universal Music Enterprises
Gênero: Cool Jazz


1961 foi o ano anterior ao aparecimento da grande gravação de Jazz Samba de Stan Getz e Charlie Byrd. O sucesso do álbum rendeu uma influência tão imponente que impactou o rumo da vida criativa do saxofonista. Antes disso, havia poucas provas registadas que documentassem para onde Getz se dirigia depois de regressar à América após uma estada de três anos em Copenhaga. Getz gravou Focus com Eddie Sauter no verão de 1961, e no outono, Stan Getz & Bob Brookmeyer: Recorded Fall 1961 foi gravado com os outros membros de sua "Boston Band": o baterista Roy Haynes, o pianista Steve Kuhn e o baixista John Neves. Este grupo foi capturado no Village Gate em novembro. No início daquele ano, Getz formou um quarteto com o baixista Scott LaFaro que incluía Kuhn e o baterista Pete LaRoca. No início de março, Haynes (depois do lobby do baixista) estava na cadeira da bateria. Em 3 de julho, o quarteto foi aplaudido de pé em Newport; três dias depois, LaFaro morreu em um acidente. Duas semanas depois, o saxista contratou Neves. Simultaneamente, John Coltrane substituiu Getz no topo das pesquisas de tenor em 1961. Suas novas direções - monitoradas por Getz na Europa - influenciaram a direção mais musculosa empregada aqui, que evaporaria em Focus e Jazz Samba. Além disso, Kuhn trabalhou com 'Trane antes de McCoy Tyner. Seus novos rumos – monitorados por Getz na Europa – influenciaram a direção mais musculosa empregada aqui que evaporaria em Focus e Jazz Samba. Além disso, Kuhn trabalhou com 'Trane antes de McCoy Tyner. Seus novos rumos – monitorados por Getz na Europa – influenciaram a direção mais musculosa empregada aqui que evaporaria em Focus e Jazz Samba. Além disso, Kuhn trabalhou com 'Trane antes de McCoy Tyner. Nos cofres há 58 anos, essas fitas contêm todas as notasda performance escaldante do quarteto em Nova York. O tom rico de Getz, os solos rápidos e a perseguição rítmica são exibidos no início de uma leitura tempestuosa de "It's Alright with Me", de Cole Porter. Getz e companhia também exibem sua força em leituras semimodernistas consecutivas de "Impressions" de Coltrane (que Kuhn tocou na banda Trane) e "Airegin" de Sonny Rollins. Mas o swing não falta: ele é amplamente exibido durante o primeiro set em tomadas alegres e bem-humoradas de "Like Someone in Love" de Van Heusen e Burke e "Wildwood" de Gigi Gryce. Uma leitura flamejante de "Woody 'n You" de Dizzy Gillespie apresenta um trabalho impressionante de Kuhn, seguida pela jam de dez minutos e meio "Blues". e o pacote contém um belo ensaio de Bob Blumenthal. Este concerto é uma grande descoberta: ele ilumina um período historicamente obscuro e musicalmente aventureiro da carreira de Getz, que representa o caminho não percorrido.
 Sax. Tenor - Stan Getz  
Piano - Steve Kuhn 
Baixo - John Neves  
Bateria - Roy Haynes 

Gravado no domingo, 26 de novembro de 1961 no Village Gate, cidade de Nova York


Boa audição - Namastê

quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

# 107 - Stan Getz - Communications '72 (1971)


Artista: Stan Getz
Lançamento: 2007
Selo: Gitanes Jazz Produção
Gênero: West Coast, Big Band  


Stan Getz (1927-1991), estilista impecável e improvisador inspirado, possuía um timbre puro e uma fluidez inigualável no fraseado e é colocado entre os cinco saxtenoristas verdadeiramente revolucionários da história do jazz, os outros são Coleman Hawkins, Lester Young, Sonny Rollins e John Coltrane. Nos anos 50, Getz foi o tenorista máximo, e é um dos artífices do cool jazz. Posteriormente outros nomes vieram a assumir este status, mas Getz nunca deixou de ser grandemente respeitado pelos colegas, pelos críticos e pelo público. Tanto que seu apelido era ‘The Sound’. Stan Getz começou a trabalhar em 1947 na orquestra de Tommy de Carlo, e na companhia de outros três saxtenores, Zoot Sims, Jimmy Giuffre e Herbie Steward, que possuíam abordagem e sonoridade semelhantes. Embora raro, o conjunto de quatro solistas para o mesmo instrumento deu certo. O entrosamento era perfeito e os quatro foram apelidados de ‘The Four Brothers’. Woody Herman, sempre perspicaz na caça aos bons valores, contratou Stan Getz, Zoot Sims e Herbie Steward para sua orquestra; com o saxbarítono Serge Chaloff como o quarto ‘irmão’. Quando deixou a orquestra de Herman, em 1949, Getz já possuía renome e passou a tocar como líder em pequenos conjuntos. Nas décadas seguintes, Getz fez inúmeras turnês pela Europa, especialmente na Escandinávia, onde morou por alguns anos. Tocou junto com Chet Baker e Gerry Mulligan, como ele, expoentes do cool jazz. Mas, Getz não era apenas um músico cool. Assim como acontecia com Gerry Mulligan, e até em maior grau, ele foi influenciado pelo bebop, tocou inclusive com Dizzy Gillespie. E é ainda considerado, por muitos críticos, discípulo de Lester Young, no que se refere ao som e à articulação. Stan Getz teve uma relação sólida com a bossa nova: seu disco com João Gilberto foi um grande sucesso comercial nos anos 60 e se tornou cult. Ao longo de décadas a presença da música brasileira foi presença constante em seu repertório. Suas improvisações são de tirar o fôlego, seja pelo virtuosismo, seja pelas ideias surpreendentes.

Órgão – Eddy Louiss

Saxofone – Stan Getz

Vocais – Christiane Legrand

Arranjados – Michel Legrand


Gravado em novembro de 1971 em Paris

Boa audição - Namastê