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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

1966 - Broadway and Hollywood... Basie's Way - Count Basie and His Orchestra

 

Artista: Count Basie And His Orchestra
Album: Broadway and Hollywood... Basie's Way
Lançamento: 1966/2009
Selo: Fresh Sound Records
Genero: Jazz
Codec: MP3

 19 - Strangers In The Night

Boa audição - Namaste

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Ela é Uma Torch-Singer - Uma Cantora que Queima de Paixão

Ben Webster, Billie Holiday, guitarrista desconhecido e Johnny Russell
pose no Harlem em 1935, em Nova York.
(Foto Arquivo Jazz JP Redferns)

John Hammond, o eterno promotor de Billie convence Irving Mills (1894-1985), o empresário de Duke Ellington (Edward Kennedy "Duke" Ellington 1899-1974) de que ela e a cantora ideal para Simphonny in Black, um curta-metragem de nove minutos de duração que "Duque" está preparando e cuja produção é garantida por Fred Waller (1886-1954) promotor e posteriormente o inventor do Cinerama em 1950. O cenário é simplista. Um triângulo amoroso, duas mulheres e um homem. No papel da mulher desprezada entra Billie, que canta uma peça escolhida por Duke especialmente para ela, “Saddest Tale”, uma soberba canção de blues em que seu fraseado recorda o estilo vocal de Bessie Smith (1894-1937) . Ela se agarra ao homem que a deixou por outra. Ele a joga ao assoalho com um empurrão. Ela continua a cantar no chão, mesmo vencida e machucada. São as queixas de uma amante desprezada, mas também a paixão de uma mulher por seu homem. Duke Ellington demonstrou grande discernimento, ele viu em Billie aquela que não tinha qualquer chance, uma mulher a quem se mente e a quem se nega amor. Perfeitamente normal que ele tenha escolhido para o papel de vitima. Quanto ao ator, o dançarino EarlSnakehipsTucker (1905-1937), chamado de boa constrictor (jibóia) por seu contorcionismo por inventar o estilo de dança “Snakehips” (quadril de cobra) em 1930. De uma elegância arrastadora, faz o tipo perfeito do cafetão. Ela só tinha dezoito anos. Seu corpo desabrocha, seu rosto é encantador sobe os cabelos curtos. Suas bochechas arredondadas lhe dão certo aspecto de ingenuidade e candura. O timbre rouco de sua voz comunica perceptivelmente a mágoa pungente. É como se fosse à primeira ferida causada à inocência. Desde seu primeiro aparecimento no cinema, Billie alcança total sucesso em criar um personagem cuja vida e canções se confundem. Essa osmose imediata acrescenta a seu desempenho uma força singular, a sensação de que ela revela ao cantar uma verdade que se encontra a ponto de aflorar. Mas aquela de quem se fala muito então é uma nova cantora de dezoito anos, que faz dançarem as multidões que acorrem ao Savoy Ballroom, uma garota que saiu do nada e que se produziu com uma das melhores orquestras do momento, do percursionista Chick Webb (William Henry Webb 1905-1939). Essa garota sem a menor experiência hipnotiza as multidões que vão ao Savoy. Billie precisa ver por si mesmo. Ao chegar ao grande salão de baile, ela sobe a majestosa escadaria de pilares de mármore, iluminada por lustres de vidro laminado. Imensa sala de dança está abarrotada de gente. Ela se enfia discretamente em um canto sem sequer tirar o casaco. Mas essa Ella Fitzgerald de fato é excelente... Que energia! Ela estala os dedos enquanto canta, martela o chão com os pés para marcar o ritmo. Tem um embalo dos infernos, essa peste. Como ela gostaria de estar em seu lugar, a estrela do Savoy, cantando com a grande orquestra de Chick Webb, em vez de estar escondida em um restaurante, cantando no meio de barulho dos talheres contra os pratos, meio abafada pelas conversas! Ela não imaginava que dois anos mais tarde em 1937 iria enfrentar Ella Fitzgerald nesse mesmo Savoy Ballroom, acompanhada por Count Basie (William "Count" Basie 1904-1984) e sua orquestra, e seus admiradores respectivos discutindo durante anos qual duplas, Holiday/Basie ou Frizgerald/Webb, estivesse conseguido superar a outras. Mas por agora essa concorrente expansiva, de dinamismo irresistível a deixou inquieta. A carreira de Ella esta deslanchando como impulsionada pela roda da fortuna. É um reconhecimento imediato, enquanto Billie tem o sentimento de que sua está patinando. Todavia em abril de 1925, Billie é beneficiada por um golpe de sorte na pessoa de Ralph Cooper (1908- 1992), apresentador famoso e estrela no Apollo Theater e uma celebridade no Harlem. Acaba de montar sua orquestra. Um dia em que está jantando no Hot-Cha, uma jovem cantora sobe à pequena plataforma no canto do restaurante. Não lhe chama nenhuma atenção em particular, está habituado com todo tipo de gente envolvida no show business. Entretanto, no momento em que escuta sua voz, ele esquece seu espaguete. (“Foi nesse momento que eu observei que ela era linda, que tinha um sorriso encantador e sobretudo que cantava de um jeito como jamais escutara antes. Dava a impressão de que chorava ao cantar...Eu nunca havia escutado uma voz assim, descansada, tranqüila, ao mesmo tempo lânguida e sensual. Aquilo não era blues, eu nem sequer sabia do que se tratava”). Depois de haver organizado numerosas “noites” de calouros no Apollo, Ralph Cooper sabia perfeitamente detectar um talento quando cruzava com um. Pede logo para falar com o gerente do Hot-Cha. Ele promete citar seu restaurante durante a transmissão de rádio difundida diretamente do palco do Apolo, se ele concordar em emprestar-lhe Billie. Tão logo acabou de apresentar seus números, ele já lhe propôs ser a cantora de sua orquestra. Billie esta no céu. Ralph Cooper é conhecido por seu bom gosto em matéria de artista e é, além disso, um personagem muito influente. Sua grande orquestra vai alcançar o maior sucesso. Com o coração batendo forte no peito, Billie chega ao Apolo para seu primeiro ensaio com a orquestra. Na hora mandam que volte pra casa a fim de escolher um vestido adequado para o palco. De fato, ela não tem nada à altura, e Cooper lhe compra um vestido e um par de sapatos. O ensaio não chega a um resultado definitivo. A orquestra não tem muita fé em sua futura apresentação. Mas Cooper tem confiança em sua intuição. Billie canta algumas canções de amor que não comovem muito o difícil publico do Apolo, mas é notada pela imprensa que a menciona como ”uma cantora fértil de encanto”, e também a chama de Torch Singer, “uma cantora que queima de paixão”. Seja com for Cooper propõe que fique uma segunda semana. Por precaução também contrata um cantor de Chicago, Herb Jeffries (Herbert "Herb" Jeffries 1911-), o primeiro cowboy negro a desempenhar o papel de um filme de faroeste. Ele pede a Billie que cante algumas peças mais arrojadas. A idéia é boa. Billie interpreta “Them There Eyes” e “If the Moon Turns Green”. Essas canções estão mais de acordo com o gosto do público do Apollo que aplaude e pede bis muitas vezes. Infelizmente, Ralph Cooper desiste de sua experiência com a grande orquestra e se torna em vez disso um dos mais famosos disc Jockeys. Billie retorna decepcionada para o Hot-Cha. Mais uma oportunidade que se perdeu. Existe uma fotografia dela com os músicos, nos fundos do Apollo Theater, usando seu vestido quadriculado de meninazinha. Bem ao lado dela esta Bem Webster (Benjamin Francis Webster 1909-1973) como sax debaixo do braço, mas virando os grandes olhos para o outro lado. Ela era vista sempre em sua companhia. Bem é um saxofonista da orquestra de Fletcher Henderson (James Fletcher Hamilton Henderson, Jr. 1897-1952), um homem bem do jeito que ela gosta um rapaz bonito com caráter explosivo. Tem igualmente uma boa inclinação para a garrafa e a partir do momento em que bebe um copo ou dois a mais, se torna violento. Billie esconde as manchas roxas no rosto sob uma espessa maquiagem. A impressão que se tem é a de que Billie gosta de ser desenferrujada a pancada. Será essa a única forma de se sentir prazer físico depois que foi estuprada? Recria circunstancial similar e paradoxal, até mesmo incompreensível. Todavia, é assim com Billie. Com seus homens ela nunca para de produzir metaforicamente a violação de sua infância. Exorcizar o medo, negar a violência do acontecimento revivendo suas circunstâncias vezes sem contas? Ou então quer ser castigar a força de golpes para ser perdoada pela imundície de seu corpo? Esforça-se para ser espancada, provoca uma briga após outra, dar pancada para que o adversário retribua e depois se entregar ao lavar um ultimo soco ou bofetada, sem ter mais força sequer as coxas. Era assim que ela sentia prazer? Sadie (Sadie Fagan) fica profundamente inquieta por esse amor de cadela. É difícil esconder da mãe os olhos roxos ou a cara inchada. Mas difícil ainda é lhe confessar até que ponto ela gosta disso. E voltam de novos as mesmas queixas da mãe sobre os homens, são todos uns salafrários, não prestam para nada, são uns exploradores. Os queixumes da mãe a exasperam. Sadie, que foi deixada por todos os homens de sua vida, sente por eles um ressentimento violento. Cada homem que aparece diante dela é um perigo em potencial e ela se esforça ao máximo para denegri-los. O único que jamais caiu em sua graças foi Lester Young (Lester Willis Young 1909-1959). Infelizmente, ainda que Billie amasse Lester, ele são lhe agrada. É doce demais, frágil demais. Não é viril o bastante perante seus olhos. Jamais teria sido capaz de levantar a mão para ela. E depois, ele sabia fazê-la sorrir, ele a deixava feliz, despertava nela o entusiasmo por seu próprio talento. Billie jamais poderia escolher um homem assim. Seria bonito demais. Sadie resolve fechar sua porta a Bem Webster. Uma noite em que ele vem de carro buscar Billie, ela se atira sobre a filha, armada de um guarda-chuva. E chega mesmo a ataca-lo. Billie lhe agarra os braços e chega até a empurrá-la para um lado. Se fosse preciso, teria até mesmo passado por cima do corpo dela. Fonte: Billie Holiday - Biografia, Sylvia Fol.

Saddest Tale

Them There Eyes

If The Moon Turns Green

Boa Leitura - Namastê.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Grandes Big Band - Parte I

The Fletcher Henderson Orchestra - 1924
Howard Scott , Coleman Hawkins, Louis Armstrong, Charlie Dixon,
Fletcher Henderson, Kaiser Marshall, Buster Bailey, Elmer Chambers,
Charlie Green, Bob Escudero & Don Redman


The Washingtonians - 1924
Sonny Greer, Charlie Irvis, Bubber Miley, Elmer Snowden,
Otto Hardwick, and Duke Ellington

Buddy Bolden and his Orchestra - 1905
William Warner, Willie Cornish, Buddy Bolden, James Johnson,
Frank Lewis & Jefferson Mumford.


The Count Basie Band - 1938
Walter Page, Jo Jones, Freddie Green, Benny Morton, Count Basie, Herschel Evans,
Buck Clayton, Dicky Wells, Earle Warren, Edison Harry , Washington

King Oliver's Creole Jazz Band - 1923
Baby Dodds, Honore' Dutrey, Joe Oliver, Bill Johnson,
Louis Armstrong, Johnny Dodds, and Lil Hardin

St. Louis Cotton Club Band. Fotografado por Studio Bloco Brothers, ca. 1925.
Missouri Museu de História fotograficas e gravuras .
Coleções Brothers Studio Collection.



sexta-feira, 9 de abril de 2010

William "Count" Basie (1904-1984)

Count Basie - Studio de Gravação, 1963 - New York, City
Fotografado por: Milt Hinton

terça-feira, 29 de setembro de 2009

William "Count" Basie (1904-1984)

Count Basie ao piano do filme "Rhythm and Blues Revue" 1955.
Fotografado por: Archive.org

terça-feira, 7 de abril de 2009

William "Count" Basie 1904-1984

Count Basie, Paris - 1960. Fotografado por: Herman Leonard

sábado, 28 de julho de 2018

Billie Holiday, uma cantora à frente do tempo

Billie Holiday é reconhecida como a maior intérprete que o jazz já produziu. Com interpretações intensas e com sentimento encantou o público e mudou a arte dos vocais para sempre. Mais de meio século depois de sua morte é difícil acreditar que as vocalistas de jazz antes de seu surgimento raramente personalizavam suas canções; na verdade, apenas as cantoras de blues como Bessie Smith e Ma Rainey davam a impressão de que tinham vivido o que estavam cantando. Billie Holiday fez a leitura desta tradição do blues e revolucionou o jazz e o pop tradicional, rasgando a tradição de décadas se recusou a comprometer sua arte. Em sua autobiografia, ela admitiu que sempre quis ser uma cantora como Bessie Smith e ter o sentimento de Louis Armstrong, e que muitas vezes tentou cantar como um trompete. mas, na verdade, seu estilo era praticamente ela própria. A tragédia pessoal e as drogas marcaram a sua vida. Mas todo o lixo que ela viveu era transformado pelo seu canto. Surras, prisões, droga pesada, mais o drama de uma cantora negra naquele tempo, quando muitas vezes nos hotéis onde se hospedava, no auge da carreira, era ‘convidada’ a subir pelo elevador de serviço para que não se misturasse com os brancos. Tudo isso foi transformado em interpretações históricas. Quando se ouve Billie cantar, sente-se que ela está contando sua história. Era linda, louca, sexy e livre. Billie é a minha deusa. Com seu estilo brilhando em cada gravação, a sua perícia técnica também se destacou em comparação à grande maioria de seus contemporâneos. Muitas vezes entediada e cansada das velhas canções que ela era forçada a gravar no início de sua carreira, Billie brincava com a melodia e rejuvenescia as canções com harmonias emprestadas de seus instrumentistas favoritos, Louis Armstrong e Lester Young. A sua notória vida privada com uma série de relações abusivas, dependência de substâncias químicas e períodos de depressão, sem dúvida, ajudaram seu status lendário. ‘Lover Man’, ‘Don't Explain’, ‘Strange Fruit’ e sua própria composição ‘God Bless the Child’, que versa sobre a pobreza, estão entre os seus melhores desempenhos e permanecem entre as apresentações mais sensíveis já registradas. Mais do que a capacidade técnica, mais do que a pureza da voz, o que fez Billie Holiday uma das melhores vocalistas do século foi o seu temperamento implacavelmente individualista. A vida caótica de Billie Holiday, supostamente, começou em Baltimore quando ela nasceu como Eleanora Fagan Gough. Seu pai, Clarence Holiday, foi um adolescente guitarrista de jazz que mais tarde tocou na Orquestra de Fletcher Henderson. Sua mãe também foi uma jovem adolescente, e se por causa de inexperiência ou negligência, muitas vezes deixava a filha com parentes indiferentes. Billie foi expulsa da escola católica com 10 anos, depois que admitiu ter sido estuprada, e condenada a ficar presa até a idade adulta foi liberada depois de dois anos por um amigo da família. Com a mãe, ela se mudou em 1927, primeiro para New Jersey e, logo depois para o Brooklyn. Em New York, Billie ajudava a mãe como empregada doméstica, mas logo começou a se prostituir para ter uma renda adicional. E já cantava em clubes do Harlem desde 1930. Teve um pouco de publicidade no início de 1933, quando o produtor e caçador de talentos John Hammond, também no início de uma carreira legendária, escreveu sobre ela em uma coluna para o mais antigo jornal sobre música já existente, o ‘Melody Maker’, do Reino Unido, e trouxe Benny Goodman a uma de suas apresentações. Depois de gravar uma demo na Columbia Studios, Billie se juntou ao pequeno grupo de Goodman para fazer sua estreia comercial com a música ‘Your Mother's Son-In-Law’. Apesar de não voltar ao estúdio por mais de um ano, Billie passou 1934 galgando os degraus da competitiva cena dos bares de New York. No início de 1935, ela fez sua estreia no Teatro Apollo, e apareceu em um filme com Duke Ellington. Durante a última metade de 1935, finalmente entrou em um estúdio novamente e gravou quatro sessões. Com uma banda supervisionada pelo pianista Teddy Wilson, ela gravou uma série de canções obscuras e esquecíveis da Tin Pan Alley, nome dado à editora de música de New York e seus compositores que dominaram a música popular dos Estados Unidos no final do século 19 e início do século 20. Em outras palavras, músicas disponíveis apenas para uma banda obscura de afroamericanos dos anos 30. Durante a era do swing, as editoras de música mantinham as melhores músicas estritamente nas mãos de orquestras populares e cantores brancos. Apesar da qualidade pobre das canções, Billie energizou essas canções. No final de 1937, gravou vários números com um pequeno grupo, mais uma descoberta de John Hammond, a orquestra de Count Basie. O saxofonista tenor Lester Young, que tinha conhecido brevemente Billie alguns anos antes, e o trompetista Buck Clayton se tornaram seus parceiros. E juntos gravaram o seu melhor trabalho e Billie deu o apelido de ‘Pres’ a Young, enquanto ele a apelidou de ‘Lady Day’ por sua elegância. Na primavera de 1937, ela começou a excursionar com Basie como o complemento feminino de seu vocalista masculino, Jimmy Rushing. A associação durou menos de um ano. Embora oficialmente ela tenha sido despedida da banda por ser temperamental e pouco confiável, a verdade é que o alto escalão do mundo editorial ordenou a ação depois que ela se recusou a cantar clássicos de blues dos anos 20. Menos de um mês depois de deixar Basie, ela foi contratada por Artie Shaw, um dos primeiros exemplos de uma mulher negra que apareceu com um grupo branco. Apesar do apoio contínuo de toda a banda, no entanto, promotores e patrocinadores de rádio logo começaram a contestar Billie, com base em seu estilo de cantar pouco ortodoxa, e também por ser negra. Após uma série de indignidades Billie deixou a banda com desgosto. Mais uma vez, a sua percepção foi valiosa, a maior liberdade lhe permitiu dar um show em um novo clube chamado ‘Café Society’, a primeira boate popular com um público inter-racial. Lá, Billie Holiday aprendeu a canção que iria catapultar sua carreira para um novo nível: ‘Strange Fruit’. ‘Strange Fruit’ é uma canção que condena o racismo americano, especialmente o linchamento de afro-americanos que ocorreu principalmente no sul dos Estados Unidos, mas também em outras regiões do país. ‘Strange Fruit’ foi composta como um poema, escrito por Abel Meeropol, um professor judeu de colégio do Bronx, sobre o linchamento de dois homens negros. Ele a publicou sob o pseudônimo de Lewis Allan. Abel Meeropol e sua esposa adotaram, em 1957, Robert e Michael, filhos de Julius e Ethel Rosenberg, acusados e condenados por espionagem e executados pelo governo dos Estados Unidos. Embora Billie inicialmente manifestasse dúvidas sobre a inclusão de tal música em seu repertório, ela o fez confiando em seus poderes de sutileza. E ‘Strange Fruit’ logo se tornou o destaque em suas apresentações e foi gravada. Uma vez liberada, ‘Strange Fruit’ foi proibida por muitas estações de rádio. Billie continuou a gravar e atingiu novamente grande sucesso com a sua mais famosa composição de 1941, ‘God Bless the Child’ e em 1944 com ‘Lover Man’, uma canção escrita especialmente para ela e seu terceiro grande hit. Billie logo se tornou prioridade para a ‘Decca Records’, ganhando o direito de material musical de alta qualidade e seções de cordas de luxo para suas gravações. Apesar de estar no alto da popularidade, a vida emocional de Billie começou um período turbulento. Já fortemente viciada em álcool e maconha, começou com o ópio com seu primeiro marido, Johnnie Monroe. O casamento não durou, e o vício na heroína veio com o segundo casamento com o trompetista Joe Guy. A morte de sua mãe a afetou profundamente, e em 1947 ela foi presa por posse de heroína e condenada a oito meses de prisão. Infelizmente, os problemas continuaram depois de sua libertação. As drogas tornaram impossíveis as suas apresentações. Atormentada ela seguiu em frente. Embora os estragos de uma vida dura estivessem refletidos em sua voz, muitas das gravações de Billie doa anos 50 são tão intensas e belas quanto sua obra clássica. Em 1954, Billie excursionou pela Europa com grande sucesso, e sua autobiografia de 1956 trouxe ainda mais notoriedade. Ela fez sua última grande aparição, em 1957, na televisão em um especial com Ben Webster, Lester Young e Coleman Hawkins dando-lhe apoio. Durante seu último ano, ela fez mais duas apresentações na Europa antes de cair doente do coração e doença hepática em 1959. E foi presa por posse de heroína em seu leito de morte. Morreu no mesmo ano. O filme ‘Lady Sings the Blues’ de 1972 interpretado por Diana Ross ilumina a sua vida trágica e lhe deu muitos fãs de novas gerações. - Fonte: Pintando Musica

Boa leitura - Namastê

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

A primeira gravação de jazz

Pode-se dizer que o ragtime foi o embrião do jazz. A fusão entre a música vinda da África, por meio dos escravos que trabalhavam nas plantações de fumo e algodão, e os ritmos europeus como polca, música erudita e a marcha deu origem ao ragtime, que teve como principais expoentes os pianistas Tom Turpin, James Scott e, principalmente, Scott Joplin, autor do clássico “The Entertainer”. Oficialmente, a primeira gravação de jazz em registro aconteceu em 1917, com a original Dixieland Jazz Band, um conjunto formado por músicos brancos de Chicago. Mas foi a partir do pianista Jelly Roll Morton e da cantora Bessie Smith que o jazz começou sua verdadeira viagem. Seu primeiro grande expoente foi Louis Armstrong, que era trompetista da banda Creole Jazz Band, liderada por Joe King Oliver. Entre 1925 e 1928, após deixar Oliver, Armstrong entrou definitivamente para a história do jazz ao gravar com os grupos Hot Five e Hot Seven clássicos como “Yes I’m In The Barrel” e “Potato Head Blues”. Considerado o primeiro grande solista do jazz, Armstrong também foi um cantor carismático e com um estilo muito próprio de interpretar. Duke Ellington é considerado o Mozart do jazz. Seus arranjos sofisticados e sua orquestra de virtuosos foram as novidades, no meio dos anos 30, que regeram a era do swing. Junto a Ellington, outros band leaders fizeram história como Benny Goodman, Jimmy Dorsey, Artie Shaw, Woody Herman, Count Basie e Glenn Miller. No meio dos anos 40, uma revolução acontece no jazz. Nasce o bebop. Esse estilo tem como característica principal a vocalização do instrumento. Os solos pareciam frases cantadas. Muitas vezes conseguiam ser desorientadas e magistrais ao mesmo tempo. Seus precursores foram o saxofonista Charlie “Bird” Parker , o trompetista Dizzy Gillespie e o pianista Thelonius Monk. Nessa época, os croones e cantoras ajudaram a reerguer as big-bands, que estavam em franco declínio. Intérpretes como Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan e Frank Sinatra levavam milhares de fãs aos teatros para ouvirem obras de Ellington, Cole Porter e dos irmãos Gershwin. Quanto tudo parecia calmo, um trompetista discreto aparece, era Miles Davis. Junto a outro gênio, o saxofonista John Coltrane, Davis cria o que ficou rotulado de cool jazz, algo mais tranqüilo e requintado que o bebop. Já no início do anos 60, uma nova revolução acontece, o free jazz aparece capitaneado por Ornette Coleman. O estilo gera amor e ódio. Como o nome diz, o jazz era tocado sem fronteiras e regras. As músicas tinham arranjos e escalas completamente insanos. Durante o início dos anos 70, Miles Davis volta à cena e começa um casamento com o rock, criando o jazz fusion. Aa seu lado, outros expoentes como o pianista Chick Corea e o guitarrista John Mclaughlin, à frente da Mahavishnu Orchestra, “subvertem” o jazz e conseguem atrair novos ouvintes. No início dos anos 80, um movimento denominado young lions (jovens leões) trouxe uma nova vida ao jazz. Liderado pelo trompetista Wynton Marsalis, jovens músicos recém-saídos das escolas foram responsáveis pela retomada do jazz tradicional. Mesmo com uma qualidade musical indiscutível, Marsalis e sua turma – Terence Blanchard, Branford Marsalis, James Carter, Marcus Roberts e Joshua Redman - foram acusados por vários críticos por serem responsáveis pela pouca inventividade do jazz atual. Apenas no fim dos anos 80 é que uma nova influência é somada ao jazz. Mais uma vez cabe a Miles Davis ser o precursor. Com o lançamento do disco póstumo Doo-bop, o trompetista criou o que mais tarde foi chamado de acid jazz. A mistura de jazz, rap e dance é um estilo que “ajuda” o jazz a se renovar e ficar mais acessível. Dentro desta vertente destacam-se os grupos ingleses Incognito, Jamiroquai, Brand New Heavies e US3 e os norte-americanos do Count Basic, James Taylor Quartet e Brooklyn Funk Essentials. Assim como aconteceu ao logo do século XX, o jazz continuou sua mutação no início deste século. Uma nova geração de cabeça aberta para experimentações tem adicionado elementos do rap, rock, erudito e música eletrônica ao jazz. Para os críticos, músicos como Brad Mehldau, Erik Truffaz, Greg Osby, The Bad Plus, Dave Douglas e Jason Moran estão revigorando o jazz e criando uma nova e longa jornada para ser percorrida nos próximos anos. Ao mesmo tempo em que Mehldau e companhia mostram que ainda há um infinito ilimitado para o jazz, um outro grupo de músicos cria o que foi rotulado de nu jazz ou electro-jazz, que traz a mistura entre o ritmo e música eletrônica. Similar ao acid jazz, o novo gênero se aproveita de toda a tecnologia atual para injetar vida nova ao jazz. Entre seus expoentes estão os franceses Metropolitan Jazz Affair, Rubin Steiner e St. Germain e os ingleses Cinematic Orchestra e Matthew Herbert. Correndo por fora de todo esse movimento está o smooth jazz, que é um fusion mais acessível. Para os puristas, esse tipo de jazz é um desrespeito à música secular. O jazz suave é realmente menos atraente aos ouvidos, mas conquistou seu espaço por duas razões. A primeira porque é uma música de qualidade e depois porque os músicos que as interpretam são competentes. Quase todos já trabalharam com nomes do chamado alto escalão do jazz. No jazz contemporâneo, ele também é conhecido assim, o destaque fica para os pianistas Dave Grusin, Bob James e David Benoit, os guitarristas Lee Ritenour, Larry Carlton e Russ Freeman, os violonistas Earl Klugh e Peter White e os saxofonistas David Sanborn e Boney James. Para terminar, é importante salientar a presença dos jazzistas europeus no desenvolvimento deste ritmo nas últimas cinco décadas. Apesar de ter nascido nos Estados Unidos, o jazz está presente no velho continente. Não apenas por causa dos grandes festivais que acontecem anualmente por lá, como o Montreux (Suíça), o North Sea (Holanda) e o Umbria (Itália), mas também por músicos formidáveis que escreveram ou escrevem seus nomes na história do jazz como o arranjador e compositor alemão Claus Ogerman, o baixista dinamarquês Niels-Henning Pederson, o violinista francês Stephanne Grapelli, o guitarrista belga Django Reinhardt, o tecladista austríaco Joe Zawinul, o trompetista polonês Tomasz Stanki e os novatos Paulo Fresu (Itália), Erik Truffaz (França), Jamie Cullum (Inglaterra), Jacky Terrasson (Alemanha), Stefano Bollani (Itália), Courtney Pine (Inglaterra), Francesco Cafiso (Itália), Jean-Michel Pilc (França), Gianluca Petrella (Itália) e o trio E.S.T (Suécia).
Boa Leitura - Namastê.



segunda-feira, 12 de outubro de 2015

A Great Day in Harlem

‘A Great Day in Harlem’, em preto e branco do então free lança Art Kane (Arthur Kanofsky), tirada as 10:00hs da manhã do dia 12 de Agosto de 1958, na 17 East 126th Street, Harlem, de um grupo de 57 notáveis do jazz e onde constam músicos como Hilton Jefferson, Benny Golson, Art Farmer, Wilbur Ware, Art Blakey, Chubby Jackson, Johnny Griffin, Dickie Wells, Buck Clayton, Taft Jordan, Zutty Singleton, Red Allen, Tyree Glenn, Miff Molo, Sonny Greer, Jay C. Higginbotham, Jimmy Jones, Charles Mingus, Jo Jones, Gene Krupa, Max Kaminsky, George Wettling, Bud Freeman, Pee Wee Russell, Ernie Wilkins, Buster Bailey, Osie Johnson, Gigi Gryce, Hank Jones, Eddie Locke, Horace Silver, Luckey Roberts, Maxine Sullivan, Jimmy Rushing, Joe Thomas, Scoville Browne, Stuff Smith, Bill Crump, Coleman Hawkins, Rudy Powell, Oscar Pettiford, Sahib Shihab , Marian McPartland, Sonny Rollins, Lawrence Brown, Mary Lou Williams, Emmett Berry, Thelonius Monk, Vic Dickenson, Milt Hinton, Lester Young, Rex Stewart, J.C. Heard, Gerry Mulligan, Roy Eldgridge, Dizzy Gillespie, Count Basie para a revista 'Esquire magazine'. A fotografia continua a ser um objeto importante no estudo da história do jazz.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Ella Fitzgerald & Duke Ellington


Carinhosamente chamada de ”A Primeira Dama da Canção”, EllaFitzgerald (1917 – 1996) foi a cantora de jazz mais popular dos Estados Unidos durante mais de meio século. Ganhou 13 Grammys, vendeu mais de 40 milhões de discos e trabalhou com os grandes nomes do jazz, como Duke Ellington, Count Basie, Nat King Cole, Frank Sinatra, Benny Goodman , Dizzy Gillespie e a nostalgica parderia "Louis Armstrong &  Ella Fitzgerald", nos molde do jazz. Em 1966, gravou “I Want Something To Live For” e  ”Jazz Samba” ao lado do pianista Duke Ellington e sua orquestra, em Côte d’Azur, na França em uma apresentação memorável....vale conferir!

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Boa audição -Namaste







terça-feira, 3 de maio de 2011

O Presidente, a Duquesa e Lady Day

Pouco depois da apresentação no Apollo, sua ligação com Bobby Henderson termina brutalmente. Billie descobre que o jovem tão bem educado já é casado. Ela perdeu um amante, mas encontrará nesse mesmo ano aquele que a irá acompanhar musical e efetivamente até o fim de sua vida. Um jovem saxofonista recém-chegado do Mississipi: Lester Young (1909-1959). Ele vinha de Kansas City, onde tocava com a orquestra de Count Basie e fora contratado por Fletcher Henderson para substituir Coleman Hawkins, o saxofonista que todos adoravam na época. Ele começou no Cotton Club. Não foi fácil para o jovem Lester na época com 27 anos, substituir uma personalidade tão forte como Hawkins. Enquanto o som de Hawkins é pujante e musculoso o de Lester é leve e gracioso. Os músicos da orquestra estão desapontados. Eles preferem Chu Berry (Leon “Chu” Berry, 1908-1941), um saxofonista cujo estilo é mais próximo do de Hawkins. Eles lhe dão claramente a entender que não gostam dele e não param de conversar baixinho enquanto ele toca. Fletcher, todavia, impôs Lester e lhe deu todo o apoio. Chegou até mesmo a hospedá-lo em sua casa durante algum tempo, a até sua mulher, Leora (Leora Meoux Henderson, 1919-1941, esposa, agente e empresária de sua orquestra, às vezes tocava instrumento de sopro) começou a reclamar. Billie o escutou pela primeira vez em um jan sessions. Foi no final de uma noite ou começo de uma manhã, ninguém lembra mais direito. Ali se encontrava a fina flor dos músicos de jazz entre eles o pianista Benny Carter (Benjamim Bennett “Benny” Carter, 1907-2005); Lester se juntou a turma com sua velha gaita reformada tanta vez, que as chaves estão com elásticos. Ainda que ao contrário de Billie, Lester se tenha beneficiado de uma solida formação musical, sua abordagem da musica é muito parecida - Simplicidade, intuição, sentimento. Nenhum efeito nos tempos fortes dos compassos, um Vibrato (efeito ligeiramente tremulante na melodia acrescentado ao tom vocal ou instrumental para maior expressividade e volume, obtendo por variação de altura rápida e leve) discreto, uma variação em torno de uma nota bem escolhida em vez de uma serie de ornamentos cintilantes. Um som ao mesmo tempo melancólico e langoroso e além disso, outra curiosidade: ele tocava seu saxofone tenor como se fosse contralto (mudando a afinação, mas não o timbre). Uma cumplicidade se estabeleceu de imediato entre Billie e ele. Um amor musical à primeira vista. Quando o saxofonista Chu Berry aparece, Benny Carter lhe faz um desafio. Uma justa musical com Lester. Do mesmo modo que Hawkins, Chu Berry é um astro do jazz. Quando ele toca, o publico batem o pés, assobiam e bate palmas em cadencia. Chu disse não ter trazido seu saxofone mais isso não é obstáculo para Bem Carter, que se ofereceu para busca-lo. Ele tinha plena confiança em Lester e esse concurso informal era uma forma de promovê-lo. Com qual peça eles vão começar? Chu Berry escolhe “I Got Rhythm” (Composição do musico clássico/popular judeu-americano George Gershwin, sobre texto de seu irmão Ira). Foi uma péssima escolha. É justamente o cavalo de batalha de Lester que já desenvolveu quinze variações diferentes sobre o mesmo tema. Chu levou uma sova de interpretação. Billie acompanha Lester ate seu hotel por nome Tereza. Enquanto caminham pelas calçadas desertas, de manhã bem cedo, descobre uma serie de gostos comuns entre eles ate marijuana. Tem o mesmo senso de humor. Eles tagarelam e riem bastante, os dois levemente chapados. Ao chegarem diante do hotel, Lester se inclina e beija-lhe a mão.

- Boa noite, Lady ou quem sabe, bom dia, Lady Day....

_ O dia esta claro.

_ Você sabe, o dono da casa esta me esperando, acrescentou ele.

_É um rato grande e gordo que se instalou sobre sua pilha de camisa e que volta sempre, por mais vassouradas que leva...

Billie, horrorizada lhe propõe imediatamente que venha se instalar em sua casa. Sade, que sempre prepara uma pequena ceia para os que deitam de madrugada, o recebeu de braços abertos. O apartamento é uma enfiada de pequenas peças ao comprido, como em um vagão de estrada de ferro, com uma entrada em cada porta. Uma dessas, pomposamente chamada de “sala de musica” é mobiliada com um velho piano desengonçado e as pilhas de disco de Billie.

_Você fica instalado aqui – diz-lhe Sadie, que logo é tomada de afeição por este homenzarrão desajeitado e de olhar reservado, com cabelos avermelhados que levam todos a chama-lo prontamente de Red.

Lester esta encantado. O pequeno apartamento nunca esta vazio, sempre tem frango frito e feijão vermelho para os músicos famintos, os conhecidos do bairro e as putas fugindo da policia, que se esconde o tempo suficiente para serem esquecidas. Os amigos de Billie costumam chamar sua mãe de Mama Holiday. Mas Sadie foi tão regaladamente generosa para com ele que Lester lhe presta outra homenagem. Passa a chama-la de Duquesa. Ele também escolhe para Billie um novo nome que permanecerá com ela mesma depois de sua morte. Muitos já chamavam de Lady. Foi ele quem encontrou Lady Day, acrescentando-lhe uma misteriosa poesia. Por que não Lady Night? Talvez porque ele a considerasse tão bela e luminosa à luz do dia como à noite em um lisonjeiro vestido de cetim, sob o feixe prateado de um refletor. Em resposta, Billie começou a lhe procurar um apelido carinhoso, algo que pudesse lhe qualificar a excelência, tanto como musico de primeiro plano como em sua condição de homem. O homem mais importante dos e Estados Unidos era o presidente Franklin D. Roosevelt (Franklin Delano Roosevelt, 1882-1945, o 32º presidente) . Leste era o melhor musico e merecia se chamado de Prez. O presidente, a duquesa e Lady Day passam juntos momentos deliciosos. Com seu maravilhoso senso de humor, sua benevolência e a elegância de seu caráter, ninguém duvida que a presença de Lester tenha contribuído para adoçar o relacionamento entre Billie e Sadie. Ela compreendeu logo que Lester é inofensivo e que entre eles não se passa nada de caráter sexual. Portanto, ela não tem nada a temer. Ele não vai lhe tirar a filha. Os dois jovens partilham de uma terna cumplicidade, não chegam a ser amantes, são muito mais que amigos. Uma espécie de ato amoroso que encontra seu clímax na fusão musical, ao passo que em casa são como irmãos, paparicados de pequenas atenções por sua mãe. Protetora em demasia, presente, se acreditamos em Billie, que afirma ficar agastada com os conselhos, reprovações e angustias de sua mãe. Ainda que ela demonstre um afeto caloroso e esteja sempre pronta a lhe prestar toda espécie de serviços, também faz marcação cerrada e enfia o nariz por toda parte, como se quisesse se imiscuir em cada aspecto da vida de sua filha e viver, através dela. Se ele vem as vezes escuta-la cantar é também para supervisiona-la, saber com quem ela se encontra, quem anda à volta dela, quanto é que ela ganha. Ela nunca esconde que tem medo de que sua filha vá embora e a deixe abandonada em uma solidão. Como ela mesma fez nos tempos de Baltimore.... Assim ela se gruda em Billie, ocupa o terreno inteiro com sua presença e sua lamúrias constante. Sadie exige demais e Billie precisa mantê-la a distancia. Mas ela não pode passar sem sua mãe. Sente-se responsável por ela. A cada noite lhe telefona para dizer aonde vai e com quem. Ela não diz necessariamente a verdade, mas sua mãe pode dormir tranqüila. A partir do momento em que terminou seu trabalho, Lester acompanha Billie aos restaurantes ou aos clubes. Ela adora escuta-lo iniciando um de seus fantásticos solos às suas costas, mas sem jamais atrapalhar seu canto, sem nunca se meter em seu caminho. Seu saxofone soa como uma segunda voz fazendo eco á sua. E a voz de Lady, sua maneira de moldar e dar às notas uma cor diferente, soa como um saxofone. Só vendo para crer o jeito que ele toca, balançando o saxofone da direita para a esquerda, levantando o instrumento bem alto para um dos lados, ao mesmo tempo em que modula as pernas, enquanto marca a cadencia com a ponta do pé. Além disso, Lester é elegante, com suas roupas bem talhadas. Usa um chapéu negro de copa dura, sem estilo espanhol. É um cara original. Sua maneira de falar é única. É um Jive (gíria dos negros do Harlem) deslocado, cheio de figuras poéticas de comparações, de metáforas invertidas. É preciso se acostumar com ele antes de conseguir compreender tudo. Seu saxofone foi batizado por ele de Lady Violet e arranja apelido para todos os músicos com quem se dá. E divide tudo com Billie, menos a cama. É Billie que o orienta através de Nova York, que o leva a conhecer todos os bons lugares, ensina a reconhecer os odores da grande cidade. As noites passam depressa – música, álcool e maconha. Nem é preciso sair a procura pela droga, há em toda parte. Nessa época a venda da marijuana ainda não era proibida. De fato a proibição perdeu fôlego. A partir de 05 de dezembro de 1933, o consumo de álcool se tornou legal novamente. Os sindicatos do crime se adaptam para o trafico ainda mais suculento dos estupefacientes. As drogas inundam mercado. Os bares, as boates noturnas e os músicos são seus primeiros alvos. Ainda que já tenha começado a falar por toda parte que Lester é tão bom, sob todos os aspectos, quando a mestre Coleman Hawkins, ele sai da orquestra de Fletcher Henderson, Leora, a mulher de Fletcher e o manager da orquestra, insistem com ele vezes sem contar que deve tocar de um jeito diferente, mais forte e mais viril, o mesmo tipo de sonoridade produzida por Coleman Hawkins. Lester prefere sair do conjunto. Ele não consegui de jeito nenhum imitar o “grande som” de Hawkins. Já experimentou toda a sua serie de truques para aumentar seu volume, já tentou tocar de uma porção de maneiras diferenciadas e nada. Mais não adianta. Ele se queixa a Billie que morre de rir. Ela também correu durante algum tempo atrás do “grande som”, o magnífico volume da voz de Bessie Smith. Até que renunciou as tentativas inúteis de cantar “St. Louis Blues "como ela”.

_Esqueça disso – é o que ela lhe aconselha – Nós não temos essa caixa de som e depois imitar qualquer um faz com que a gente perca o próprio “feeling” . Sem ele, você pode fazer o que quiser, não vai passar nunca da estaca zero.

Lester aprende a lição. Então passa a improvisar, marcar os tempos fracos em vez de marcar os fortes, evita o vibrato e inventa uma sonoridade sem timbre, muito peculiar dele, que dança acima das notas. Dessa insuficiência de fôlego nascerá um novo estilo, o precursor do sucesso do bebop, que influenciara de forma permanente todos os saxofonistas de jazz. Lady Day já lhe havia predito:

- Espere só que você vai ver. Daqui a uns tempos, todo mundo vai esta copiando seu estilo.

Mesmo que Fletcher Henderson lhe dê todo o apoio e firme a todos seus músicos que nenhum deles não lhe chega aos pés de Lester que vai embora e ingressa na orquestra de Andy Kirk (Andrew Kirk, 1898-1992), em Kansas City. A orquestra e a mulher de Fletcher acabaram ganhando dele. Fonte:Billie Holiday - Biografia, Sylvia Fol.


Rehearsal for God Bless the Child


Escrita por Billie Holiday e Arthur Herzog Jr. em 1939 com gravação em 09 maio de 1941 pelo SELO Okeh, 799 Seventh Avenue, New York City. Em sua autobiografia - Lady Sings the Blues, ela faz referencia a uma possível briga com sua mãe por causa de dinheiro a levando a compor a musica em conjunto com Herzog. Durante a discussão, Billie teria dito a frase: "God bless the child that's got his own..." (Deus abençoe a criança que tem o seu próprio...) e não completa a frase. A indignação com o incidente a levou a transformar em um ponto de partida para uma das mais belas interpretação de sua carreira. Outras fonte sugerem que a melodia foi tirada da bíblia, onde o sagrado e o profano teria inspirado essa melodia, embora a religião não ter muita importância em sua vida, com referencia em Mateus 25:29 "Porque a todo o que tem se lhe dará, e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado."

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O Sagrado e Profano de Uma Lenda Chamada John Coltrane

Se existe o sagrado e o profano, então John Coltrane era a ponte entre essas duas esferas quase unica na vida desse grande musico e sua obra monumental no decorrer de sua carreira musical. Músico inquieto (é isso é fácil notar nos vídeos) ,onde como garoto Protegido de Miles Davis no seu primeiro quinteto de 1955 depois de ter assinado como a Culumbia Record, ao lado de lendas como o pianista Red Garland, o baixista Paul Chambers e o baterista Philly joe jones (seu apelido "Philly" vem do nome de sua cidade natal: Filadélfia, e para evitar homônimo com Jo Jones, baterista da Count Basie Orchestra). Em 1955 depois de ter se casado com sua musa inspirador Nirma Grubbs, que leva seu nome imortalizado num clássico pelo seu amado, grava seu primeiro album no quinteto "The New Miles Davis Quintet em 16 de novembro de 1955". Em 1956 depois de muito corre e corre pra cumprir contrato e depois de dois dias de sessão gravou os discos: Cookin' with the Miles Davis Quintet (1957), Relaxin' with the Miles Davis Quintet (1957), Workin' with the Miles Davis Quintet (1958) e Steamin' with the Miles Davis Quintet (1961), além do álbum "Round About Midnight" em outubro de 1956 pela Columbia Records. São grandes expoentes da fase embrionária tanto de Trane quanto de Miles que se firmavam como músicos de ponta. Mergulhado no mundo da droga e com sua carreira balançando no abismo, é demitido pelo seu mentor Miles Davis depois de tomar uma bronca após um show seguido de um murro no estômago sendo substituído imediatamente por Sonny Rollins, tenorista de Nova York. Em janeiro de 1958, Coltrane volta ao grupo de Miles Davis (ora sexteto ou quinteto) permanecendo até abril de 1960, quando sairia definitivamente para formar seu próprio grupo. Antes de sua saida é gravado, entre outros, os álbuns Milestones (fevereiro e março de 1958), 58 Miles (26 de maio e 09 de setembro), Porgy and Bess (22 e 29 de julho, 04 e 18 de agosto) todos de 1958. Em março e abril de 1959, Coltrane grava com o grupo de Miles Davis o álbum antologico "Kind of Blue", lançado em 17 de agosto de 1959. O álbum foi composto baseado em escalas moais em que cada integrante recebia um grupo de escalas que definiam os parâmetros da improvisação. Coltrane é claramente destacado nessas gravações bem como sua performasse de sidemam que despontava em carreira solo. Em abril de 1960 deixa o grupo de Miles Davis para seguir carreira solo formando seu quarteto com com Steve Kuhn - piano, Steve Davis - baixo e Pete La Roca- baterista. Dono de uma técnica invejável e surpreendente "sheets of sound" (camadas de sons) caracteriza uma técnica de sopro que foi largamente explorado por outros saxofonista ao longo do tempo bem como sua iniqualavel imitação de prolongamento de solo. Miles Davis tem lembranças dessa fase em uma afirmação amável chegou a dizer que "quando Trane pegava um solo era difícil de tirar dele. Podia-se sair do palco e ir ao banheiro sem pressa, parando pra uma geladinha que tinha tempo de sobra no solo de Trane", comenta o tompetista e amigo entre sorrisos. John Coltrane, não só influenciou saxofonistas, mas grandes compositores e solistas de outros instrumentos. Em 2004, "Giant Steps In Fusion Guitar" reúne os nomes da guitarristas de jazz / fusion com Mike Stern, Larry Coryell, Eric Johnson, Steve Lukather, Greg Howe, Jeff Richman, Frank Gambale e Robben Ford, fazendo uma homenagem solo de guitarra a um dos músicos de jazz mais influentes de todos os tempos.


2004 - Giant Steps In Fusion Guitar

01 - Resolution - Eric Johnson
02 - Afro Blue - Jeff Richman
03 - Crescent - Steve Lukather
04 - Giant Steps - Greg Howe
05 - My Favorite Things - Mike Stern
06 - Naima - Frank Gambale
07 - Mr. Syms - Greg Howe
08 - Central Park West / Your Lady - Jeff Richman
09 - Equinox - Mike Stern
10 - Village Blues - Robben Ford
11 - Lazy Bird - Frank Gambale
12 - Satellite - Larry Coryell

Boa audição - Namastê