Combo de jazz no Tavern on the South Side de Chicago, Illinois,Abril de 1941. Fotografado por Russell Lee.
Em Agosto de 1957, o produtor Norman Granz que já em outras etapas reunido em estúdio Louis Armstrong e Ella Fitzgerald, gravando antológicos álbuns da dupla, voltou a atacar ainda com maior ambição, elegendo como alvo a ópera do compositor nova-iorquino George Gershwin - Porgy e Bess. Com arranjos e direção musical de Russell Garcia e apoiados por uma vasta orquestra dominada pelas seções de cordas, Louis e Ella chamaram a si a totalidade das partes vocais da ópera, cada um acumulando todos os personagens masculinos e femininos. O álbum foi um êxito de vendas mas a crítica olhou como sempre para um lado da direção, valendo apenas mais um álbum na estante das obras não essenciais de Armstrong e Ella. Acontece que o curso da história raramente é linear e muitas vezes, as obras que deixam marcas mais fundas não são as maiores mas as que no tempo e no modo como foram recebidas, assumem um protagonismo que as torna historicamente incontornáveis . Antes de Porgy e Bess, a Jazz Avenue tinha na cabeceira muitas outras gravações de Louis Armstrong e Ella Fitzgerald mas nem por isso desgosta de andar pelas ruas de Gershwin guiado pelas suas vozes. Enquanto se falar de standards do jazz, George Gershwin será sempre um dos apóstolos das Sagradas Escrituras. E a ligação de Porgy e Bess ao jazz passará sempre por duas versões separadas no tempo por apenas um ano: A de Armstrong & Ella concebida em 1957 e Gil Evans e Miles Davis, nascida em 58. Com certeza que Porgy e Bess nunca poderia faltar na celebração do centenário do nascimento de Louis com a promessa de que outras viagens virão e de sua diva maior,Ella, a primeira dama a romper com o preconceito dea ópera no jazz. A dupla produziu jóias de valores inigualáveis como: Ella and Louis (1956), Ella and Louis Again (1957). Todos os três álbuns foram recebido tanto pela crítica como sucesso comercial. Porgy & Bess foi gravado em duas sessões: 18 de Agosto e 19 de Outubro de 1957.
"No seu estilo pedante, a crítica de jazz cita 1959 como um annus mirabilis, um ano premiado. Nele foram gravados os álbuns Kind of Blue e Sketches of Spain, de Miles Davis; Mingus Ah Um de Charles Mingus; e Time Out de Dave Brubeck. Todos numa antiga igreja armênia da Rua 30, em Nova York, convertida em estúdio pela Columbia. Uma faixa do álbum de Brubeck, Take Five, logo fascinou a todos por sua ginga hipnótica e pelo uso arrojado do tempo 5/4. Lançada em single, se tornaria, em 1961 o primeiro disco de jazz a atingir a marca de um milhão de cópias vendidas. Embora Brubeck fosse o cérebro do quarteto e sua autêntica máquina-de-compor, o sucesso veio de onde menos se esperava: de Paul Desmond, o saxofonista improvisador, basicamente um intérprete de material alheio. O autor da façanha era branco e franzino, com óculos de intelectual, e parecia tudo menos um músico de jazz. Pior ainda, teve a infelicidade de tocar sax alto quando o rei do instrumento era Charlie Parker, que todo mundo tentava igualar e não conseguia. O nome também não era nada jazzístico: Paul Emil Breitenfeld, filho de judeu e irlandesa. Mas herdou o DNA musical do pai, organista que tocava em teatro de variedades e cinemas, na época dos filmes mudos. Paul escolheu o sobrenome artístico de Desmond folheando ao acaso uma lista telefônica. Conheceu o pianista Dave Brubeck numa banda militar em 1944 na Europa. Depois da guerra, formaram um pequeno grupo. Com seu humor típico, Desmond lembra: “Eu ainda guinchava a palheta do sax a maior parte do tempo nos agudos e Dave parecia tocar Bartók com a mão direita e Milhaud com a esquerda. Juntos podíamos esvaziar qualquer clube noturno em poucos minutos sem que ninguém tivesse gritado ‘incêndio!’”. Paul Desmond ficou 17 anos no quarteto de Dave Brubeck e escreveu um livro sobre a experiência, How Many of You Are There in the Quartet?, referindo-se à pergunta que invariavelmente as aeromoças faziam: “E quantos são vocês no quarteto?” Certa vez, um crítico de jazz chato (99% o são) perguntou a Paul onde se encaixava entre a abordagem vertical, ou harmônica e a abordagem horizontal ou melódica. Ele respondeu: “Pode me colocar na abordagem diagonal”. Seu humor sutil traía a vocação de escritor, era o que desejava ser. Tempos depois, frequentando o Elaine’s — QG da Intelligentsia nova-iorquina — descobriu que todos os grandes escritores sonhavam ser músicos de jazz, entre eles Woody Allen, que tocava uma razoável clarineta Dixieland. Com a ironia costumeira, Desmond dizia que a inspiração de Take Five veio de um caça-níquel num cassino de Reno: “O ritmo da máquina me sugeriu o tema e, além do mais, eu precisava dar um jeito de recuperar o dinheiro perdido naquele caça-níquel”. Às vezes, Paul oferecia outra explicação para Take Five. Fumante compulsivo, dizia que concebeu o tema para que durante o longo solo de bateria de Joe Morello, tivesse tempo de dar umas tragadas. Steve Race nas notas de capa do LP original, disseca Take Five: “Cônscio de quão facilmente o ouvinte pode perder o pé num ritmo quíntuplo, Dave toca uma vamp (figura rítmica e harmônica constante) ao longo dos 5m26s, mantendo-a até mesmo durante o solo de bateria de Joe Morello. É interessante notar como Morello se livra gradualmente da rigidez da pulsação 5/4, criando contrafiguras intricadas e frequentemente inesperadas sobre a figura repetitiva do piano. E, contrário a qualquer expectativa normal — talvez até mesmo do próprio compositor — Take Five realmente suinga”.
Chet participou de varias gravações tendo o ritmo brasileiro como tema variável de seu álbuns. Em 1966 participa do antológico "Brasil! Brasil! Brasil!" de Bud Skank com João Donato e Laurindo Almeida representado a terra verde amarelo no ginga da bossa nova. Em 1977, gravou com Astrud Weinert (Astrud Gilberto), uma baiana, de Salvador, filha de pai alemão e mãe brasileira, o album “The Girl From Ipanema” (Tom/Vinícius) que além de contar com o clássico do título, traz uma boa seleção de bossa nova com a participação especial de Chet Baker, nos vocais e trompete na faixa "Far Away". Diga de passagem que no medley com a marchinha “Mamãe Eu Quero” e “Chica Chica Boom Chica”, Chet até tentou cantar em português mas passando a bola para Astrud Gilberto, numa versão em ingles de arrasar. Na decada de 80 o gingado trouxe Baker aos ritmos brasileiros novamente no álbum "Chet Baker & The Boto Brazilian Quartet" e "Rique Pantoja & Chet Baker", mais conhecido como Cinema 1 (título da primeira faixa) tendo o primeiro uma pegada mais forte, com um trompete mais agressivo e atingindo notas mais altas que de costume. Chat não tocava muito rápido, nem notas muito altas por conta de um dente perdido, impossibilitando uma embocadura perfeita "Tento extrair do instrumento algo que tenha qualidade e que seja único. Parece que as pessoas só ficam impressionadas por três coisas: se você toca rápido, se toca agudo ou pelo próprio som do instrumento, não pelas notas que você toca." Dizia ele. Em 1985, Chet fez duas apresentações na primeira edição do Free Jazz Festival. A banda era formada pelo pianista brasileiro Rique Pantoja Leite(com quem Chet já havia gravado Chet Baker & The Boto Brasilian Quartet), o baixista Sizão Machado, o batarista americano Bob Wyatt e pelo flautista Nicola Stilo. A primeira apresentação, no Hotel Nacional, no Rio de Janeiro, foi decepcionante, tendo a segunda em São Paulo, tida como um sucesso no marcos do jazz. Depois do espetáculo, já em seu quarto, no Maksoud Plaza, Chet surrupiou a maleta do médico que o acompanhava e tomou doses cavalares das drogas que lhe estavam sendo administradas para controlar as crises de abstinência levando a uma overdose que o quase mata. Neste mesmo ano, iniciou com Rique Pantoja, em Roma, as gravações de Rique Pantoja & Chet Baker ou Cinema 1, que por passar por vários estúdios, terminou em São Paulo, em 1987. O álbum foi um sucesso de crítica. Curiosidade: Richard Galliano de 53 anos é um consagrado acordeonista francês e um anonimo musico no circuíto brasileiro. Chet Baker & The Boto Brazilian Quartet foi gravado nos dias 21 á 23 de Julho de 1980 - Paris, Frances.
Coltrane foi o primeiro artista a assinar com o novo selo Impulse! Records que começou no ano de 1961 e ficaria até o fim de sua carreira. Coltrane estava apto a lançar discos sempre que quisesse (com um mínimo de dois álbuns por ano). Antes de sso, protegido por Miles e crescendo no embrião de novas ideais, Coltrane lança vôo em horizonte diferente para sua época, causando um desconforto entre músicos e amigos ao ponto de Davis despedi-lo do seu quinteto magistral. Abastece sua aspiração com um novo relacionamento com a música bem como o aparecimento de Alice, sua segunda esposa, na criação de um novo estilo. Live at Birdland traduz o amadurecimento inicial de Coltrane após deixar as sombras de Miles. Apesar do título, apenas as três primeiras faixas foram gravadas ao vivo no clube Birdland, o restante são faixas de estúdio. Entre as faixas de estúdio é "Alabama", uma homenagem aos quatro meninos que morreram no bombardeio na 16th Street Baptist Church, no ataque a uma igreja Alabama Birmingham, pela supremacia branca. Um monologo racista que despertou a ira de Trane no conformismo racial. A gravação ao vivo de I Want to Talk About You, uma canção que Coltrane gravou em Soultrane de 58 , desta vez com uma coda estendida, com duração de quase tão longo quanto o resto da canção, perfaz um sopro unificado de seu sax que muitos musicos e admiradores traduzem como impar na carreira de Trane.
Armando Anthony (Chick Corea - Chelsea, 12 de junho de 1941). Pianista, tecladista e compositor bastante conhecido por trabalhos influenciadores na década de 1970 no gênero denominado jazz fusion, apesar de ter contribuições significativas para o jazz tradicional.