Artista: Charley Patton & John Lee Hooke
Lançamento: 2001/02/03
Selo: Habana
Gênero: Chicago Blues, Country Blues, Delta Blues, Harmonica Blues, Jump Blues,
Louisiana Blues, Piano Blues, Rhythm & Blues, Texas Blues, East Coast Blues
Les Triomphes du Blues — Volume 01: "Du Delta à Detroit", abre o primeiro volume da aclamada coleção francesa "Les Triomphes du Blues" (lançada pelo selo Habana) traz o subtítulo sugestivo "Du Delta à Detroit" (Do Delta a Detroit), obra funcional como uma verdadeira cartografia sonora e antropológica, traçando a linha de evolução e migração do blues rural primitivo do sul dos Estados Unidos até as correntes urbanas e industrializadas do norte. O conceito e a rota geográfica (do Delta a Detroit) mapeia a grande rota de migração da população negra americana (frequentemente chamada de Great Migration), que deixou as plantações de algodão do Delta do Mississippi em direção aos grandes centros industriais do Centro-Oeste, como Detroit e Chicago, em busca de melhores condições de vida e trabalho nas fábricas automobilísticas. O CD reflete essa transição estética, começa com o som rústico, acústico e visceral das margens do rio Mississippi e culmina no blues elétrico, magnético e hipnótico das metrópoles industriais. Os músicos em destaque divide-se essencialmente entre a genialidade fundadora de dois grandes pilares de eras distintas: Charley Patton (O patriarca do Delta), Considerado por muitos historiadores como o verdadeiro "pai do Delta blues", Patton é a voz da primeira metade do disco. "Spoonful Blues", "Revenue Man Blues" e "Mississippi Bo Weavil Blues" são faixas marcantes, sua performance vocal era estridente, áspera e cortante, projetada para ser ouvida em juke joints barulhentos sem amplificação elétrica. John Lee Hooker (O Rei de Detroit), representando a chegada ao norte industrial, Hooker traz a batida magnética baseada em um único acorde (one-chord boogie), carregada de tensão urbana. O clássico revolucionário "Boogie Chillen", "Hobo Blues" e "Crawling King Snake" são seus destaques sonoros e sua pegada modernizada do gênero, preparando o terreno para o advento do rock and roll. Instrumentos e sonoridade. O contraste instrumental é um dos maiores atrativos técnicos deste volume, era acústica (O Delta) predomínio absoluto do violão de aço (muitas vezes tocado com bottleneck ou slide de metal/vidro para imitar o som de lamentos vocais) e a stomping rhythm (batidas de pé no chão de madeira para marcar o ritmo). Marcas de violão clássicas da época, como os modelos da Stella e Gibson, ditavam a sonoridade estalada e ressonante. A era elétrica (Detroit), introdução marcante da guitarra amplificada (com destaque para o uso primitivo de distorção valvulada e microfonação direta de amplificadores compactos), além da introdução da pulsação estática e hipnótica que simulava o ritmo das máquinas das fábricas de Detroit. Já os locais de gravação e contexto histórico nas faixas presentes neste volume resgatam gravações originais de arquivo extraídas de antigas sessões em campos móveis de gravadoras (como a Paramount Records) em hotéis do Sul rural durante os anos 1920 e 1930, migrando posteriormente para estúdios urbanos em Detroit e Chicago nos anos 1940. O processo de remasterização presente nesta edição francesa buscou limpar os chiados excessivos dos discos originais de 78 RPM sem eliminar a atmosfera crua e analógica da época. Itens de enriquecimento e curiosidades na estética do Box: A coleção original francesa destaca-se pelo cuidado editorial, trazendo capas em estilo cardboard sleeves (réplicas miniaturas dos compactos/LPs originais) e livretos informativos. O impacto cultural ao scutar este volume em sequência permite entender como o desespero econômico do pós-depressão no campo ("Revenue Man Blues") transformou-se na urgência urbana e autoral do homem livre nas ruas de Detroit ("Boogie Chillen"). Uma audição obrigatória para compreender a transição de raiz do blues primitivo para a modernidade elétrica.
Boa audição - Namastê



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