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quarta-feira, 1 de julho de 2026

Boxset: La Grande Histoire Du Jazz, do Ragtime ao Swing 1898-1952 (25CDs)

Lançamento: 2009
Selo: Le Chant du Monde 
Gênero: Swing, Ragtime, Big Band, Early Jazz, New Orleans Jazz, Dixieland, Harlem Stride Piano, Gipsy Jazz (Jazz Manouche), Negro Spirituals/Gospel

A consolidação da linguagem urbana e a expansão das fronteiras estéticas:
O CD 04 da monumental coleção La Grande Histoire Du Jazz dá continuidade direta ao mapeamento cirúrgico de meados dos anos 1920, um período de efervescência sem precedentes onde o jazz deixa de ser uma expressão puramente regional para se consolidar como a trilha sonora da modernidade urbana norte-americana. Este volume captura o amadurecimento das primeiras grandes lendas do gênero e o surgimento de linguagens periféricas que, integradas aos centros urbanos de Chicago e Nova York, expandiram definitivamente os limites da música improvisada. A temática, o diálogo entre o sagrado, o Profano e a sofisticação urbana é o pano de fundo cultural deste volume marcado pelo contraste e pela hibridização. O jazz desse período opera em múltiplas esferas sociais simultaneamente: O Lamento e a resistência do Blues personificado pelas vozes viscerais de Bessie Smith e Ma Rainey que traziam a crueza e o peso das experiências do sul para os palcos dos teatros urbanos. A espiritualidade de raiz, a presença de líderes como o Reverend Gates ilustra a indissociável conexão entre o fervor das igrejas afro-americanas — com seu formato de chamada e resposta — e a fundação rítmica e emocional do jazz. A ascensão da noite e das orquestras em contrapartida a essa ancestralidade, a sofisticação de Nova York e o vigor das Territory Bands (como a de Bennie Moten em Kansas City) transformavam o jazz em uma arte urbana de entretenimento requintado e dança frenética. A construção do gênero, o Nascimento do arranjo moderno e o contraponto dos sopros musicalmente, as faixas deste volume documentam um salto técnico impressionante na engenharia do gênero: Fletcher Henderson e a gênese do Swing ao organizar sua orquestra dividindo os instrumentos em nações de sopro (palhetas contra metais), Henderson lança as bases da era das Big Bands. A inserção de Louis Armstrong em sua engrenagem trouxe o balanço do swing que faltava ao rigor dos arranjos escritos de Nova York. O lirismo de Bix Beiderbecke enquanto Armstrong definia o estilo "Hot" com ataques agressivos e notas agudas brilhantes, Bix (junto a grupos como The Stomp Six e The Charleston Chasers) apresentava uma alternativa estética baseada em notas puras, escolha harmônica introspectiva e uma abordagem melancólica, plantando as sementes do que viria a ser o jazz cerebral nas décadas seguintes. A estruturação de ritmo e piano de piano Stride de Cliff Jackson ao estilo orquestral de Jelly Roll Morton e Luis Russell, o instrumento se liberta do tempo rígido do Ragtime. As linhas de baixo de Lovie Austin e a rítmica vigorosa de Kansas City de Bennie Moten em "Kansas City Shuffle" consolidam uma fundação rítmica muito mais maleável e propícia para o solista. Curiosidades históricas, entre garrafões de cerâmica e o sucesso de Vaudeville, os Dixieland Jug Blowers e o som rústico uma das maiores curiosidades deste volume é a inclusão de faixas como "Banjoreno", que trazem a instrumentação exótica das jug bands. O uso de garrafões de cerâmica (soprados para emular tubas ou contrabaixos) coexistindo nos mesmos discos que o piano sofisticado de Frank Banta demonstra o quão elástica e inclusiva era a definição de jazz naquele momento. Ethel Waters e a transição para o pop e  diferente de Ma Rainey, Ethel Waters trazia uma dicção mais limpa e refinada, moldada pelo teatro de Vaudeville. Sua presença indica o exato momento em que a indústria fonográfica percebeu o imenso potencial comercial da música negra para além do mercado de nicho (race records). Os "Ramblers" e o jazz de consumo, grupos como o California Ramblers funcionavam como verdadeiras indústrias de gravação, usando diferentes pseudônimos para registrar centenas de lados de discos de cera, ajudando a popularizar as danças da época (como o Charleston) por todo o território americano. O CD 04 de La Grande Histoire Du Jazz é um documento histórico irretocável de uma música em estado de metamorfose. Ele prova que o jazz não nasceu pronto, mas foi lapidado no choque cultural entre o campo e a cidade, o sagrado e o profano, o rigor da partitura e a liberdade do improviso. É um volume essencial para qualquer estudante ou entusiasta que deseja compreender como pequenos blocos de blues e ritmos tradicionais se fundiram para erguer a fundação da maior expressão artística do século XX.


Boa audição - Namastê

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Boxset: La Grande Histoire Du Jazz, do Ragtime ao Swing 1898-1952 (25CDs)

Lançamento: 2009
Selo: Le Chant du Monde 
Gênero: Swing, Ragtime, Big Band, Early Jazz, New Orleans Jazz, Dixieland, Harlem Stride Piano, Gipsy Jazz (Jazz Manouche), Negro Spirituals/Gospel

O épico retrato de uma era em ,utação, o Apogeu de Chicago e as Raízes Territoriais:
Se o CD 03 do box Au Temps Du Ragtime Et Du Swing (1898–1952) já se impunha como um marco histórico, a análise aprofundada de seu alinhamento completo revela uma verdadeira enciclopédia sonora. Este disco não apenas documenta a transição dos estúdios de Chicago, mas constrói uma ponte monumental entre o Blues clássico clássico, o Jazz Tradicional de New Orleans, o balanço inicial das Territory Bands e a sofisticação branca que começava a florescer na Costa Leste. A Temática do mosaico da diversidade e a expansão geográfica é a grande temática deste terceiro volume, a descentralização e o diálogo cultural. O jazz de 1925 e 1926 não acontecia em um vácuo embora Chicago fosse o epicentro magnético, o CD retrata como a linguagem estava se ramificando: O Blues de Vaudeville e das divas onde vozes femininas imponentes davam as cartas e moldavam a carga emocional que o jazz herdaria. A transição do "Hot" ao "Sweet"m o contraste entre a pulsação ardente do sul dos EUA e o refinamento estruturado que as orquestras de Nova York propunham. O estilo de Kansas City, o nascimento de um balanço focado nos riffs repetitivos e em um groove mais pesado e voltado para a dança. A gonstrução do gênero, os Arquitetos do ritmo e do arranjo e a engenharia musical presente neste CD mostra que o jazz estava abandonando de vez o caráter de "marcha" para ganhar maleabilidade artística, construída por diferentes frentes: As divas vocais e os nestres do sopro são a abertura e o miolo do disco assentam a fundação emocional do jazz através do Blues clássico. Bessie Smith (a "Imperatriz do Blues") e Ma Rainey (a "Mãe do Blues") trazem o lamento e a poesia urbana das dores do cotidiano, enquanto Ethel Waters injeta uma sofisticação vocal que pavimentaria o caminho para o jazz cantarolado das décadas seguintes. Elas não cantavam sozinhas: eram amparadas por gênios como Louis Armstrong, cujo trompete cortante redefiniu o papel da improvisação, e King Oliver, que trazia a tradição das surdinas e o som clássico de New Orleans rejuvenescido. A dialética dos grupos de Chicago, o disco promove o embate estético definitivo. De um lado, os Hot Five de Louis Armstrong e os New Orleans Wanderers desmilinguem as estruturas com solos explosivos e virtuosismo. De outro, Jelly Roll Morton & His Red Hot Peppers organizam o caos: Morton prova que o jazz pode ser complexo, escrito e orquestrado sem perder o calor da improvisação. A sofisticação branca e os arranjos de Nova York: Grupos como The Stomp Six (com Muggsy Spanier), The Charleston Chasers, California Ramblers e o pianista Frank Banta mostram como os músicos brancos absorveram o Hot Jazz e criaram ramificações focadas na precisão harmônica. No topo dessa pirâmide estava o genial cornetista Bix Beiderbecke, que oferecia uma alternativa ao estilo explosivo de Armstrong: um som lírico, introspectivo, melancólico e de uma beleza técnica impecável, que influenciaria todo o Cool Jazz trinta anos mais tarde. Ao mesmo tempo, Fletcher Henderson começava a desenhar em Nova York o que seriam as Big Bands, dividindo a orquestra em seções de sopros que dialogavam entre si. O legado de Kansas City e as raízes coletivas traduz o balanço inconfundível do Meio-Oeste americano ganha vida com Bennie Moten e sua icônica "Kansas City Shuffle", que trazia o ritmo pulsante e o uso de riffs que mais tarde consagrariam Count Basie. Correndo em paralelo, o pianista Luis Russell experimentava estruturas que libertavam o contrabaixo, a pianista e líder de banda Lovie Austin comandava sessões impecáveis de Blues de vanguarda, e o pianista de Stride Cliff Jackson mostrava a transição virtuosa do piano Ragtime para o jazz moderno. A curiosidades históricas deste Volume, bo som Inusitado dos Dixieland Jug Blowers uma das maiores excentricidades e curiosidades do CD 03 é a inclusão de faixas como "Banjoreno", gravada pelos Dixieland Jug Blowers. Esse grupo utilizava instrumentos rudimentares e folclóricos, como o jug (um garrafão de cerâmica ou vidro soprado pelo músico para emular o som de uma tuba). Essa faixa demonstra as origens rústicas do jazz e como o gênero, mesmo se sofisticando nos estúdios, mantinha um pé firme nas tradições rurais das jug bands. O mistério e a devoção do "Reverend Gates": outro destaque curioso e culturalmente denso é a presença das gravações do Reverend J.M. Gates. Longe de ser um músico de jazz tradicional, ele era um pastor cujos sermões gravados eram acompanhados por coros que utilizavam a técnica de Call and Response (Chamada e Resposta). A presença de Gates neste CD ilustra perfeitamente como o fervor e a rítmica das igrejas batistas negras moldaram de forma definitiva o DNA espiritual e estrutural do Jazz. O registro da transição tecnológica o biênio 1925-1926 marca a introdução da gravação elétrica (com microfones) substituindo a antiga gravação acústica (onde os músicos tocavam diante de uma enorme corneta de captação). Este CD permite ouvir a evolução da engenharia de som da época, onde a sutileza do piano de Jelly Roll Morton e as nuances da corneta de Bix Beiderbecke puderam, finalmente, ser registradas com clareza. O CD 03 de La Grande Histoire Du Jazz é o volume definitivo do amadurecimento. Ele não se apoia apenas em um ou dois nomes sagrados, mas reconstrói a rica tapeçaria de uma época em que o jazz era uma colcha de retalhos genial — alimentada pelo lamento sagrado do reverendo no altar, pelo garrafão de cerâmica das ruas do sul, pelo piano aristocrático de Nova York e pelo sopro revolucionário de Armstrong em Chicago. Um documento histórico


Boa audição - Namastê

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Boxset: La Grande Histoire Du Jazz From Ragtime To Swing 1898-1952 (25 CDs)

Coleção: VA - La Grande Histoire Du Jazz From Ragtime To Swing 1898-1952  Configuração Física: Box Set Monumental contendo 25 CDs (Edição de 2010)  Selo Editorial: Le Chant du Monde (França) — Fundado em 1938  Métrica Documental: 1.677 faixas integralmente restauradas e remasterizadas  Aparelho Crítico: Livreto enciclopédico e analítico com 186 páginas  Formato Digital: FLAC (Free Lossless Audio Codec)

A análise crítica de uma antologia com a magnitude de La Grande Histoire Du Jazz exige o abandono de resenhas jornalísticas genéricas bem como o selo francês Le Chant du Monde executou uma verdadeira operação de arqueologia musical e preservação de patrimônio fonográfico global. O manifesto institucional e o rigor da curadoria chancela histórica o selo Le Chant du Monde e eleva o patamar desta obra de uma simples coletânea comercial para um tratado científico. A gravadora, célebre pela salvaguarda de patrimônios etnomusicológicos, aplicou um rigor acadêmico sem precedentes na seleção do material. A densidade numérica de 1.677 faixas prova que a coleção rejeitou o caminho fácil dos "maiores sucessos" com objetivo central de registrar a transição orgânica diária e as microevoluções estéticas do gênero. O livreto crítico de 186 páginas atua como a bússola teórica do ouvinte para cada sessão é destrinchada com datas exatas, locais de captação, matrizes originais e o detalhamento completo de pessoal (personnel). A cronologia de evolução e quebra de blocos para compreender como a coleção organiza mais de meio século de música, a estrutura abaixo mapeia as grandes eras e os eixos de transição registrados ao longo dos 25 CDs, observa a matriz cronológica e mutação estrutural do gênero, analisando as raízes sincopadas (1898 – 1917), era cadastrada compreende o recorte temporal focado na investigação da transição do Ragtime, das marchas militares e do Blues primitivo. Os principais artistas mapeados e responsáveis por fundamentar este período inicial são Vess L. Ossman, Arthur Pryor e Scott Joplin. Eras de ouro (1920s – 1930s), este ciclo histórico documenta a consolidação dos eixos urbanos de Chicago e Nova York, trazendo como foco de estilo a migração da polifonia primitiva para o protagonismo do solista virtuoso. Os principais artistas mapeados que lideraram essa transformação técnica são Louis Armstrong, Jelly Roll Morton e King Oliver. Explosão do Swing (1930s – 1940s), O recorte temporal em questão destaca o fenômeno de consolidação das Big Bands na indústria fonográfica, fixando seu estilo através de arranjos matemáticos complexos e alta precisão orquestral. Os principais artistas mapeados e regentes dessa engenharia sonora são Duke Ellington, Count Basie e Benny Goodman. Inflexão moderna (Anos 40 – 1952), era que encerra a cronologia tradicional delimita a transição definitiva da música coreográfica para uma dinâmica de audição atenta, marcando o exato nascimento da vanguarda moderna no jazz. Os principais artistas mapeados que romperam os padrões comerciais do período são Charlie Parker, Dizzy Gillespie e Billie Holiday. Arqueologia pré-Jazz e raridades documentadas o grande trunfo científico desta antologia reside em iniciar sua linha do tempo dezenove anos antes do primeiro disco oficial de Jazz (1917). O resgate fonográfico expõe as fundações do gênero de maneira cirúrgica.  Os pioneiros marginais ganham protagonismo técnico nos primeiros volumes. O virtuosismo técnico no banjo de Vess L. Ossman e as marchas militares sincopadas de Arthur Pryor são analisados sob uma ótica de continuidade histórica. A tese evolutiva da caixa prova que o Jazz não emergiu de uma ruptura cultural abrupta. Ele se consolidou como uma fusão sistemática entre as bandas de metais, os rolos de piano pneumático e os lamentos do Blues primitivo.O trabalho de detetive proporcionado pelo livreto permite rastrear "linhas de sangue" musicais, identificar um jovem solista obscuro na década de 1920 atuando como músico de apoio para, anos depois, reencontrá-lo como o regente de sua própria Big Band. Engenharia de áudio e restauração de sinal, resulta em um tratamento acústico aplicado a matrizes gravadas entre o fim do século XIX e meados do século XX representa um capítulo à parte na engenharia de som. Os técnicos enfrentaram suportes físicos severamente degradados. O resgate fino de cilindros de cera, discos de acetato e velhas matrizes de 78 RPM exigiu precisão matemática. A engenharia evitou o erro crasso de aplicar filtros de redução de ruído (noise reduction) agressivos onde esse erro comum costuma extirpar as frequências altas e silenciar o ambiente espacial original da gravação. A preservação em FLAC cumpre o papel de manter a integridade harmônica, garantindo o impacto percussivo original e o calor dos sopros na reprodução contemporânea. O ponto de Inflexão de 1952, o fechamento da cortina marco de escolha precisa do ano de 1952 como encerramento da caixa valida o rigor científico do Le Chant du Monde. Não se trata de uma interrupção arbitrária, mas de um marco divisório tecnológico e mercadológico.  O fim do ciclo do Swing coincide com o declínio econômico das grandes orquestras pós-guerra. A consolidação institucional do Bebop e do Modern Jazz desloca a música dos salões de dança coreografados para convertê-la em uma arte de vanguarda e audição puramente intelectualizada. A revolução tecnológica do período sepulta os velhos discos de 78 RPM e estabelece a hegemonia definitiva do formato Vinil Long Play (LP) de 12 polegadas. Para comprovar o valor desta antologia em seu texto, selecione um registro mecânico anterior a 1910 presente nos primeiros CDs e confronte-o diretamente com uma faixa complexa de 1952. Descreva a transição brutal da captação por cone acústico para a captação elétrica avançada, evidenciando como a densidade harmônica se transformou ao longo desse arco de 54 anos. Considerações finais, o legado de um monumento fonográfico, são análise exaustiva de "La Grande Histoire Du Jazz" consolida este box set não apenas como uma ferramenta de entretenimento para entusiastas, mas como um autêntico repositório acadêmico da memória acústica do século XX. O selo Le Chant du Monde foi bem-sucedido na ambiciosa missão de converter 1.677 faixas fragmentadas e fisicamente vulneráveis em um monumento cronológico contínuo e indestrutível. A legitimação metodológica do projeto reside no seu desapego aos anacronismos mercadológicos. Ao acolher os registros embrionários de Vess L. Ossman e Arthur Pryor, a obra força o ouvinte a reconhecer a engenharia pré-Jazz como o pilar estrutural que viabilizou a genialidade posterior de Duke Ellington e Charlie Parker.  O equilíbrio acústico alcançado na transposição das matrizes de 78 RPM para o formato FLAC estabelece um novo paradigma para a engenharia de som contemporânea. Provou-se que a restauração fina e científica é capaz de purificar o sinal sem assassinar a assinatura de áudio original das salas de gravação e o calor natural dos sopros. O encerramento cirúrgico fixado no ano de 1952 funciona como um ponto de fuga histórico perfeito. Ao travar a linha do tempo exatamente no crepúsculo da Era do Swing e no alvorecer do modernismo, a antologia preserva a pureza de seu recorte temático, entregando um panorama definitivo de como a música sincopada migrou do folclore coreográfico para a erudição intelectualizada. O primeiro vetor de impacto a ser considerado é o valor arquivístico do projeto, que se manifesta por meio de um rigor técnico e documental exaustivo. A presença de um livreto de 186 páginas, inteiramente dedicado à catalogação minuciosa das matrizes originais e do personnel de cada sessão, eleva o patamar da obra. Esse aparato crítico afasta o lançamento do conceito de mera coletânea comercial e consolida a obra como uma enciclopédia sonora de referência obrigatória para qualquer pesquisa técnica ou historiográfica sobre o tema.  Em perfeita simetria com a qualidade da documentação escrita, a fidelidade de sinal surge como o elemento de sustentação acústica da antologia. O processo de transferência digital lossless (sem perdas), focado estritamente na preservação da dinâmica original do espectro sonoro, reflete o compromisso com a verdade fonográfica. Essa engenharia de restauração fina atende diretamente às exigências de audiófilos e pesquisadores, entregando com precisão a textura real, o ambiente espacial e o peso acústico característicos das primeiras cinco décadas de registro do gênero.  2. A Coerência Histórica e a Conclusão MusicofonográficaO último pilar analítico repousa sobre a coerência histórica e a delimitação metodológica do tempo. A escolha de uma fronteira cronológica linear estrita, estabelecida rigorosamente entre os anos de 1898 e 1952, cumpre uma função científica vital. Em vez de expandir o escopo indefinidamente, esse limite matemático e estrito serve para validar a tese central da obra, demonstrando com exatidão a evolução, a maturação e a transição orgânica do estilo.  Conclui-se, portanto, que o cruzamento desses três vetores confere à obra um status de legitimação patrimonial definitivo. Ao alinhar uma catalogação enciclopédica, um tratamento de áudio audiófilo e um recorte temporal cirúrgico, o projeto atinge o seu objetivo máximo: salvaguardar a memória fonográfica e oferecer uma base empírica e inquestionável para o estudo aprofundado da metamorfose musical. Em última análise, a caixa de 25 CDs do selo Le Chant du Monde é mais do que uma audição imersiva: é um documento de arqueologia viva. Ela testemunha o exato período em que o Jazz operou como a força motriz, estética e tecnológica mais influente da música ocidental, imortalizando em alta fidelidade a transição definitiva da herança sincopada em direção à imortalidade clássica.        


Boa audição - Namastê
 

segunda-feira, 21 de abril de 2025

VA - The Rough Guide to the Roots of Jazz

Artista: VA
Lançamento: 2021
Selo: Music Rough Guides / World Music Network
Gênero: Dixieland, Swing 

Os estilos musicais mais vibrantes da América do Norte foram gradualmente sofrendo modificações e em 1910 o Ragtime e o Blues estavam se tornando Jazz. No ano de 1917 a primeira gravação sob a chancela de Jazz já se encontrava nas lojas dos EUA. De um modo geral, o público comprava sem ter o conhecimento exato do novo gênero. A música que se tornaria conhecida como Jazz era executada em New Orleans e em outras partes do Sul dos EUA por muitas bandas como as lideradas por músicos tais como: Buddy Bolden, Frankie Dusen, Jack Laine, Tom Brown e outros. A Creole Jass Band do baixista Bill Johnson é considerada a primeira banda de New Orleans a tocar esse estilo de música fora do Sul dos EUA, se integrando e viajando pelo circuito de teatro vaudeville de 1914 a 1918. O bandleader Bert Kelly de San Francisco afirmava ter tocado Jazz em 1914 e depois em Chicago em 1915. Ambos os grupos Brown's Dixieland Jass Band e Stein's Dixieland Jass Band atuaram em espetáculos e “vendiam” o estilo de Jass Band em Chicago em 1916. Contudo, nenhuma dessas bandas gravou discos até 1917 e muitas jamais deixariam registros fonográficos. A história padrão do Jazz considera a primeira gravação aquela feita pela Original Dixieland Jass Band (ODJB) com os temas ― Dixie Jass Band One Step (J. Russel Robinson / Nick LaRocca) e Livery Stable Blues (Ray Lopez / Yellow Nuñez). Esta gravação foi feita no selo Victor (Talking Machine Co.) na data de 26 de fevereiro de 1917 em New York. O lançamento ocorreu em março do mesmo ano tendo obtido um sucesso imediato, de tal forma que se tornou a centelha que inflamou a novidade JAZZ espalhando-o por todo o mundo, durante e após a 1ª Guerra Mundial. Os membros da ODJB eram músicos brancos naturais de New Orleans que atuaram na Papa Jack Laine's Reliance Brass Band antes de deixarem a cidade em 1916 para formar a ODJB, competentes mas não propriamente representativos do gênero, liderados pelo cornetista Dominic James La Rocca e mais Larry Shields (cl), Henry Ragas (pi), Edwin Eddie Edwards (tb) e Tony Sbarbaro (bat). Inicialmente foram para o norte tocar em Chicago sob o nome de Stein's Dixieland Jass Band no Schiller's Cafe na 31st street. Após uma desavença com o líder baterista Johnny Stein o resto da banda arranjou trabalho no Del' Abe Cafe do Hotel Normandy localizado na Clark & Randolph Street, empregando então o título de Original Dixieland Jass Band adicionando o baterista Tony Sbarbaro. Depois foram para o Casino Gardens na North Clark com a Kinzie Street, ainda em Chicago. O local era um ponto de reunião popular do pessoal envolvido com o show business. Foi ali que o famoso cantor de vaudeville Al Jolson ouviu a banda e a recomendou para um agente teatral Max Hart de New York que fechou temporada do grupo no sofisticado Reisenweber's Restaurant situado na Columbus Circle uma região da Broadway, estreando a 15/janeiro/1917, de início como uma atração menor das segundas-feiras. Entretanto o sucesso foi enorme advindo logo a primeira gravação e depois várias outras. Esta é a versão padrão da primeira gravação sob a chancela de música de Jazz. Freddie Keppard um soberbo cornetista afro-americano de New Orleans em 1916 foi convidado por 2 companhias fonográficas, contudo recusou receoso de que tendo seu estilo perpetuado em disco fosse muito copiado. Keppard só entrou no estúdio em 1918 com a Creole Jass Band. O Jazz perdeu assim a oportunidade de ter sua certidão de nascimento fonográfico assinada por um afro-americano! Afinal a música era deles! O primeiro disco 78rpm de 10 polegadas gravado pela ODJB, editado comercialmente a 15 de março daquele ano com o n° 18.255 e vendido ao preço de 75 cents, na verdade não foi a primeira gravação fonográfica publicada que se referia à música como Jazz na canção título, mesmo a banda sendo denominada de JASS BAND. Existem convincentes argumentos de que a edição do cilindro pela Edison Blue Amberol da canção ― That Funny Jas Band From Dixieland (música por Henry L. Marshall e letras por Gus Kahn) interpretada em vocal pela dupla de cômicos Arthur Collins & Byron Harlan tenha sido de fato a primeira gravação supostamente de “Jazz” ocorrida em 8 de dezembro de 1916, contudo os instrumentistas são desconhecidos. Esta é a primeira gravação conhecida a usar o termo Jas, mais tarde conhecido como Jass e Jazz. A dupla Arthur Collins & Byron Harlan regravou outra versão do tema em janeiro de 1917 publicada pela Victor um mês após da gravação da ODJB. As partes instrumentais, fraseado, breaks, etc. dessa versão de That Funny Jas Band From Dixieland são mais adequadas ao estilo Jazz do que as executadas pelos rapazes da ODJB, contudo não obtiveram a mesma oportunidade da ODJB e o consequente maior sucesso. O artista menestrel George H. O'Connor gravou uma canção chamada Ephraham's Jazbo Band a 10/fevereiro/1917 para piano e vocal, porém foi tida como Ragtime. O'Connor era branco mas atuava com o rosto pintado de preto o que influenciou mais tarde Al Jolson a fazer o mesmo no filme O Cantor de Jazz de 1925. A Borbee's Jass Orchestra gravou 2 canções ― It's A Long, Long Time e Just The Kind Of Girl You'd Love To Make Your Wife a 14/fevereiro/1917, porém o disco só foi publicado em julho após o sucesso da ODJB. Em princípio a banda teria o nome de Borbee's Tango Orchestra, contudo o Tango foi mudado para Jass na esteira do sucesso comercial da ODJB. Outro tema a ser gravado com a palavra Jass no título foi ― Everybody Loves A Jass Band original de Arthur Fields. A gravação ocorreu a 15/março/1917 e editada em julho do mesmo ano. O encarte deste disco da Edison Records vinha com os dizeres: ― "Do you love a 'Jass' band?" seguido da frase ― "Indubitavelmente gostaria, se soubesse o que é, mas ao ouvir esta canção você passará a saber o que é uma Jass Band !". Fonte: https://charutojazz.blogspot.com

(*) - TIN PAN ALLEY - expressão que designou um local ao sul da ilha de Manhattan em New York, próximo a Union Square (entorno da rua 28), onde a partir do início do século XX concentraram-se as casas editoras de música e que passaram a dominar inteiramente o mercado de música popular.


Boa audição - Namastê

sexta-feira, 8 de março de 2024

CD015 - The Wolverine Orchestra, The Sioux City Six, Bix Beiderbecke And His Rhythm Jugglers

Lançamento: 2007
Selo: Membran International GmbH
Série: Boxset 'The Encyclopedia Of Jazz' 
Gênero: Dixieland



 Boa audição - Namastê

quinta-feira, 7 de setembro de 2023

Bix Beiderbecke - Anthology (Compilation)

Lançamento: 1993
Selo: Recording Arts SA
Gênero: Dixielândia

Bix Beiderbecke, cornetista, pianista e compositor, desenvolveu na década de 20 um estilo independente com influência de Louis Armstrong. Ele era conhecido por seu tom de voz suave, e seu timbre único ao dedilhar a corneta deu a sua obra um caráter introspectivo e ganhou reputação e influenciou outros músicos brancos de jazz. Seus solos mais famosos estão nas gravações ‘Singin′ the Blues’ e ‘I’m coming Virginia’ com a orquestra do saxofonista Frankie Trumbauer. Um dos muitos mitos ditos sobre Bix Beiderbecke é que ele jogou fora a sua carreira na companhia de músicos que não entendiam as suas avançadas idéias musicais. Frankie ‘Tram’ Trumbauer, entendeu o que Bix estava tentando fazer. Também influenciado pelo compositor clássico Claude Debussy, são poucos os exemplares sobreviventes de Bix Beiderbecke como pianista, a notável ‘In a Mist’ de 1927, é uma delas, assim como ‘In The Dark’ e ‘Candlelights’, posteriormente gravadas por grandes pianistas. Bix Beiderbecke foi um dos maiores músicos de jazz da década de 20, sua ascensão e queda, e eventual status como mártir, fez dele uma lenda, mesmo antes de morrer. E ficou como prova de que nem todos os inovadores da história do jazz eram negros. Possuidor de um estilo de improvisar notavelmente original, o seu único concorrente foi Louis Armstrong, mas devido aos seus diferentes sons e estilos é realmente difícil compará-los. Se Bix Beiderbecke tivesse vivido mais tempo ele teria se tornado um dos maiores compositores da América. Apesar de sua falta de treinamento formal, Beidebecke surgiu como o primeiro jazzmen a tentar unir os mundos do jazz e do expressionismo europeu. Com sua corneta e piano ele contribuiu para expandir a estrutura melódica e harmônica do jazz. Leon Bismark ‘Bix’ Beiderbecke, o segundo filho de imigrantes alemães de classe média foi uma criança prodígio. Nasceu em 1903, em Davenport, Iowa, cidade situada ao longo do rio Mississippi em cujas margens, quando adolescente, ia para ouvir as bandas vindas do sul. Seu pai era proprietário de uma madeireira e carvoaria e sua mãe, pianista. Dotado de um ouvido musical preciso, aos três anos de idade, começou a tocar melodias simples. Tocava de ouvido e aulas particulares semanais fizeram pouco para incutir a disciplina da leitura ao jovem talentoso, o que frustrava seu instrutor. Após a Primeira Guerra Mundial, seu irmão mais velho Charles trouxe vários 78 rpm gravados pela ‘Original Dixieland Jazz Band’ e Bix foi atraído pelo som do trompetista da banda, Nick LaRocca, e com uma corneta de um amigo aprendeu nota por nota. Mantendo esse seu estudo em segredo, ele continuou a tocar piano, e começou um pequeno grupo que tocava em bailes no ginásio da escola. Desiludido sobre o interesse de seu filho em uma forma de arte nada ‘respeitosa’ e com as baixas notas do ensino médio, Bismark e Agatha enviaram Bix para uma escola rigorosa localizada ao norte de Chicago onde ganhou reputação como pianista versátil na orquestra da escola. Em 1921, Bix Beiderbecke juntou forças com o saxofonista Samuel ‘Sid’ Stewart, e com o baterista Walter Ernest ‘Cy’ Welge, na formação da ‘Cy-Bix Orchestra’. 

Boa audição - Namastê

terça-feira, 5 de setembro de 2023

Bix Beiderbecke - The Art of Bix Beiderbecke (1924-1930) 2CD Set


Lançamento: 2006
Selo: The Primo Collection 
Gênero: Dixielândia


Leon Bismark Beiderbecke foi um influente pianista, cornetista e compositor de jazz americano, também conhecido pelo nome artístico de “Bix” Beiderbecke. Ele é conhecido por alguns como o pai do gênero 'cool jazz', bem como do estilo de balada de jazz. Bix Beiderbecke nasceu em 10 de março de 1903 em Davenport, Iowa. Sua mãe tocava órgão na Igreja Presbiteriana de seu bairro e ensinou o filho a tocar piano quando ele tinha apenas dois anos de idade. O talento de Beiderbecke com o piano era maravilhoso, aos sete anos ele ganhou popularidade em todo Davenport, parte disso se deveu a um artigo de jornal que sugeria sua habilidade de tocar qualquer música que quisesse. As primeiras influências do jazz de Beiderbecke incluiriam a 'Original Dixieland Jazz Band' e Nick LaRocca. Ele muitas vezes evitava a atenção de seus pais para assistir bandas de jazz quentes e apresentações únicas de jazz em clubes da cidade. Em 2006 a ‘Primo Records’ lançou a coleção de 40 faixas intitulada ‘The Art of Bix Beiderbecke’ que cobre o período de tempo que se estende desde 20 de junho de 1924 a 21 de maio de 1930, sobre o trabalho precoce de Bix com a ‘The Wolverine Orchestra’ e ‘The Sioux City Six’; revisita suas colaborações com o saxofonista Frankie Trumbauer e como líder da ‘Bix and his Rhythm Jugglers’. Também está incluído as participações de Bix como membro da orquestra de Paul Whiteman em dois títulos: ‘Rockin’ Chair’ e ‘Barnacle Bill the Sailor’ que acabou sendo a última sessão de Bix que já bastante doente e sentado em uma cadeira tocou a sua corneta ao lado do trompetista Bubber Miley, outro brilhante músico cuja vida e carreira foram devastadas pelo alcoolismo. Este grupo, liderado pelo vocalista Hoagy Carmichael também incluia o trombonista Tommy Dorsey, o clarinetista Benny Goodman, o saxofonista tenor Bud Freeman, o violinista Joe Venuti, o guitarrista Eddie Lang, o baterista Gene Krupa e em ‘Barnacle Bill the Sailor’ pelo rude cantor de country Carson Robison. ‘The Art of Bix Beiderbecke’ é um mistura vertiginosa de gravações de jazz clássico ao longo de um período de seis anos, uma excelente forma de ouvir os destaques do legado de Bix Beiderbecke.



Boa audição - Namastê