Álbum: A Taste Of Tequila
Lançamento: 1966
Selo: World Pacific Records
Gênero: Easy Listening, Latin Jazz
Lançado no início de 1966 pelo selo World Pacific Records (gravado em dezembro de 1965 nos estúdios Sunset Sound, em Los Angeles), o álbum A Taste of Tequila, creditado a The Mariachi Brass Featuring Chet Baker, representa um dos episódios mais curiosos, controversos e comerciais na extensa discografia do lendário trompetista norte-americano. Distanciando-se do bebop complexo e do Cool Jazz intimista que o consagraram nos anos 1950, este registro foi concebido estritamente para capturar a onda mercadológica do gênero Easy Listening e do som "Tijuana", popularizado na época por Herb Alpert & The Tijuana Brass. Curiosidades históricas e de produção na Onda Herb Alpert na metade dos anos 1960, o estilo "Tijuana Brass" dominava as paradas de sucesso da Billboard. A World Pacific, sob o comando do produtor Richard Bock (empresário histórico de Chet), decidiu criar uma "banda fantasma" para competir no mercado pop instrumental. A situação financeira de Chet Baker recém-retornado da Europa e enfrentando graves problemas pessoais e legais decorrentes do vício em entorpecentes, Chet aceitou gravar a série como uma forma rápida de subsistência financeira e cumprimento contratual. Sucesso de vendas e continuações apesar da reação fria da crítica especializada da época, o álbum obteve relativo êxito comercial, o que levou a gravadora a lançar mais três álbuns com a mesma fórmula entre 1966 e 1967 (Hats Off, Double-Shot e In the Mood). Transição instrumental nesta sessão, Chet toca predominantemente flugelhorn (dessafinado em alguns registros com uma sonoridade mais encorpada e suave do que seu habitual trompete em B♭). Os músicos e a ficha técnica ao contrário do que o nome sugere, "The Mariachi Brass" não era um conjunto autêntico mexicano de mariachi, mas sim um grupo de estúdio (session musicians) de Los Angeles reunido para as gravações: Solista Principal / Chet Baker (flugelhorn), Trompete de Apoio e liderança de metal / Tony Terran (renomado trompetista da cena de estúdios de Hollywood e membro da famosa Wrecking Crew). Metais adicionais / Marcus Cabuto, Jerry Williams e músicos de estúdio não creditados.A supervisão e Direção Musical: Dave Pell. Arranjos e Condução / Jack Nitzsche (famoso colaborador de Phil Spector, The Rolling Stones e Neil Young, responsável por dar polimento pop às faixas) bem como a produção / Richard Bock. O repertório do álbum estrutura-se em arranjos curtos e diretos, com faixas de duração entre dois e três minutos, mesclando temas populares mexicanos, pop country e grandes sucessos radiofônicos da época. A abertura traz Flowers on the Wall, de Lew DeWitt, numa elegante releitura instrumental do sucesso do grupo The Statler Brothers. Na sequência, o clássico Tequila, assinado por Chuck Rio, resgata a energia do rock'n'roll e do mambo dos anos 1950, sendo conduzido por linhas de metais extremamente alegres. A atmosfera festiva do universo tex-mex ganha vida em Mexico, composição de Boudleaux Bryant marcada por um andamento pulsante e descontraído. A transição para dinâmicas mais contemplativas ocorre em Cuando Calienta el Sol, de Rafael Gastón Pérez, uma balada latina em que sobressaem linhas melódicas mais suaves e aveludadas. O álbum explora ainda a sofisticação da música pop americana em Twenty Four Hours from Tulsa, clássico da dupla Burt Bacharach e Hal David adaptado com um distinto sotaque latino nos arranjos de metais. Por fim, o apelo comercial e festivo da obra é reforçado com temas de ritmo acelerado como Speedy Gonzales e o tradicional tema folclórico La Bamba, garantindo uma fluidez rítmica e de fácil assimilação do início ao fim. Analisado no contexto do jazz moderno, A Taste of Tequila divide opiniões e expõe a tensão entre a arte do improviso e a indústria do entretenimento comercial da década de 1960: A principal limitação estética do disco reside na ausência quase total do lirismo e dos fraseados harmônicos intrincados que definem a identidade de Chet Baker. As intervenções de flugelhorn são curtas, presas à melodia principal da partitura, sem espaço para o desenvolvimento de solos expansivos ou interações rítmicas com a cozinha. Se o álbum falha como obra de jazz purista, funciona com precisão como registro de Pop Instrumental / Easy Listening. Os arranjos de Jack Nitzsche são eficientes, limpos e utilizam a percussão latina (maracas, pandeiros, violões rítmicos) para criar uma atmosfera despretensiosa, festiva e ensolarada. Ainda que o projeto fosse nitidamente um trabalho mercantilista ("mercenário" no sentido profissional da palavra), a sonoridade inconfundível do sopro de Baker ainda transparece nas faixas mais lentas, como em "Cuando Calienta el Sol" e "Twenty Four Hours from Tulsa". O timbre permanece aveludado e melancólico, criando um contraste curioso com os arranjos efusivos que o cercam. A Taste of Tequila é um documento histórico fascinante sobre as pressões comerciais que afetaram grandes nomes do jazz em meados dos anos 1960. Não deve ser avaliado com o mesmo rigor acadêmico de suas sessões com Gerry Mulligan ou de suas gravações europeias de baladas, mas sim como um item de colecionador e um exemplo curioso de transição de gênero na carreira de Chet Baker.
Boa audição - Namastê



















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