sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Boxset: - The Diva Series (9xCD's) + Bonus


Lançamento: 2003
Selo: Verve Records/Compilation 
Gênero: Vocal Jazz, Swing, Smooth, Bossa Nova 

História que tem início de forma inusitada e casual como em um conto de fadas, The Astrud Gilberto Album foi gravado entre os dias 27 e 28 de janeiro de 1965, e logo se impôs como explosão, como o ápice, de um processo lento e revelador. Pouco menos de dois anos antes, nos dias 18 e 19 de março de 1963, João Gilberto, então marido de Astrud, fez o mesmo trajeto Rio de Janeiro/Nova York para registrar, pela mesma Verve e em parceria com o saxofonista tenor americano Stan Getz, o álbum Getz/Gilberto. Produzido por Creed Taylor, o chefão da Verve, depois do relativo sucesso de um experimento anterior, o LP Jazz Samba Encore!, que reuniu Getz e o violonista Luiz Bonfá, Getz/Gilberto foi arranjado por Tom Jobim e contou também com as presenças do baterista Milton Banana e do baixista Tião Neto. Nascida Astrud Weinert em Salvador, filha de um imigrante alemão, professor de idiomas e de literatura, e de uma dona de casa baiana, Astrud partiu com a família, aos 8 anos de idade, para morar na zona sul do Rio de Janeiro, na Avenida Atlântica, em Copacabana. Caçula de três irmãs, Astrud cresceu observando os procedimentos cultos do pai e se deixando influenciar pela paixão da mãe (que cantava e tocava bandolim) pela música. Tímida, passou anos a reprimir seu interesse pelo canto. Situação confrontada na adolescência pela melhor amiga, a aspirante a cantora Nara Leão, que aos poucos foi incentivando a amiga baiana a soltar a voz até que, apresentada por Nara ao amigo João Gilberto, Astrud cruzou o caminho do conterrâneo e, no papel de namorada dedicada, passou a ter em João seu grande incentivador e norte estético. João e Astrud se casaram em 1959. Em menos de um ano ela esperava o menino João Marcelo, primogênito de João e filho ûnico do casal. Sem grandes pretensões, em maio de 1960, Astrud experimentou, pela primeira vez, a sensação de subir em um palco e soltar a voz, no histórico show A Noite do Amor, do Sorriso e da Flor. Apesar desse sucesso, ela nunca foi aceita como uma estrela em seu país natal. Nisso, ela não estava sozinha: o Brasil raramente acolhe brasileiros que chegam ao estrelato morando no exterior, principalmente nos Estados Unidos. Antes de Gilberto, a cantora Carmen Miranda recebeu a mesma frieza. E os brasileiros também desdenharam (e ainda desdenham) de Sérgio Mendes, uma lenda da música brasileira, que alcançou a fama internacional no final dos anos 1960. Astrud Gilberto acabou se apresentando apenas uma vez em seu país de origem depois do estrelato e de emigrar para os Estados Unidos em meados da década de 1960. Apesar de uma carreira de quatro décadas, Astrud foi e é vista por muitos no Brasil apenas como a esposa de João Gilberto – a garota que teve sorte com aquele disco de sucesso. Morreu na cidade de Filadélfia, em 05 de junho de 2023 aos 83 anos, conforme anunciado por sua neta Sofia Gilberto.


Boa audição - Namastê

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