Artista: VA
Lançamento: 2001/02/03
Selo: Habana
Gênero: Chicago Blues, Country Blues, Delta Blues, Harmonica Blues, Jump Blues, Louisiana Blues, Piano Blues, Rhythm & Blues, Texas Blues, East Coast Blues, Vaudeville Blues
O quinto volume da aclamada coleção Les Triomphes du Blues (Habana) funciona como uma extensão natural e um aprofundamento estético do quarto disco, focado no universo das grandes intérpretes femininas da era de ouro do classic blues e do vaudeville. Intitulado Chanteuses de Blues Vol. 2, este volume expande o painel cronológico e geográfico, revelando como vozes femininas menos comerciais ou de nichos regionais específicos utilizavam o palco e o disco para subverter as estruturas patriarcais e raciais da América das décadas de 1920 e 1930. Enquanto o primeiro volume dedicado às mulheres focou nas grandes imperatrizes das gravadoras de Nova York e Chicago, este segundo tomo argumenta que o poder vocal feminino no blues era um fenômeno capilar. A tese central sustenta que o repertório destas artistas funcionava como uma crônica subversiva de costumes — abordando com franqueza incomum para a época a sexualidade, a independência financeira, a violência doméstica, o alcoolismo e a resiliência urbana através de uma perspectiva estritamente feminina e desprovida de romantização piegas. Gravado em um arco temporal que abrange o abismo econômico entre os loucos anos 1920 e a consolidação da Grande Depressão, este disco captura a transição sonora das pequenas bandas de cabaré de vaudeville para arranjos instrumentais mais enxutos, onde o piano barrelhouse e a guitarra rítmica ganham protagonismo. Acusticamente, as gravações evidenciam a maturidade dos engenheiros de som da época no manuseio de microfones de condensadores primitivos, conseguindo capturar com maior fidelidade os timbres agudos, os vibratos cortantes e as inflexões teatrais dessas cantoras sem a distorção extrema observada nas matrizes mais rústicas do início do período. Análise de destaques (faixas-chave): "Boll Weevil Blues", variação regional / Interpretações de Vaudeville): uma aula sobre como traduzir uma catástrofe agrícola e social em performance de palco. A entrega vocal transita entre a ironia e o lamento trágico, apoiada por um piano rítmico que simula a marcha implacável da praga sobre as lavouras do Sul. Faixas de transição do Vaudeville para o Blues Urbano: o repertório explora arranjos onde a estrutura clássica de doze compassos é maleável, cedendo espaço a introduções dramáticas de piano e respostas instrumentais ácidas que dialogam diretamente com o desespero lírico das letras e canções de crônica cotidiana e autonomia: o destaque técnico reside no controle dinâmico da voz; as intérpretes sabem exatamente o momento de sussurrar uma confissão íntima ou projetar um agudo cortante para denunciar o abandono amoroso ou a opressão das leis de segregação. Curiosidade de bastidor (fato raro) nos pseudônimos múltiplos e os contratos de gravadora, curiosamente, devido à forte concorrência comercial entre selos rivais como Paramount, Victor, Vocalion e Columbia na década de 1920, muitas das cantoras presentes neste volume eram proibidas por contrato de gravar para concorrentes sob seus nomes reais. Para burlar essa exclusividade draconiana, essas artistas utilizavam uma miríade de pseudônimos exóticos nos selos dos discos de 78 RPM (mudando de nome a cada sessão de gravação), o que tornou o trabalho dos historiadores e arquivistas musicais décadas mais tarde um verdadeiro quebra-cabeça forense para mapear suas discografias completas. Conexão evolutiva e a liberdade temática com que estas mulheres tratavam os tabus sociais e a crueza confessional de suas letras anteciparam em décadas a revolução lírica operada pelas compositoras do soul, do R&B moderno e do rock independente, ecoando diretamente na liberdade expressiva de artistas como Etta James, Nina Simone e Amy Winehouse. “O Volume 5 de Les Triomphes du Blues consolida a certeza de que a crônica urbana do blues primitivo não teria alma nem voz sem a rebeldia destas mulheres que transformaram o palco em um tribunal de emancipação.”
Boa audição - Namastê



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