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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Boxset: Triumphs Of The Blues (20xCD's) CD04

 
Lançamento: 2001/02/03
Selo: Habana 
Gênero: Chicago Blues, Country Blues, Delta Blues, Harmonica Blues, Jump Blues, Louisiana Blues, Piano Blues, Rhythm & Blues, Texas Blues, East Coast Blues, Vaudeville Blues

O quarto volume da prestigiada coleção Les Triomphes du Blues (Habana) desvia o foco do rigor instrumental masculino para celebrar a força sísmica e o monopólio expressivo das grandes divas do início do século XX. Intitulado Chanteuses de Blues, este disco resgata as gravações pioneiras da década de 1920 que transformaram o blues rural em um fenômeno de massas comercial, unindo a crueza temática das classes trabalhadoras à imponência teatral dos grandes palcos de vaudeville e das orquestras de jazz primitivo. Este volume desconstrói o mito historiográfico de que o blues primitivo era um domínio exclusivamente masculino, argumentando que foram as chamadas Classic Blues Queens as verdadeiras responsáveis por moldar a primeira grande indústria fonográfica voltada para o público afro-americano (Race Music). A tese central sustenta que essas mulheres não apenas cantavam sobre dor e opressão, mas reivindicavam autonomia financeira, sexual e social em uma América implacável de leis segregacionistas. Na década de 1920, gravadoras como a Paramount e a Columbia descobriram o imenso poder de consumo das comunidades urbanas do norte dos EUA. As artistas apresentadas neste volume eram as verdadeiras estrelas pop de sua era, gravando acompanhadas por músicos de escol do jazz primitivo — com participações lendárias de pianistas e cornetistas como o jovem Louis Armstrong. Acusticamente, a projeção vocal dessas cantoras era tão colossal que muitas vezes estouraba a capacidade limitada dos microfones de carbono da época, exigindo que os engenheiros as posicionassem a metros de distância do equipamento de gravação para evitar a distorção total das matrizes de cera. Análise de destaques (três faixas-chave): "Downhearted Blues" de Bessie Smith: O hino definitivo do gênero. A interpretação de Bessie Smith transborda autoridade inabalável e resignação dolorosa. O uso magistral de blue notes na sua tessitura vocal grave confere à faixa uma dignidade trágica que eleva o desamor à categoria de alta arte dramática, "Bo-Weavil Blues" de Ma Rainey: a "mãe do Blues", utiliza uma dicção ríspida, seca e altamente cadenciada, apoiada por uma estrutura de chamada e resposta com cornetas melancólicas. a letra aborda a praga agrícola que dizimou o algodão no Sul, transformando uma crise socioeconômica nacional em lamento poético e "Empty Bed Blues" de Bessie Smith: marcado por um contraponto sutil e elegante de trombone e piano, este blues de doze compassos utiliza metáforas domésticas e corporais perspicazes para tratar do luto do abandono e da solidão na metrópole. Curiosidade de bastidor (fato raro), o vagão de trem particular de Bessie Smith, curiosamente, devido ao seu colossal sucesso de vendas e bilheteria, Bessie Smith tornou-se a artista afro-americana mais bem paga do mundo na segunda metade da década de 1920. Para escapar das leis de Jim Crow, da hostilidade policial e da violência racial nas estradas do sul dos EUA, ela comprou e operava seu próprio vagão de trem Pullman particular, onde morava, dormia e viajava com toda a sua trupe de músicos durante as extenuantes turnês de vaudeville. A força interpretativa, o timbre cortante, a postura de empoderamento e a técnica de projeção vocal destas pioneiras pavimentaram a estrada direta para a ascensão do jazz vocal moderno, do gospel secularizado e do soul das décadas seguintes, influenciando diretamente ícones absolutos como Mahalia Jackson, Nina Simone e Janis Joplin.“O Volume 4 de Les Triomphes du Blues prova que a fundação sonora do século XX não foi construída apenas com o suor dos violões de madeira, mas com a voz indomável e soberana das rainhas que dominaram a aurora do disco.” 

Boa audição - Namastê

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Boxset: La Grande Histoire Du Jazz, do Ragtime ao Swing 1898-1952 (25CDs)

Lançamento: 2009
Selo: Le Chant du Monde 
Gênero: Swing, Ragtime, Big Band, Early Jazz, New Orleans Jazz, Dixieland, Harlem Stride Piano, Gipsy Jazz (Jazz Manouche), Negro Spirituals/Gospel


O crepúsculo do ragtime e a aurora do swingm a alquimia da modernidade se encontra no sexto volume desta monumental coleção francesa situa-se na encruzilhada definitiva da história do jazz: o período entre o final da década de 1920 e o limiar dos anos 30. Este recorte temporal não é apenas uma sucessão de datas, mas a crônica da transição do jazz enquanto "música de entretenimento regional" para o jazz como "linguagem cosmopolita". O CD 6 atua como o documento fundamental que sela o declínio definitivo das raízes coletivas do New Orleans e a ascensão da individualidade virtuosa e da organização orquestral que pavimentaram a era do Swing. A temáticam o pano de fundo deste volume é a "Grande Migração" e a urbanização desenfreada dos Estados Unidos. Esteticamente, o disco é marcado por um contraste fascinante: de um lado, a rusticidade quase telúrica de Johnny Dodds e Jelly Roll Morton, que mantêm o fogo da tradição crioula; do outro, a sofisticação urbana e o brilho metropolitano de Duke Ellington e Fletcher Henderson (via a presença dos McKinney's Cotton Pickers). Há uma tensão cultural palpável entre o jazz como catarse coletiva e o jazz como arte projetada, onde a escuridão dos clubes de Chicago encontra o glamour crescente do rádio e do disco de vinil. A Construção do Gênero evolutiva técnica aqui documentada é um estudo de caso sobre o refinamento da linguagem: A Revolução do Solista: O papel do instrumento muda drasticamente. Com Louis Armstrong e Earl Hines, o improviso deixa de ser um ornamento coletivo para tornar-se uma declaração de intenções individual — uma narrativa própria dentro da peça. A Arquitetura do Som: A transição técnica é visível na estrutura de grupos como The Missourians e Bennie Moten. Observamos aqui o nascimento do riff como elemento estruturante e o aprimoramento dos naipes (metais e palhetas) que começam a atuar em "chamada e resposta". A rítmica presença de Pinetop Smith (com seu boogie-woogie seminal) e Fats Waller exemplifica a consolidação de uma base rítmica mais insistente, o "4/4" que logo substituiria o balanço sincopado do Ragtime. O encontro da vanguarda inclusão de Frankie Trumbauer e Eddie Condon revela a intersecção do jazz com o lirismo melódico, desafiando a premissa de que o gênero deveria ser apenas agressivo ou frenético. A curiosidades históricas a morte de um gênio, inclusão de Pinetop Smith é um lembrete trágico; o pianista foi assassinado em 1929, pouco depois de gravar suas definições seminais de boogie-woogie, mal vivendo para ver o impacto que sua técnica de mão esquerda teria em todo o rock and roll futuro. O "som de Nova York"m as gravações de McKinney's Cotton Pickers são fascinantes por mostrarem como uma orquestra sediada em Detroit conseguiu "capturar" o som polido de Nova York, sendo uma das poucas bandas da época capazes de rivalizar com Ellington em sofisticação de arranjo. Tecnologia e intimidade na maioria destas faixas foi gravada utilizando o processo de gravação elétrica (introduzido em meados dos anos 20), que permitiu a captação de frequências graves antes impossíveis, conferindo a esse CD uma presença física (o timbre do contrabaixo e o brilho do clarinete de Jimmie Noone) que parece desafiar os quase 100 anos de história. Este volume é sem soma de duvida uma cartografia da evolução do intelecto musical afro-americano. Ao equilibrar nomes como Henry "Red" Allen — um trompetista que subverteu a lógica de Armstrong — com a elegância de Clarence Williams, o CD 6 não é meramente um repositório de música "antiga". É um arquivo vivo da modernização da cultura do século XX. Para o ouvinte atento, este disco revela que o jazz não "nasceu" pronto; ele foi sendo construído, nota por nota, através de uma negociação constante entre a tradição dos ancestrais e o desejo audacioso de inovação dos seus solistas. Um registro indispensável para compreender a espinha dorsal do que chamamos de música moderna. Como historiador musical, qual dos artistas presentes neste recorte — o virtuosismo pianístico de Earl Hines ou o arranjo orquestral de Duke Ellington — você acredita ter exercido a influência mais determinante para o que viria a ser o padrão do Jazz na década de 1940?
Boa audição - Namastê

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Boxset: La Grande Histoire Du Jazz, do Ragtime ao Swing 1898-1952 (25CDs)

Lançamento: 2009
Selo: Le Chant du Monde 
Gênero: Swing, Ragtime, Big Band, Early Jazz, New Orleans Jazz, Dixieland, Harlem Stride Piano, Gipsy Jazz (Jazz Manouche), Negro Spirituals/Gospel

O épico retrato de uma era em ,utação, o Apogeu de Chicago e as Raízes Territoriais:
Se o CD 03 do box Au Temps Du Ragtime Et Du Swing (1898–1952) já se impunha como um marco histórico, a análise aprofundada de seu alinhamento completo revela uma verdadeira enciclopédia sonora. Este disco não apenas documenta a transição dos estúdios de Chicago, mas constrói uma ponte monumental entre o Blues clássico clássico, o Jazz Tradicional de New Orleans, o balanço inicial das Territory Bands e a sofisticação branca que começava a florescer na Costa Leste. A Temática do mosaico da diversidade e a expansão geográfica é a grande temática deste terceiro volume, a descentralização e o diálogo cultural. O jazz de 1925 e 1926 não acontecia em um vácuo embora Chicago fosse o epicentro magnético, o CD retrata como a linguagem estava se ramificando: O Blues de Vaudeville e das divas onde vozes femininas imponentes davam as cartas e moldavam a carga emocional que o jazz herdaria. A transição do "Hot" ao "Sweet"m o contraste entre a pulsação ardente do sul dos EUA e o refinamento estruturado que as orquestras de Nova York propunham. O estilo de Kansas City, o nascimento de um balanço focado nos riffs repetitivos e em um groove mais pesado e voltado para a dança. A gonstrução do gênero, os Arquitetos do ritmo e do arranjo e a engenharia musical presente neste CD mostra que o jazz estava abandonando de vez o caráter de "marcha" para ganhar maleabilidade artística, construída por diferentes frentes: As divas vocais e os nestres do sopro são a abertura e o miolo do disco assentam a fundação emocional do jazz através do Blues clássico. Bessie Smith (a "Imperatriz do Blues") e Ma Rainey (a "Mãe do Blues") trazem o lamento e a poesia urbana das dores do cotidiano, enquanto Ethel Waters injeta uma sofisticação vocal que pavimentaria o caminho para o jazz cantarolado das décadas seguintes. Elas não cantavam sozinhas: eram amparadas por gênios como Louis Armstrong, cujo trompete cortante redefiniu o papel da improvisação, e King Oliver, que trazia a tradição das surdinas e o som clássico de New Orleans rejuvenescido. A dialética dos grupos de Chicago, o disco promove o embate estético definitivo. De um lado, os Hot Five de Louis Armstrong e os New Orleans Wanderers desmilinguem as estruturas com solos explosivos e virtuosismo. De outro, Jelly Roll Morton & His Red Hot Peppers organizam o caos: Morton prova que o jazz pode ser complexo, escrito e orquestrado sem perder o calor da improvisação. A sofisticação branca e os arranjos de Nova York: Grupos como The Stomp Six (com Muggsy Spanier), The Charleston Chasers, California Ramblers e o pianista Frank Banta mostram como os músicos brancos absorveram o Hot Jazz e criaram ramificações focadas na precisão harmônica. No topo dessa pirâmide estava o genial cornetista Bix Beiderbecke, que oferecia uma alternativa ao estilo explosivo de Armstrong: um som lírico, introspectivo, melancólico e de uma beleza técnica impecável, que influenciaria todo o Cool Jazz trinta anos mais tarde. Ao mesmo tempo, Fletcher Henderson começava a desenhar em Nova York o que seriam as Big Bands, dividindo a orquestra em seções de sopros que dialogavam entre si. O legado de Kansas City e as raízes coletivas traduz o balanço inconfundível do Meio-Oeste americano ganha vida com Bennie Moten e sua icônica "Kansas City Shuffle", que trazia o ritmo pulsante e o uso de riffs que mais tarde consagrariam Count Basie. Correndo em paralelo, o pianista Luis Russell experimentava estruturas que libertavam o contrabaixo, a pianista e líder de banda Lovie Austin comandava sessões impecáveis de Blues de vanguarda, e o pianista de Stride Cliff Jackson mostrava a transição virtuosa do piano Ragtime para o jazz moderno. A curiosidades históricas deste Volume, bo som Inusitado dos Dixieland Jug Blowers uma das maiores excentricidades e curiosidades do CD 03 é a inclusão de faixas como "Banjoreno", gravada pelos Dixieland Jug Blowers. Esse grupo utilizava instrumentos rudimentares e folclóricos, como o jug (um garrafão de cerâmica ou vidro soprado pelo músico para emular o som de uma tuba). Essa faixa demonstra as origens rústicas do jazz e como o gênero, mesmo se sofisticando nos estúdios, mantinha um pé firme nas tradições rurais das jug bands. O mistério e a devoção do "Reverend Gates": outro destaque curioso e culturalmente denso é a presença das gravações do Reverend J.M. Gates. Longe de ser um músico de jazz tradicional, ele era um pastor cujos sermões gravados eram acompanhados por coros que utilizavam a técnica de Call and Response (Chamada e Resposta). A presença de Gates neste CD ilustra perfeitamente como o fervor e a rítmica das igrejas batistas negras moldaram de forma definitiva o DNA espiritual e estrutural do Jazz. O registro da transição tecnológica o biênio 1925-1926 marca a introdução da gravação elétrica (com microfones) substituindo a antiga gravação acústica (onde os músicos tocavam diante de uma enorme corneta de captação). Este CD permite ouvir a evolução da engenharia de som da época, onde a sutileza do piano de Jelly Roll Morton e as nuances da corneta de Bix Beiderbecke puderam, finalmente, ser registradas com clareza. O CD 03 de La Grande Histoire Du Jazz é o volume definitivo do amadurecimento. Ele não se apoia apenas em um ou dois nomes sagrados, mas reconstrói a rica tapeçaria de uma época em que o jazz era uma colcha de retalhos genial — alimentada pelo lamento sagrado do reverendo no altar, pelo garrafão de cerâmica das ruas do sul, pelo piano aristocrático de Nova York e pelo sopro revolucionário de Armstrong em Chicago. Um documento histórico


Boa audição - Namastê

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Boxset: La Grande Histoire Du Jazz, do Ragtime ao Swing 1898-1952 (25CDs)

Lançamento: 2009
Selo: Le Chant du Monde 
Gênero: Swing, Ragtime, Big Band, Early Jazz, New Orleans Jazz, Dixieland, Harlem Stride Piano, Gipsy Jazz (Jazz Manouche), Negro Spirituals/Gospel


Se o primeiro volume desta monumental caixa funcionou como uma certidão de nascimento, o CD 02 de La Grande Histoire Du Jazz: From Ragtime To Swing 1898-1952 é o registro da maioridade do gênero. Este disco captura o exato momento em que o jazz deixa de ser uma curiosidade regional ou uma música de dança puramente folclórica para se consolidar como uma forma de arte sofisticada, revolucionando a cultura global. A abordagem aqui é direta: este volume foca na transição crucial dos anos 1920 para o início dos anos 1930, documentando a consolidação das grandes orquestras e o amadurecimento técnico dos solistas. A estrutura e a evolução sonora é o valor estético e histórico deste segundo volume reside na sua capacidade de mostrar a evolução da complexidade harmônica e rítmica. A curadoria divide o panorama em movimentos muito claros: A consolidação de Chicago e New York: o disco ilustra como o centro de gravidade do jazz migrou do Sul para as grandes metrópoles do Norte. É a era das big bands pioneiras e do refinamento dos arranjos. O reinado do solista e a revolução de Armstrong: Se no CD 01 Louis Armstrong era uma promessa brilhante em bandas alheias, aqui ele (junto com seus grupos Hot Five e Hot Seven) assume o protagonismo definitivo. O valor dessa transição é imensurável: o jazz estabelece de vez a primazia do solista sobre o grupo. A arquitetura das grandes orquestras (Pré-Swing): O terço final do disco prepara o terreno para a era de ouro das Big Bands, introduzindo a sofisticação inicial de figuras como Duke Ellington e Fletcher Henderson. O jazz ganha texturas sofisticadas, misturando a crueza do blues com a erudição dos arranjos escritos. Já os valores consideráveis e pontos fortes é o maior mérito crítico deste CD 02 é o equilíbrio perfeito entre o instinto e a técnica. A revolução da escrita orquestral de Fletcher Henderson e o jovem Duke Ellington aparecem moldando o que viria a ser o "som de New York"perfazendo o valor histórico dessas faixas está em provar que o jazz sabia ser altamente disciplinado sem perder a sua alma síncope e a sua energia visceral. A engenharia de som e a restauração de áudio continuam merecendo destaque. A transição para o final dos anos 20 marca a introdução da gravação elétrica (microfones substituindo as antigas cornetas acústicas). O CD 02 se beneficia imensamente disso: há mais definição nos contrabaixos, o brilho dos metais é menos estridente e a dinâmica dos tambores ganha um peso que simplesmente não existia no primeiro volume. Análise crítica e desafio ao ouvinte que busca uma análise sem concessões, vale notar que o CD 02 exige uma escuta atenta para além do "charme retrô". Como o repertório cobre o período de transição que desaguaria no Swing, algumas faixas ainda carregam o ritmo rígido de "dois tempos" (two-beat style) herdado das marchas militares, o que pode soar um pouco datado se comparado à fluidez rítmica de quatro tempos que dominaria a década de 1930. Além disso, a profusão de faixas de Louis Armstrong e seus contemporâneos de Chicago pode parecer repetitiva em termos de estrutura (tema - solo - solo - tema) para quem não está atento às microrevoluções que aconteciam em cada improviso. O CD 02 é o miolo de ouro do nascimento do jazz moderno. Enquanto o CD1 plantou as sementes na terra, este segundo volume mostra a árvore rompendo o solo com uma força intelectual e artística avassaladora. É um disco vibrante, tecnicamente superior ao seu antecessor e absolutamente vital para compreender como a música negra americana reivindicou — e conquistou — o status de alta cultura.


Boa audição - Namastê

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Boxset: La Grande Histoire Du Jazz From Ragtime To Swing 1898-1952 (25 CDs)

Coleção: VA - La Grande Histoire Du Jazz From Ragtime To Swing 1898-1952  Configuração Física: Box Set Monumental contendo 25 CDs (Edição de 2010)  Selo Editorial: Le Chant du Monde (França) — Fundado em 1938  Métrica Documental: 1.677 faixas integralmente restauradas e remasterizadas  Aparelho Crítico: Livreto enciclopédico e analítico com 186 páginas  Formato Digital: FLAC (Free Lossless Audio Codec)

A análise crítica de uma antologia com a magnitude de La Grande Histoire Du Jazz exige o abandono de resenhas jornalísticas genéricas bem como o selo francês Le Chant du Monde executou uma verdadeira operação de arqueologia musical e preservação de patrimônio fonográfico global. O manifesto institucional e o rigor da curadoria chancela histórica o selo Le Chant du Monde e eleva o patamar desta obra de uma simples coletânea comercial para um tratado científico. A gravadora, célebre pela salvaguarda de patrimônios etnomusicológicos, aplicou um rigor acadêmico sem precedentes na seleção do material. A densidade numérica de 1.677 faixas prova que a coleção rejeitou o caminho fácil dos "maiores sucessos" com objetivo central de registrar a transição orgânica diária e as microevoluções estéticas do gênero. O livreto crítico de 186 páginas atua como a bússola teórica do ouvinte para cada sessão é destrinchada com datas exatas, locais de captação, matrizes originais e o detalhamento completo de pessoal (personnel). A cronologia de evolução e quebra de blocos para compreender como a coleção organiza mais de meio século de música, a estrutura abaixo mapeia as grandes eras e os eixos de transição registrados ao longo dos 25 CDs, observa a matriz cronológica e mutação estrutural do gênero, analisando as raízes sincopadas (1898 – 1917), era cadastrada compreende o recorte temporal focado na investigação da transição do Ragtime, das marchas militares e do Blues primitivo. Os principais artistas mapeados e responsáveis por fundamentar este período inicial são Vess L. Ossman, Arthur Pryor e Scott Joplin. Eras de ouro (1920s – 1930s), este ciclo histórico documenta a consolidação dos eixos urbanos de Chicago e Nova York, trazendo como foco de estilo a migração da polifonia primitiva para o protagonismo do solista virtuoso. Os principais artistas mapeados que lideraram essa transformação técnica são Louis Armstrong, Jelly Roll Morton e King Oliver. Explosão do Swing (1930s – 1940s), O recorte temporal em questão destaca o fenômeno de consolidação das Big Bands na indústria fonográfica, fixando seu estilo através de arranjos matemáticos complexos e alta precisão orquestral. Os principais artistas mapeados e regentes dessa engenharia sonora são Duke Ellington, Count Basie e Benny Goodman. Inflexão moderna (Anos 40 – 1952), era que encerra a cronologia tradicional delimita a transição definitiva da música coreográfica para uma dinâmica de audição atenta, marcando o exato nascimento da vanguarda moderna no jazz. Os principais artistas mapeados que romperam os padrões comerciais do período são Charlie Parker, Dizzy Gillespie e Billie Holiday. Arqueologia pré-Jazz e raridades documentadas o grande trunfo científico desta antologia reside em iniciar sua linha do tempo dezenove anos antes do primeiro disco oficial de Jazz (1917). O resgate fonográfico expõe as fundações do gênero de maneira cirúrgica.  Os pioneiros marginais ganham protagonismo técnico nos primeiros volumes. O virtuosismo técnico no banjo de Vess L. Ossman e as marchas militares sincopadas de Arthur Pryor são analisados sob uma ótica de continuidade histórica. A tese evolutiva da caixa prova que o Jazz não emergiu de uma ruptura cultural abrupta. Ele se consolidou como uma fusão sistemática entre as bandas de metais, os rolos de piano pneumático e os lamentos do Blues primitivo.O trabalho de detetive proporcionado pelo livreto permite rastrear "linhas de sangue" musicais, identificar um jovem solista obscuro na década de 1920 atuando como músico de apoio para, anos depois, reencontrá-lo como o regente de sua própria Big Band. Engenharia de áudio e restauração de sinal, resulta em um tratamento acústico aplicado a matrizes gravadas entre o fim do século XIX e meados do século XX representa um capítulo à parte na engenharia de som. Os técnicos enfrentaram suportes físicos severamente degradados. O resgate fino de cilindros de cera, discos de acetato e velhas matrizes de 78 RPM exigiu precisão matemática. A engenharia evitou o erro crasso de aplicar filtros de redução de ruído (noise reduction) agressivos onde esse erro comum costuma extirpar as frequências altas e silenciar o ambiente espacial original da gravação. A preservação em FLAC cumpre o papel de manter a integridade harmônica, garantindo o impacto percussivo original e o calor dos sopros na reprodução contemporânea. O ponto de Inflexão de 1952, o fechamento da cortina marco de escolha precisa do ano de 1952 como encerramento da caixa valida o rigor científico do Le Chant du Monde. Não se trata de uma interrupção arbitrária, mas de um marco divisório tecnológico e mercadológico.  O fim do ciclo do Swing coincide com o declínio econômico das grandes orquestras pós-guerra. A consolidação institucional do Bebop e do Modern Jazz desloca a música dos salões de dança coreografados para convertê-la em uma arte de vanguarda e audição puramente intelectualizada. A revolução tecnológica do período sepulta os velhos discos de 78 RPM e estabelece a hegemonia definitiva do formato Vinil Long Play (LP) de 12 polegadas. Para comprovar o valor desta antologia em seu texto, selecione um registro mecânico anterior a 1910 presente nos primeiros CDs e confronte-o diretamente com uma faixa complexa de 1952. Descreva a transição brutal da captação por cone acústico para a captação elétrica avançada, evidenciando como a densidade harmônica se transformou ao longo desse arco de 54 anos. Considerações finais, o legado de um monumento fonográfico, são análise exaustiva de "La Grande Histoire Du Jazz" consolida este box set não apenas como uma ferramenta de entretenimento para entusiastas, mas como um autêntico repositório acadêmico da memória acústica do século XX. O selo Le Chant du Monde foi bem-sucedido na ambiciosa missão de converter 1.677 faixas fragmentadas e fisicamente vulneráveis em um monumento cronológico contínuo e indestrutível. A legitimação metodológica do projeto reside no seu desapego aos anacronismos mercadológicos. Ao acolher os registros embrionários de Vess L. Ossman e Arthur Pryor, a obra força o ouvinte a reconhecer a engenharia pré-Jazz como o pilar estrutural que viabilizou a genialidade posterior de Duke Ellington e Charlie Parker.  O equilíbrio acústico alcançado na transposição das matrizes de 78 RPM para o formato FLAC estabelece um novo paradigma para a engenharia de som contemporânea. Provou-se que a restauração fina e científica é capaz de purificar o sinal sem assassinar a assinatura de áudio original das salas de gravação e o calor natural dos sopros. O encerramento cirúrgico fixado no ano de 1952 funciona como um ponto de fuga histórico perfeito. Ao travar a linha do tempo exatamente no crepúsculo da Era do Swing e no alvorecer do modernismo, a antologia preserva a pureza de seu recorte temático, entregando um panorama definitivo de como a música sincopada migrou do folclore coreográfico para a erudição intelectualizada. O primeiro vetor de impacto a ser considerado é o valor arquivístico do projeto, que se manifesta por meio de um rigor técnico e documental exaustivo. A presença de um livreto de 186 páginas, inteiramente dedicado à catalogação minuciosa das matrizes originais e do personnel de cada sessão, eleva o patamar da obra. Esse aparato crítico afasta o lançamento do conceito de mera coletânea comercial e consolida a obra como uma enciclopédia sonora de referência obrigatória para qualquer pesquisa técnica ou historiográfica sobre o tema.  Em perfeita simetria com a qualidade da documentação escrita, a fidelidade de sinal surge como o elemento de sustentação acústica da antologia. O processo de transferência digital lossless (sem perdas), focado estritamente na preservação da dinâmica original do espectro sonoro, reflete o compromisso com a verdade fonográfica. Essa engenharia de restauração fina atende diretamente às exigências de audiófilos e pesquisadores, entregando com precisão a textura real, o ambiente espacial e o peso acústico característicos das primeiras cinco décadas de registro do gênero.  2. A Coerência Histórica e a Conclusão MusicofonográficaO último pilar analítico repousa sobre a coerência histórica e a delimitação metodológica do tempo. A escolha de uma fronteira cronológica linear estrita, estabelecida rigorosamente entre os anos de 1898 e 1952, cumpre uma função científica vital. Em vez de expandir o escopo indefinidamente, esse limite matemático e estrito serve para validar a tese central da obra, demonstrando com exatidão a evolução, a maturação e a transição orgânica do estilo.  Conclui-se, portanto, que o cruzamento desses três vetores confere à obra um status de legitimação patrimonial definitivo. Ao alinhar uma catalogação enciclopédica, um tratamento de áudio audiófilo e um recorte temporal cirúrgico, o projeto atinge o seu objetivo máximo: salvaguardar a memória fonográfica e oferecer uma base empírica e inquestionável para o estudo aprofundado da metamorfose musical. Em última análise, a caixa de 25 CDs do selo Le Chant du Monde é mais do que uma audição imersiva: é um documento de arqueologia viva. Ela testemunha o exato período em que o Jazz operou como a força motriz, estética e tecnológica mais influente da música ocidental, imortalizando em alta fidelidade a transição definitiva da herança sincopada em direção à imortalidade clássica.        


Boa audição - Namastê
 

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Boxset: A History of The Blues Vol. 1 & 2


O blues tem suas raízes mais profundas nas canções de trabalho dos escravos africanos. E nos campos de plantações do sul dos EUA, os escravos negros desenvolveram uma maneira de cantar para dar ritmo ao trabalho penoso. Este grito do campo serviu como base para toda a música que viria a seguir. Após o fim da guerra civil, os negros tinham poucas opções além do extenuante trabalho manual do campo ou tornar-se um menestrel itinerante. Muitos escolheram a ocupação de menestréis. Estes músicos contaram com a resistência física e mental do repertório das muitas canções de blues. Embora as letras fossem melancólicas, a música como um todo era poderosa, emotiva e rítmica celebrando a vida dos negros norteamericanos. As letras das canções refletiam temas do cotidiano de suas vidas que incluiam bebidas, sexo, ferrovias, prisão, morte, pobreza, trabalho duro e amor perdido. Embora seja difícil de definir, a primeira música documentada foi ‘Memphis Blues’, escrita por WC Handy em 1909. E a popularidade do blues cresceu entre os negros do sul com o advento do fonógrafo RPM 78, alguns dos artistas mais populares de blues do país foram registrados pela ‘Paramount’, ‘Aristocrat’ e outras gravadoras. Durante 1941-1943 o famoso folclorista Alan Lomax fez gravações de bluesmen, e este trabalho serviupara expor o blues para os brancos, bem como expor artistas inexperiente. Durante a Grande Depressão, os negros migraram para o norte ao longo da rota da Estrada de Ferro de Illinois para Chicago.Trouxeram com eles o blues, e logo o som encheu as turbulentas discotecas urbanas. Para serem ouvidos entre multidões barulhentas e em locais maiores, alguns dos artistas mais inventivos, como Muddy Waters e Howlin ‘Wolf, fizeram a mudança para guitarras elétricas e acrescentaram a bateria em suas bandas. Este novo blues elétrico de Chicago era mais poderoso do que o seu antecessor. O blues cada vez mais se fundiu com o rock’n’rol para formar as bandas de blues rock dos anos 60 e 70. Os Rolling Stones, John Mayall, Led Zeppelin e outros continuaram a tradição nobre de seus antepassados, os menestréis do blues.
‘A History of The Blues’ contém uma grande coleção de músicas dos pioneiros do blues. É uma grande compilação, para quem quer ouvir uma amostra de algumas das verdadeiras lendas.  Esta coleção de dois volumes, A History of the Blues, é uma jornada auditiva essencial que traça a evolução do gênero, desde suas raízes rústicas no Mississippi até sua transformação em um fenômeno global eletrificado. 

Vol.1: As Raízes e o Delta (1920 - 1940)- O primeiro volume é dedicado à era acústica, onde o blues era uma expressão crua de resiliência e sobrevivência no sul dos Estados Unidos. O som caracterizado pelo violão de aço, a harmônica ("gaita") e o piano honky-tonk. As gravações possuem a textura histórica dos discos de 78 RPM, conferindo uma atmosfera autêntica de "máquina do tempo" e o destaques fica por reúne os arquitetos do gênero, como Robert Johnson, Bessie Smith (a "Imperatriz do Blues") e Blind Lemon Jefferson causando impacto fundamental para entender a fundação da música popular moderna. Aqui, o blues é puro sentimento, focado na narrativa e no ritmo hipnótico do Delta.

Vol.2: A Era Elétrica e o Legado Moderno (1940 - Presente) - O segundo volume documenta o momento em que o blues "ganhou eletricidade" ao migrar para cidades como Chicago e Detroit, fundindo-se com o Rock e o R&B. O som de Guitarras elétricas com distorção, bandas completas com baixo e bateria e uma produção mais robusta e "limpa" para os padrões modernos. O destaques esta na lista de artistas em uma verdadeira "Calçada da Fama": Muddy Waters e John Lee Hooker: Os mestres que eletrificaram o gênero em Chicago. B.B. King e Buddy Guy: Definiram o fraseado e a técnica do solo de guitarra moderna. Jimi Hendrix e Stevie Ray Vaughan: Representam a ponte onde o blues se torna virtuoso e psicodélico, influenciando gerações de rockstars. Impacto deste volume é mais acessível ao ouvinte contemporâneo, mostrando como o blues se tornou a espinha dorsal do Rock 'n' Roll e da Soul Music. 

Veredito Final: Esta antologia é a porta de entrada ideal para qualquer entusiasta da música trazendo pontos Fortes em uma eleção impecável que equilibra nomes lendários com faixas historicamente significativas. O que esperar: Uma viagem que vai do som rústico das plantações de algodão até os palcos iluminados dos grandes festivais de rock. Aqui fica a deixa "ao ouvir o Volume 1, prepare-se para uma experiência histórica (áudio com chiado de época), já no Volume 2, a experiência é puramente energética e vibrante".

Boa audição - Namastê

segunda-feira, 16 de junho de 2025

VA - The Rough Guide To Hokum Blues (Reborn And Remastered)

Lançamento: 2018
Selo: Music Rough Guides / World Music Network
Gênero: Delta Blues, Piedmont Blues

Hokum era um estilo que mostrava um lado completamente diferente do blues, otimista, lascivo e descontraído. Com seu uso de insinuações inteligentes e sugestivas, esse estilo ousado foi extremamente popular no final da década de 1920 e início da década de 1930, e sua influência permanece no blues desde então. Com suas origens nos shows de menestréis, o hokum era um estilo inovador que mostrava um lado completamente diferente do blues: otimista, lascivo e descontraído. Seu estilo picante frequentemente fazia referências sexuais repetidas e constantes, usando insinuações inteligentes e sutis (mas nem sempre). Sua popularidade perdurou até a década de 1930 e sua influência permanece no blues desde então. Um verdadeiro herói anônimo, e um dos primeiros e mais bem-sucedidos cantores solo de blues a gravar, foi o banjoísta Papa Charlie Jackson, que ajudou a popularizar a improvisação com faixas como "Shake That Thing". Da mesma forma, as alegres e bem-humoradas bandas de Memphis foram pioneiras do gênero e utilizaram muito material sugestivo, como demonstrado pelo brilhante gaitista Noah Lewis, que lidera sua própria banda de jug em "Selling The Jelly". Talvez a mais famosa das faixas no cânone hokum seja "Its Tight Like That", uma gravação de 1928 com o pianista Thomas A. Dorsey, também conhecido como Georgia Tom , e o mago da guitarra bottleneck Tampa Red, que apropriadamente ficou conhecido como Hokum Boys . Este número picante foi um grande sucesso de vendas e uma das canções seminais do período que inaugurou a tendência hokum de ritmos soltos e letras inteligentemente escritas e obscenas. Ambos já haviam se apresentado com a "Mãe do Blues", Ma Rainey , que também adotou a tendência ao gravar "Ma Rainey's Black Bottom". Bessie Smith foi outra diva do blues que abordou o duplo sentido atrevido com um tom inconfundivelmente travesso, como pode ser ouvido em "I Need A Little Sugar In My Bowl". Em vez de simplesmente dizerem abertamente, os artistas usavam insinuações bobas como parte da diversão de compor e tocar essas músicas. No entanto, houve exceções, como Lucille Bogan, que não compôs as músicas para serem fofas e inteligentes, mas sim simplesmente estimulantes e excitantes. Sua música de destaque, "Barbecue Bess", mostra seu lado mais dócil, ao contrário de algumas de suas músicas com classificação indicativa 100%, que jogavam as insinuações fora completamente. A influência do hokum também se estendeu à música country antiga, como demonstrado pelos Allen Brothers, de Chattanooga , cujo hilário "Bow Wow Blues" inclui o verso clássico "She's got more ways of lovin' than Wrigley's got gum". A Dallas String Band teve um pé tanto na música country antiga quanto no blues e gravou o instrumental "Hokum Blues" com sua maravilhosa instrumentação de bandolim. O também texano Blind Lemon Jefferson teve ligações com a banda em vários momentos e foi um dos primeiros bluesmen gravados a usar "duplos sentidos" subversivos, como "black snake". Outra figura imponente do blues, Charlie Patton , entrega um suprimento aparentemente interminável de letras alegremente obscenas na esfarrapada "Shake It And Break It". Como muitos bluesmen do final da década de 1920, Barbecue Bob entrou na onda do hokum com faixas como "Honey You're Going Too Fast", que tinha uma técnica de dedilhar chugging diferente de tudo que ele havia gravado antes. Outros favoritos da costa leste, como Blind Willie McTell , Blind Blake e Blind Boy Fuller, fizeram o mesmo com números otimistas próprios. No entanto, é Bo Carter que pode ser considerado o verdadeiro mestre lírico do blues sujo com seu conteúdo muitas vezes hilário, geralmente evitando qualquer sutileza em números como "Please Warm My Weiner", "Banana In Your Fruit Basket" e o destaque "Cigarette Blues". Bo Carter produz um acompanhamento de violão maravilhoso, mostrando que havia muito mais em sua música do que jogos de palavras sugestivos, o que é o caso de tantos dos artistas apresentados que ajudam a servir esta versão divertida e picante do blues.

Boa audição - Namastê

sexta-feira, 9 de maio de 2025

VA - The Rough Guide to Blues Legends (2CD)

Artista: VA
Lançamento: 2011
Selo: Music Rough Guides / World Music Network
Gênero: Blues, Blue Spirit, Holy Spirit (Acoustic)


Para muitos, a imagem estereotipada do artista de blues gravado nos primeiros anos é há de um bluesman negro itinerante, com violão na mão, tocando em uma paisagem rural como o Delta do Mississippi. Essa percepção no entanto é um pouco equivocada, visto que as primeiras canções de blues gravadas foram escritas por mulheres. A era do "blues clássico" da década de 1920 nasceu quando a Okeh Records levou Mamie Smith a um estúdio em Nova York em 1920 para gravar "Crazy Blues", de Perry Bradford, tornando-a a primeira cantora negra de blues já gravada e levando o titulo de "A Primeira Dama do Blues da América". Embora não tenha sido uma grande gravação, foi um enorme sucesso que fez com que gravadoras rivais se apressassem para descobrir outras cantoras negras a fim de embarcar na onda e replicar seu sucesso. Mamie Smith logo seria eclipsada por outras cantoras de blues mais ilustres como Ma Rainey e Bessie Smith, mas foi ela quem originalmente alertou a indústria fonográfica americana para o fato de que havia um público negro para discos de gramofone, o que por sua vez gerou o conceito de "discos raciais". Embora artistas como Ma Rainey e Bessie Smith tenham permanecido populares na década de 1930, em 1928 os dias de ouro da diva do blues estavam chegando ao fim, em grande parte devido ao sucesso das gravações de Blind Lemon Jefferson e outros cantores itinerantes de blues que proliferavam pelo Sul Profundo. A quebra da bolsa de valores em 1929 e a Grande Depressão que se seguiu deram o golpe de misericórdia, encerrando a carreira da maioria das cantores de destaque. No entanto, durante a década de 1960, houve um renascimento do interesse, que trouxe de volta aos palcos alguns dos artistas de destaque, como Sippie Wallace, Alberta Hunter, Ella Fitzgerald, Billie Holiday, Edith Wilson e Victoria Spivey entre outras belas vozes.


Boa audição - Namastê

quarta-feira, 23 de abril de 2025

VA - The Rough Guide to the Roots of Gospel

Artista: VA
Lançamento: 2020
Selo: Music Rough Guides / World Music Network
Gênero: Gospel, Spiritual 

A música gospel negra está associada às igrejas pentecostais do sul dos Estados Unidos e foi a que mais influenciou a música popular. Desenvolveu-se a partir da combinação de cânticos antigos e elementos dos espirituais negros. O ato de cantar, que pode levar à dança extática, é normalmente acompanhado pelo piano ou órgão, frequentemente ao ritmo do bater de palmas ou pandeiretas. O blues sofreu a influência do gospel. O cantor Gary Davies foi um sacerdote batista e muito do seu repertório era religioso. A discografia de Blind Willie Johnson, entre 1927 e 1930, é dominada pela religiosidade, e considerada uma raridade para colecionadores de blues. Durante décadas, coros negros imitaram os Fisk Jubilee Singers (formados em 1867), que foram um enorme sucesso, em 1872, no World Peace Jubilee, em Boston. As igrejas negras tomaram como ponto de partida os cânticos brancos, mas seguiram uma direção diferente, pois encorajavam a utilização de instrumentos rítmicos nas celebrações. Entre os mais prominentes na música gospel negra estiveram George Beverly Shea (n. 1909) e W. Herbert Brewster Sr (n. 1899), que compôs o tema "Move On Up A Little Higher". Thomas Dorsey (n. 01-07-1899 - 23-01-93) foi, no entanto, o mais importante compositor e editor de música gospel de sempre. Compôs cerca de mil canções, entre as quais se destacam "If I Don't Get There", "If You See My Saviour", "Precious Lord", "Peace In The Valley", "Take My Hand Precious Lord", gravada por Elvis Presley, e "Sweet Bye Bye". Fundou a "A. Thomas Dorsey Gospel Songs Publishing Company" em 1930. Foi responsável pelo primeiro quarteto gospel feminino. Trabalhou com Sally Martin, e descobriu as cantoras Clara Ward e Mahalia Jackson. Fez digressões internacionais com o Gospel Choral Union entre 1932 e 1944. Fundou a National Convention of Gospel Choirs and Choruses em 1933. Outros nomes que se destacaram na música gospel foram os artistas Rosetta Tharpe, The Ward Singers, Bessie Griffin, e grupos masculinos a capella como Dixie Hummingbirds, The Soul Stirrers, The Swan SilvertonesThe Golden Gate Jubille Quartet e The Staples Singers. Os grupos femininos também assumiram destaque, particularmente as Southern Harps Spiritual Singers e as Original Gospel Harmonettes, onde cantava Dorohty Love Coates. Estes grupos exerceram influência no rhythm & blues e na música soul, personificada em artistas como Aretha Franklin, Sam Cooke, James Brown, Ray Charles ou The Temptations.


Boa audição - Namastê

 



segunda-feira, 21 de abril de 2025

VA - The Rough Guide to the Roots of Jazz

Artista: VA
Lançamento: 2021
Selo: Music Rough Guides / World Music Network
Gênero: Dixieland, Swing 

Os estilos musicais mais vibrantes da América do Norte foram gradualmente sofrendo modificações e em 1910 o Ragtime e o Blues estavam se tornando Jazz. No ano de 1917 a primeira gravação sob a chancela de Jazz já se encontrava nas lojas dos EUA. De um modo geral, o público comprava sem ter o conhecimento exato do novo gênero. A música que se tornaria conhecida como Jazz era executada em New Orleans e em outras partes do Sul dos EUA por muitas bandas como as lideradas por músicos tais como: Buddy Bolden, Frankie Dusen, Jack Laine, Tom Brown e outros. A Creole Jass Band do baixista Bill Johnson é considerada a primeira banda de New Orleans a tocar esse estilo de música fora do Sul dos EUA, se integrando e viajando pelo circuito de teatro vaudeville de 1914 a 1918. O bandleader Bert Kelly de San Francisco afirmava ter tocado Jazz em 1914 e depois em Chicago em 1915. Ambos os grupos Brown's Dixieland Jass Band e Stein's Dixieland Jass Band atuaram em espetáculos e “vendiam” o estilo de Jass Band em Chicago em 1916. Contudo, nenhuma dessas bandas gravou discos até 1917 e muitas jamais deixariam registros fonográficos. A história padrão do Jazz considera a primeira gravação aquela feita pela Original Dixieland Jass Band (ODJB) com os temas ― Dixie Jass Band One Step (J. Russel Robinson / Nick LaRocca) e Livery Stable Blues (Ray Lopez / Yellow Nuñez). Esta gravação foi feita no selo Victor (Talking Machine Co.) na data de 26 de fevereiro de 1917 em New York. O lançamento ocorreu em março do mesmo ano tendo obtido um sucesso imediato, de tal forma que se tornou a centelha que inflamou a novidade JAZZ espalhando-o por todo o mundo, durante e após a 1ª Guerra Mundial. Os membros da ODJB eram músicos brancos naturais de New Orleans que atuaram na Papa Jack Laine's Reliance Brass Band antes de deixarem a cidade em 1916 para formar a ODJB, competentes mas não propriamente representativos do gênero, liderados pelo cornetista Dominic James La Rocca e mais Larry Shields (cl), Henry Ragas (pi), Edwin Eddie Edwards (tb) e Tony Sbarbaro (bat). Inicialmente foram para o norte tocar em Chicago sob o nome de Stein's Dixieland Jass Band no Schiller's Cafe na 31st street. Após uma desavença com o líder baterista Johnny Stein o resto da banda arranjou trabalho no Del' Abe Cafe do Hotel Normandy localizado na Clark & Randolph Street, empregando então o título de Original Dixieland Jass Band adicionando o baterista Tony Sbarbaro. Depois foram para o Casino Gardens na North Clark com a Kinzie Street, ainda em Chicago. O local era um ponto de reunião popular do pessoal envolvido com o show business. Foi ali que o famoso cantor de vaudeville Al Jolson ouviu a banda e a recomendou para um agente teatral Max Hart de New York que fechou temporada do grupo no sofisticado Reisenweber's Restaurant situado na Columbus Circle uma região da Broadway, estreando a 15/janeiro/1917, de início como uma atração menor das segundas-feiras. Entretanto o sucesso foi enorme advindo logo a primeira gravação e depois várias outras. Esta é a versão padrão da primeira gravação sob a chancela de música de Jazz. Freddie Keppard um soberbo cornetista afro-americano de New Orleans em 1916 foi convidado por 2 companhias fonográficas, contudo recusou receoso de que tendo seu estilo perpetuado em disco fosse muito copiado. Keppard só entrou no estúdio em 1918 com a Creole Jass Band. O Jazz perdeu assim a oportunidade de ter sua certidão de nascimento fonográfico assinada por um afro-americano! Afinal a música era deles! O primeiro disco 78rpm de 10 polegadas gravado pela ODJB, editado comercialmente a 15 de março daquele ano com o n° 18.255 e vendido ao preço de 75 cents, na verdade não foi a primeira gravação fonográfica publicada que se referia à música como Jazz na canção título, mesmo a banda sendo denominada de JASS BAND. Existem convincentes argumentos de que a edição do cilindro pela Edison Blue Amberol da canção ― That Funny Jas Band From Dixieland (música por Henry L. Marshall e letras por Gus Kahn) interpretada em vocal pela dupla de cômicos Arthur Collins & Byron Harlan tenha sido de fato a primeira gravação supostamente de “Jazz” ocorrida em 8 de dezembro de 1916, contudo os instrumentistas são desconhecidos. Esta é a primeira gravação conhecida a usar o termo Jas, mais tarde conhecido como Jass e Jazz. A dupla Arthur Collins & Byron Harlan regravou outra versão do tema em janeiro de 1917 publicada pela Victor um mês após da gravação da ODJB. As partes instrumentais, fraseado, breaks, etc. dessa versão de That Funny Jas Band From Dixieland são mais adequadas ao estilo Jazz do que as executadas pelos rapazes da ODJB, contudo não obtiveram a mesma oportunidade da ODJB e o consequente maior sucesso. O artista menestrel George H. O'Connor gravou uma canção chamada Ephraham's Jazbo Band a 10/fevereiro/1917 para piano e vocal, porém foi tida como Ragtime. O'Connor era branco mas atuava com o rosto pintado de preto o que influenciou mais tarde Al Jolson a fazer o mesmo no filme O Cantor de Jazz de 1925. A Borbee's Jass Orchestra gravou 2 canções ― It's A Long, Long Time e Just The Kind Of Girl You'd Love To Make Your Wife a 14/fevereiro/1917, porém o disco só foi publicado em julho após o sucesso da ODJB. Em princípio a banda teria o nome de Borbee's Tango Orchestra, contudo o Tango foi mudado para Jass na esteira do sucesso comercial da ODJB. Outro tema a ser gravado com a palavra Jass no título foi ― Everybody Loves A Jass Band original de Arthur Fields. A gravação ocorreu a 15/março/1917 e editada em julho do mesmo ano. O encarte deste disco da Edison Records vinha com os dizeres: ― "Do you love a 'Jass' band?" seguido da frase ― "Indubitavelmente gostaria, se soubesse o que é, mas ao ouvir esta canção você passará a saber o que é uma Jass Band !". Fonte: https://charutojazz.blogspot.com

(*) - TIN PAN ALLEY - expressão que designou um local ao sul da ilha de Manhattan em New York, próximo a Union Square (entorno da rua 28), onde a partir do início do século XX concentraram-se as casas editoras de música e que passaram a dominar inteiramente o mercado de música popular.


Boa audição - Namastê