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sexta-feira, 3 de abril de 2026

Box Set: The Ladies Of Jazz - VA (3CDs)


Artista: VA
Lançamento: 1997
Selo: Bluenite/BN304
Gênero: Soul-Jazz, Bossa Nova, Big Band, Easy Listening, Swing, Bop

Astrud Gilberto (1940–2023) foi uma cantora brasileira reconhecida mundialmente como uma das principais vozes da bossa nova. Seu estilo suave, contido e intimista marcou profundamente a música internacional, especialmente a partir da década de 1960. Nascida como Astrud Evangelina Weinert, em 29 de março de 1940, na cidade de Salvador, Bahia, mudou-se ainda jovem para o Rio de Janeiro, onde teve contato direto com o movimento da bossa nova. Apesar de não ser cantora profissional no início, sua entrada na música ocorreu de forma inesperada, mas decisiva. Seu reconhecimento internacional aconteceu em 1963, durante a gravação do álbum “Getz/Gilberto”, ao lado de João Gilberto e do saxofonista norte-americano Stan Getz. Nesse projeto, Astrud interpretou, em inglês, a canção “The Girl from Ipanema”, que se tornaria um dos maiores sucessos da música mundial. Sua voz simples e natural foi fundamental para a aceitação da bossa nova pelo público estrangeiro. Diferente de cantoras tradicionais da época, Astrud adotava uma abordagem minimalista: sua interpretação evitava excessos emocionais e priorizava a leveza, a naturalidade e a precisão. Esse estilo acabou se tornando uma de suas maiores características, influenciando gerações de músicos e cantores. Após o sucesso internacional, desenvolveu uma carreira sólida, lançando diversos álbuns e se apresentando em vários países. Cantou em diferentes idiomas, incluindo inglês, português, espanhol e italiano, ampliando ainda mais seu alcance global. Ao longo de sua trajetória, Astrud colaborou com importantes nomes do jazz e da música popular, consolidando-se como uma artista de relevância internacional. Sua obra contribuiu significativamente para a difusão da música brasileira no exterior. Nos últimos anos de vida, viveu nos Estados Unidos e manteve-se mais reservada em relação à vida pública. Faleceu em 5 de junho de 2023. Seu legado permanece como um marco na história da música: uma artista que, com simplicidade e sutileza, transformou a forma de interpretar canções e levou a bossa nova a um reconhecimento mundial duradouro.

Boa audição - Namastê

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Box Set: The Ladies Of Jazz - VA (3CDs)

Artista: VA
Lançamento: 1997
Selo: Bluenite/BN304
Gênero: Soul-Jazz, Bossa Nova, Big Band, Easy Listening, Swing, Bop


Lena Mary Calhoun Horne (30 de junho de 1917 – 09 de maio de 2010) foi cantora, atriz, ativista dos direitos civis e dançarina. Em 1933, Lena Horne se juntou ao coro do famoso ‘Cotton Club’, com a idade de dezesseis anos antes de ir para Hollywood, onde teve pequenos papéis em peças e vários filmes musicais. Devido às suas opiniões políticas de esquerda Horne foi posta na lista negra e incapaz de conseguir trabalho em Hollywood. Voltando às suas raízes, Lena Horne participou da ‘Marcha sobre Washington por Empregos e Liberdade’ ou ‘A Grande Marcha sobre Washington’, como ficou conhecida; um grande comício em prol dos direitos civis e econômicos para os afro-americanos que teve lugar em Washington, DC, em 1963, onde Martin Luther King fez seu histórico ‘I Have a Dream’ discurso defendendo a harmonia racial no Memorial Lincoln durante a marcha. E Lena continuou a trabalhar como artista, tanto em casas noturnas como na televisão, enquanto lançava álbuns bem-recebidos. Ela anunciou sua aposentadoria em 1980, mas no ano seguinte estrelou o show ‘Lena Horne: The Lady and Her Music’, com mais de 300 apresentações na Broadway e que lhe valeu inúmeros prêmios e elogios. Continuou gravando e se apresentando esporadicamente na década de 90, desaparecendo dos olhos do público em 2000.


Boa audição - Namastê

segunda-feira, 30 de março de 2026

Box Set: The Ladies Of Jazz - VA (3CDs)


Artista: VA
Lançamento: 1997
Selo: Bluenite/BN304
Gênero: Soul-Jazz, Bossa Nova, Big Band, Easy Listening, Swing, Bop


Dinah Washington, pseudônimo de Ruth Lee Jones (Tuscaloosa, Alabama, EUA, 29 de agosto de 1924 – 14 de dezembro de 1963) foi cantora de jazz, blues e gospel. De família de baixa renda, mudou-se para Chicago aos quatro anos. Teve uma infância solitária, já que seu pai, um apreciador de cassinos, raramente estava em casa, e sua mãe passava os dias na rua atrás do dinheiro para sustentar Dinah, suas irmãs e pagar as freqüentes dívidas do marido. Sozinhas em casa, as meninas começaram a se refugiar na igreja, onde passavam as tardes. Dinah tocava piano, assim como sua mãe, e todas cantavam no coral. Antes da adolescência, Dinah tocava piano e cantava gospel por toda Chicago, até vencer um concurso de calouros cantando blues. O concurso lhe rendeu um convite para participar do conjunto vocal ‘Sarah Martin Singers’, pouco antes de completar doze anos. Aos quinze anos, diante das proibições de sua mãe, começou a fugir pela janela de seu quarto para cantar à noite em bares e clubes, onde também começou desenvolver seu gosto pela bebida. Apesar da pouca idade, sua fantástica voz e técnica fizeram com que o bandleader Lionel Hampton a contratasse imediatamente quando a viu cantar em 1943. Foi nessa época que mudou seu nome de Ruth Lee Jones (nomes comuns nos EUA) para o mais pomposo Dinah Washington. Passou três anos junto a banda de Hampton onde conquistou prestígio pleno, gravando, apresentando-se e vendendo muito até sua morte. Gravou diversos estilos de música, apenas não gostando de gravar gospel, pois não apreciava a mistura de assuntos espirituais com profanos. Apesar de seus discos lhe renderem bastante dinheiro, possuía um estilo de vida bastante dispendioso, comprando jóias e carros, além de querer dar para a filha uma infância de luxo, diferente da sua. Morreu aos 39 anos de idade após ingerir inibidores de apetite com bebida alcoólica.


Boa audição - Namastê

sexta-feira, 27 de março de 2026

Box Set: The Ladies Of Jazz - VA (3CDs)


"Sou pedaços de músicas, fragmentos de textos, 
sou um pouco de um muito, sou apenas uma 
mistura de tudo"

Este box set de 1997, lançado sob o selo Bluenite (BN304), não é apenas uma compilação; é um inventário sonoro da sofisticação feminina no século XX. Composto por 3 CDs, o álbum atravessa o Jazz, a Bossa Nova e o Soul, servindo como uma aula magna sobre a arquitetura do ritmo e a síncope vocal. A voz como instrumento de ruptura é diferente de outras coletâneas da época, The Ladies Of Jazz organiza um diálogo geracional raro. O ouvinte é conduzido pela perfeição técnica de Ella Fitzgerald, passa pela intimidade minimalista de Astrud Gilberto e deságua na crueza política de Nina Simone. No Jazz sincopado, o deslocamento do acento rítmico é o que traz o "suingue", e aqui artistas como Dinah Washington mostram que a síncope não está apenas nos instrumentos, mas na respiração. Em faixas como "Mad About The Boy", Dinah atrasa propositalmente a entrada das frases, criando uma tensão melódica que é a essência do gênero. A curiosidades e o contexto histórico do  "Revival" dos Anos 90: tem inclusão de Dinah Washington como abre-alas do CD 1 não foi por acaso. Em 1992 um comercial da Levi’s (dirigido por Tarsem Singh) imortalizou "Mad About The Boy", fazendo com que a faixa voltasse às paradas europeias e se tornasse o cartão de visitas obrigatório para compilações de jazz daquela década. O selo Bluenite, conhecido por licenciamentos europeus de nicho, focava em edições que serviam como "portas de entrada" para novos colecionadores de CD que em 1997 vivia seu auge comercial antes da era digital. O contraste geográfico coloca o box uno ao "cool jazz" americano com a Bossa Nova brasileira ("The Girl From Ipanema"), evidenciando como o jazz se tornou uma linguagem universal de resistência e elegância.A finalização Crua traz encerramento com "Sea Line Woman" (Nina Simone) ao vivo no CD 3, uma escolha curatorial corajosa. Ela quebra a estética polida do estúdio para entregar o jazz em seu estado mais percussivo e ancestral. Guia para o amante do Jazz sincopado, para quem busca profundidade no Jazz, este box ensina que a música acontece no espaço entre as notas. A síncope é a arte de ocupar o silêncio com intenção. Ao ouvir estas damas, não procure a métrica rígida; procure o "atraso" elegante, o improviso que desafia o metrônomo e a capacidade de transformar uma melodia simples em uma narrativa complexa. O jazz sincopado é a liberdade de chegar no tempo certo, mesmo parecendo estar fora dele.


Boa audição - Namastê