Lançamento: 1964 Selo: RCA VICTOR Gênero: Bossa Nova, Jazz, Latino Jazz
Bossa Antigua é um álbum gravado pelo saxofonista de jazz
americano Paul Desmond, com performances gravadas em 1964 e lançadas
pela gravadora RCA Victor. O título do álbum é uma espécie de
trocadilho: Bossa Antigua, em contraste com o popular gênero musical
Bossa Nova.
Getz Au Go Go, álbum gravado ao vivo pelo sax Tenor americano Stan Getz e seu quarteto, apresentando a cantora de bossa nova Astrud Gilberto (exceto nas faixas 4,5,7 e 10) com perfumar-se de dois concertos em 1964 e lançado na Verve no mesmo ano. Além de Getz (Sax Tenor) e Astrud (Vocais) o álbum conta com magistral Kenny Burrell (Guitarra), Gene Cherico, faixas: 1,3,5, e 8 e Chuck Israels, faixas: 4, 9 e 10 (Baixo Acústico), Gary Burton 9Vibrafone), Joe Hunt, faixas: 4,7,9 e 10 e Helcio Milito, faixas 1,3 e 8 (Bateria). Produção de Creed Taylor e gravado no lendário estúdio 'Van Gelder Studio'
Ele foi chamado de o Príncipe da Escuridão. Um homem mítico que atravessou diversas vezes o inferno e de lá saía cada vez mais surpreendente e inovador. Se tivesse sido apenas um extraordinário músico com uma carreira de quase 50 anos e uma discografia tão extensa e difícil de enumerar, ele já teria seu lugar mais do que reservado no mundo do jazz e da música como um todo. Miles pertenceu à uma classe tradicional de trompetistas de jazz que começou com Buddy Bolden e desenvolveu-se com Joe "King" Oliver, Louis Armstrong, Roy Eldridge passando por Dizzy Gillespie. Ao contrário desses músicos ele nunca foi considerado com um alto nível de habilidade técnica. Seu grande êxito como músico, entretanto, foi ir mais além do que ser influente e distinto em seu instrumento e moldar estilos inteiros e maneiras de fazer música através dos trabalhos com seus famosos grupos em que muitos dos quase se tornaram importantes músicos de jazz e fizeram seu nome na segunda metade do século XX. Este álbum é a soma disso e mais um lembrete ao navegantes e pescadores de fim de semana de como a arte é diferente do autor e vice e versa como muitos tem comparado. Gravado ao vivo na França no Festival Mundial du Jazz Antibes, Miles Davis na Europa traça um novo perfil do trompetista no final 1963 já com um novo embrião para a formação definitiva do seu segundo grande quinteto (64-68). Miles Davis na Europa é uma convite a explorar novos talentos que inclui o saxofonista tenor George Coleman premiado pela Jazz Foundation of América em 1997 com o premio "Life Achievement Award", o pianista Herbie Hancock inovador e quase pai do teclado no jazz, o baixista Ron Carter veterano com uma extensa lista de gravações e parcerias e o baterista Tony Ruption Williams. Embora Coleman seria afastado do grupo em menos de um ano ele revelou-se um desejoso improviser que merecia mais atenção em uma carreira solo do que naquela altura. Nada menos do que três álbuns com esse formação - "Miles Davis na Europa", "My Funny Valentine", e "Four and More". A produção desse álbum ficou a cargo do então cherife e empresario de Miles,Téo Macero.
Artista: John Coltrane Álbum: A Love Supreme Lançamentos:1964 /2002 Selo: Impulse! (Universal) Gênero: Avant-garde Jazz, Modal Jazz, Post-bop
Resenha
John Coltrane – tenor saxophone, McCoy Tyner – piano, Jimmy Garrison – bass, Elvin
Jones – drums and Archie Shepp – tenor saxophone (double bass on alternate takes of "Acknowledgement") & Art Davis – bass (tenor saxophone on alternate takes of "Acknowledgement") Recorded, December 09, 1964 - Studio Van Gelder Studio, Englewood Cliffs, New Jersey,
Lá pelo meio de 1964, John Coltrane se isolou no andar de cima de sua casa, num quarto pouco usado, com papel, caneta e o saxofone. Ele queria fazer anotações sobre a música que ouvia dentro de si. Só aparecia para apanhar comida e parecia muito compenetrado. Quando pareceu ter terminado o trabalho, desceu as escadas com uma inusitada serenidade, segundo sua esposa Alice: “Parecia Moisés descendo da montanha, foi lindo. Ele desceu, e havia uma alegria, uma paz em seu rosto, uma tranquilidade. Eu disse: ‘Conte-me tudo, faz uns quatro ou cinco dias que a gente nem se vê…’. Ele respondeu: ‘Esta é a primeira vez que me veio toda a música que quero gravar, como uma suíte. Pela primeira vez, tenho tudo, tudo pronto’”. Três meses depois, em 9 de Dezembro, Coltrane entrou no Van Gelder Studio, New Jersey, com McCoy Tyner (piano), Jimmy Garrison (contrabaixo) e Elvin Jones (bateria) para gravar, em uma só noite, numa sessão única, os pouco mais de 30 minutos de A Love Supreme, o mais impressionante disco de jazz já gravado -, rivalizando apenas com o A Kind of Blue (1958), de Miles Davis, que conta, inclusive, com a participação de Coltrane. A Love Supreme seria lançado em fevereiro de 1965, impressionando músicos, fãs, não-fãs e a crítica – nem todos favoravelmente. Já tinha ouvido falar do disco quando o comprei, em 1999, achando que era uma peça de soft-jazz para namorar – afinal, um disco com o nome de “Um Amor Supremo”! Mas o tal amor é a Deus e o disco foi concebido e é vendido, desde sua gravação, como uma peça de louvor ao divino. Sua base musical é o jazz modal (que não segue uma escala de tons específica) e o free jazz, com momentos ácidos e estridentes – diferente do que pode imaginar o ouvinte usual de discos de meditação ou new age com essa mesma intenção espiritual. Tecnicamente, o disco tem três músicas: no lado A: “Acknowledgement” (7´47”), gravada em um único take e com o único registro em disco da voz de Coltrane, sussurrando o mantra-refrão) e “Resolution” (7´22”), gravada em sete takes; no lado B: “Pursuance/Psalm” (17´53”), que foi gravada de uma só vez, também em take único – a divisão da música se deve ao fato de, num determinado momento, Coltrane usar seu sax tenor como se fosse sua voz, como se pronunciasse um salmo – o texto que ele mesmo escreveu, louvando e agradecendo a Deus, e que vinha na contracapa da edição original do disco. Malcolm X seria assassinado no momento que o disco chegava às lojas. No mês seguinte, enquanto o disco ia sendo ouvido e comentado, Martin Luther King liderava a Marcha sobre o Alabama, saindo de Selma. A Love Supreme parecia fazer parte do surgimento de uma consciência negra. Coltrane viveria, a partir do disco, como uma espécie de guru místico, não apenas para os fãs de jazz. Não por acaso, há até uma Igreja de São Coltrane. Até hoje, muitos se impressionam com a força espiritual do disco, mas a força musical é ainda maior e influenciou grandes nomes, em vários estilos musicais ou etnias, do clássico ou rock. A linha de baixo que conduz o refrão de “Acknowledgement”, somada à frase repetida por Coltrane, com o nome do disco, já foi chamado de proto-rap – não por acaso, influenciou Gil-Scott Heron, o precursor do rap e do hip-hop. O pessoal flower-power da época podia não conhecer nada de jazz, mas conheciam A Love Supreme: era o disco que os universitários antenados ouviam, junto com Bob Dylan ou Grateful Dead. James Brown, Marvin Gaye e Jimmi Hendrix eram fãs do disco. Santana e McLaughlin gravaram músicas e discos inspirados pelo álbum. Interpretações e versões abundam. O disco é um dos dois únicos de jazz que fazem parte da lista dos 200 discos essenciais do Rock and Roll Hall of Fame. Patti Smith e Bono Vox não param de citar o disco. Durante o Grammy de 2001, Santana e Joni Mitchell iam anunciar o prêmio de Disco do Ano – antes de abrirem o envelope, gritaram que o álbum do ano era… A Love Supreme – que tinha acabado de ganhar uma edição remasterizada. (Quem levou o Grammy, de verdade, foi o U2.) Depois de ter estudado com Charlie Parker e ombreado com Miles Davis, Coltrane atingiu a maturidade criativa e técnica em A Love Supreme. Ele morreria três anos e meio depois, aos 40 anos, vítima de um câncer de fígado, dizendo que acreditava em todas as religiões. Fazia dez anos que ele estava livre do vício da heroína e do álcool. Dentre os fãs ilustres de Coltrane e de seu grande álbum, está Barack Obama, que tem uma foto do músico, assinada pelo fotógrafo Jim Marshall, em sua sala pessoal na Casa Branca. Nesses 50 anos do disco, ele mantém a sua força. Se você não conhece, vale a pena tentar. (Quem quiser saber mais sobre a história desse disco fabuloso, em detalhes, procure por A Love Supreme: A criação do álbum clássico de John Coltrane, de Ashley Khan, Barracuda.) - Luiz Biajoni (25/01/2015) Fonte: revistaamalgama.com.br
Artista: Oliver Nelson Álbum: Fantabulous Lançamento: 1964 Selo: Argo Registros "Universal Studios" Gênero: Jazz, Bebop, Jazz fusion
Oliver Nelson And His Orchestra Oliver Nelson (as,ts,arr,cond),
Jerome Richardson (bs,fl), Phil Woods(as,cl), Robert Ashton (ts,cl),
Kenny Soderblom (as,fl), Roy Wiegano (tb), Tony Studd (b-tb), Art Hoyle,
Eugene 'Snooky' Young (tp), Patti Bown (p), Ben Tucker (b), Grady Tate
(ds) Recorded:Universal Studios - Chicago, March 19, 1964
“Garota the Ipanema” (The girl from Ipanema) conquistou o
mercado internacional com o lançamento do disco “Getz/Gilberto”, em
1964. Nesse álbum, a canção foi interpretada por Astrud Gilberto, João
Gilberto e o saxofonista americano Stan Getz. A interpretação de Frank
Sinatra, acompanhado por Tom Jobim ao violão, é também uma das versões
mais conhecidas da obra.
Nat King Cole (vocal), Bobby Bryant (Trumpet), Paul T. Smith (Piano), Leon Petties (Drum), Joe Comfort (Bass), More (Violins, Violas, Violincellis) - Recorded at Coast Recorder in San Francisco on December 3, 1964 (session number AA-24/12167), from 11:30 AM to 2:30 PM.
Em 1961 Norman Granz vendeu a Verve - criada em 1956 - à então gigante MGM (Metro-Goldwyn-Mayer, Inc) e para dirigi-la foi recrutado Creed Taylor com poderes de general para o selo. Carregado de energia e depois de ter estabelecido na Impulse na ABC, Taylor tomou uma série de decisões executivas de imediato – nomeando a contratação agressiva de alguns nomes de peso dessa época, como Stan Getz ou Bill Evans – e direcionou seu catálogo ao grande público faminto de jazz. Nesta era, ainda antes dos Beatles redefinirem as coordenadas da indústria musical, a divisão era clara: rock and roll era coisa de adolescentes e o jazz música de adultos responsáveis. Alheio às revoluções estéticas que sacudiam o ritmo nesta época, Creed Taylor delineou uma estratégia que colocava claramente o lucro antes da arte e o impacto antes da invenção. Com o público americano ainda imerso numa ideia muito particular de exotismo – bem expressa nas “febres” do Mambo ou na “tiki culture” que celebrava toda a ilha que tivesse um vulcão e nativas com saias de palha – Taylor apontou sua direção à bossa nova que ecoava nos apartamentos do Rio de Janeiro e foi um dos responsáveis por trazer o gênero para a América. Ponta de lança no seu catálogo para essa missão? Stan Getz. Aproveitando o fato de Charlie Byrd ter regressado de uma digressão pelo Brasil apoiada pelo Departamento de Estado americano, Getz iniciou em 1962 uma série de gravações que se revelariam chave para impor a bossa nova nos Estados Unidos, a primeira das quais “Jazz Samba”, com a participação de Byrd. Em 1963 com o álbum chamado Stan Getz & Bill Evans registra uma sensualidade nata de dois gênios. O tema central do álbum, desses dois monstros, mistura efemeridade e contraponto violento para ser resolvido em um trabalho coçaborativo. Ou seja, os sentimentos antagônicos que podem criar "o outro" (e aqui, em termos lacanianos quase mais do que os outros em termos dêiticos, pronomes) são transformados, em vez de um insulto, uma forma de embelezar as frases de cada instrumento. Sobre a questão dos protagonistas, Getz e Evans são dicotômicos. Para o baixo nada menos que o magnífico e unico mestre do improvisos de cordas alongadas, Ron Carter com seu som único e expressividade ímpar, fizeram dele um músico de estúdio muito procurado — suas aparições em centenas de álbuns fizeram dele um baixista com uma extensa lista de gravações na história do jazz, ao lado de Milt Hinton e George Duvivier. Carter possui ainda um extenso trabalho com gravações de música erudita. Na bateria, o cimento nas mãos de Elvin Jones, com batidas não convencional, um pouco de afro-cubana, mas em última análise deixa marca clara do ritmo de jazz. O trabalho de Elvin sobe com possível dor destes dois mestres do jazz, vindo de um bateristas de jazz da era pós-bop. Já Richard Davis na verdade é um desconhecido na bateria e segue a linha de Elvin neste albúm. O resultado é, pois claro, intensamente brilhante. As faixas 1, 2, 3, 7, 8 e 11 foram gravadas em 06 de Maio de 1964 e as 4, 5, 6, 9, e 10 em 05 de Maio de 1964 no Studio Rudy Van Gelder's - Englewood Cliffs, N.J, pelo selo Verve.
Night and Day
Faixas: 01 - Night and Day 02 - But Beautiful 03 - Funkallero 04 - My Heart Stood Still 05 - Melinda 06 - Grandfather's Waltz 07 - Carpetbagger's Theme 08 - Wnew (Theme Song) (Previously Unreleased) 09 - My Heart Stood Still (Alternate Take-Previously Unreleased) 10 - Grandfather's Waltz (Alternate Take-Previously Unreleased) 11 - Night and Day (Alternate Take-Previously Unreleased)
Músicos: Bill Evans - Piano Stan Getz - Sax. Tenor Ron Carter - Baixo Acústico Richard Davis - Baixo Acústico Elvin Jones - Bateria
Gravado no dia 25 de setembro de 1964 durante o festival Berliner Jazztage, "Miles in Berlin" é um daqueles albuns que pode ser chamado de - melhores registros ao vivo de Miles Davis - incluindo as fases de sua inicial carreira até este festival. È considerado uma das primeiras gravações do Segundo Grande Quinteto de Miles, o albúm traz o trompetista acompanhado por Wayne Shorter, Herbie Hancock, Ron Carter e Tony Williams em suas seis faixas de pura inovação,(no bolachão original são apenas cinco, tendo incluido na reedição de 2005 "Stella by Starlight", segundo gravada na época e não colocada por motivos ignorados), apresentando alguns dos momentos mais sublimes de sua carreira de Miles. Nascia, então, o quinteto que viria a estabelecer um novo patamar em sua carreira – e na história do jazz de um modo geral, redefinindo conceitos de textura, dinâmica e improvisação coletiva. Neste show gravado em 64, pode-se ouvir temas como “Milestones”, “Autumn leaves”, “So what” (Shorter mostrando seu fraseado oblíquo, Hancock respondendo com um solo cheio de dissonâncias), uma versão inédita de “Stella by starlight” e “Walkin’” adquirindo nova dimensão, compensando a deficiente qualidade do som mono. Curioso é o fato de Shorter compor especialmente para o grupo, tornando-se peça-chave em uma das melhores fases da multifacetada carreira de Miles – a mais dinâmica, revolucionária e obsessivamente criativa que o jazz conheceu. Outro fator importante foi o fato do disco ser gravado historicamente pela Orquestra Filarmônica de Berlin, onde cinco negros norte-americanos viraram o jazz de cabeça para baixo. Miles executa seu papel de sidemam com brilhantismo habitual, solando com maestria, chamando os outros instrumentistas com seu trumpete, perfazendo com que cada um tenha o seu momento próprio. O disco abre com a swingada "Milestones", cheia de quebras de andamento e malabarismos instrumentais; segue com aquela que muitos dos fás e estudiosos da obra de Miles Davis classificam como a melhor versão de "Autumn Leaves", de arrepiar realmente; o mítico álbum "Kind of Blue" de 1959 é revisitado com a sua faixa de abertura, "So What", devidamente desconstruída pelo quinteto; "Stella by Starlight" traz Miles olhando para o seu início de carreira e "Walkin´" é um exercício policromático repleto de paisagens que se constróem a cada novo movimento. Miles in Berlin é uma obra-prima do jazzmusical, um registro antológico de um músico na esfera da criação.
Faixas: 1. Milestones 2. Autumn Leaves 3. So What 4. Stella by Starlight (Bonus track do Lp original) 5. Walkin´ 6. Go-Go (Theme and Announcement)
Musicos: Miles Davis - Trompete Wayne Shorter - Saxofone Herbie Hancock - Piano Ron Carter - Baixo Tony Williams - Bateria
Miles, miles, miles... o que dizer de um gênio que por se só já vale sem comentários ou outra forma de expressão que o traduza de sua criatividade.Trago esse albúm como marca d´agua na carreira visionária de Miles em sua fase inventiva. A primeira versão é de 56 entitulada "Cookin' with the Miles Davis Quintet DCC" (que posteriormente colocarei aqui), gravado com a primeira grande formação Miles Davis Quintet com Miles no trompete, John Coltrane no sax tenor, Red Garland no piano, Paul Chambers no baixo, e Philly Joe Jones na bateria. A segunda versão é gravado oito anos mais tarde, no Lincoln Center's Philharmonic Hall, com George Coleman ao sax, Herbie Hancock no piano, Ron Carter no baixo, e Tony Williams na bateria e o próprio Miles no Trompete. Ambas as versões são magníficas, e as diferença entre eles são os bons exemplos criativos entre os dois quintetos. Li numa entrevista que Herbie Hancock, elogiou essa formação e conta uma história sobre Miles. Quando Hancock trocava o tempo, Miles disse: não joga a manteiga nas notas. Hancock não intendeu aquilo e muito menos seu significado, sabendo depois que Miles dava instruções para a banda em críptico de metáforas. A fugacidadde dos músicos completa a belaza e a leveza deste albúm memoravel e inquestionavel. Produzido por Teo, pelo selo Columbia.
Tracks: My Funny Valentine (Hart-Rogers) All of You (Porter) Stella By Starlight (Washington- Young) All Blues (Davis) I Thought About You (Mercer-Van Heusen)
Pessoal: Miles Davis - Tompete George Coleman - Sax tenor Herbie Hancock - Piano Ron Carter - Baixo Tony Williams - Bateria
“A Love Supreme” é uma composição em forma de suíte jazzística, criada no apogeu da capacidade artística de John Coltrane e seus companheiros McCoy Tyner (piano), Jimmy Garrison (baixo) e Elvin Jones (bateria), como uma elegia, uma canção de louvor ao Senhor. Não é um blues (embora, obviamente uma ponta apareça por conta da extrema versatilidade das influencias e do conhecimento de Coltrane), nem gospel ( inspiração existe, mas como inspiração). É jazz, no seu extremo. Feita para tocar o sentimentos humanos, beirando no sublime religioso.
Em 1962, Coltrane parte para uma nova fase em sua carreira. Monta um grupo que se tornaria o quarteto clássico de uma época marcada por fortes mudanças no cenário jazzístico. O pianista McCoy Tyner, o baixista Jimmy Garrison e o baterista Elvin Jones formaram a base para a construção de um álbum que se tornaria referência para as gerações seguintes, e provocaria reflexões quanto às estruturas musicais definidas no disco. O álbum “A Love Supreme” foi concebido por Coltrane para ser uma suíte em quatro movimentos. O primeiro e mais conhecido, chamado “Acknowledgement” inseriu elementos de orquestra como gongo e tímpano. As quatro notas executadas pelo baixista orientam o tema, que funciona como mantra para sua execução. O título do disco é a mais pura forma de expressão alcançada pelo quarteto. No final da faixa ouve-se o mantra falado por Coltrane, estabelecendo o final do movimento. O quarto movimento chamado “Psalm” representa a transcrição de um poema escrito pelo próprio Coltrane em música. Sua execução não segue um padrão rítmico definido, oferecendo liberdade total para os músicos. O segundo e o terceiro movimentos apresentam um estrutura musical mais regular com linhas melódicas simples. O dia 9 de Dezembro de 1964 definiu um novo rumo para a carreira musical de Coltrane. Ele estava voltado à espiritualidade, e teve em “A Love Supreme” a chance de se expressar musical e espiritualmente. A partir de 64, os seus discos de jazz apresentavam títulos com mensagens políticas. Um grande exemplo foi no final de 1963: uma explosão de bomba em uma igreja negra matou quatro garotas. Do discurso de Martin Luther King sobre o acontecido, Coltrane escreveu o tema “Alabama”, usando os padrões rítmicos do discurso. O disco refletia um despertar espiritual e político, e cruzava fronteiras culturais. Sua intenção era usar e colocar a espiritualidade em um rumo pacifista. Sua música durante muito tempo foi objeto de análise, crítica, objeções por parte da imprensa, e principalmente, lançou as bases da filosofia que guiaria seu trabalho. “Tocar certo significava, e exigia, viver certo”, dizia Coltrane. Ele conseguiu. O segundo album inclui o Quarteto de John Coltrane, gravado no Antibes jazz festival. Dica: A LOVE SUPREME - Ashley Kahn (editora Barrauda).
Pessoal: John Coltrane (Sax. Tenor,vocal track 01) Archie Shepp (Sax. Tenor - Disk II, track 08 e 09) McCoy Tyner (Piano) Art Davis (Baixo - Disk II, tracks 08 e 09) Jimmy Garrison (Baixo) Elvin Jones (Bateria)
Disc I 01 - Part I: Acknowledgement 02 - Part II - Resolution 03 - Part III: Pursuance 04 - Part IV-Psalm
Disc II 01 - Introduction by André Francis 02 - Part 1: Acknowledgement 03 - Part 2: Resolution 04 - Part 3: Pursuance 05 - Part 4: Psalm 06 - Part II-Resolution 07 - Part 2: Resolution 08 - Part 1: Acknowledgement 09 - Part 1: Acknowledgement