Artista: Chet Baker
Lançada em 2008 pela gravadora EmArcy (Universal Music) como parte da prestigiada coleção Jazzclub, a compilação remasterizada Chet Baker – Tenderly sintetiza o auge do lirismo e do refinamento instrumental que consagraram Chet Baker como o maior ícone do Cool Jazz. Composta por 15 faixas cuidadosamente selecionadas, a obra reúne sessões históricas gravadas nos meados dos anos 1950 — período em que Chet exibia um domínio melódico irretocável. Curiosidades históricas e de produção das sessões Européias e de Paris (1955–1956), Grande parte do material do álbum deriva das célebres sessões captadas na França para o selo Barclay. O arranjador e pianista francês René Urtreger e o saxofonista Pierre Michelot acompanham Chet num período crucial de sua transição artística pela Europa. A ausência proposital dos vocais ao contrário de compilações mais comerciais focadas no carisma vocal do músico (como Chet Baker Sings), Tenderly foca no Chet virtuoso do trompete, priorizando a linguagem estritamente instrumental e a construção harmônica de baladas e standards. A curadoria do selo EmArcy, braço histórico de jazz da Mercury Records, resgatou másters de alta fidelidade para o lançamento de 2008. A engenharia de som aplicou remasterização digital moderna mantendo o calor das fitas analógicas originais dos anos 50. Os músicos e seção Rítmica ao longo das faixas, Chet Baker divide o estúdio com formações de apoio americanas e europeias de primeiro nível como Russ Freeman (seu colaborado fundamental no início da carreira) e René Urtreger nos pianos, Carson Smith e Pierre Michelot baixista de longas datas, Bob Neel e Jean-Louis Viale excelentes baterista e Bob Zieff, Saxofones / Arranjos de faixas como "Sad Walk" e "Vline". Destaques do repertório fica para:"Sad Walk" e "Tasty Pudding", peças compostas por Bob Zieff e Al Cohn, respectivamente, que abrem o CD demonstrando o contraponto inteligente e as dinâmicas contidas características do estilo West Coast, "Tenderly" faixa-título entrega uma performance contemplativa, na qual Chet explora o registro médio do trompete com notas sustentadas e um uso expressivo do ar, "Autumn In New York" e "Summertime", leituras profundas de dois dos maiores padrões do Great American Songbook, destacando o fraseado espaçado e sem artifícios e "Piece Caprice" e "Chik-Eta", exibições de articulação impecável em andamentos médios, revelando o controle técnico do músico sem perder a leveza poética. Do ponto de vista estético e da linguagem do jazz, Tenderly serve como uma cartilha sobre a economia de notas e a sensibilidade do espaço acústico. Diferente da tradição do Bop novaiorquino — marcada pelo virtuosismo pirotécnico e andamentos vertiginosos —, o sopro de Chet Baker em Tenderly apoia-se no timbre aveludado e na escolha rigorosa de notas essenciais. Há um domínio magistral da dinâmica pianissimo, na qual o ar no interior do instrumento torna-se elemento integrante da textura musical. Mesmo sem utilizar a voz nesta seleção, a execução de Chet permanece essencialmente vocal. O músico reconstrói as linhas melódicas originais das composições como se estivesse cantando através do trompete, utilizando um vibrato sutil ao final das frases e mantendo um lirismo contínuo. A edição de 2008 destaca-se pelo equilíbrio de frequências. O contrabasso de apoio ganha corpo no espectro grave sem soar turvo, enquanto as frequências médias do trompete sobressaem-se com clareza cristalina e intimismo. Chet Baker – Tenderly (2008) é um registro refinado que celebra a essência lírica de um dos trompetistas mais influentes da história do jazz. Trata-se de uma obra indispensável para apreciadores da estética Cool e do tratamento poético de baladas clássicas.
Boa audição - Namastê
















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