Artista: Robert Johnson & Son House
Álbum: Mississippi Blues CD02
Lançamento: 2001/02/03
Selo: Habana
Gênero: Chicago Blues, Country Blues, Delta Blues, Harmonica Blues, Jump Blues, Louisiana Blues, Piano Blues, Rhythm & Blues, Texas Blues, East Coast Blues
O segundo volume das coleção mergulha nas raízes profundas e no coração mítico do gênero: o Mississippi Blues. Se o primeiro volume mapeou a rota de transição do campo para a cidade, este capítulo foca nos grandes artífices do Delta, consagrando lendas fundamentais para a história da música americana. O CD concentra-se nas planícies aluviais do Delta do Mississippi, uma região marcada pelo solo fértil para o cultivo de algodão, pela pobreza extrema do pós-guerra e pela segregação racial severa das primeiras décadas do século XX. É neste cenário inóspito que o blues surge como o principal veículo de expressão, catarse e resistência da população afro-americana, ecoando nas esquinas, plantações e juke joints locais. O álbum destaca dois dos maiores expoentes da história do violão de raiz e do canto visceral: Son House (O titã do Delta): Conhecido por seu estilo agressivo, rítmico e profundamente espiritual, Son House influenciou diretamente gerações inteiras de blueseiros (incluindo Muddy Waters e Robert Johnson). Suas performances eram carregadas de uma intensidade dramática quase religiosa, alternando letras sobre pecado, redenção e a dureza da vida no campo. Robert Johnson (O misto de mito e realidade): Considerado a figura mais icônica e influente da história do blues acústico. Sua técnica inovadora de violão — que criava a ilusão de que múltiplos músicos tocavam simultaneamente —, unida a letras de uma poesia fantasmagórica (como acordes firmados em encruzilhadas), moldou a fundação de todo o rock and roll moderno. Violão Acústico de Aço, o instrumento central do volume, tocado com a exigência de uma técnica vigorosa de fingerpicking com uso de Slide (Bottleneck): O recurso de deslizar um gargalo de garrafa de vidro ou um tubo de metal pelas cordas do violão era amplamente utilizado para simular o choro humano, imitando os lamentos vocais característicos do Delta. Relação voz e instrumento resgata uma sonoridade crua, analógica e minimalista, dependendo inteiramente da força interpretativa do artista, sem o auxílio de amplificação elétrica ou baterias. As faixas que compõem este volume resgatam gravações lendárias extraídas de antigas sessões de campo realizadas por engenheiros itinerantes na década de 1930 (como as famosas gravações da Vocalion e da Paramount Records). Os registros originais foram capturados em locais improvisados, desde pequenos hotéis no interior do Mississippi até estúdios temporários no norte (como em Grafton, Wisconsin), preservando a atmosfera documental de época. Este volume é frequentemente apontado por colecionadores como a "pedra fundamental" de todo o box por documentar a gênese técnica do estilo que influenciou o ecossistema da gravadora Habana na preservação do acervo. A edição mantém o padrão editorial da coleção francesa, acompanhando o resgate de raridades em discos de 78 RPM quase extintos, remasterizados de forma a preservar o som cru do vinil histórico.
Boa audição - Namastê



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