Artista: Chet Baker & Miles Davis
A gravação histórica de 13 de setembro de 1953 no lendário clube The Lighthouse (em Hermosa Beach, Califórnia) documenta um momento singular do jazz moderno. Lançado e reeditado em compilações sob títulos como At Last! ou Chet Baker & Miles Davis • With The Lighthouse All Stars, este registro documenta o encontro no mesmo palco e na mesma tarde dos dois maiores expoentes da trompete do Cool Jazz. Contexto e curiosidades históricasdo Templo do West Coast Jazz, o Lighthouse Café era o epicentro do jazz da Costa Oeste americana. Sob o comando do baixista Howard Rumsey, o grupo residente — The Lighthouse All Stars — servia de laboratório para arranjadores e virtuoses da região. A presença simultânea de Miles e Chet em meados de 1953, onde Miles Davis estava na Califórnia tentando se reestruturar pessoal e profissionalmente e Chet Baker, por sua vez, havia estourado na cena internacional ao lado do quarteto sem piano de Gerry Mulligan. Embora o CD traga ambos no título, eles não dividiram a mesma sessão de improviso em estúdio nem gravaram juntos em sexteto fixo no mesmo segundo: o álbum reúne as apresentações gravadas naquela mesma jam session de domingo, em formações alternadas com a banda da casa. A gravação reúne uma verdadeira constelação do jazz da época, dividida entre os conjuntos de apoio e a linha de frente. Nos trompetes, destacam-se Miles Davis, Chet Baker e Rolf Ericson, enquanto a seção de palhetas traz a precisão de Bud Shank no sax alto e barítono, Bob Cooper no sax tenor, e Jimmy Giuffre no sax tenor e nos arranjos. A sustentação rítmica e harmônica conta com o piano intercalado de Lorraine Geller, Russ Freeman e Claude Williamson, a condução firme do contrabaixista Howard Rumsey e o impulso de Max Roach na bateria, cuja presença adiciona a propulsão rítmica do Bop nova-iorquino ao grupo californiano. A estrutura do álbum passa por momentos marcantes do repertório. Em At Last, o grupo oferece uma interpretação lírica do clássico de Harry Warren com Miles Davis ao lado dos All Stars. Na sequência, a balada 'Round Midnight traz uma abalizada leitura da obra de Thelonious Monk, antecipando a clássica interpretação que Miles imortalizaria anos mais tarde. A energia eleva-se em A Night In Tunisia, uma performance expansiva e de fôlego bop com andamento acelerado liderada por Miles Davis, Rolf Ericson, Bud Shank e Max Roach. Já nas faixas Pirouette e Witch Doctor, com Chet Baker, Jimmy Giuffre e Russ Freeman, sobressaem-se os típicos arranjos do West Coast com dinâmicas contrapontísticas. Encerrando esse painel, Infinity Promenade, composição de Shorty Rogers, oferece espaço para solos longos reunindo Miles Davis, Chet Baker e os All Stars. Do ponto de vista estético e de produção, o álbum oferece um estudo sobre a dualidade do trompete no jazz dos anos 1950. A audição comparativa no mesmo espaço acústico revela a divergência de linguagem entre os dois mestres. Miles Davis apresenta um som mais incisivo, focado na escolha harmônica das notas, no uso do espaço e no silêncio; seus ataques contêm o timbre áspero e o fraseado sinuoso herdado de Charlie Parker, demonstrando a intenção de romper com a polidez técnica em favor da tensão emocional. Em contrapartida, Chet Baker exibe um lirismo fluido e instintivo, caracterizado por um fraseado melódico, construído com um sopro aveludado e uma continuidade linear que se encaixa perfeitamente na estética arquitetada do West Coast Jazz. Do ponto de vista estético e de produção, o álbum oferece um estudo sobre a dualidade da trompete no jazz dos anos 1950 o contraste estilístico (Miles vs. Chet), audição comparativa no mesmo espaço acústico revela a divergência de linguagem entre os dois mestres: Miles Davis: Apresenta um som mais incisivo, focado na escolha harmônica das notas, no espaço e no silêncio. Seus ataques contêm o timbre áspero e o fraseado sinuoso herdado de Charlie Parker, demonstrando a intenção de romper com a polidez técnica em favor da tensão emocional. Chet Baker: Exibe um lirismo fluido e instintivo. Seu fraseado é melódico, construído com um sopro aveludado e uma continuidade linear que se encaixa perfeitamente na estética arquitetada do West Coast Jazz. Qualidade do áudio e valor histórico por tratar-se de uma gravação ao vivo feita em 1953 num ambiente de clube, a captação de áudio apresenta limitações inerentes de balanceamento e resposta de frequência. No entanto, a autenticidade e o frescor da jam session superam qualquer imperfeição técnica. O registro captura a espontaneidade sem o rigor dos estúdios comerciais da época. Considerações finais mostra Chet Baker & Miles Davis no With The Lighthouse All Stars um documento indispensável para compreender a evolução da trompete moderna e a convivência das vertentes Hard Bop e Cool Jazz. É um álbum que registra um momento único em que os caminhos de duas lendas se cruzaram no mesmo palco californiano.
Saxofone Alto, Saxofone Barítono – Bud Shank
Baixo – Howard Rumsey
Bateria – Max Roach (faixas: 1a3), Shelly Manne (faixas: 4,5)
Piano – Claude Williamson (faixas: 4,5), Russ Freeman (faixas: 1a3
Saxofone tenor – Bob Cooper (faixas: 3a5), Jimmy Giuffre (faixas: 1,2)
Trompete – Chet Baker , Rolf Ericson & Miles Davis
Gravado ao vivo no The Lighthouse, Hermosa Beach, Califórnia; domingo, 13 de setembro de 1953
Boa audição - Namastê



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