Artista: Duke Ellington
O álbum Recollections of the Big Band Era, gravado por Duke Ellington & His Orchestra entre 29 de novembro de 1962 e 4 de janeiro de 1963, representa um dos momentos mais fascinantes da maturidade do maestro norte-americano. Trata-se de uma obra em que Ellington e seu inseparável colaborador Billy Strayhorn prestam homenagem aos seus próprios pares e rivais da Era do Swing — como Count Basie, Glenn Miller, Stan Kenton, Cab Calloway, Woody Herman e Chick Webb —, reeditando e reinventando temas icônicos sob a identidade inconfundível do ecossistema ellingtoniano. Encomendado originalmente pelo selo Reprise Records (fundado por Frank Sinatra), o projeto teve suas sessões registradas entre o Universal Recording Studios, em Chicago (IL), e o Fine Recording Studios, em Nova York (NY), sob a engenharia de som de profissionais renomados como Bernie Clapper, Fred Christie, Richard Mays e o lendário Bruce Swedien — que anos mais tarde ganharia projeção planetária ao assinar a engenharia e mixagem de álbuns históricos de Michael Jackson, como Off the Wall, Thriller e Bad. Curiosamente, apesar de concluídas na virada de 1962 para 1963, as fitas mestre do álbum permaneceram engavetadas nos arquivos por mais de uma década, vindo a público no formato de LP apenas em 1974, lançado pela Atlantic Records logo após o falecimento de Ellington; mais tarde, em 1989, o trabalho ganhou vida no formato CD pela Atlantic Jazz em uma edição expandida que reuniu o repertório original com as sessões do projeto irmão Will Big Bands Ever Come Back? (1965), resultando em uma antologia com mais de duas dezenas de faixas. Para dar vida a essas reinterpretações, Ellington reuniu uma das formações mais sólidas e expressivas de sua carreira. A regência e o piano principal ficaram a cargo do próprio Duke Ellington, abrindo espaço pontual no banco do piano para Billy Strayhorn em faixas como "Ciribiribin" e "Smoke Rings", o que permitiu ao líder focar na condução dos arranjos e nas interações com os solistas. O naipe de metais contou com o brilhantismo dos trompetistas Cootie Williams, Cat Anderson, Roy Burrowes e Ray Nance (que também contribuiu nos violinos), somados à imponência dos trombones de Lawrence Brown, Buster Cooper e Chuck Connors no trombone baixo. O lendário setor de palhetas trouxe as timbragens marcantes do sax-altista Johnny Hodges, de Russell Procope (sax alto e clarinete), Paul Gonsalves (sax tenor), Jimmy Hamilton (clarinete e sax tenor) e do pilar Harry Carney no sax barítono e clarinete baixo. Dando a sustentação rítmica e o balanço preciso a todo o conjunto, a cozinha contou com o pulsar seguro de Ernie Shepard no contrabaixo e a condução propulsiva do baterista Sam Woodyard. Longe de se limitar a uma simples cópia nostálgica ou a uma emulação servil dos arranjos originais das outras orquestras, Ellington e Strayhorn abordaram o repertório alheio reconstruindo a arquitetura das músicas a partir do vocabulário harmônico e tímbrico próprio de sua orquestra. As estruturas artísticas do disco combinam a densidade dos blocos de saxofones, marcados pela doçura inconfundível do som de Johnny Hodges e pelo peso abissal do barítono de Harry Carney, com o uso expressivo de metais abafados e contrapontos sofisticados. O balanço do álbum transita com fluidez entre o swing enérgico calcado em riffs — como em "One O'Clock Jump" (clássico de Count Basie), em que a bateria de Sam Woodyard empurra os solistas para intervenções virtuosas — e arranjos de grande requinte e exotismo, a exemplo de "Chant of the Weed" (Don Redman), onde as dinâmicas harmônicas flertam diretamente com a linguagem do Jazz Moderno. Em temas consagrados como "Woodchopper's Ball" e "Artistry in Rhythm", a orquestra infunde um sotaque de blues urbano e dinâmicas timbrísticas que só a seção de sopros de Ellington conseguia projetar. No balanço final, Recollections of the Big Band Era consolida-se como um documento histórico de enorme generosidade e refinamento, no qual um dos maiores gÊnios da música do século XX celebra a era de ouro das big bands filtrando a história da música popular americana pela lente de sua própria arte.
Saxofone Alto – Johnny Hodges
Saxofone barítono, clarinete, clarinete baixo – Harry Carney
Baixo – Ernie Shepard
Clarinete, Saxofone Alto – Russell Procope
Clarinete, Saxofone Tenor – Jimmy Hamilton
Bateria – Sam Woodyard
Piano, Líder – Duke Ellington
Saxofone tenor – Paul Gonsalves
Trombone – Buster Cooper , Chuck Connors , Lawrence Brown
Trompete – Bill Berry (faixas: 2,19), Cat Anderson, Cootie Williams (faixas: 1,3 a 18, 20 a 23 ) , Eddie Preston ( faixas: 9, 13 ), Ray Nance, Roy Burrowes
Violino – Ray Nance
As faixas 06 a 08, 11,20 e 21 foram gravadas em Chicago em 29 de novembro de 1962.
As faixas 03,09 e 13 foram gravadas em Nova York, em 11 de dezembro de 1962.
As faixas 01 e 18 foram gravadas em Nova York em 14 de dezembro de 1962.
As faixas 02 e 19 foram gravadas em Nova York em 14 de dezembro de 1962.
As faixas 10, 22 e 23 foram gravadas em Nova York em 20 de dezembro de 1962.
A faixa 12 foi gravada em Nova York, em 29 de dezembro de 1962.
As faixas 05,17 e 15 foram gravadas em Nova York em 03 de janeiro de 1963.
As faixas 04,14 e 16 foram gravadas em Nova York em 04 de janeiro de 1963.
As faixas 13 a 23 são indicadas como faixas bônus.
Boa audição - Namastê

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