Artista: VA
Álbum: From Blues To Jazz CD20
Lançamento: 2001/02/03
Selo: Habana
Gênero: Chicago Blues, Country Blues, Delta Blues, Jump Blues, Louisiana Blues, Piano Blues, Rhythm & Blues, Texas Blues, East Coast Blues, Vaudeville Blues
O Volume 20 da coleção Les Triomphes du Blues (PolyGram / Sélection du Reader’s Digest), intitulado From Blues To Jazz, coroa a monumental série ao examinar o limiar onde a crueza catártica do blues rural e pré-guerra cede espaço à sofisticada arquitetura harmônica do jazz orquestral. Este volume cumpre um papel historiográfico essencial ao demonstrar que o jazz moderno não substituiu o blues, mas o absorveu como matéria-prima primordial, transmutando o sofrimento individual em polifonia coletiva de alto refinamento estético. Pontos Fortes da curadoria acerta ao contrapor a genialidade arquitetônica de Ellington com a leveza rítmica e o balanço visceral de Basie. A masterização preserva o calor acústico das grandes salas de gravação e a dinâmica natural dos arranjos orquestrais, oferecendo um valor documental inestimável sobre a simbiose entre as duas matrizes musicais afro-americanas. Limitações da transição para o formato de grandes orquestras afasta o ouvinte da atmosfera íntima e rústica das gravações de campo primitivas, diluindo ocasionalmente a aspereza confessional típica do blues de raiz. Apesar de a estética deste volume ser dominada por naipes de sopros sofisticados e pianos de cauda, a gênese da instrumentação jazzística remonta diretamente às adaptações artesanais dos primórdios — como o uso rítmico de tábuas de lavar (washboards) e garrafas (jugs) que imitavam a síncopa de uma percussão complexa. Nas sessões originais de Ellington e Basie gravadas entre as décadas de 1930 e 1940, a amplificação magnética e os microfones de fita da época capturaram a respiração exata das big bands, revelando como a técnica instrumental de solistas e a precisão das seções rítmicas transformaram o vocabulário elementar do blues em uma linguagem universal de vanguarda. Mais do que o encerramento de uma discografia, este volume sela a constatação de que o blues e o jazz são faces da mesma moeda cultural. Um documento sonoro definitivo que eterniza a maior metamorfose da música moderna. A sutil fronteira sonora, o diálogo entre o Blues urbano e a orquestração no Jazz do mapeamento artístico do Volume 20 evidencia a complexa transição em que o vocabulário elementar do blues se expande para a grandiosidade harmônica do jazz orquestral. Longe de representar uma cisão estilística, a curadoria agrupa dois mestres cujas abordagens instrumentais e técnicas executivas revelam as múltiplas faces da modernidade afro-americana. Duke Ellington e a complexidade orquestral do Harlem Blues no polo da sofisticação sinfónica, Ellington estrutura a sua identidade sonora através de um piano de toque percussivo e orquestral, secundado por uma seção completa de sopros (big band) e contrabaixo acústico. A sua linguagem técnica destaca-se pelo uso avançado de dissonâncias harmônicas, texturas timbrísticas complexas e voicings densos ao piano, resultando em arranjos que dialogam diretamente com a raiz visceral do blues urbano. Count Basie e a economia rítmica do Kansas City Swing em contrapartida, Count fundamenta a sua sonoridade num piano minimalista — ancorado em técnicas de stride e comping econômico —, numa seção rítmica de precisão cirúrgica e em naipes de metais altamente dinâmicos. A sua identidade executiva caracteriza-se por um swing implacável em compasso 4/4, pelo uso expressivo do silêncio e por repetições rítmicas de grande economia, conferindo ao conjunto um balanço descontraído e profundamente enraizado na estrutura clássica do blues de doze compassos. Em suma, a articulação entre a densidade harmônica de Ellington e a precisão rítmica de Basie demonstra como a instrumentação avançada e o rigor técnico serviram para elevar o blues ao patamar universal das grandes orquestras. Fechando as cortinas de Les Triomphes du Blues, esta obra monumental consagra-se como o testamento definitivo da modernidade sonora. Mais do que uma simples coletânea, revela-se como o arquivo sagrado onde a centelha crua do Delta se transmutou na arquitetura monumental do jazz: o testemunho irrevogável de que a alma do blues nunca desaparece, apenas evolui para reinar eternamente. A monumental jornada de Les Triomphes du Blues atinge o seu cativeiro definitivo É a prova irrevogável de que o lamento rural primitivo e a sofisticada vanguarda orquestral não são caminhos opostos, mas o mesmo sangue a pulsar na grande alma da música moderna.
Boa audição - Namastê










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