Mostrando postagens com marcador Charlie Parker. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Charlie Parker. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 12 de julho de 2018

1999 - Jazz Loves Brasil Volume 1 & 2 (2CD Set) - VA

Artista: VA
Álbum: Jazz Loves Brasil Volume 1 & 2
Lançamento: 1999
Selo: Classic Verve Latin Jazz
Gênero: Bossa Jazz, Latino Jazz
A leveza não estava limitada à melodia e ao canto. Na bossa nova, os temas tratados pelos jovens compositores estavam longe dos casos de amor mal resolvidos, traições e abandonos de lar. A mulher nunca estragaria a vida de um homem na bossa nova, ela sempre seria uma espécie de musa e nunca seria uma bandida que traiu e que fez o cara beber até a morte. O ano de 1959 foi considerado o ano marco da bossa nova com a gravação do disco 'Chega de Saudade', de João Gilberto. Nesse disco despontavam duas duplas de compositores, Tom Jobim e Vinicius de Moraes, e Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli. O lançamento do LP definiu o que seria o novo estilo musical, até então não muito familiar aos ouvidos do público. Era uma interpretação suave, discreta, que contradizia o que vinha acontecendo antes com a interpretação dos cantores da Rádio Nacional. O canto ‘gritado’ foi transformado em uma voz suave acompanhada de uma melodia sofisticada, com influência e inspiração no jazz ‘west coast’ americano, no bolero mexicano e na música francesa, descendente de Maurice Ravel e Claude Debussy. Não esquecendo Chopin e Villa-Lobos. As letras eram poéticas e comportadas. A então capital do Brasil, o Rio de Janeiro da década de 50, era um lugar de encontros. Quase todos os componentes da bossa nova estavam na zona sul e quem não morava na região vinha de outros locais para as reuniões que eram realizadas no apartamento de Nara Leão, em Copacabana. Sendo o foco desse surto cultural, pessoas de outros Estados vinham para o Rio, como João Gilberto veio da Bahia, Sérgio Ricardo de São Paulo e João Donato do Acre. No Rio nasceu a bossa nova. (por vivian retz)
Boa audição - Namastê

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Chet Baker: um anjo que desceu ao inferno

Chet Baker (1929 - 1988), figura mitológica do jazz, em grande parte por fatores extramusicais, o que não significa que sua música não seja extraordinária. Chesney Henry Baker Jr. nasceu em Oklahoma e foi criado em Los Angeles. De seu pai, guitarrista amador de bandas de country, além de herdar o nome herdou também o amor pela música; foi ele quem lhe deu um trompete quando fez treze anos, para que pudesse entrar para a banda do colégio. No entanto, Chet não gostava de estudar música. Aos dezessete anos saiu da escola e entrou para o exército. Transferido para Berlim tocou na banda militar e nesse período, na Europa, ouviu jazz pela primeira vez transmitido pela rádio do exército. Ao sair do exército vagou por Los Angeles ouvindo Miles Davis, Fats Navarro e participando de 'jam sessions' durante a noite. Estava se apresentando em Los Angeles quando ficou sabendo que Charlie Parker estava à procura de um trompetista para acompanhá-lo em sua turnê. A sessão de audição de Charlie Parker para a escolha de um candidato terminou quando ele ouviu o trompete de Chet Baker, então com 22 anos. Baker tinha grande afeição por Charlie Parker, por sua gentileza, honestidade e pela maneira como protegia os músicos da banda, tentando mantê-los longe da heroína que tanto lhe corroia. Em 1952, quando Gerry Mulligan começou a formar seu famoso quarteto sem piano, escolheu Baker, com quem já havia tocado em 'jam sessions'. A formação foi um sucesso incrível e durou cerca de um ano, até Mulligan ser preso por posse de heroína. Com a saída de Mulligan, Baker convidou o pianista Russ Freeman para substituí-lo. Após discussões envolvendo dinheiro o quarteto se desfez e Baker seguiu para a Europa. A turnê ia bem até a morte por overdose do pianista de 24 anos, Dick Twardzik. Sozinho, Baker permaneceu na Europa tocando com vários músicos. De volta aos EUA, começou a consumir heroína e foi preso. Resolveu voltar para a Europa onde viveu por quatro anos na Itália, foi preso, casou e teve um filho. Em 1964 voltou novamente aos EUA, agora dominados pelo rock dos Beatles. Restando pouco espaço para o jazz gravou discos comerciais de baixíssimo valor artístico. Época em que perdeu vários dentes em uma briga por heroína o que o levou a abandonar o instrumento de 1970 a 1973. Em viagem pelo Colorado ouviu Dizzy Gillespie tocar em um clube. Foi o início do seu retorno quando Gillespie ficou sabendo do seu esforço para voltar à cena musical e lhe arrumou uma temporada em New York. Chet Baker foi o músico cool por excelência, sendo um dos pais deste estilo, não apenas musicalmente, mas também na atitude de calculada indolência, que se tornou famosa. Um jeito que escondia a dura realidade: a devastadora dependência de drogas que fez com que durante décadas Chet Baker se visse em um labirinto infernal de crises pessoais, contratos interrompidos, brigas, internações e prisões. Sua aparência sofreu ao longo da vida uma transformação impressionante, devido ao uso de heroína e suas conseqüências. O outrora belo e jovem trompetista aos quarenta anos parecia estar com sessenta. Mas mesmo com tudo isso, milagrosamente, o gênio musical de Chet mantinha-se intacto como atesta a sua vasta discografia. Baker morreu em Amsterdã, de forma trágica e misteriosa, quando despencou da janela do hotel. Até hoje resistem muitas controvérsias sobre a causa de sua partida: suicídio ou acidente. Fonte: Pintando musica

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Frases: Charlie Parker

"Não toque o saxofone. Deixe que ele toque você"
Charlie Parker

sábado, 7 de outubro de 2017

Frases: Charlie Parker

"A música é sua própria experiência, seu pensamento, sua sabedoria. Se você não a viver, ela jamais vai sair 
do seu instrumento"
Charlie Parker

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

terça-feira, 4 de maio de 2010

First Miles - Miles Davis - 1945/47

In a Silent Way iniciou um grande período criativo pra mim, a partir de 1969. Esse disco abriu em minha cabeça um manancial musical que continuou a jorrar nos quatro anos seguintes. Nesse tempo, acho que devo ter entrado em estúdio perto de umas quinze vezes, e concluí cerca de 10 discos (uns saindo mais cedo que outros mas todos gravados nesse período): In a Silent Way, Bitches Brew, Miles Davis Sextet: At the Fillmore West, Miles Davis: At Fillmore, Miles Davis Septet: At the Isle of Wight, Live-Evil, Miles Davis Septet: At Philharmonic Hall, On the Córner, Big Fun, Get Up With it (Directions e Circles in the Round saíram depois, com gravações feitas neste período.). Mas toda a música era diferente e isso causava muitos problemas a muitos críticos. Os críticos querem sempre classificar todo mundo, nos pôr num certo lugar em sua cabeça pra poder nos entender. Não gostam de muitas mudanças porque isso lhes dá trabalho pra entender o que fazemos. Quando comecei a mudar com essa rapidez muitos críticos passaram a me esnobar porque não entendiam o que eu fazia. Mas eles nunca significaram grande coisa pra mim por isso simplesmente prossegui com o que vinha fazendo, tentando crescer como músico. Entrei numa polêmica com o pessoal dos Prêmios Grammy em 1971 ao dizer que a maioria dos prêmios ia pra brancos que copiavam coisas dos negros, tristes imitações, em vez da verdadeira música. Disse que deviam dar Prêmios Mammy aos artistas negros. Dariam os prêmios aos músicos e eles os rasgariam diante da televisão. Ao vivo. Odiava o modo como eles tratavam os músicos negros dando os Grammy a brancos que tocavam como negros. Essa coisa está gasta e nojenta mas eles ficam putos se a gente fala. Temos de deixá-los tomar o que é nosso, ranger os dentes mas não ficar putos e segurar a barra enquanto eles faturam o dinheiro e a glória. É estranho o modo como muitos brancos pensam. No início do ano fiz uma operação de cálculo biliar e estava me separando de Marguerite Eskridge. Ela não gostava do ritmo de minha vida, nem que eu saísse com outras mulheres. Mais que isso, porém, creio que não gostava de ficar sentada esperando por mim. Me lembro de uma vez quando estávamos num avião na Itália e ela se pôs a chorar. Perguntei o que era e ela disse:
- Você quer que eu seja como um membro de seu conjunto e eu não posso. Não posso pular quando você estala os dedos. Não posso acompanhar você.
Cara, Marguerite era tão linda que quando ia aos lugares na Europa, as pessoas a seguiam. Ela gostava de ir a museus e me lembro que uma vez – talvez tenha sido na Holanda – quando ela entrou no museu, as pessoas se extasiavam por onde quer que ela passasse. Isso a perturbava. Fora modelo mas não curtia de fato esse tipo de coisa. Era uma pessoa especial e sempre terei um lugar pra ela em meu coração. Quando estávamos pra nos separar ela me disse que se precisasse de alguma coisa, ligasse pra ela que ela viria mas não podia aceitar regularmente as outras coisas e aquela gente toda. Da última vez que fizemos sexo ela engravidou de Erin. Quando me disse que estava grávida eu disse que ia ficar com ela mas ela respondeu que não era preciso. Ela teve Erin e simplesmente se retirou de minha vida diária. Eu a via de tempos em tempos mas ela passou a viver sua vida em seus próprios termos. Respeitei isso. Era uma dama realmente espiritual a quem sempre amarei. Mais tarde ela se mudou pra Colorado Springs levando nosso filho consigo. Depois que Marguerite partiu, Jackie Battle e eu quase nos tornamos um casal. Eu ainda saía às vezes com outras mulheres, mas passava a maior parte do tempo com ela. Jackie e eu tivemos um grande relacionamento. Eu a tinha quase no sangue, tão chegados éramos. Nunca me senti assim com nenhuma outra mulher além de Francês. Mas a fiz passar por muita coisa porque sei que era de convivência difícil. Ela vivia tentando me tirar da coca, e eu parava por uns tempos, mas depois tornava a recomeçar. Uma vez quando estávamos num avião pra São Francisco, uma aeromoça se aproximou e me deu uma caixa de fósforos cheia de coca que comecei a cheirar ali mesmo na poltrona. Cara, às vezes era uma loucura tal, depois que eu cheirava coca e engolia 7 ou 8 Tuinals (depressivos), que eu achava que ouvia vozes e me punha a procurar debaixo dos tapetes, nos radiadores, debaixo dos sofás. Jurava que tinha gente dentro de casa. Levava Jackie à loucura com esse comportamento, sobretudo quando ficava sem coca. Procurava a droga no carro, revistava a bolsa dela pois ela sempre a jogava fora toda vez que encontrava como alguma. Uma vez fiquei sem coca e entrávamos num avião pra ir a algum lugar. Eu pensava que Jackie devia ter escondido a coca na bolsa por isso lhe tomei a bolsa e comecei a revistá-la, pra ver se estava ali. Encontrei um pacotinho de sabão em pó branco. Depois de prová-lo, vi que era sabão e fiquei muito constrangido. Em outubro de 1972, bati o carro na West Side Highway. Jackie não estava comigo; estava dormindo em casa onde também eu devia estar. Creio que tínhamos acabado de chegar da estrada naquela noite e todo mundo vinha meio cansado. Eu não queria ir dormir embora tivesse tomado um sonífero. Jackie estava em minha casa e eu queria sair pra algum lugar mas ela só queria dormir. Por isso saí; acho que ia a algum barzinho da madrugada no Harlem. Seja como for, dormi no volante, bati com o carro numa mureta e quebrei os dois tornozelos. Quando ligaram pra Jackie e lhe deram a notícia ela teve um ataque ao chegar ao hospital. Jackie e minha irmã Dorothy que viera de Chicago de avião pra ajudar, fizeram uma faxina em minha casa enquanto eu estava no hospital. Encontraram fotos Polaroid de mulheres fazendo todo tipo de coisa. Eu costumava apenas olhar aquelas mulheres fazendo aquilo. Não as mandava fazer nem nada disso; elas faziam porque achavam que eu gostaria e me davam as fotos. Creio que essas fotos irritaram muito Jackie e Dorothy. Mas eu fiquei irritado, porque elas tinham entrado em minha casa e revistado minhas coisas particulares daquele jeito. Naquela época, eu gostava que a casa ficasse às escuras o tempo todo; acho que porque me sentia sombrio. Creio que esse incidente teve muito a ver como fato de Jackie ter se enchido de mim. Mulheres viviam ligando o tempo todo. E Marguerite morava no apartamento de cima e descia pra cuidar da casa quando Jackie ia pra estrada comigo. Fiquei de cama por quase 3 meses e quando voltei pra casa tive de andar de muletas por algum tempo o que fodeu mais ainda meu quadril. Quando voltei do hospital pra casa, Jackie me fez jurar que ia me afastar das drogas e eu me afastei por um tórrido instante. Depois me veio de novo aquela vontade. Me lembro que um dia ela me pôs no pátio junto ao jardim no fundo da casa. Era um belo dia de outono, nem muito quente nem muito frio. Eu dormia numa cama de hospital, onde podia erguer e baixar as pernas. Jackie trazia uma cama e dormia no jardim junto a mim quando fazia bom tempo. À noite, claro, entrávamos pra dormir. Nesse dia nós descansávamos no jardim e minha irmã Dorothy dormia lá em cima, dentro de casa. De repente senti uma tremenda vontade de cheirar cocaína. Me levantei, amparado nas muletas e liguei pra um amigo que veio me pegar. Eu saí,e quando voltei Jackie e minha irmã estavam histéricas porque calculavam que eu na certa fora comprar droga. As duas ficaram furiosas realmente furiosas. Mas Dorothy, como é minha irmã, ficou comigo; Jackie saiu e voltou pra seu apartamento que nunca largara e tirou o fone do gancho pra não falar comigo. Quando finalmente consegui falar com ela ao telefone e pedi que voltasse ela disse que não. E quando dizia não era não mesmo. Eu sabia que estava acabado e senti pra caralho. Tinha-lhe dado um anel que minha mãe me dera. Mandei Dorothy buscar o anel de minha mãe. Jackie me dizia as coisas certas. Sem ela minha vida nos dois anos seguintes entrou na zona escura. Era coca 24 horas por dia, sem nenhuma folga e eu sofria muitas dores. Comecei a sair com uma mulher chamada SherryPeachesBrewer por algum tempo. Era uma bela mulher também. Viera de Chicago pra Nova York trabalhar no musical da Broadway Hello Dolly, com Pearl Bailey e Cab Calloway. Nós andávamos juntos e ela era uma pessoa muito legal, muito boa atriz. Depois saí com uma modelo chamada Sheila Anderson, outra mulher alta e bela. Mas me recolhia cada vez mais em mim mesmo. Nessa época eu faturava algo em torno de meio milhão de dólares por ano mas ainda gastava muito dinheiro em tudo que fazia. Gastava muito em cocaína. Tudo começara a ficar meio fora de foco depois que sofri o acidente de carro...”

Miles Davis – a Autobiografia - Miles e Quincy Troupe (Editora Campus pp. 273, 285 a 288)

First Miles é o primeiro álbum de Miles Davis na liderança de uma formação de musico como como Charlie "Bird" Parker, Herbie Fields, Leonard Gaskin, Rubberlegs Williams com apenas 18 anos de idade. Ao longo do tempo, se tornará um dos mais valorizados e influente musico entre os varios estilos passado por Miles. São coletâneas de sua fase entre os anos 1945 e 1947, passando por valores históricos bastante notavel na evolução de um dos pilares do jazz. De inicio nota-se o seu talento na improvisação e sua grande capacidade de criar atmosferas rítmicas reservadas apenas para um seleto de poucos. genios do jazz. Boa pedida e degustação sem moderação.

Pointless Mama Blues


Faixas:
01. Milestones (First Take)
02. Milestones (Take 3)
03. Little Willie Leaps (First Take 1)
04. Little Willie Leaps (Master Take 3)
05. Half Nelson (Alternate Take 1)
06. Half Nelson (Master Take 2)
07. Sippin’ at Bells (First Take 1)
08. Sippin’ at Bells (First Take 3)
09. That’s the Stuff You Gotta Watch (Alternate Take 1)
10. That’s the Stuff You Gotta Watch (Alternate Take 2)
11. That’s the Stuff You Gotta Watch (Master Take)
12. Pointless Mama Blues
13. Deep Sea Blues
14. Bring It on Home (First Take 1)
15. Bring It on Home (Alternate Take 2]
16. Bring It on Home (Master Take 3)

Músicos:
Faixas 9 ao 16.
Miles Davis - TrompeteHerbie Fields - Sax Tenor & Clarinete
Henry Rubberlegs Williams - Vocais
Teddy Brannon - Piano
Leonard Gaskin - Baixo Acustico
Ed Nicholson - Bateria

Faixas 1 ao 8:
Miles Davis - Trompete
Charlie Parker Sax Tenor
John Lewis - PianoNelson Boyd - Baixo Acustico
Max Roach - Bateria & Percusão

Boa audição - Namastê.