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segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Chet Baker & Miles Davis - With The Lighthouse All Stars (2003)

Lançamento: 2003
Selo: The Jazz Factory
Gênero: Bop, Cool Jazz

A gravação histórica de 13 de setembro de 1953 no lendário clube The Lighthouse (em Hermosa Beach, Califórnia) documenta um momento singular do jazz moderno. Lançado e reeditado em compilações sob títulos como At Last! ou Chet Baker & Miles Davis • With The Lighthouse All Stars, este registro documenta o encontro no mesmo palco e na mesma tarde dos dois maiores expoentes da trompete do Cool Jazz. Contexto e curiosidades históricasdo Templo do West Coast Jazz, o Lighthouse Café era o epicentro do jazz da Costa Oeste americana. Sob o comando do baixista Howard Rumsey, o grupo residente — The Lighthouse All Stars — servia de laboratório para arranjadores e virtuoses da região. A presença simultânea de Miles e Chet em meados de 1953, onde Miles Davis estava na Califórnia tentando se reestruturar pessoal e profissionalmente e  Chet Baker, por sua vez, havia estourado na cena internacional ao lado do quarteto sem piano de Gerry Mulligan. Embora o CD traga ambos no título, eles não dividiram a mesma sessão de improviso em estúdio nem gravaram juntos em sexteto fixo no mesmo segundo: o álbum reúne as apresentações gravadas naquela mesma jam session de domingo, em formações alternadas com a banda da casa. A gravação reúne uma verdadeira constelação do jazz da época, dividida entre os conjuntos de apoio e a linha de frente. Nos trompetes, destacam-se Miles Davis, Chet Baker e Rolf Ericson, enquanto a seção de palhetas traz a precisão de Bud Shank no sax alto e barítono, Bob Cooper no sax tenor, e Jimmy Giuffre no sax tenor e nos arranjos. A sustentação rítmica e harmônica conta com o piano intercalado de Lorraine Geller, Russ Freeman e Claude Williamson, a condução firme do contrabaixista Howard Rumsey e o impulso de Max Roach na bateria, cuja presença adiciona a propulsão rítmica do Bop nova-iorquino ao grupo californiano. A estrutura do álbum passa por momentos marcantes do repertório. Em At Last, o grupo oferece uma interpretação lírica do clássico de Harry Warren com Miles Davis ao lado dos All Stars. Na sequência, a balada 'Round Midnight traz uma abalizada leitura da obra de Thelonious Monk, antecipando a clássica interpretação que Miles imortalizaria anos mais tarde. A energia eleva-se em A Night In Tunisia, uma performance expansiva e de fôlego bop com andamento acelerado liderada por Miles Davis, Rolf Ericson, Bud Shank e Max Roach. Já nas faixas Pirouette e Witch Doctor, com Chet Baker, Jimmy Giuffre e Russ Freeman, sobressaem-se os típicos arranjos do West Coast com dinâmicas contrapontísticas. Encerrando esse painel, Infinity Promenade, composição de Shorty Rogers, oferece espaço para solos longos reunindo Miles Davis, Chet Baker e os All Stars. Do ponto de vista estético e de produção, o álbum oferece um estudo sobre a dualidade do trompete no jazz dos anos 1950. A audição comparativa no mesmo espaço acústico revela a divergência de linguagem entre os dois mestres. Miles Davis apresenta um som mais incisivo, focado na escolha harmônica das notas, no uso do espaço e no silêncio; seus ataques contêm o timbre áspero e o fraseado sinuoso herdado de Charlie Parker, demonstrando a intenção de romper com a polidez técnica em favor da tensão emocional. Em contrapartida, Chet Baker exibe um lirismo fluido e instintivo, caracterizado por um fraseado melódico, construído com um sopro aveludado e uma continuidade linear que se encaixa perfeitamente na estética arquitetada do West Coast Jazz. Do ponto de vista estético e de produção, o álbum oferece um estudo sobre a dualidade da trompete no jazz dos anos 1950 o contraste estilístico (Miles vs. Chet), audição comparativa no mesmo espaço acústico revela a divergência de linguagem entre os dois mestres: Miles Davis: Apresenta um som mais incisivo, focado na escolha harmônica das notas, no espaço e no silêncio. Seus ataques contêm o timbre áspero e o fraseado sinuoso herdado de Charlie Parker, demonstrando a intenção de romper com a polidez técnica em favor da tensão emocional. Chet Baker: Exibe um lirismo fluido e instintivo. Seu fraseado é melódico, construído com um sopro aveludado e uma continuidade linear que se encaixa perfeitamente na estética arquitetada do West Coast Jazz. Qualidade do áudio e valor histórico por tratar-se de uma gravação ao vivo feita em 1953 num ambiente de clube, a captação de áudio apresenta limitações inerentes de balanceamento e resposta de frequência. No entanto, a autenticidade e o frescor da jam session superam qualquer imperfeição técnica. O registro captura a espontaneidade sem o rigor dos estúdios comerciais da época. Considerações finais mostra Chet Baker & Miles Davis no With The Lighthouse All Stars um documento indispensável para compreender a evolução da trompete moderna e a convivência das vertentes Hard Bop e Cool Jazz. É um álbum que registra um momento único em que os caminhos de duas lendas se cruzaram no mesmo palco californiano.

Saxofone Alto, Saxofone Barítono – Bud Shank
Baixo – Howard Rumsey
Bateria – Max Roach (faixas: 1a3), Shelly Manne (faixas: 4,5)
Piano – Claude Williamson (faixas: 4,5), Russ Freeman (faixas: 1a3 
Saxofone tenor – Bob Cooper (faixas: 3a5), ​​Jimmy Giuffre (faixas: 1,2)
Trompete – Chet Baker , Rolf Ericson & Miles Davis 

Gravado ao vivo no The Lighthouse, Hermosa Beach, Califórnia; domingo, 13 de setembro de 1953


Boa audição - Namastê

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Podcast JazzMan! nº 9: Max de Castro

O Podcast JazzMan! nº 09 traz a obra de Max de Castro, um dos maiores artistas da sua geração.
A música brasileira é conhecida no mundo inteiro por sua diversidade e capacidade hábil de se fundir aos mais diversos gêneros musicais. Muitos deles como o jazz, hip-hop, rock, soul e funk não são genuinamente brasileiros, mas gradativamente foram se fundindo à nossa cultura, tornando-se parte da nossa linguagem musical. Um artista que representa muito bem esse processo é o cantor e multi-instrumentista Max de Castro.

Max não tem um estilo musical e uma maneira de tocar pré-definidos. Seu trabalho é uma constante busca por diferentes sonoridades e texturas, resultando num som "novo" e peculiar. Seu ouvido produtivo e seu senso de oportunidade fazem de Max de Castro um dos artistas mais criativos da sua geração.

Seu trabalho transita numa linha que vai das raízes até o que há de mais moderno na música contemporânea. Samba, Baião, Jazz, Soul, Funk e muito outros gêneros se misturam a batidas eletrônicas, efeitos e distorções, que fazem da sua música algo atraente e imprevisível.

A criatividade de Max de Castro também é perceptível em suas letras. Com temas que reverenciam a cultura brasileira e seus protagonistas, como Cartola e Pixinguinha, além de outras que focam questões políticas, sociais e cotidianas, Max se destaca como um compositor que funde vida e arte numa coisa só. Letras como Silêncio No Brooklyn e Mancha Roxa são retratos fiéis da sociedade atual e demonstram uma visão progressista do compositor para os nossos problemas.

A música de Max de Castro ainda não é muito difundida pelo país, sendo restrita a um pequeno grupo de admiradores árduos por sua obra desafiadora, que requer sensibilidade e atenção do ouvinte para uma discografia em constante progresso. De fato, sua música não é radiofônica, o que - curiosamente - é um ponto positivo nos dias de hoje. Não que ela não mereça ser executada no rádio, mas sua arte está totalmente descomprometida com esse padrão radiofônico atual, cheio de clichês e vazio no ponto de vista estético. Mas Max não se preocupa muito com isso, mostrando que está no caminho certo ao arquitetar projetos originais e fora dos padrões. Se no Brasil não é muito conhecido, sua originalidade vem abrindo os olhos de adeptos espalhados pelo mundo. Em 2001, Max estampou a capa de uma edição especial sobre música da revista americana Time, que o listou entre grandes nomes da música mundial. “Max é o talento musical mais original surgido no Brasil nas últimas três décadas”, ratificou a revista.

Ouça o podcast JazzMan! nº 9 e viaje com a música de Max de Castro.

Programa:

01-O Futuro Pertence À Jovem Vanguarda [Instrumental]
02-A História da Morena Nua Que Abalou as
Estruturas do Esplendor do Carnaval
03-Samba Raro
04-Afrosamba
05-Balanço das Horas
06-Silêncio No Brooklyn
07-lá vem o homem que matou o homem
(Lanny Gordin & Max de Castro)
08-Candura
09-Pra Você Lembrar
10-Stereo
11-O Nego Do Cabelo Bom
12-não identificado (Lanny Gordin & Max de Castro)
13-Iluminismo
14-Mancha Roxa (Marcha Rancho)
15-Onda Diferente
16-Programa
17-Pixinguinha Superstar
18-Acapulco, Daqui a Pouco [Instrumental]
19-10-Assim é...se lhe parece

Ouça:

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Last Fm Max de Castro
Time Magazine em referência a Max