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quinta-feira, 8 de abril de 2010

1955-57 - Miscellaneous - Miles Davis

"Mas quando menos esperava ouvi os tiros e senti a ferroada no flanco esquerdo. O cara deve ter disparado cinco tiros contra mim, mas eu usava um blusão de couro meio folgadão. Não fosse esse blusão de couro e o fato de terem atirado através de uma Ferrari reforçada, eu estaria morto. Fiquei tão espantado que nem tive tempo de ter medo. Nenhuma das balas pegou em Marguerite, e fiquei feliz por isso, mas a coisa quase a mata de medo. Entramos eu chamei a polícia e eles vieram – dois caras brancos – e revistaram meu carro, embora fosse eu quem tinha levado os tiros. Depois disseram ter encontrado um pouco de maconha no carro e nos levaram pra delegacia. Mas nos soltaram sem fazer acusações, porque não tinham provas. Ora, todo mundo que me conhece sabe que nunca curti maconha, jamais gostei de fumá-la. Eles simplesmente não gostaram de ver um cara negro num carro estrangeiro caríssimo, com uma mulher tão bonita. Não souberam o que pensar. Quando olharam minha ficha, acho que viram que eu era músico e tivera problemas com drogas no passado, por isso tentaram me empurrar alguma coisa só de farra. Talvez achassem que conseguiriam uma promoção dando um flagrante num negro famoso. Fora eu quem chamara a polícia; se estivesse com a droga em cima, teria me livrado dela antes deles chegarem. Não sou tão louco assim. Ofereci uma recompensa de 5 mil dólares por qualquer informação sobre quem atirara em mim. Poucas semanas depois, estava sentado num bar do subúrbio, quando apareceu um cara e disse que o cara que atirara em mim fora morto por alguém que não gostara do que ele fizera comigo. Não sei o nome do cara que me contou isso, nem ele me disse o nome do pistoleiro que estaria morto agora. Só sei que o cara me contou e jamais tornei a vê-lo depois disso. Mais tarde descobri o motivo: alguns empresários negros do Brooklyn não estavam gostando que os empresários brancos pegassem tantos contratos. Quando eu toquei no Blue Coronet naquela noite, eles acharam que eu estava sendo um babaca por não entregar a programação aos empresários negros. Ora, eu simpatizo com os negros discriminados. Mas ninguém me dissera nada, e lá estava um cara tentando me matar por alguma coisa da qual eu não sabia. Cara, a vida é uma merda às vezes. Durante algum tempo depois disso, eu levava um soco inglês a toda parte, até ser preso cerca de um ano depois em Manhattan por não ter o adesivo de registro no carro, e o soco inglês caiu de minha bolsa quando a polícia me revistou. Eu admito que não tinha adesivo no carro e que o carro nem estava registrado. Mas os tiras no carro-patrulha não podiam ver isso do outro lado da rua quando deram a volta e se aproximaram. Também aqui, o motivo de pararem e voltarem era que eu estava em minha Ferrari vermelha, usando um turbante, calças de pele de cobra e casaco de pele de carneiro, com uma mulher realmente linda – creio que era Marguerite de novo – diante do Plaza Hotel. Os dois caras brancos que viram isso provavelmente me acharam com cara de traficante e por isso voltaram. Desnecessário dizer que fosse eu uma pessoa branca sentada naquela Ferrari eles teriam ido cuidar de sua vida.” Miles Davis – a Autobiografia - Miles & Quincy Troup (pps. 222 a 269)

06 - Walkin'


Faixas:
01 - Inrtoduction by Duke Ellington
02 - Hackensack
03 - Round About Midnight
04 - Now's The Time
05 - Four
06 - Walkin'
07 - Lady Be Good
08 - All Of You
09 - Four
10 - Yesterdays
11 - Round About Midnight
12 - Walkin'

Jan Session - Freebody Park, Newport - RI, 14 de Julho de 1955
Miles Davis – Trompete
Zoot Sims – Sax Tenor (Tracks 1-4)
Gerry Mulligan – Sax Barito (Tracks 1-4)
Thelonious Monk – Piano (Tracks 1-4)
Percy Heath – Baixo Acustico (Tracks 1-4)
Connie Kay – Bateria (Tracks 1-4)

Live at the Kongresshaus, Zürich - Switzerland, 19 Novembro de 1956
Lester Young – Sax Tenor (Tracks 5-6-7)
Rene Urtreger – Piano (Tracks 5-6-7)
Pierre Michelot – Baixo Acustico (Tracks 5-6-7)
Christian Garros – Bateria (Tracks 5-6-7)

Rec. at Birdland, NY, 17 & 30 Outubro de 1957
Bobby Jaspar – Sax Tenor (Tracks 8 & 9)
Tommy Flanagan – Piano (Tracks 8 & 9)
Paul Chambers – Baixo Acustico (Tracks 8 & 9)
Philly Joe Jones – Bateria (Tracks 8 & 9)

Rec. at the Beethoven Saal - Stuttgart, Germany, 18 de Dezembro de 1957
Peter Witte – Baixo Acustico (Tracks 10-12)
Herman Mutschler – Bateria (Tracks 10-12)
Erwin Lehn – cond. (Tracks 10-12)

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Boa audição - Nanastê.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

1955 - The Lost Holland Concert (Chet Baket Quartet)

Essas gravações, perdidas por muitos anos, são os primeiros concertos europeus de Chet. Realizado na Alemanha, em 09 de outubro de 1955, Baker acompanhado pelo Pianista Dick Twardzik...grande músico que faleceu apenas 12 dias após esse concerto, vítima de uma overdose de heroína. O album traz a perfomance completa, inculindo as apresentações do produtor Gigi Campi ao falante, e alguns diálogos com o próprio Chet. Vou continuar ouvindo e deixo meus possíveis leitores com a tradução da resenha feita por Matías Rinar, sobre o disco e toda a turne européia de Chet Baker.
"A turne européia de 1955, com o recém formado quarteto de Cher Baker era estusiasticamente esperada. O jovem e bonito trumpetista, cuja carreira tinha começado apenas 3 anos atrás, era agora um grande nome do jazz. Musicalmente, ele tornou-se mundialmente conhecido graças aos disco que tinha gravado com o saxofonista Gerry Mulligan como parte de um provocativo e incomum quarteto incuindo trumpete, sax barítono, baixo e bateria e piano. Mesmo estando clara uma próspera parceria artística, Mulligan e Baker, nunca foram muito proximos e o trumpetista logo deixou a banda para montar seu próprio quarteto com o pianista Russ Freeman. Mesmo tendo o grupo feito gravações maravilhosas, estas continuavam desconhecidas na Europa, em 1955...em virtude disso, para o concerto apresentado nesse albúm , o produtor germano;italiano Gigi Campi publicou essa apresentação a seguir... "5th Edition... 1955 Jazz Meeting introducing this year´s great discovery trumpeter Chet Baker renown for his work with the most outstanding modern jazz combo, the Gerry Mulligan Quartet. Playing along with the 1955 discography prize winner, the Hans Koller Quintet sunday October 9, 8 pm. At the Koln Industry and Commerce Chamber." Esse fato explica de certo modo o efeito do estilo que o trumpetista tinha na época, em sua audiências européias. Embora tocando baladas... ele estava então explorando mais e a escolha de repertório não deixa dúvidas sobre isso. Na verdade, sua primeira sessão de estúdio com esse quarteto apresenta principalmente títulos do compositor avantgarde Bob Zieff. Durante o concerto ele alternou canções mais movimentadas como Tommyhalk e momentos líricos como Imagination. De qualquer forma, o público e a crítica estavam esperando outra coisa, e não estavam preparados para o estilo iconoclasta do baterista Peter Littman e, acima de tudo, o pianista Dick Twardzik. Nascido em Danvers, Boston, em 30 de abril de 1931, o talentoso Twardzik estudou música clássica antes de descobrir o jazz. Ele começou a tocar em clubes em 1946 e, por volta de 54 já era um dos mais promissores jovens músicos em Boston. Em 1955, quando o pianista Russ Freeman decidiu não viajar para a Europa com o quarteto de Baker, o trumpetista achou em Dick Twardzik uma escolha natural. Mas, assim como Chet e Littman, Dick era viciado em heroína. Freeman lembra muito anos depois...
'Chet estava viciado, seu baterista também, e havia sempre uma divisão entre músicos que estavam sobrios e os que estava usando. Viciados andam com outros viciados.'
A relação musical entre Chet e Dick se tornaria uma das mais interessantes, embora trágicas experiências na história do jazz. O pianista morreu devido à uma overdose de heroína em seu quarto de hotel em paris a 21 de outubro de 1955. Ele tinha apenas 24 anos de idade e sua perda foi uma tragédia para o mundo do jazz. Assim, a reação da audiência em Koln nos parece no mínimo, desconcertante e temos que agradecer Chet por deixar que Dick tocasse todo o concerto. Ao nossos ouvidos, as contribuições de Koller e Sanner nas ultimas faixas, tentando recriar o som do grupo de Mulligan e Baker, constitui a parte menos importante do concerto. Após a morte de Twardzik, seus parentes resposabilizaram Baker por seu prematuro desaparecimento e por essa razão, Chet Baker sempre negou estar viciado durante aquela turne, afirmando que se envolveu com drogas apenas depois de seu retorno aos Estados Unidos. De qualquer forma, o anterior testemunho de Russ Freeman nega isso. James Gavin, biógrafo de Baker, dá força à sua versão, de certo modo, eximindo-o de qualquer responsabilidade pessoal na morte do pianista...
'Baker não era ainda um viciado quando Dick morreu, apesar de ter ja experimentado a droga. Até hoje, as pessoas tem aceito sua versão sobre a morte de Twardzik mas, muitas passagens de sua estória contém sinais vermelhos....Quando ele voltou aos EUA em 1956, ele estava manchado pela tragédia de Twardzik. Havia muita suspeita de que Baker fosse um viciado e era, de algum modo, responsável pela morte do pianista. Ainda que twardzik fosse viciado desde a adolescência, e obviamente, ele era muito mais adicto e autodestrutivo que Chet'.
Mesmo que não tenha sido responsável, Chet estava marcado permanentemente pela tragédia e a partir de então o fantasma do vício estaria sobre ele..."

Tracks:
01 - Introduction By Chet Baker Into T
02 - Indian Summer
03 - Someone To Watch Over Me
04 - Imagination
05 - C.T.A. Into Exitus
06 - Walkin'
07 - Indian Summer
08 - All The Things You Are
09 - Happy Little Sunbeam
10 - Moonlight In Vermont

Pessoal:
Chet Baker - Trompete e Vocal
Dick Twardzik - Piano
Jimmy Bond - Baixo
Peter Littman - Bateria

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Boa audição - Namastê

sábado, 21 de junho de 2008

1955-56 - Chet Baker In Paris Barclay Sessions

Foram muitos os rótulos criados pela mídia para se referir a Chet Baker: cool, cult, ícone do jazz, símbolo sexual - todos insuficientes para definir a personalidade contraditória do trompetista americano. Ao surgir no ambiente fervilhante do jazz norte-americano dos anos 50, o músico rapidamente se transformou no ideal de sua geração. No mundo inteiro, inclusive no Brasil, a suavidade de sua voz e as fotos em preto-e-branco na capa de seus LPs seduziam mulheres e homens que o tentaram imitar. Além do talento precoce, a beleza romântica de seu rosto lhe valia comparações com James Dean. Casado três vezes, teve quatro filhos e colecionou amantes. Mas suas verdadeiras paixões eram a música e a heroína. O vício fez com que vivesse, o limite de sua carreira aos últimos dias de vida, em função da droga. James Gavin (No Fundo de um Sonho - A Longa Noite de Chet) foi o unico que aproximou realmente de um Chet pelo jazz e do jazz pelo Chet que não conhecemos, em uma biografia à altura da magnitude de um Miles Davis branco,assim como era chamado entre os músicos de sua época. Em setembro de 1955 Chet Baker desembarcou em Paris(cidade das luzes que não se apaga) para varias sessões notáveis em seu testamento fonografico de espantoso brilho e criatividade, a partir da sua evocativa performasse incomum de tocar seu instrumento no regime musical e sortido de suas musicas,que incluia o sussuro de seu vocal nas gravaçãos. Puro e simples. Sua santa voz macia e o trompetiar de suas notas é o que dá um charme irresistível a este registro historico. Em "In Paris Barclay Sessions" existe um belo álbum jazzfonico e priotico ainda virgem aos ouvidos mais atentos. Não existe realmente palavras para descrever a profundidade deste álbum.
Dica:No Fundo de um Sonho - A Longa Noite de Chet - James Gavin (Companiha das Letras)

Faixas:
1. Alone Together
2. Tenderly
3. Summertime
4. There's A Small Hotel
5. I'll Remember April
6. Not Too Slow
7. Chet
8. Just Duo
9. Sad Walk
10. In A Little Provincial Town
11. Exitus
12. Tasty Pudding
13. These Foolish Things (Remind Me Of You)
14. Everything Happens to Me

Artistas:
Chet Baker - Trumpet, Vocals
Richard "Dick" Twardzik - Piano
Gerard Gustin - Piano
Raymond Fol - Piano
René Urtreger - Piano
Francy Boland - Piano
Jimmy Bond - Bass
Benny Vasseur - Trombone
Jean Aldegon - Alto Sax
Bobby Jaspar - Tenor Sax
Jean-Louis Chautemps - Tenor Sax
Benoit Quersin - Bass
Eddie de Haas - Bass
Jean-Louis Viale - Drums
Nils-Bertil Dahlander - Drums
Peter Littman - Drums
Charles Saudrais - Drums

Recorded in 1955 and 1956 At Pathe - Magellan studio, Paris.
Selecionados e seqüenciados por Daniel Richar

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Boa audição