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sexta-feira, 12 de junho de 2026

Nat King Cole – 20 Golden Greats


Lançamento: 1978/2004
Selo: Capitol Records, Inc./EMI-Bovema
Gênero: Soul, Big Band, Swing


A coletânea "20 Golden Greats" destaca gravações feitas por Nat King Cole para a Capitol Records no final dos anos 50 e início dos anos 60. Com foco em sua sequência de baladas românticas que chegaram ao topo das paradas, essas faixas foram relançadas inúmeras vezes ao longo dos anos, então não há nada aqui que o colecionador já não possua em abundância. Ainda assim, é inegável a combinação de arranjos de cordas exuberantes e a voz suave de Cole em clássicos atemporais como "Nature Boy", "Mona Lisa", "Unforgettable", "Ramblin' Rose", "Too Young" e "Smile". Apesar da embalagem sem graça, "20 Golden Greats" é uma coletânea sólida, perfeita para o ouvinte casual. Para os amantes sincopados, a coletânea 20 Golden Greats (lançada originalmente pela Capitol Records em 1978) é muito mais do que um compêndio de sucessos comerciais; é um documento histórico que mapeia a genialidade de uma das figuras mais revolucionárias do jazz moderno. Antes de se tornar o maior cantor de baladas da América, Nathaniel Adams Coles foi um pianista de bebop e swing de primeiríssima linha, cuja técnica influenciou diretamente nomes como Oscar Peterson e Bill Evans. Sob os ouvidos atentos dos devotos do ritmo, este álbum equilibra perfeitamente a transição onde o fraseado percussivo do piano dá espaço à emissão vocal impecável, tudo amarrado por arranjos orquestrais de tirar o fôlego. A curadoria deste álbum reúne duas décadas de evolução técnica nos estúdios da Costa Oeste americana, cobrindo o período áureo de 1943 a 1962. A evolução da engenharia de som salta aos olhos do ouvinte analítico: passamos dos registros em matrizes de laca e fitas mono magnéticas dos anos 40 até a exuberância do som estéreo High-Fidelity de três canais nos anos 60. A grande maioria das faixas que compõem esta antologia foi gerada no coração de Hollywood. É aqui que o famoso "Som da Capitol" foi forjado, caracterizado por salas de gravação projetadas com câmaras de eco acústico subterrâneas exclusivas, que conferiam à voz e ao piano de Cole uma textura tridimensional inimitável. As sessões fundamentais foram registradas majoritariamente nos estúdios Capitol Studios (localizados inicialmente na Melrose Avenue e, a partir de 1956, na icônica Capitol Tower na Vine Street, em Hollywood, Los Angeles, EUA). O arco temporal das gravações compreende sessões históricas como as de 30 de novembro de 1943 (marcando os primeiros registros do clássico King Cole Trio) até as grandes sessões orquestrais com arranjos de Nelson Riddle, Billy May e Gordon Jenkins, estendendo-se até meados de 1962. Para além do reduto californiano, a Capitol utilizou estúdios de ponta na Costa Leste para capturar momentos cruas de swing quando o trio estava em turnê. Essas faixas destacam-se por uma captação de microfone mais direta e íntima no piano de cauda de Nat. Sessões complementares realizadas nos estúdios de Nova York, incluindo o WMCA Air Studios (Nova York, EUA), entre 1946 e 1949. Nessas fitas, o arranjo sincopado do trio (piano, guitarra e contrabaixo, sem bateria) exibe uma precisão cirúrgica, onde cada acento no contratempo da guitarra de Oscar Moore desenha a moldura perfeita para os solos de Nat. Para o amante sincopado, o verdadeiro tesouro de 20 Golden Greats está nas entrelinhas rítmicas. Ao ouvir faixas como "Straighten Up and Fly Right" (1943) ou "Route 66" (1946), o que impressiona é a economia de notas de Nat King Cole ao piano combinada com um balanço impiedoso. Nat utilizava um ataque leve nos martelos, mas suas antecipações rítmicas e o uso de acentuações cruzadas no piano-trio estabeleceram o padrão para tudo o que veio depois no jazz de câmara. A transição para as grandes orquestras em faixas como "Nature Boy" (1948) e "Mona Lisa" (1950) revela uma engenhosidade rítmica oculta: mesmo sob densas camadas de cordas, Nat King Cole jamais se arrastava atrás da batida. Sua entrega vocal mantém o timing exato do jazzman; ele flutua sobre os arranjos com a mesma elasticidade que demonstrava em seus solos improvisados de piano. A remasterização dessas fitas permite aos puristas pescar o sutil arrastar de pés no estúdio, a respiração controlada de Nat e o estalo de unhas nas cordas do contrabaixo acústico de Johnny Miller. O desenho editorial de 20 Golden Greats é um triunfo porque não divide o artista de forma estanque. Ele não apresenta "Nat, o Pianista" contra "Nat, o Cantor". Em vez disso, a engenharia de fluxo do álbum costura os sucessos de forma que o ouvinte percebe como o fraseado do piano migrou organicamente para a voz de barítono de Cole. A síncopa está presente no sorriso vocal, nas pausas dramáticas e na elegância com que ele conduzia as transições harmônicas. Nat King Cole – 20 Golden Greats transcende o status de mero álbum de rádio. Ao documentar a trajetória cronológica e geográfica nos estúdios de Hollywood e Nova York de 1943 a 1962, esta antologia oferece aos devotos da música sincopada uma aula prática de sofisticação, precisão rítmica e textura acústica. É o registro definitivo de um gênio que transformou a complexidade do swing em pura poesia popular.
nel

Boa audição - Namastê

terça-feira, 1 de março de 2022

# 008 - Chet Baker - Broken Wing (1978)









Artista: Chet Baker
Lançamento: 2003
Selo: Gitanes Jazz Produção
Gênero: Jazz, West Coast jazz


Um dos últimos registros de Baker em vida, que foi lançado pouco depois de sua morte, o documentário é difícil de se ver, é devastador testemunhar o que a heroína fez. Nos últimos anos ele era apenas um rascunho do que foi. Seu rosto está cadavérico e ele sempre parece ter alguma dificuldade em permanecer acordado, e em alguns momentos parece que ele passeia por ‘Let’s Get Lost’ como um sonâmbulo. Para os críticos Chet morrera décadas antes daquele fatal mergulho da janela de seu quarto em Amsterdã. Até hoje ninguém sabe como ele morreu, se foi suicídio, assassinato ou delírios causados pela droga. Para os fãs, como eu, a voz e o trompete de Chet, mesmo decadente, sempre remeterão a um clima sofisticado e intimista. E eu teimo em querer guardar aquele Chet Baker no seu auge, como uma imagem estranhamente espectral, como alguém preso em um bloco de gelo.


Boa audição - Namastê

terça-feira, 3 de julho de 2018

CTI records: the cool revolution

A ‘CTI Records’ (Creed Taylor Incorporated) foi uma gravadora de jazz fundada em 1967 por Creed Taylor. Em 1970, o visionário produtor montou e desenvolveu uma lista histórica de artistas, apoiados por uma equipe criadora, chefiada pelo engenheiro de som Rudy Van Gelder. Inicialmente foi uma filial da ‘A&M Records’ e Don Sebesky, trombonista de jazz, foi o criador dos muitos arranjos para o rótulo, mais tarde se juntou a ele Bob James e, em seguida, em meados dos anos 70, David Matthews. Cada sessão contava com alguns dos melhores do jazz, o baixista Ron Carter, o guitarrista Eric Gale, organista Richard Tee e, nos primeiros anos, Herbie Hancock foi frequente ao piano. A ‘CTI Records’ trabalhou quase como uma companhia teatral, em que grandes músicos se revezavam no centro das atenções e acompanhavam uns aos outros. Os álbuns criados estabeleceram novos padrões e o sucesso imediato das gravações ecoou através das décadas, como uma profunda influência no jazz, pop, R&B e hip-hop. Suas produções para a ‘CTI Records’ ajudaram a estabelecer o ‘smooth jazz’ como um gênero musical comercialmente viável. O rótulo também se tornou conhecido pelas suas capas marcantes, algumas delas com imagens fotográficas de Pete Turner. Creed TaylorCreed Taylor já era importante na indústria da gravação a algum tempo. Ele tocou trompete antes de se tornar o chefe da ‘A&R Records’, em 1954, e durante dois anos registrou artistas como Carmen McRae e Charles Mingus entre outros. Em 1956, mudou para a ‘ABC-Paramount’, e em 1960 fundou a sua subsidiária ‘Impulse Records’. Apesar de ter assinado com John Coltrane para a gravadora, mudou para a ‘Verve Records’. Em 1970, na 'CTI Records' teve grande sucesso em equilibrar o artístico com o comercial. Entre os artistas que gravaram alguns de seus melhores trabalhos com Taylor durante este período foram Freddie Hubbard, Stanley Turrentine, George Benson e Hubert Laws. No entanto, as grandes gravadoras começaram a atrair os artistas de Taylor e embora ele fosse capaz de gravar com Chet Baker, Art Farmer e Yusef Lateef, problemas financeiros forçaram a gravadora à falência em 1978, que foi posteriormente adquirida pela Columbia. É lamentável que Creed Taylor tenha sido responsabilizado pelo fim da gravadora apesar da evidente traição de Hubbard, Turrentine, Benson e Laws cujos discos foram bastante inferiores nos outros rótulos às joias gravadas para a CTI. Depois de anos fora da cena, Taylor fundou uma nova CTI na década de 1990, que não conseguiu estabelecer a sua própria identidade como a antecessora. Fonte: Pintando Musica.
Boa leitura - Namastê

domingo, 5 de abril de 2009

1978 - Two A Day - Chet Baker

Este album em particular, é uma bomba calorica no gosto de muito jazzmaniaco pelo ato da contribuição de Baker ao jazz ser singular e única se comparado a genialidades do músico em si. Foi no inferno entre o desejo de me perder de Si e de achar em Dó, que a criação tornou-se multuas em seu trompete como uivos de um cão raivoso na espreita do clarão da lua. Do Nada, sua notas formava um cordão de melodias que preenchia as lagunas que faltava bem antes do músico solar seu instrumento. Passou em brancas nuvens, tomando o que seria para uns o remedio do mal aspirando com a dossagem magicas já bem definidas ao longo de sua existencia. Na verdade, sofria de uma depressão existencialista, não se contentando com a primeira oferta. Cereto, musicos que o acompanhou ao longo dessa jornada, relata que tinha um ouvido apurado e com poucas notas acompanhava o andamento da musica. Muito se comenta de Chet sem mencionar o lado criativo que o genio deixou, algumas absurdas, tentando qualificar o que na verdade não sei o quê. Two A Day de 1978 resgata um Chet assustato, frio, sem condições de traduzir sua formula criativa que a muito se ouvia em seus disco. Gravado em 29 de Dezembro de 1978 no "Le Chateau", Herouville, France. Produção de Alain Boucanus e fotografias de Jean-Pierre Leloir & Christian Rose. Uma otima pedida para um fim de noite na companhia de um bom disco de jazz.

Faixas:
01 - Two A Day
02 - Blue Room
03 - If I should Lose You
04 - This Is Always
05 - The Best Thing For You

Musicos:
Chet Baker - Vocal & Trompete
Phil Markowitz - Piano
Jean-Louis Rasinfosse - Baixa Acustico
Jeff Brillinger - Bateria

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Boa audição - Namastê.

sábado, 21 de março de 2009

1978 - Ballads - Dexter Gordon

Dexter Gordon nem sempre foi relacionado como um expoente do bebop. O mal talvez tenha surgido a partir das precipitadas avaliações sobre sua origem. Gordon, afinal, nasceu em Los Angeles, tocou na orquestra de Lionel Hampton durante a adolescência, gravou com Nat King Cole e participou das bandas de Fletcher Henderson e Louis Armstrong. Um cenário de fato bem distante da atmosfera desenvolvida por Charlie Parker e sua turma. Mas Gordon mudou-se para Nova York e passou a tocar com Parker, Dizzy Gillespie e Bud Powell exatamente em 1945 quando o bebop florescia. O saxofonista aproveitava as folgas de seu trabalho oficial pela orquestra de Billy Eckstine para participar da formatação do bebop pelos clubes do Harley. E foi neste período que o saxofonista ganhou prestígio como solista e líder de seu próprio grupo. Apos passar 15 anos morando em Paris e Copenhaque foi em 1976 ao retornar para os EUA, fez varias apresentações no clube Village Vanguard, com grande sucesso. Em 1986 no filme, Por Volta da Meia-Noite (Round Midnight - Direção de Bertrand Tavernier) onde retratava exatamente a figura do jazzista incompreendido nos Estados Unidos que buscava abrigo em uma Europa mais flexível. O filme, de fato, é influenciado pelas biografias de Bud Powell, Lester Young e do próprio Gordon, recebendo uma indicação para o Oscar de Melhor Ator. Ballads é uma fantástica coleção retirada dos álbuns gravado da Blue Note entre 1961 e 1968 (sendo a última faixa sido gravado ao vivo em 1978 no Live At The Keystone Korner - San Francisco). Dexter tem colaborações extraordinária, podemos encontrar com músicos de naipes de Horace Parla, Kenny Drew, George Cables, entre outros figurões que acompanhou neste periodo. Morreu em 25 de april de 1990 na Philadelphia - Pennsylvania aos 67 anos. Por ser uma copilação na fase de Gordom, as gravações foram realizadas no Van Gelder Studio, Englewood Cliffs - New Jersey no periodo de 06 de maio de 1961 a 27 de maio de 1965. Na CBS Studios, Paris - França ente 23 de maio de 1963 a 02 de junho de 1964 e no Live at the Keystone Korner, San Francisco, Califórnia em 16 setembro, 1978. Item essêncial em uma coleção e uma boa recomentação para que não conhece e pretende conhecer Dexter Gordo a voz dramática e sofisticada do bebop.

Faixas:
01 - Darn That Dream
02 - Don't Explain
03 - I'm A Fool To Want You
04 - Ernie's Tune
05 - You've Changed
06 - Willow Weep For Me
07 - Guess I'll Hang My Tears Out To Dry
08 - Body And Soul (live)

Musicos:
Dexter Gordon - Sax Tenor
Freddie Hubbard - Trompete
Donald Byrd - Trompete
Sonny Clark - Piano
Barry Harris - Piano
Bud Powell - Piano
George Cables - Piano
Horace Parlan - Piano
Kenny Drew - Piano
Neils-Henning Orsted Pedersen - Baixo Acústico
Paul Chambers- Baixo Acústico

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Boa aldição - Namastê.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Arthur Blythe

1978 - Lenox Avenue Breakdown


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Para muitos, o nome Arthur Blythe pode soar entranho, mas trata-se de um dos maiores nomes do sax alto surgidos no final dos anos 70. Blythe cresceu em San Diego, onde começou a tocar com 9 anos nas bandas da escola. Na adolescência, seu primeiro mestre foi o saxofonista Kirtland Bradford, ex-membro da orquestra de Jimmie Lunceford.

Em 1960, mudou-se para Los Angeles, onde conheceu o pianista Horace Tapscott. Os dois trabalharam juntos até 1974, fazendo diversas gravações e fundando a Union of God's Musicians and Artist's Ascension.

No final de 74, Blythe mudou-se para Nova Iorque, onde trabalhou de sideman do baterista Chico Hamilton (1974-77) e do pianista Gil Evans (1976-80).

Em 1977, aos 37 anos, Blythe gravou os álbuns Metamorphosis, Bush Baby e The Grip em selos independentes. Esses trabalhos chamaram muita atenção, onde revelavam um saxofonista maduro e original. Essas qualidades impressionaram a gravadora Columbia, que logo fez um convite. Blythe assinou contrato, gravando o aclamado In the Tradition, em 1978.

Ele não era exatamente um "young lion" -já tinha quase 40 anos-, mas seguia a mesma linha musical de jovens músicos que estavam surgindo na época, como Wynton Marsalis(recém contratado a Columbia), trabalhando dentro de um estilo que ficou conhecido como Post-Bop. A Columbia tratava esses dois músicos como verdadeiros carros-chefes da gravadora, o que pode ter sido um verdadeiro erro. Enquanto Wynton Marsalis seguia uma linha de respeitar as suas “tradições” jazzísticas, agradando público e crítica, Blythe começou a navegar nas praias da música de vanguarda, o que já era um pouco incomum para o movimento da época. O resultado foi a perda de público e prestígio da gravadora. Não perdeu talento e continuou gravando álbuns com elementos de muita criatividade e experimentos. Acabou não tendo a fama e o prestígio que muitos imaginavam no começo de sua carreira, mas agradou a um público restrito, mais "aberto", que se impressiona com sua velocidade, vibrato agressivo e improvisos de muita originalidade.

Tracks:

01 - Down San Diego Way
02 - Lenox Avenue Breakdown
03 - Slidin' Through
04 - Odessa

Credits:

Arthur Blythe - Sax (Alto), Mixing
Jack DeJohnette - Drums
Donald Elfman - Producer
Guilherme Franco - Percussion
Cecil McBee - Bass, Guitar
James Newton - Flute
Bob Stewart - Tuba
James Blood Ulmer - Guitar

http://www.arthurblythe.com/