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terça-feira, 3 de julho de 2018

CTI records: the cool revolution

A ‘CTI Records’ (Creed Taylor Incorporated) foi uma gravadora de jazz fundada em 1967 por Creed Taylor. Em 1970, o visionário produtor montou e desenvolveu uma lista histórica de artistas, apoiados por uma equipe criadora, chefiada pelo engenheiro de som Rudy Van Gelder. Inicialmente foi uma filial da ‘A&M Records’ e Don Sebesky, trombonista de jazz, foi o criador dos muitos arranjos para o rótulo, mais tarde se juntou a ele Bob James e, em seguida, em meados dos anos 70, David Matthews. Cada sessão contava com alguns dos melhores do jazz, o baixista Ron Carter, o guitarrista Eric Gale, organista Richard Tee e, nos primeiros anos, Herbie Hancock foi frequente ao piano. A ‘CTI Records’ trabalhou quase como uma companhia teatral, em que grandes músicos se revezavam no centro das atenções e acompanhavam uns aos outros. Os álbuns criados estabeleceram novos padrões e o sucesso imediato das gravações ecoou através das décadas, como uma profunda influência no jazz, pop, R&B e hip-hop. Suas produções para a ‘CTI Records’ ajudaram a estabelecer o ‘smooth jazz’ como um gênero musical comercialmente viável. O rótulo também se tornou conhecido pelas suas capas marcantes, algumas delas com imagens fotográficas de Pete Turner. Creed TaylorCreed Taylor já era importante na indústria da gravação a algum tempo. Ele tocou trompete antes de se tornar o chefe da ‘A&R Records’, em 1954, e durante dois anos registrou artistas como Carmen McRae e Charles Mingus entre outros. Em 1956, mudou para a ‘ABC-Paramount’, e em 1960 fundou a sua subsidiária ‘Impulse Records’. Apesar de ter assinado com John Coltrane para a gravadora, mudou para a ‘Verve Records’. Em 1970, na 'CTI Records' teve grande sucesso em equilibrar o artístico com o comercial. Entre os artistas que gravaram alguns de seus melhores trabalhos com Taylor durante este período foram Freddie Hubbard, Stanley Turrentine, George Benson e Hubert Laws. No entanto, as grandes gravadoras começaram a atrair os artistas de Taylor e embora ele fosse capaz de gravar com Chet Baker, Art Farmer e Yusef Lateef, problemas financeiros forçaram a gravadora à falência em 1978, que foi posteriormente adquirida pela Columbia. É lamentável que Creed Taylor tenha sido responsabilizado pelo fim da gravadora apesar da evidente traição de Hubbard, Turrentine, Benson e Laws cujos discos foram bastante inferiores nos outros rótulos às joias gravadas para a CTI. Depois de anos fora da cena, Taylor fundou uma nova CTI na década de 1990, que não conseguiu estabelecer a sua própria identidade como a antecessora. Fonte: Pintando Musica.
Boa leitura - Namastê

sábado, 19 de maio de 2018

1997 - The Blue Box: Blue Note's Best - VA



Artista: VA
Lançamento: 1997
Selo: EMI Music Canada
Género: Jazz, Hard Bop, Bebop, Free Jazz
Esta compilação, produzida pela EMI no Canadá, é uma excelente maneira para se iniciar no jazz. É uma amostra da grande variedade de músicas e artistas de uma das mais prestigiadas etiquetas de jazz de todos os tempos. As gravações foram obtidas a partir da coleção ‘Best of the Blue Note Years’ de vários discos que a gravadora lançou nos anos 90. As gravações abrangem um período de mais de 50 anos, desde a gravação de Sidney Bechet, em 1939 com a seminal ‘Summertime’ a John Scofield, em 1993, com ‘Message to My Friend’. Naturalmente, quando se garimpa uma mina tão rica como a gravadora ‘Blue Note’, não é possível apontar apenas uma música clássica do jazz. No geral, essa coleção é para quem quer uma visão ampla do que fez a grande ‘Blue Note’. E para quem gosta de jazz é uma boa introdução de alguns dos mais importantes artistas do gênero.
Boa audição - Namastê

domingo, 6 de maio de 2018

Gravadora 'Blue Note Records'

A ‘Blue Note Records’ é uma gravadora norte-americana de jazz fundada em 1939 por Alfred Lion. O seu nome tem origem no termo de jazz e blues, blue note, que é uma nota musical que provém das escalas usadas nas canções de trabalho praticadas pelos povos afro-americanos. A característica musical resultante imprime um caráter de lamento à música podendo considerar-se que tenha surgido como uma consequência da dureza do trabalho nos campos. Consiste em criar uma nota que não consta na escala diatônica tradicional. Esta herança escalar migrou mais tarde para o universo jazzístico. A 'Blue Note Records' esteve desde cedo mais associada ao estilo 'hard bop', um gênero influenciado pelo rhythm and blues, gospel e blues, que desenvolveu-se durante as décadas de 1950 e 1960. Mas, a gravadora incluia também bebop, soul, blues, rhythm and blues e gospel. Horace Silver, Jimmy Smith, Freddie Hubbard, Lee Morgan, Art Blakey e Grant Green estavam entre os principais artistas da editora. Após a 2ª Guerra Mundial, no entanto, quase todos os músicos mais importantes gravariam para a 'Blue Note'.
Em 1925, aos 16 anos, Alfred Lion notou um cartaz de concertos para orquestra que aconteceria perto do seu local favorito de patinação no gelo em sua nativa Berlim, na Alemanha. Ele tinha ouvido muitos discos de jazz de sua mãe e começou a se interessar pela música, mas naquela noite do concerto a sua vida mudou. O impacto do que ouviu tocado ao vivo explodiu dentro dele como uma paixão e o fez partir para Nova York em 1928 onde trabalhou nas docas e dormiu no Central Park para chegar mais perto da música que tanto amava. Em 1938, Lion foi ver o concerto ‘Spirituals to Swing’ no Carnegie Hall. O poder e a beleza do piano ‘boogie woogie', um estilo de blues, caracterizado pelo uso sincopado da mão esquerda ao piano, dos mestres Albert Ammons e Meade Lux Lewis balançou e apoderou-se de sua alma. Exatamente duas semanas depois trouxe os dois pianistas para um estúdio de Nova Iorque para fazer algumas gravações. Eles se revezavam ao piano e a longa sessão terminou com dois duetos impressionantes. A ‘Blue Note Records’ finalmente tornou-se uma realidade e Alfred Lion construiu uma das maiores empresas de registro musical de jazz do mundo.
No final de 1939, o seu amigo de infância Francis Wolff saiu da Alemanha de Hitler com destino aos Estados Unidos. Ele encontrou emprego em um estúdio fotográfico e juntou forças com Alfred Lion no projeto ‘Blue Note’. No final dos anos 1940, o jazz havia mudado novamente, e Lion e Wolff já não podiam resistir mais ao movimento do bebop, uma das correntes mais influentes do jazz. O saxofonista Ike Quebec tornou-se um amigo íntimo e conselheiro para os dois. Logo eles estavam gravando Fats Navarro, Bud Powell, Tadd Dameron, Thelonious Monk, Art Blakey, entre outros. Lion e Wolff eram especialmente fascinados por Thelonious Monk e ajudaram a sua carreira em todos os sentidos possíveis. Apesar da resistência dos críticos musicais e das vendas fracas, eles gravaram com ele até 1952. O caso de Monk foi o primeiro grande exemplo do que Horace Silver descreveu em uma entrevista de 1980: 'Alfred Lion e Frank Wolff eram homens de integridade e realmente fãs de jazz. Deram a vários músicos a chance de gravar quando todas as outras gravadoras não estavam interessadas. E eles apoiavam o artista, mesmo que ele não estivesse vendendo quase nada.'
Em 1954, a ‘Blue Note’, partiu em direção a um sistema que foi muito semelhante a uma companhia de teatro usando um elenco de 'sidemen', músicos profissionais contratados para executar ou gravar com um grupo do qual não era um membro regular; e líderes que assegurassem a criatividade e a confiabilidade. Logo depois a gravadora colocou em movimento uma outra tendência do jazz. Seguindo o conselho de Babs Gonzales e outros músicos, Alfred Lion e Frank Wolff se aventuraram a ouvir um pianista da Filadélfia, que tinha abandonado o seu instrumento original e agora tocava um órgão Hammond no canto de um armazém alugado. E assim ouviram pela primeira vez Jimmy Smith em 1956, no seu primeiro show em Nova York. Descrito por Alfred como uma visão impressionante, um homem de rosto contorcido, agachado sobre o teclado em agonia aparente, os dedos em vôo e os pés que dançavam sobre os pedais. Um som que ele nunca tinha ouvido antes. Foi estarrecedor. Ao mesmo tempo, Wolff conheceu Reid Miles, um artista comercial, que era um devoto fã de música clássica. Miles se tornou o designer para o selo por 11 anos e criou gráficos maravilhosos para as capas dos discos. Os detalhes fizeram a diferença.
Na década seguinte a ‘Blue Note’ passou para um patamar mais elevado na indústria fonográfica. Com álbuns que foram sucessos inesperados, que tiveram longas estadias nas paradas pop além de continuar a sua tradição 'hard bop'. Alfred Lion permaneceu até meados de 1967, quando problemas de saúde o forçaram a se aposentar. Frank Wolff e Duke Pearson dividiram as tarefas de produção, mas o jazz foi se movendo para um novo ciclo de tempos difíceis, economicamente e artisticamente. A cena não fornecia um ambiente no qual poderia nutrir jovens talentos e se perpetuar. Frank Wolff se afastou da ‘Blue Note’ até sua morte em 1971. A gravadora conseguiu sobreviver através de um programa de reedições e material inédito. Esse programa sobreviveu até 1981. Em meados de 1984, foi contratado Bruce Lundvall para ressuscitar a etiqueta. E a ‘Blue Note’ renasceu. Fonte: Pintando Musica
Boa leitura - Namastê

sexta-feira, 16 de março de 2018

1956 - Farmer's Market - Art Farmer (Prestige RVG Remasters Series)

Artista: Art Farmer
Álbum: Farmer's Market
Lançamento: 1956 (2007)
Selo: Prestige RVG Remasters Series
Gênero: Jazz, Cool, Hard Bop, Trumpet

Art Farmer - trumpet
Hank Mobley - tenor saxophone (except #4 and 5)
Kenny Drew - piano
Addison Farmer - bass
Elvin Jones - drums

Boa audição - Namastê

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

1965 - 'Round Midnight - Andy And The Bey Sisters (1965/2007) Remastered

Álbum: Round Midnight
Artista: Andy And The Bey Sisters
Selo: Prestige Records
Lançamento: 1965 / 2007
Gênero: Jazz, Vocal Jazz
Recorded: Van Gelder Studio, Hackensack, NJ, February 26 (#4-7, 9), and May 27 (#1-3, 8, 10), 1965. Remastered: 2007, Rudy Van Gelder at Van Gelder 
Studio, Englewood Cliffs, NJ
Boa audição - Namastê

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

1961 - Workout - Hank Mobley

Artista: Hank Mobley
Álbum: Workout
Lançamento: 1961
Selo: Blue Note Records
Gênero: Jazz, Hard Bop

Hank Mobley - tenor sax, Grant Green - guitar, Wynton Kelly - piano, Paul Chambers - bass & Philly Joe Jones - drums. Recorded March 26, 1961 at Rudy Van Gelder Studio in Englewood Cliffs, NJ.


Boa audição - Namastê

terça-feira, 4 de agosto de 2015

1967 - A Day In The Life - Wes Montgomery


Artista: Wes Montgomery
Álbum: A Day In The Life
Lançamento: 1967
Selo: Universal
Gênero: Jazz


Personnel: Wes Montgomery (guitar); Don Sebesky (arranger, conductor); Herbie Hancock (piano); Ron Carter (bass); Grady Tate (drums); Ray Baretto (percussion)
 Recording: Van Gelder Studios, Englewood Cliffs, NJ (06/06/1967-06/26/1967)
Boa audição - Namastê

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

50 anos de “A Love Supreme”


Lá pelo meio de 1964, John Coltrane se isolou no andar de cima de sua casa, num quarto pouco usado, com papel, caneta e o saxofone. Ele queria fazer anotações sobre a música que ouvia dentro de si. Só aparecia para apanhar comida e parecia muito compenetrado. Quando pareceu ter terminado o trabalho, desceu as escadas com uma inusitada serenidade, segundo sua esposa Alice: “Parecia Moisés descendo da montanha, foi lindo. Ele desceu, e havia uma alegria, uma paz em seu rosto, uma tranquilidade. Eu disse: ‘Conte-me tudo, faz uns quatro ou cinco dias que a gente nem se vê…’. Ele respondeu: ‘Esta é a primeira vez que me veio toda a música que quero gravar, como uma suíte. Pela primeira vez, tenho tudo, tudo pronto’”. Três meses depois, em 9 de Dezembro, Coltrane entrou no Van Gelder Studio, New Jersey, com McCoy Tyner (piano), Jimmy Garrison (contrabaixo) e Elvin Jones (bateria) para gravar, em uma só noite, numa sessão única, os pouco mais de 30 minutos de A Love Supreme, o mais impressionante disco de jazz já gravado -, rivalizando apenas com o A Kind of Blue (1958), de Miles Davis, que conta, inclusive, com a participação de Coltrane. A Love Supreme seria lançado em fevereiro de 1965, impressionando músicos, fãs, não-fãs e a crítica – nem todos favoravelmente. Já tinha ouvido falar do disco quando o comprei, em 1999, achando que era uma peça de soft-jazz para namorar – afinal, um disco com o nome de “Um Amor Supremo”! Mas o tal amor é a Deus e o disco foi concebido e é vendido, desde sua gravação, como uma peça de louvor ao divino. Sua base musical é o jazz modal (que não segue uma escala de tons específica) e o free jazz, com momentos ácidos e estridentes – diferente do que pode imaginar o ouvinte usual de discos de meditação ou new age com essa mesma intenção espiritual. Tecnicamente, o disco tem três músicas: no lado A: “Acknowledgement” (7´47”), gravada em um único take e com o único registro em disco da voz de Coltrane, sussurrando o mantra-refrão) e “Resolution” (7´22”), gravada em sete takes; no lado B: “Pursuance/Psalm” (17´53”), que foi gravada de uma só vez, também em take único – a divisão da música se deve ao fato de, num determinado momento, Coltrane usar seu sax tenor como se fosse sua voz, como se pronunciasse um salmo – o texto que ele mesmo escreveu, louvando e agradecendo a Deus, e que vinha na contracapa da edição original do disco. Malcolm X seria assassinado no momento que o disco chegava às lojas. No mês seguinte, enquanto o disco ia sendo ouvido e comentado, Martin Luther King liderava a Marcha sobre o Alabama, saindo de Selma. A Love Supreme parecia fazer parte do surgimento de uma consciência negra. Coltrane viveria, a partir do disco, como uma espécie de guru místico, não apenas para os fãs de jazz. Não por acaso, há até uma Igreja de São Coltrane. Até hoje, muitos se impressionam com a força espiritual do disco, mas a força musical é ainda maior e influenciou grandes nomes, em vários estilos musicais ou etnias, do clássico ou rock. A linha de baixo que conduz o refrão de “Acknowledgement”, somada à frase repetida por Coltrane, com o nome do disco, já foi chamado de proto-rap – não por acaso, influenciou Gil-Scott Heron, o precursor do rap e do hip-hop. O pessoal flower-power da época podia não conhecer nada de jazz, mas conheciam A Love Supreme: era o disco que os universitários antenados ouviam, junto com Bob Dylan ou Grateful Dead. James Brown, Marvin Gaye e Jimmi Hendrix eram fãs do disco. Santana e McLaughlin gravaram músicas e discos inspirados pelo álbum. Interpretações e versões abundam. O disco é um dos dois únicos de jazz que fazem parte da lista dos 200 discos essenciais do Rock and Roll Hall of Fame. Patti Smith e Bono Vox não param de citar o disco. Durante o Grammy de 2001, Santana e Joni Mitchell iam anunciar o prêmio de Disco do Ano – antes de abrirem o envelope, gritaram que o álbum do ano era… A Love Supreme – que tinha acabado de ganhar uma edição remasterizada. (Quem levou o Grammy, de verdade, foi o U2.) Depois de ter estudado com Charlie Parker e ombreado com Miles Davis, Coltrane atingiu a maturidade criativa e técnica em A Love Supreme. Ele morreria três anos e meio depois, aos 40 anos, vítima de um câncer de fígado, dizendo que acreditava em todas as religiões. Fazia dez anos que ele estava livre do vício da heroína e do álcool. Dentre os fãs ilustres de Coltrane e de seu grande álbum, está Barack Obama, que tem uma foto do músico, assinada pelo fotógrafo Jim Marshall, em sua sala pessoal na Casa Branca. Nesses 50 anos do disco, ele mantém a sua força. Se você não conhece, vale a pena tentar. (Quem quiser saber mais sobre a história desse disco fabuloso, em detalhes, procure por A Love Supreme: A criação do álbum clássico de John Coltrane, de Ashley Khan, Barracuda.) - Luiz Biajoni (25/01/2015) Fonte: revistaamalgama.com.br

Boa leitura - Namastê

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

1962 - Plays Fats Waller - Jimmy Smith

Artista: Jimmy Smith
Álbum: Plays Fats Waller
Lançamento: 1962
Selo: EMI
Gênero: Jazz
01 - Everybody Loves My Baby
(Jack Palmer, Spencer Williams)
Jimmy Smith - organ, Quentin Warren - guitar. Donald Bailey - drums.
Recorded at Rudy Van Gelder Studio in Hackensack, New Jersey, 
on January 23, 1962
Boa audição - Namaste

sábado, 24 de janeiro de 2009

2006 - Blue Note Perfect Takes - Rudy Van Gelder Remaster Series

Se há uma coisa de que faço ou tento fazer é a absoluta questão de ser democrático. Então ai vai uma postagem do site Morphinne -"Rudy Van Gelder - O mago do som", sobre Rudy Van Gelder um dos maiores engenheiro de som na historia do jazz. Sei que tal escolha pode ser até considerada de natureza polêmica, mas como sua contribuição é marcada no jazz e existe uma grandeza escondidas para muitos, creio que tenho bons motivos (é o que não falta) para publicar essa materia. Para mim é até uma obrigação moral, passo que muitos musicos passaram nas maõs de Gelder e sua parafernalhias, nos fundo da casa dos seus pais. Segue Postagem - "Rudy Van Gelder nasceu em 02 de Novembro de 1924 na cidade de Jersey City - Nova Jersey, tornando-se o legendário técnico de som dos anos 50 até os dias de hoje. Rudy participou das mais famosas gravações de jazz dos anos 50 pelo selo Blue Note Records. Em 52 foi apresentado na gravadora Blue Note pelo então amigo e saxofonista "Gil Mellé". Rudy tentou fazer uma carreira paralela na Blue Note, mas consequentemente acabou associada ao jazz, gênero do qual Rudy se destacou pelas qualidades sonoras das gravações. Aos 82 anos, Rudy é o mais famoso engenheiro de som na história da música. Na lendária casa-estúdio em Englewood Cliffs, New Jersey, Rudy lembra: “Nasci aqui e nunca pensei em me mudar, sou privilegiado porque meu trabalho chegou ao mundo todo sem que eu precisasse sair de casa”, comenta o mais importante, famoso e melhor – sim, é possível afirmar sem pestanejar – engenheiro de som na história não apenas do jazz mas da música. Afinal, Van Gelder criou escola na área clássica (através das gravações para a etiqueta Vox) e continua ditando padrões também para o mundo pop através do eterno poder de fascinação dos trabalhos para os selos CTI, restige, Blue Note e Impulse!, redescobertos (e fartamente sampleados) por DJs, produtores e artistas a geração hip-hop. Tímido, introvertido, de fala mansa e baixa, gestos calmos e olhar atento, permanece um perfeccionista obsessivo. Em uma idade na qual a maioria pensa em se aposentar e desfrutar do remanso do lar, Rudy nem sonha em parar. Continua trabalhando de segunda à sábado, e eventualmente também aos domingos se for para atender a um cliente antigo em situação emergencial. Sua agenda está lotada. Os pedidos para reservas de horários chegam do mundo todo, especialmente do Japão, onde é reverenciado como um “deus do som”, colocado no mesmo patamar de Miles e Coltrane, para citar apenas dois gênios com quem muito gravou. Não há astro em ascensão que não ambicione gravar no estúdio de Van Gelder, a um alto preço que a fama do craque lhe permite cobrar. Mas, além do numerário exigido para bancar tal upgrade, os artistas ainda precisam disputar espaço com as grandes gravadoras que, ininterruptamente, solicitam remixagens e remasterizações de antigos trabalhos. Além da EMI (detentora do catálogo da Blue Note), agora também a Concord, que em novembro de 2004 adquiriu o conglomerado Fantasy com o acervo da Prestige por 83 milhões de dólares, onde investiu em uma linha de relançamentos com a grife RVG. Hoje, mais do que nunca e no mundo todo a “assinatura” de Van Gelder ajuda a vender um disco tanto quanto o nome do produtor ou do artista. Às vezes, até mais do que o artista, dependendo do caso. O engenheiro de som Toninho Barbosa cuja fama de “Van Gelder brasileiro” já chegou ao conhecimento do ídolo, é um exemplo típico do fanatismo. “Às vezes eu nem conheço o músico, mas se o disco for gravado pelo Van Gelder eu compro na hora”, confessa. E os músicos, que não raro enfrentam entreveros com engenheiros, tratam Rudy como um colega, reverenciando-o. Em uma famosa entrevista ao historiador Leonard Feather, publicada na DownBeat de 26 de abril de 1973, no auge do estouro de “2001”, Eumir Deodato deu crédito a RVG pelo sucesso de sua versão, comparando-a com as outras gravações: "They didn’t have Rudy Van Gelder! He made the whole difference”. Vinte e três anos depois, o próprio Rudy, em entrevista à Downbeat de fevereiro de 2006, sem falsa modéstia lembrou ter sido o primeiro engenheiro a receber crédito na ficha de um disco. “Foi num 78 rotações do Lennie Tristano, com as músicas “JuJu” e “Passing” em 1951, e ele colocou meu nome no selo de tão impressionado que havia ficado com o meu trabalho, porque eu já conseguia fazer overdubbing naquela época”, explica, lembrando que sua estréia profissional aconteceu para o selo Carousel, em uma gravação de “We’ll be together again” do organista Joe Mooney. Mais tarde em 1953 começou sua histórica associação com a Blue Note, motivada por um LP de 10 polegadas do saxofonista-baritono Gil Melle, gravado de forma independente e negociado pelo músico com a companhia dirigida por Alfred Lion e Francis Wolff. “Alfred ficou impressionado com a sonoridade, e me procurou perguntando se eu seria capaz de reproduzi-la em outros discos. Eu disse: “OK, nenhum problema, é só marcar”, e ele então começou a mandar todo o cast para gravar comigo”, relembra. As fotos daquele timaço, tiradas por Francis Wolff durante as sessões, estão reproduzidas no DVD durante o depoimento de Rudy e também na galeria (com 52 fotos) na seção de “extras”. Esta e outras histórias fascinantes são narradas de viva voz pelo próprio Rudy na entrevista concedida à Michael Cuscuna para o projeto “Blue Note perfect takes”, combinando CD e DVD. Van Gelder gravou quase tudo da BN no período 1953-1971, criando o famoso padrão RVG de qualidade, que logo depois colocaria à serviço de selos como Savoy, Vox, Prestige e todos os comandados em diferentes fases pelo produtor Creed Taylor (Bethlehem, Impulse!, Verve, A&M e CTI), até hoje um de seus maiores amigos e fãs. No album “Perfect takes”, porém, estão apenas faixas da Blue Note selecionadas por RVG de acordo com a sua preferência pessoal, “sem a obrigação de incluir as músicas mais conhecidas”, conforme explicita no texto do livreto. Curiosamente as duas primeiras faixas – “Four in one”, de Thelonious Monk e “Budo” de Miles Davis – não foram gravadas por Van Gelder e constituem raras exceções que ele aceitou remasterizar sem ter sido o engenheiro original. “Já lido com meus próprios problemas, então não quero ter que resolver os problemas dos outros”, justifica. Mas, ao ouvir as primeiras prensagens em CD de “Birth of Rhe Cool” de Miles e “Genius of Modern Music” de Monk, sentiu que ambos precisavam de sérios ajustes. Pediu para receber as fitas originais de cada uma das faixas de “Birth of The Cool” e fez uma nova masterização que soava infinitamente superior à do primeiro relançamento em CD, realizada a partir de uma matriz que era de terceira geração, cópia de cópia. As outras oito faixas nasceram com o autoditada Rudy, fascinado por eletrônica e rádio-amador, paixões que por um tempo conseguiu conciliar com a profissão de optometrista (ciência que trata da visão e problemas não patológicos sobre o ponto de vista físico). “See see rider”, nas mãos mágicas de Jimmy Smith, em 16 de junho de 1959, ainda pertence à fase inicial do estúdio improvisado na sala de estar da casa de seus pais, em Hackensack, onde nasceu também o antológico “Blue train”, de Coltrane em 57. No mês seguinte (julho de 59) nosso herói já estava operando um novo “Van Gelder Studio”, em Englewood Cliffs, no mesmo local onde permanece até hoje. “Alguns produtores queriam gravar à noite, e isso começou a incomodar meus pais”, detalha. Orientou os arquitetos, acompanhou todos os passos da construção e deu no que deu: uma acústica fenomenal, com teto em forma de abóbada policêntrica, com fascinante eco natural. Ali atingiu o ponto máximo no equilíbrio de instrumentos, de modo a gravar todas as sessões diretamente para dois canais, “ao vivo”, sem deixar de captar um detalhe sonoro sequer por mais baixo ou sutil que fosse. Proeza fartamente demonstrada nas faixas registradas entre 1960 e 1966 por Hank Mobley (“Remember”), Freddie Hubbard (“Arietis”, com McCoy Tyner, Elvin Jones e o esquecido Bernard McKinney no euphonium), Kenny Burrell (a célebre faixa-título de “Midnight blue”, trazendo Ray Barretto nas congas), Joe Henderson (“Mode for Joe”), Donald Byrd somando trompete e coral na peculiar atmosfera contemplativa de “Cristo Redentor”, Wayne Shorter na modal “Footprints” e Art Blakey em uma abordagem surpreendentemente incendiária de “Moon river”, com Hubbard e Curtis Fuller. “Quando ouço estas faixas, sabendo a limitação do equipamento daquela época, elas parecem resultar de um milagre”, comenta Rudy. No DVD apropriadamente intitulado “A work in progress” – emocionante desde a abertura com a vista panorâmica da Ponte George Washington que liga New York a New Jersey – RVG, na sala de controle do estúdio, conversa com o produtor Michael Cuscuna durante filmagem realizada em 22 de abril de 2004. O diretor Chuck Fishbein passeia com a câmera por quase todos os cantos do estúdio (faltaram apenas a cozinha e a sala dos “discos de ouro”), mostrando os dois Steinways empregados por Bill Evans na fase da Verve, o teto, o tratamento acústico nas paredes. Rudy mostra a máquina Scully de “corte”, usada para fazer a matriz do vinil, e relembra sua carreira e os trabalhos para todos os selos, não apenas para a Blue Note. Mostra carinho especial pela prolífica e contínua associação com Creed Taylor, iniciada no final dos anos 50. Enquanto a gravação de Eumir para “Zarathustra” soa ao fundo, desfilam pela tela as belas capas da CTI – LPs de Wes Montgomery (uma rara prensagem de “Road song” rebatizado “Cancion de ruta”), Milt Jackson, Hubert Laws, Joe Farrell e George Benson. Dá a Creed Taylor o crédito por tê-lo convencido a adotar o sistema de multi-tracks em meados dos anos 60 (“ele queria fazer discos com grandes formações orquestrais”), mas esquece de comentar que seu ingresso na era digital, em janeiro de 1984, também se deu por insistência de Taylor. Mais especificamente para o disco “Red on red”, de Claudio Roditi que, ironicamente, marcou a volta da gravação “ao vivo” no estúdio, captada pelo equipamento Mitsubishi X-80 com mixagem direta para dois canais. Cinco anos depois, em junho de 1989, Rudy se converteria definitivamente para o esquema de gravação digital em 24 canais, usando uma máquina Sony, novamente persuadido por Creed, que filmaria em alta definição, no Van Gelder Studio, a gravação do mega-projeto “Rhythmstick”, editado em CD e LaserDisc, juntando Dizzy Gillespie, Tito Puente, Hilton Ruiz, John Scofield, Airto, Flora Purim, Phil Woods e muitos outros. Por fim temos a fantástica “The Rudy Van Gelder editions – The complete collection”, lançada pela Blue Note reunindo 171 CDs à venda pela módica quantia de dois mil e setenta dólares. Mas é preciso correr, pois se trata de uma edição limitada. A sublime clareza, a apurada definição de timbres, o completo equilíbrio, a perfeita reverberação e a sedutora profundidade sonora, traços marcantes do padrão RVG, podem ser contemplados em discos como “Somethin’ else” (Cannonball Adderley), “Moanin’” (Art Blakey), “A new perspective” (Donald Byrd), “Cool struttin’” (Sonny Clark), “Blue train” (Coltrane), “Maiden voyage” (Hancock), “Action” (Jackie McLean), “Sidewinder” (Lee Morgan), “Newk’s time” (Sonny Rollins), “Song for my father” (Horace Silver), “Speak no evil” (Wayne Shorter), “Life time” (Tony Williams) e “The eminent J.J. Johnson”. A coleção – calcada na “RVG series” iniciada em 1999, quando a Blue Note convidou Rudy para remasterizar, com tecnologia de 24bits, estes e outros clássicos – abriga também a compilação “Perfect takes”, vendida separadamente. Ainda resta algum sonho para Van Gelder? “Eu gostaria de poder gravar novamente todos esses artistas, usando o equipamento que tenho agora”, devaneia o alquimista sonoro que, vejam só a grande ironia, nunca ganhou um Grammy, embora vários álbuns gravados em seu estúdio, uma das principais catedrais do jazz, tenham faturado a estatueta. Mas, com uma vida dessas quem precisa de Grammy?" Aprecie com moderação!.
Fonts: Artigo escrito por Arnaldo DeSouteiros em 6 de Novembro de 2006, publicado originalmente no jornal "Tribuna da Imprensa" com reprodução no website Clube de Jazz e postado em 27 de Juhno de 2007 por Everyone no Morphinne .

Faixas:
01 - Four In One - Thelonious Monk
02 - Budo - Miles Davis
03 - Remember - Hank Mobley
04 - Arietis - Freddie Hubbard
05 - Midnight Blue - Kenny Burrell
06 - Mode For Joe - Joe Henderson
07 - Christo Redentor - Donald Byrd
08 - Footprints - Wayne Shorter
09 - Moon_River - Arty Blaker
10 - See See Rider - Jimmy Smith

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Boa audição - Namastê.