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terça-feira, 22 de julho de 2008

Lester Young and Teddy Wilson Quartet

1956 - Pres and Teddy


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A carreira de Lester Young pode ser dividida em três épocas diferentes: anos 30 (quando passou pelas bandas de Count Basie e Fletcher Henderson, sendo reconhecido por seu jeito relaxado de tocar); segunda metade dos anos 40 (quando aderiu ao Bebop); e os anos 50 (quando a sua música transmitia intensa carga sentimental).

Nessa época, Young passou a ter diversos problemas de alcoolismo e de comportamento. Muitos atribuem isso aos maus tratos racistas que teria recebido quando era soldado do exército americano na Segunda Guerra Mundial, onde era proibido de tocar saxofone. Muitos acreditam que ele nunca mais foi o mesmo depois disso, inclusive na sua maneira de fazer música.

Enquanto consumia grandes doses de álcool, afetando drasticamente a saúde, sua qualidade de interpretação impressionava, tocando de uma maneira extremamente sofisticada, adicionada à intensa carga emocional. Grandes discos e parcerias foram registradas nesse período, como as gravações com Oscar Peterson, Harry Sweets Edison e Teddy Wilson. Esta última é considerada por muitos como uma das mais memoráveis da história, pela gravação de Pres and Teddy, em 1956. Lester Young mostra-se extremamente expressivo nesta gravação, transmitindo os mais diversos sentimentos e reações, transitando em melodias alegres e assombrosas ao mesmo tempo, apresentando um verdadeiro retrato do que era a sua vida até aquele momento.

Tracks:

1. All of Me
2. Prisoner of Love
3. Louise
4. Love Me or Leave Me
5. Taking a Chance on Love
6. Our Love Is Here to Stay
7. Pres Returns - (bonus track)

Credits:

Teddy Wilson - piano
Jo Jones - drums
Lester Young - tenor saxophone
Norman Granz - producer
Gene Ramey - bass

Esta postagem é uma parceria entre o blog Borboletas de Jade e o blog JazzMan!

terça-feira, 3 de maio de 2011

O Presidente, a Duquesa e Lady Day

Pouco depois da apresentação no Apollo, sua ligação com Bobby Henderson termina brutalmente. Billie descobre que o jovem tão bem educado já é casado. Ela perdeu um amante, mas encontrará nesse mesmo ano aquele que a irá acompanhar musical e efetivamente até o fim de sua vida. Um jovem saxofonista recém-chegado do Mississipi: Lester Young (1909-1959). Ele vinha de Kansas City, onde tocava com a orquestra de Count Basie e fora contratado por Fletcher Henderson para substituir Coleman Hawkins, o saxofonista que todos adoravam na época. Ele começou no Cotton Club. Não foi fácil para o jovem Lester na época com 27 anos, substituir uma personalidade tão forte como Hawkins. Enquanto o som de Hawkins é pujante e musculoso o de Lester é leve e gracioso. Os músicos da orquestra estão desapontados. Eles preferem Chu Berry (Leon “Chu” Berry, 1908-1941), um saxofonista cujo estilo é mais próximo do de Hawkins. Eles lhe dão claramente a entender que não gostam dele e não param de conversar baixinho enquanto ele toca. Fletcher, todavia, impôs Lester e lhe deu todo o apoio. Chegou até mesmo a hospedá-lo em sua casa durante algum tempo, a até sua mulher, Leora (Leora Meoux Henderson, 1919-1941, esposa, agente e empresária de sua orquestra, às vezes tocava instrumento de sopro) começou a reclamar. Billie o escutou pela primeira vez em um jan sessions. Foi no final de uma noite ou começo de uma manhã, ninguém lembra mais direito. Ali se encontrava a fina flor dos músicos de jazz entre eles o pianista Benny Carter (Benjamim Bennett “Benny” Carter, 1907-2005); Lester se juntou a turma com sua velha gaita reformada tanta vez, que as chaves estão com elásticos. Ainda que ao contrário de Billie, Lester se tenha beneficiado de uma solida formação musical, sua abordagem da musica é muito parecida - Simplicidade, intuição, sentimento. Nenhum efeito nos tempos fortes dos compassos, um Vibrato (efeito ligeiramente tremulante na melodia acrescentado ao tom vocal ou instrumental para maior expressividade e volume, obtendo por variação de altura rápida e leve) discreto, uma variação em torno de uma nota bem escolhida em vez de uma serie de ornamentos cintilantes. Um som ao mesmo tempo melancólico e langoroso e além disso, outra curiosidade: ele tocava seu saxofone tenor como se fosse contralto (mudando a afinação, mas não o timbre). Uma cumplicidade se estabeleceu de imediato entre Billie e ele. Um amor musical à primeira vista. Quando o saxofonista Chu Berry aparece, Benny Carter lhe faz um desafio. Uma justa musical com Lester. Do mesmo modo que Hawkins, Chu Berry é um astro do jazz. Quando ele toca, o publico batem o pés, assobiam e bate palmas em cadencia. Chu disse não ter trazido seu saxofone mais isso não é obstáculo para Bem Carter, que se ofereceu para busca-lo. Ele tinha plena confiança em Lester e esse concurso informal era uma forma de promovê-lo. Com qual peça eles vão começar? Chu Berry escolhe “I Got Rhythm” (Composição do musico clássico/popular judeu-americano George Gershwin, sobre texto de seu irmão Ira). Foi uma péssima escolha. É justamente o cavalo de batalha de Lester que já desenvolveu quinze variações diferentes sobre o mesmo tema. Chu levou uma sova de interpretação. Billie acompanha Lester ate seu hotel por nome Tereza. Enquanto caminham pelas calçadas desertas, de manhã bem cedo, descobre uma serie de gostos comuns entre eles ate marijuana. Tem o mesmo senso de humor. Eles tagarelam e riem bastante, os dois levemente chapados. Ao chegarem diante do hotel, Lester se inclina e beija-lhe a mão.

- Boa noite, Lady ou quem sabe, bom dia, Lady Day....

_ O dia esta claro.

_ Você sabe, o dono da casa esta me esperando, acrescentou ele.

_É um rato grande e gordo que se instalou sobre sua pilha de camisa e que volta sempre, por mais vassouradas que leva...

Billie, horrorizada lhe propõe imediatamente que venha se instalar em sua casa. Sade, que sempre prepara uma pequena ceia para os que deitam de madrugada, o recebeu de braços abertos. O apartamento é uma enfiada de pequenas peças ao comprido, como em um vagão de estrada de ferro, com uma entrada em cada porta. Uma dessas, pomposamente chamada de “sala de musica” é mobiliada com um velho piano desengonçado e as pilhas de disco de Billie.

_Você fica instalado aqui – diz-lhe Sadie, que logo é tomada de afeição por este homenzarrão desajeitado e de olhar reservado, com cabelos avermelhados que levam todos a chama-lo prontamente de Red.

Lester esta encantado. O pequeno apartamento nunca esta vazio, sempre tem frango frito e feijão vermelho para os músicos famintos, os conhecidos do bairro e as putas fugindo da policia, que se esconde o tempo suficiente para serem esquecidas. Os amigos de Billie costumam chamar sua mãe de Mama Holiday. Mas Sadie foi tão regaladamente generosa para com ele que Lester lhe presta outra homenagem. Passa a chama-la de Duquesa. Ele também escolhe para Billie um novo nome que permanecerá com ela mesma depois de sua morte. Muitos já chamavam de Lady. Foi ele quem encontrou Lady Day, acrescentando-lhe uma misteriosa poesia. Por que não Lady Night? Talvez porque ele a considerasse tão bela e luminosa à luz do dia como à noite em um lisonjeiro vestido de cetim, sob o feixe prateado de um refletor. Em resposta, Billie começou a lhe procurar um apelido carinhoso, algo que pudesse lhe qualificar a excelência, tanto como musico de primeiro plano como em sua condição de homem. O homem mais importante dos e Estados Unidos era o presidente Franklin D. Roosevelt (Franklin Delano Roosevelt, 1882-1945, o 32º presidente) . Leste era o melhor musico e merecia se chamado de Prez. O presidente, a duquesa e Lady Day passam juntos momentos deliciosos. Com seu maravilhoso senso de humor, sua benevolência e a elegância de seu caráter, ninguém duvida que a presença de Lester tenha contribuído para adoçar o relacionamento entre Billie e Sadie. Ela compreendeu logo que Lester é inofensivo e que entre eles não se passa nada de caráter sexual. Portanto, ela não tem nada a temer. Ele não vai lhe tirar a filha. Os dois jovens partilham de uma terna cumplicidade, não chegam a ser amantes, são muito mais que amigos. Uma espécie de ato amoroso que encontra seu clímax na fusão musical, ao passo que em casa são como irmãos, paparicados de pequenas atenções por sua mãe. Protetora em demasia, presente, se acreditamos em Billie, que afirma ficar agastada com os conselhos, reprovações e angustias de sua mãe. Ainda que ela demonstre um afeto caloroso e esteja sempre pronta a lhe prestar toda espécie de serviços, também faz marcação cerrada e enfia o nariz por toda parte, como se quisesse se imiscuir em cada aspecto da vida de sua filha e viver, através dela. Se ele vem as vezes escuta-la cantar é também para supervisiona-la, saber com quem ela se encontra, quem anda à volta dela, quanto é que ela ganha. Ela nunca esconde que tem medo de que sua filha vá embora e a deixe abandonada em uma solidão. Como ela mesma fez nos tempos de Baltimore.... Assim ela se gruda em Billie, ocupa o terreno inteiro com sua presença e sua lamúrias constante. Sadie exige demais e Billie precisa mantê-la a distancia. Mas ela não pode passar sem sua mãe. Sente-se responsável por ela. A cada noite lhe telefona para dizer aonde vai e com quem. Ela não diz necessariamente a verdade, mas sua mãe pode dormir tranqüila. A partir do momento em que terminou seu trabalho, Lester acompanha Billie aos restaurantes ou aos clubes. Ela adora escuta-lo iniciando um de seus fantásticos solos às suas costas, mas sem jamais atrapalhar seu canto, sem nunca se meter em seu caminho. Seu saxofone soa como uma segunda voz fazendo eco á sua. E a voz de Lady, sua maneira de moldar e dar às notas uma cor diferente, soa como um saxofone. Só vendo para crer o jeito que ele toca, balançando o saxofone da direita para a esquerda, levantando o instrumento bem alto para um dos lados, ao mesmo tempo em que modula as pernas, enquanto marca a cadencia com a ponta do pé. Além disso, Lester é elegante, com suas roupas bem talhadas. Usa um chapéu negro de copa dura, sem estilo espanhol. É um cara original. Sua maneira de falar é única. É um Jive (gíria dos negros do Harlem) deslocado, cheio de figuras poéticas de comparações, de metáforas invertidas. É preciso se acostumar com ele antes de conseguir compreender tudo. Seu saxofone foi batizado por ele de Lady Violet e arranja apelido para todos os músicos com quem se dá. E divide tudo com Billie, menos a cama. É Billie que o orienta através de Nova York, que o leva a conhecer todos os bons lugares, ensina a reconhecer os odores da grande cidade. As noites passam depressa – música, álcool e maconha. Nem é preciso sair a procura pela droga, há em toda parte. Nessa época a venda da marijuana ainda não era proibida. De fato a proibição perdeu fôlego. A partir de 05 de dezembro de 1933, o consumo de álcool se tornou legal novamente. Os sindicatos do crime se adaptam para o trafico ainda mais suculento dos estupefacientes. As drogas inundam mercado. Os bares, as boates noturnas e os músicos são seus primeiros alvos. Ainda que já tenha começado a falar por toda parte que Lester é tão bom, sob todos os aspectos, quando a mestre Coleman Hawkins, ele sai da orquestra de Fletcher Henderson, Leora, a mulher de Fletcher e o manager da orquestra, insistem com ele vezes sem contar que deve tocar de um jeito diferente, mais forte e mais viril, o mesmo tipo de sonoridade produzida por Coleman Hawkins. Lester prefere sair do conjunto. Ele não consegui de jeito nenhum imitar o “grande som” de Hawkins. Já experimentou toda a sua serie de truques para aumentar seu volume, já tentou tocar de uma porção de maneiras diferenciadas e nada. Mais não adianta. Ele se queixa a Billie que morre de rir. Ela também correu durante algum tempo atrás do “grande som”, o magnífico volume da voz de Bessie Smith. Até que renunciou as tentativas inúteis de cantar “St. Louis Blues "como ela”.

_Esqueça disso – é o que ela lhe aconselha – Nós não temos essa caixa de som e depois imitar qualquer um faz com que a gente perca o próprio “feeling” . Sem ele, você pode fazer o que quiser, não vai passar nunca da estaca zero.

Lester aprende a lição. Então passa a improvisar, marcar os tempos fracos em vez de marcar os fortes, evita o vibrato e inventa uma sonoridade sem timbre, muito peculiar dele, que dança acima das notas. Dessa insuficiência de fôlego nascerá um novo estilo, o precursor do sucesso do bebop, que influenciara de forma permanente todos os saxofonistas de jazz. Lady Day já lhe havia predito:

- Espere só que você vai ver. Daqui a uns tempos, todo mundo vai esta copiando seu estilo.

Mesmo que Fletcher Henderson lhe dê todo o apoio e firme a todos seus músicos que nenhum deles não lhe chega aos pés de Lester que vai embora e ingressa na orquestra de Andy Kirk (Andrew Kirk, 1898-1992), em Kansas City. A orquestra e a mulher de Fletcher acabaram ganhando dele. Fonte:Billie Holiday - Biografia, Sylvia Fol.


Rehearsal for God Bless the Child


Escrita por Billie Holiday e Arthur Herzog Jr. em 1939 com gravação em 09 maio de 1941 pelo SELO Okeh, 799 Seventh Avenue, New York City. Em sua autobiografia - Lady Sings the Blues, ela faz referencia a uma possível briga com sua mãe por causa de dinheiro a levando a compor a musica em conjunto com Herzog. Durante a discussão, Billie teria dito a frase: "God bless the child that's got his own..." (Deus abençoe a criança que tem o seu próprio...) e não completa a frase. A indignação com o incidente a levou a transformar em um ponto de partida para uma das mais belas interpretação de sua carreira. Outras fonte sugerem que a melodia foi tirada da bíblia, onde o sagrado e o profano teria inspirado essa melodia, embora a religião não ter muita importância em sua vida, com referencia em Mateus 25:29 "Porque a todo o que tem se lhe dará, e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado."

sábado, 28 de julho de 2018

Billie Holiday, uma cantora à frente do tempo

Billie Holiday é reconhecida como a maior intérprete que o jazz já produziu. Com interpretações intensas e com sentimento encantou o público e mudou a arte dos vocais para sempre. Mais de meio século depois de sua morte é difícil acreditar que as vocalistas de jazz antes de seu surgimento raramente personalizavam suas canções; na verdade, apenas as cantoras de blues como Bessie Smith e Ma Rainey davam a impressão de que tinham vivido o que estavam cantando. Billie Holiday fez a leitura desta tradição do blues e revolucionou o jazz e o pop tradicional, rasgando a tradição de décadas se recusou a comprometer sua arte. Em sua autobiografia, ela admitiu que sempre quis ser uma cantora como Bessie Smith e ter o sentimento de Louis Armstrong, e que muitas vezes tentou cantar como um trompete. mas, na verdade, seu estilo era praticamente ela própria. A tragédia pessoal e as drogas marcaram a sua vida. Mas todo o lixo que ela viveu era transformado pelo seu canto. Surras, prisões, droga pesada, mais o drama de uma cantora negra naquele tempo, quando muitas vezes nos hotéis onde se hospedava, no auge da carreira, era ‘convidada’ a subir pelo elevador de serviço para que não se misturasse com os brancos. Tudo isso foi transformado em interpretações históricas. Quando se ouve Billie cantar, sente-se que ela está contando sua história. Era linda, louca, sexy e livre. Billie é a minha deusa. Com seu estilo brilhando em cada gravação, a sua perícia técnica também se destacou em comparação à grande maioria de seus contemporâneos. Muitas vezes entediada e cansada das velhas canções que ela era forçada a gravar no início de sua carreira, Billie brincava com a melodia e rejuvenescia as canções com harmonias emprestadas de seus instrumentistas favoritos, Louis Armstrong e Lester Young. A sua notória vida privada com uma série de relações abusivas, dependência de substâncias químicas e períodos de depressão, sem dúvida, ajudaram seu status lendário. ‘Lover Man’, ‘Don't Explain’, ‘Strange Fruit’ e sua própria composição ‘God Bless the Child’, que versa sobre a pobreza, estão entre os seus melhores desempenhos e permanecem entre as apresentações mais sensíveis já registradas. Mais do que a capacidade técnica, mais do que a pureza da voz, o que fez Billie Holiday uma das melhores vocalistas do século foi o seu temperamento implacavelmente individualista. A vida caótica de Billie Holiday, supostamente, começou em Baltimore quando ela nasceu como Eleanora Fagan Gough. Seu pai, Clarence Holiday, foi um adolescente guitarrista de jazz que mais tarde tocou na Orquestra de Fletcher Henderson. Sua mãe também foi uma jovem adolescente, e se por causa de inexperiência ou negligência, muitas vezes deixava a filha com parentes indiferentes. Billie foi expulsa da escola católica com 10 anos, depois que admitiu ter sido estuprada, e condenada a ficar presa até a idade adulta foi liberada depois de dois anos por um amigo da família. Com a mãe, ela se mudou em 1927, primeiro para New Jersey e, logo depois para o Brooklyn. Em New York, Billie ajudava a mãe como empregada doméstica, mas logo começou a se prostituir para ter uma renda adicional. E já cantava em clubes do Harlem desde 1930. Teve um pouco de publicidade no início de 1933, quando o produtor e caçador de talentos John Hammond, também no início de uma carreira legendária, escreveu sobre ela em uma coluna para o mais antigo jornal sobre música já existente, o ‘Melody Maker’, do Reino Unido, e trouxe Benny Goodman a uma de suas apresentações. Depois de gravar uma demo na Columbia Studios, Billie se juntou ao pequeno grupo de Goodman para fazer sua estreia comercial com a música ‘Your Mother's Son-In-Law’. Apesar de não voltar ao estúdio por mais de um ano, Billie passou 1934 galgando os degraus da competitiva cena dos bares de New York. No início de 1935, ela fez sua estreia no Teatro Apollo, e apareceu em um filme com Duke Ellington. Durante a última metade de 1935, finalmente entrou em um estúdio novamente e gravou quatro sessões. Com uma banda supervisionada pelo pianista Teddy Wilson, ela gravou uma série de canções obscuras e esquecíveis da Tin Pan Alley, nome dado à editora de música de New York e seus compositores que dominaram a música popular dos Estados Unidos no final do século 19 e início do século 20. Em outras palavras, músicas disponíveis apenas para uma banda obscura de afroamericanos dos anos 30. Durante a era do swing, as editoras de música mantinham as melhores músicas estritamente nas mãos de orquestras populares e cantores brancos. Apesar da qualidade pobre das canções, Billie energizou essas canções. No final de 1937, gravou vários números com um pequeno grupo, mais uma descoberta de John Hammond, a orquestra de Count Basie. O saxofonista tenor Lester Young, que tinha conhecido brevemente Billie alguns anos antes, e o trompetista Buck Clayton se tornaram seus parceiros. E juntos gravaram o seu melhor trabalho e Billie deu o apelido de ‘Pres’ a Young, enquanto ele a apelidou de ‘Lady Day’ por sua elegância. Na primavera de 1937, ela começou a excursionar com Basie como o complemento feminino de seu vocalista masculino, Jimmy Rushing. A associação durou menos de um ano. Embora oficialmente ela tenha sido despedida da banda por ser temperamental e pouco confiável, a verdade é que o alto escalão do mundo editorial ordenou a ação depois que ela se recusou a cantar clássicos de blues dos anos 20. Menos de um mês depois de deixar Basie, ela foi contratada por Artie Shaw, um dos primeiros exemplos de uma mulher negra que apareceu com um grupo branco. Apesar do apoio contínuo de toda a banda, no entanto, promotores e patrocinadores de rádio logo começaram a contestar Billie, com base em seu estilo de cantar pouco ortodoxa, e também por ser negra. Após uma série de indignidades Billie deixou a banda com desgosto. Mais uma vez, a sua percepção foi valiosa, a maior liberdade lhe permitiu dar um show em um novo clube chamado ‘Café Society’, a primeira boate popular com um público inter-racial. Lá, Billie Holiday aprendeu a canção que iria catapultar sua carreira para um novo nível: ‘Strange Fruit’. ‘Strange Fruit’ é uma canção que condena o racismo americano, especialmente o linchamento de afro-americanos que ocorreu principalmente no sul dos Estados Unidos, mas também em outras regiões do país. ‘Strange Fruit’ foi composta como um poema, escrito por Abel Meeropol, um professor judeu de colégio do Bronx, sobre o linchamento de dois homens negros. Ele a publicou sob o pseudônimo de Lewis Allan. Abel Meeropol e sua esposa adotaram, em 1957, Robert e Michael, filhos de Julius e Ethel Rosenberg, acusados e condenados por espionagem e executados pelo governo dos Estados Unidos. Embora Billie inicialmente manifestasse dúvidas sobre a inclusão de tal música em seu repertório, ela o fez confiando em seus poderes de sutileza. E ‘Strange Fruit’ logo se tornou o destaque em suas apresentações e foi gravada. Uma vez liberada, ‘Strange Fruit’ foi proibida por muitas estações de rádio. Billie continuou a gravar e atingiu novamente grande sucesso com a sua mais famosa composição de 1941, ‘God Bless the Child’ e em 1944 com ‘Lover Man’, uma canção escrita especialmente para ela e seu terceiro grande hit. Billie logo se tornou prioridade para a ‘Decca Records’, ganhando o direito de material musical de alta qualidade e seções de cordas de luxo para suas gravações. Apesar de estar no alto da popularidade, a vida emocional de Billie começou um período turbulento. Já fortemente viciada em álcool e maconha, começou com o ópio com seu primeiro marido, Johnnie Monroe. O casamento não durou, e o vício na heroína veio com o segundo casamento com o trompetista Joe Guy. A morte de sua mãe a afetou profundamente, e em 1947 ela foi presa por posse de heroína e condenada a oito meses de prisão. Infelizmente, os problemas continuaram depois de sua libertação. As drogas tornaram impossíveis as suas apresentações. Atormentada ela seguiu em frente. Embora os estragos de uma vida dura estivessem refletidos em sua voz, muitas das gravações de Billie doa anos 50 são tão intensas e belas quanto sua obra clássica. Em 1954, Billie excursionou pela Europa com grande sucesso, e sua autobiografia de 1956 trouxe ainda mais notoriedade. Ela fez sua última grande aparição, em 1957, na televisão em um especial com Ben Webster, Lester Young e Coleman Hawkins dando-lhe apoio. Durante seu último ano, ela fez mais duas apresentações na Europa antes de cair doente do coração e doença hepática em 1959. E foi presa por posse de heroína em seu leito de morte. Morreu no mesmo ano. O filme ‘Lady Sings the Blues’ de 1972 interpretado por Diana Ross ilumina a sua vida trágica e lhe deu muitos fãs de novas gerações. - Fonte: Pintando Musica

Boa leitura - Namastê

sábado, 12 de junho de 2010

Lady Day: The Complete Billie Holiday on Columbia (1933-1944)Vol 02

Gardênia no cabelo

Um manda-chuva do showbiz da época, impressionado com uma jovem cantora queria que ela fosse contratada pelo Lafayette Theatre, uma grande casa noturna de Nova York animada pelas big bands em dias de depressão e lei seca. Tentando convencer o dono do teatro, ele ouviu a pergunta sobre o estilo da moça. Não conseguiu responder e depois de algumas tentativas de definição, desistiu: “Não sei o que é mas você tem de ouvi-la”. A cantora que já no começo de carreira escapava a rótulos e magnetizava os ouvintes era a única e maravilhosa Billie Holiday. Depois de ser ouvida pelo figurão, ela foi contratada para um programa badalado da casa, um dos muitos que fez. Billie pavimentou uma carreira de estrela com canções inesquecíveis e registros inigualáveis de standards. Para muitos a maior cantora de jazz de todos os tempos. Mas, passados 50 anos depois sua morte e certamente uma das maiores influencias vocais entre as cantoras americanas, não é de se admirar se alguém repetir a mesma sentença. “Não sei o que é, mas você tem de ouvi-la”. É preciso ouvir clássicos como Strange Fruit, Body and Soul, The Very Though of You, Yesterdays, My Old Flame e tantos, tantos outros na sua voz ligeiramente rouca, ao mesmo tempo sensual e emotiva, suave e marcante, além de um fraseado único, que nem as outras cantoras da orquestra conseguiam imitar. E os músicos continuavam pedindo para Billie ensinar-lhes... Lady Day, como seria apelidada, era realmente inclassificável. Com Ella Fitzgerald e Sarah Vaughan, formou a tríade das grandes cantoras de jazz. Ella e Sarah tinham extensão e recursos vocais formidáveis, além de terem redimensionado o swing, o bebop e o cool jazz. Billie que aprendeu a cantar de ouvido, principalmente na infância pobre em Baltimore, tinha o dom de revestir as músicas que interpretava com uma atmosfera bluesy – embora não fosse uma cantora de blues –, essencialmente triste e comovente. Por isso apreciava tanto o trompetista Lester Young, que conhecera em jam sessions com o instrumento “todo remendado com fitas adesivas e elásticos”. Lester era tão surpreendente quanto Billie, seus solos tão melancólicos que quando estavam juntos, pareciam dois instrumentos correspondentes: voz e sax . Foi Lester, inclusive, quem lhe deu o famoso apelido. O “duo” é um dos exemplos das boas parcerias que a cantora fez. Afinal não é qualquer um que tem no currículo gravações e apresentações com as orquestras de mestres como Count Basie, Benny Goodman (com quem fez sua primeira gravação, em 1933) e Artie Shaw. Foi longe a menina pobre que nasceu Eleanora Fagan, na Filadélfia. Era filha de um guitarrista e banjista, que se separou da mãe quando Billie ainda era bebê. Ela e a mãe sobreviveram de subemprego em Baltimore, ate decidirem mudar para Nova York, e se instalaram no Harlem. Foi lá que se envolveu com prostituição, segundo ela. Um dia, pra evitar o despejo saiu de casa e acabou fazendo um teste para dançarina de casa noturna. Um desastre. Mas o pianista com pena certamente do seu desespero perguntou se ela sabia cantar. A garota cantava por prazer mas não sabia que sabia. Saiu de lá com dinheiro para pagar o aluguel – e seu primeiro “contrato”. Daí, trilhou uma carreira de shows em clubes e fez suas primeiras gravações. Participou do filme New Orleans (em 1947), interpretando uma doméstica – e odiou! Em 1956, publicou a autobiografia Lady Sings the Blues. A ideia foi do marido, o mafioso Louis McKay. O objetivo era que a história chegasse aos cinemas, numa época de algumas cinebiografias de sucesso. Assim, o mercenário e violento McKay – mas que, justiça seja feita, tentou livrar Billie do vício da heroína – descolaria alguma grana. Mas o filme caso de uma Estrela só saiu em 1972. O papel principal foi para Diana Ross. Fome e amor – Nem Billie mesma sabia de onde vinha seu estilo. Dos discos de Bessie Smith e Louis Armstrong que, ainda garota, pagava para ouvir num dos bordéis de Baltimore, reduto do jazz, onde limpava escadarias das casas. “O que posso dizer? Cantar, no meu caso, nada tem a ver com elaborar, arranjar, ensaiar. É só me dar uma canção que posso sentir. Existem algumas canções que sinto tão intensamente que não aguento cantá-las, mas isso é uma outra história. Interpretar canções como The Man I Love ou Porgy não é mais do que sentar no chinês e comer pato assado (prato que ela adorava). Eu vivi canções como estas. Quando as canto, vivo-as de novo”, disse. Não à toa, várias músicas do seu repertório poderiam muito bem fazer parte da trilha sonora de sua vida. Don’t Explain foi feita depois que ela achou marcas de batom na camisa do primeiro marido, Jimmy Monroe. “Já me disseram que ninguém canta a palavra ‘fome’ como eu. Ou a palavra ‘amor’”, declarou Billie, cuja influência se espalhou pela música americana. Sua música vem carregada de experiências de uma vida trágica, que inclui violência sexual aos dez anos, amores conturbados, internações hospitalares e passagens pela cadeia. Morreu jovem, aos 44 anos, no dia 17 de julho de 1959, envelhecida pelo excesso de drogas e álcool, com saúde precária, voz prejudicada, pobre. Tinha menos de um dólar no banco. As enfermeiras acharam outros 750 dólares presos a sua vagina com fita durex que ela antes do último sacramento mandou entregar ao jornalista William Dufty, seu ghost writer (Escritor-fantasma, pessoa que tendo escrito uma obra ou texto, não recebe os créditos de autoria). O funeral, com 2,5 mil pessoas, foi pago por um fã rico, bem como um lugar para a sepultura. Talvez, descontente com a própria decadência, se pudesse escolher a música para cantar aquele momento, seria Please, Don’t Talk About Me When I’m Gone, uma canção de despedida amorosa que pode ser traduzida como “por favor, não fale de mim quando eu tiver partido”. Mas isso é impossível. ___________
Fonte: Joceval Santana - A Tarde Online.

Sentimental and Melancholy


If My Heart Could Only Talk


Sidemen:
Lester Young - Sax Tenor
Ben Webster - Sax Tenor
Johnny Hodges - Sax AltoArtie Shaw - Clarinete
Benny Goodman - Clarinete
Roy Eldridge - Trompete
Teddy Wilson - Piano

Faixas:
01. A Fine Romance
02. I Can't Pretend
03. One, Two, Button Your Shoe
04. Let's Call A Heart To Heart
05. Easy To Love
06. With Thee I Swing
07. The Way You Look Tonight
08. Who Loves You?
09. Pennies From Heaven
10. That's Life I Guess
11. I Can't Give You Anything But Lo...
12. One Never Knows, Does One?
13. I've Got My Love To Keep Me Warm
14. If My Heart Could Only Talk
15. Please Keep Me In Your Dreams
16. He Ain't Got Rhythm
17. This Year's Kisses
18. Why Was I Born?
19. I Must Have That Man
20. The Mood That I'm In
21. You Showed Me The Way
22. Sentimental And Melancholy
23. My Lost Affair

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Boa audição - Namastê.

domingo, 27 de junho de 2010

Lady Day: The Complete Billie Holiday on Columbia (1933-1944)Vol 04

Quando a Dor Encontra Desgraças e Fome

"Meu nome, Eleanora, era complicado demais para pessoas falarem. Além do mais eu gostava dele. Especialmente depois que minha avó o encurtou e berrava "Nora!" para mim chamar da varanda dos fundos. Meu pai começou a me chamar de Bill, porque eu era um verdadeiro moleque. Eu não me importava, mas queria ser bonitinha também e ter um nome bonito. Então me decidi por Billie e fiz questão de que vingasse. O tempo todo em que eu trabalhava em Filadélfia e Nova York, minha mãe me mandava roupas dadas pelos brancos que a empregavam. Eram sobras, naturalmente, mas muito bonitas e eu era sempre a garota mais elegante do quarteirão quando me vestia no capricho. Minha mãe sabia que eu não gostava de morar com meus avós e com a prima Ida. Ela mesma também não gostava. Mas a única providência que podia tomar era trabalhar o mais que pudesse no norte e economizar cada centavo. E foi o que fiz. Depois que papai pegou a estrada com os McKinney´s Cotton Pickers, ele simplesmente desapareceu. Depois consegui um emprego na orquestra de Fletcher Hendersom. Mas estava sempre em excursão e um dia souberam que conseguiu o divórcio e se casou com uma antilhana chamada Fanny. Quando minha mãe finalmente voltou a Baltimora, tinha novecentos dórares de economias. Comprou uma casa muito elegante na avenida Pensilvânia, no norte de Baltimora, o bairro das pessoas de classe. Pretendia alugar quartos para pensionistas. Viveríamos como grandes senhoras e ia ficar numa boa. Todas as grandes putas usavam imensos chapéus de veludos vermelho com pluma de ave-do-paraíso. Aquilo era o máximo. Não se comprava um por menos de vinte e cinco dólares, um montão de dinheiro nos anos 20. Sempre quis que minha mãe tivesse um desses chapéus e quando ela finalmente conseguiu comprar um, eu amei tanto que criava caso se ela não o usasse desde o momento que que se levantava pela manhã até a hora de ir para a cama a noite. Se saia de casa sem chapéu, eu o levava para ela. Ficava bonita com ela e eu achava que devia parecer bonita o tempo todo. Não tinha muito mais do que um metro e meio e pesava menos de trinta e seis quilos. Em seu chapéu de veludo vermelho com pluma de ave-do-paraíso, ela parecia uma boneca viva". Billie Holiday Lady Sings the Blues – A autobiografia dilacerada de uma lenda do jazz, Por William Dufty & Billie Holiday (Jorge Zahar)

I Cant Get Started


You Go to My Head


Faixas:
01. Nice Work If You Can Get It (1)
02. Things Are Looking Up (1)
03. My Man (1)
04. Can't Help Lovin' Dat Man (1)
05. My First Impression Of You (2)
06. When You're Smiling (2)
07. I Can't Believe That You're In Love With Me (2)
08. If Dreams Come True (2)
09. Now They Call It Swing (2)
10. On The Sentimental Side (2)
11. Back In Your Own Backyard (2)
12. When A Woman Loves A Man (2)
13. You Go To My Head (3)
14. The Moon Looks Down And Laughs (3)
15. If I Were You (3)
16. Forget If You Can (3)
17. Having Myself A Time (4)
18. Says My Heart (4)
19. I Wish I Had You (4)
20. I'm Gonna Lock My Heart (And Throw Away The Key) (4)
21. The Very Thought Of You (6)
22. I Can't Get Started (6)
23. I've Got A Date With A Dream (6)
24. You Can't Be Mine (6)

Musicos:

(1) Sessão de 01 de Novembro de 1937, New York - Teddy Wilson & His Orchestra
Billie Holiday - Vocal
Buck Clayton - Trompete
Prince Robinson - Clarinete
Vido Musso - Sax Tenor
Teddy Wilson - Piano
Allan Reuss - Guitarra
Walter Page - Baixo Acustico
Cozy Cole -Bateria

(2) Sessão de 06 de janeiro de 1938, New York - Teddy Wilson & His Orchestra
Billie Holiday - Vocal
Buck Clayton - Trompete
Benny Morton - Trombone
Lester Young - Sax Tenor
Teddy Wilson - Piano
Freddie Green - Guitarra
Walter Page - Baixo Acustico
Jo Jones - Bateria

(3) Sessão de 11 de Maio de 1938, New York - Billie Holiday & Her Orchestra
Billie Holiday - Vocal
Bernard Anderson - Trompete
Buster Bailey - Clarinete
Babe Russin Sax Tenor
Claude Thornhill - Piano
John Kirby - Baixo Acustico
Cozy Cole - Bateria

(4) Sessão de 23 de Junho de 1938 New York Billie Holiday & Her Orchestra
Billie Holiday - Vocal
Bernard Anderson - Trompete
Buster Bailey - Clarinete
Babe Russin - Sax Tenor
Claude Thornhill - Piano
Allan Reuss - Guitarra
John Kirby - Baixo Acustico
Cozy Cole - Bateria

(5) Sessão de 24 de Julho de 1938, New York Artie Shaw and his Orchestra
Billie Holiday - Vocal
Chuck Peterson, John Best-Claude Bowen - Trompetes
George Arus, Ted Vesely, Harry Rogers - trombones
Artie Shaw - Clarinete
Les Robinson, Hank Freeman - Saxs Alto
Tony Pastor, Ron Perry - Saxs Tenor
Lester Burness - Piano
Al Lavola - Guitarra
Sid Weiss - Baixo Acustico
Cliff Leeman - Bateria

(6) Sessão de 15 de Setembro de 1938, New York - Billie Holiday & Her Orchestra
Billie Holiday - Vocal
Buck Clayton - Trompete
Dickie Wells - Trombone
Lester Young - Clarinete & Sax Tenor
Margaret ‘Queenie’ Johnson - Piano
Freddie Green - Guitarra
Walter Page - Baixo Acustico
Jo Jones - Bateria


Download - Here


Boa audição - Namastê.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Miles Daves 1926 - 1991


Apresento a discografia de Miles Davis em sua intega,depois de uma minuciosa busca e pesquisa, para uma visão geral do que foi realmente embaixador do trompete.Nota-se que existe uma variedade de gravadoras e selos independentes que ao longo de sua trajetória, formulou uma batalha na busca pelo artista, levando mudar constantemente de gravadora. As gigantes "Columbia,CBS,Prestigio,Blue Note e Sonny" brigam entre si na mais valia e na lei da melhor oferta por um Miles em seus catálogos de venda, concorrendo de lado com selos próprios de pequenas gravadoras.Ao longo de nossa jornada pelo farrofa moderna, pretendo postar essa discografia - salientando que ela não é definitiva - ,Já que existe uma variedade de lançamentos e reedição em vários paises como nomes diferentes.Espero que goste e comentem cada postagem, trazendo suas opiniõe se e críticas.

Discografia - Miles Davis

1945:
* Miles Davis - First Miles (Savoy)
* Charlie Parker Story (Savoy MG)
* Charlie Parker Memorial, Vol. 2 (Savoy)
* The Immortal Charlie Parker (Savoy)

1946:
* Charlie Parker - Yardbird in Lotus Land (Spotlite)
* Charlie Parker on Dial, Vol. 1 (Spotlite)
* Charlie Parker - Alternate Masters, Vol. 2 (Dial LP)
* Charles Mingus - The Young Rebel (Swingtime ST)
* Baron Mingus - God's Portrait c/w unknown title (not released) (Fentone)
* V.A. - Jazz Off the Air, Vol. 3 (Spotlite)
* V.A. - Boning Up the 'Bones (EmArcy)
* Billy Eckstine - Mr. B and the Band (Savoy)
* Billy Eckstine - The Love Songs of Mr. "B" (EmArcy)
* Billy Eckstine - I Surrender, Dear (EmArcy)
* Billy Eckstine - Blues for Sale (EmArcy)
* Miles Davis - Boppin' the Blues (Black Lion)

1947:
* Illinois Jacquet and his Tenor Sax (Aladdin)
* Charlie Parker - Encores (Savoy)
* The Genius of Charlie Parker (Savoy)
* Charlie Parker Memorial, Vol. 1 (Savoy)
* Coleman Hawkins/Howard McGhee/Lester Young - A Date with Greatness (Imperial LP)
* Charlie Parker - The Complete Savoy Studio Sessions (Savoy)
* Charlie Parker on Dial, Vol. 4 (Spotlite)
* Charlie Parker - The Bird Blows the Blues (Dial LP)
* Charlie Parker - Alternate Masters, Vol. 1 (Dial LP)
* Charlie Parker on Dial, Vol. 5 (Spotlite)
* Charlie Parker on Dial, Vol. 6 (Spotlite)
* Charlie Parker - Crazeology c/w Crazeology, II: 3 Ways of Playing a Chorus (Dial)
* Charlie Parker, Vol. 4 (Dial LP)

1948:
* Gene Roland Band featuring Charlie Parker - The Band That Never Was (Spotlite)
* Charlie Parker - Bird's Eyes, Vol. 6 (Philology)
* Charlie Parker - Bird on 52nd St. (Jazz Workshop)
* Charlie Parker (Prestige)
* Charlie Parker - Bird at the Roost, Vol. 1 (Savoy)
* Newly Discovered Sides by Charlie Parker (Savoy)
* Charlie Parker - The 'Bird' Returns (Savoy)
* Miles Davis - Nonet 1948 - Jam 1949 (Royal Jazz)
* Charlie Parker - Miles Davis - Lee Konitz (Ozone)
* The Persuasively Coherent Miles Davis (Alto AL)
* Hooray for Miles Davis, Vol. 1 (Session Disc)
* Charlie Parker - Bird's Eyes, Vol. 1 (Philology)
* Charlie Parker - Live Performances (ESP-Disk' ESP)
* Charlie Parker on the Air, Vol. 1 (Everest)

1949:
* The Metronome All Stars - From Swing to Be-Bop (RCA)
* Miles Davis - Birth of the Cool (Capitol)
* Miles Davis - The Complete Birth of the Cool (Capitol)
* V.A. - Tadd Dameron Big 10 and Royal Roost Jam (Beppo)
* Charlie Parker - Rara Avis Avis, Rare Bird (Stash)
* V.A. - Strictly Be-Bop: Capitol Jazz Classics, Vol. 13 "Be Bop Professors" (Capitol)
* The Miles Davis/Tadd Dameron Quintet in Paris Festival International de Jazz, May, 1949 (Columbia)
* Miles Davis/Tadd Dameron - Sensation '49: A Document from the Paris Jazz Festival 1949 (Phontastic PHONT)
* Charlie Parker - Bird in Paris (Bird in Paris CP 3)
* V.A. - Stars of Modern Jazz Concert at Carnegie Hall

1950:
* Charlie Parker - Birth of the Bebop: Bird on Tenor 1943 (Stash)
* Miles Davis - Dick Hyman - Sonny Stitt (Ozone)
* Here Are Stan Getz and Miles Davis (Kings of Jazz)
* Sarah Vaughan in Hi-Fi (Columbia)
* Miles Davis All Stars and Gil Evans (Beppo)
* Hooray for Miles Davis, Vol. 2 (Session Disc)

1951:
* Miles Davis and Horns (Prestige)
* Miles Davis - Early Miles (Prestige)
* Sonny Rollins with the Modern Jazz Quartet, Art Blakey, Kenny Drew (Prestige)
* The Genius of Charlie Parker, #8 - Swedish Schnapps (Verve)
* The Magnificent Charlie Parker (Clef MGC)
* The Metronome All Stars - All Star Sessions (Capitol)
* V.A. - Conception (Prestige)
* Miles Davis - Eddie 'Lockjaw' Davis - Art Blakey (Ozone)
* Miles Davis - Dig (Prestige)

1952:
* Jimmy Forrest and Miles Davis Live at the Barrel (Prestige)
* Miles Davis/Jimmy Forrest - Lady Bird (Jazz Showcase)
* Miles Davis - Rare Unreleased Broadcasts (Yadeon)
* V.A. - Woman in Jazz, Vol. 3 (Stash)
* Miles Davis and his All Stars (Ozone)
* Miles Davis, Vol. 1 (Blue Note)
* Miles Davis - Complete 1st and 3rd Sessions on Blue Note (Blue Note)
* Miles Davis, Vol. 2 (Blue Note)

1953:
* Miles Davis - Collector's Items (Prestige)
* Miles Davis - Hi-Hat All Stars Recorded Live at Hi-Hat, Boston 1955 (Fresh Sound)
* Miles Davis - Complete 2nd Session on Blue Note (Blue Note)
* Miles Davis - Blue Haze (Prestige)
* Charlie Parker - Bird Meets Birks (Mark Gardner)
* Miles Davis and the Lighthouse All-Stars - At Last! (Contemporary)

1954:
* Miles Davis - Walkin' (Prestige))
* Miles Davis - Bags' Groove (Prestige)
* Miles Davis and the Modern Jazz Giants (Prestige)

1955:
* Miles Davis - The Musings of Miles (Prestige)
* Miles Davis - Blue Moods (Debut)
* Miles Davis - Miscellaneous Davis 1955-1957 (Jazz Unlimited)
* Miles Davis and Milt Jackson Quintet/Sextet (Prestige)
* Miles Davis - The Legendary Prestige Quintet Sessions (Prestige)
* The Complete Columbia Recordings of Miles Davis with John Coltrane (Mosaic)
* Miles Davis - Circle in the Round (Columbia)
* Miles Davis - 'Round About Midnight (Columbia)
* Miles Davis - Basic Miles (Columbia)
* Miles Davis - The Columbia Years 1955-1985 (Columbia)
* V.A. - Jazz Omnibus (Columbia)
* Miles Davis - Miles (Prestige)

1956:
* Workin' with the Miles Davis Quintet (Prestige)
* Steamin' with the Miles Davis Quintet (Prestige)
* Relaxin' with the Miles Davis Quintet (Prestige)
* Miles Davis Quintet at Peacock Alley (VGM/Soulard)
* Leonard Bernstein - What Is Jazz (Columbia)
* The Brass Ensembles of the Jazz and Classical Music Society - Music for Brass (Columbia)
* Cookin' with the Miles Davis Quintet (Prestige)
* Lester Young Meets Miles, M.J.Q. and the Jack Teagarden All Stars (Unique Jazz)
* Miles Davis/Bud Powell/Art Tatum - Unreleased Performances (Teppa 76)

1957:
* Miles Davis - Miles Ahead (Columbia)
* Miles Davis - Miles Ahead (stereo) (Columbia/Legacy)
* Miles Davis - John Coltrane - Sonny Rollins (Ozone 18)
* Miles Davis - Makin' Wax (Chakra (It) TH 100 MD)
* Rene Urtreger en Concerts (Carlyne Music)
* Miles Davis - Ascenseur pour L'echafaud (Fontana)
* Miles Davis - Ascenseur pour L'echafaud: Complete Recordings (Fontana)
* Miles Davis - The Complete Amsterdam Concert 1957 (Celluloid)

1958:
* Miles Davis - Milestones (Columbia)
* Cannonball Adderley - Somethin' Else (Blue Note)
* Cannonball Adderley - Alison's Uncle, Autumn Leaves (Blue Note)
* V.A. - The Other Side Blue Note 1500 Series (Blue Note)
* Miles Davis All Stars featuring John Coltrane and Bill Evans (Jazz Band)
* Miles Davis - Jazz Tracks (Columbia)
* Miles Davis - '58 Sessions (Columbia/Legacy)
* Miles Davis - Black Giants (Columbia)
* Michel Legrand - Legrand Jazz (Columbia)
* Miles Davis/Thelonious Monk - Miles and Monk at Newport (Columbia)
* V.A. - Newport Jazz Festival 1958-59 (FDC)
* Miles Davis - Porgy and Bess (Columbia)
* Miles Davis - Jazz at Plaza, Vol. 1 (Columbia)
* Miles Davis All Stars featuring John Coltrane with Cannonball Adderley (Jazz Band)

1959:
* Miles Davis - Kind of Blue (Columbia)
* The Sound of Miles Davis (Toei Video)
* The Complete Miles Davis-Gil Evans Studio Recordings (Columbia/Legacy)
* Miles Davis - Sketches of Spain (Columbia)

1960:
* Miles Davis - Directions (Columbia)
* Miles Davis en Concert avec Europe 1 (Trema)
* Miles Davis and John Coltrane Live in Stockholm 1960 (Dragon -Swd)
* John Coltrane - Bird Note (Bird Note)
* Miles Davis/John Coltrane - Copenhagen 1960 (Royal Jazz)
* Miles Davis Quintet Live in Zurich 1960 (Jazz Unlimited - Swd)
* Miles Davis/John Coltrane - Miles and Coltrane Quintet Live, First Time on Records (Unique Jazz)
* Miles Davis - Free Trade Hall, Vol. 1 (Magnetic- Luxe)
* Miles Davis Quintet Live in Europe (Jazz Up)
* Miles Davis - Free Trade Hall, Vol. 2 (Magnetic- Luxe)
* Miles Davis/Sonny Stitt - Stockholm 1960 (Royal Jazz)
* Miles Davis and Sonny Stitt Live in Stockholm 1960 (Dragon -Swd)

1961:
* Miles Davis - Someday My Prince Will Come (Columbia)
* Miles Davis in Person, Vol. 2 - Saturday Night at the Blackhawk (Columbia)
* Miles Davis in Person, Vol. 1 - Friday Night at the Blackhawk (Columbia)
* Miles Davis - The Complete Blackhawk Sessions (Mosaic)
* V.A. - Who's Who in Jazz (Columbia)
* Miles Davis - Transition (Magnetic- Luxe)
* Miles Davis - Circle in the Round (CBS/Sony)
* Miles Davis at Carnegie Hall (Columbia)
* Miles Davis - Live Miles: More Music from the Legendary Carnegie Hall Concert (Columbia)

1962:
* Miles Davis - Quiet Nights (Columbia)
* V.A. - Jingle Bell Jazz (Columbia)
* Miles Davis - Sorcerer (Columbia)
* Miles Davis - Facets, Vol. 1 (Columbia)

1963:
* Miles Davis - The Complete 63-64 Columbia)
* Miles Davis - Seven Steps to Heaven (Columbia)
* Miles Davis - Miles in St. Louis (VGM)
* IXXI. Miles Davis Quintet Live in St. Louis and Paris 1963 (The Golden Age of Jazz)
* Miles Davis - Cote Blues (Jazz Music Yesterday)
* Miles Davis in Europe (Columbia)
* Miles Davis at Monterey 1963 Complete (So What!(SW )

1964:
* Miles Davis - 'Four' & More (Columbia)
* Miles Davis - My Funny Valentine (Columbia)
* Miles Davis - Miles in Tokyo (CBS/Sony)
* Miles Davis - Miles in Berlin (CBS)
* Miles Davis - Paris, France (Heart Note)
* Miles Davis - The Complete Copenhagen Concert 1964 (Magnetic- Luxe)
* Miles Davis - Davisiana (Moon)
* Miles Davis - All Blues (Musica Jazz)
* IXXII. Miles Davis Quintet Live in Sindelfingen 1964 (The Golden Age of Jazz)
* Miles Davis - Seven Steps to Heaven (Jazz Door)

1965:
* Miles Davis - E.S.P. (Columbia)
* Miles Davis - Cookin' at the Plugged Nickel (Columbia)
* Miles Davis - Complete Live at Plugged Nickel 1965 (CBS/Sony)
* Miles Davis at Plugged Nickel, Chicago, Vol. 2 (CBS/Sony)
* Miles Davis at Plugged Nickel, Chicago, Vol. 1 (CBS/Sony)

1966:
* Miles Davis - Gingerbread Boy, At Portland State College (Stone)
* Miles Davis - Miles Smiles (Columbia)

1967:
* The Studio Recordings of Miles Davis Quintet 65-68 (Mosaic)
* Miles Davis - Water Babies (Columbia)
* Miles Davis - Nefertiti (Columbia)
* Miles Davis - His Greatest Concert Ever (Jazzman JM)
* Miles Davis - Tempo di Jazz (Tempo di Jazz)
* Miles Davis - No Blues (Jazz Music Yesterday (JMY)

1968:
* Miles Davis - Miles in the Sky (Columbia)
* Miles Davis - Filles de Kilimanjaro (Columbia)
* Miles Davis - The Complete in a Silent Way Sessions (Mosaic)

1969:
* Miles Davis - In a Silent Way (Columbia)
* Miles Davis - 1969 Miles: Festiva de Juan Pins (CBS/Sony)
* The Selected Works of Chick Corea - Music Forever and Beyond (GRP)
* Miles Davis Interview, 4 Aug., 1969 (Columbia)
* Miles Davis - Bitches Brew (Columbia)
* Miles Davis - Double Image (Moon (It) MCD)
* IXXIII. Miles Davis Quintets: Bitches Brew Live (The Golden Age of Jazz (JZCD)
* Miles Davis - Spanish Key (Lunch for Your Ears)
* Miles Davis - Paraphernalia (Jazz Music Yesterday (It) (JMY)
* Miles Davis - Big Fun (Columbia)
* Miles Davis - The Complete Bitches Brew Sessions (Mosaic)

1970:
* Miles Davis - Live/Evil (Columbia)
* Miles Davis - A Tribute to Jack Johnson (Columbia)
* Miles Davis - Hill Auditorium, 2/21/'70 (Jazz Masters)
* Miles Davis - It's About That Time: Live at the Fillmore East, March 7, 1970 (Columbia/Legacy)
* Miles Davis at Fillmore West - Black Beauty (CBS/Sony)
* Miles Davis - Get Up with It (Columbia)
* Miles Davis at Fillmore (Columbia)
* V.A. - The First Great Rock Festivals of the Seventies - Isle of Wight - Atlanta Pop Festival (Columbia)
* Miles Davis - Fillmore West, 10/17/'70 (Jazz Masters)

1971:
* Miles Davis - Lennies on the Turnpike '71 (Jazz Masters)
* IXXIV. Miles Davis Band: Miles Davis + Keith Jarrett Live (The Golden Age of Jazz)
* Miles Davis - Neue Stadthalle, Switzerland (Jazz Masters)
* Miles Davis - Another Bitches Brew (Jazz Door)
* Miles Davis - Two Miles Live (Discurious)
* Miles Davis - Berlin and Beyond (Lunch for Your Ears) * Miles Davis in Sweden 1971 (Miles MD 1)
* Hooray for Miles Davis, Vol. 3 (Session Disc)

1972:
* Miles Davis - On the Corner (Columbia)
* Miles Davis in Concert (Columbia)

1973:
* Miles Davis - Black Satin (Jazz Masters)
* Miles Davis - More Live Evil (Zipperdeke)
* Miles Davis - Ife (Lunch for Your Ears)
* Miles Davis - "Isle of Wight" (Columbia)
* Miles Davis - Unknown Sessions 1973-1976, Vol. 1 (Kind of Blue KOB)
* Miles Davis - Call It What It Is (Jazz Music Yesterday)
* Miles Davis - Berlin '73 (Jazz Masters)
* Miles Davis - Palais des Sports, Paris 1973 (Jazz Masters)

1974:
* Miles Davis - Dark Magus (CBS/Sony)

1975:
* Miles Davis - Agharta (CBS/Sony (J) 28AP 2167/68)
* Miles Davis - Pangaea (CBS/Sony (J) 28AP 2169/70)
* Miles Davis - New York Bottom Line 1975 (Jazz Masters)

1980:
* Miles Davis - The Man with the Horn (Columbia FC)

1981:
* Miles Davis - Shout (12 inch maxi single) (Columbia)
* Miles Davis - We Want Miles (Columbia)
* V.A. - Jazz Beau Coup. (Columbia Sampler)
* Miles Davis - Miles! Miles! Miles!: Live in Japan '81 (CBS/Sony)

1982:
* Miles Davis - Moonlight Shadows (Megadisc)
* Miles Davis - Spring (Paradise)
* Miles Davis - The Second Spring (Paradise)
* Miles Davis - Star People (Columbia FC)
* Miles Davis - Forum, N.Y., 12/31/82 (Jazz Masters)

1983:
* Miles Davis - In the West (Jazz Masters)
* Miles Davis - Atmosphere (Four Beat Sounds)
* Miles Davis - Decoy (Columbia FC)
* Miles Davis in Warsaw '83 (Poli Jazz (Poland) PSJ X)

1984:
* Miles Davis - You're Under Arrest (Columbia FC)
* Miles Davis - This Is Miles!, Vol. 2 (CBS/Sony)

1985:
* Miles Davis - Aura (Columbia)
* Miles Davis - Miles Under Arrest: Live 1985 (Gema)
* Miles Davis - Human Nature (Jazz File JF)
* Miles Davis - The King of Priests (Flashback)
* Miles Davis - Pacific Express (Jazz Masters (G) JM)
* V.A. - Sun City (Manhattan MHS)
* V.A. - Sun City (12 inch maxi single) (Manhattan S14)
* Miles Davis - Unissued '85 (On Stage CD/ON)

1986:
* TOTO - Fahrenheit (Columbia FC)
* Miles Davis - Tutu (Warner Bros.)
* Miles Davis - Backyard Ritual (Warner Bros.)
* Prince - Crucial (H.T.B. Entertainment Group CD)
* Miles Davis - Full Nelson (12 inch maxi single) (Warner Bros.)
* Miles Davis - Social Music (Tiki Records)
* Miles Davis - Maze (Lunch for Your Ears)
* Miles Davis - Time After Time (Tiki Records)
* Miles Davis - High-Energy - Rhythm Attack (M.D.)
* Miles Davis - Street Scenes (Lunch for Your Ears)

1987:
* Miles Davis/Marcus Miller - Siesta (Warner Bros.)
* Miles Davis - Greek Theater '88 (Jazz Masters)
* Miles Davis - Scrooged: Original Motion Picture Soundtrack (A&M SP)
* Miles Davis - Antwerp Agitation (no label no number)
* Prince - Grosse Freiheit 36: Driving to Midnight Mess (Savarage)
* Scritti Politti - Oh, Patti (Virgin VST)

1988:
* Cameo - Machismo (Mercury)
* Miles Davis in Concert '88, Pt. 1 (Jazz Concert MDCD)
* Miles Davis in Concert '88, Pt. 2 (Jazz Concert MDCD)
* Chaka Khan - C.K. (Warner Bros.)
* Miles Davis Live Around the World (Warner Bros.)
* Miles Davis in Warsaw '88 (Poli Jazz (Poland))
* Miles Davis - Amandla (Warner Bros.)

1989:
* Kenny Garrett - Prisoner of Love (Atlantic)
* Quincy Jones - Back on the Block (Warner Bros.)
* Marcus Miller - The Sun Don't Lie (PRA)
* Miles Davis - Time After Time (Jazz Door (It) JD)
* Miles Davis Band Live Tutu (The Golden Age of Jazz)
* Miles Davis - Miles in Montreux (Jazz Door (It) JD)
* Miles Davis Live at Montreux Jazz Festival (Jazz Door) * Miles Davis - Miles in Paris (Four Aces )
1990:
* Miles Davis/Michel Legrand - Dingo (Warner Bros.)
* Miles Davis - The Hot Spot: Original Motion Picture Soundtrack (Antilles)
* Paolo Rustichelli - Capri (Verve-Forecast)
* Paolo Rustichelli - Mystic Man (Island/Guts & Grace)
* Miles Davis - Sing in Singen (Regency REG)
* Shirley Horn - You Won't Forget Me (Verve)

1991:
* Miles Davis - Doo-Bop (Warner Bros)
* Miles Davis - Blow/Fantasy (Warner Bros.)
* Miles Davis - The Doo-Bop Song EP (Warner Bros.)
* Miles Davis - Miles and Quincy Live at Montreux (Warner Bros.)
* Miles Davis - Black Devil (Beech Marten (It) BM)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Billie Holiday: um breve relato de blues

Falar de Billie Holiday é exaltar o nome de uma das maiores cantoras do século XX, considerada a primeira grande dama do jazz de todos os tempos, dona de uma voz única e sublime, que arrastava notas e dava à música uma nova roupagem em suas interpretações, influenciando uma legião de cantoras no mundo todo e perdurando seu legado por mais de cinco décadas após sua morte. Nasceu em 07 de abril de 1915, na Filadélfia, nos Estados Unidos. Teve uma infância humilde e conturbada, fomentada pelo desamparo materno, pelas dificuldades financeiras, pelo abuso sexual, passagens a reformatórios e iniciação à prostituição na adolescência. Sua mãe, Sarah Harris, muito pobre, separada do marido, não tinha condições de cuidar da filha, deixando Billie, que era até então apenas Eleonora Harris, seu nome de batismo, sob os cuidados da meia-irmã que, por sua vez, passou a menina para a responsabilidade de sua sogra. A pequena futura grande diva da música também passaria pela experiência de viver num reformatório. Posteriormente, ao voltar para os cuidados da mãe, onde passou a ajudá-la no restaurante construído, em Baltimore, seria abusada sexualmente por um vizinho. Mas, no lugar do homem que a abusou, a própria vítima foi quem sofreu as consequências, sendo levada novamente para um reformatório. Sim, a história de Billie é um dramático relato de blues, e não termina por aí. Na condição de pobre e negra, num país segregado pela discriminação racial, passou a oferecer serviços domésticos a um bordel local e, consequentemente, a se prostituir como forma de sobrevivência. E foi num dos quartinhos do bordel onde Billie trabalhava que ela, supostamente, ouviu na vitrola um disco de Louis Amstrong e Bessie Smith, apaixonando-se profundamente pelo som de ambos, que seriam as suas maiores influências musicais. A partir daí o espírito jazzístico passara a nutrir sob a alma blue da jovem, que começou a cantar no mesmo bordel de Baltimore. Em 1929, foi detida ao lado da mãe e de outras prostitutas, passando cem dias num reformatório. Logo depois, vai morar no Brooklyn com a mãe, atuando como cantora em bordeis e boates da cidade, como também nos Queens de Nova Iorque. Em 1933, a carreira de Billie tomaria o primeiro grande impulso quando foi ouvida pelo produtor John Hammond, num pequeno clube nova iorquino. Hammond teria ficado impactado com a sensibilidade vocal da jovem cantora, na época, ainda com 17 anos. Em novembro, vai para o estúdio pela primeira vez, acompanhada pela orquestra clarinetista de Benny Goodman. O nome Billie Holiday surgira por conta do pai da cantora, Clarence Holiday, um guitarrista de Baltimore, de quem Eleonora passou a usar artisticamente o sobrenome. Já para o “Billie”, há duas versões: a primeira, de que o pai da jovem costumava chama-la de Bill, e daí fez o salto; e a segunda, porque a cantora, quando menina, adorava ir ao cinema para assistir a atriz Billie Dove, grande estrela do cinema mudo. Pode-se dizer que os anos 30 e 40 foram o grande apogeu da cantora, que deixou em vida mais de 130 gravações, ao lado de grandes orquestras jazzísticas como as de Duke Ellington, Cout Basie e Teddy Wilson, assim como parcerias, posteriores, com o pianista Oscar Peterson e o baixista Ray Brown, na década de 50. Viveu uma vida turbulenta, cercada por altos e baixos, impulsionados por seus conturbados relacionamentos amorosos, que resultaram em três casamentos com homens oportunistas e violentos, e pelo vício degradante de drogas e bebida, o que afetaria, pouco a pouco, sua saúde física e a jovialidade de sua voz, que já na década de 40 mostrava sinais de declínio. Mesmo tornando-se uma grande estrela reconhecida internacionalmente, Lady Day, apelido concedido pelo amigo e saxofonista Lester Young, sofreu constantes discriminações em passagens por hotéis e restaurantes, por sua condição de mulher negra, revelados pela própria em entrevistas. “Strange fruit”, composição de Lewis Allan, pseudônimo do escritor Abel Meeropol, judeu comunista de Nova Iorque, e eternizada na voz de Billie, em 1939, relata como nenhuma outra a grande violência regida contra os negros, e tornou-se um símbolo da luta contra a discriminação racial. O fruto estranho citado na música fazia alusão aos linchamentos ocorridos principalmente no sul dos Estados Unidos, onde os corpos dos negros linchados ficavam expostos pendurados numa árvore. O mais assustador é deparar com as fotografias antigas da época e ver a naturalidade das pessoas frente aos cadáveres. O mesmo impacto fez com que Lewis Allan se inspirasse na letra de “Strange fruit”. Em 2012, foi lançado no Brasil o livro Strange fruit: Billie Holiday e a biografia de uma canção, escrito pelo jornalista David Margolick, com tradução de José Rubens Siqueira, editado pela Cosaic Naify, que reflete sobre a emblemática canção no momento de seu lançamento e todo o seu contexto histórico ligado à violência contra os negros nos Estados Unidos e a sua influência com o passar das décadas. Nos anos 50, quase esquecida pelo público, pelos empresários e pelas gravadoras, embora na Europa seu nome ainda cativasse as plateias, após sua volta aos Estados Unidos Billie decide escrever sua autobiografia como estratégia de marketing para que seu nome fosse novamente impulsionado na grande imprensa norte-americana de forma positiva, já que os últimos anos, agravados pelos excessos relacionados ao consumo de drogas e bebida e passagens pela prisão, tinham desfavorecido sua popularidade. O que seria a autobiografia intitulada Lady sings the blues, nem sequer foi, de fato, escrita. O jornalista Willian Dufty, o escritor fantasma contratado pelo terceiro marido de Billie, supostamente interessado em faturar em cima do nome da esposa, apresentou um trabalho biográfico um tanto quanto falseado e apelativo, beirando a comiseração, sabendo que tais ingredientes estimulariam as vendas. Contudo, a autobiografia romanceada de Lady Day ao menos devolveu um pouco da fama à cantora, que se mostrava cada vez mais vulnerável e com a saúde debilitada. Embora os últimos anos de Billie tenham sido depressivamente instáveis, com passagens mal sucedidas em clínicas de reabilitação e experiências nada agradáveis com a justiça, é possível encontrar belos achados daqueles anos na internet, em apresentações na Europa e nos Estados Unidos, como em 8 de dezembro de 1957, no The sound of jazz, programa estadunidense de grande audiência na época, nos estúdios da CBS, onde foi convidada para cantar, ao lado do saxofonista Lester Young, a canção “Fine and mellow”. Considerado um dos melhores registros da última década de sua vida. Na manhã do dia 17 de julho de 1959, morria, aos 44 anos, a primeira grande dama do jazz. E, como no caso de outros artistas que partiram cedo, a morte de Billie apenas alavancou ainda mais sua popularidade e fez de Lady Day uma das maiores lendas do jazz de todos os tempos. Onde quer que se fale sobre o gênero, é quase inevitável que seu nome seja citado. (Fonte: Márwio Câmara,10/05/2013)
Boa leitura - Namastê

sábado, 29 de novembro de 2008

Roberto Muggiati - Improvisando Soluções

ENTREVISTA EXCLUSIVA - Roberto Muggiati

O blog JazzMan! tem a enorme honra de entrevistar o jornalista Roberto Muggiati, um dos mais importantes escritores e historiadores de jazz em nosso país.


Por Leonardo Alcântara (JazzMan!)
Colaboração: Fernanda Melonio e Vagner Pitta

O jornalista curitibano Roberto Muggiati tem sido nos últimos anos uma verdadeira autoridade no que tange à difusão do jazz entre os brasileiros. Com diversas publicações sobre o gênero, Muggiati consegue mostrar ao leitor, com uma linguagem agradável e elegante, que o jazz não é nenhum bicho de sete cabeças e que está além de um simples gênero musical, podendo ser utilizado como fonte de inspiração para diversas situações e decisões ao longo da vida.

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Esta idéia é reforçada em seu último lançamento Improvisando Soluções: o Jazz como Exemplo para alcançar o Sucesso (Best Seller, 2008), onde o escritor cita diversos exemplos de jazzistas que superaram as mais variadas adversidades para impor a sua arte. Superação e improviso fazem parte da história e da estética do jazz, onde seus vitoriosos protagonistas transformaram vivências e sentimentos em uma arte espontânea, que permanece viva há mais de um século.

Roberto Muggiati estará no dia 05/12, em Curitiba, sua cidade-natal, para o lançamento do livro Improvisando Soluções: o Jazz como Exemplo para alcançar o Sucesso. Antes disso, ele generosamente nos concedeu a entrevista abaixo.

JazzMan!: O que foi que te chamou a atenção no jazz? Como foi o processo até se tornar um dos grandes escritores brasileiros do gênero?

Roberto Muggiati: Com pouco mais de dez anos de idade, ao ouvir naquelas velhas bolachas de 78 rotações-por-minuto os sons de Art Tatum, Nat King Cole, Louis Armstrong e Duke Ellington, percebi que aquela música era diferente das demais — era mais viva, mais inteligente, menos previsível e programada. Daí para o bebop de Charlie Parker e Dizzy Gillespie, para as invenções pianísticas de Bud Powell e Thelonious Monk, para o saxofone cool de Lester Young, foi a descoberta do jazz moderno, complementado depois pela escola da Costa Oeste (Stan Getz, Gerry Mulligan e Chet Baker, Shorty Rogers e seus grupos, a orquestra de Stan Kenton).

Como escrevia desde pequeno, a carreira enveredou para o jornalismo (e depois para os livros) e escrever sobre jazz — a música que amava acima de todas, foi um passo natural.

JM: Desde 2005 estamos tendo uma onda crescente de festivais de jazz pelo país. Os Festivais de Ouro Preto e Rio das Ostras já são reconhecidos como alguns dos melhores do mundo. Você acredita que prefeituras, produtoras e empresários estão descobrindo o poder do jazz?

RM: Com certeza. Você já ouviu falar dos festivais de Manaus, de Guaramiranga (no Ceará), de Joinville (Santa Catarina) e dezenas de outros “pocket festivals” nas capitais do Brasil. A maioria conta com patrocinadores públicos ou privados, indicação de que os marqueteiros descobriram finalmente o poder de penetração do jazz e a sua marca de qualidade e sofisticação.

JM: Como você avalia a difusão do jazz no Brasil?

RM: Ainda é pequena, apesar dos sites e blogs que existem. Mas publicações especializadas são raras, ou sazonais. Se você se der conta de que uma revista de uma grande editora sobre rock – a Bizz, da Abril – deixou de circular, a situação é ainda mais difícil para o jazz. Mas, graças principalmente à internet, o jazzófilo – como o jazzista – sabe se virar e encontra suas fontes de informação.

JM: No livro New Jazz: de volta para o futuro, você escreve a respeito de músicos que ficaram conhecidos como os Young Lions, surgidos nos anos 80 e 90 com a proposta de preservar uma tradição jazzística. Quais as diferenças entre essa geração mais recente e as anteriores, das décadas de 60 e 70, e quais as contribuições dos Young Lions para o futuro do jazz no século XXI?

RM: A geração dos irmãos Marsalis & Cia teve mais acesso do que as anteriores ao aprendizado não só do jazz, como da música em geral. (Muitos, como Wynton e seu irmão saxofonista Branford, são também exímios executantes do repertório erudito). Mas esta geração – embora toque admiravelmente bem – se viu condenada a uma releitura de todas as escolas do jazz que a antecederam, sem a capacidade de criar algo “novo”. (Este problema da criação do “novo” se aplica também a todas as outras artes: pintura, literatura, teatro, etc. — é uma espécie de característica da época, um momento, talvez, de apreender tudo o que já foi feito antes de começar algo novo, um momento de espera).

JM: O crítico inglês Stuart Nicholson, em seu livro Is Jazz Dead? (Or Has It Moved to a New Address), gerou polêmica ao dizer que o jazz europeu detém os reais inovadores do jazz contemporâneo, pois essa geração de Wynton Marsalis cristalizou o jazz em uma música baseada no tradicionalismo e esqueceram da necessidade de criatividade e inovação. Você concorda com as palavras de Nicholson?

RM: Nem o jazz morreu, nem se mudou para um novo endereço (a comunidade dos euros). Podemos dizer que se espraiou por uma série de novos endereços e, registre-se aí, além da contribuição européia, as contribuições latino-americana (Brasil, Argentina, Cuba, México), asiática (Japão, China, etc), africana e por aí vai.

JM: Como você avalia os músicos que surgiram a partir dos anos 2000? Qual a proposta da nova geração?

RM: É uma geração pulsante de talentos, experimentando todo tipo de formatos musicais e explorando todas as possibilidades no campo da instrumentação. A meu ver, um fato importante é a ascensão da mulher, não mais presa ao papel da crooner, mas competindo com os homens em instrumentos “viris” como o contrabaixo, a bateria, o trombone e o saxofone. Sem mencionar que a grande band-leader e orquestradora da década é uma mulher, Maria Schneider.

JM: Fale-nos um pouco sobre o Improvisando Soluções, seu mais recente livro. Como surgiu a idéia de escrevê-lo?

RM: Como eu relato no próprio livro, a idéia tomou corpo a partir de um curso que dei em Porto Alegre em fevereiro de 2006, no Espaço Cultural Santander, sobre os Cem Anos do Jazz, três palestras de três horas que tiveram a ocupação da sala completa, incluindo homens e mulheres nas faixas etárias de 16 a 80 anos. A receptividade deste público de quase cem pessoas me despertou a idéia de escrever um livro sobre “vivências do jazz”, sem elaborar demais na parte técnica ou musical, mas enfatizando as lições de vida dos mestres do improviso.

JM: Neste livro, você relata uma passagem em que o jazz o salvou de um suicídio. Em algum outro momento o jazz o influenciou em outras decisões importantes?

RM: Não só nesta ocasião crítica, mas em situações do dia-a-dia, o jazz sempre contou muito em minha vida — na tentativa de tocar saxofone, estudando dez anos com o Mauro Senise, como na cobertura de shows e festivais, na descoberta de novos álbuns dos grandes mestres e também de músicos “menores” porém altamente significativos. O jazz sempre atuou no meu mecanismo de memória como a famosa “madeleine” proustiana, cada época ou momento de minha vida amarrado a esta ou aquela música. Basta ouvir hoje, por exemplo, Sarah Vaughan cantando Over the Rainbow acompanhada do saxofonista Cannonball Adderley que eu viajo na máquina do tempo até aquele ano mágico de 1958, meio século atrás, e revivo exatamente o que eu fazia, o que eu sentia na ocasião.

JM: Você cobriu o Festival de Montreux (1985 a 1988) e a maioria das edições do antigo Free Jazz. Quais as lembranças mais marcantes destes festivais?

RM: Existem os punti luminosi, como as apresentações de Hermeto e o dueto de Hermeto com Elis (1979), de João Gilberto (1985), a volta de Miles Davis aos palcos (1985), tudo isso em Montreux, a big band de Gil Evans no Hotel Nacional, o show grátis de Sonny Rollins no Parque da Catacumba, no Rio, a entrevista exclusiva de uma hora com Chet Baker e sua apresentação no primeiro Free Jazz, em 1985; a Mingus Band com Elvis Costello no MAM; ali mesmo, o conhecimento dos novos talentos de Terence Blanchard, Nicholas Payton, James Carter, John Pizzarelli, a comovente apresentação de Michel Petrucciani no Hotel Nacional; e, também ali, a do veterano violinista Stephane Grappelli; a maestria de veteranos como Lee Konitz, Art Farmer e Johnny Griffin. Rever Griffin (no Rio) e Dexter Gordon (em São Paulo 1980 e Montreux 1986) foi viajar de volta a Londres em 1962-63, quando eles passaram cada um um mês inteiro no Ronnie Scott's Jazz Club. Dizzy Gillespie e sua United Nation Orchestra no Free Jazz. Enfim, são momentos marcantes de música, que a gente não esquece jamais.

JM: Uma última pergunta para descontrair: no hino do Flamengo há os versos que dizem: "Eu teria um desgosto profundo/Se faltasse o Flamengo no mundo...". Se fosse o jazz que faltasse, como seria?

RM: Eu teria um desgosto profundo se o jazz faltasse, mas isso nunca vai acontecer. A propósito, há uma cantoria que rola nos estádios brasileiros entre as torcidas que é puro jazz, o refrão de When the Saints Go Marchin' In — tararará, tararará, tararará-rá-rá-rá-rá, tarará, tará, tarára, tarará, rá-rá-rá-rá! Repito a você a pergunta que até hoje ninguém me respondeu: como foi que está canção de New Orleans veio parar nas arquibancadas do Maracanã? Tenho a minha teoria: ela chegou através das charangas, aquelas bandinhas de torcida, como a famosa banda do Bangu e a Charanga do Flamengo, que captaram When the Saints através de discos ou até através das apresentações pela rádio e TV do incrível Booker Pitman. É um mistério digno de uma profunda pesquisa. Quem se habilita? JM

Título: Improvisando Soluções
Autor: Roberto Muggiati
Editora: Best-Seller
Ano: 2008
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