quarta-feira, 12 de novembro de 2008

1958 - West Coast Days, Live At The Lighthouse, Hermosa Beach - Joe Gordon & Scott Lafaro

Pense em sua relação com a música. Se não concordar que a melhor música é aquela capaz que induzir aos melhores pensamentos ou pela ausência dos mesmos, o estado meditativo, então desista agora mesmo desta leitura. Aos que prosseguem, deixo claro desde já que este e qualquer texto introdutorio aqui publicado se tratam de escritos inacabados, em constante desenvolvimento, os quais agrada-me designar por works in progress. "Viva o fim do imprimatur". O que distingue a breve e intensa colaboração entre Evans e o contrabaixista Scott LaFaro (1936-1961) é a idéia, já à época reconhecida como inovadora (coisa rara), de improvisação coletiva na qual o contrabaixo, emancipado de sua função no jazz até então meramente harmônica e rítmica, assume papel proeminentemente temático em continua interação com o piano. Dentre as gravações do Bill Evans Trio com LaFaro, destacam-se o álbum gravado em estúdio Portrait in Jazz (1959) e as resultantes de duas sessões ao vivo em domingos consecutivos no Village Vanguard (1961) dias poucos antes da morte do lendário baixista em um acidente automobilístico. Tais registros emanam um frescor inaudito, neles presenciando-se, também, a invenção de um modo de improvisar com acordes que vem a se constituir num dos mais reconhecíveis pilares da execução única de Evans. Improvisadores de jazz, ao contrário de músicos clássicos que, em situações ideais, ainda que raras, repetem pouco um repertório vastíssimo, improvisam recorrentemente, não raro por uma vida inteira, sobre um número reduzido de obras nas quais se “especializam”. Scott laFaro mudou o mundo dos sons graves, embora com muito pouco tempo para fazê-lo desde que ele morreu em 1961, quando fui a um ensaio com o trio após acompanham Stan Getz em um concerto no Newport Jazz Festival. No entanto, a criatividade de Scott deu para muito mais e apesar de ser lembrado sobretudo pela sua associação com Bill Evans e sua morte prematura, ele colaborou com muitas jazz greats. Como prova, os seus registros com Chet Baker (The Genius 2 Trompete do Fifties), Stan Getz (Stan o homem), Tony Scott (Dedications, Sung Heroes), Ornette Coleman (Free jazz, Ornette!), Miles Davis (Tune Up!), Hampton Hawes (For Real!, O Maior Blues). No final do anos 50, Scott trabalhou ao lado do guitarrista Barney Kessel, no Farol, em Hermosa Beach, até que em 1959 veio para a rua ao lado de Benny Goodman. Depois foi estrableció em Nova York onde ele formou seu próprio trio e trabalhou com gente como Stan Getz até que ele conheceu Bill Evans. Foi durante os anos na Califórnia quando ele gravado este registro que, embora isso possa parecer um concerto de ambos os músicos, este é um recompilatorio ambos com 2 grupos diferentes, com gravações no mesmo The Lighthouse, Hermosa Beach, California, um recompilatorio de cada sidemam, justificando as suas emissão tardias. Joe Gordon, um excelente trompetista que morreram prematuramente com a idade 35, faz se acompanhar no album com sultileza e maestria de um "In Loco"nos sopros de seu trompete. Para os verdadeiros amantes do jazz que irão representar um complemento indispensável às suas coleções.
Estudio: Fresh Sound

Faixas:
01 - Our Delight
02 - Shelly Manne Introduces Joe Gordon / Summertime
03 - Poinciana
04 - It Could Happen to You
05 - Commentary By Richie Kamuca / Bass Blues

Musicos:
Joe Gordon - Trompete
Scott LaFaro - Baixo Acustico
Richie Kamuca - Sax. Tenor
Russ Freeman - Piano
Monty Budwig - Baixo
Shelly Manne & Stan Levey - Bateria

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Boa audição - Namastê.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

A primeira gravação de jazz

Pode-se dizer que o ragtime foi o embrião do jazz. A fusão entre a música vinda da África, por meio dos escravos que trabalhavam nas plantações de fumo e algodão, e os ritmos europeus como polca, música erudita e a marcha deu origem ao ragtime, que teve como principais expoentes os pianistas Tom Turpin, James Scott e, principalmente, Scott Joplin, autor do clássico “The Entertainer”. Oficialmente, a primeira gravação de jazz em registro aconteceu em 1917, com a original Dixieland Jazz Band, um conjunto formado por músicos brancos de Chicago. Mas foi a partir do pianista Jelly Roll Morton e da cantora Bessie Smith que o jazz começou sua verdadeira viagem. Seu primeiro grande expoente foi Louis Armstrong, que era trompetista da banda Creole Jazz Band, liderada por Joe King Oliver. Entre 1925 e 1928, após deixar Oliver, Armstrong entrou definitivamente para a história do jazz ao gravar com os grupos Hot Five e Hot Seven clássicos como “Yes I’m In The Barrel” e “Potato Head Blues”. Considerado o primeiro grande solista do jazz, Armstrong também foi um cantor carismático e com um estilo muito próprio de interpretar. Duke Ellington é considerado o Mozart do jazz. Seus arranjos sofisticados e sua orquestra de virtuosos foram as novidades, no meio dos anos 30, que regeram a era do swing. Junto a Ellington, outros band leaders fizeram história como Benny Goodman, Jimmy Dorsey, Artie Shaw, Woody Herman, Count Basie e Glenn Miller. No meio dos anos 40, uma revolução acontece no jazz. Nasce o bebop. Esse estilo tem como característica principal a vocalização do instrumento. Os solos pareciam frases cantadas. Muitas vezes conseguiam ser desorientadas e magistrais ao mesmo tempo. Seus precursores foram o saxofonista Charlie “Bird” Parker , o trompetista Dizzy Gillespie e o pianista Thelonius Monk. Nessa época, os croones e cantoras ajudaram a reerguer as big-bands, que estavam em franco declínio. Intérpretes como Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan e Frank Sinatra levavam milhares de fãs aos teatros para ouvirem obras de Ellington, Cole Porter e dos irmãos Gershwin. Quanto tudo parecia calmo, um trompetista discreto aparece, era Miles Davis. Junto a outro gênio, o saxofonista John Coltrane, Davis cria o que ficou rotulado de cool jazz, algo mais tranqüilo e requintado que o bebop. Já no início do anos 60, uma nova revolução acontece, o free jazz aparece capitaneado por Ornette Coleman. O estilo gera amor e ódio. Como o nome diz, o jazz era tocado sem fronteiras e regras. As músicas tinham arranjos e escalas completamente insanos. Durante o início dos anos 70, Miles Davis volta à cena e começa um casamento com o rock, criando o jazz fusion. Aa seu lado, outros expoentes como o pianista Chick Corea e o guitarrista John Mclaughlin, à frente da Mahavishnu Orchestra, “subvertem” o jazz e conseguem atrair novos ouvintes. No início dos anos 80, um movimento denominado young lions (jovens leões) trouxe uma nova vida ao jazz. Liderado pelo trompetista Wynton Marsalis, jovens músicos recém-saídos das escolas foram responsáveis pela retomada do jazz tradicional. Mesmo com uma qualidade musical indiscutível, Marsalis e sua turma – Terence Blanchard, Branford Marsalis, James Carter, Marcus Roberts e Joshua Redman - foram acusados por vários críticos por serem responsáveis pela pouca inventividade do jazz atual. Apenas no fim dos anos 80 é que uma nova influência é somada ao jazz. Mais uma vez cabe a Miles Davis ser o precursor. Com o lançamento do disco póstumo Doo-bop, o trompetista criou o que mais tarde foi chamado de acid jazz. A mistura de jazz, rap e dance é um estilo que “ajuda” o jazz a se renovar e ficar mais acessível. Dentro desta vertente destacam-se os grupos ingleses Incognito, Jamiroquai, Brand New Heavies e US3 e os norte-americanos do Count Basic, James Taylor Quartet e Brooklyn Funk Essentials. Assim como aconteceu ao logo do século XX, o jazz continuou sua mutação no início deste século. Uma nova geração de cabeça aberta para experimentações tem adicionado elementos do rap, rock, erudito e música eletrônica ao jazz. Para os críticos, músicos como Brad Mehldau, Erik Truffaz, Greg Osby, The Bad Plus, Dave Douglas e Jason Moran estão revigorando o jazz e criando uma nova e longa jornada para ser percorrida nos próximos anos. Ao mesmo tempo em que Mehldau e companhia mostram que ainda há um infinito ilimitado para o jazz, um outro grupo de músicos cria o que foi rotulado de nu jazz ou electro-jazz, que traz a mistura entre o ritmo e música eletrônica. Similar ao acid jazz, o novo gênero se aproveita de toda a tecnologia atual para injetar vida nova ao jazz. Entre seus expoentes estão os franceses Metropolitan Jazz Affair, Rubin Steiner e St. Germain e os ingleses Cinematic Orchestra e Matthew Herbert. Correndo por fora de todo esse movimento está o smooth jazz, que é um fusion mais acessível. Para os puristas, esse tipo de jazz é um desrespeito à música secular. O jazz suave é realmente menos atraente aos ouvidos, mas conquistou seu espaço por duas razões. A primeira porque é uma música de qualidade e depois porque os músicos que as interpretam são competentes. Quase todos já trabalharam com nomes do chamado alto escalão do jazz. No jazz contemporâneo, ele também é conhecido assim, o destaque fica para os pianistas Dave Grusin, Bob James e David Benoit, os guitarristas Lee Ritenour, Larry Carlton e Russ Freeman, os violonistas Earl Klugh e Peter White e os saxofonistas David Sanborn e Boney James. Para terminar, é importante salientar a presença dos jazzistas europeus no desenvolvimento deste ritmo nas últimas cinco décadas. Apesar de ter nascido nos Estados Unidos, o jazz está presente no velho continente. Não apenas por causa dos grandes festivais que acontecem anualmente por lá, como o Montreux (Suíça), o North Sea (Holanda) e o Umbria (Itália), mas também por músicos formidáveis que escreveram ou escrevem seus nomes na história do jazz como o arranjador e compositor alemão Claus Ogerman, o baixista dinamarquês Niels-Henning Pederson, o violinista francês Stephanne Grapelli, o guitarrista belga Django Reinhardt, o tecladista austríaco Joe Zawinul, o trompetista polonês Tomasz Stanki e os novatos Paulo Fresu (Itália), Erik Truffaz (França), Jamie Cullum (Inglaterra), Jacky Terrasson (Alemanha), Stefano Bollani (Itália), Courtney Pine (Inglaterra), Francesco Cafiso (Itália), Jean-Michel Pilc (França), Gianluca Petrella (Itália) e o trio E.S.T (Suécia).
Boa Leitura - Namastê.



God save the american

1956 - Brilliant Corners - Thelonious Monk

O jazz tem em muito de suas particularidades - o momento de estre leveza e criatividades por parte dos seus criadores e musicos. Se muitas vezes se diz, ao ver um músico de jazz tocando com descontração, é preciso afirmar que ninguém se divertiu mais com sua própria música do que Thelonious Monk, o monge louco do cenario jazzistico ou o chapeleiro das mil e umas notas dissonates. Diz-se dele que tinha predileção em fazer as notas erradas soarem corretas num brilhantismo que causava admiração até mesmo nos catedráticos. Monk - o compositor - era uma criança irriquieta: alterações de tempo/ritmo e predileções por harmonias dissonantes fizeram no fundar e depois, redescobrir o bebop em uma década. Monk - o pianista - foi dono de um estilo percussivo e de improvisações surpreendentes e irreverentes. Além disso, não raro em uma jam session, Monk terminava seu solo e levantava do piano, dançando em círculos como um tribal indigina a extasiar uma momento solene de agradecimento e embriagado pela música. Rejeitado em seus primeiros trabalhos por executar um jazz muito difícil, Monk reconciliou-se com público e a crítica no seminal Brilliant Corners, gravado entre 17 e 23 de dezembro de 1956. Ao lado de ninguém menos do que Sonny Rollins e cercado pela solidez na cozinha por Max Roach e Oscar Pettiford, Monk registrou não apenas composições geniais - deixou um disco de rara variedade em sons, ritmos e texturas, de onde sairiam 4 standards do jazz. (Sendo que a faixa restante já era um deles). Brilliant Corners do proprio Monk, traz uma abertura homônima, considerada uma das mais difíceis composições do jazz de todos os tempos; levou mais de uma dúzia de takes para ser gravada e a versão do disco foi editada com três deles. É um bebop swingado, cheio de clareiras melódicas para solos em tempos mutantes; um jazz ousado com parecer de uma conversa entre bop e o blue. Destaque para os talentos do baixista Pettiford e do baterista Roach, cujo timing impecável permite que Monk angule as notas e o ritmo o quanto quiser sem que haja perda da coesão sonora. Depois do desafio da primeira música, Monk solta o grupo numa jam longo de improvisação, relaxada e cheia de groove, com tema de blues: Ba-lue Bolivar Ba-lues-are. A balada Pannonica, dedicada à “Baronesa do Bebop”, Nica (Rotschild) de Koenigswarter, amiga de Monk, Charlie Parker e diversos músicos do jazz à época, nostagia com veemência e estilo. Nela Monk toca celesta - instrumento musical com teclado, lâminas de metal, habitualmente em aço percutidas por martelos semelhante ao piano e suspensas sobre um corpo de madeira que faz ressonância multiplas, com pedais para prolongar ou atenuar o som. I Surrender, Dear (de Barris-Clifford) é o standard reinterpretado pelo grupo, se tornando mais convencional canção do album, onde Monk explora em sua formas, camadas harmônicas, sincopando e interferindo no andamento normal. E para o final, outra versão para uma música sua já gravada Bemsha Swing, que cheira a Gillespie e revisita as big bands - muito em parte pelo uso dos tímpanos na percussão. A produção fica a cargo de Orrin Keepnews - um grande produtor de jazz para a Riverside. Para os fas de Monk, este album abriu novas interpretações no mundo do jazz assim como uma assinatura do musico no cenario de admiradores.

Faixas:
01 - Brilliant Corners
02 - Ba-lue Bolivar Ba-lues-are
03 - Pannonica”
04 - I Surrender, Dear
05 - Bemsha Swing

Musicos:
Thelonious Monk - Piano, Celesta
Sonny Rollins - Sax. Tenor
Ernie Henry - Sax. Alto (faixas 1- 4)
Oscar Pettiford - Baixo Acustico (faixas 1-4)
Max Roach - Bateria, timpani
Clark Terry - Trompete (faixa 5)
Paul Chambers - Baixo (faixa 5)

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Boa audição - Namastê.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Free Tibet

Não se pode ceitar com indulgencia a obressão de um povo

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

A Great Day in Harlem - 1958

Eram cerca das 10 da manhã de um dia de Verão de 1958. na 126th Street, entre a Fifth e a Madison no Harlem, 57 músicos de Jazz, representando três gerações, posaram para a câmara de Art Kane (1925-1995), fotógrafo free lance da revista Esquire magazine (publicada em janeiro de 1959), que se tornou uma das mais famosas da história da música. Nela, figuraram três gerações de jazzmen que praticavam estilos tão próximos e diversos como dixieland, new orleans, swing, bop, cool e pós-bop, juntos no mesmo enquadramento, representam o traço de união entre todas as formas e estilos, algo que para Joe McPhee e companhia é muito importante. O documentário "A Great Day in Harlem" - 1994 de Jean Bach, um produtor de rádio de Nova York, contou a história por trás da foto em seu documentário "um grande dia no Harlem", que foi indicado ao Oscar em 1995. O filme conta a incrivel história da foto, através de entrevistas com os personagens, detalhes de produção, o comportamento dos músicos e demais envolvidos, fotos alternativas e algumas imagens em filme feitas no dia da foto.Apesar de ser mais conhecido como um dos melhores retratistas norte-americano, das décadas de 60 e 70, Art Kane não é somente isso. Sua fotografia relata toda a mudança social e política da época, opinando, delatando e persuadindo com suas imagens simples e poderosas. Art Kane nasceu em New York em 1923. Durante a II Guerra Mundial, serviu à US Army na Europa. Aos 27 anos se graduou na Cooper Union School of Art e tornou-se diretor de arte da revista Seventeen. Kane deixou a revista em 59 e dedicou seu tempo totalmente à fotografia. Kane tenha um grande senso de cor e composição, que vem de sua grande experiência e conhecimento da área de layout, impressão e artes gráficas. Ministrou vários workshops fotográficos pelo mundo; passou inclusive muito tempo no Brasil entre 1976 e 1977, trabalhando em um livro de fotografia para a Time-Life, gostando muito da terra tupiniqui como chamava carinhosamente o Brasil. Kane morreu em fevereiro de 1995 e infelizmente nenhum destes workshops foram documentados em filme ou vídeo.
Músicos: Hilton Jefferson - Benny Golson - Art Farmer - Wilbur Ware - Art Blakey - Chubby Jackson - Johnny Griffin - Dickie Wells - Buck Clayton - Taft Jordan - Zutty Singleton - Red Allen - Tyree Glenn - Miff Molo - Sonny Greer - Jay C. Higginbotham - Jimmy Jones - Charles Mingus - Jo Jones - Gene Krupa - Max Kaminsky - George Wettling - Bud Freeman - Pee Wee Russell - Ernie Wilkins - Buster Bailey - Osie Johnson - Gigi Gryce - Hank Jones - Eddie Locke - Horace Silver - Luckey Roberts - Maxine Sullivan - Jimmy Rushing - Joe Thomas - Scoville Browne - Stuff Smith - Bill Crump - Coleman Hawkins - Rudy Powell - Oscar Pettiford - Sahib Shihab - Marian McPartland - Sonny Rollins - Lawrence Brown - Mary Lou Williams - Emmett Berry - Thelonius Monk - Vic Dickenson - Milt Hinton - Lester Young - Rex Stewart - J.C. Heard - Gerry Mulligan - Roy Eldgridge - Dizzy Gillespie - Count Basie
Curiosidades:
- A foto inspirou vários “covers” com outros grupos de pessoas (músicos, artistas, pessoas comuns), no mesmo local ou em outras cidades.
- Das crianças que aparecem na foto, só uma foi identificada. Taft Jordan Jr, filho do trompetista Taft Jordan.
- No filme “o Terminal”, Viktor (o ator Tom Hanks) fica preso no aeroporto de N.York quando se dirige a cidade com o objetivo de completar o sonho de seu falecido pai: obter os autografos de todos os músicos presentes na foto. Ele, um amante do jazz, encontra a foto em um jornal hungaro em 1958 e escreve para os músicos pedindo autografos. Ele recebe quase todos. Ao pai de Viktor Navorski só faltava a assinatura de Benny Golson.
- Muitos anos mais tarde, em 1998, o poeta, escritor e fotógrafo Gordon Parks prestou a devida homenagem ao trabalho de Art Kane, reunindo na mesma rua, à mesma hora, rappers e músicos hip-hop. Chamou-lhe Another Great Day.
- Art Kane retratou Dylan, Stones, Frank Zappa, Janis Joplin, The Who, Jim Morrison, Aretha Franklin e uma enormidade de modelos - já que era, também, fotógrafo de moda. Mas nada que se compare ao que fez no Harlem. As revistas Vogue e Bazaar publicaram seus primeiros ensaios feitos com uma lente grande angular e efeitos produzidos com imagens prismáticas.
Fontes: www.harlem.org ,www.artkane.com & www.a-great-day-in-harlem.com .
Boa leitura - Namastê.


1959 - Meet Oliver Nelson - Oliver Nelson

Lendo o comentário do nosso amigo Borboletas de Jade sobre a parceria do saxofonista Oliver Nelson com trompetista Kenny Dorham, lembrei-me do álbum Meet Oliver Nelson, o primeiro da carreira do saxofonista, em 1959. Apesar da pouca idade (27 anos), Nelson liderou com muita autoridade o experiente quinteto formado por grandes feras, como o veterano trompetista Kenny Dorham, o pianista Ray Bryant, baixista Wendell Marshall e o baterista Art Taylor. Faixas como "Ostinato" e "Jams and Jellies" já mostravam a originalidade de Nelson em fazer refinadas composições, que ganharam um brilho mais intenso com o doce trompete de Dorham. Imperdível.
Host: Sharebee
Size: 32.97MB

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Tracks:
01 - Jams and Jellies
02 - Passion Flower
03 - Don't Stand Up
04 - Ostinato
05 - What's New?
06 -. Booze Blues Baby

Muicos:
Ray Bryant - Piano
Kenny Dorham - Trmete
Wendell Marshall - Baixo
Oliver Nelson - Sax. Tenor
Art Taylor - Bateria

About Oliver Nelson

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

1957 - 'Round About Midnight - Miles Davis

"Quando toquei com Miles pela primeira vez, eu tinha muito o que aprender. Percebi que me faltava conhecimento de música em geral. Fico muito envergonhado por aquelas primeiras gravações que fiz com ele. Por que Miles me escolheu, eu não sei. Talvez tinha algo no meu modo de tocar e achasse que aquilo pudesse crescer. Mas eram tantas conclusôes musicais a que eu ainda não tinha chagado, que me sentia inadequado". - John Coltrane, 1961. O tom autodepreciativo de John talvez soe familiar. Dez anos antes, Miles havia sentido da mesma forma ao dividir os holofortes com Charles Parker. Agora era a vez de Coltrane se questionar. E Miles? Havia dois anos, ele tinha parado de se picar e voltadoa se concentrar na profissão. Tudo estava muito bem. Ele mesmo disse: "Eu estava tocando meu trompete e liderando a melhor banda do mercado, uma banda criativa, imaginativa, soberbamente coesa e artistica". No final de 1955, amparado pela liberdade artistica e financeira propiciada por um generoso adiantamento da Columbia Records e por uma consistente turnê arranjada pela Shaw Artis, Miles estava pronto para subir ao topo do mundo do do jazz. O novo quinteto aterrissou na Costa Oeste no inicio de 1956 para uma temporada de duas semanas na casa noturna Jazz City, em Los Angeles. Miles marcou a entrada do primeiro numero, e o som de Nova York - um hard bop funkeado com um sofisticado toque liríco - tomou de assalto o erritorio cool onde Gerry Mulligan e Chet Baker haviam estrelado seu quinteto sem piano alguns anos antes. O compositor e arranjador de jazz Sy Johson, que frequentava a casa toda noite, lembraria tempos depois, "Ninguém sábia o que pensar. Literalmente enlouqueceu todo mundo. Destruiu o jazz da Costa Oeste da noite para o dia". O quinteto logo se tornou um fenômeno pais afora. O empresário Jack Whittemore cumpriu á risca sua promessa, e, ao longo de 1956, o quinteto de Miles tocou constantimente numa série de shows em casas que variavam de pequenos clubes negros da Costa Leste a locais menos segregados e cidades como St. Louis, chicago e São Francisco. Pela primeira vez em sua carreira, Miles consiguiu manter a alta qualidade das apresentações, noite após noite. Na exuberância e potência do auge, o grupo simplismente tinha muito a ofereçer; as ásperas, geniosa - ás vezes intermináveis - improvisações do Tenor de Coltrane. O rompete com surdina - e con mistero - e Miles. Os solos com arco de Chambers, competente e plenos de sentimento. Anos após a estréia do quinteto, escritores de jazz ainda estavam maravilhados com aquele som. "Na minha opinião, a intricada complexidade de ligação entre as mentes daqueles músicos jamais foi igualada por qualquer outro grupo", escreveu Ralph Gleason em 1972. As duas gravadoras de Miles - Prestige, ainda sem selo oficial, e a Columbia - vibravam igualmente com o novo grupo. O presidente da Prestige, Bob Weinstock, saudou-o como o "Hot Five de Louis Armstrong da era moderna". Ambas logo colocaram o quinteto em estúdio. As gravações realizadas nos dezoitos meses seguinte, finalmente foram lançadas em seis albúns pelo primeiro selo (Miles, Cookin, Relaxin´, Miles Davis and the Modern JazzGiants, Workin´ e Steamin´) e um pelo segundo (´Round About Midnight), definem o ápice da improvisação de jazz para pequenas formações. Apesar da disparidade no numero de albúns lançados, foi a Columbia dispendeu mais em fitas de gravações e horas de estúdios com Miles. Quatro dos seis albúns da Prestige - Cookin´, Relaxin´, Workin´ e Steamin´ - foram gerados numa maratona de duas sessões, em que o quinteto simplismente executou seu muito bem ensaiado repertório de shows, sem necessidadde de repetição. Por outro lado, a estréia de Miles na Columbia foi resultado de tres sessões com multliplas gravações de matérial cuidadosamente selecionado. A versão final de cada faixa era resultado da colagem dos melhores momentos de duas ou mais gravação diferentes. A flexibilidade de Miles em estúdio - sua segurançatanto no trabalho meticuloso quanto na espontaniedade de um take único sem rédeas - lhe seria muito útil durante os nos na Columbia. Ao final da década, esses dois atributos converigiam, dando forma ao processo que iria gerar Kind of Blue. Em 1956, os discos de Miles e quinteto pela Prestige começaram a circular pelas receptivas mãos da crítica, que respondeu extasiada. A Down Beat, que conteve seus elogios ao albúm de estréia do grupo, Miles, deu incondicionais cinco estrelas para Cookin´, em 1957; - "A tremenda coesão, o swing impetuoso, a absoluta exaltação e a emoção controlada, presente nos melhores momentos do quinteto de Davis, foram captados nessa gravação. (Philly Joe) Jones disse que essas sessão...são as melhores já realizada por Davis. Estou inclinado a concordar". A combinação de apresentação ao vivo aclamadass universalmentecom os albúns da Prestige garantiu a reputação do quinteto e também a de Miles. Mas as atenções se voltaram para além da música. Davis estava virando um simbolo uiniversal do cool. O que o trompetista vestia, o que dizia (ou não dizia) no palco, se ele votava ou não as costas para o publico, tudo isso recebia da impresa tanto destaque quanto suas performances. Quando saia do palco depois de um solo, não 0 importava se estivesse concentrado na música ou tentando não ofuscar outros solistas. Miles pasou a ser bombardeado pela crítica por seu aparente distanciamento e desdém. A imagem escolhida pela Columbia para a capa do primeiro albúm de Miles com a gravadora, ´Round About Midnight, era impactante, mas, intencionalmente ou não, também serviu para sustentar sua imagem blasée. Tirada por Marvin Kuner no Café Bohemia, a foto mostra um Miles introspectivo, de óculos escuro , abraçando o trompete paternalmente, com uma mão no ouvido. Que retrato poderia mostra-lo mas distante e introvertido?. Na verdade - como vários outras fotos atestam - Davis estava simplismente fazendo por puro hábito o que muito cantores fazem quando se concentram na música: tapou os ouvidos para filtrar o rúido externo. Os mesmos modos silenciosos e atitude áspera que Coltrane tinha achado desconcertantes se tornou parte da ascensão do mito. No ano anterior, sua voz ficara tão áspera quanto seus modos: enquanto se recuperava de uma cirurgia na garganta, Davis teve uma discursão aos berros com um executivo da música que causou danos permanentes ás suas cordas vocais. Pelo resto de sua vida a rouquidão seria seu cartão de visita vocal. O que era controverso para o público branco tinha signicado positivo junto a comunidadenegra. Era um tanto incomum nos anos 50, para um negro da estatura de Miles, adotar uma postura pública intransigente e sem concessões. Sua taciturna, porem determinada, autoconsciência em meio a uma soiendade agitada peloa tensão racial, era um exemplo a outros afro-americanos. Para eles dar as costas para as platéias em sua maioria branca, tinha um significado simbólico bastante claro. Em meados dos anos 50, poucos heróis negros - Nat King Cool, Jackie Robinson, Sugar Ray Robinson, Ralph Ellison, Sidney Poitier - pareciam tão fortes, tão modernos ou (a partir de 1957) tão bm sucedidos quanto Miles Davis. McCoy Tyner lembra que, para músicos e fás afro-americanos, era "uma espécie de guru para muita gente". Bill Cosby, relembra..."Na década de 50, o simbolo de status para certos grupos de adolecentes no norte da Filadélfia era gostar de Miles Davis. Ou seja, se vc. dissesse "Miles Davis" , já era cool, se tivesse seus albúns, era o máximo, por isso digo que o homem era mais do que apenas um músico". Nos primeiros anos do Apartheid na Africa do Sul, Hugh Masekela, encontrou o modelo que tanto lhe faltava ouvindo discos de Miles..."Não foi apenas na música, mas Miles influênciou o meu modo de vestir, influênciou minhas atitudes diantes da autoridades: sua perspectiva da vida, seu desdém pela autoridade que cerceia a liberdade do povo. Ele era verdadeiramente honesto. Se não gostava de alguma coisa, dizia "Foda-se", em vez de usar linguagem alaborada". A condição de Miles como modelo era consequência de um respeito conquistado nos seus primeiros dias de astro do bebop. Jimmy Cobb se lembra de ver colegas músicos imitando aa atitude ea postura de Miles no final dos anos 40: "Alguns caras andavam por ai tentando se vestir com Miles, segurando e carregando o trompete como ele. Foi assim até o final de sua vida, sabe?. Os sujeitos tentando imita-lo". Quincy Jones admite abertamente que foi um deles no começo dos anos 50..."Eu tinha de fazer um solo num negocio que compus para (Leonel) Hampton chamado "Kingfish" (em 1951). Era um solo baseado em um único acorde. Era muito influenciado por Miles, aquela coisa dele com Gil Evans, (John) Carisi. Naquela época todo mundo frequentava o mesmo lugar, e certa noite, Oscar Pettiford e Miles estavam conversando atrás de mim, e (Miles) disse que tinha ouvido a música no ráadio, "Algum filho-daputa tentando tocar como eu". Registrado entre outubro de 1955 e setembro de 1956, foi o álbum oficial de estréia de Miles Davis na Columbia. Iniciava-se, assim, uma associação de três décadas com a gravadora, que alavancou a carreira do trompetista, ampliando sua popularidade. O intervalo entre o início e o final das gravações teve um motivo burocrático: o acordo entre a CBS e a Prestige permitia o início das gravações, mas o lançamento do material só poderia ocorrer depois de cumprida a obrigação contratual com a Prestige. Miles se tornou, pública e oficialmente, um artista da Colimbia com o lançamento de "Round About Midnight" em 18 de março de 1957. Em 2005 foi relançado em um duplo albúm com varios live, com o titulo "Round About Midnight: Legacy Edition". Produção: George Avakian.
Para saber mais: Kind of Blue: The Making of the Miles Davis Masterpiece (Ashley Kahn - Da Capo Press, 2000) pp. 57-61.

Músicas:
01 - 'Round Midnight
02 - Ah-Leu-Cha
03 - All of You
04 - Bye Bye Blackbird
05 - Tadd's Delight
06 - Dear Old Stockholm
07 - Two Bass Hit
08 - Little Melonae
09 - Budo
10- Sweet Sue, Just You

Músicos:
Miles Davis – Trompete
John Coltrane – Sax. Tenor
Julian ‘Cannonball’ Adderley – Sax. Alto
Bill Evans – Piano
Paul Chambers – Baixo Acústico
James Cobb – Bateria
Wynton Kelly – Piano (Faixa: “Freddie Freeloader”)

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Boa audição - Namastê.

1999 - Three on The Moon - Jazz Pistols

Durante as minhas buscas por novidades musicais, acabo me deparando com muita coisa interessante e inusitada. Uma das últimas descobertas é o Jazz Pistols, grupo alemão de Jazz-Fusion, formado por Christoph Victor Kaiser (baixo), Stefan Ivan Schäfer (guitarra) e Thomas Lui Ludwig (bateria). Em seu site oficial, o trio define o seu estilo como "Energy Jazz", com melodias complexas e arranjos progressivos. Mesmo com uma formação clássica, o trio demonstra versatilidade e ricas texturas, numa constante busca por diversas vertentes, abrindo espaço para o rock, soul, funk e tudo que tiver direito. A expressividade do trio é confirmada nos solos dos músicos, com performances de muita energia e pegada. No repertório, a marca produtiva do grupo é apresentada em novas versões para os clássicos Spain (Chick Corea) e Birdland (Josef Zawinul), grande sucesso do Weather Report. Venha conhecer o Jazz Pistols e surpreenda-se.

Tracks:

01 - Moby Dick
02 - Blues For Gordon
03 - Mystic Train
04 - Spain
05 - Man in the Woods
06 - Beast
07 - Happy Hour
08 - Second Feeling (feat. Rosevelt)
09 - Birdland

Credits:

Victor Kaiser (baixo)
Stefan Ivan Schäfer (guitarra)
Thomas Lui Ludwig (bateria)

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YouTube: Spain (Chick Corea)


Site - jazz-pistols
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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

1961 - My Favorite Things - John Coltrane

My Favorite Things é considerado por muitos críticos e ouvintes uma significante e histórica gravação. Foi a primeira sessão gravada por Coltrane para o selo Atlantic e a primeira a apresentar o novo quarteto que Trane acabara de formar: McCoy Tyner - Piano, Elvin Jones - Bateria e Steve Davis - Baixo. É um álbum com profunda mudanças do estilo bop, introduzindo revisitações harmônicas mais complexas, pricipalmente nas músicas: "My Favorite Things" (uma valsa de Richard Rodgers & Oscar Hammerstein, usada no filme Noviça Rebelde de 1965), e "But Not For Me" (de George Gershwin). Em uma época em que o saxofone soprano se tornava obsoleto por alguns musicos, Coltrane demonstrou uma inventiva habilidade para o idioma do jazz. O standard "Summertime" é notável por seu ritmo alegre, e pela demonstração da técnica sheets of sound (folhas de som, muito usado por Coltrane), uma total antítese à melancolia de Miles Davis na versão lírica de Porgy and Bess. "But Not For Me" é reharmonizada usando outra técnica de John Coltrane chamada Coltrane changes, apresentando um longa coda sob uma progressão em II-V-I-vi. A faixa título é uma versão modal de autoria de Richard Rogers e Oscar Hammerstein do musical The Sound of Music. A melodia é escutada diversas vezes por todos os 14 minutos de duração, e ao invés de solar sobre os acordes escritos, tanto Tyner quanto Coltrane tocam os solos sob vamps de dois acordes tônicos "E" menor e "E" maior. O solo de Tyner ficou famoso por ser extremamente cordal e rítmico ao contrário de desenvolver melodias. No documentário The World According to John Coltrane, o narrador Ed Wheeler diz: "Em 1960, Coltrane deixa Miles Davis e forma seu prórpio quarteto para explorar o estilo modal, com livres direções com certa influência Indiana. Eles transformaram "My Favorite Things", a famosa e alegre canção de The Sound of Music, uma hipnótica dança abdal. A gravação virou um hit tornando-se a gravação de Coltrane mais requisitada. Gravado em 21, 24 e 26 de Outubro de 1960 na cidade de Nova Iorque.
Nota: Em 3/3/1998 foi relançado pela Atlantic - WEA com duas faixas bonus: My Favorite Things pt. I e pt. II (Single Version)

Faixas:
01 - My Favorite Things
02 - Everytime We Say Goodbye
03 - Summertime
04 - But Not for Me

Musicos:
John Coltrane - Sax. Soprano (Faixas 1 & 2), Sax. Tenor (Faixas 3 & 4)
McCoy Tyner - Piano
Steve Davis - Baixo
Elvin Jones - Bateria

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Boa audiçãi - Namastê

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Oliver Nelson 1936 - 1975

Oliver Edward Nelson (04 Junho de 1932 St. Louis - 28 de Outubro de 1975, Missouri). Saxofonista, Clarinista, Arranjador e Compositor Americano. O Início de sua vida e carreira, coicide com as viradas do mundo do jazz. Oliver Nelson como é conhecido no meu jazzistico vem de uma família de musicos: o irmão dele também era um saxofonista que tocou com Cootie Williams na década de 1940, e sua irmã cantou e tocou piano em varias banda. Nelson começou seus estudos de piano quando tinha seis, e iniciou logo sdeixou de lado e atacou o saxofone com onze anos. Desde 1947 ele tocou no "território" em torno de bandas de Saint Louis, antes de aderir à Louis Jordan big band de 1950 a 1951, tocando saxofone alto e organizando os musicos na falta do lider. Após o serviço militar como fuzileiro, retorna ao Missouri para estudar composição e teoria musical em Washington, Lincoln e Universidades, formando em 1958. Após a formatura, Nelson mudou-se para Nova York e tocando com Erskine Hawkins e Wild Bill Davis, e trabalhando como arranjador no Teatro Apollo no Harlem. Chegou a costa oeste com Louie Bellson big band em 1959, e no mesmo ano começou a gravar como líder com pequenos grupos. Entre 1960 e 1961 tocou sax, tenor com Quincy Jones, tanto nos os E.U. como em direção a Europa que o descobriu. Após seis álbuns como líder entre os anos 1959 e 1961 para a selo Prestige com a formação classica de músicos como: Kenny Dorham, Johnny Hammond Smith, Eric Dolphy, Roy Haynes, King Curtis e Jimmy Forrest, Nelson um grande avanço e grava "A Blues" e "Abstract Truth", para a Impulse com a musica de trabalho "Stolen Moments", hoje considerada uma lenda. Isto fez de seu nome um compositor e arranjador de talent, passando a registar um grande número de álbuns, bem como trabalhos como arranjador para Cannonball Adderley, Sonny Rollins, Eddie Davis, Johnny Hodges, Wes Montgomery, Buddy Rich, Jimmy Smith, Billy Taylor, Stanley Turrentine, Irene Reid, Aníbal Vinhas entre muitos outros. Em 1967, Nelson mudou-se para Los Angeles e viajou com sua big-band para varios paises (Berlim, Montreux), visitando a África Ocidental, com um pequeno grupo. Escreveu varias musicas para a televisão (Ironside, Night Gallery, Columbo, The Six Million Dollar Man, The Bionic Woman, e Longstreet) e filmes: 1969 - Death of a gunfighter - A morte de um pistoleiro, um faroeste para o diretor Alan Smithee e arranjos para Gato Barbieri's em 1972,Last Tango em Paris - Último Tango em Paris, com Marlon Brando em cena. Produziu e arranjou para varias estrelas do pop, como Nancy Wilson, James Brown, o Temptations, e Diana Ross. Oliver Nelson morreu de ataque cardíaco em 28 de Outubro de 1975, com 43 anos de idade sem se deixar levar pela procrastinação. Sua discografia se estende por vários nomes do mundo do jazz e sua criatividade, uma soberba admiração pelos fas que o admira e o chamava carinhosamente de Nelsinho.

discografia:
1959 - Meet Oliver Nelson
1960 - Takin' Care of Business
1960 - Images
1960 - Screamin' the Blues
1960 - Nocturne
1960 - Soul Battle
1960 - Afro-American Sketches
1961 - Three Dimensions
1961 - The Blues and the Abstract Truth
1961 - Straight Ahead
1961 - Main Stem
1962 - Full Nelson
1962 - Impressions of Phaedra
1964 - Fantabulous
1964 - More Blues and the Abstract Truth Buy
1966 - Oliver Nelson Plays Michelle
1966 - Happenings
1966 - Leonard Feather Presents the Sound of Feeling
1966 - Sound Pieces
1967 - Musical Tribute to JFK: The Kennedy Dream
1967 - live from Los Angeles
1968 - Soulful Brass
1968 - And the Sound of Oliver Nelson
1969 - Black Brown and Beautiful
1970 - Black, Brown and Beautiful
1970 - Berlin Dialogue for Orchestra
1970 - Live in Berlin
1971 - Swiss Suite (Live)
1971 - Zigzag (Original Soundtrack)
1974 - Oily Rags
1975 - Skull Session
1975 - Stolen Moments
1976 - A Dream Deferred
1978 - Soulful Brass #2
1990 - Back Talk
1990 - Meet Oliver Nelson (EP)
1991 - Oliver Nelson, Vol. 2: Three Dimensions
1995 - Verve Jazz Masters 48
2000 - Les Incontournables
2005 - Zigzag/The Supercops (Original Soundtrack)
2006 - The Argo, Verve and Impulse Big Band Studio Sessions

Um fantastico album dessa fase criativa de Oliver é "Alfie" - (Como Conquistar As Mulheres) de 1966, num verdadeiro arranjo para a trilha original do filme adaptado de Bill Naughton na telona. Alfie (Michael Caine) é um charmoso conquistador que vive em Londres. Ele tem várias aventuras amorosas, pois sempre quer mais mulheres na sua "coleção". Ele as usa, pois não tem nenhum tipo de censura e pula de uma cama para outra sem nenhum remorso. Porém Alfie não é tão despreocupado ou indiferente como tenta passar para a audiência, para quem fala diretamente diversas vezes. Tentando ser livre como um pássaro, ele ignora quem realmente o ama e seu filho acaba sendo criado por outro homem. Somente após várias conquistas e vitórias dúbias ele começa a questionar sua vida.
No elenco: Michael Caine (Alfie), Shelley Winters (Ruby), Millicent Martin (Siddie). Julia Foster (Gilda), Jane Asher (Annie) e Shirley Anne Field (Carla).

Faixas:
01 - Alfie's Theme
02 - He's Younger Than You Are
03 - Street Runner With Child
04 - Transition Theme For Minor Blues Or Little Malcolm Loves His Dad
05 - On Impulse
06 - Alfie's Theme Differently

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Boa audição - Namastê.

1973 - Live at the Village Gate - Sivuca

Natural de Itabaiana, interior da Paraíba, Severino Dias de Oliveira começou a tocar sanfona aos 9 anos de idade, em feiras, festas, batizados etc., e tornou-se um dos estilistas do instrumento. Aos 15 anos foi para Recife, onde começou a carreira profissional na Rádio Clube de Pernambuco, e adotou o nome artístico de Sivuca. Aos 18 tornou-se aluno do maestro Guerra-Peixe, com quem aprendeu arranjo e composição. Gravou o primeiro LP em 1950, em parceria com Humberto Teixeira, que gerou o primeiro sucesso, "Adeus, Maria Fulô", regravada em versão psicodélica pelos Mutantes em seu disco de 1968. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1955, sendo contratado pela Rádio e TV Tupi. Gravou mais três LPs e fez algum sucesso, até que em 1958 foi pela primeira vez para a Europa com o grupo Os Brasileiros, de que era o acordeonista. Acabou radicando-se em Lisboa, e em seguida em Paris, onde gravou discos e fez diversas apresentações. Em 1964 mudou-se para Nova York, e lá viveu por 12 anos. Trabalhou com Miriam Makeba, para quem fez o célebre arranjo do mega sucesso "Pata Pata" e com ela excursionou pela Ásia, África, Europa e Américas, até 1969. Nos Estados Unidos trabalhou com outros artistas brasileiros, como Hermeto Pascoal, Airto Moreira e Gloria Gadelha, com quem se casou e compôs "Feira de Mangaio", considerado um dos clássicos do forró. Outras parceria bem-sucedidas são "João e Maria" (com Chico Buarque), "No Tempo dos Quintais" (com Paulo Tapajós), "Energia" (com Glória Gadelha) e "Cabelo de Milho" (com Paulo Tapajós). Na década de 70 tornou-se popular nos países escandinavos, gravando discos ao vivo e fazendo muitos shows. Compôs trilhas para os filmes Os Trapalhões na Serra Pelada (1982) e Os Vagabundos Trapalhões (1982). Em 20 de novembro de 2006 lança o DVD “Sivuca – O Poeta do Som”, totalmente produzido na Paraíbaem em homenagem aos seus 75 anos, que contou com a participação de 160 músicos convidados. Foram gravadas 13 faixas, além de duas reproduzidas em parceria com a Orquestra Sinfônica da Paraíba. Faleceu em 14 dezembro de 2006, depois de dois dias internado para tratamento de um câncer, que já o acometia desde 2004. Sivuca deixa uma filha, Flavia, que atualmente está levantando o acervo do pai e mais três netos, Lirah, Lívia e Pedro. É chamado no meio artistico de "O maestro da sanfona". É amado por Caetano Veloso, Jorge Ben, e Gilberto Gill. Se essa referência não é o suficiente para que os reis da Tropicália têm todos reconheceram a influência da Sivuca, ele foi um dos primeiros artistas brasileiros jazz para estabelecer uma carreira na E.U.A. nos anos 60. O fantástico Live at the Village Gate de 1973, traduz um Sivuca de primeira linha para os americanos que o aplaudiu de pé ao desgusta a cultura brasileira nas veias desse multinstrumentista do sertão da paraiba como o codnome de Sivuca. Além de vocalizar, surpriende como acordianista, guitarrista, e compositor, para o espanto dos gringos. Simplesmente um album album impecável para qualqur coleção e o melhor, uma viagem pela bossa nova e um passeio pelas raizes tupinique. "Live at Village Gate" é magistral e uma obra prima na carreira de Sivuca. Selo: Vanguard (EUA) / Copacabana (Brazil).Vale apena ler o texot do jornalista Arnaldo DeSouteiro sobre Sivuca: "Ontem eu soube da morte de 2 amigos meus, o saxofonista Frank Vicari e o produtor Ahmet Ertegun (fundador da gravadora Atlantic), mas nada sabia sobre o Sivuca. Tomei conhecimento somente agora. Eu poderia escrever até um livro sobre Sivuca, conheço profundamente a obra dele. Mas agora, só dá pra sair um pequeno comentário" ...
http://www.clubedejazz.com.br/noticias/noticia.php?noticia_id=426.

Faixas
:
01 - Adeus Maria Fulo
02 - Berimbau
03 - It Might Have Been
04 - Rancho Fundo
05 - Ain's No Sunshine
06 - Marina
07 - Coisa nº 10
08 - Batucada

Musicos:
Sivuca - Vocais, Guitarra, Accordion, Piano e Percussões
Cindy Kimball - Vocais e Percussões
Morris Goldberg - Woodwind (inst. de sopro de madeira)
Mervin Bronson - Baixo
Angel Allende - Percussões
Sadiq Shabazz- Bateria

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Boa audição - Namastê.

1961 - Sunday at the Village Vanguard - Bill Evans Trio

O que falar de um músico que participou do mais importante disco da história do jazz – Kind Of Blue, de Miles Davis -, que teve um dos mais influentes trios de todos os tempos - com Paul Motion (bateria) e Scott LaFaro (baixo) - e gravou discos definitivos como Portrait In Jazz, The Paris Concert, Waltz for Debby e Sunday at the Village Vanguard? Diante desses fatos, não há muito mais o que falar a não ser reverenciar e principalmente, escutar todo o talento do pianista norte-americano Bill Evans. Nascido em Plainfield no dia 16 de agosto de 1929, William "Bill" John Evans (Bill Evans no mundo do jazz), foi o único músico branco nas gravações do mitológico Kind Of Blue e um dos jazzistas brancos mais influentes de toda a história. Assim como acontece com outros músicos de jazz, indicar um único disco de Bill Evans é quase uma heresia, mas no caso do pianista a escolha não poderia ser mais óbvia, Sunday At The Village Vanguard, lançado em 1961. O disco, gravado ao vivo na casa de jazz nova-iorquina, traz Evans acompanhado de seu mais importante trio, composto por Paul Motian e Scott LaFaro. Outro fato “interessante” sobre este disco foi a despedida de LaFaro, que morreu 10 dias após a gravação deste concerto, em um acidente de carro, aos 25 anos de idade com indicios de bebidas e heroina. O disco abre com a clássica “Gloria’s Step”, com LaFaro solando como poucos e Motian atacando no estilo “vassourinha”. Toda a delicadeza de Evans está exposta em “My Man’s Gone Now”, composta pelos irmãos Gershwin, e “Jade Visions”. Outro clássico presente aqui é “All Of You”, de Cole Porter, com solos de LaFaro e Motian. Para terminar, Evans recria “Alice in Wonderland” e faz uma versão de quase 9 minutos da composição de Miles Davis, “Solar”, faixa que traz solos “completos” dos três músicos. Outra dica importante é procurar o disco Waltz for Debby, uma espécie de volume 1 deste disco que será postado em breve. Para alguns críticos, Waltz é a personificação do clássico trio de jazz. Diferentemente do que acontece em Sunday, no qual LaFaro está em destaque, Waltz traz o trio mais conciso e interagindo mais entre si. Apesar da morte prematura - Evans morreu em Nova York aos 51 anos em 15 de Setembro de1980 de nisuficiência hepática e hemorragia interna prococada pelo uso continuado de heroína e cocaína - o pianista continua uma referência para os novos músicos. Nomes como Brad Mehldau, Benny Green, Mulgrew Miller, Bill Charlap, Stephen Scott e Fred Hersch são exemplos vivos do legado deixado pelo maior pianista branco que o jazz já produziu.
“Had Bud Powell and Bill Evans not existed, Jazz would have had to invent them.” - C. M. Bailey

* Gravado ao vivo no Village Vanguard, NY, 25/06/1961.
* Um dos melhores discos de jazz feitos ao vivo, de acordo com qualquer crítica de jazz.
* LaFaro é considerado um “pai” para os baixistas de jazz, por criar estilo libertário, improvisador e marantes. Morreu num acidente de carro dez dias depois desta gravação, aos 25 anos.
* Produção - Orrin Keepnews
* Engenheiro de Gravação - Dave Jones
* Selo - Riverside
Em 2006, o selo Riverside publicou um box de três Cds set contendo praticamente todo o material gravado no Village Vanguard de Bill Evans. Embora toda esta música, disponível na caixa de Riverside, tem a audiência de ambientação reforçada e inclui apresentações, discussões em palco entre os músicos, a interação com a platéia e alguns compassos da música que Evans improvisados para preencher a fita no final da noite. No total são 28 musicas e um estojo de luxo com umaresenha da vida e obra de Bill como também curiosidades.

Faixas:
01 - Gloria’s Step (take II)
02 - My Man’s Gone Now
03 - Solar
04 - Alice in Wonderland (take II)
05 - All of You (take II)
06 - Jade Visions (take II)
07 - Gloria’s Step (take III)
08 - Alice in Wonderland (take I)
09 - All of You (take III)
10 - Jade Visions (take I)

Músicos:
Bill Evans - Piano
Scott LaFaro - Baixo Acustico
Paul Motian - Bateria

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Boa audição - Namastê.

domingo, 19 de outubro de 2008

Vitrine: Renatinho Santos

Vitrine - Novidades e descobertas da Música


Renatinho Santos Black Groove
Ano:2004
Selo Independente

Estilos: R&B / Soul / Latino

Host: Sharebee
Size: 29.93 MB

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Tracks:

1 - Taco
2 - D.Ang
3 - Black Groove
4 - Contente
5 - Groove Maximo
6 - Samba Encomenda
7 - Ta No Pente

Credits:

Bass - Renatinho Santos
Drums - Giba Favery
Guitar - Thiago Pitiá
Keyboards - Ilca Leanza
Percussion - Kadu Fernandes
Sax - Vitor Alcantara
Voice(Taco) Maria Diniz E Rita Kfouri
Music Producer - Celso Pixinga

Iniciou seus estudos com Celso Pixinga no ano de 2003, já tendo uma visão instrumental decidiu no mesmo ano gravar seu CD solo instrumental intitulado Black Groove com elementos de soul, funk, salsa, samba, balada , etc...Com Produção de Celso Pixinga,onde contou com grandes músicos como, Giba Favery(bateria), Ilca Leanza(teclados), Thiago Pitía(guitarra), Kadu fernandes(percussao), Vitor Alcantara(saxofone), Rita kfouri e Maria Diniz(vocais) .

Com o lançamento do cd, o caminho na música estava só começando, pois surgiram convites para gravações, shows etc... Acompanhou diversas bandas de vários estilos destacando o Quarteto black Primus, Descontrasom, Doce Encontro, Edson e Raphael e Nereu(trio Mocotó), Elisabeth Viana: O TALENTO SE RENOVA A CADA GERAÇÃO,NOSSOS OUVIDOS AGRADECEM (palavras do baixista Nilton Wood sobre cd publicado na revista cover baixo em 2004).

Em 2005 participou do maior evento do País, o Cover Baixo IBT Festival, uma edição que reúne os melhores baixistas do Brasil. Teve a honra também de se apresentar em grandes casas, como, Café Piu Piu, Livraria Cultura, Saraiva,Centro Cultural São Paulo, Sesc Santo Amaro (ao lado de Celso Pixinga),e em São Carlos participou do festival Ada..s Drums. Atualmente, sideman toca com Lucas Poletto, Chá Roots,Luis Vagner, Instrumental BLACK SUPER BAND GROOVE onde dá continuidade ao trabalho com objetivo de expandir a música instrumental no cenário Brasileiro.

Festivais que já participou: Cover Baixo Ibt festival 2005 (EMT)SP Cover Baixo Ibt festival 2006 (EMT)SP Festival Adah Drums 2006 (São Carlos)SP Cover baixo Ibt festival 2007(EMT Campinas) Cover baixo santos 2008(santos) Cover baixo são josé dos campos 2008.

MySpace: http://www.myspace.com/renatinhogroove

YouTube: Renatinho Santos & Instrumental Black Groove: "Taco"


Vitrine: Você também é artista? Divulgue o seu trabalho aqui no Blog. Entre em contato e apareça.

Apoio dos Blogs
: Som Do Roque, Um Que Tenha, Farofa Moderna, Jazz & Rock, Borboletas de Jade

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

1957 - Prestige 7105 - John Clotrane

“Trane era o saxofonista mais ruidoso e mais rápido que eu já ouvi. Tocava rápido e alto, ao mesmo tempo, o que é difícil de fazer. Porque quando a maioria dos músicos toca alto, se trava. Já vi muitos saxofonistas se enrolarem tentando tocar assim. Mas Trane fazia isso e era fenomenal. Era como se estivesse possuído, quando levava aquele instrumento à boca. Era muito apaixonado – feroz – e ao mesmo tempo muito tranqüilo e delicado quando não estava tocando. Um cara puro.
Jamais compôs coisa alguma durante o tempo que esteve em meu conjunto. Tudo que fazia era começar a tocar. A gente conversava muito sobre música nos ensaios e a caminho do trabalho. Eu lhe mostrava muita coisa, e ele sempre escutava. E eu dizia:
- Trane, tome aqui estes acordes, mas não é pra tocar assim o tempo todo, não, sabe? Isso quer dizer que você tem dezoito, dezenove coisas diferentes pra tocar em dois acordes.
Ele ficava ali sentado, de olhos arregalados, absorvendo tudo. Trane era um inovador, e a gente tem de dizer a coisa certa às pessoas desse tipo. Por isso que eu mandava que ele começasse no meio, pois era assim que sua cabeça funcionava mesmo. Ele buscava desafios, e se a gente lhe desse o troço errado, ele não escutaria. Mas era o único músico que podia tocar aqueles acordes que eu lhe dava sem fazê-los soar como acordes.
Depois do trabalho, ele voltava pra seu quarto de hotel e praticava, enquanto todos os demais andavam pela rua. Praticava durante horas, depois de acabar de tocar três sets. E mais tarde, em 1960, quando lhe dei um sax soprano que conseguira com uma conhecida de Paris, uma antiquária, isso teve um efeito no seu tenor. Antes de ganhar aquele soprano, ele ainda tocava com Dexter Gordon, Eddie “Lockjaw” Davis, Sonny Stitt e Bird. Depois de ganhar o instrumento, seu estilo mudou. Depois disso, não tocava mais como ninguém a não ser ele mesmo. Descobriu que podia tocar mais suave e mais rápido no soprano que no tenor. E isso realmente o deixou ligado, pois não podia fazer no tenor o que podia no alto, porque o soprano é um instrumento direto, e como ele gostava do registro baixo, descobriu que também podia pensar e ouvir melhor com o soprano do que com o tenor. Quando tocava o soprano, depois de algum tempo, parecia mais uma voz humana, um lamento.
Depois que gravamos aqueles últimos lados pra Prestige, em outubro de 1956, levei o grupo de volta ao Café Bohemia, e foi lá que aconteceu muita coisa entre Coltrane e eu. Essas coisas já vinham se acumulando há algum tempo. Cara, era uma merda ver o que ele fazia consigo mesmo, a essa altura já se achava realmente dependente da heroína, e também bebendo muito. Chegava atrasado e cabeceava no palco. Uma noite, fiquei tão puto com ele que lhe dei um tapa na cabeça e um soco na barriga, no camarim. Thelonious Monk estava lá nessa noite; fora ao camarim dar boa-noite e viu o que eu fiz com Trane. Quando viu que Trane não reagia e apenas ficava ali sentado como um bebezão, se revoltou. Disse a Trane:
- Cara, do jeito que você toca saxofone, não tem de aceitar essa merda; pode vir tocar comigo quando quiser. E você Miles, não devia bater nele desse jeito.
Eu estava tão puto que pouco ligava pro que Monk dizia, porque, pra começar, não era da conta dele. Despedi Trane essa noite, e ele voltou pra Filadélfia, pra tentar se livrar do vício. Me senti mal mandando-o embora, mas não via que mais podia fazer nas cincunstâncias.
Por mais que eu gostasse de Trane, nós não andávamos juntos depois que deixávamos o estrado, porque tínhamos estilos diferentes. Antes, era porque ele vivia afundado na heroína, e eu acabara de sair dessa. Agora ele estava limpo e quase não saía, voltava direto pro hotel, pra praticar. Sempre levara a música a sério, e sempre praticara muito. Mas agora era quase como se estivesse numa espécie de missão. Me dizia que já fizera muita confusão, perdera muito dinheiro e não dera muita atenção à sua vida pessoal, à sua família e, acima de tudo, à sua música. Portanto, só se preocupava em tocar sua música e crescer como músico. Era só no que pensava. Não podia ser seduzido pela beleza de uma mulher, porque já fora seduzido pela beleza da música, e era fiel à sua esposa. Quanto à mim, depois que acabava a música, eu saía logo buscando a dona boa com quem ia ficar naquela noite. Cannonball Adderley (vocal) e eu conversávamos e saíamos às vezes, quando eu não estava com alguma mulher. Philly e eu ainda éramos amigos, mas ele vivia se enchendo de droga, ele, Paul e Red. Mas éramos todos amigos e todos nos dávamos muito bem juntos.” (“Miles Davis, a Autobiografia” - pp 180, 194 e 195)
Prestige 7105 é um álbum fantástico que reúne alguns dos clássicos de John Coltrane, um dos saxofonistas mais cultuados do jazz, que começou sua carreira tocando em big bands, fez parte do grupo de Miles Davis, durante cinco anos, além de ter liderado, a partir de 1960, um quarteto com o pianista McCoy Tyner, o baixista Jimmy Garrison e o baterista Elvin Jones. São seis faixas com o melhor de seu estilo, entre elas, "Violets for Your Furs" e "While My Lady Sleeps", alguns dos destaques. Algo que não pode faltar em sua coleção. Gravado em 31 de Maio de 1957
Dica: Les Musiciens de Jazz et Leurs Trois Voeux - Pannonica de Koenigswarter (Ed. Ruchet-Chasiel). Boa leitura.


Faixas:
01 - Bakai
02 - Violets For Your Furs
03 - Time Was
04 - Straight Street
05 - While My Lady Sleeps
06 - Chronic Blues

Musicos:
John Coltrane - Sax. Tenor
Johnnie splawn - Trompete
Sahib Shihab - Sax. Barito
Red Garland - Piano (1-3)
Mal Waldron - Piano (4-6)
Paul Chambers - Baixo Acustico
Albert Heath - Bateria

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Boa audição - Namastê

A Casa de John Coltrane será considerada local histórico

A casa de John Coltrane e de sua esposa Alice Coltrane, em Dix Hills , Long Island, será designada como local histórico para o Estado de Nova York e para o Registro Nacional de Locais Históricos . A casa foi residência da família Coltrane no período de 1964 a 1973. John Coltrane(na foto) faleceu em 1967. Alice, que casou com John só no último ano de sua vida, foi uma respeitada musicista e compositora jazzística , faleceu em janeiro do corrente ano. Robert C. Hugh , historiador da Cidade de Huntington , Nova York , informou , através da imprensa , não ser usual designar como histórica uma casa dos meados dos anos cinqüenta. Isto demonstra a significância do local para o impacto mundial da música de Coltrane. A designação é vista como um passo fundamental para a completa preservação da casa , bem como a instalação , futuramente , de um museu, que abrigará matéria musical importante, e de um centro educacional , como deseja a Coltrane Home , uma entidade sem fins lucrativos. De acordo com o músico Ravi Coltrane , filho de John e Alice , que passou a infância na casa , esta era a visão da sua mãe.A casa suburbana foi poupada da demolição em 2004, depois que o historiador de Dix Hills , Steve Fulgoni , descobriu que ela estava à venda para um incorporador , que construiria uma casa de luxo no local. Fulgoni , um fã de John Coltrane, chamou a atenção da cidade de Huntington para o fato e convenceu-a da significância da casa. Em 2005 com o apoio de músicos e aficionados do Jazz no mundo , incluindo Carlos Santana e Herbie Hancock , a cidade adquiriu a casa.

Fonte: Bolg Sojazz Link

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

1953 - With The Lighthouse All Stars - Chet Baker & Miles Davis -

Opiniões têm sido limitadas a cerca de jazz clássico e absoluto na história dos que fazem parte dela assim como é possível aprender o máximo a partir de um álbum cheio de bons eventos, de modo que no espírito de músico como Miles Davis, Chet Baker e do Farol All-Star de 1952 possa apresentar. Este arquivo é uma perola da lendaria versão completa dessa sessão no famoso clube Farol em Hermosa Beachpara para os amantes que gosta de Cool jazz-hard bop literalmente na sua essência de criação. Além de ser uma ponte que liga Miles Davis com os dois pilares da criação do jazz: Chet Baker e John Coltrane, traz Russ Freeman, um pianista de vanguarda na esfera do seu All Star Band. Aqui se da ainda um encontro único de dois jovens trompetista na linha de frente por Chet e Miles, no magistral duo dos criadores de estilos diferente ao longo de sua vida. Tudo acontece no lendario Lighthouse café/clube localizado em Hermosa Beach - Califórnia, onde ainda hoje continua ativo. Após a II Guerra Mundial quando o músico Howard Rumsey, cansado de tocar em big bands de fim de noites, resolveu passear pela cidade e foi dar de cara no Lighthouse, encontrando uma casa literalmente vazia. Rumsey pediu ao dono do local uma oportunidade para tocar neste espaço. O Lighthouse All-Star era a banda que tocava no Farol Club, um grupo em sua maioria de músicos branco da costa oeste da Califórnia. Max Roach apresentou neste tempo uma curta temporada de apresentações no local, que posteriormente trouxe o seu amigo Miles Davis para ingressar conjunto que logo chega Chet para completar. O resultado é o antologico album "With The Lighthouse All Stars" gravado em 13 de Setembro 1953 . O album apresenta nove faixas de altissima qualidade entre os musicos de estrema inquietude. At Last abre o album norteando um belo arranjo cool, sendo seguida por Winter Wonderland com clichês-chave. levando Miles a solar seu trompete que quase fala, Loaded, I'll Remember April, Pirouette, Witch Doctor, Infinity Promenade, 'Round Midnight', e A Night in Tunisia apresenta uma semelhança entre ambas, embora reconheço que Bud Haste tem um belo solo em Tunísia, mostrando aos outros como deve ser feito, constróindo declarações pautadas e claras sobre o saxofone em uma estrutura coesa que complementa a canção. Chet Baker apresenta um trompete ascendente da Costa Oeste simpaticamente balançando o caminho que Miles completa. De certa maneira, é um trabalho históricoe e interessante para os amantes deste período de início da carreira do Miles, depois de ter quebrado seu vício no início dos anos 1950. Realizada em 13 de setembro de 1953, e gravado pelo Selo que Contemporânea, quando Miles Davis estava na Califórnia. Genre: Jazz / cool, hard bop.


Músicos:
Chet Baker - Trompete
Miles Davis - Trumpete
Rolf Ericson - Trumpete
Jimmy Giuffre - Clarinete
Bud Shank - Sax. Alto
Bob Cooper - Sax. Tenor
Russ Freeman, Lorraine Geller & Claude Williamson - Piano
Max Roach - Bateria

Faixas:
1. At Last
2. Winter Wonderland
3. Loaded
4. I'll Remember April
5. Pirouette
6. Witch Doctor
7. 'Round Midnight
8. Infinity Promenade
9. A Night in Tunisia

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Boa audição - Namastê.