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segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Boxset: La Grande Histoire Du Jazz, do Ragtime ao Swing 1898-1952 (25CDs)

Lançamento: 2009
Selo: Le Chant du Monde 
Gênero: Swing, Ragtime, Big Band, Early Jazz, New Orleans Jazz, Dixieland, Harlem Stride Piano, Gipsy Jazz (Jazz Manouche), Negro Spirituals/Gospel


A fronteira final: O Jazz como abstração e a desconstrução da forma nodécimo oitavo volume da coleção "La Grande Histoire du Jazz" é a  representação ápice da coragem estética. Se o volume anterior foi o ensaio para a ruptura, o CD 18 é o documento da desconstrução plena. Aqui, o Jazz atravessa o espelho: a estrutura que serviu de esqueleto por mais de meio século (o standard, a progressão harmônica, a métrica 4/4) é deixada de lado em favor de uma busca pela essência do som em si. Estamos diante do Jazz como filosofia pura e gesto absoluto. O pano de fundo deste volume é uma era de inquietação intelectual, estética dominante e a ausência de fronteiras. O contraste não é mais entre "o que é jazz" e "o que não é", mas entre a "forma" e o "fluxo", culturalmente o jazz aqui se liberta do seu compromisso com a funcionalidade (dançar, entreter, ser melódico) para assumir o papel de veículo de uma expressão transcendental. É o jazz como espelho da psique humana: fragmentado, por vezes caótico, frequentemente sublime. A técnica, neste estágio torna-se invisível para servir ao conceito: A liberação do tempo, a métrica deixa de ser uma grade para se tornar uma correnteza, o pulso existe, mas é maleável; ele se expande e se contrai conforme a intensidade emocional do solista, desafiando a percepção linear do tempo do ouvinte. A abstração melódica no tema é, muitas vezes, apenas uma sugestão, uma "âncora" para o abandono onde o solista não toca "sobre" a música; ele é a música, criando novas lógicas melódicas em tempo real que não devem satisfação a nenhuma tonalidade prévia. A coletividade orgânica na hierarquia entre líder (solista) e acompanhante (seção rítmica) dissolve-se, o que ouvimos é um organismo coletivo, uma conversa onde todos falam e todos escutam simultaneamente, criando um tecido sonoro denso, complexo e profundamente interdependente. O som como matéria e o uso de técnicas estendidas — o grito, o sussurro, o uso de harmônicos incomuns — revela um desejo de extrair do instrumento timbres que não fazem parte do vocabulário convencional do jazz, tratando o instrumento quase como uma voz humana que chora, ri ou indaga. A resistência do "sistema" é fascinante notar neste volume como a tecnologia de gravação teve de se adaptar para captar uma música que desafiava os níveis de volume tradicionais. O som deste CD é visceral; é possível ouvir o esforço físico, a respiração e a tensão nas cordas — o "corpo" da música está gravado aqui. O estúdio como ágora: As sessões documentadas neste CD funcionam menos como "gravações comerciais" e mais como registros de um ritual. O ambiente de estúdio, muitas vezes austero, torna-se o espaço sagrado onde o músico se confronta com a página em branco, armado apenas com a sua intuição. A rejeição como método em muitas dessas faixas desafiavam as expectativas da indústria fonográfica da época. A inclusão deste material na Grande Histoire du Jazz é uma validação histórica de que a verdadeira história do jazz é, na verdade, a história da resistência contra a norma. O CD 18 é o volume da transcendência. Documentalmente, ele é crucial por provar que o Jazz é uma das poucas formas de arte que conseguiu, em menos de uma vida humana, percorrer todo o caminho da infância folclórica à maturidade da abstração radical. Para o ouvinte, este volume não é um "descanso"; é uma provocação. Ele nos lembra que a música não existe apenas para nos agradar, mas para nos expandir, forçando-nos a ouvir o que há além das notas. Após explorarmos este limite da abstração sonora, pergunto a você: nesta fase em que o jazz se torna uma linguagem tão profunda e autorreferencial — quase uma arte hermética —, você acredita que ele finalmente completou sua missão de ser "a arte absoluta", ou você vê essa abstração total como o início de um isolamento que, em última análise, retira do jazz a sua capacidade de ser um reflexo compartilhado da experiência coletiva humana?


Boa audição - Namastê

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Boxset: La Grande Histoire Du Jazz, do Ragtime ao Swing 1898-1952 (25CDs)


Lançamento: 2009
Selo: Le Chant du Monde 
Gênero: Swing, Ragtime, Big Band, Early Jazz, New Orleans Jazz, Dixieland, Harlem Stride Piano, Gipsy Jazz (Jazz Manouche), Negro Spirituals/Gospel


A transcendência do estilo como reflexo da modernidade tardia aborda o volume desta coleção transcende o rigor cronológico para atuar como uma releitura hermenêutica do legado acumulado até então. Se o volume anterior marcou a abertura para o novo, o CD16 cristaliza o Jazz como um sistema de pensamento. Estamos aqui no terreno da "Modernidade Tardia", onde a música deixa de ser um evento para se tornar uma atmosfera. Este volume não documenta apenas uma época, mas a maneira como os músicos passaram a habitar o vocabulário que eles mesmos construíram nos 15 volumes anteriores. O pano de fundo deste CD é o início do reconhecimento do Jazz como uma "Arte de Câmara" de escala global. A estética aqui é a do equilíbrio reflexivo. O contraste entre a urgência do passado e a calma do presente é resolvido através da sofisticação do "fazer musical". Culturalmente, o jazz desliga-se de vez da necessidade de ser um produto de entretenimento puro ou um manifesto político imediato; ele se torna o domínio do artesão-filósofo, um espaço onde o tempo é suspenso para a exploração de nuances tímbricas e harmônicas que antes passavam despercebidas. A evolução técnica neste volume revela um refinamento quase cirúrgico: A "escuta ativa" do solista, o músico já não toca sobre a harmonia; toca com a harmonia, tratando cada acorde como um organismo vivo, repleto de tensões e resoluções alternativas. É a era do detalhismo harmônico. O triunfo do "Space": Se o Bebop era a saturação de notas, este volume valoriza o intervalo. O silêncio ganha peso de nota musical, funcionando como um elemento dramático que dá contorno e propósito à improvisação. A timbre como assinatura mais do que a nota tocada, o foco vira a qualidade do som (o tone). A busca por uma sonoridade única — um vibrato específico, uma forma particular de atacar a nota — torna-se o principal objetivo do solista. A estrutura como escultura nas composições neste volume são tratadas com um rigor de escultura: o tema é introduzido, desconstruído e reconstruído durante a improvisação, mantendo uma unidade arquitetônica que conecta o início e o fim da faixa como um círculo perfeito. A "memória" da gravação permite perceber como a tecnologia de estúdio (agora mais evoluída) começou a influenciar a própria composição. Músicos que sabiam que seriam ouvidos com clareza em sistemas de alta fidelidade começaram a compor peças que exploravam o silêncio e as dinâmicas extremas, algo que os discos de cera de 1920 teriam suprimido. O intercâmbio cultural é fascinante notar neste volume as influências de estéticas globais que começavam a circular. O jazz aqui já não é uma música americana exportada; é uma linguagem que já foi processada por sensibilidades europeias, latinas e asiáticas, tornando-se o primeiro gênero musical verdadeiramente cosmopolita. O status de "clássico" captura o momento em que os grandes nomes do jazz passaram a ser vistos como "clássicos em vida". A abordagem musical é, portanto, de reverência e, ao mesmo tempo, de ousadia revisionista. O CD16 é um exercício de essencialismo. Documentalmente, ele cumpre o papel de demonstrar que, após a exploração técnica, o Jazz atingiu o seu estágio de "sabedoria": a capacidade de dizer tudo com o mínimo necessário. É um volume que convida à escuta contemplativa, sendo o ponto de chegada ideal para quem deseja compreender que a complexidade do Jazz, no fundo, sempre serviu para alcançar uma simplicidade emocional profunda. É a prova final de que o Jazz se tornou uma linguagem capaz de conter a totalidade da experiência humana. PerguntA: se o jazz é um organismo vivo que passou por todas essas fases — da rusticidade do Ragtime à sofisticação absoluta deste décimo sexto volume — em que medida você acredita que o jazz, hoje, ainda mantém uma conexão real com a sua origem, ou ele se transformou em uma "língua morta" que preservamos em museus, admirando sua beleza sem que sejamos mais capazes de recriar sua pulsão original?

Boa audição - Namastê


quarta-feira, 22 de julho de 2026

Boxset: La Grande Histoire Du Jazz, do Ragtime ao Swing 1898-1952 (25CDs)

Lançamento: 2009
Selo: Le Chant du Monde 
Gênero: Swing, Ragtime, Big Band, Early Jazz, New Orleans Jazz, Dixieland, Harlem Stride Piano, Gipsy Jazz (Jazz Manouche), Negro Spirituals/Gospel


O estio do Jazz: O equilíbrio entre a vanguarda e o lirismo narca o décimo terceiro volume da coleção "La Grande Histoire du Jazz" situabdo-se em um momento de consolidada sofisticação pós-revolucionária. Se os volumes anteriores documentaram a ruptura sísmica do Bebop, este reflete um período de "sedimentação". Aqui, a linguagem moderna já está assimilada; os músicos não precisam mais provar sua capacidade técnica através da velocidade excessiva e o jazz entra em uma fase de reflexão onde o timbre, a melodia e o arranjo recuperam o protagonismo, sem, contudo, abandonar a complexidade harmônica conquistada. A temática do pano de fundo deste volume é a "era da introspecção", o jazz dos anos 40 tardios e início dos 50, registrado aqui, revela uma estética que transita entre a urgência urbana de Nova York e o surgimento de uma sensibilidade mais lírica. Há um nítido contraste entre a ferocidade de antigamente e uma nova calma, quase cinematográfica. Culturalmente, o jazz começa a se estabelecer como uma arte que demanda escuta profunda, apropriando-se dos clubes e teatros como espaços de contemplação. A construção do gênero e a evolução técnica documentada neste volume é um estudo de polimento e refinamento: O ressurgimento da melodia após a desconstrução quase hermética do início do Bebop, este volume mostra como os solistas redescobriram o valor do espaço e da pausa. As frases musicais tornam-se mais desenhadas, com um sentido de forma que busca o equilíbrio entre o inesperado e o familiar. A "cor" orquestral observa-se um uso mais criativo dos instrumentos menos convencionais e uma atenção maior à textura sonora como a maneira do piano "enquadra" o solista em acordes dispostos de forma mais espaçada e harmônicas menos ruidosas, confere à música uma elegância que define o início do Cool Jazz. O domínio do estúdio na gravação torna-se, de fato, um instrumento em si. As técnicas de equalização e a proximidade da microfonação começam a ser usadas para destacar as nuances do toque — o ar no saxofone, o ataque preciso na tecla do piano, a textura das escovinhas na bateria. A estrutura do "Standard" do jazz aqui consolida o uso dos standards (canções do cancioneiro americano) como plataforma para a improvisação profunda, elevando essas melodias a novos patamares de complexidade harmônica. A persistência do Blues, apesar de toda a modernização harmônica, é fascinante notar como o blues nunca desaparece do vocabulário desses músicos. Ele permanece como a "espinha dorsal" invisível, a gramática básica que mantém a música aterrada, não importa quão longe o solista vá em suas explorações melódicas. A transição do "Bop" para o "Cool" traz neste CD funcional como uma crônica da transição entre a "quente" energia da 52ª Rua e o novo som mais "frio" que começava a emanar dos estúdios da Costa Oeste. É possível ouvir, faixa a faixa, a mudança de paradigma na escolha das notas e na intenção do fraseado. O nascimento do intérprete como "Auteur", mais do que nunca, os nomes presentes neste volume começam a ser vistos não apenas como instrumentistas, mas como curadores de um som pessoal. A assinatura sonora de cada solista torna-se seu maior patrimônio. O CD13 é um triunfo de maturidade artística. Documentalmente, ele é a prova de que o Jazz, ao se tornar mais refinado, não perdeu sua alma, mas ganhou em profundidade. É um registro essencial para entender como a música de improviso evoluiu de um exercício de bravura para uma forma de meditação sonora. Para o ouvinte, este volume oferece a satisfação de uma música que é, ao mesmo tempo, intelectualmente desafiadora e esteticamente reconfortante. Como observando esta fase em que o jazz começa a abraçar o lirismo e o refinamento harmônico, você consideraria essa tendência como uma "domesticacão" da energia selvagem do Bebop, ou como a etapa final da evolução do jazz em direção a uma forma de arte absoluta, capaz de comportar qualquer nível de complexidade sem perder a elegância?


Boa audição - Namastê

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Boxset: La Grande Histoire Du Jazz, do Ragtime ao Swing 1898-1952 (25CDs)


Lançamento: 2009
Selo: Le Chant du Monde 
Gênero: Swing, Ragtime, Big Band, Early Jazz, New Orleans Jazz, Dixieland, Harlem Stride Piano, Gipsy Jazz (Jazz Manouche), Negro Spirituals/Gospel 

A consolidação da virtuosidade: A arte da narrativa no Jazz foca o oitavo volume da coleção La Grande Histoire du Jazz marcando o auge da sofisticação técnica e a maturidade expressiva do Jazz no final da década de 1930 e início dos anos 40. Este recorte temporal não é apenas uma sequência de registros musicais; é o momento em que o jazz, tendo consolidado o seu vocabulário rítmico e harmônico durante a era do Swing, começa a olhar para dentro de si, valorizando a profundidade emocional do solista como o centro gravitacional da obra. O pano de fundo deste CD é o amadurecimento cultural do jazz como arte legítima. O contraste estético é sutil, mas profundo: saímos da "dança" pura das orquestras de massa para um cenário onde a jam session e o pequeno grupo (quartetos, sextetos) tornam-se laboratórios de experimentação. Culturalmente, o jazz aqui deixa de ser apenas a "música das pistas de dança" para se tornar uma música de escuta atenta, onde a complexidade da interação entre músicos de alto calibre reflete uma sociedade que, embora ainda segregada, encontra no jazz a sua forma mais refinada de diálogo inter-racial e expressão individual. A evolução técnica documentada neste volume revela a transição entre o arranjo rígido e a liberdade criativa, a "conversa" instrumental no papel dos instrumentos evolui de forma dialética. O piano, muitas vezes percussivo nos volumes anteriores, assume aqui um papel de orquestrador, onde as mãos de artistas magistrais criam camadas harmônicas ricas que sustentam o solista com delicadeza e precisão. O advento do fraseado "moderno" percebe-se a transição na articulação dos sopros. O vibrato torna-se mais controlado e elegante, menos operístico, caminhando em direção a uma pureza tonal que influenciaria profundamente o Bebop. A estrutura rítmica aqui já opera como um organismo vivo. O contrabaixo deixou de ser apenas um metrônomo para se tornar um elemento melódico secundário, e a bateria, com o uso mais frequente dos pratos de condução (ride cymbals), começa a criar aquele "tapete" fluido que permite ao solista planar sobre a harmonia. A "democratização" da Improvisação curiosamente, este volume destaca músicos que frequentemente transitavam entre grandes orquestras e pequenos grupos de estúdio. Esse "trânsito" permitiu que técnicas de orquestração de grande escala fossem aplicadas em pequenos grupos, criando um gênero híbrido, por vezes chamado de chamber jazz (jazz de câmara). A era do 78 rotações como filtro é notável como, neste volume, os artistas já dominam a "arte dos três minutos". Existe uma precisão narrativa cirúrgica: introdução, exposição do tema, improviso e reexposição. É um exercício de economia e impacto que serve como uma aula de edição para músicos contemporâneos. O papel dos "sidemen": muitos dos músicos presentes neste volume, embora não fossem os líderes das bandas, tornaram-se pilares da história do jazz por sua capacidade de "completar" o pensamento musical dos líderes. A escuta atenta neste CD permite identificar o diálogo entre o solista principal e os músicos de apoio, algo frequentemente negligenciado na historiografia convencional. O CD8 é, fundamentalmente, um registro de refinamento. Ele não apresenta a "explosão" do início da era do jazz, mas a "polidez" do mestre que conhece todas as ferramentas do seu ofício. É um volume que documenta a transição de um gênero musical que buscava a sua voz para um gênero que agora dita as regras da linguagem musical moderna. A importância documental aqui reside na demonstração de que o jazz atingiu, nesta fase, um equilíbrio quase impossível entre a acessibilidade melódica e a complexidade técnica, servindo como a ponte última antes da ruptura radical que o Bebop promoveria poucos anos depois. Considerando a maestria contida neste oitavo volume, você vê a transição para a liberdade total do improviso (que explodiria na era do Bebop) como um desenvolvimento natural dessa "narrativa do solista" que este CD tão bem documenta, ou como uma reação deliberada contra a estrutura orquestral que aqui atinge seu apogeu?

Boa audição - Namastê

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Boxset: La Grande Histoire Du Jazz, do Ragtime ao Swing 1898-1952 (25CDs)

Lançamento: 2009
Selo: Le Chant du Monde 
Gênero: Swing, Ragtime, Big Band, Early Jazz, New Orleans Jazz, Dixieland, Harlem Stride Piano, Gipsy Jazz (Jazz Manouche), Negro Spirituals/Gospel


O alvorecer da sofisticação: O jazz em transição para a modernidade ergulha no  sétimo volume da coleção La Grande Histoire du Jazz situa-se em um dos períodos mais férteis da cronologia musical: a consolidação definitiva do Swing e o prenúncio da harmonia moderna. Se o volume anterior marcou a transição da polifonia rústica para a organização orquestral, este CD7 captura o momento em que as grandes orquestras se tornam as "máquinas de som" dominantes, elevando o jazz ao posto de música popular de massa enquanto, simultaneamente, os virtuosos começam a esticar as fronteiras do que era harmonicamente aceitável. O pano de fundo deste volume é o período de maturidade da era do Swing e a ascensão da indústria do rádio e do cinema musical. Esteticamente, o disco reflete o contraste entre a energia explosiva das big bands que animavam os salões de baile — projetadas para o movimento, para o corpo e para o entretenimento coletivo — e a busca por uma identidade artística individual, onde o solista começa a emergir como uma figura de autoridade quase mística, rivalizando em importância com a própria orquestra que o sustenta. A construção do gênero a evolução técnica neste volume revela um refinamento sem precedentes na articulação dos naipes e na escrita para jazz: A "Mecânica" do Swing: Observa-se a otimização dos arranjos, onde a escrita para metais e palhetas atinge um equilíbrio sofisticado. A força não vem mais da massa sonora caótica, mas da precisão milimétrica dos ataques e da "respiração" rítmica da seção de metais. O Papel do Contrabaixo: O uso do contrabaixo torna-se o alicerce fundamental, substituindo de vez a tuba e proporcionando o walking bass que define o balanço do gênero. Harmonias expandidas dos solistas deste volume começam a explorar tensões harmônicas (notas "fora" do acorde, mas que fazem sentido dentro da frase), algo que começava a ser uma marca de músicos que olhavam para o futuro. O improviso passa a ser menos sobre decorar melodias e mais sobre a compreensão profunda das progressões harmônicas. O surgimento da "estrela", o papel do frontman (seja ele cantor ou instrumentista) é solidificado. O carisma individual, a técnica vocal e a capacidade de fraseado tornam-se o coração emocional da música. A curiosidades históricas pertinente na tecnologia do CD remota período que coincide com a era de ouro do disco de 78 rotações. O tempo limitado de gravação (cerca de 3 minutos) obrigou os arranjadores a serem gênios da síntese; é fascinante notar como, neste CD, cada nota parece ter sido calculada para extrair o máximo de impacto emocional dentro dessa janela estrita. Os estúdios como Laboratórios e muitas destas gravações foram feitas sob condições que hoje consideraríamos precárias, mas que resultaram em uma estética sonora de "presença" inigualável. O uso de microfones únicos no centro da sala forçava a banda a ter um equilíbrio natural (o que chamamos de balance) puramente acústico, um segredo de sonoridade que a era digital tenta, muitas vezes, emular artificialmente. A evolução das "Jams" em algumas faixas neste volume capturam a energia que antes só existia nas jam sessions informais de Nova York ou Kansas City, trazidas agora para a formalidade estéril dos estúdios, perdendo um pouco da "sujeira", mas ganhando em precisão técnica. Este volume é um documento essencial que encapsula o "momento de ouro" do jazz. É o registro da música que deu sentido à vida americana durante a crise e a reconstrução, e que se espalhou pelo mundo como um símbolo de liberdade e sofisticação. Documentalmente, o CD 7 é indispensável: ele prova que o jazz, naquele momento, havia alcançado o ápice da sua aceitação comercial sem sacrificar a sua integridade técnica. É a audição obrigatória para entender por que, para várias gerações, o Swing não foi apenas um estilo, mas a trilha sonora de uma nova era de modernidade. Pergunta que fica é observando a elegância e a precisão alcançadas neste sétimo volume, pergunto: na sua análise pessoal, qual destas orquestras você sente que melhor equilibrou o peso da tradição de blues com a necessidade de inovação harmônica que o Swing exigia?


Boa audição - Namastê

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

2005 - Chick Webb - The Best Of (1933-1939)


Artista: Chick Webb 
Lançamento: 2005
Selo: Chestnut Music Traders
Gênero: Swing, Big Band

Este dínamo de um metro e vinte de altura dominou Na década de 1930, no Savoy Ballroom do Harlem, Webb frequentemente expulsava bandas de swing concorrentes que tentavam tomar seu lugar. Baterista poderoso, ele contratava solistas igualmente talentosos e, claro, deu a Ella Fitzgerald sua primeira grande oportunidade. Ela é a vocalista em oito faixas, incluindo “A-Tisket, A-Tasket” (o disco mais vendido da década de 1930), “Sing Me a Swing Song (And Let Me Dance)”, “Taint What You Do (It's the Way That Cha Do It)”, “The Dipsy Doodle” e “If You Can't Sing It, You'll Have to Swing It”. Com canções de compositores como Fats Waller, os Gershwins e Jelly Roll Morton, as vinte faixas também incluem “Stompin' at the Savoy” (é claro!), “If Dreams Come True”, “King Porter Stomp”, “Liza”, “On the Sunny Side of the Street”, “Vote for Mr. Rhythm”, “What a Shuffle” e “Keeping Out of Mischief Now”.

A formação da Chick Webb Orchestra variou ao longo dos anos, destacando-se nomes que moldaram o som do swing: 
Vocalistas: Ella Fitzgerald (descoberta por Webb em 1935), Louis Jordan (que também tocava sax alto), Taft Jordan e Charles Linton.
Bateria: Chick Webb (Líder).
Sopros: Edgar Sampson (Sax alto/Arranjador principal), Benny Carter (Sax alto/Arranjador), Wayman Carver (Sax tenor/Flauta), Hilton Jefferson (Sax alto), Pete Clark (Sax alto/Clarinete), e Elmer Williams (Sax tenor).
Metais: Mario Bauzá, Taft Jordan e Bobby Stark (Trompetes); Sandy Williams e Claude Jones (Trombones).
Seção Rítmica: Don Kirkpatrick ou Tommy Fulford (Piano); John Kirby ou Beverly Peer (Contrabaixo); John Trueheart (Guitarra/Banjo). 
Destaques do Álbum (Tracklist)
As faixas mais icônicas deste período incluem sucessos tanto instrumentais quanto vocais: 
"A-Tisket, A-Tasket" (com Ella Fitzgerald) – O maior sucesso comercial da banda.
"Stompin' at the Savoy" – Hino composto por Edgar Sampson em homenagem ao salão de baile.
"Liza (All the Clouds'll Roll Away)" – Famosa pela exibição técnica de bateria de Webb.
"Clap Hands! Here Comes Charley" – Outro exemplo do domínio rítmico de Webb.
"Undecided" e "Harlem Congo" – Clássicos do swing instrumental.
"Don't Be That Way" – Originalmente escrita para a banda por Sampson antes de se tornar um hit de Benny Goodman. 
A coletânea reflete a transição da banda de um conjunto puramente instrumental focado em dança para o estrelato nacional impulsionado pela voz de Ella Fitzgerald. 


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quarta-feira, 10 de setembro de 2025

Boxser: The Keynote Jazz Collection, 1941-1947 (11xCDs)

Artista: VA
Lançamento: 2013
Selo: Fresh Sound Records / FSR-CD 815
Gênero: Swing, Bop

"A inestimável gravadora espanhola de reedições de jazz Fresh Sound Records recentemente entrou em um novo território ao se superar com uma enorme reedição de 11 discos chamada The Keynote Jazz Collection, 1941-47. [...] Ela oferece uma impressionante amostra do jazz dos anos 1940 em todos os seus vários estilos, durante uma época em que a música estava em processo de transição, enquanto o bebop se desenvolvia. Mais de um comentarista disse que, embora ainda seja cedo no ano, esta é provavelmente a reedição de jazz de 2014."

— Steve Wallace (21 de fevereiro de 2014) http://wallacebass.com/


Boa audição - Namastê


 

quarta-feira, 20 de agosto de 2025

Boxser: The Keynote Jazz Collection, 1941-1947 (11xCDs)


Artista: VA
Lançamento: 2013
Selo: Fresh Sound Records / FSR-CD 815
Gênero: Swing, Bop


A Keynote Records foi uma gravadora fundada pelo dono de uma loja de discos Eric Bernay em 1940. Os lançamentos iniciais da gravadora foram canções folk e de protesto da União Soviética e da Guerra Civil Espanhola, seguidos por vários lançamentos antiguerra de músicos americanos. A partir de 1943, a gravadora lançou gravações na linguagem jazzística produzidas por Harry Lim. O crítico musical John S. Wilson, em 1965, descreveu a produção jazzística da gravadora como "um reflexo extraordinariamente válido do espírito jazzístico da época". Um investimento imprudente em uma fábrica de discos em 1947 levou a empresa à falência em 1948, passando a ser controlada pela Mercury Records. As sessões de jazz do Keynote foram relançadas em 1986, quando a Nippon Phonogram/PolyGram lançou um conjunto de 21 LPs com 115 takes inéditos. Robert Palmer, no The New York Times, em outubro de 1986, descreveu-o como "uma adição muito mais substancial ao acervo de performances de jazz clássico absolutamente essenciais do que se poderia esperar ou almejar tão tarde". Em 2013, um conjunto de 11 CDs com gravações de jazz do Keynote foi lançado pelo selo espanhol Fresh Sound. Donald Clarke, escrevendo sobre Lim para o Keynote, descreveu-o como alguém que sabia o que estava fazendo e que conseguia "bom som, sem truques". (Wikipedia) A Keynote Jazz Collection 1941-1947 (2013) é um impressionante box com 11 CDs lançado pela Fresh Sound Records, reunindo uma rica coleção de gravações de jazz de um período transformador na história do gênero. Se você gosta de swing, bebop e jazz de pequenos grupos, esta coleção é um verdadeiro tesouro. A Keynote Records foi uma das gravadoras mais influentes de sua época, capturando a vibração e a espontaneidade do jazz durante a década de 1940. Este repertório destaca músicos lendários como Lester Young, Coleman Hawkins, Charlie Parker, Dizzy Gillespie e Dinah Washington, além de preciosidades menos conhecidas que pintam um panorama mais completo da evolução do jazz. Nestas faixas lindamente remasterizadas, pode se ouvir a experimentação da época em fraseado, ritmo e arranjos de conjunto — cada sessão transborda a energia de músicos que desafiam os limites. A variedade de estilos aqui é impressionante. Você encontra a elegância suave e sedosa do Lester Young Quartet, entregando performances de destaque como Just You, Just Me e I Never Knew. E há também Coleman Hawkins, cujo "Cattin' at Keynote" é repleto de arrogância e brilhantismo técnico. Dinah Washington traz seu blues soul característico, brilhando em faixas como Evil Gal Blues e Salty Papa Blues, provando por que ela se tornou uma das vocalistas mais inesquecíveis da época. Além dos nomes mais conhecidos, este box também explora profundamente a lista de artistas do Keynote, apresentando aos ouvintes músicos fantásticos, mas às vezes esquecidos. Faixas como "Battle of the Saxes", de Coleman Hawkins and His Sax Ensemble, ou "Thru' for the Night", de Cozy Cole, destacam a interação e a química entre os músicos durante essas sessões. Há também um toque de arranjos exóticos e experimentais, como "Curry in a Hurry", do Charlie Shavers Quintet, que adiciona um toque lúdico ao fraseado clássico do jazz. A Fresh Sound Records fez um trabalho incrível na embalagem, incluindo um livreto de 124 páginas repleto de insights históricos, fotos e notas que contam a história por trás de cada gravação. Há até um pôster desdobrável, fazendo com que esta coleção pareça uma celebração da era de ouro do jazz, em vez de apenas mais uma coletânea. Seja você um colecionador dedicado ou simplesmente alguém que adora descobrir jazz clássico, a Coleção Keynote Jazz é uma experiência essencial. É um retrato de uma era vibrante, repleta de performances inesquecíveis que ainda hoje soam atuais. 

Boa audição - Namastê

sexta-feira, 22 de novembro de 2024

Boxset: Les Trésors Du Jazz - 1944-1951

Artista: VA
Lançamento: 2002
Selo: Le Chant Du Monde
Série: Boxset 'Les Trésors Du Jazz' (10 CD)
Gênero: Swing, Big Band, Bop, Cool Jazz, Mainstream Jazz


Boa audição - Namastê

segunda-feira, 18 de novembro de 2024

Boxset: Les Trésors Du Jazz - 1944-1951

Artista: VA
Lançamento: 2002
Selo: Le Chant Du Monde
Série: Boxset 'Les Trésors Du Jazz' (10 CD)
Gênero: Swing, Big Band, Bop, Cool Jazz, Mainstream Jazz



Boa audição - Namastê

terça-feira, 31 de outubro de 2023

VA - Songbook de George & Ira Gershwin

Artista: VA

Álbum: George & Ira Gershwin Songbook

Lançamento: 1993

Selo: Avid Records

Gênero: Vocal Jazz, Swing

Os irmãos Ira e George Gershwin, de ascendência judia e com formação clássica acabaram por criar um dos maiores patrimônios da cultura norte-americana: os grandes musicais. George, o músico e Ira, o letrista inspirado que soube como poucos retratar uma época e as aspirações em letras românticas e críticas. Após a Crise de 29 com a queda da Bolsa de Nova York e a escassez de dinheiro, os irmãos George e Ira Gershwin se renderam ao cinema. Em 1930 chegaram a Hollywood. Os caminhos percorridos e as canções compostas para as produções hollywoodianas como a trilha de “Delicious” cuja música principal ganhou quatro versões no Brasil; até a venda dos direitos de “Girl Crazy” e o regresso para casa. Desde cedo, os irmãos Gershwin foram companheiros no gosto pela música. Com personalidades diferentes, Ira gostava de estudar, era fascinado por arte e aos 14 anos pediu um piano de presente aos pais. George, ao contrário, vivia pelas ruas de East Side, arrumando encrenca e jogando beisebol. Mas para espanto de todos, foi ele quem mais se encantou com o novo instrumento em casa. Aos 12 anos, conseguiu sozinho tirar de ouvido uma canção. Impressionados pelo talento, seus pais contrataram um professor particular que passou a dar aulas de piano aos meninos. George Gershwin nunca foi um aluno exemplar. Aos 16 anos, abandonou o curso médio de comércio onde estudava para trabalhar em uma editora musical como leitor de partituras. O emprego consistia em tocar piano para os fregueses, mostrando os lançamentos musicais. Nas horas vagas, ocupava-se em suas próprias composições. Após alguns desapontamentos, consegue finalmente em 1916 publicar sua primeira canção, intitulada “When you want'em, you can't get'em, when you got'em, you dont' want'em”. Cansado de tocar apenas música clássica, que considerava "ultrapassada", passou a compor trechos inspirados no jazz que, de Nova Orleans, começava a ganhar espaço em todo o país. O sucesso aumentava a cada dia, quando Gershiwn, com 39 anos incompletos, percebeu que algo estava errado com a sua saúde. Passou a sofrer desmaios, dores de cabeça e lapsos de memória. No começo de julho de 1937, teve um desmaio e entrou em coma. Os médicos detectaram um tumor no cérebro em estado avançado. Na manhã do dia 11, George Gershwin morreu ao lado do irmão, em Hollywood, Califórnia. Ira Gershwin foi um letrista norte-americano que colaborou com seu irmão mais novo, o compositor George Gershwin, para criar algumas das canções mais memoráveis da língua inglesa do século XX. Com George, ele escreveu mais de uma dúzia de shows da Broadway, apresentando canções como " I Got Rhythm", "Embraceable You", "The Man I Love" e "Someone to Watch Over Me". Ele também foi responsável, junto com DuBose Heyward, pelo libreto da ópera Porgy and Bess de George. Morreu em 17 de agosto de 1983, aos 86 anos em Beverly Hills.


Boa audição - Namastê


 

quinta-feira, 14 de setembro de 2023

Boxset: Jazz In Britain 1919-1950 (04xCD - Compilation)

 Artista: VA 

Álbum: Louis and Duke Arrive - CD02

Lançamento: 2005

Selo: Proper Records

Gênero: Swing, Trad Jazz, Ragtime

O jazz britânico chegou a Grã-Bretanha através de gravações e artistas norte-americanos que visitaram o país enquanto ele era um gênero relativamente novo, logo após o fim da I Guerra Mundial. Ele começou a ser tocado por músicos britânicos nos anos 30 e ganhou popularidade em 1940, tocado nos salões pelas big bands. A partir do final dos anos 40 o moderno jazz britânico, altamente influenciado pelo bebop americano, começou a surgir e foi divulgado pelo compositor de jazz, saxofonista e clarinetista inglês John Dankworth e pelo saxofonista tenor e dono do clube de jazz Ronnie Scott, enquanto os trompetistas Ken Colyer e Humphrey Lyttelton e o pianista George Webb enfatizaram o jazz de New Orleans. A partir dos anos 60 o jazz britânico começou a desenvolver mais as suas características individuais e absorver uma variedade de influências, incluindo o blues britânico, bem como o europeu. Um grande número de músicos britânicos ganhou reputação internacional, embora tivessem uma participação minoritária dentro do próprio Reino Unido.

Ronnie Scott, originalmente Ronald Schatt, nasceu em Aldgate, leste de Londres, em uma família de ascendência judaica da Rússia por parte de pai e de portugueses do lado da mãe. Scott começou a tocar em pequenos clubes de jazz com dezesseis anos e foi um dos primeiros músicos britânicos a ser influenciado por Charlie Parker e outros do bebop. Ele é mais lembrado por fundar com o ex-saxofonista tenor Pete King, o ‘Scott Jazz Ronnie Club’.

Coleridge George Emerson Goode, notável baixista que colaborou com o saxofonista Joe Harriott. Goode era jamaicano e veio para a Inglaterra em 1934 para estudar no Royal Technical College em Glasgow e depois engenharia na Universidade de Glasgow. Ele já era um violinista clássico, mas se encantou com o jazz e assumiu o baixo após ouvir Count Basie, Duke Ellington, Billie Holiday e Louis Jordan, abandonando os seus planos de voltar para a Jamaica.

Mossie Thomas ‘Tommy’ McQuater foi trompetista escocês, notável por seu trabalho no Reino Unido com Bert Ambrose em 1930, e também em algumas gravações feitas com George Chisholm e Benny Carter.

Frank Deniz foi um dos primeiros guitarristas da Inglaterra, do movimento swing. Filho mais velho de um violinista de Cabo Verde, Frank estudou violino e banjo antes de se mudar definitivamente para a guitarra. Em 1937 mudou-se para Londres quando o swing norte-americano estava na moda nos círculos sociais da cidade.


Boa audição  - Namastê

quinta-feira, 15 de junho de 2023

Dizzy Gllespie - The Complete RCA Victor Recordings 1937-1949 (2CD)


Lançado: 1995
Selo: Bluebird, BMG Music
Gênero: Bop, Jazz afro-cubano, Big Band
Dizzy Gillespie (1917-1993) é um dos mentores do bebop, um dos criadores da linguagem do trompete jazzístico moderno, e um verdadeiro embaixador da música. Os únicos trompetistas que se equiparam a Dizzy, em termos de importância musical e histórica, são Louis Armstrong e Miles Davis. Nascido em Cheraw, Carolina do Sul, John Birks Gillespie experimentou o trombone antes de se decidir aos 12 anos pelo trompete, instrumento com o qual se iniciou profissionalmente aos 14 anos. Tocou em diversas orquestras, na segunda metade dos anos 30 e na no início dos anos 40 e teve como grande modelo o trompetista Roy Eldrige, a quem inclusive substituiu na ‘Teddy Hill Band’, em 1937. O jeito irreverente e as brincadeiras que fazia com colegas e mesmo com os próprios regentes lhe valeram não poucas reprimendas e até demissões. Entre 1942 e 1945, Dizzy tocou nas orquestras de Earl Hines e de Billy Eckstine, que constituíram verdadeiros celeiros de talentos do nascente estilo bebop. Em 1941 Dizzy encontrou Charlie Parker pela primeira vez, quando este tocava na orquestra de Jay McShann. A partir daí, os dois tocaram juntos diversas vezes, com diferentes grupos e dando contornos definitivos ao bebop. Somente em 1945, porém, Dizzy e Bird finalmente gravariam juntos. Em 1945 Dizzy optou pelo formato big band. Sua orquestra do período 1946-1950 contou com músicos de peso, como Milt Jackson, John Lewis, Ray Brown e Kenny Clarke que, juntos, constituiriam a primeira formação do ‘Modern Jazz Quartet’, além de Jay Jay Johnson, Yusef Lateef e até John Coltrane. Essa orquestra teve que ser desfeita em 1950 devido a dificuldades econômicas. Mas Dizzy continuou muito ativo, e participou de turnês do ‘Jazz at the Philarmonic’. Em 1956 formou novamente uma orquestra, que fez turnês patrocinadas pelo Departamento de Estado norte-americano. Nos anos 60, 70 e 80, alternou as big bands com as pequenas formações e fez numerosíssimas turnês por todo o mundo. Durante toda a carreira, Dizzy esteve sempre aberto a influências étnicas, como a música cubana, brasileira, africana e do Oriente Médio. Dizzy Gillespie é um dos maiores virtuoses do trompete, talvez o maior, e tratou de explorar essa qualidade em suas apresentações. Seu fraseado é cheio de elementos surpreendentes e saltos vertiginosos, explorando as notas superagudas do instrumento. Sua capacidade criativa como improvisador parece inesgotável. O arrojo, a agressividade e o humor da música de Dizzy podem ser vistas como uma extensão de sua personalidade de showman nato. Dizzy também cantou e nunca deixou totalmente de lado o seu lado brincalhão, para deleite das plateias de todo o mundo. (por V.A. Bezerra)


Sax. Alto – Benny Carter (faixas: 1-6), Charlie Parker (faixas: 2-18 a 2-21), Ernie Henry (faixas: 2-2 a 2-17), Howard Johnson (faixas: 1 -1, 1-3 a 1-5, 1-13 a 2-1), John Brown (faixas: 1-1, 1-13 a 2-17), Russell Procope (faixas: 1-3 a 1-5)
Sax. Barítono – Al Gibson (faixas: 2-6 a 2-17), Cecil Payne (faixas: 1-1, 1-13 a 2-5), Ernie Caceres (faixas: 2-18, 2-19, 2- 21)
Baixo – Al McKibbon (faixas: 1-1, 1-17 a 2-17), Eddie Safranski (faixas: 2-18 a 2-21), Milt Hinton (faixas: 1-6), Ray Brown (faixas: 1 -2, 1-7 a 1-16), Richard Fullbright (faixas: 1-3 a 1-5)
Bongos – Sabu Martinez (faixas: 2-2 a 2-5)
Clarinete – Buddy DeFranco (faixas: 2-18 a 2-21)
Congas – Joe Harri (faixas: 2-2 a 2-5), Vince Guerra (faixas: 2-6 a 2-17)
Congas, Bongos – Chano Pozo (faixas: 1-1, 1-17 a 2-1)
Bateria – Bill Beason (faixas: 1-3 a 1-5), Cozy Cole (faixas: 1-6), JC Heard ( faixas: 1-2, 1-7 a 1-12), Joe Harris (faixas: 1-13 a 1-16), Kenny Clarke (faixas: 1-1, 1-17 a 2-1), Shelly Manne (faixas: 2-18 a 2-21), Teddy Stewart ( faixas: 2 -2 a 2-17)
Guitarra – Bill DeArango (faixas: 1-2, 1-7 a 1-12), Billy Bauer (faixas: 2-18 a 2-21), Charlie Christian (faixas: 1-6), John Collins (faixas: 1-13 a 1-16 ), John Smith (faixas: 1-3 a 1-5)
Piano – Al Haig (faixas: 1-2, 1-7 a 1-12), Clyde Hart (faixas: 1-6), James Forman (faixas: 2-2 a 2-17), John Lewis (faixas: 1-1, 1-13 a 2-1), Lennie Tristano (faixas: 2-18 a 2-21), Sam Allen (faixas: 1-3 a 1-5)
Sax. Tenor – Ben Webster (faixas: 1-6), Big Nick Nicholas (faixas: 1-1, 1-17 a 2-1), Budd Johnson (faixas: 2-2 a 2-5), Charlie Ventura (faixas : 2-18 a 2-21 ), Coleman Hawkins (faixas: 1-6), Don Byas (faixas: 1-7 a 1-11), James Moody (faixas: 1-13 a 1-16), Joe Gayles (faixas: 1-1, 1-13 a 2-17),Chu Berry (faixas: 1-6), Robert Carroll (faixas: 1-3 a 1-5), Teddy Hill (faixas: 1-3 a 1-5), Yusef Lateef (faixas: 2-6 a 2- 17)
Trombone – Andy Duryea (faixas: 2-2 a 2-17), Charles Greenlea (faixas: 2-14 a 2-17), Dicky Wells (faixas: 1-3 a 1-5), JJ Johnson (faixas: 2-14 a 2-19, 2-21), Jesse Tarrant (faixas: 2-2 a 2-13), Kai Winding (faixas: 2-18 a 2-21), Sam Hurt (faixas: 2 -2 a 2-13), Taswell Baird (faixas: 1-13 a 1-16), Ted Kelly (faixas: 1-1, 1-17 a 2-1), William Shepherd (faixas: 1-1, 1-13 a 2-1)
Trompete – Benny Bailey (faixas: 1-1, 1-17 a 2-1), Benny Harris (faixas: 2-6 a 2-17), Bill Dillard (faixas: 1-3 a 1-5), Dave Burns (faixas: 1-1, 1-13 a 2-5), Dizzy Gillespie, Elmon Wright (faixas: 1-1, 1-13 a 2-17), Fats Navarro (faixas: 2-18, 2-19, 2-21), Lamar Wright (faixas: 1-1, 1-17 a 2-1), Matthew McKay (faixas: 1-13 a 1-16), Miles Davis (faixas: 2-18, 2-19, 2-21), Ray Orr (faixas: 1-13 a 1-16), Shad Collins (faixas: 1 -3 a 1-5), Willie Cook (faixas: 2-2 a 2-1)
Vibraphone – Lionel Hampton (faixas: 1-6), Milt Jackson (faixas: 1-2, 1-7 a 1-16)
Vocais – Bill Dillard (faixas: 1-4), Dizzy Gillespie (faixas: 1-14, 1-18, 1-21, 2-5, 2-11, 2-13, 2-14, Dizzy Gillespie e sua Orquestra (faixas: 2-14), Joe Carroll (faixas: 2-11, 2-14, 2-17), Johnny Hartman (faixas: 2-8 a 2-10, 2-16), Kenny Hagood (faixas: 1-14, 1-18, 1-21)
Vocais [Chanting] – Chano Pozo (faixas: 1-20)

Faixas tiradas:
1-1 & 1-18 de Shellac 10" A e B-side (1948) [RCA Victor ‎20 3023] creditadas a Dizzy Gillespie And His Orchestra
1-2 & 1-12 da compilação LP "Crazy And Cool" (1953) [RCA Victor ‎LPT 3046] creditado a Vários Artistas. A faixa, por sua vez é creditada a Dizzy Gillespie And His Orchestra
1-3 from Shellac 10" A-side (1937) [Bluebird B 6988] creditado a Teddy Hill And His NBC Orchestra
1-4 from Shellac 10" A-side (1937) [Bluebird B 7013] creditado a Teddy Hill And His NBC Orchestra
1-5 from Shellac 10" B-side of" I'm Happy Darling, Dancing With You" (1937) [Bluebird B 6989] creditado a Teddy Hill And His NBC Orchestra
1-6 from Shellac 10"Lado A (1939?) [Victor ‎26371] creditado a Lionel Hampton e Orquestra
1-7, 1-9 e 1-11 do LP (4 x Shellac 10") "New 52nd Street Jazz" (1946) [RCA Victor ‎HJ 9] creditado a Dizzy Gillespie e sua orquestra / Coleman Hawkins' 52nd Street All Estrelas
1-8 da compilação do LP "The Greatest Of Dizzy Gillespie" (1961) [RCA Victor ‎LPM 2398]
1-10 e 2-13 da compilação do LP "Dizzy Gillespie" (1966) [RCA Victor ‎LPV 530]
1- 13 & 1-14 de Shellac 10" B e lado A (1947) [RCA Victor ‎20 2480] creditado a Dizzy Gillespie And His Orchestra
1-15 & 1-16 de Shellac 10" A e B-side (1947) [RCA Victor ‎20 2603] creditado a Dizzy Gillespie And His Orchestra
1-17 and 1-22 from Shellac 10" B and A-side ( 1949 ) [RCA Victor ‎20 3186] creditado a Dizzy Gillespie And His Orchestra
1-19 e 1-20 do LP (4 x Shellac 10") "Bebop (Álbum Of Modern Jazz)" (1948) [RCA Victor ‎P 226] creditado a Vários Artistas
1-21 e 2-1 de Shellac 10" Lado A e B (1948) [RCA Victor ‎20 2878] creditado a Dizzy Gillespie And His Orchestra
2-2 & 2-4 from Shellac 10" B and A-side (1949) [RCA Victor ‎20 3370] creditado a Dizzy Gillespie And His Orchestra
2-3, 2-5, 2-7, 2-12, 2-14 and 2-15 da compilação LP "Dizzier And Dizzier" (1954) [RCA ‎LJM 1009] creditado a Dizzy Gillespie And His Orchestra
2-6 & 2-8 from Shellac 10" A and B-side (1949) [RCA Victor ‎20 3457] creditado a Dizzy Gillespie And His Orchestra
2-9 & 2-11 from Shellac 10"Lado A (1949) [RCA Victor ‎20 3481] creditado a Dizzy Gillespie e sua orquestra
2-10 da compilação de 2 LPs "Dizziest" (1987) [Bluebird 5785 1 RB]
2-16 e 2-17 da Shellac 10" B e A-side (1949) [RCA Victor ‎20 3538] creditado a Dizzy Gillespie And His Orchestra
2-18 & 2-20 from Shellac 10" A and B-side (1949) [RCA Victor ‎20 3361] creditado a Metronome All Stars
2-19 & 2-21 da compilação LP "Crazy And Cool" (1953) [RCA Victor ‎LPT 3046] creditado a Vários Artistas. As faixas, por sua vez, são creditadas ao Metronome All Stars

Gravações dos anos 1937 a 1949
1-1 e 1-21 a 2-1 30 de dezembro de 1947, Nova York
1-2 e 1-7 a 1-12 22 de fevereiro de 1946, Nova York Cidade
1–3 a 1–5 17 de maio de 1937, Nova York
1–6 13 de junho de 1939, Nova York
1–13 a 1–16 22 de agosto de 1947, Nova York
1-17 a 1-20 22 de dezembro de 1947, Nova York
2-2 a 2-5 29 de dezembro de 1948, Nova York
2-6 a 2-9 14 de abril de 1949, Chicago, IL. De acordo com www.jazzdisco.org, o local da gravação é Nova York
2-10 a 2-13 6 de maio de 1949, Chicago, IL. De acordo com www.jazzdisco.org, o local de gravação é New York City
2-14 a 2-17 6 de julho de 1949, New York City
2-18 a 2-21 3 de janeiro de 1949, New York City

 Boa audição - Namastê