As proximas postagens traz em sua integra o ambicioso box set "Triumphs Of The Blues" (frequentemente catalogado sob o título europeu/francês "Les Triomphes du Blues", lançado pelo selo Habana/distribuições especializadas) representa um marco colossal na arquivística fonográfica do gênero. Composto por 20 CDs remasterizados e apresentados em embalagens individuais (cardboard sleeves), esta coleção funciona menos como uma simples coletânea comercial e mais como um verdadeiro museu portátil da música afro-americana, mapeando a evolução do blues desde as raízes rurais do Delta do Mississippi até as metrópoles industriais do pós-guerra. O contexto histórico e curadoria no início dos anos 2000, uma época áurea para a salvaguarda de arquivos fonográficos históricos, o box adota uma abordagem temática e geográfica estrito-sensu. Diferente de coletâneas cronológicas lineares, "Triumphs Of The Blues" agrupa os discos por escolas regionais, subgêneros e papéis de gênero (como o protagonismo feminino). O mérito crítico da curadoria evita os clichês puramente comerciais ao resgatar gravações raras de 78 RPM (muitas delas licenciadas de catálogos de preservação rigorosa, ecoando o rigor de selos como a Document Records) trazendo a crítica técnica no processo de remasterização lida admiravelmente bem com o ruído de fundo inerente aos acetatos e matrizes dos anos 1920 e 1930, embora em alguns discos os filtros de redução de ruído (noise reduction) possam suprimir sutilmente a "respiração" original dos instrumentos acústicos. Já a estrutura de conteúdo por blocos temáticos (panorama dos 20 CDs), em buscar análise de um volume tão vasto, a obra pode ser dividida criticamente em cinco grandes pilares estéticos: 01: As raízes rurais e a diáspora do Delta (Ex: CDs dedicados ao Delta, Mississippi e Country Blues) com destaques na imortalização de lendas primordiais como Charley Patton, Robert Johnson, Son House e Bukka White perfazendo o coração telúrico do box, onde o violão slide e as letras de forte teor confessional e místico moldam o arquétipo do bluesman. 02: A vertente Texana e o virtuosismo do violão (Ex: Texas Blues) com destaques ao focar na sofisticação melódica de Blind Lemon Jefferson e na transição para o jazz e o R&B com T-Bone Walker, cujos acordes prefiguraram a era da guitarra elétrica. 03: O empoderamento e o monopólio das grandes vozes femininas (Ex: Chanteuses de Blues / Classic Blues) com destaques aos volumes essenciais que resgatam matronas e pioneiras do 'vaudeville blues' como Bessie Smith, Ma Rainey, Memphis Minnie, Ethel Waters e incursões de jazz com Billie Holiday e Ella Fitzgerald desmistificando a ideia de que o blues inicial era um reduto exclusivamente masculino. 04: A eletrificação e a mutação urbana (Chicago, Detroit e Jump Blues) com destaques ao mapeiar a migração em massa dos negros do sul rural para o norte industrial. John Lee Hooker (Boogie Chillen), Muddy Waters e nomes do jump blues e piano blues mostram como o ritmo ganhou volume para competir com o barulho dos juke joints urbanos. 05: O aprofundamentos regionais e mestiçagens com destaques de discos dedicados às ramificações da Louisiana, Costa Leste (East Coast Blues) e harmonica Blues, demonstrando a versatilidade de um gênero que se adaptava a cada microclima cultural dos Estados Unidos. Já a curiosidades e análise crítica de produção é o Enigma do Embalamento. O formato original em caixas de papelão minimalistas priorizou o apelo de colecionador purista europeu, embora exija cuidado extremo no manuseio para evitar o desgaste das mídias. O impacto documental é historicamente na caixas com essa amplitude serviram na virada do milênio para introduzir a nova geração de ouvintes digitais à vastidão pré-bélica do blues, preenchendo lacunas que compilações de uma única gravadora (como RCA ou Columbia) isoladamente não conseguiam cobrir. O ponto fraco fica na ausência de um libreto (liner notes) multilíngue e fartamente ilustrado em algumas tiragens limitadas, diminui o escopo acadêmico do produto e exigindo que o ouvinte recorra a enciclopédias externas para contextualizar a discografia de cada faixa. Minha avaliação de audiofilo e curador de anos do genero. Minha avaliação de “Triumphs Of The Blues" não fica apenas em uma caixa de CDs exposata na estante sem uso continuo mas uma monumental arqueologia sonora, documentando o momento em que a dor da segregação e do trabalho braçal se transformou na fundação de toda a música popular ocidental contemporânea.” Veredito: Indispensável para historiadores de música, universidades, colecionadores sérios e amantes da arte dos dozes compasos. Minha nota Técnica/Artística: 9.2 / 10 (Perde décimos apenas pela esparsa documentação de texto em edições específicas, compensada integralmente pela altíssima relevância do repertório sonoro resgatado).
Boa audição - Namastê








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