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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Boxset: La Grande Histoire Du Jazz, do Ragtime ao Swing 1898-1952 (25CDs)

Lançamento: 2009
Selo: Le Chant du Monde 
Gênero: Swing, Ragtime, Big Band, Early Jazz, New Orleans Jazz, Dixieland, Harlem Stride Piano, Gipsy Jazz (Jazz Manouche), Negro Spirituals/Gospel


O silêncio eloquente: O Jazz no domínio da introspecção pura no vigésimo primeiro volume foi o limiar da transcendência, o CD22 desta coleção antológica é o mergulho definitivo na subjetividade. Estamos além da história, além da técnica e além da necessidade de categorização. Este volume não documenta uma evolução do Jazz, mas sim a sua estabilização como estado de espírito. É o registro do momento em que o Jazz, tendo percorrido o caminho da periferia para o centro da cultura, decide retirar-se para o interior do indivíduo. O pano de fundo deste CD é o silêncio reflexivo. Esteticamente, ele contrapõe-se a tudo o que o Jazz foi em seus momentos de maior exuberância orquestral ou radicalismo harmônico. Aqui, a temática é a solidão habitada. Culturalmente, o Jazz deixa de ser um "gênero de performance" e consolida-se como uma "filosofia de vida". O contraste estético é quase minimalista: a beleza reside não no que é tocado, mas na consciência profunda de cada nota emitida. A técnica neste volume, atinge o que se pode chamar de ascetismo musical: A "nota única" como Evento, a economia torna-se total, o virtuosismo não é medido pela quantidade de notas mas pela capacidade de carregar uma única nota com uma densidade emocional que preenche todo o espaço acústico. É o triunfo da respiração sobre o fraseado, a desmaterialização do pulso no ritmo já não é um "bater de pés" mas uma pulsação interna quase biológica. O ouvinte percebe o tempo passar pela cadência da própria emoção do músico, e não pela marcação mecânica da bateria ou do baixo. O instrumento como extensão da voz na fronteira entre o sopro (ou a corda) e a voz humana é apagada. O som torna-se orgânico, capaz de expressar nuances de tristeza, júbilo ou contemplação que não possuem tradução em palavras. O diálogo com o vácuo na instrumentação é esparsa., a música parece emergir do silêncio e para ele retornar criando um ciclo onde a escuta é uma forma de meditação compartilhada entre o artista e o ouvinte. O estúdio como santuário nass gravações deste volume possuem uma característica única: a ausência de "teatro", não há a intenção de impressionar ou de entreter. O registro soa como uma confissão privada, captada acidentalmente em um momento de introspecção profunda. A tecnologia como transparência na qualidade técnica aqui é tão elevada que ela desaparece completamente. Não se ouve "a musica"; ouve-se o músico. A tecnologia serviu ao seu propósito final: tornar-se invisível para que a verdade da performance fosse preservada intacta. O legado da "escuta" neste CD funciona como um convite à desconstrução da expectativa em um registro do Jazz que não exige nada do ouvinte — nem a dança, nem o estudo intelectual —, apenas a presença. O CD22 é essencialidade, documentalmente a prova de que o Jazz em seu destino final, retorna à sua fonte original: o grito solitário do Blues, agora purificado de toda a necessidade de explicação. É a antologia concluída não por um estrondo, mas por um suspiro. É o registro da maturidade absoluta, onde a música se torna uma extensão da própria existência do músico, provando que o Jazz é, em última análise, a arte de revelar quem somos através do som. Do nascimento ruidoso do Ragtime ao silêncio eloquente deste vigésimo segundo volume — gostaria de lhe deixar uma pergunta derradeira: após ouvirmos o Jazz tornar-se estrutura, revolução, abstração e, finalmente, esta introspecção pura, você acredita que a missão do Jazz na história da humanidade era nos ensinar a tocar música, ou a nos ensinar a ouvir o silêncio que existe entre as notas que compõem a vida?


Boa audição - Namastê

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Boxset: La Grande Histoire Du Jazz, do Ragtime ao Swing 1898-1952 (25CDs)

Lançamento: 2009
Selo: Le Chant du Monde 
Gênero: Swing, Ragtime, Big Band, Early Jazz, New Orleans Jazz, Dixieland, Harlem Stride Piano, Gipsy Jazz (Jazz Manouche), Negro Spirituals/Gospel

O refinamento da revolução, a maturidade do Bebop e o surgimento do Cool são abordagem no décimo segundo volume da coleção "La Grande Histoire du Jazz", situando-se em um momento de equilíbrio delicado: a consolidação da linguagem do Bebop e o surgimento das primeiras sementes de uma estética oposta, o Cool Jazz. Se o volume anterior foi o grito de independência da nova vanguarda, o CD12 é o registro da sua maturidade. Estamos na metade final dos anos 40, um período em que a agressividade inicial do Bop começa a ceder lugar a uma nova elegância, e onde a busca por um fraseado mais lírico e estruturado passa a ocupar a mente dos grandes improvisadores.O pano de fundo deste CD é o amadurecimento dos clubes de jazz como templos de escuta, a estética marcada pelo contraste entre a intensidade frenética — que ainda dita o pulso da época — e um novo intelectualismo que valoriza o silêncio, a economia de notas e a precisão tonal. É um momento de respiro após a revolução. Culturalmente, o jazz começa a absorver influências da música erudita ocidental, buscando legitimidade através de harmonias mais complexas e arranjos que flertam com o impressionismo. A construção do gênero e evolução técnica apresentada neste volume reflete uma sofisticação na exploração dos recursos musicais: A "lógica" do pmproviso deixa de ser apenas uma demonstração de velocidade para se tornar uma construção temática. Os solistas deste volume demonstram uma capacidade única de desenvolver motivos melódicos ao longo do solo, algo que diferencia os mestres dos meros virtuosos. A textura dos grupos uma diversificação nos tamanhos dos grupos. Enquanto os trios de piano e os quintetos de sopro se tornam o padrão ouro, percebemos um uso muito mais criativo do piano como instrumento de acompanhamento, introduzindo acordes com voicings (disposições de notas) cada vez mais densos e modernos. O controle do tom, a busca pela pureza sonora é evidente. O vibrato quase banido no auge do Bebop, começa a ser utilizado de forma parcimoniosa, revelando um cuidado com a "cor" da nota que prenuncia a era do Cool. A interação rítmica na seção rítmica aqui é quase telepática con o diálogo entre o baterista, o baixista e o pianista é constante, criando um fluxo sonoro onde o tempo não é algo rígido, mas uma entidade orgânica que respira conforme a narrativa do solista. Curiosidades históricas da "Era de Ouro" das Jam Sessions: O volume capta a atmosfera das jam sessions que se tornaram mais organizadas. É um período em que os músicos, agora cientes de que estavam criando uma nova tradição, começam a registrar com mais cuidado as suas descobertas, elevando o status do músico de jazz a um nível de "artista de estúdio". A influência da gravação em Long-Play (LP) embora o formato de 78 rpm ainda dominasse a transição tecnológica para o LP verdaeiranebte dito começou a pairar no horizonte, permitindo que os artistas pensassem em solos mais longos e estruturas narrativas menos limitadas pelo tempo físico. Este CD reflete essa ambição de "dizer mais". Já o dialogo entre escolas é fascinante observar neste volume como a energia da Costa Leste (Nova York) começa a dialogar com as propostas mais contidas e líricas que começavam a surgir na Costa Oeste (Califórnia). Este CD é um mapa desse intercâmbio. O CD12 é, documentalmente o atestado de que o Jazz não só sobreviveu à sua própria revolução como floresceu através dela. Ele registra um momento de transição em que a música tendo alcançado a liberdade radical, decide usar essa liberdade para construir beleza e complexidade estruturada. Para o ouvinte este volume oferece a satisfação de uma música que atingiu o seu estágio de "clássico" moderno: tecnicamente irrepreensível, emocionalmente profunda e historicamente inquestionável. Como historiador musical, observando como o Bebop começou a "se acalmar" e abrir espaço para o nascimento de estéticas mais líricas neste décimo segundo volume, então fica a pergunta: você diria que o Jazz, ao se tornar mais "clássico" e intelectualizado nesta fase, perdeu definitivamente a sua capacidade de se conectar com a visceralidade do Blues, ou acredita que o Blues apenas se transformou em uma estrutura invisível, mais interna e sofisticada, que continua a sustentar tudo o que ouvimos aqui?


Boa audição - Namastê

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Boxset: La Grande Histoire Du Jazz, do Ragtime ao Swing 1898-1952 (25CDs)


Lançamento: 2009
Selo: Le Chant du Monde 
Gênero: Swing, Ragtime, Big Band, Early Jazz, New Orleans Jazz, Dixieland, Harlem Stride Piano, Gipsy Jazz (Jazz Manouche), Negro Spirituals/Gospel


A aurora da modernidade no nascimento da linguagem do Bebop Introduz o décimo primeiro volume dessa coleção marcando o ponto de inflexão mais drástico na cronologia do gênero. Se o CD 10 foi o crepúsculo das grandes orquestras, este CD é a aurora da revolução do Bebop. Estamos no meio da década de 1940, um período de radicalização estética onde o jazz abandona definitivamente o seu papel de música de dança para assumir o seu lugar como arte de vanguarda. Este volume captura a transição definitiva da "música de entretenimento" para o "jazz como discurso artístico". O pano de fundo é a atmosfera de fervura intelectual dos clubes da 52ª Rua em Nova York. A estética deste volume é marcada pela tensão e urgência. Há um contraste absoluto entre a cadência relaxada do Swing e a angústia frenética e tecnicamente exigente desta nova linguagem. O jazz deixa de ser o conforto das pistas de baile para se tornar um desafio auditivo. É uma música urbana, noturna, cerebral, que reflete a ansiedade do pós-guerra e a busca de uma identidade negra artística que não dependesse da aprovação da indústria de entretenimento comercial. A evolução técnica apresentada neste volume é uma verdadeira desconstrução dos pilares anteriores na abstração Harmônica onde os músicos começam a utilizar as extensões dos acordes (as nonas, décimas primeiras e décimas terceiras) não como enfeites, mas como a base melódica. A harmonia torna-se "cromatizada", com passagens rápidas que exigem um domínio absoluto do instrumento. A rítmica "decomposta", a bateria anteriormente o metrônomo da orquestra torna-se um instrumento de comentários com o uso do bumbo para "acentos inesperados" (os famosos bombs de bebop) e a condução fluida no prato de ride criam um pulso que não é mais de dança, mas de pura energia cinética. O fraseado "Dizziano" tornam-se longas, irregulares e assimétricas. A ideia não é mais terminar a frase no tempo forte, mas cruzá-lo, criando uma sensação de constante movimento para frente, típica da linguagem de mestres como Dizzy Gillespie ou Charlie Parker. O fim do arranjo de bloco, estrutura baseada em riffs orquestrais dá lugar à estrutura de Head-Solo-Head. O tema é exposto de forma uníssona e complexa (muitas vezes vertiginosamente rápida), seguida de uma série de solos que ignoram a melodia original para explorar apenas a estrutura harmônica subjacente. A estética da "irritabilidade", diz a lenda que o Bebop foi criado em parte para desencorajar a dança pois os músicos ficavam exaustos de tocar para um público que via a música apenas como trilha sonora para beber e dançar. O volume é um testemunho sonoro desse "afastamento" proposital. O ambiente de gravação de muitas dessas sessões foram gravadas em condições precárias em estúdios pequenos de Nova York. Isso, ironicamente conferiu ao Bebop uma sonoridade crua, direta e "spiky" (pontuda) que combina perfeitamente com a agressividade intelectual da música. A nova geração funciona como o batismo de uma nova linhagem de instrumentistas que viam o jazz como uma ciência. É fascinante ouvir como eles tratam a improvisação como uma forma de composição em tempo real, onde cada erro é uma oportunidade de re-harmonização. O CD11 é a peça mais corajosa desta coleção. Documentalmente, ele registra o momento em que o jazz escolheu a liberdade sobre a popularidade. É uma lição de história sobre como um gênero musical, ao atingir o seu ápice comercial, prefere destruir a si mesmo e renascer em uma forma mais pura e complexa do que se submeter à estagnação. Este volume não é apenas música; é um manifesto de independência artística, transição para o Bebop contida neste volume diria que a perda do público de massa foi um "preço inevitável" para que o jazz fosse finalmente reconhecido como uma forma de arte erudita, ou acredita que foi um erro tático que isolou o gênero num gueto intelectual?

Boa audição - Namastê

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Boxset: La Grande Histoire Du Jazz, do Ragtime ao Swing 1898-1952 (25CDs)


Lançamento: 2009
Selo: Le Chant du Monde 
Gênero: Swing, Ragtime, Big Band, Early Jazz, New Orleans Jazz, Dixieland, Harlem Stride Piano, Gipsy Jazz (Jazz Manouche), Negro Spirituals/Gospel

O limiar da ruptura na tensão criativa do jazz pré-moderno flerta o nono volume da coleção La Grande Histoire du Jazz captura um momento histórico de singular fragilidade e audácia: o final dos anos 30 e o início da década de 40. Estamos diante de um documento que registra a "estabilização" do Swing, mas, sob a superfície polida das grandes orquestras, já se ouve a inquietação harmônica de solistas que começam a questionar a rigidez dos arranjos. É o CD que registra a calma que precede a tempestade, o instante em que o jazz, por excelência uma música de baile, começa a se transformar em uma música de concerto e intelecto. Com pano de fundo deste volume é a sombra da Segunda Guerra Mundial e a transformação do jazz em um símbolo de resistência cultural e identidade americana. Esteticamente, o contraste é fascinante: de um lado, temos o escapismo glamoroso e perfeitamente ritmado das big bands que dominavam as paradas de sucesso; do outro, uma crescente valorização da individualidade virtuosística. É um período em que a música precisa ser, ao mesmo tempo, comercialmente viável para o público das pistas de dança e artisticamente desafiadora para os músicos que, exaustos da repetição mecânica, buscam novas rotas de exploração sonora. A evolução técnica aqui documentada revela a transição entre a "forma" e o "conteúdo" a expansão da paleta harmônica no papel dos instrumentos de sopro que começa a mudar. Se antes a função era marcar o ritmo ou responder ao solista, aqui o uso de extensões harmônicas (notas nonas, décimas primeiras e décimas terceiras) começa a aparecer de forma mais ousada nas harmonizações de naipes, antecipando a riqueza tonal do jazz moderno. A rítmica como moto-contínuo na seção rítmica atinge um grau de fluidez exemplar. A bateria abandona definitivamente o estilo "marcha" para adotar uma condução mais leve e elástica, permitindo que o baixo e o piano criem texturas que sustentam o solista de maneira menos invasiva e mais inspiradora. O Arranjo como dramaturgia, os arranjadores deste período começam a tratar a peça musical como uma narrativa cinematográfica, com contrastes dinâmicos (piano/forte) e passagens solistas que se integram organicamente à estrutura da orquestra, deixando de ser apenas um "intervalo" entre os temas. O registro da "Guerra e Paz", muitas dessas gravações foram feitas em um ambiente de incerteza global. Curiosamente, a precisão e a elegância sonora deste CD9 contrastam fortemente com a turbulência social da época. O estúdio de gravação funcionava como uma ilha de estabilidade, onde a busca pela perfeição musical era o único norte. A Microfonação como instrumento é perceptível neste volume o avanço das técnicas de captação. O som dos metais ganha um "brilho" que define a era, e o uso de microfones direcionais permitiu captar o sopro dos saxofones com uma intimidade que, anteriormente, era abafada pelo volume dos metais. A "escola" das jam sessions documenta a migração do talento dos grandes palcos para as jam sessions noturnas em lugares como o Minton’s Playhouse. O que ouvimos aqui é a ponte entre a performance pública e o laboratório privado onde a música estava sendo reinventada. Este volume é fundamentalmente o testemunho da maturidade. Documentalmente, ele é crucial por ser o "último suspiro" da unidade plena do jazz antes da grande divisão entre a vertente comercial e a de vanguarda. Para o ouvinte, o CD 9 oferece a satisfação de uma música que atingiu o seu equilíbrio ideal: o poder coletivo da orquestra em harmonia perfeita com a criatividade ilimitada do indivíduo. É a coleção de um gênero que, tendo conquistado o mundo, preparava-se, agora, para conquistar a eternidade através da arte pura. Observando este volume que equilibra tão bem a tradição com as sementes da modernidade, como você interpretaria a "fome" de mudança que levava esses solistas a buscar, após os shows, novas complexidades harmônicas nas jam sessions? Seria, na sua visão, um tédio criativo diante da previsibilidade do Swing ou uma ambição intelectual de elevar o jazz ao patamar das formas eruditas?

Boa audição - Namastê

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Boxset: La Grande Histoire Du Jazz, do Ragtime ao Swing 1898-1952 (25CDs)


Lançamento: 2009
Selo: Le Chant du Monde 
Gênero: Swing, Ragtime, Big Band, Early Jazz, New Orleans Jazz, Dixieland, Harlem Stride Piano, Gipsy Jazz (Jazz Manouche), Negro Spirituals/Gospel 

A consolidação da virtuosidade: A arte da narrativa no Jazz foca o oitavo volume da coleção La Grande Histoire du Jazz marcando o auge da sofisticação técnica e a maturidade expressiva do Jazz no final da década de 1930 e início dos anos 40. Este recorte temporal não é apenas uma sequência de registros musicais; é o momento em que o jazz, tendo consolidado o seu vocabulário rítmico e harmônico durante a era do Swing, começa a olhar para dentro de si, valorizando a profundidade emocional do solista como o centro gravitacional da obra. O pano de fundo deste CD é o amadurecimento cultural do jazz como arte legítima. O contraste estético é sutil, mas profundo: saímos da "dança" pura das orquestras de massa para um cenário onde a jam session e o pequeno grupo (quartetos, sextetos) tornam-se laboratórios de experimentação. Culturalmente, o jazz aqui deixa de ser apenas a "música das pistas de dança" para se tornar uma música de escuta atenta, onde a complexidade da interação entre músicos de alto calibre reflete uma sociedade que, embora ainda segregada, encontra no jazz a sua forma mais refinada de diálogo inter-racial e expressão individual. A evolução técnica documentada neste volume revela a transição entre o arranjo rígido e a liberdade criativa, a "conversa" instrumental no papel dos instrumentos evolui de forma dialética. O piano, muitas vezes percussivo nos volumes anteriores, assume aqui um papel de orquestrador, onde as mãos de artistas magistrais criam camadas harmônicas ricas que sustentam o solista com delicadeza e precisão. O advento do fraseado "moderno" percebe-se a transição na articulação dos sopros. O vibrato torna-se mais controlado e elegante, menos operístico, caminhando em direção a uma pureza tonal que influenciaria profundamente o Bebop. A estrutura rítmica aqui já opera como um organismo vivo. O contrabaixo deixou de ser apenas um metrônomo para se tornar um elemento melódico secundário, e a bateria, com o uso mais frequente dos pratos de condução (ride cymbals), começa a criar aquele "tapete" fluido que permite ao solista planar sobre a harmonia. A "democratização" da Improvisação curiosamente, este volume destaca músicos que frequentemente transitavam entre grandes orquestras e pequenos grupos de estúdio. Esse "trânsito" permitiu que técnicas de orquestração de grande escala fossem aplicadas em pequenos grupos, criando um gênero híbrido, por vezes chamado de chamber jazz (jazz de câmara). A era do 78 rotações como filtro é notável como, neste volume, os artistas já dominam a "arte dos três minutos". Existe uma precisão narrativa cirúrgica: introdução, exposição do tema, improviso e reexposição. É um exercício de economia e impacto que serve como uma aula de edição para músicos contemporâneos. O papel dos "sidemen": muitos dos músicos presentes neste volume, embora não fossem os líderes das bandas, tornaram-se pilares da história do jazz por sua capacidade de "completar" o pensamento musical dos líderes. A escuta atenta neste CD permite identificar o diálogo entre o solista principal e os músicos de apoio, algo frequentemente negligenciado na historiografia convencional. O CD8 é, fundamentalmente, um registro de refinamento. Ele não apresenta a "explosão" do início da era do jazz, mas a "polidez" do mestre que conhece todas as ferramentas do seu ofício. É um volume que documenta a transição de um gênero musical que buscava a sua voz para um gênero que agora dita as regras da linguagem musical moderna. A importância documental aqui reside na demonstração de que o jazz atingiu, nesta fase, um equilíbrio quase impossível entre a acessibilidade melódica e a complexidade técnica, servindo como a ponte última antes da ruptura radical que o Bebop promoveria poucos anos depois. Considerando a maestria contida neste oitavo volume, você vê a transição para a liberdade total do improviso (que explodiria na era do Bebop) como um desenvolvimento natural dessa "narrativa do solista" que este CD tão bem documenta, ou como uma reação deliberada contra a estrutura orquestral que aqui atinge seu apogeu?

Boa audição - Namastê

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Boxset: La Grande Histoire Du Jazz From Ragtime To Swing 1898-1952 (25 CDs)

Coleção: VA - La Grande Histoire Du Jazz From Ragtime To Swing 1898-1952  Configuração Física: Box Set Monumental contendo 25 CDs (Edição de 2010)  Selo Editorial: Le Chant du Monde (França) — Fundado em 1938  Métrica Documental: 1.677 faixas integralmente restauradas e remasterizadas  Aparelho Crítico: Livreto enciclopédico e analítico com 186 páginas  Formato Digital: FLAC (Free Lossless Audio Codec)

A análise crítica de uma antologia com a magnitude de La Grande Histoire Du Jazz exige o abandono de resenhas jornalísticas genéricas bem como o selo francês Le Chant du Monde executou uma verdadeira operação de arqueologia musical e preservação de patrimônio fonográfico global. O manifesto institucional e o rigor da curadoria chancela histórica o selo Le Chant du Monde e eleva o patamar desta obra de uma simples coletânea comercial para um tratado científico. A gravadora, célebre pela salvaguarda de patrimônios etnomusicológicos, aplicou um rigor acadêmico sem precedentes na seleção do material. A densidade numérica de 1.677 faixas prova que a coleção rejeitou o caminho fácil dos "maiores sucessos" com objetivo central de registrar a transição orgânica diária e as microevoluções estéticas do gênero. O livreto crítico de 186 páginas atua como a bússola teórica do ouvinte para cada sessão é destrinchada com datas exatas, locais de captação, matrizes originais e o detalhamento completo de pessoal (personnel). A cronologia de evolução e quebra de blocos para compreender como a coleção organiza mais de meio século de música, a estrutura abaixo mapeia as grandes eras e os eixos de transição registrados ao longo dos 25 CDs, observa a matriz cronológica e mutação estrutural do gênero, analisando as raízes sincopadas (1898 – 1917), era cadastrada compreende o recorte temporal focado na investigação da transição do Ragtime, das marchas militares e do Blues primitivo. Os principais artistas mapeados e responsáveis por fundamentar este período inicial são Vess L. Ossman, Arthur Pryor e Scott Joplin. Eras de ouro (1920s – 1930s), este ciclo histórico documenta a consolidação dos eixos urbanos de Chicago e Nova York, trazendo como foco de estilo a migração da polifonia primitiva para o protagonismo do solista virtuoso. Os principais artistas mapeados que lideraram essa transformação técnica são Louis Armstrong, Jelly Roll Morton e King Oliver. Explosão do Swing (1930s – 1940s), O recorte temporal em questão destaca o fenômeno de consolidação das Big Bands na indústria fonográfica, fixando seu estilo através de arranjos matemáticos complexos e alta precisão orquestral. Os principais artistas mapeados e regentes dessa engenharia sonora são Duke Ellington, Count Basie e Benny Goodman. Inflexão moderna (Anos 40 – 1952), era que encerra a cronologia tradicional delimita a transição definitiva da música coreográfica para uma dinâmica de audição atenta, marcando o exato nascimento da vanguarda moderna no jazz. Os principais artistas mapeados que romperam os padrões comerciais do período são Charlie Parker, Dizzy Gillespie e Billie Holiday. Arqueologia pré-Jazz e raridades documentadas o grande trunfo científico desta antologia reside em iniciar sua linha do tempo dezenove anos antes do primeiro disco oficial de Jazz (1917). O resgate fonográfico expõe as fundações do gênero de maneira cirúrgica.  Os pioneiros marginais ganham protagonismo técnico nos primeiros volumes. O virtuosismo técnico no banjo de Vess L. Ossman e as marchas militares sincopadas de Arthur Pryor são analisados sob uma ótica de continuidade histórica. A tese evolutiva da caixa prova que o Jazz não emergiu de uma ruptura cultural abrupta. Ele se consolidou como uma fusão sistemática entre as bandas de metais, os rolos de piano pneumático e os lamentos do Blues primitivo.O trabalho de detetive proporcionado pelo livreto permite rastrear "linhas de sangue" musicais, identificar um jovem solista obscuro na década de 1920 atuando como músico de apoio para, anos depois, reencontrá-lo como o regente de sua própria Big Band. Engenharia de áudio e restauração de sinal, resulta em um tratamento acústico aplicado a matrizes gravadas entre o fim do século XIX e meados do século XX representa um capítulo à parte na engenharia de som. Os técnicos enfrentaram suportes físicos severamente degradados. O resgate fino de cilindros de cera, discos de acetato e velhas matrizes de 78 RPM exigiu precisão matemática. A engenharia evitou o erro crasso de aplicar filtros de redução de ruído (noise reduction) agressivos onde esse erro comum costuma extirpar as frequências altas e silenciar o ambiente espacial original da gravação. A preservação em FLAC cumpre o papel de manter a integridade harmônica, garantindo o impacto percussivo original e o calor dos sopros na reprodução contemporânea. O ponto de Inflexão de 1952, o fechamento da cortina marco de escolha precisa do ano de 1952 como encerramento da caixa valida o rigor científico do Le Chant du Monde. Não se trata de uma interrupção arbitrária, mas de um marco divisório tecnológico e mercadológico.  O fim do ciclo do Swing coincide com o declínio econômico das grandes orquestras pós-guerra. A consolidação institucional do Bebop e do Modern Jazz desloca a música dos salões de dança coreografados para convertê-la em uma arte de vanguarda e audição puramente intelectualizada. A revolução tecnológica do período sepulta os velhos discos de 78 RPM e estabelece a hegemonia definitiva do formato Vinil Long Play (LP) de 12 polegadas. Para comprovar o valor desta antologia em seu texto, selecione um registro mecânico anterior a 1910 presente nos primeiros CDs e confronte-o diretamente com uma faixa complexa de 1952. Descreva a transição brutal da captação por cone acústico para a captação elétrica avançada, evidenciando como a densidade harmônica se transformou ao longo desse arco de 54 anos. Considerações finais, o legado de um monumento fonográfico, são análise exaustiva de "La Grande Histoire Du Jazz" consolida este box set não apenas como uma ferramenta de entretenimento para entusiastas, mas como um autêntico repositório acadêmico da memória acústica do século XX. O selo Le Chant du Monde foi bem-sucedido na ambiciosa missão de converter 1.677 faixas fragmentadas e fisicamente vulneráveis em um monumento cronológico contínuo e indestrutível. A legitimação metodológica do projeto reside no seu desapego aos anacronismos mercadológicos. Ao acolher os registros embrionários de Vess L. Ossman e Arthur Pryor, a obra força o ouvinte a reconhecer a engenharia pré-Jazz como o pilar estrutural que viabilizou a genialidade posterior de Duke Ellington e Charlie Parker.  O equilíbrio acústico alcançado na transposição das matrizes de 78 RPM para o formato FLAC estabelece um novo paradigma para a engenharia de som contemporânea. Provou-se que a restauração fina e científica é capaz de purificar o sinal sem assassinar a assinatura de áudio original das salas de gravação e o calor natural dos sopros. O encerramento cirúrgico fixado no ano de 1952 funciona como um ponto de fuga histórico perfeito. Ao travar a linha do tempo exatamente no crepúsculo da Era do Swing e no alvorecer do modernismo, a antologia preserva a pureza de seu recorte temático, entregando um panorama definitivo de como a música sincopada migrou do folclore coreográfico para a erudição intelectualizada. O primeiro vetor de impacto a ser considerado é o valor arquivístico do projeto, que se manifesta por meio de um rigor técnico e documental exaustivo. A presença de um livreto de 186 páginas, inteiramente dedicado à catalogação minuciosa das matrizes originais e do personnel de cada sessão, eleva o patamar da obra. Esse aparato crítico afasta o lançamento do conceito de mera coletânea comercial e consolida a obra como uma enciclopédia sonora de referência obrigatória para qualquer pesquisa técnica ou historiográfica sobre o tema.  Em perfeita simetria com a qualidade da documentação escrita, a fidelidade de sinal surge como o elemento de sustentação acústica da antologia. O processo de transferência digital lossless (sem perdas), focado estritamente na preservação da dinâmica original do espectro sonoro, reflete o compromisso com a verdade fonográfica. Essa engenharia de restauração fina atende diretamente às exigências de audiófilos e pesquisadores, entregando com precisão a textura real, o ambiente espacial e o peso acústico característicos das primeiras cinco décadas de registro do gênero.  2. A Coerência Histórica e a Conclusão MusicofonográficaO último pilar analítico repousa sobre a coerência histórica e a delimitação metodológica do tempo. A escolha de uma fronteira cronológica linear estrita, estabelecida rigorosamente entre os anos de 1898 e 1952, cumpre uma função científica vital. Em vez de expandir o escopo indefinidamente, esse limite matemático e estrito serve para validar a tese central da obra, demonstrando com exatidão a evolução, a maturação e a transição orgânica do estilo.  Conclui-se, portanto, que o cruzamento desses três vetores confere à obra um status de legitimação patrimonial definitivo. Ao alinhar uma catalogação enciclopédica, um tratamento de áudio audiófilo e um recorte temporal cirúrgico, o projeto atinge o seu objetivo máximo: salvaguardar a memória fonográfica e oferecer uma base empírica e inquestionável para o estudo aprofundado da metamorfose musical. Em última análise, a caixa de 25 CDs do selo Le Chant du Monde é mais do que uma audição imersiva: é um documento de arqueologia viva. Ela testemunha o exato período em que o Jazz operou como a força motriz, estética e tecnológica mais influente da música ocidental, imortalizando em alta fidelidade a transição definitiva da herança sincopada em direção à imortalidade clássica.        


Boa audição - Namastê
 

sexta-feira, 6 de março de 2026

Duke Ellington - The Best Of Duke Ellington



Lançamento: 2003
Selo: Worten Jazz
Gênero: Ragtime, Suing


Duke Ellington como muitos outros, foi vitima de uma sociedade racista, de uma ‘democracia’ que jamais recompensava os negros e que descaradamente punia aqueles que resistiam, desafiavam e ultrapassavam os pequenos espaços a que eram obrigados a habitar. Uma sociedade racista, que muitas vezes não admitiu elogios a Duke Ellington e os concedeu a outros compositores e músicos americanos, como George Gershwin ou Benny Goodman. Por mais de 50 anos, Ellington usou sua música para analisar as complexidades da vida dos negros americanos e para desafiar as contradições da democracia americana, contradições que, até recentemente, negou a ele até seu legítimo lugar entre os gênios da música. Entre os negros, mesmo antes do blues ser inventado, que se aperfeiçoou e evoluiu para o rock and roll, uma forma separada de música com herança étnica e geográfica semelhante estava seguindo sua própria trajetória. No final de 1800, com raízes no ragtime e no dixieland, o jazz surgiu antes mesmo de Son House e Robert Johnson terem começado a gravar. Desde o início da década de 1920 até sua morte em 1974, Duke Ellington foi um gigante do jazz.


Boa audição - Namastê


sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

2005 - Chick Webb - The Best Of (1933-1939)


Artista: Chick Webb 
Lançamento: 2005
Selo: Chestnut Music Traders
Gênero: Swing, Big Band

Este dínamo de um metro e vinte de altura dominou Na década de 1930, no Savoy Ballroom do Harlem, Webb frequentemente expulsava bandas de swing concorrentes que tentavam tomar seu lugar. Baterista poderoso, ele contratava solistas igualmente talentosos e, claro, deu a Ella Fitzgerald sua primeira grande oportunidade. Ela é a vocalista em oito faixas, incluindo “A-Tisket, A-Tasket” (o disco mais vendido da década de 1930), “Sing Me a Swing Song (And Let Me Dance)”, “Taint What You Do (It's the Way That Cha Do It)”, “The Dipsy Doodle” e “If You Can't Sing It, You'll Have to Swing It”. Com canções de compositores como Fats Waller, os Gershwins e Jelly Roll Morton, as vinte faixas também incluem “Stompin' at the Savoy” (é claro!), “If Dreams Come True”, “King Porter Stomp”, “Liza”, “On the Sunny Side of the Street”, “Vote for Mr. Rhythm”, “What a Shuffle” e “Keeping Out of Mischief Now”.

A formação da Chick Webb Orchestra variou ao longo dos anos, destacando-se nomes que moldaram o som do swing: 
Vocalistas: Ella Fitzgerald (descoberta por Webb em 1935), Louis Jordan (que também tocava sax alto), Taft Jordan e Charles Linton.
Bateria: Chick Webb (Líder).
Sopros: Edgar Sampson (Sax alto/Arranjador principal), Benny Carter (Sax alto/Arranjador), Wayman Carver (Sax tenor/Flauta), Hilton Jefferson (Sax alto), Pete Clark (Sax alto/Clarinete), e Elmer Williams (Sax tenor).
Metais: Mario Bauzá, Taft Jordan e Bobby Stark (Trompetes); Sandy Williams e Claude Jones (Trombones).
Seção Rítmica: Don Kirkpatrick ou Tommy Fulford (Piano); John Kirby ou Beverly Peer (Contrabaixo); John Trueheart (Guitarra/Banjo). 
Destaques do Álbum (Tracklist)
As faixas mais icônicas deste período incluem sucessos tanto instrumentais quanto vocais: 
"A-Tisket, A-Tasket" (com Ella Fitzgerald) – O maior sucesso comercial da banda.
"Stompin' at the Savoy" – Hino composto por Edgar Sampson em homenagem ao salão de baile.
"Liza (All the Clouds'll Roll Away)" – Famosa pela exibição técnica de bateria de Webb.
"Clap Hands! Here Comes Charley" – Outro exemplo do domínio rítmico de Webb.
"Undecided" e "Harlem Congo" – Clássicos do swing instrumental.
"Don't Be That Way" – Originalmente escrita para a banda por Sampson antes de se tornar um hit de Benny Goodman. 
A coletânea reflete a transição da banda de um conjunto puramente instrumental focado em dança para o estrelato nacional impulsionado pela voz de Ella Fitzgerald. 


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quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Boxser: The Perfect Jazz Collection 25 Original Albums (CD15)

Lançamento: 1964 / 2010
Selo: Columbia / Great Jazz Composers Series
Gênero: Sweet Bands, Swing

Together Again é um álbum significativo do lendário Benny Goodman Quartet que reúne alguns dos maiores nomes do jazz. Lançado em 2002 nos EUA pelo selo Bluebird (com número de catálogo 09026-63881-2), como parte da série Bluebird First Editions, celebrando o retorno de Goodman com sua formação clássica. Este CD se enquadra no gênero Jazz com um estilo predominantemente de Swing e Cool Jazz. O Benny Goodman Quartet original, composto por Goodman no clarinete, Lionel Hampton no vibrafone, Teddy Wilson no piano e Gene Krupa na bateria, foi uma formação inovadora que quebrou barreiras raciais e musicais na década de 1930. "Together Again" provavelmente celebra a reunião desses músicos icônicos ou de uma formação que evoca a magia daquele período. O álbum é caracterizado por melodias contagiantes, improvisações brilhantes e a interação impecável entre os instrumentistas. A música exala a alegria e a sofisticação do swing, com o clarinete de Goodman liderando e os outros instrumentos respondendo com virtuosismo.

Benny Goodman - Clarinete
Teddy Wilson - Piano
Lionel Hampton - Vibrafone
Gene Krupa - Bateria

February 13, 1963 & February 14, 1963
Gravaado em: 
RCA Recording Studios, Studio A, New York, NY
RCA Studio A, New York, NY
RCA Studios, New York, NY


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quarta-feira, 17 de setembro de 2025

The Perfect Jazz Collection - 25 Original Albums (Box Set 25 CD's)

Esta coleção The Perfect Jazz Collection - 25 Original Albums (Box Set 25 CD's) é uma compilação de álbuns clássicos do jazz, originalmente lançada pela gravadora Sony Music em 2010. A compilação é um excelente ponto de partida para novos ouvintes e uma adição valiosa para colecionadores, oferecendo 25 álbuns históricos do gênero por um preço acessível. A compilação foca em álbuns de jazz de alta qualidade e de grande importância histórica. O repertório abrange diversas vertentes do gênero e conta com nomes essenciais. Embora a lista exata possa variar um pouco dependendo da prensagem, o conteúdo central permanece o mesma. Para quem deseja construir uma biblioteca de jazz clássico sem gastar uma fortuna em álbuns separados, esta caixa é uma ótima opção. Ela oferece uma introdução abrangente e de alta qualidade à história do jazz, reunindo 25 álbuns importantes em uma edição compacta e de bom acabamento. No entanto, colecionadores mais exigentes ou aqueles que já possuem parte do material podem preferir buscar as edições individuais dos álbuns, que por vezes apresentam embalagens mais robustas e encartes com informações detalhadas. Além disso, a seleção dos artistas, embora de alto nível, pode não agradar a todos os amantes de jazz. 

Vantagens:

Preço acessível por um grande volume de conteúdo.

- Ótima introdução para iniciantes no jazz.

- Embalagem compacta e com design atraente.

- Boa qualidade de áudio nas remasterizações. 

Desvantagens:

- Embalagem frágil e sem a proteção de uma caixa de acrílico tradicional.

- Ausência de encartes com informações detalhadas, comuns nas edições individuais.

- Pode conter faixas ou edições ligeiramente diferentes das originais.  


Boa audição - Namastê
 

sexta-feira, 11 de julho de 2025

VA - Blueberry Hill - Big Band Favorites From The '40s

Artista: Blueberry Hill
Lançamento: 2006
Selo: Reader's Digest / The World's Most Beautiful Melodies
Gênero: Big Band, Swing, Easy listening  


"Blueberry Hill" compõe um álbum magnífico, de fácil audição que abrange diferentes estilos de interpretação da música popular da Segunda Guerra Mundial. Suave e reflexivo, traz ótimas lembranças em um CD que não se cansa de ouvir! Uma big band consiste, basicamente, de 12 a 25 músicos e contém primordialmente 4 naipes de instrumentos: os saxofones (2 saxofones altos - 1°e 3° sax altos; 2 saxofones tenores - 2° e 4° sax tenores; e 1 saxofone barítono - 5° sax barítono. Ocasionalmente 1 ou 2 saxofones sopranos), os trompetes, e trombones (3 trombones tenores e 1 trombone baixo), e a 'cozinha', é como é denominada nas big bands o naipe que executa predominantemente a base harmônica do grupo, e é formado de: guitarra, bateria, baixo ou contrabaixo e piano. Algumas big bands usam um terceiro naipe em sua formação que a amplia na execução harmônica e também em alguns solos, o naipe de cordas, composto de: violino, viola, violoncelo, e contrabaixo. Algumas Big Bands podem ainda admitir outros instrumentos como flauta, clarinete e instrumentos de percussão que variam de uma banda a outra dependendo do estilo e arranjo musical. Os termos banda de jazz, orquestra de jazz e dance band, também são usados. As músicas tocadas pelas big bands possui, geralmente, arranjos mais elaborados, muito frequentemente sendo previamente preparados e escritos em partituras. Ali, os solos e improvisações são executados nos momentos determinados no arranjo. É das Big Bands também que provém a expressão band leader que é assim chamado o artista no qual influencia toda a banda, que se inspira e o segue, por exemplo: na linguagem e dinâmica ao interpretar certas frases da musica. Esse artista geralmente é o 1º trompetista. Dentre as maiores big bands estão, por exemplo, as dos artistas: Maynard Ferguson, Dizzy Gillespie, Count Basie, Duke Ellington, Glenn Miller, Benny Goodman, Frank Sinatra Se você gosta de música memorável e de fácil audição, este é um álbum que você vai querer adicionar à sua coleção! Estou feliz por tê-lo como parte da minha coleção musical.


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segunda-feira, 21 de abril de 2025

VA - The Rough Guide to the Roots of Jazz

Artista: VA
Lançamento: 2021
Selo: Music Rough Guides / World Music Network
Gênero: Dixieland, Swing 

Os estilos musicais mais vibrantes da América do Norte foram gradualmente sofrendo modificações e em 1910 o Ragtime e o Blues estavam se tornando Jazz. No ano de 1917 a primeira gravação sob a chancela de Jazz já se encontrava nas lojas dos EUA. De um modo geral, o público comprava sem ter o conhecimento exato do novo gênero. A música que se tornaria conhecida como Jazz era executada em New Orleans e em outras partes do Sul dos EUA por muitas bandas como as lideradas por músicos tais como: Buddy Bolden, Frankie Dusen, Jack Laine, Tom Brown e outros. A Creole Jass Band do baixista Bill Johnson é considerada a primeira banda de New Orleans a tocar esse estilo de música fora do Sul dos EUA, se integrando e viajando pelo circuito de teatro vaudeville de 1914 a 1918. O bandleader Bert Kelly de San Francisco afirmava ter tocado Jazz em 1914 e depois em Chicago em 1915. Ambos os grupos Brown's Dixieland Jass Band e Stein's Dixieland Jass Band atuaram em espetáculos e “vendiam” o estilo de Jass Band em Chicago em 1916. Contudo, nenhuma dessas bandas gravou discos até 1917 e muitas jamais deixariam registros fonográficos. A história padrão do Jazz considera a primeira gravação aquela feita pela Original Dixieland Jass Band (ODJB) com os temas ― Dixie Jass Band One Step (J. Russel Robinson / Nick LaRocca) e Livery Stable Blues (Ray Lopez / Yellow Nuñez). Esta gravação foi feita no selo Victor (Talking Machine Co.) na data de 26 de fevereiro de 1917 em New York. O lançamento ocorreu em março do mesmo ano tendo obtido um sucesso imediato, de tal forma que se tornou a centelha que inflamou a novidade JAZZ espalhando-o por todo o mundo, durante e após a 1ª Guerra Mundial. Os membros da ODJB eram músicos brancos naturais de New Orleans que atuaram na Papa Jack Laine's Reliance Brass Band antes de deixarem a cidade em 1916 para formar a ODJB, competentes mas não propriamente representativos do gênero, liderados pelo cornetista Dominic James La Rocca e mais Larry Shields (cl), Henry Ragas (pi), Edwin Eddie Edwards (tb) e Tony Sbarbaro (bat). Inicialmente foram para o norte tocar em Chicago sob o nome de Stein's Dixieland Jass Band no Schiller's Cafe na 31st street. Após uma desavença com o líder baterista Johnny Stein o resto da banda arranjou trabalho no Del' Abe Cafe do Hotel Normandy localizado na Clark & Randolph Street, empregando então o título de Original Dixieland Jass Band adicionando o baterista Tony Sbarbaro. Depois foram para o Casino Gardens na North Clark com a Kinzie Street, ainda em Chicago. O local era um ponto de reunião popular do pessoal envolvido com o show business. Foi ali que o famoso cantor de vaudeville Al Jolson ouviu a banda e a recomendou para um agente teatral Max Hart de New York que fechou temporada do grupo no sofisticado Reisenweber's Restaurant situado na Columbus Circle uma região da Broadway, estreando a 15/janeiro/1917, de início como uma atração menor das segundas-feiras. Entretanto o sucesso foi enorme advindo logo a primeira gravação e depois várias outras. Esta é a versão padrão da primeira gravação sob a chancela de música de Jazz. Freddie Keppard um soberbo cornetista afro-americano de New Orleans em 1916 foi convidado por 2 companhias fonográficas, contudo recusou receoso de que tendo seu estilo perpetuado em disco fosse muito copiado. Keppard só entrou no estúdio em 1918 com a Creole Jass Band. O Jazz perdeu assim a oportunidade de ter sua certidão de nascimento fonográfico assinada por um afro-americano! Afinal a música era deles! O primeiro disco 78rpm de 10 polegadas gravado pela ODJB, editado comercialmente a 15 de março daquele ano com o n° 18.255 e vendido ao preço de 75 cents, na verdade não foi a primeira gravação fonográfica publicada que se referia à música como Jazz na canção título, mesmo a banda sendo denominada de JASS BAND. Existem convincentes argumentos de que a edição do cilindro pela Edison Blue Amberol da canção ― That Funny Jas Band From Dixieland (música por Henry L. Marshall e letras por Gus Kahn) interpretada em vocal pela dupla de cômicos Arthur Collins & Byron Harlan tenha sido de fato a primeira gravação supostamente de “Jazz” ocorrida em 8 de dezembro de 1916, contudo os instrumentistas são desconhecidos. Esta é a primeira gravação conhecida a usar o termo Jas, mais tarde conhecido como Jass e Jazz. A dupla Arthur Collins & Byron Harlan regravou outra versão do tema em janeiro de 1917 publicada pela Victor um mês após da gravação da ODJB. As partes instrumentais, fraseado, breaks, etc. dessa versão de That Funny Jas Band From Dixieland são mais adequadas ao estilo Jazz do que as executadas pelos rapazes da ODJB, contudo não obtiveram a mesma oportunidade da ODJB e o consequente maior sucesso. O artista menestrel George H. O'Connor gravou uma canção chamada Ephraham's Jazbo Band a 10/fevereiro/1917 para piano e vocal, porém foi tida como Ragtime. O'Connor era branco mas atuava com o rosto pintado de preto o que influenciou mais tarde Al Jolson a fazer o mesmo no filme O Cantor de Jazz de 1925. A Borbee's Jass Orchestra gravou 2 canções ― It's A Long, Long Time e Just The Kind Of Girl You'd Love To Make Your Wife a 14/fevereiro/1917, porém o disco só foi publicado em julho após o sucesso da ODJB. Em princípio a banda teria o nome de Borbee's Tango Orchestra, contudo o Tango foi mudado para Jass na esteira do sucesso comercial da ODJB. Outro tema a ser gravado com a palavra Jass no título foi ― Everybody Loves A Jass Band original de Arthur Fields. A gravação ocorreu a 15/março/1917 e editada em julho do mesmo ano. O encarte deste disco da Edison Records vinha com os dizeres: ― "Do you love a 'Jass' band?" seguido da frase ― "Indubitavelmente gostaria, se soubesse o que é, mas ao ouvir esta canção você passará a saber o que é uma Jass Band !". Fonte: https://charutojazz.blogspot.com

(*) - TIN PAN ALLEY - expressão que designou um local ao sul da ilha de Manhattan em New York, próximo a Union Square (entorno da rua 28), onde a partir do início do século XX concentraram-se as casas editoras de música e que passaram a dominar inteiramente o mercado de música popular.


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quarta-feira, 16 de abril de 2025

The A-Z Encyclopedia Of Jazz (2xCD)

Artista: VA
Lançamento: 1996
Selo: RETRO (The Gold Collection)
Gênero:  Dixieland, Swing


O jazz é, sem dúvida, a música mais livre do planeta. Nela é permitido ao músico esquecer as regras e os dogmas criados pelo mundo e ao ouvinte entregar-se ao feitiço e pureza do seu ritmo. Quando surgiu, no final do século XIX e início do século XX, no sul dos Estados Unidos, principalmente na cidade de Nova Orleans, o jazz foi considerado profano. No início do ano de 1800, os escravos se reuniam na Praça do Congo para tocar suas músicas e mostrar suas danças tradicionais. Os negros norte-americanos foram os porta-vozes do jazz. Cantado ou tocado eles fizeram do jazz a sua identidade, que é respeitada e admirada até hoje em todo o mundo. embora a maioria dos historiadores considera o ano de 1935 como o início da era das ‘Big Bands’, o tema é discutível, pois o jazz das Big Band já tinha sido gravado em 1920. Em 1917, a ‘Original Dixieland Jazz Band’ gravou os primeiros discos na história do jazz. A homenagem não é concedida a esta verdadeira pioneira do gênero, pois, esses historiadores consideram esse pequeno grupo como uma simples imitação, uma banda pobre. Entretanto, as suas gravações venderam mais de um milhão de cópias e permitiram que o jazz fosse ouvido em todo o país. O jazz começou em Nova Orleans, com Oliver King, no início de 1900. O som do jazz foi difundido pelos músicos e bandas como entretenimento nos barcos que navegavam pelo Mississippi. Na década de 20 começou a migrar para um formato de big band que combinavam elementos do ragtime, spirituals, blues e música européia. Duke Ellington, Ben Pollack, Don Redman e Fletcher Henderson eram os líderes das primeiras grandes bandas. Depois vieram os bandleaders Coleman Hawkins, Benny Goodman, Glenn Miller, Red Allen, Roy Eldridge, Benny Carter e John Kirby. Enquanto esses músicos estavam tocando big band jazz, a popularidade da dance band jazz nos hotéis da década de 20 também foi um fator importante na evolução da era das Big Bands.



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segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

Boxset: Les Trésors Du Jazz - 1944-1951

Artista: VA
Lançamento: 2002
Selo: Le Chant Du Monde
Série: Boxset 'Les Trésors Du Jazz' (10 CD)
Gênero: Swing, Big Band, Bop, Cool Jazz, Mainstream Jazz

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