sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Boxset: Triumphs Of The Blues (20xCD's) CD17

Artista: VA
Lançamento: 2001/02/03
Selo: Habana 
Gênero: Chicago Blues, Country Blues, Delta Blues, , Jump Blues, Louisiana Blues, Piano Blues, Rhythm & Blues, Texas Blues, East Coast Blues, Vaudeville Blues


Inserido na colosso documental Les Triomphes du Blues — uma caixa monumental de 20 CDs que mapeia as raízes do blues sob a ótica de colecionadores europeus —, o Volume 17 (subintitulado Jug Bands, Washboards) destaca-se como um dos artefatos mais visuais e texturais de toda a coleção. O concepção física do volume costuma integrar edições compactas em digipak ou encartes unificados do box principal, mantendo uma direção de arte sóbria com tipografia rústica. Documentação textual e iconografia do encarte oferece um ensaio antropológico fascinante. As fotografias de época selecionadas mostram grupos de rua tocando instrumentos de improviso nas esquinas de Memphis e Louisville, criando uma ponte visual imediata com a estética da Grande Depressão norte-americana. Dinâmica cronológico-musical e o contexto antropológico deste volume opera em uma frequência distinta da maioria dos compêndios de blues tradicional: em vez da introspecção solitária do Delta ou da eletricidade urbana de Chicago, somos transportados para a polirritmia comunitária de rua. A gênese do DIY (Do It Yourself), audição cronológica revela como a pobreza estrutural estimulou a genialidade rústica. Pedaços de madeira, garrafas de cerâmica, kazoos de papelão e tábuas de lavar roupa transformam-se em uma orquestração densa e sincopada. A transição estilística do repertório expõe a linha tênue onde o ragtime de varanda colide com o vaudeville rural e o proto-blues, provando que o blues pré-guerra também era uma música altamente festiva, de dança e de entretenimento popular urbano itinerante. Ordem de catálogo, épocas, estilos e erincipais músicos abrangendo o arco temporal de ouro das gravações acústicas e elétricas primitivas entre 1924 e a transição para os anos 1940, o catálogo deste volume estrutura-se da seguinte forma: Jug Band Blues do uso marcante do jarro de barro para criar linhas de baixo encorpadas, abafadas e percussivas. Washboard/Spasm Band Rhythms do atrito metálico e cortante das dedeiras sobre a superfície ondulada da tábua de lavar, gerando uma subdivisão rítmica frenética. Rural String/Skiffle Primitivo da simbiose entre o banjo de quatro cordas, o violão rústico e o kazoo. Principais músicos e agrupamentos do catálogo tem Memphis Jug Band o pilar absoluto do gênero, liderado pelo visionário Will Shade. Washboard Sam & The Washboard Rhythm Kings, mestres na condução rítmica baseada na percussão de fricção doméstica. Conjuntos satélites e regionais de formações do circuito sulista de jook joints e feiras itinerantes (medicine shows). Curiosidades do repertório e engenharia social da acústica do jarro (Jug)mescra o tocar do jarro exigindo uma técnica labial rigorosa idêntica à de instrumentos de sopro de bocal grave, gerando uma frequência subgrave primitiva antes mesmo da invenção dos amplificadores de baixo. As sessões de Rua nos Anos 20 são em muitas destas faixas capturadas por engenheiros de som itinerantes da Victor ou Okeh usando microfones únicos suspensos em tetos de hotéis improvisados, capturando o som ambiente das ruas junto à performance. Sua receptividade audiófila e mercado fonográfico esta voltada para colecionadores de raiz (roots music), os volumes dedicados a Jug Bands possuem status de raridade cultuada. O desafio tecnológico para o audiófilo desse material de base provém exclusivamente de discos de 78 RPM originais extremamente raros e desgastados pelo uso em gramofones de corda da época. Há saturação inerente, estalos mecânicos e uma resposta de frequência limitada aos médios. Seu veredito crítico e sonoridade em comparação enquanto sistemas de som analógicos de alta fidelidade ultrarretilíneos podem evidenciar a crueza e o chiado das transferências, a curadoria de Les Triomphes du Blues evitou o uso excessivo de filtros digitais de supressão de ruído (de-noising drástico). O resultado é uma preservação notável do timbre "poroso" e texturizado dos kazoos, dos jarros e do raspar metálico, entregando uma experiência arqueológica genuína, indispensável para quem compreende que a alma do blues reside na urgência expressiva, e não na perfeição laboratorial de estúdio.

 Boa audição - Namastê

Nenhum comentário: