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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Boxset: La Grande Histoire Du Jazz, do Ragtime ao Swing 1898-1952 (25CDs)

Lançamento: 2009
Selo: Le Chant du Monde 
Gênero: Swing, Ragtime, Big Band, Early Jazz, New Orleans Jazz, Dixieland, Harlem Stride Piano, Gipsy Jazz (Jazz Manouche), Negro Spirituals/Gospel

A memória como matéria-prima: O jazz e o olhar retrospetivo é o arcabouço do décimo nono volume da coleção "La Grande Histoire du Jazz" atuando como um desfecho necessário para o fervor iconoclasta do CD18. Se o volume anterior levou o gênero ao limite da abstração e da desconstrução formal, o CD19 opera como um ato de consolidação e resgate. É um registro que reconhece que, para o jazz, a inovação nunca é um processo linear de descarte do passado, mas uma espiral onde as tradições (o Blues, o Swing, o Bebop) são continuamente reincorporadas sob novas lentes. O pano de fundo deste volume é a era da "consciência histórica". O jazz aqui não busca apenas o "novo" pelo novo, mas aprofunda-se na análise de sua própria gramática. A estética é marcada pelo neoclassicismo improvisado em um existe contraste estético fascinante: a técnica é a do jazz moderno e audaz, mas o ethos é de reverência. É um momento em que os músicos, agora cientes do imenso peso cultural que carregam, começam a dialogar explicitamente com os fantasmas dos volumes iniciais desta mesma coleção. A técnica, neste volume, é pautada por um virtuosismo que serve à memória: A releitura dos standards: as composições clássicas são revisitadas, não como cópias, mas como laboratórios com improvisação explorando novas tensões harmônicas sobre estruturas que, aparentemente, já teriam sido esgotadas, provando a resiliência infinita do cancioneiro americano. O equilíbrio entre a Forma e a Liberdade é diferente da abstração total, aqui a forma é retomada como um alicerce, a música respira dentro de um "código" — um tema, um pulso, uma estrutura — mas o improviso mantém a audácia que a história do gênero tornou obrigatória. Já a "textura" como narrativa prende atenção aos detalhes dos timbre — o uso de surdinas, a manipulação de ressonâncias no piano, o trabalho de escovinhas na bateria — é levada a um grau de sofisticação que transforma a audição em uma experiência tátil, quase arquitetônica. A coletividade equilibrada, a hierarquia entre os músicos estabiliza-se novamente. O "líder" retorna como um curador de ideias e o grupo atua como uma unidade funcional, onde cada membro conhece o seu papel na manutenção da tensão emocional da peça. A tecnologia como instrumento de memória traz clareza sonora deste volume, permitendo perceber nuances que, nas gravações de época dos anos 20 ou 30 estavam submersas no ruído de fundo. É uma oportunidade única de ouvir "o passado com ouvidos modernos", permitindo que novos detalhes da articulação dos mestres sejam revelados. Os estúdios como biblioteca em muitas dessas sessões foram gravadas com o intuito deliberado de "preservação". O ambiente acustico reflete uma sobriedade quase acadêmica, onde cada take é encarado como um registro definitivo de uma tradição que não pode se perder. A "conversa" intergeracional é comum neste volume, ouvindo músicos que foram influenciados pela vanguarda tocando temas que foram imortalizados nos primeiros discos desta coleção. Esse diálogo entre épocas é o que confere a este volume o seu valor documental mais profundo. O CD19 é o volume da reconciliação e documentalmente é crucial por provar que a "liberdade" atingida nos volumes anteriores não isolou o jazz mas pelo contrário deu-lhe as ferramentas para voltar ao passado e compreendê-lo com muito mais profundidade. Para o ouvinte este disco é o convite final à contemplação: é o momento de olhar para trás e reconhecer que toda a complexidade e a abstração que ouvimos anteriormente eram, na verdade, apenas diferentes formas de expressar a mesma verdade universal contida no blues. Após fecharmos este vasto percurso por quase todos os estratos da história do jazz, eu lhe pergunto: ao final deste CD19, que encerra o ciclo de evolução, experimentação e retorno, você ainda vê o jazz como um gênero que precisa de "evolução técnica" para se manter relevante, ou você acredita que, neste ponto, o jazz tornou-se um idioma completo — uma língua que já não precisa de novas palavras, apenas de novos poetas que a usem para contar histórias que ainda não foram ditas?

Boa audição - Namastê

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Boxset: The Art Of The Piano, Trio, Quartet, Quintet And Beyond - VA (10xCDs)

Lançamento: 2020
Selo: The Intense Media/(Milestones of Jazz Legends)
Gênero: Bebop, Hard Bop, Cool Jazz

O CD3 desta prestigiada antologia funciona como uma linha de transmissão direta da própria evolução mecânica do piano de jazz. Concentrando-se em registros cruciais realizados entre as décadas de 1950 e 1960, o disco traça um paralelo fascinante entre o homem que traduziu a revolução de Charlie Parker para as 88 teclas — Bud Powell e o fraseado ágil, elegante e suingado de Kenny Drew. A curadoria deste terceiro volume se debruça sobre sessões em trio que demonstram como o piano se libertou definitivamente de seu papel meramente harmônico herdado da era do Swing para se tornar um elemento de vanguarda linear. As Sessões de Bud Powell (Anos 1950) é o pilar central do piano moderno. Nas faixas selecionadas (gravadas majoritariamente ao longo dos anos 50, abrangendo seu período de ouro na Blue Note e na Verve), a performance de Powell é de uma intensidade febril. Ele exibe sua característica técnica de emular o fraseado veloz dos saxofones com a mão direita, enquanto a mão esquerda pontua acordes secos e dissonantes. É um toque nervoso, de brilhantismo técnico incontestável, mas carregado de uma urgência emocional cortante. Os Músicos de Apoio para ancorar a mente turbulenta e genial de Powell, no CD3 resgata sessões com gigantes que definiram o ritmo do bebop. Entre os músicos de apoio destacam-se contrabaixistas do calibre de Ray Brown ou George Duvivier, e os lendários bateristas Max Roach ou Art Taylor. Essas seções rítmicas providenciam um suporte dinâmico veloz, respondendo aos ataques imprevisíveis de Bud com precisão cirúrgica. A Performance: Se Powell é o fogo da criação, Kenny Drew é a sofisticação da lapidação. As faixas de Drew presentes no CD3 (focadas no final da década de 50 e início de 60, período de álbuns clássicos como Pal Joey ou suas sessões em trio no Riverside) revelam um pianista de toque cristalino e articulação impecável. Drew absorveu a velocidade bebop de Powell, mas adicionou-lhe um calor profundamente melódico, influenciado pelo blues e por um senso de swing mais relaxado e fluído, característico do Hard Bop. As performances de Kenny Drew no disco são coroadas por parcerias de alto nível criativo. Ele é impulsionado por colossos como o mestre do contrabaixo Paul Chambers (famoso por seu trabalho com Miles Davis) e pelo dinâmico baterista Philly Joe Jones. Essa icônica seção rítmica transforma as faixas de Drew em verdadeiros tratados de balanço e entrosamento estrito, onde o trio respira como um único organismo. A Conexão Parisiense e a Expansão Europeia: Tanto Bud Powell quanto Kenny Drew compartilham uma curiosidade biográfica e geográfica marcante que ecoa na maturidade de seus estilos: ambos se mudaram para a Europa na virada dos anos 50 para os 60 buscando refúgio do racismo e das pressões da cena de Nova York. Powell viveu anos produtivos em Paris, enquanto Drew radicou-se definitivamente em Copenhague. A inclusão de ambos no CD3 permite notar como o distanciamento geográfico conferiu uma aura de liberdade artística e sofisticação europeia às suas trajetórias. O Legado de um Professor Involuntário, Kenny Drew cresceu ouvindo e estudando obsessivamente as gravações de Bud Powell nos anos 40. Ouvir as faixas deste CD em sequência cria um efeito de espelhamento histórico emocionante: percebe-se claramente onde Drew utiliza os mesmos caminhos de escala criados por Powell, e onde ele escolhe desviar para um som mais macio e lírico, ilustrando perfeitamente o conceito de evolução de mestre para discípulo. O nível curatorial do CD3 é soberbo, pois evita o mero apanhado cronológico e foca na transição estilística do Bebop para o Hard Bop através do formato de Trio. Fuga do Óbvio: Em vez de focar apenas nas faixas ultra-conhecidas de Powell que já foram exaustivamente relançadas, a curadoria teve o cuidado de selecionar takes que priorizam a clareza de sua mão direita, permitindo que estudantes do instrumento compreendam sua revolucionária arquitetura de improvisação. Equilíbrio de Cores: O encadeamento das faixas foi estruturado de forma inteligente. O disco alterna a tensão vibrante e por vezes dramática das linhas de Powell com a elegância luminosa e o balanço contagiante de Drew. A restauração de áudio realizada para a edição de 2020 merece menção honrosa: ela equilibra perfeitamente o timbre percussivo do piano com o peso acústico do contrabaixo de Paul Chambers, mantendo a dinâmica original das fitas master da época. Anos das Gravações: Década de 1950 (foco concentrado entre 1951 e 1958). Bud Powell foi gravado predominantemente em Nova York (EUA), nos famosos estúdios da Blue Note Records (como o estúdio de Rudy Van Gelder em Hackensack, Nova Jersey) e nos estúdios da Verve. Algumas faixas tardias dessa era refletem suas primeiras sessões em Paris (França). Já Kenny Drew,  as Gravações: Final da década de 1950 e início dos anos 1960 (período principal entre 1956 e 1961) sendo Gravado inicialmente em Nova York (EUA) para os selos Riverside e Blue Note (também capturado pela engenharia de som de Rudy Van Gelder). O repertório estende-se até suas célebres gravações europeias feitas em Copenhague (Dinamarca), no início dos anos 60. O CD3 é uma peça fundamental para compreender a espinha dorsal do jazz moderno. Ele documenta o momento exato em que o piano se consolidou como um instrumento de vanguarda linear e velocidade melódica. Através do gênio vulcânico de Bud Powell e do requinte balançado de Kenny Drew, a curadoria entrega uma lição definitiva de história, técnica e paixão musical.


Boa audição - Namastê
 

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Boxset: The Art Of The Piano, Trio, Quartet, Quintet And Beyond - VA (10xCDs)


O box set "The Art Of The Piano, Trio, Quartet, Quintet And Beyond", produzido pelos grupos The Intense Media e Documents como parte da série de compilações "Milestones of a Jazz Legends", é um verdadeiro tesouro para os entusiastas da música, especialmente aqueles apaixonados por jazz e composições clássicas para piano. O que torna este box set excepcional é a sua extensa seleção de faixas que abrangem uma ampla gama de estilos e épocas da música para piano. Apresenta performances de vinte dos pianistas mais influentes da história, incluindo Bill Evans, Oscar Peterson, Duke Ellington e Bud Powell. Cada disco do conjunto foi cuidadosamente selecionado para destacar a evolução e a versatilidade da música para piano, desde trios intimistas a quintetos expansivos. Melodia, harmonia e ritmo – "The Art of the Piano" combina essas três qualidades elementares da música de forma maravilhosa e perfeita. Os vinte álbuns originais documentados neste box set comprovam que, nas mãos de um mestre, a música que esses mestres produzem ao piano pode e irá realizar verdadeira magia. Um dos principais motivos pelos quais este box set é indispensável para qualquer colecionador de música sério é o seu valor histórico e educativo. A coleção não só demonstra a maestria técnica dos artistas apresentados, como também oferece uma imersão profunda no desenvolvimento da música para piano ao longo das décadas. Por exemplo, os ouvintes podem apreciar a delicada interação do Bill Evans Trio, a energia vibrante das performances de Oscar Peterson e as composições inovadoras de Duke Ellington. Além disso, o box set proporciona uma oportunidade única de explorar faixas raras e pouco conhecidas, de difícil acesso em outros lugares. Isso o torna um recurso inestimável para aqueles que apreciam as nuances e sutilezas da música para piano. A inclusão de peças menos conhecidas ao lado de faixas icônicas garante uma experiência auditiva completa, que agrada tanto aos aficionados experientes quanto aos iniciantes. Além de sua importância musical, o box também é um testemunho do legado duradouro desses pianistas lendários. Ele serve como uma lembrança de suas contribuições para o mundo da música e de sua influência nas gerações subsequentes de músicos. Possuir esta coleção não se trata apenas de apreciar boa música; trata-se de preservar um pedaço da história da música e celebrar o talento artístico de alguns dos maiores pianistas de todos os tempos. A obra "The Art Of The Piano, Trio, Quartet, Quintet And Beyond" merece um lugar na biblioteca de todo amante da música.


Boa audição - Namastê


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Boxset: Blue Instrumentalists Blue Note

Artista: VA
Lançamento: 2002/2006
Selo: Blue Note Records/Blue Note
Gênero: Cool Jazz, Hard Bop, Sool Jazz


No final de 1939, o seu amigo de infância Francis Wolff saiu da Alemanha de Hitler com destino aos Estados Unidos. Ele encontrou emprego em um estúdio fotográfico e juntou forças com Alfred Lion no projeto ‘Blue Note’. No final dos anos 1940, o jazz havia mudado novamente, e Lion e Wolff já não podiam resistir mais ao movimento do bebop, uma das correntes mais influentes do jazz. O saxofonista Ike Quebec tornou-se um amigo íntimo e conselheiro para os dois. Logo eles estavam gravando Fats Navarro, Bud Powell, Tadd Dameron, Thelonious Monk, Art Blakey, entre outros. Lion e Wolff eram especialmente fascinados por Thelonious Monk e ajudaram a sua carreira em todos os sentidos possíveis. Apesar da resistência dos críticos musicais e das vendas fracas, eles gravaram com ele até 1952. O caso de Monk foi o primeiro grande exemplo do que Horace Silver descreveu em uma entrevista de 1980: ‘Alfred Lion e Frank Wolff eram homens de integridade e realmente fãs de jazz. Deram a vários músicos a chance de gravar quando todas as outras gravadoras não estavam interessadas. E eles apoiavam o artista, mesmo que ele não estivesse vendendo quase nada.’ Em 1954, a ‘Blue Note’, partiu em direção a um sistema que foi muito semelhante a uma companhia de teatro usando um elenco de ‘sidemen’, músicos profissionais contratados para executar ou gravar com um grupo do qual não era um membro regular; e líderes que assegurassem a criatividade e a confiabilidade. Logo depois a gravadora colocou em movimento uma outra tendência do jazz. Seguindo o conselho de Babs Gonzales e outros músicos, Alfred Lion e Frank Wolff se aventuraram a ouvir um pianista da Filadélfia, que tinha abandonado o seu instrumento original e agora tocava um órgão Hammond no canto de um armazém alugado. E assim ouviram pela primeira vez Jimmy Smith em 1956, no seu primeiro show em Nova York. Descrito por Alfred como uma visão impressionante, um homem de rosto contorcido, agachado sobre o teclado em agonia aparente, os dedos em vôo e os pés que dançavam sobre os pedais. Um som que ele nunca tinha ouvido antes. Foi estarrecedor. Ao mesmo tempo, Wolff conheceu Reid Miles, um artista comercial, que era um devoto fã de música clássica. Miles se tornou o designer para o selo por 11 anos e criou gráficos maravilhosos para as capas dos discos. Os detalhes fizeram a diferença.


Coletânea instrumental que coloca o piano no centro da expressão do blues e do jazz contemporâneo. A proposta do projeto é destacar o instrumento não apenas como base harmônica, mas como verdadeira voz narrativa, explorando sua capacidade melódica e improvisatória. O repertório dialoga com o blues tradicional de 12 compassos e com o jazz moderno, apresentando acordes estendidos (7ª, 9ª e 13ª), progressões sofisticadas e momentos de improvisação refinada. A estética do álbum remete ao ambiente intimista dos clubes de jazz, com interpretações elegantes e atmosfera noturna. A série à qual pertence — que também inclui versões dedicadas à guitarra e ao saxofone — evidencia diferentes protagonistas instrumentais dentro do mesmo universo estilístico. Pianistas associados ao catálogo da gravadora e à linguagem explorada no disco incluem nomes como Horace Silver, Herbie Hancock e Gene Harris, artistas que ajudaram a consolidar o soul jazz e o hard bop. Assim, o álbum funciona tanto como apreciação estética quanto como material didático para compreender a evolução do piano no blues e no jazz instrumental.


Boa audição - Namastê

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

VA - VA - The Greatest Jazz Legends-19 Original Álbum (10CD BoxSet - 10CD BoxSet)


Caixa de 10 CDs, contendo vinte álbuns originais clássicos dos maiores artistas de jazz de todos os tempos, incluindo Miles Davis, Chet Baker, Bill Evans, Sonny Rollins, Thelonius Monk, Art Pepper, Bud Powell, Cannonball Adderley, Art Blakey e outros. Estão incluídos álbuns icônicos que merecem um lugar nas melhores coleções de amantes e apreciadores do melhor do jazz, como: 'Kind of Blue' e 'Sketches of Spain' de Miles Davis, 'Saxophone Colossus' de Sonny Rollins, 'Blue Train' de John Coltrane, 'Time Out' de Dave Brubeck. ' e 'Somethin' Else' de Cannonball Adderley, Chet Baker Sing de Chet Baker entre outros colossais nomes e albuns sincopados do autêntico jazz.
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Álbum: The Greatest Jazz Legends/10CDs
Lançamento: 2015
Selo: The Intense Media
Gênero: Cool, Modal, Hard bop, Post-bop, west cool

Boa audição - Namastê


segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

Boxset: Les Trésors Du Jazz - 1944-1951




Artista: VA
Álbum: CD20 (1951)
Lançamento: 2002
Selo: Le Chant Du Monde
Série: Boxset 'Les Trésors Du Jazz' (10 CD)
Gênero: Swing, Big Band, Bop, Cool Jazz, Mainstream Jazz



Boa audição - Namastê

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

Boxset: Les Trésors Du Jazz - 1944-1951

Artista: VA
Lançamento: 2002
Selo: Le Chant Du Monde
Série: Boxset 'Les Trésors Du Jazz' (10 CD)
Gênero: Swing, Big Band, Bop, Cool Jazz, Mainstream Jazz


Boa audição - Namastê



quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Boxset: Les Trésors Du Jazz - 1944-1951

Artista: VA
Álbum: CD18 (1949)
Lançamento: 2002
Selo: Le Chant Du Monde
Série: Boxset 'Les Trésors Du Jazz' (10 CD)
Gênero: Swing, Big Band, Bop, Cool Jazz, Mainstream Jazz

Boa audição - Namastê

terça-feira, 14 de junho de 2022

# 040 - Art Blakey - Paris Jam Session (1959)

Artista: Art Blakey

Álbum: Jazz in Paris 040

Lançamento: 2000

Selo: Gitanes Jazz Produção

Gênero: Bop, Hard Bop


The Jazz Messengers, grupo fundado por Art Blakey, baterista e bandleader que junto com Kenny Clarke e Max Roach, foi um dos inventores do moderno bebop, uma das correntes mais influentes do jazz que privilegia os pequenos conjuntos, como os trios, os quartetos e os solistas de grande virtuosismo. Art Blakey sempre deu apoio aos solistas, e mais tarde, como líder do ‘The Jazz Messengers’, incluiu muitos jovens músicos que se tornaram nomes de destaque no jazz. O legado da banda não é conhecido apenas pela sofisticada música que produziu, mas como um campo de provas para várias gerações de músicos de jazz. ‘The Jazz Messengers’ foi inicialmente liderado por Blakey e o pianista Horace Silver. Embora o nome não tivesse sido usado na primeira das suas gravações, Blakey e Silver gravaram juntos em várias ocasiões, mas o nome foi usado pela primeira vez em uma gravação de 1954, nominalmente liderada por Horace Silver, com Blakey na bateria, o saxofonista Hank Mobley, trompetista Kenny Dorham e o baixista Doug Watkins. O trompetista Donald Byrd substituiu Kenny Dorham, e o grupo gravou um álbum chamado simplesmente de ‘The Jazz Messengers’ em 1956. A banda ficou conhecida como ‘Art Blakey and the Jazz Messengers’ com Blakey assumindo o grupo como único líder quando Horace Silver com Mobley, Byrd e Watkins formaram um novo quinteto com uma variedade de bateristas. Durante um período que abrange mais de quarenta anos ‘Art Blakey and The Jazz Messengers’ produziu centenas de registros e prosperou em meio a inúmeras mudanças de formação, sempre recebendo os melhores músicos do jazz incluindo os trompetistas Lee Morgan, Freddie Hubbard e Wynton Marsalis, bem como o saxofonista Wayne Shorter e os pianistas Keith Jarrett e Joanne Brackeen.

Alto Saxofone – Barney Wilen ( faixas: 1, 2 )

Baixo – Jymie Merritt

Bateria – Art Blakey

Piano – Bud Powell ( faixas: 1, 2 ) , Walter Davis Jr. ( faixas: 3, 4 )

Saxofone Tenor – Wayne Shorter

Trompete – Lee Morgan

Gravado ao vivo em 18 de dezembro de 1959 no Théâtre des Champs-Elysées, Paris


 Boa audição - Namastê

domingo, 6 de maio de 2018

Gravadora 'Blue Note Records'

A ‘Blue Note Records’ é uma gravadora norte-americana de jazz fundada em 1939 por Alfred Lion. O seu nome tem origem no termo de jazz e blues, blue note, que é uma nota musical que provém das escalas usadas nas canções de trabalho praticadas pelos povos afro-americanos. A característica musical resultante imprime um caráter de lamento à música podendo considerar-se que tenha surgido como uma consequência da dureza do trabalho nos campos. Consiste em criar uma nota que não consta na escala diatônica tradicional. Esta herança escalar migrou mais tarde para o universo jazzístico. A 'Blue Note Records' esteve desde cedo mais associada ao estilo 'hard bop', um gênero influenciado pelo rhythm and blues, gospel e blues, que desenvolveu-se durante as décadas de 1950 e 1960. Mas, a gravadora incluia também bebop, soul, blues, rhythm and blues e gospel. Horace Silver, Jimmy Smith, Freddie Hubbard, Lee Morgan, Art Blakey e Grant Green estavam entre os principais artistas da editora. Após a 2ª Guerra Mundial, no entanto, quase todos os músicos mais importantes gravariam para a 'Blue Note'.
Em 1925, aos 16 anos, Alfred Lion notou um cartaz de concertos para orquestra que aconteceria perto do seu local favorito de patinação no gelo em sua nativa Berlim, na Alemanha. Ele tinha ouvido muitos discos de jazz de sua mãe e começou a se interessar pela música, mas naquela noite do concerto a sua vida mudou. O impacto do que ouviu tocado ao vivo explodiu dentro dele como uma paixão e o fez partir para Nova York em 1928 onde trabalhou nas docas e dormiu no Central Park para chegar mais perto da música que tanto amava. Em 1938, Lion foi ver o concerto ‘Spirituals to Swing’ no Carnegie Hall. O poder e a beleza do piano ‘boogie woogie', um estilo de blues, caracterizado pelo uso sincopado da mão esquerda ao piano, dos mestres Albert Ammons e Meade Lux Lewis balançou e apoderou-se de sua alma. Exatamente duas semanas depois trouxe os dois pianistas para um estúdio de Nova Iorque para fazer algumas gravações. Eles se revezavam ao piano e a longa sessão terminou com dois duetos impressionantes. A ‘Blue Note Records’ finalmente tornou-se uma realidade e Alfred Lion construiu uma das maiores empresas de registro musical de jazz do mundo.
No final de 1939, o seu amigo de infância Francis Wolff saiu da Alemanha de Hitler com destino aos Estados Unidos. Ele encontrou emprego em um estúdio fotográfico e juntou forças com Alfred Lion no projeto ‘Blue Note’. No final dos anos 1940, o jazz havia mudado novamente, e Lion e Wolff já não podiam resistir mais ao movimento do bebop, uma das correntes mais influentes do jazz. O saxofonista Ike Quebec tornou-se um amigo íntimo e conselheiro para os dois. Logo eles estavam gravando Fats Navarro, Bud Powell, Tadd Dameron, Thelonious Monk, Art Blakey, entre outros. Lion e Wolff eram especialmente fascinados por Thelonious Monk e ajudaram a sua carreira em todos os sentidos possíveis. Apesar da resistência dos críticos musicais e das vendas fracas, eles gravaram com ele até 1952. O caso de Monk foi o primeiro grande exemplo do que Horace Silver descreveu em uma entrevista de 1980: 'Alfred Lion e Frank Wolff eram homens de integridade e realmente fãs de jazz. Deram a vários músicos a chance de gravar quando todas as outras gravadoras não estavam interessadas. E eles apoiavam o artista, mesmo que ele não estivesse vendendo quase nada.'
Em 1954, a ‘Blue Note’, partiu em direção a um sistema que foi muito semelhante a uma companhia de teatro usando um elenco de 'sidemen', músicos profissionais contratados para executar ou gravar com um grupo do qual não era um membro regular; e líderes que assegurassem a criatividade e a confiabilidade. Logo depois a gravadora colocou em movimento uma outra tendência do jazz. Seguindo o conselho de Babs Gonzales e outros músicos, Alfred Lion e Frank Wolff se aventuraram a ouvir um pianista da Filadélfia, que tinha abandonado o seu instrumento original e agora tocava um órgão Hammond no canto de um armazém alugado. E assim ouviram pela primeira vez Jimmy Smith em 1956, no seu primeiro show em Nova York. Descrito por Alfred como uma visão impressionante, um homem de rosto contorcido, agachado sobre o teclado em agonia aparente, os dedos em vôo e os pés que dançavam sobre os pedais. Um som que ele nunca tinha ouvido antes. Foi estarrecedor. Ao mesmo tempo, Wolff conheceu Reid Miles, um artista comercial, que era um devoto fã de música clássica. Miles se tornou o designer para o selo por 11 anos e criou gráficos maravilhosos para as capas dos discos. Os detalhes fizeram a diferença.
Na década seguinte a ‘Blue Note’ passou para um patamar mais elevado na indústria fonográfica. Com álbuns que foram sucessos inesperados, que tiveram longas estadias nas paradas pop além de continuar a sua tradição 'hard bop'. Alfred Lion permaneceu até meados de 1967, quando problemas de saúde o forçaram a se aposentar. Frank Wolff e Duke Pearson dividiram as tarefas de produção, mas o jazz foi se movendo para um novo ciclo de tempos difíceis, economicamente e artisticamente. A cena não fornecia um ambiente no qual poderia nutrir jovens talentos e se perpetuar. Frank Wolff se afastou da ‘Blue Note’ até sua morte em 1971. A gravadora conseguiu sobreviver através de um programa de reedições e material inédito. Esse programa sobreviveu até 1981. Em meados de 1984, foi contratado Bruce Lundvall para ressuscitar a etiqueta. E a ‘Blue Note’ renasceu. Fonte: Pintando Musica
Boa leitura - Namastê