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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Boxset: Triumphs Of The Blues (20xCD's) CD04

 
Lançamento: 2001/02/03
Selo: Habana 
Gênero: Chicago Blues, Country Blues, Delta Blues, Harmonica Blues, Jump Blues, Louisiana Blues, Piano Blues, Rhythm & Blues, Texas Blues, East Coast Blues, Vaudeville Blues

O quarto volume da prestigiada coleção Les Triomphes du Blues (Habana) desvia o foco do rigor instrumental masculino para celebrar a força sísmica e o monopólio expressivo das grandes divas do início do século XX. Intitulado Chanteuses de Blues, este disco resgata as gravações pioneiras da década de 1920 que transformaram o blues rural em um fenômeno de massas comercial, unindo a crueza temática das classes trabalhadoras à imponência teatral dos grandes palcos de vaudeville e das orquestras de jazz primitivo. Este volume desconstrói o mito historiográfico de que o blues primitivo era um domínio exclusivamente masculino, argumentando que foram as chamadas Classic Blues Queens as verdadeiras responsáveis por moldar a primeira grande indústria fonográfica voltada para o público afro-americano (Race Music). A tese central sustenta que essas mulheres não apenas cantavam sobre dor e opressão, mas reivindicavam autonomia financeira, sexual e social em uma América implacável de leis segregacionistas. Na década de 1920, gravadoras como a Paramount e a Columbia descobriram o imenso poder de consumo das comunidades urbanas do norte dos EUA. As artistas apresentadas neste volume eram as verdadeiras estrelas pop de sua era, gravando acompanhadas por músicos de escol do jazz primitivo — com participações lendárias de pianistas e cornetistas como o jovem Louis Armstrong. Acusticamente, a projeção vocal dessas cantoras era tão colossal que muitas vezes estouraba a capacidade limitada dos microfones de carbono da época, exigindo que os engenheiros as posicionassem a metros de distância do equipamento de gravação para evitar a distorção total das matrizes de cera. Análise de destaques (três faixas-chave): "Downhearted Blues" de Bessie Smith: O hino definitivo do gênero. A interpretação de Bessie Smith transborda autoridade inabalável e resignação dolorosa. O uso magistral de blue notes na sua tessitura vocal grave confere à faixa uma dignidade trágica que eleva o desamor à categoria de alta arte dramática, "Bo-Weavil Blues" de Ma Rainey: a "mãe do Blues", utiliza uma dicção ríspida, seca e altamente cadenciada, apoiada por uma estrutura de chamada e resposta com cornetas melancólicas. a letra aborda a praga agrícola que dizimou o algodão no Sul, transformando uma crise socioeconômica nacional em lamento poético e "Empty Bed Blues" de Bessie Smith: marcado por um contraponto sutil e elegante de trombone e piano, este blues de doze compassos utiliza metáforas domésticas e corporais perspicazes para tratar do luto do abandono e da solidão na metrópole. Curiosidade de bastidor (fato raro), o vagão de trem particular de Bessie Smith, curiosamente, devido ao seu colossal sucesso de vendas e bilheteria, Bessie Smith tornou-se a artista afro-americana mais bem paga do mundo na segunda metade da década de 1920. Para escapar das leis de Jim Crow, da hostilidade policial e da violência racial nas estradas do sul dos EUA, ela comprou e operava seu próprio vagão de trem Pullman particular, onde morava, dormia e viajava com toda a sua trupe de músicos durante as extenuantes turnês de vaudeville. A força interpretativa, o timbre cortante, a postura de empoderamento e a técnica de projeção vocal destas pioneiras pavimentaram a estrada direta para a ascensão do jazz vocal moderno, do gospel secularizado e do soul das décadas seguintes, influenciando diretamente ícones absolutos como Mahalia Jackson, Nina Simone e Janis Joplin.“O Volume 4 de Les Triomphes du Blues prova que a fundação sonora do século XX não foi construída apenas com o suor dos violões de madeira, mas com a voz indomável e soberana das rainhas que dominaram a aurora do disco.” 

Boa audição - Namastê

domingo, 5 de fevereiro de 2012

1958 - Sings Bessie Smith - Dinah Washington

Dotada de uma voz forte, bonita e fraseado muito preciso, o espírito irreprimível de Dinah Washington traduz a imperatriz do Blues, Bessie Smith, em um talento incomum se comparado por varias outras divas que prestaram semelhante homenagem. Washington parece simplesmente gloriosa, com foco em alternando frases que lembra a própria Smith, enfatizando suas raízes próprias do velho Blues as margens do Mississipi, berço da criação. Acompanhada por Eddie Chamblee e Sua Orquestra, enfatiza o vaudeville e som Dixieland do início do século com direito a trombone, trompete e percussão no ritmo da época. Reeditado várias vezes (ocasionalmente sob o título A Bessie Smith Songbook), Dinah Washington "Sings Bessie Smith" traça um equilíbrio perfeito entre tributo e declaração artística genuína de uma artista consagrada a um mito perpetuado na lenda. A Verve em sua reedição acrescentou as faixas alternativas "Trombone Blues (AKA Trombone Cholly)" e "Careless Love", além de três músicas tiradas de um desempenho no festival Newport. Gravado no Universal Studio, Chicago, Illinois, 30 de dezembro de 1957, 07 e 20 de janeiro 1958 e ao vivo no Jazz Festival, Newport, Rhode Island em 06 de julho de 1958.


Album: Dinah Sings Bessie Smith
Artista: Dinah Washington
Lançamento: 1958
Selo: UMG Recordings, Inc.
Genero: Jazz, Vocal Jazz, Blues

01. After You've Gone
02. Send Me To The 'Lectric Chair
03. Jailhouse Blues
04. Trombone Blues (AKA Trombone Cholly)
05. You've Been A Good Ole Wagon
06. Careless Love
07. Backwater Blues
08. If I Could Be With You One Hour Tonight
09. Me And My Gin
10. Fine Fat Daddy
11. Trombone Butter (Alternative Take)
12. Carless Love (Master Take In Mono)
13. Send Me To The 'Lectric Char (Live Version)
14. Me And My Gin (Live Version)
15. Backwater Blues (Live Version)

Boa audição - Namaste.

sexta-feira, 9 de maio de 2025

VA - The Rough Guide to Blues Legends (2CD)

Artista: VA
Lançamento: 2011
Selo: Music Rough Guides / World Music Network
Gênero: Blues, Blue Spirit, Holy Spirit (Acoustic)


Para muitos, a imagem estereotipada do artista de blues gravado nos primeiros anos é há de um bluesman negro itinerante, com violão na mão, tocando em uma paisagem rural como o Delta do Mississippi. Essa percepção no entanto é um pouco equivocada, visto que as primeiras canções de blues gravadas foram escritas por mulheres. A era do "blues clássico" da década de 1920 nasceu quando a Okeh Records levou Mamie Smith a um estúdio em Nova York em 1920 para gravar "Crazy Blues", de Perry Bradford, tornando-a a primeira cantora negra de blues já gravada e levando o titulo de "A Primeira Dama do Blues da América". Embora não tenha sido uma grande gravação, foi um enorme sucesso que fez com que gravadoras rivais se apressassem para descobrir outras cantoras negras a fim de embarcar na onda e replicar seu sucesso. Mamie Smith logo seria eclipsada por outras cantoras de blues mais ilustres como Ma Rainey e Bessie Smith, mas foi ela quem originalmente alertou a indústria fonográfica americana para o fato de que havia um público negro para discos de gramofone, o que por sua vez gerou o conceito de "discos raciais". Embora artistas como Ma Rainey e Bessie Smith tenham permanecido populares na década de 1930, em 1928 os dias de ouro da diva do blues estavam chegando ao fim, em grande parte devido ao sucesso das gravações de Blind Lemon Jefferson e outros cantores itinerantes de blues que proliferavam pelo Sul Profundo. A quebra da bolsa de valores em 1929 e a Grande Depressão que se seguiu deram o golpe de misericórdia, encerrando a carreira da maioria das cantores de destaque. No entanto, durante a década de 1960, houve um renascimento do interesse, que trouxe de volta aos palcos alguns dos artistas de destaque, como Sippie Wallace, Alberta Hunter, Ella Fitzgerald, Billie Holiday, Edith Wilson e Victoria Spivey entre outras belas vozes.


Boa audição - Namastê

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

1960 - Back at the Chicken Shack - Jimmy Smith

Era uma vez um rapaz chamado Jimmy Smith que resolveu comprar um órgão Hammond B-3, que era um instrumento muito característico das igrejas nos Estados Unidos. Jimmy alugou um galpão, e lá ficou por cerca de um ano, somente com seu órgão e sua música. Quando ele finalmente saiu de lá, havia criado um som novo, que revolucionou totalmente a maneira como o tal órgão Hammond B-3 era tocado. Foi assim que nasceu o Soul Jazz, que fez com que Smith fosse chamado de "O Incrível" pela indústria musical nos anos 60. Back At The Chicken Shack é, sem dúvida, o melhor álbum de Smith, com um balanço incansável, harmonicamente sofisticado e autêntico. Gravado em 25 de abril de 1960, o disco revelou o saxofonista Stanley Turrentine, mas também foram cruciais as contribuições da guitarra elegante e econômica de Kenny Burrell e da bateria irresistível de Donald Bailey. O curioso é que embora se chame Back At The Chicken Shack (De Volta Ao Galinheiro), o som que Jimmy Smith mostra algo totalmente sofisticado. Existe um certo minimalismo nas músicas, nada é exagerado demais, alto demais, enfim, nada é demais. O único exagero é o talento de Smith no órgão e de Turrentine no saxofone. Back On The Chicken Shack é um disco gostoso de se ouvir justamente pela falta de exageros, solos longos ou altos demais. Smith já ganharia pontos de qualquer forma, pois pegar um instrumento que era usado apenas nas igrejas, subverter totalmente a forma como ele é tocado e ainda criar um novo estilo musical em cima disso não é pra qualquer um. IN-PER-DI-VEL.

Album: Back at the Chicken Shack
Musico: Jimmy Smith
Lançamento: 1960
Selo: Blue Note


01 - Back At The Chicken Shack
02 - When I Grow Too Old To Dream
03 - Minor Chant
04 - Messy Bessie
05 - On The Sunny Side Of The Street


Donald Bailey - Bateria
Kenny Burrell - Guitarra
Jimmy Smith - Orgão
Stanley Turrentine - Sax. Tenor

Gravado em 25 de Abril de 1960, Van Gelder Studio, Englewood Cliffs, New Jersey. Boa audição - Namaste.

sábado, 28 de julho de 2018

Billie Holiday, uma cantora à frente do tempo

Billie Holiday é reconhecida como a maior intérprete que o jazz já produziu. Com interpretações intensas e com sentimento encantou o público e mudou a arte dos vocais para sempre. Mais de meio século depois de sua morte é difícil acreditar que as vocalistas de jazz antes de seu surgimento raramente personalizavam suas canções; na verdade, apenas as cantoras de blues como Bessie Smith e Ma Rainey davam a impressão de que tinham vivido o que estavam cantando. Billie Holiday fez a leitura desta tradição do blues e revolucionou o jazz e o pop tradicional, rasgando a tradição de décadas se recusou a comprometer sua arte. Em sua autobiografia, ela admitiu que sempre quis ser uma cantora como Bessie Smith e ter o sentimento de Louis Armstrong, e que muitas vezes tentou cantar como um trompete. mas, na verdade, seu estilo era praticamente ela própria. A tragédia pessoal e as drogas marcaram a sua vida. Mas todo o lixo que ela viveu era transformado pelo seu canto. Surras, prisões, droga pesada, mais o drama de uma cantora negra naquele tempo, quando muitas vezes nos hotéis onde se hospedava, no auge da carreira, era ‘convidada’ a subir pelo elevador de serviço para que não se misturasse com os brancos. Tudo isso foi transformado em interpretações históricas. Quando se ouve Billie cantar, sente-se que ela está contando sua história. Era linda, louca, sexy e livre. Billie é a minha deusa. Com seu estilo brilhando em cada gravação, a sua perícia técnica também se destacou em comparação à grande maioria de seus contemporâneos. Muitas vezes entediada e cansada das velhas canções que ela era forçada a gravar no início de sua carreira, Billie brincava com a melodia e rejuvenescia as canções com harmonias emprestadas de seus instrumentistas favoritos, Louis Armstrong e Lester Young. A sua notória vida privada com uma série de relações abusivas, dependência de substâncias químicas e períodos de depressão, sem dúvida, ajudaram seu status lendário. ‘Lover Man’, ‘Don't Explain’, ‘Strange Fruit’ e sua própria composição ‘God Bless the Child’, que versa sobre a pobreza, estão entre os seus melhores desempenhos e permanecem entre as apresentações mais sensíveis já registradas. Mais do que a capacidade técnica, mais do que a pureza da voz, o que fez Billie Holiday uma das melhores vocalistas do século foi o seu temperamento implacavelmente individualista. A vida caótica de Billie Holiday, supostamente, começou em Baltimore quando ela nasceu como Eleanora Fagan Gough. Seu pai, Clarence Holiday, foi um adolescente guitarrista de jazz que mais tarde tocou na Orquestra de Fletcher Henderson. Sua mãe também foi uma jovem adolescente, e se por causa de inexperiência ou negligência, muitas vezes deixava a filha com parentes indiferentes. Billie foi expulsa da escola católica com 10 anos, depois que admitiu ter sido estuprada, e condenada a ficar presa até a idade adulta foi liberada depois de dois anos por um amigo da família. Com a mãe, ela se mudou em 1927, primeiro para New Jersey e, logo depois para o Brooklyn. Em New York, Billie ajudava a mãe como empregada doméstica, mas logo começou a se prostituir para ter uma renda adicional. E já cantava em clubes do Harlem desde 1930. Teve um pouco de publicidade no início de 1933, quando o produtor e caçador de talentos John Hammond, também no início de uma carreira legendária, escreveu sobre ela em uma coluna para o mais antigo jornal sobre música já existente, o ‘Melody Maker’, do Reino Unido, e trouxe Benny Goodman a uma de suas apresentações. Depois de gravar uma demo na Columbia Studios, Billie se juntou ao pequeno grupo de Goodman para fazer sua estreia comercial com a música ‘Your Mother's Son-In-Law’. Apesar de não voltar ao estúdio por mais de um ano, Billie passou 1934 galgando os degraus da competitiva cena dos bares de New York. No início de 1935, ela fez sua estreia no Teatro Apollo, e apareceu em um filme com Duke Ellington. Durante a última metade de 1935, finalmente entrou em um estúdio novamente e gravou quatro sessões. Com uma banda supervisionada pelo pianista Teddy Wilson, ela gravou uma série de canções obscuras e esquecíveis da Tin Pan Alley, nome dado à editora de música de New York e seus compositores que dominaram a música popular dos Estados Unidos no final do século 19 e início do século 20. Em outras palavras, músicas disponíveis apenas para uma banda obscura de afroamericanos dos anos 30. Durante a era do swing, as editoras de música mantinham as melhores músicas estritamente nas mãos de orquestras populares e cantores brancos. Apesar da qualidade pobre das canções, Billie energizou essas canções. No final de 1937, gravou vários números com um pequeno grupo, mais uma descoberta de John Hammond, a orquestra de Count Basie. O saxofonista tenor Lester Young, que tinha conhecido brevemente Billie alguns anos antes, e o trompetista Buck Clayton se tornaram seus parceiros. E juntos gravaram o seu melhor trabalho e Billie deu o apelido de ‘Pres’ a Young, enquanto ele a apelidou de ‘Lady Day’ por sua elegância. Na primavera de 1937, ela começou a excursionar com Basie como o complemento feminino de seu vocalista masculino, Jimmy Rushing. A associação durou menos de um ano. Embora oficialmente ela tenha sido despedida da banda por ser temperamental e pouco confiável, a verdade é que o alto escalão do mundo editorial ordenou a ação depois que ela se recusou a cantar clássicos de blues dos anos 20. Menos de um mês depois de deixar Basie, ela foi contratada por Artie Shaw, um dos primeiros exemplos de uma mulher negra que apareceu com um grupo branco. Apesar do apoio contínuo de toda a banda, no entanto, promotores e patrocinadores de rádio logo começaram a contestar Billie, com base em seu estilo de cantar pouco ortodoxa, e também por ser negra. Após uma série de indignidades Billie deixou a banda com desgosto. Mais uma vez, a sua percepção foi valiosa, a maior liberdade lhe permitiu dar um show em um novo clube chamado ‘Café Society’, a primeira boate popular com um público inter-racial. Lá, Billie Holiday aprendeu a canção que iria catapultar sua carreira para um novo nível: ‘Strange Fruit’. ‘Strange Fruit’ é uma canção que condena o racismo americano, especialmente o linchamento de afro-americanos que ocorreu principalmente no sul dos Estados Unidos, mas também em outras regiões do país. ‘Strange Fruit’ foi composta como um poema, escrito por Abel Meeropol, um professor judeu de colégio do Bronx, sobre o linchamento de dois homens negros. Ele a publicou sob o pseudônimo de Lewis Allan. Abel Meeropol e sua esposa adotaram, em 1957, Robert e Michael, filhos de Julius e Ethel Rosenberg, acusados e condenados por espionagem e executados pelo governo dos Estados Unidos. Embora Billie inicialmente manifestasse dúvidas sobre a inclusão de tal música em seu repertório, ela o fez confiando em seus poderes de sutileza. E ‘Strange Fruit’ logo se tornou o destaque em suas apresentações e foi gravada. Uma vez liberada, ‘Strange Fruit’ foi proibida por muitas estações de rádio. Billie continuou a gravar e atingiu novamente grande sucesso com a sua mais famosa composição de 1941, ‘God Bless the Child’ e em 1944 com ‘Lover Man’, uma canção escrita especialmente para ela e seu terceiro grande hit. Billie logo se tornou prioridade para a ‘Decca Records’, ganhando o direito de material musical de alta qualidade e seções de cordas de luxo para suas gravações. Apesar de estar no alto da popularidade, a vida emocional de Billie começou um período turbulento. Já fortemente viciada em álcool e maconha, começou com o ópio com seu primeiro marido, Johnnie Monroe. O casamento não durou, e o vício na heroína veio com o segundo casamento com o trompetista Joe Guy. A morte de sua mãe a afetou profundamente, e em 1947 ela foi presa por posse de heroína e condenada a oito meses de prisão. Infelizmente, os problemas continuaram depois de sua libertação. As drogas tornaram impossíveis as suas apresentações. Atormentada ela seguiu em frente. Embora os estragos de uma vida dura estivessem refletidos em sua voz, muitas das gravações de Billie doa anos 50 são tão intensas e belas quanto sua obra clássica. Em 1954, Billie excursionou pela Europa com grande sucesso, e sua autobiografia de 1956 trouxe ainda mais notoriedade. Ela fez sua última grande aparição, em 1957, na televisão em um especial com Ben Webster, Lester Young e Coleman Hawkins dando-lhe apoio. Durante seu último ano, ela fez mais duas apresentações na Europa antes de cair doente do coração e doença hepática em 1959. E foi presa por posse de heroína em seu leito de morte. Morreu no mesmo ano. O filme ‘Lady Sings the Blues’ de 1972 interpretado por Diana Ross ilumina a sua vida trágica e lhe deu muitos fãs de novas gerações. - Fonte: Pintando Musica

Boa leitura - Namastê

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Os anos dourado de Lady Day na vanguarda do jazz


Aos treze anos, Billie Holiday encontra Nova York. Com a paciência da esgotada, vovó Martha exige que Sade pegue a menina de volta. A garota só faz o que lhe dá vontade. Uma vergonha para uma família respeitável. Tal mãe, tal filha, resmunga pelas costas a jovem Billie. Dizem que ela passa a noite em casas de tolerância e só volta de manhã, nas piores condições, algumas vezes com marcas no rosto. A garota deixa Baltimore no começo de 1929. Para a viagem usava um vestido de algodão branco com enfeite de tule e um cinto de verniz vermelho. Sade, que mora no Harlem, vai recebê-la na estação de trem de Long Branch. No começo do século, o Harlem tinha sido um bairro principalmente residencial, cheio de verde e tranqüilo, em que habitavam imigrantes judeus, irlandeses, alemães ou italianos. Mas a partir da década de 20, a migração dos negros do sul em busca de trabalho nas grandes cidades do norte foi transformando aos poucos o Harlem em uma concentração de negros de todas as partes. Os brancos esvaziavam o bairro e de acordo com as regras da especulação imobiliária, ele foi deixado ao abandono. Os imóveis antigamente ocupados por brancos foram subdividido em pequenos alojamentos que sofreram uma progressiva decadência. Pouco a pouco, o Harlem se transforma em um gueto. No final dos anos 20, relata-se que os negros sempre encontravam alojamentos por ali e que havia trabalho para todos. Fala-se de sua vida noturna trepidante, e de seu fervilhamento cultural, daquela Renascença Black de que o livro de Alain Locke (1886-1954) – The New Negro (1925) se tornou em estandarte. O Harlem está na crista da onda e dita a moda em matéria de arte, musica e literatura. A música é tocada pelos negros e negros são os atores das peças de teatros. Poetas, romancistas, dramaturgos, todos celebram sua negritude e dão a conhecer talentos como Langston Hughes (1902-1967), Paul Laurence Dunbar (1872-1906), James Weldon Johnson (1871-1936), Claude McKay (1889-1948), Countee Cullen (1903- 1946). Finalmente os negros têm sua própria referência de primeiro plano. O escritor Willian Edwards Burghardt DuBois, militante da NAACP (Associação Nacional Para o Progresso dos Negros), na melhoria das condições sociais das pessoas “de cor”, que luta contra a discriminação racial e os linchamentos, exorta o povo a reivindicar seus direitos. Musicalmente são os blues que atingem o auge. Em 1920 o disco de Mamie Smith – Crazy Blues, vende mais de um milhão de exemplares e lança moda. Mais de cinco mil discos diferentes de blues são produzidos no decurso dos dois decênios seguintes. As comédias musicais e as “revistas negras” ocupam completamente os palcos da Broadway. Duke Ellington estreia no Cotton Club, Louis Armstrong e Bessie Smith no Alhambra. Os burgueses brancos vêm “acanalhar-se” nos clubes negros do Harlem, onde se dança black botton. Ragtime ou charleton. Durante os anos 20 e 30, o estilo pianistico Harlem Stride, Do qual Art Tatum (1909-1956) foi mais tarde campeão incontestado, faz furor em toda parte. A mão esquerda, vigorosa, garante o suporte rítmico, enquanto a mão direita opera sutis variações. No Harlem. Luckey Roberts (1893-1968), Willie “the Lion” Smith (1897-1973), Fats Waller (1904-1968) ou James P. Johnson (1904-1943) disputam uns com outros o título de “reis do Stride”. Nas casas dilapidadas do Harlem, a moda agora são as rent parties. Entrada paga. Servem soul food (miúdos e patas de porco e ensopado de couve), os pratos da cozinha negra do sul dos Estados Unidos. Pianistas animam esses saraus musicais, em que os locatários de um mesmo imóvel se cotizam para ajudar aqueles que não podem pagar seu aluguel. Nos clubes que brotam em toda parte ocorrem torneios intermináveis entre os virtuosos do piano. Os executantes individuais e as big bands se enfrentam em desfiles musicais, enquanto um público tomado de entusiasmo deve escolher os melhores aplaudindo freneticamente. Sobre os pódios de Savoy Ballroom, duas grandes orquestras se alternam para acompanhar continuamente as centenas de bailarinos que se deslocam sobre uma pista de setenta metros de comprimento por quinze de largura. Apelidaram o Savoy de “a casados pés felizes”. A clientela e mista. Chama a atenção o espetáculo dos dançarinos que executam figuras acrobáticas de lindy-hop e jitterbug (dança e passos velozes). As garotas de sais plissadas e meias soquete brancas, são jogadas por cima do ombro, passam pelo meio das pernas de seu cavalheiro e se ergue de imediato, como se alguém lhe puxasse as rédeas e continuam a dançar, sem perder o ritmo por um único minuto. Em 1923, abre as portas o luxuoso Cotton Club. “Um bar de luxo exótico que explora a mesma formula das grandes “revistas negras” da Broadway: brancos na sala, negros no palco”. Uma segregação estritamente aplicada. As melhores orquestras negras, de Duke Ellington, Cab Calloway
(1907-1994) , Jimmie Lunceford (1902-1947), sucedem-se intercaladas com números de garotas quase nuas, moças de cor ou mestiças de pele clara. Se fossem muito escuras espantariam os fregueses. Corre o boato de que certas brancas se fazem passar por negras, por que o Cotton Club paga melhor do que os outros. Duke permanece tocando na casa durante cinco anos, entre 1924-1932, com um conjunto de onze músicos e faz tremerem as damas ao som de bongôs selvagens. Seu estilo jungle que evoca a floresta virgem e as danças primitivas, sacodem as paredes do clube, enquanto as girl, arregalando olhos assustados, dançam pelo meio de cipós. Na rua 125, o Apollo Theater, cinema e music hall, apresenta um filme novo a cada semana e atrações de palco. Números cômicos, matracas, cantores e sempre uma excelente orquestra de jazz. Os músicos começam a tocar às dez horas da manhã e garantem cinco a seis shows por noite, em troca de salários irrisórios. Seu trabalho só acaba pelas onze da noite e o midnight show dos sábados dura até as duas horas da manhã. A partir de 1934, a cada noite de quarta-feira são organizados concursos de canto para amadores. O veredicto do publico, particularmente turbulento e exigente, é muito respeitado pela imprensa musical. Grande número de estralas e astros Como Ella Frizgerald (1917-1996), Thelonious Monk (1917-1982) e Sarah Vaugham (1924-1990) fizeram ali suas estreias. A parte dos anos 30, a Rua 52 transformou-se no “Swing Street”, a partir do novo ritmo musical, o swing. Na “rua que nunca dorme” pulula uma grande quantidade de pequenos clubes e de speakeasies, bares clandestinos, em que se bebe álcool contrabandeado. Ainda estamos na época da proibição e os reis do crime investiram em night clubs. Alguns cabarés abriram nos subsolos bares proibidos ou pequenos salões que os bootleggers (recipiente de bebida) mantêm sempre bem surtido de bebidas fortes. Como o álcool, o dinheiro líquido corre aos borbotões; os músicos fazem bons negócios e as grandes orquestras, como as Fletcher Henderson (1897-1952), tendo como guitarrista e banjista Clarence Holiday – seu pai, no Roseland ou de Chick Webb (1905-1939) no Savoy Ballroom, tocam para as multidões de bailarinos. Junto a esses grandes conjuntos instrumentais, o papel dos solistas assume um caráter cada vez mais preponderante. Postados de costas para a orquestra, na beira do proscênio, têm o lugar de honra, arrastando a orquestra atrás de si, enquanto seus solos muito concorridos desencadeiam o entusiasmo do publico. Coleman Hawkins (1904-1969) toca com Fletcher Henderson; o trompetista Cootie Williams (19101985) e o saxofonista Johnny Hodges (1906-1970) se exibem com Duke Ellington, enquanto Lester Young (1909-1959) se apresenta com a orquestra de Count Bassie (1904-1984) em Kansas City.

Fonte: Billie Holiday, Biografia - Sylvia Fol.


Your Mother´s Son -In- Law - Billie Holiday & Benny Goodman

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Bessie Smith (1894-1937)

Bessie Smith, 03 de Fevereiro de 1936.
Fotografado por: Carl Van Vechten.

quinta-feira, 4 de maio de 2023

Billie Holiday – Billie's Best (Compilation - Remastered)

Lançamento: 1992
Selo: Verve Records
Gênero: Vocal Jazz, Swing

Billie Holiday é considerada uma das melhores vocalistas de jazz de todos os tempos. Holiday teve uma carreira próspera como cantora de jazz por muitos anos antes de perder a batalha contra o abuso de substâncias. Também conhecida como Lady Day, sua autobiografia foi transformada no filme de 1972 Lady Sings the Blues . Em 2000, Holiday foi introduzido no Hall da Fama do Rock and Roll. Holiday nasceu Eleanora Fagan em 7 de abril de 1915, na Filadélfia, Pensilvânia. (Algumas fontes dizem que seu local de nascimento era Baltimore, Maryland, e sua certidão de nascimento diz "Elinore Harris".) Holiday passou grande parte de sua infância em Baltimore, Maryland. Sua mãe, Sadie, era apenas uma adolescente quando ela a teve. Acredita-se que seu pai seja Clarence Holiday, que acabou se tornando um músico de jazz de sucesso, tocando com nomes como Fletcher Henderson. Infelizmente para Holiday, seu pai era um visitante pouco frequente em sua vida enquanto crescia. Sadie se casou com Philip Gough em 1920 e, por alguns anos, Holiday teve uma vida doméstica um tanto estável. Mas esse casamento acabou alguns anos depois, deixando Holiday e Sadie lutando por conta própria novamente. Às vezes, Holiday era deixado aos cuidados de outras pessoas. Holiday começou a faltar à escola e ela e sua mãe foram ao tribunal por causa da evasão escolar de Holiday. Ela foi então enviada para a House of Good Shepherd, uma instalação para meninas afro-americanas problemáticas, em janeiro de 1925. Com apenas 9 anos na época, Holiday era uma das meninas mais novas de lá. Ela foi devolvida aos cuidados de sua mãe em agosto daquele ano. De acordo com a biografia de Donald Clarke, Billie Holiday: Wishing on the Moon , ela voltou para lá em 1926 depois de ter sido abusada sexualmente. Em sua infância difícil, Holiday encontrou consolo na música, cantando junto com os discos de Bessie Smith e Louis Armstrong . Ela seguiu sua mãe, que se mudou para a cidade de Nova York no final dos anos 1920, e trabalhou em uma casa de prostituição no Harlem por um tempo. Por volta de 1930, Holiday começou a cantar em clubes locais e renomeou-se "Billie" em homenagem à estrela de cinema Billie Dove. O critico musical Rick Anderson avalia com palavras certeiras Billie's Best: "Não há fim à vista para o debate sobre a carreira de Billie Holiday como vocalista: a essência de sua arte pode ser encontrada em suas primeiras gravações para a Columbia ou nas gravações que ela fez para a Verve no final de seu curta e, por todos contas, vida miserável? Os primeiros trabalhos a encontram com uma voz mais clara e cantando com energia e convicção, enquanto nas gravações posteriores sua voz é devastada, ainda mais comovente e talvez com mais nuances. Em 1992, a Verve defendeu a última posição ao lançar uma monumental caixa de dez discos contendo tudo que Holiday gravou para a empresa entre 1945-1959 e, simultaneamente, lançou este sampler de 16 faixas como um paliativo para aqueles que não tinham 150 faixas. dólares espalhados. Nada aqui resolverá o argumento para sempre, Oscar Peterson e Jimmy Rowles para uma bela performance de "All the Way" com uma orquestra regida por Ray Ellis . Este provavelmente não deveria ser o único álbum de Billie de ninguém, mas é um documento valioso, e às vezes comovente, do fim de uma carreira triste, mas ilustre."  


Vocal - Billie Holiday

Baixo – Ray Brown, Red Mitchell, John Simmons, Red Callender, Joe Mondragon, Leonard Gaskin, Aaron Bell, Joe Benjamin

Bateria – Ed Shaughnessy, Alvin Stoller, Larry Bunker, Gus Johnson, Chico Hamilton, Cozy Cole, Lenny McBrowne, Osie Johnson

Guitarra Elétrica – Herb Ellis, Barney Kessel, Freddie Green, Billy Bauer

Piano – Oscar Peterson, Jimmy Rowles, Bobby Tucker, Billy Taylor, Wynton Kelly, Hank Jones

Trompete – Charlie Shavers, Harry "Sweets" Edison, Joe Newman

Sax. Tenor – Ben Webster, Paul Quinichette, Flip Phillips, Budd Johnson

Sax. Alto – Benny Carter, Willie Smith, Romeo Penque

Clarinete – Tony Scott, Romeo Penque

Harpa – Janet Putnam

Celesta – Hank Jones

Gravação dos anos 1952 - 1959.

Seleções recentemente remasterizadas da coleção Box set 'The Complete Billie Holiday on Verve 1945-1959' (conjunto de 10 CDs).


Boa audição - Namastê

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Boxset: The Ultimate Diva Collection (10xCDs)

Artista: Anita O'Day
Lançamento: 2003
Selo: Verve Records/Compilation 
Gênero: Vocal Jazz, Swing, Smooth Jazz 

O jazz, assim como a ópera, sempre teve suas divas, que deram sua contribuição a esse gênero musical. O número das grandes cantoras supera o dos cantores que se destacaram. Para cada Frank há uma Billie, uma Bessie, uma Ella e uma Sarah. Presença constante no jazz, a diva foi mudando de perfil ao longo do tempo. Nos anos 30 e 40, os grandes ícones eram Billie Holiday, Bessie Smith, Anita O’Day. A especialidade não era o virtuosismo vocal, e sim a emoção, proporcionada por fartas doses de aflições românticas, familiares e com drogas. Tudo doia. Nos anos 50 e 60, as divas Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Lena Horne, intérpretes irretocáveis, mostravam sua diversidade no repertório, iam de standards da canção americana a bossa nova e canções dos ‘Beatles’. Elas tudo podiam. Eram épocas ‘de’ ouro. Nos anos 70 e 80, as cantoras passaram a ser também instrumentistas. Umas recuperavam as raízes blues do gênero e outras incorporavam ritmos africanos. As divas eram Diane Schuur, Nina Simone e a brasileira Eliane Elias. Elas faziam tudo. A nova encarnação de diva surgiu nos anos 90 e 2000. Os atributos eram a sensualidade e o fato de emprestarem um tratamento pop ao jazz, em vez de dar um tratamento jazzístico ao popular. Elas dão um verniz refinado ao pop. A elas faltam a emoção e o virtuosismo técnico de suas antecessoras, mas é gostoso ouví-las. É essa receita que tem garantido o sucesso de intérpretes como Diana Krall, Norah Jones e Jane Monheit. Beldades que cantam, tocam, saem muito bem nas fotos e vendem milhões de discos. Elas dão as cartas na indústria do jazz. Elas são tudo. É a época ‘do’ ouro. (fonte: revista Veja)


Boa audição - Namastê


quinta-feira, 19 de novembro de 2009

1958 - Lady in Satin - Billie Holiday

Billie Holliday foi a melhor cantora de jazz de sua geração e, na opinião de seus admiradores e de muitos críticos, a melhor de todos os tempos. Eleanora Holiday nasceu no gueto negro de Baltimore. Sua certidão de nascimento nunca foi encontrada, portanto a data aceita de seu nascimento era a que ela costumada dizer: 07 de abril de 1915. Sua mãe, Sadie Fagan (13 anos) chamada Nora e seu pai, o guitarrista Clarence Holiday (15 anos), eram ainda adolescentes quando Billy nasceu. Foi Clarence quem lhe chamava de “Bill” por achar que ela se comportava como um garoto. Billie sofreu tudo o que se poderia esperar na vida de uma menina americana negra e pobre. Viveu com a mãe separada do pai, foi violentada por um vizinho aos dez anos e castigada por isso, sendo internada em uma instituição com “métodos correcionais” pré-medievais. Aos doze, trabalha lavando assoalhos e prestando serviços a dona de um prostíbulo onde ouve pela primeira vez discos de Louis Armstrong e Bessie Smith. Aos 14, já em New York e indignada com a posição de criada de sua mãe e com o racismo, cai na prostituição e enfrenta quatro meses de cadeia. Motivo: não querer satisfazer um chefe da máfia negra do Harlem. Em 1930, ameaçadas de despejo por dever 45 dólares ao senhorio, Billie sai à rua disposta a roubar ou matar se preciso. Assím começa a lenda de Billie. Percorrendo os bares do Harlem em busca de algum dinheiro, entra no Pod’s and Jerry’s oferecendo-se como dançarina. Um desastre. O pianista com pena pergunta se ela sabe cantar e Billie pede que que ele toque "Trav’lin All Alone" e em poucos instantes todos estão com os olhos grudados nela que sai do bar com cinquenta e sete dólares e um emprego com salário fixo. Três anos depois tendo cantado em vários lugares é assistida pelo produtor John Hammond, entra no estúdio em 27 de novembro de 1933 pelas mãos de Benny Goodman. Em 1935 já aparece cantando com a orquestra de Duke Ellington no filme "Symphony in Black, A Rhapsody of Black Life" e inicia uma frutífera parceria com o pianista Teddy Wilson, gravando mais de oitenta músicas em seis anos. No entanto suas experiências com as Big Bands entre 1936 e 1938 são amargas. Com Count Basie passa por vexames como pintar o rosto com graxa de sapato porque um empresário achou que sua pele era muito clara. Com a orquestra branca de Artie Shaw é muito bem tratada pelos músicos mas sente o racismo nas turnês pelo Sul. Cansada de tais humilhações volta para New York e mais uma vez pelas mãos de Hammond, consegue um bom contrato no Café Society de Barney Josephson. Em 25 de janeiro de 1937, Billie e o saxofonista Lester Young entram juntos pela primeira vez em um estúdio. Alguém escreveria que naquele dia “surgiu uma nova forma de poesia amorosa entre a voz humana e o instrumento musical”. Em quatro anos gravaram cerca de 50 canções, verdadeiras jóias repletas de swing, bom gosto, criatividade e cumplicidade que se estendia ao trompetista Buck Clayton. Lester a chamava de Lady Day e ela o apelidou de Prez (de presidente dos sax-tenores). A autobiografia (1956), escrita em colaboração com o jornalista William Dufty, foi chamada Lady sing the Blues. O título refere-se mais a sua infância infeliz e seu envolvimento com a heroína do que propriamente a sua música. Um fiasco. Sua carreira foi entremeada de entradas em hospitais e prisões à medida que o vício lhe trazia mais problemas. O filme Lady Sings the Blues (O caso de uma estrela), estrelado por Diana Ross (uma péssima interpretação), serviu somente para chamar a atenção do público sobre Billie. Diana não está bem no papel e a crítica não a poupou. Billie Holiday só ganhou a devida fama e respeito após sua morte, acontecida em 17 de julho de 1959, na Filadélfia, aos 44 anos vitimada de overdose e outras circustancias depresivas. Sua voz é uma marca única nas interpretações de centenas de preciosidades que deixou gravada. O albúm "Lady In Satin", seu melhor trabalho, hostenda o titulo referente ao luxuosos arranjos de cordas do maestro Ray Ellis com uma orquestração plausível a voz ainda mais rouca de Billy devido ao uso excessivo de heroina. Embalada em uma harmonia contagiante, o albúm oferece releituras de clássicos como: "I´m A Fool to Want You" (imortalizada na voz de Frank Sinatra) e "The End Of A Love Affair" (Edward Redding). Gravado em 19 e 21 de Fevereiro de 1958 para o selo Columbia Records e produção de Irving Towsend, "Lady In Satin" só foi lançamento em junho de 1958. Curiosamente no relançamento de 1997, agregou mais 04 faixas take matando um pouco a nostalgia.

Faixas:
01 - I’m a Fool to Want You
02 - For Heaven’s Sake
03 - You Don’t Know What Love Is
04 - I Get Along Wiyhout You Very Well
05 - For All We Know
06 - Violet for Your Furs
07 - You’ve Changed
08 - It’s Easy to Remember
09 - But Beaultiful
10 - Glad to Be Unhappy
11 - I’ll be around
12 - The End of a Love Affair

Musicos:
Billie Holiday - vocais
George Ockner - Violino e Concertmaster
David Sawyer - Violoncelo
Janet Putnam - Harpa
Danny Bank - Flauta
Phil Bodner - Flauta
Romeo Penque - Flauta
Mel Davis - Trompete
J.J. Johnson - Trombone
Urbie Green - Trombone
Tom Mitchell - Trombone
Mal Waldron - Piano
Barry Galbraith - Guitarra
Milt Hinton - Baixo Acustico
Osie Johnson - Bateria
Elise Bretton - Backing Vocais
Miriam Workman - Backing Vocais

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Boa audição - Namastê.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

A primeira gravação de jazz

Pode-se dizer que o ragtime foi o embrião do jazz. A fusão entre a música vinda da África, por meio dos escravos que trabalhavam nas plantações de fumo e algodão, e os ritmos europeus como polca, música erudita e a marcha deu origem ao ragtime, que teve como principais expoentes os pianistas Tom Turpin, James Scott e, principalmente, Scott Joplin, autor do clássico “The Entertainer”. Oficialmente, a primeira gravação de jazz em registro aconteceu em 1917, com a original Dixieland Jazz Band, um conjunto formado por músicos brancos de Chicago. Mas foi a partir do pianista Jelly Roll Morton e da cantora Bessie Smith que o jazz começou sua verdadeira viagem. Seu primeiro grande expoente foi Louis Armstrong, que era trompetista da banda Creole Jazz Band, liderada por Joe King Oliver. Entre 1925 e 1928, após deixar Oliver, Armstrong entrou definitivamente para a história do jazz ao gravar com os grupos Hot Five e Hot Seven clássicos como “Yes I’m In The Barrel” e “Potato Head Blues”. Considerado o primeiro grande solista do jazz, Armstrong também foi um cantor carismático e com um estilo muito próprio de interpretar. Duke Ellington é considerado o Mozart do jazz. Seus arranjos sofisticados e sua orquestra de virtuosos foram as novidades, no meio dos anos 30, que regeram a era do swing. Junto a Ellington, outros band leaders fizeram história como Benny Goodman, Jimmy Dorsey, Artie Shaw, Woody Herman, Count Basie e Glenn Miller. No meio dos anos 40, uma revolução acontece no jazz. Nasce o bebop. Esse estilo tem como característica principal a vocalização do instrumento. Os solos pareciam frases cantadas. Muitas vezes conseguiam ser desorientadas e magistrais ao mesmo tempo. Seus precursores foram o saxofonista Charlie “Bird” Parker , o trompetista Dizzy Gillespie e o pianista Thelonius Monk. Nessa época, os croones e cantoras ajudaram a reerguer as big-bands, que estavam em franco declínio. Intérpretes como Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan e Frank Sinatra levavam milhares de fãs aos teatros para ouvirem obras de Ellington, Cole Porter e dos irmãos Gershwin. Quanto tudo parecia calmo, um trompetista discreto aparece, era Miles Davis. Junto a outro gênio, o saxofonista John Coltrane, Davis cria o que ficou rotulado de cool jazz, algo mais tranqüilo e requintado que o bebop. Já no início do anos 60, uma nova revolução acontece, o free jazz aparece capitaneado por Ornette Coleman. O estilo gera amor e ódio. Como o nome diz, o jazz era tocado sem fronteiras e regras. As músicas tinham arranjos e escalas completamente insanos. Durante o início dos anos 70, Miles Davis volta à cena e começa um casamento com o rock, criando o jazz fusion. Aa seu lado, outros expoentes como o pianista Chick Corea e o guitarrista John Mclaughlin, à frente da Mahavishnu Orchestra, “subvertem” o jazz e conseguem atrair novos ouvintes. No início dos anos 80, um movimento denominado young lions (jovens leões) trouxe uma nova vida ao jazz. Liderado pelo trompetista Wynton Marsalis, jovens músicos recém-saídos das escolas foram responsáveis pela retomada do jazz tradicional. Mesmo com uma qualidade musical indiscutível, Marsalis e sua turma – Terence Blanchard, Branford Marsalis, James Carter, Marcus Roberts e Joshua Redman - foram acusados por vários críticos por serem responsáveis pela pouca inventividade do jazz atual. Apenas no fim dos anos 80 é que uma nova influência é somada ao jazz. Mais uma vez cabe a Miles Davis ser o precursor. Com o lançamento do disco póstumo Doo-bop, o trompetista criou o que mais tarde foi chamado de acid jazz. A mistura de jazz, rap e dance é um estilo que “ajuda” o jazz a se renovar e ficar mais acessível. Dentro desta vertente destacam-se os grupos ingleses Incognito, Jamiroquai, Brand New Heavies e US3 e os norte-americanos do Count Basic, James Taylor Quartet e Brooklyn Funk Essentials. Assim como aconteceu ao logo do século XX, o jazz continuou sua mutação no início deste século. Uma nova geração de cabeça aberta para experimentações tem adicionado elementos do rap, rock, erudito e música eletrônica ao jazz. Para os críticos, músicos como Brad Mehldau, Erik Truffaz, Greg Osby, The Bad Plus, Dave Douglas e Jason Moran estão revigorando o jazz e criando uma nova e longa jornada para ser percorrida nos próximos anos. Ao mesmo tempo em que Mehldau e companhia mostram que ainda há um infinito ilimitado para o jazz, um outro grupo de músicos cria o que foi rotulado de nu jazz ou electro-jazz, que traz a mistura entre o ritmo e música eletrônica. Similar ao acid jazz, o novo gênero se aproveita de toda a tecnologia atual para injetar vida nova ao jazz. Entre seus expoentes estão os franceses Metropolitan Jazz Affair, Rubin Steiner e St. Germain e os ingleses Cinematic Orchestra e Matthew Herbert. Correndo por fora de todo esse movimento está o smooth jazz, que é um fusion mais acessível. Para os puristas, esse tipo de jazz é um desrespeito à música secular. O jazz suave é realmente menos atraente aos ouvidos, mas conquistou seu espaço por duas razões. A primeira porque é uma música de qualidade e depois porque os músicos que as interpretam são competentes. Quase todos já trabalharam com nomes do chamado alto escalão do jazz. No jazz contemporâneo, ele também é conhecido assim, o destaque fica para os pianistas Dave Grusin, Bob James e David Benoit, os guitarristas Lee Ritenour, Larry Carlton e Russ Freeman, os violonistas Earl Klugh e Peter White e os saxofonistas David Sanborn e Boney James. Para terminar, é importante salientar a presença dos jazzistas europeus no desenvolvimento deste ritmo nas últimas cinco décadas. Apesar de ter nascido nos Estados Unidos, o jazz está presente no velho continente. Não apenas por causa dos grandes festivais que acontecem anualmente por lá, como o Montreux (Suíça), o North Sea (Holanda) e o Umbria (Itália), mas também por músicos formidáveis que escreveram ou escrevem seus nomes na história do jazz como o arranjador e compositor alemão Claus Ogerman, o baixista dinamarquês Niels-Henning Pederson, o violinista francês Stephanne Grapelli, o guitarrista belga Django Reinhardt, o tecladista austríaco Joe Zawinul, o trompetista polonês Tomasz Stanki e os novatos Paulo Fresu (Itália), Erik Truffaz (França), Jamie Cullum (Inglaterra), Jacky Terrasson (Alemanha), Stefano Bollani (Itália), Courtney Pine (Inglaterra), Francesco Cafiso (Itália), Jean-Michel Pilc (França), Gianluca Petrella (Itália) e o trio E.S.T (Suécia).
Boa Leitura - Namastê.