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segunda-feira, 6 de julho de 2026

Boxset: La Grande Histoire Du Jazz, do Ragtime ao Swing 1898-1952 (25CDs)

Lançamento: 2009
Selo: Le Chant du Monde 
Gênero: Swing, Ragtime, Big Band, Early Jazz, New Orleans Jazz, Dixieland, Harlem Stride Piano, Gipsy Jazz (Jazz Manouche), Negro Spirituals/Gospel


O crepúsculo do ragtime e a aurora do swingm a alquimia da modernidade se encontra no sexto volume desta monumental coleção francesa situa-se na encruzilhada definitiva da história do jazz: o período entre o final da década de 1920 e o limiar dos anos 30. Este recorte temporal não é apenas uma sucessão de datas, mas a crônica da transição do jazz enquanto "música de entretenimento regional" para o jazz como "linguagem cosmopolita". O CD 6 atua como o documento fundamental que sela o declínio definitivo das raízes coletivas do New Orleans e a ascensão da individualidade virtuosa e da organização orquestral que pavimentaram a era do Swing. A temáticam o pano de fundo deste volume é a "Grande Migração" e a urbanização desenfreada dos Estados Unidos. Esteticamente, o disco é marcado por um contraste fascinante: de um lado, a rusticidade quase telúrica de Johnny Dodds e Jelly Roll Morton, que mantêm o fogo da tradição crioula; do outro, a sofisticação urbana e o brilho metropolitano de Duke Ellington e Fletcher Henderson (via a presença dos McKinney's Cotton Pickers). Há uma tensão cultural palpável entre o jazz como catarse coletiva e o jazz como arte projetada, onde a escuridão dos clubes de Chicago encontra o glamour crescente do rádio e do disco de vinil. A Construção do Gênero evolutiva técnica aqui documentada é um estudo de caso sobre o refinamento da linguagem: A Revolução do Solista: O papel do instrumento muda drasticamente. Com Louis Armstrong e Earl Hines, o improviso deixa de ser um ornamento coletivo para tornar-se uma declaração de intenções individual — uma narrativa própria dentro da peça. A Arquitetura do Som: A transição técnica é visível na estrutura de grupos como The Missourians e Bennie Moten. Observamos aqui o nascimento do riff como elemento estruturante e o aprimoramento dos naipes (metais e palhetas) que começam a atuar em "chamada e resposta". A rítmica presença de Pinetop Smith (com seu boogie-woogie seminal) e Fats Waller exemplifica a consolidação de uma base rítmica mais insistente, o "4/4" que logo substituiria o balanço sincopado do Ragtime. O encontro da vanguarda inclusão de Frankie Trumbauer e Eddie Condon revela a intersecção do jazz com o lirismo melódico, desafiando a premissa de que o gênero deveria ser apenas agressivo ou frenético. A curiosidades históricas a morte de um gênio, inclusão de Pinetop Smith é um lembrete trágico; o pianista foi assassinado em 1929, pouco depois de gravar suas definições seminais de boogie-woogie, mal vivendo para ver o impacto que sua técnica de mão esquerda teria em todo o rock and roll futuro. O "som de Nova York"m as gravações de McKinney's Cotton Pickers são fascinantes por mostrarem como uma orquestra sediada em Detroit conseguiu "capturar" o som polido de Nova York, sendo uma das poucas bandas da época capazes de rivalizar com Ellington em sofisticação de arranjo. Tecnologia e intimidade na maioria destas faixas foi gravada utilizando o processo de gravação elétrica (introduzido em meados dos anos 20), que permitiu a captação de frequências graves antes impossíveis, conferindo a esse CD uma presença física (o timbre do contrabaixo e o brilho do clarinete de Jimmie Noone) que parece desafiar os quase 100 anos de história. Este volume é sem soma de duvida uma cartografia da evolução do intelecto musical afro-americano. Ao equilibrar nomes como Henry "Red" Allen — um trompetista que subverteu a lógica de Armstrong — com a elegância de Clarence Williams, o CD 6 não é meramente um repositório de música "antiga". É um arquivo vivo da modernização da cultura do século XX. Para o ouvinte atento, este disco revela que o jazz não "nasceu" pronto; ele foi sendo construído, nota por nota, através de uma negociação constante entre a tradição dos ancestrais e o desejo audacioso de inovação dos seus solistas. Um registro indispensável para compreender a espinha dorsal do que chamamos de música moderna. Como historiador musical, qual dos artistas presentes neste recorte — o virtuosismo pianístico de Earl Hines ou o arranjo orquestral de Duke Ellington — você acredita ter exercido a influência mais determinante para o que viria a ser o padrão do Jazz na década de 1940?
Boa audição - Namastê

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Boxset: La Grande Histoire Du Jazz, do Ragtime ao Swing 1898-1952 (25CDs)

Lançamento: 2009
Selo: Le Chant du Monde 
Gênero: Swing, Ragtime, Big Band, Early Jazz, New Orleans Jazz, Dixieland, Harlem Stride Piano, Gipsy Jazz (Jazz Manouche), Negro Spirituals/Gospel

A alvorada da era das grandes orquestras e a geometria do som moderno:
O CD 05 da antológica coleção La Grande Histoire Du Jazz marca o encerramento do primeiro grande ciclo de maturação do gênero na década de 1920. Situado cronologicamente no limiar entre o amadurecimento do jazz de Chicago e a ascensão definitiva de Nova York como a capital financeira e artística da música americana, este volume documenta o momento exato em que o jazz deixa de ser uma música de pequenas formações improvisadas e passa a abraçar a complexidade das grandes orquestras, sem jamais perder o cordão umbilical com o Blues e a tradição espiritual negra. A temática, o contraste entre o primitivismo urbano e o estilo "Jungle", pano de fundo cultural deste volume moldado pela migração em massa dos músicos em direção aos grandes centros urbanos do Norte, impulsionando a era dos cabarés e a sofisticação da vida noturna no Harlem. A grande temática deste CD é a mercantilização e a elevação artística do jazz: O nascimento do estilo "Jungle" com a entrada triunfal de Duke Ellington nesta tapeçaria histórica, o jazz ganha uma nova narrativa visual e sonora, misturando mutações expressivas nos metais com harmonias exóticas para saciar a demanda dos palcos nova-iorquinos. A coexistência de eras o volume cria um contraste estético fascinante ao colocar no mesmo plano o lirismo introspectivo de Bix Beiderbecke, o fervor religioso tradicional do Reverend Gates e a visceralidade das divas do Blues como Bessie Smith e Ma Rainey, que continuavam a injetar a herança folclórica do sul na nascente indústria fonográfica moderna. A construção do gênero a arquitetura da Big Band e a expansão harmônica nusicalmente, o CD 05 testemunha o início da transição formal do Hot Jazz clássico para o alicerce do Swing. A engenharia do gênero evolui drasticamente através de pontos-chave, a revolução orquestral de Duke Ellington diferente de Fletcher Henderson, que usava arranjos baseados no formato de pergunta e resposta entre blocos de instrumentos, Ellington passa a compor pensando nas individualidades de seus músicos. Ele transforma a orquestra em um laboratório de timbres inéditos, usando surdinas e efeitos "growl" (rugidos) nos trompetes e trombones. A flexibilização do ritmo territorial, formações como a de Bennie Moten refinam a "Kansas City Shuffle", trazendo uma pulsação rítmica baseada em riffs em loop que dava mais peso ao contrabaixo e à bateria, libertando os solistas de sopro para improvisações mais longas. A consolidação da linguagem dos solistas seja na elegância melódica dos The Charleston Chasers, no virtuosismo técnico de Louis Armstrong ou nas linhas sinuosas do clarinete e trompete nos New Orleans Wanderers, o papel do solista passa a ditar a estrutura do arranjo. O piano, sob a liderança de mestres como Jelly Roll Morton, Luis Russell e o Stride ágil de Cliff Jackson, abandona definitivamente os últimos resquícios do Ragtime em prol de um balanço polifônico totalmente modernizado. A curiosidades históricas da tecnologia elétrica à resiliência de Lovie Austin e a revolução do microfone e dos Detalhes de Bix no final dos anos 1920 consolidou de vez a gravação elétrica. Essa transição tecnológica foi fundamental para capturar a sonoridade sutil de Bix Beiderbecke e dos California Ramblers. Pela primeira vez, as nuances harmônicas do piano de Frank Banta e os tons suaves do cornete de Bix podiam ser ouvidos sem a distorção estridente das antigas trompas acústicas. Lovie Austin e o protagonismo feminino nos bastidores embora a história frequentemente destaque os líderes homens, faixas que contam com a direção de Lovie Austin relembram que ela foi uma das pianistas, arranjadoras e diretoras musicais mais requisitadas de Chicago, escrevendo e conduzindo sessões cruciais para as maiores vozes do Blues daquela década. A persistência exótica dos Jug Blowers presença contínua de grupos como os Dixieland Jug Blowers com a faixa "Banjoreno" serve como uma curiosidade arqueológica: mesmo no auge da sofisticação de Nova York, o público urbano ainda mantinha um fascínio nostálgico pelas texturas rústicas do sul profunda, mantendo instrumentos folclóricos de cerâmica nas paradas de sucesso da época. O CD 05 de La Grande Histoire Du Jazz coroa o fechamento de uma era de ouro e abre as portas da modernidade. Ele funciona como o elo definitivo que amarra as correntes dispersas do jazz primitivo à maturidade estética das grandes orquestras. Ao colocar lado a lado o lamento sagrado, o blues rústico e as primeiras obras-primas arquitetônicas de Duke Ellington e Fletcher Henderson, este volume se consolida como uma peça documental extraordinária, indispensável para compreender como o jazz se preparou para conquistar o mundo na década seguinte.


Boa audição - Namastê

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Boxset: La Grande Histoire Du Jazz, do Ragtime ao Swing 1898-1952 (25CDs)

Lançamento: 2009
Selo: Le Chant du Monde 
Gênero: Swing, Ragtime, Big Band, Early Jazz, New Orleans Jazz, Dixieland, Harlem Stride Piano, Gipsy Jazz (Jazz Manouche), Negro Spirituals/Gospel

A consolidação da linguagem urbana e a expansão das fronteiras estéticas:
O CD 04 da monumental coleção La Grande Histoire Du Jazz dá continuidade direta ao mapeamento cirúrgico de meados dos anos 1920, um período de efervescência sem precedentes onde o jazz deixa de ser uma expressão puramente regional para se consolidar como a trilha sonora da modernidade urbana norte-americana. Este volume captura o amadurecimento das primeiras grandes lendas do gênero e o surgimento de linguagens periféricas que, integradas aos centros urbanos de Chicago e Nova York, expandiram definitivamente os limites da música improvisada. A temática, o diálogo entre o sagrado, o Profano e a sofisticação urbana é o pano de fundo cultural deste volume marcado pelo contraste e pela hibridização. O jazz desse período opera em múltiplas esferas sociais simultaneamente: O Lamento e a resistência do Blues personificado pelas vozes viscerais de Bessie Smith e Ma Rainey que traziam a crueza e o peso das experiências do sul para os palcos dos teatros urbanos. A espiritualidade de raiz, a presença de líderes como o Reverend Gates ilustra a indissociável conexão entre o fervor das igrejas afro-americanas — com seu formato de chamada e resposta — e a fundação rítmica e emocional do jazz. A ascensão da noite e das orquestras em contrapartida a essa ancestralidade, a sofisticação de Nova York e o vigor das Territory Bands (como a de Bennie Moten em Kansas City) transformavam o jazz em uma arte urbana de entretenimento requintado e dança frenética. A construção do gênero, o Nascimento do arranjo moderno e o contraponto dos sopros musicalmente, as faixas deste volume documentam um salto técnico impressionante na engenharia do gênero: Fletcher Henderson e a gênese do Swing ao organizar sua orquestra dividindo os instrumentos em nações de sopro (palhetas contra metais), Henderson lança as bases da era das Big Bands. A inserção de Louis Armstrong em sua engrenagem trouxe o balanço do swing que faltava ao rigor dos arranjos escritos de Nova York. O lirismo de Bix Beiderbecke enquanto Armstrong definia o estilo "Hot" com ataques agressivos e notas agudas brilhantes, Bix (junto a grupos como The Stomp Six e The Charleston Chasers) apresentava uma alternativa estética baseada em notas puras, escolha harmônica introspectiva e uma abordagem melancólica, plantando as sementes do que viria a ser o jazz cerebral nas décadas seguintes. A estruturação de ritmo e piano de piano Stride de Cliff Jackson ao estilo orquestral de Jelly Roll Morton e Luis Russell, o instrumento se liberta do tempo rígido do Ragtime. As linhas de baixo de Lovie Austin e a rítmica vigorosa de Kansas City de Bennie Moten em "Kansas City Shuffle" consolidam uma fundação rítmica muito mais maleável e propícia para o solista. Curiosidades históricas, entre garrafões de cerâmica e o sucesso de Vaudeville, os Dixieland Jug Blowers e o som rústico uma das maiores curiosidades deste volume é a inclusão de faixas como "Banjoreno", que trazem a instrumentação exótica das jug bands. O uso de garrafões de cerâmica (soprados para emular tubas ou contrabaixos) coexistindo nos mesmos discos que o piano sofisticado de Frank Banta demonstra o quão elástica e inclusiva era a definição de jazz naquele momento. Ethel Waters e a transição para o pop e  diferente de Ma Rainey, Ethel Waters trazia uma dicção mais limpa e refinada, moldada pelo teatro de Vaudeville. Sua presença indica o exato momento em que a indústria fonográfica percebeu o imenso potencial comercial da música negra para além do mercado de nicho (race records). Os "Ramblers" e o jazz de consumo, grupos como o California Ramblers funcionavam como verdadeiras indústrias de gravação, usando diferentes pseudônimos para registrar centenas de lados de discos de cera, ajudando a popularizar as danças da época (como o Charleston) por todo o território americano. O CD 04 de La Grande Histoire Du Jazz é um documento histórico irretocável de uma música em estado de metamorfose. Ele prova que o jazz não nasceu pronto, mas foi lapidado no choque cultural entre o campo e a cidade, o sagrado e o profano, o rigor da partitura e a liberdade do improviso. É um volume essencial para qualquer estudante ou entusiasta que deseja compreender como pequenos blocos de blues e ritmos tradicionais se fundiram para erguer a fundação da maior expressão artística do século XX.


Boa audição - Namastê

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Boxset: La Grande Histoire Du Jazz, do Ragtime ao Swing 1898-1952 (25CDs)

Lançamento: 2009
Selo: Le Chant du Monde 
Gênero: Swing, Ragtime, Big Band, Early Jazz, New Orleans Jazz, Dixieland, Harlem Stride Piano, Gipsy Jazz (Jazz Manouche), Negro Spirituals/Gospel

O épico retrato de uma era em ,utação, o Apogeu de Chicago e as Raízes Territoriais:
Se o CD 03 do box Au Temps Du Ragtime Et Du Swing (1898–1952) já se impunha como um marco histórico, a análise aprofundada de seu alinhamento completo revela uma verdadeira enciclopédia sonora. Este disco não apenas documenta a transição dos estúdios de Chicago, mas constrói uma ponte monumental entre o Blues clássico clássico, o Jazz Tradicional de New Orleans, o balanço inicial das Territory Bands e a sofisticação branca que começava a florescer na Costa Leste. A Temática do mosaico da diversidade e a expansão geográfica é a grande temática deste terceiro volume, a descentralização e o diálogo cultural. O jazz de 1925 e 1926 não acontecia em um vácuo embora Chicago fosse o epicentro magnético, o CD retrata como a linguagem estava se ramificando: O Blues de Vaudeville e das divas onde vozes femininas imponentes davam as cartas e moldavam a carga emocional que o jazz herdaria. A transição do "Hot" ao "Sweet"m o contraste entre a pulsação ardente do sul dos EUA e o refinamento estruturado que as orquestras de Nova York propunham. O estilo de Kansas City, o nascimento de um balanço focado nos riffs repetitivos e em um groove mais pesado e voltado para a dança. A gonstrução do gênero, os Arquitetos do ritmo e do arranjo e a engenharia musical presente neste CD mostra que o jazz estava abandonando de vez o caráter de "marcha" para ganhar maleabilidade artística, construída por diferentes frentes: As divas vocais e os nestres do sopro são a abertura e o miolo do disco assentam a fundação emocional do jazz através do Blues clássico. Bessie Smith (a "Imperatriz do Blues") e Ma Rainey (a "Mãe do Blues") trazem o lamento e a poesia urbana das dores do cotidiano, enquanto Ethel Waters injeta uma sofisticação vocal que pavimentaria o caminho para o jazz cantarolado das décadas seguintes. Elas não cantavam sozinhas: eram amparadas por gênios como Louis Armstrong, cujo trompete cortante redefiniu o papel da improvisação, e King Oliver, que trazia a tradição das surdinas e o som clássico de New Orleans rejuvenescido. A dialética dos grupos de Chicago, o disco promove o embate estético definitivo. De um lado, os Hot Five de Louis Armstrong e os New Orleans Wanderers desmilinguem as estruturas com solos explosivos e virtuosismo. De outro, Jelly Roll Morton & His Red Hot Peppers organizam o caos: Morton prova que o jazz pode ser complexo, escrito e orquestrado sem perder o calor da improvisação. A sofisticação branca e os arranjos de Nova York: Grupos como The Stomp Six (com Muggsy Spanier), The Charleston Chasers, California Ramblers e o pianista Frank Banta mostram como os músicos brancos absorveram o Hot Jazz e criaram ramificações focadas na precisão harmônica. No topo dessa pirâmide estava o genial cornetista Bix Beiderbecke, que oferecia uma alternativa ao estilo explosivo de Armstrong: um som lírico, introspectivo, melancólico e de uma beleza técnica impecável, que influenciaria todo o Cool Jazz trinta anos mais tarde. Ao mesmo tempo, Fletcher Henderson começava a desenhar em Nova York o que seriam as Big Bands, dividindo a orquestra em seções de sopros que dialogavam entre si. O legado de Kansas City e as raízes coletivas traduz o balanço inconfundível do Meio-Oeste americano ganha vida com Bennie Moten e sua icônica "Kansas City Shuffle", que trazia o ritmo pulsante e o uso de riffs que mais tarde consagrariam Count Basie. Correndo em paralelo, o pianista Luis Russell experimentava estruturas que libertavam o contrabaixo, a pianista e líder de banda Lovie Austin comandava sessões impecáveis de Blues de vanguarda, e o pianista de Stride Cliff Jackson mostrava a transição virtuosa do piano Ragtime para o jazz moderno. A curiosidades históricas deste Volume, bo som Inusitado dos Dixieland Jug Blowers uma das maiores excentricidades e curiosidades do CD 03 é a inclusão de faixas como "Banjoreno", gravada pelos Dixieland Jug Blowers. Esse grupo utilizava instrumentos rudimentares e folclóricos, como o jug (um garrafão de cerâmica ou vidro soprado pelo músico para emular o som de uma tuba). Essa faixa demonstra as origens rústicas do jazz e como o gênero, mesmo se sofisticando nos estúdios, mantinha um pé firme nas tradições rurais das jug bands. O mistério e a devoção do "Reverend Gates": outro destaque curioso e culturalmente denso é a presença das gravações do Reverend J.M. Gates. Longe de ser um músico de jazz tradicional, ele era um pastor cujos sermões gravados eram acompanhados por coros que utilizavam a técnica de Call and Response (Chamada e Resposta). A presença de Gates neste CD ilustra perfeitamente como o fervor e a rítmica das igrejas batistas negras moldaram de forma definitiva o DNA espiritual e estrutural do Jazz. O registro da transição tecnológica o biênio 1925-1926 marca a introdução da gravação elétrica (com microfones) substituindo a antiga gravação acústica (onde os músicos tocavam diante de uma enorme corneta de captação). Este CD permite ouvir a evolução da engenharia de som da época, onde a sutileza do piano de Jelly Roll Morton e as nuances da corneta de Bix Beiderbecke puderam, finalmente, ser registradas com clareza. O CD 03 de La Grande Histoire Du Jazz é o volume definitivo do amadurecimento. Ele não se apoia apenas em um ou dois nomes sagrados, mas reconstrói a rica tapeçaria de uma época em que o jazz era uma colcha de retalhos genial — alimentada pelo lamento sagrado do reverendo no altar, pelo garrafão de cerâmica das ruas do sul, pelo piano aristocrático de Nova York e pelo sopro revolucionário de Armstrong em Chicago. Um documento histórico


Boa audição - Namastê

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Boxset: La Grande Histoire Du Jazz, do Ragtime ao Swing 1898-1952 (25CDs)

Lançamento: 2009
Selo: Le Chant du Monde 
Gênero: Swing, Ragtime, Big Band, Early Jazz, New Orleans Jazz, Dixieland, Harlem Stride Piano, Gipsy Jazz (Jazz Manouche), Negro Spirituals/Gospel


Se o primeiro volume desta monumental caixa funcionou como uma certidão de nascimento, o CD 02 de La Grande Histoire Du Jazz: From Ragtime To Swing 1898-1952 é o registro da maioridade do gênero. Este disco captura o exato momento em que o jazz deixa de ser uma curiosidade regional ou uma música de dança puramente folclórica para se consolidar como uma forma de arte sofisticada, revolucionando a cultura global. A abordagem aqui é direta: este volume foca na transição crucial dos anos 1920 para o início dos anos 1930, documentando a consolidação das grandes orquestras e o amadurecimento técnico dos solistas. A estrutura e a evolução sonora é o valor estético e histórico deste segundo volume reside na sua capacidade de mostrar a evolução da complexidade harmônica e rítmica. A curadoria divide o panorama em movimentos muito claros: A consolidação de Chicago e New York: o disco ilustra como o centro de gravidade do jazz migrou do Sul para as grandes metrópoles do Norte. É a era das big bands pioneiras e do refinamento dos arranjos. O reinado do solista e a revolução de Armstrong: Se no CD 01 Louis Armstrong era uma promessa brilhante em bandas alheias, aqui ele (junto com seus grupos Hot Five e Hot Seven) assume o protagonismo definitivo. O valor dessa transição é imensurável: o jazz estabelece de vez a primazia do solista sobre o grupo. A arquitetura das grandes orquestras (Pré-Swing): O terço final do disco prepara o terreno para a era de ouro das Big Bands, introduzindo a sofisticação inicial de figuras como Duke Ellington e Fletcher Henderson. O jazz ganha texturas sofisticadas, misturando a crueza do blues com a erudição dos arranjos escritos. Já os valores consideráveis e pontos fortes é o maior mérito crítico deste CD 02 é o equilíbrio perfeito entre o instinto e a técnica. A revolução da escrita orquestral de Fletcher Henderson e o jovem Duke Ellington aparecem moldando o que viria a ser o "som de New York"perfazendo o valor histórico dessas faixas está em provar que o jazz sabia ser altamente disciplinado sem perder a sua alma síncope e a sua energia visceral. A engenharia de som e a restauração de áudio continuam merecendo destaque. A transição para o final dos anos 20 marca a introdução da gravação elétrica (microfones substituindo as antigas cornetas acústicas). O CD 02 se beneficia imensamente disso: há mais definição nos contrabaixos, o brilho dos metais é menos estridente e a dinâmica dos tambores ganha um peso que simplesmente não existia no primeiro volume. Análise crítica e desafio ao ouvinte que busca uma análise sem concessões, vale notar que o CD 02 exige uma escuta atenta para além do "charme retrô". Como o repertório cobre o período de transição que desaguaria no Swing, algumas faixas ainda carregam o ritmo rígido de "dois tempos" (two-beat style) herdado das marchas militares, o que pode soar um pouco datado se comparado à fluidez rítmica de quatro tempos que dominaria a década de 1930. Além disso, a profusão de faixas de Louis Armstrong e seus contemporâneos de Chicago pode parecer repetitiva em termos de estrutura (tema - solo - solo - tema) para quem não está atento às microrevoluções que aconteciam em cada improviso. O CD 02 é o miolo de ouro do nascimento do jazz moderno. Enquanto o CD1 plantou as sementes na terra, este segundo volume mostra a árvore rompendo o solo com uma força intelectual e artística avassaladora. É um disco vibrante, tecnicamente superior ao seu antecessor e absolutamente vital para compreender como a música negra americana reivindicou — e conquistou — o status de alta cultura.


Boa audição - Namastê

quarta-feira, 16 de abril de 2025

The A-Z Encyclopedia Of Jazz (2xCD)

Artista: VA
Lançamento: 1996
Selo: RETRO (The Gold Collection)
Gênero:  Dixieland, Swing


O jazz é, sem dúvida, a música mais livre do planeta. Nela é permitido ao músico esquecer as regras e os dogmas criados pelo mundo e ao ouvinte entregar-se ao feitiço e pureza do seu ritmo. Quando surgiu, no final do século XIX e início do século XX, no sul dos Estados Unidos, principalmente na cidade de Nova Orleans, o jazz foi considerado profano. No início do ano de 1800, os escravos se reuniam na Praça do Congo para tocar suas músicas e mostrar suas danças tradicionais. Os negros norte-americanos foram os porta-vozes do jazz. Cantado ou tocado eles fizeram do jazz a sua identidade, que é respeitada e admirada até hoje em todo o mundo. embora a maioria dos historiadores considera o ano de 1935 como o início da era das ‘Big Bands’, o tema é discutível, pois o jazz das Big Band já tinha sido gravado em 1920. Em 1917, a ‘Original Dixieland Jazz Band’ gravou os primeiros discos na história do jazz. A homenagem não é concedida a esta verdadeira pioneira do gênero, pois, esses historiadores consideram esse pequeno grupo como uma simples imitação, uma banda pobre. Entretanto, as suas gravações venderam mais de um milhão de cópias e permitiram que o jazz fosse ouvido em todo o país. O jazz começou em Nova Orleans, com Oliver King, no início de 1900. O som do jazz foi difundido pelos músicos e bandas como entretenimento nos barcos que navegavam pelo Mississippi. Na década de 20 começou a migrar para um formato de big band que combinavam elementos do ragtime, spirituals, blues e música européia. Duke Ellington, Ben Pollack, Don Redman e Fletcher Henderson eram os líderes das primeiras grandes bandas. Depois vieram os bandleaders Coleman Hawkins, Benny Goodman, Glenn Miller, Red Allen, Roy Eldridge, Benny Carter e John Kirby. Enquanto esses músicos estavam tocando big band jazz, a popularidade da dance band jazz nos hotéis da década de 20 também foi um fator importante na evolução da era das Big Bands.



Boa audição - Namastê

segunda-feira, 21 de outubro de 2024

CD089 - Fletcher Henderson (1931)


Artista: Fletcher Henderson 

Álbum: CD089

Lançamento: 2007

Selo: Membran International GmbH

Série: Boxset 'The Encyclopedia Of Jazz' 

Gênero: Dixieland

Boa audição - Namastê


 

sexta-feira, 18 de outubro de 2024

CD088 - Fletcher Henderson (1928-31)



Artista: Fletcher Henderson 

Álbum: CD088

Lançamento: 2007

Selo: Membran International GmbH

Série: Boxset 'The Encyclopedia Of Jazz' 

Gênero: Dixieland

Boa audição - Namastê

quarta-feira, 16 de outubro de 2024

CD087 - Fletcher Henderson (1927)

Álbum: CD087
Lançamento: 2007
Selo: Membran International GmbH
Série: Boxset 'The Encyclopedia Of Jazz' 
Gênero: Dixieland




Boa audição - Namastê


 

segunda-feira, 14 de outubro de 2024

CD086 - Fletcher Henderson (1925-26)


Artista: Fletcher Henderson 

Álbum: CD086

Lançamento: 2007

Selo: Membran International GmbH

Série: Boxset 'The Encyclopedia Of Jazz' 

Gênero: Dixieland

Boa audição - Namastê


sexta-feira, 11 de outubro de 2024

CD085 - Fletcher Henderson (1924-25)

Álbum: CD085
Lançamento: 2007
Selo: Membran International GmbH
Série: Boxset 'The Encyclopedia Of Jazz' 
Gênero: Dixieland



Boa audição - Namastê

sábado, 30 de setembro de 2023

Benny Goodman - The Birth Of Swing (1935-1936)

Artista: Benny Goodman

Álbum: The Birth Of Swing (1935-1936) 3xCD - Compilation

Lançamento: 1991

Selo: BMG Música

Gênero: Swing, Big Band

Como fenômeno da música popular, a era do swing pode ser datada de uma noite, 21 de agosto de 1935, quando a big band de Benny Goodman chegou a uma multidão tumultuada no Palomar Ballroom de Los Angeles, o público jovem inspirado por suas transmissões em uma rádio da Costa Leste. show que já havia sido cancelado. Daria início ao maior período de popularidade já alcançado por um estilo de jazz, e Goodman's foi a banda mais responsável. Todas as gravações RCA de Goodman desse período estão incluídas neste conjunto de três CDs, que contém algumas das canções populares da época, bem como muito jazz inspirado. O clarinete de Goodman gira elegantemente através da música, e as seções de sopros são precisas e suingantes em arranjos de Fletcher, Horace Henderson e Jimmy Mundy. Há momentos eletrizantes da breve estadia de Bunny Berigan na banda. Benny Goodman não inventou o estilo de jazz conhecido como “swing”. Bandas como McKinney's Cotton Pickers, Duke Ellington and His Orchestra, Bennie Moten's Kansas City Orchestra e Fletcher Henderson and His Orchestra vinham tocando forte desde o final dos anos 1920. Até uma banda de swing toda branca, a The Casa Loma Orchestra, já havia impressionado os jovens ouvintes. Mas o título desta coleção de 3 CDs, “Benny Goodman: The Birth of Swing”, está perto de acertar em cheio. Durante 1935 e 1936, anos abrangidos por estas gravações de estúdio, Benny Goodman e a sua orquestra transformaram o swing num fenómeno nacional e o jazz atingiu o seu pico de popularidade na América (nunca mais o jazz seria a música popular do país - uma música bastante popular no país). triste constatação). Talvez não tenha sido o “nascimento” do swing, esses coleção guardam um tesouro da herança musical americana e cada edição aqui, retirada de sessões de estúdio entre abril de 1935 e novembro de 1936, é uma joia em miniatura do jazz swing. A banda Goodman estava avançando nesses anos com uma coleção de grandes músicos (Gene Krupa na bateria, Bunny Berigan no trompete, Jess Stacy no piano, Helen Ward nos vocais) e arranjadores soberbos como Jimmy Mundy e Spud Murphy. Mas foi o arranjador Fletcher Henderson quem deu à banda o estilo suingante do Harlem que a tornou tão distinta e fez os pés dos dançarinos pegarem fogo. Depois de uma passagem popular no programa de rádio "Let's Dance" a banda fez uma turnê cross-country que quase terminou em desastre. Mas esses coleção mostram o quão forte a banda era antes dessa grande virada, com músicas como "The Dixieland Band", "Get Rhythm in Your Feet", "Blue Skies", "Sometimes I'm Happy" e a peça que fez o Palomar Ballroom explodir, "King Porter Stomp". E depois que encontraram o sucesso, Goodman and Company continuou lançando hit após hit: "If I Could Be with You", "It's Been So Long", "Stompin' at the Savoy", "Christopher Columbus" (mais tarde integrado em "Sing , Cante, Cante"), "Swingtime nas Montanhas Rochosas", "Bugle Call Rag" e "Goody Goody". O som é fantástico com poucos ruídos ou estalos, mas também sem técnicas de redução de som que silenciam ou abafam os instrumentos. A clareza está toda aí. Você pode ouvir os impressionantes solos de trompete de Bunny Berigan nas primeiras gravações com tanta nitidez que entenderá por que ele conseguia enlouquecer as multidões. (Infelizmente, ele ficou pouco tempo com a banda.) Essas coleção cobrem apenas um breve período de tempo, então alguns dos maiores sucessos de Goodman gravados depois de 1936, incluindo sua peça mais famosa "Sing, Sing, Sing", não estão aqui. Também está faltando o lendário trompetista Harry James, que se juntou à banda em 1937. No entanto, não há melhor conjunto de gravações de Benny Goodman disponíveis. Honestamente, cada peça aqui é fantástica e tem algo interessante a dizer musicalmente. Junto com os sucessos estão algumas raridades maravilhosas que nem sempre são colocadas em coleções, como uma gravação alternativa de "Bugle Call Rag", takes não utilizados de "St. Louis Blues" e "Love Me or Leave Me", Benny fazendo uma rara virada como um cantor em "Tain't No Use" e uma bela versão de "In a Sentimental Mood" de Duke Ellington. Mais. O livreto que acompanha é enorme e contém informações detalhadas sobre o pessoal de cada sessão de gravação. O encarte fornece uma história detalhada da banda durante esse período e descrições sessão por sessão de cada uma das peças. Todos os fãs de Benny Goodman descobrirão algo novo aqui, e os ouvintes de primeira viagem apreciarão ainda mais a música com este guia útil. Se você quer saber do que se trata toda essa “coisa do swing”, se quer experimentar algumas das músicas mais vibrantes da história americana, ou se você ama Benny Goodman, este conjunto é uma necessidade absoluta. Tudo bem, Benny, cante uma música de swing para mim e deixe-me dançar!


Sax. Alto – Benny Goodman (faixas: 3-15), Bill DePew (faixas: 1-18 e 3-23), Hymie Schertzer, Toots Mondello (faixas: 1-1 e 1-17)

Baixo – Harry Goodman

Clarinete – Benny Goodman (faixas: 1-1 e 3-14, 3-16 e 3-23)

Bateria – Gene Krupa

Guitarra – Allan Reuss (faixas: 1-6 e 1-9, 1-18 e 3-23), George Van Eps (faixas: 1-1 e 1-5, 1-10 e 1-17)

Piano – Frank Froeba (faixas: 1-1 e 1-17), Jess Stacy (faixas: 1-18 e 3-23)

Sax. Tenor  – Art Rollini, Dick Clark (faixas: 1-1 e 3-10), Vido Musso (faixas: 3-8, 3-9, 3-11 e 3-23)

Trombone – Jack Lacey (faixas: 1-1 e 1-17), Jack Teagarden (faixas: 1-6 e 1-9), Joe Harris (2) (faixas: 1-18 e 2-16), Murray McEachern (faixas: 2-17 e 3-23), Red Ballard (faixas: 1-1 e 1-5, 1-10 e 3-23)

Trumpete – Bunny Berigan (faixas: 1-10 e 1-21), Chris Griffin (3) (faixas: 2-17 e 3-23), Harry Geller (faixas: 1-22 e 3-23), Jerry Neary (faixas: 1-1 e 1-13), Manny Klein (faixas: 3-2 e 3-5), Nate Kazebier (faixas: 1-6 e 3-1), Pee Wee Erwin (faixas: 1-1 e 1-9, 2-9 to 2-16), Ralph Muzillo (faixas: 1-1 e 1-5, 1-14 e 2-8), Sterling Bose (faixas: 3-6 e 3-10), Zeke Zarchey (faixas: 3-11 e 3-23), Ziggy Elman (faixas: 3-11 to 3-23)

Vocals – Benny Goodman (faixas: 3-19), Ella Fitzgerald (faixas: 3-21 e 3-23)

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1-1 a 1-5: Cidade de Nova York, 4 de abril de 1935

1-6 a 1-9: Cidade de Nova York, 19 de abril de 1935

1-10 a 1-13: Cidade de Nova York, 25 de junho de 1935

1- 14 a 1-17: Cidade de Nova York, 1º de julho de 1935

1-18 a 1-21: Hollywood, 27 de setembro de 1935

1-22 a 2-4: Chicago, 22 de novembro de 1935

2-5 a 2-8: Chicago, 24 de janeiro de 1936

2-9 a 2-11: Chicago, março de 1936

2-12 a 2-16: Chicago, 23 de abril de 1936

2-17, 2-19, 2-20: Nova York, 27 de maio , 1936

2-21 a 2-24: Nova York, 15 de junho de 1936

2-18, 3-1: Nova York, 16 de junho de 1936

3-2 a 3-5: Hollywood, 13 de agosto de 1936

3-6 a 3-10: Hollywood, 21 de agosto de 1936

3-11 a 3-16: Nova York, 7 de outubro de 1936

3-17 a 3-23: Nova York, 5 de novembro de 1936


Boa audição - Namastê

sábado, 26 de agosto de 2023

Boxset: Born To Swing "100 Original Big Band Classics" Vol:02

Artista: VA

Álbum: Born To Swing Vol.02 

Lançamento: 1996

Selo: PLC da Castle Communications 

Gênero: Big Band, Swing

O swing remete também às músicas de big bands. Até 1924, as big bands tendiam a tocar arranjos que ficavam amarrados às melodias, oferecendo poucas surpresas e inibindo a espontaneidade e a criatividade dos melhores solistas. Em 1924, o jovem cornetista Louis Armstrong se juntou à orquestra de Fletcher Henderson. Seu timbre, adicionado ao uso dramático do espaço e ao seu senso de balanço impressionaram bastante o arranjador chefe da orquestra de Henderson, Don Redman, e esse momento pode ser datado como o início do swing. Outras importantes big bands da década foram a de: ‘Bennie Moten’s Kansas City Orchestra’, que no meio da década de 30 se tornaria a de Count Basie; a de Jean Goldkette em 1927 que contava com os arranjos de Bill Challis e solos do cornetista Bix Beiderbecke e do saxofonista Frankie Trumbauer; a de Ben Pollack que serviu de aprendizado para Benny Goodman, Glenn Miller e para o trombonista Jack Teagarden e a de Paul Whiteman, que por volta de 1927 tinha se tornado na maior orquestra de jazz. Porém, a essa altura os arranjos eram sempre mais avançados para os solistas do que aqueles praticados no jazz de New Orleans. A mais importante big band do final dos anos 20 e aquela que se sucedeu à de Fletcher Henderson foi a de Duke Ellington. Com a crise de 1929 e o começo da depressão econômica, era de se esperar que as big bands se tornassem pouco viáveis economicamente, mas por ironia, ocorreu o contrário.

James ‘Jimmy’ Dorsey (1904-1957) foi um proeminente clarinetista, saxofonista, trompetista, compositor e bandleader. Conhecido como ‘JD’ compôs os standards de jazz ‘I’m Glad There Is You’ e ‘It’s The Dreamer In Me’. Irmão mais velho de Tommy Dorsey que também se tornou um músico de destaque, Jimmy Dorsey é considerado um dos mais importantes e influentes saxofonistas de bigband e da era swing. Charlie Parker o mencionou como um dos seus favoritos

Thomas Francis ‘Tommy’ Dorsey (1905-1956) foi trombonista, trompetista, compositor e maestro. Embora esteja em segundo lugar em relação a Benny Goodman, Artie Shaw, Glenn Miller ou Harry James, foi o maestro mais popular da era do swing, que durou de 1935 a 1945. Apelidado de ‘o cavalheiro sentimental do swing’, sua banda foi formada por grandes músicos do jazz, arranjadores e cantores, incluindo Frank Sinatra. E foi o artista mais vendido da história da ‘RCA Victor Records’, uma das maiores gravadoras do mundo, até a chegada de Elvis Presley, o qual se apresentou nacionalmente pela primeira vez no programa de televisão que Tommy apresentava com seu irmão Jimmy. Sedado com pílulas para dormir após uma refeição pesada, engasgou-se acidentalmente e faleceu aos 51 anos. Seu irmão regeu a banda depois, vindo a falecer um ano mais tarde.

Erskine Hawkins Ramsay (1914-1993) foi trompetista e bandleader de Birmingham, Alabama. No auge de sua popularidade durante a época dourada do swing, a maestria com que tocava o trompete lhe rendeu o apelido de ‘A Twentieth Century Gabriel’. O grupo de músicos que compunham sua orquestra produziu algumas das melhores e mais influentes músicas da era das big bands e sua popularidade se aproximou a das bandas lideradas por gigantes como Duke Ellington e Count Basie. Compositor do standart ‘Tuxedo Junction’ com o saxofonista e arranjador Bill Johnson, a canção se tornou um hit popular durante a Segunda Guerra Mundial na versão da ‘Glenn Miller Orchestra’.

James Melvin ‘Jimmie’ Lunceford (1902-1947) foi saxofonista e líder de banda. Bacharel em artes enquanto lecionava organizou uma banda de estudantes, a ‘Chickasaw Syncopators’, que depois teve seu nome alterado para ‘Jimmie Lunceford Orchestra’. A orquestra fez sua primeira gravação em 1930 e aceitou um convite para tocar no nightclub ‘The Cotton Club’ do Harlem, em 1933, que já apresentava Duke Ellington e Cab Calloway. A orquestra de Lunceford, com sua fina musicalidade e humor em sua música e letras, tornou-se a banda do clube, e a sua reputação começou a crescer rapidamente. Em 1947, Jimmie Lunceford entrou em choque e morreu de parada cardiorrespiratória durante uma sessão de autógrafos. Rumores circularam de que fora envenenado por um dono de restaurante revoltado por ter servido a um negro.

Stanley Newcomb Kenton (1911-1979) foi pianista, compositor e arranjador que liderou uma inovadora, controversa e muito influente orquestra de jazz. Kenton tocou nos anos 30 em algumas bandas, mas sua vocação natural sempre foi para bandleader. Formou sua primeira orquestra em 1941. Competente como pianista foi muito mais importante para seus companheiros, um deles o violonista brasileiro Laurindo Almeida, como arranjador. É considerado uma das influências da Bossa Nova, por seu modo suave de tocar. Nos anos seguintes, ele foi muito ativo como educador.

William ‘Count’ Basie (1904-1984) foi pianista, organista, compositor e bandleader. Foi autor das clássicas ‘One O’clock Jump’, ‘April in Paris’ e ‘Jumpin’ at the Woodside’ executadas, com primor, respectivamente, por Duke Ellington e Benny Goodman, e suas orquestras. Chamado de ‘Count’ (conde), considerando-se a sua importância entre os grandes mestres da era swing assim como Benny Goodman (rei), Duke Ellington (duque), Lester Young (presidente) e Billie Holliday (lady). Basie levou sua orquestra de jazz quase continuamente por quase 50 anos. Muitos músicos notáveis ganharam destaque sob a sua direção, incluindo o saxofonista tenor Lester Young. Basie morreu de câncer no pâncreas com 79 anos.


 Boa audição - Namastê

quinta-feira, 24 de agosto de 2023

Boxset: Born To Swing "100 Original Big Band Classics" - Vol.01

Artista: VA

Álbum: Born To Swing Vol.01 

Lançamento: 1996

Selo: PLC da Castle Communications 

Gênero: Big Band, Swing

O termo ‘swing’, que significa balanço e oscilação, é utilizado no jazz de duas formas completamente diferentes. No sentido técnico, usualmente arranjado para grandes orquestras dançantes, caracterizado por uma batida menos acentuada que a do estilo tradicional, e menos complexo, rítmica e harmônicamente falando, do que o jazz moderno. No sentido histórico, o swing coincide com a era do swing, o período clássico do jazz, que começa nos primeiros anos após a grande depressão econômica dos anos 20 e os últimos da Segunda Guerra Mundial, aproximadamente entre 1932 e 1943. Embora o swing só tenha caído no gosto popular com a ascensão de Benny Goodman em 1935, o estilo já existia há mais de uma década. O jazz nas suas formas iniciais enfatizava a improvisação espontânea, mas à medida que as bandas de dança se tornaram populares nos anos 20 e começaram a usar mais três ou quatro instrumentos de sopros, se tornou necessário que os arranjos fossem escritos para que a música pudesse estar organizada e coerente.

Alton Glenn Miller (1904-1944) foi trombonista profissional na banda de Ben Pollack e bandleader na era do swing. Mais tarde transformou-se num organizador de orquestras, sobretudo das dos irmãos Dorsey, iniciada em 1934, e de Ray Noble, organizada em 1935. Depois de ter tentado infrutiferamente formar a sua própria orquestra em 1937, acabou por conseguir no ano seguinte. Ele foi um dos artistas de mais vendas entre 1939 e 1942, liderando uma das mais famosas big bands. Durante a 2.ª Guerra Mundial, era capitão, sendo promovido mais tarde a major e a diretor da banda da força aérea do exército dos Estados Unidos na Europa. Ao voar da Inglaterra para Paris, desapareceu; os corpos dos ocupantes nem os destroços do avião jamais foram avistados.

Rowland Bernard ‘Bunny’ Berigan (1908-1942) foi trompetista que chegou à fama durante a era do swing, mas cujo virtuosismo e influência foram encurtados por uma batalha perdida com o alcoolismo, que terminou em sua morte prematura aos 33 anos. Sua clássica gravação de 1937, ‘I Cant Get Started’, com letra do então pouco conhecido Ira Gershwin e música de Vernon Duke foi introduzida no Hall da Fama do Grammy em 1975.

Earl Kenneth Hines (1903-1983) foi compositor, líder de bandas e um dos mais importantes pianistas da história do jazz. Em Chicago conheceu Louis Armstrong e, juntamente com Zutty Singleton, tocaram no ‘Sunset Café’. Em 1927, esta torna-se a banda de Louis Armstrong, e Hines o seu diretor. Armstrong percebe o estilo ‘avant garde’ de Hine ao tocar piano como um trompete, recorrendo ao uso de oitavas para que o seu piano pudesse ser mais facilmente ouvido. Em 1928, lidera a sua própria banda. Foi no clube de Al Capone, o ‘Grand Terrace Ballroom’, que estreou como líder de banda. Pela sua banda passaram Nat King Cole, que o substituía no piano, Dizzy Gillespie, Sarah Vaughan e Charlie Parker. Liderou a sua banda até 1947, quando passou temporariamente a liderar a banda de Duke Ellington, enquanto este se encontrava doente. O tempo das grandes bandas e orquestras encontrava-se no fim.


James Fletcher Henderson Hamilton Jr. (1897-1952) foi pianista, bandleader, arranjador e compositor, importante no desenvolvimento das big bands e do swing. Henderson, juntamente com Don Redman, estabeleceu a fórmula para a música swing. Foi o responsável por trazer Louis Armstrong de Chicago para Nova York. Em 1922 ele formou sua própria banda, que rapidamente se tornou conhecida como a melhor banda composta por afro-americanos em Nova York. Além de sua própria banda, ele arranjou para várias outras bandas, incluindo as de Teddy Hill, Isham Jones, e a mais famosa, a de Benny Goodman.

Benjamin David Goodman (1909-1986) foi clarinetista e bandleader conhecido como ‘O Rei do Swing’, ‘Patriarca da Clarineta’, ‘O Professor’ e ‘Mestre do Swing’. Na década de 30, Benny Goodman liderou um dos grupos musicais mais populares da América. Seu concerto de 1938 no Carnegie Hall em Nova York é descrito como o mais importante na história da música popular. Goodman lançou as carreiras de muitos grandes nomes do jazz, e durante a era de segregação ele foi um dos primeiros a integrar em sua banda músicos negros. Foi responsável por um passo significativo na integração racial na América. No início dos anos 30, músicos negros e brancos não podiam tocar juntos na maioria dos clubes ou concertos. Benny Goodman quebrou a tradição ao contratar o pianista negro Teddy Wilson e o baterista branco Gene Krupa para tocarem no Trio Benny Goodman. Goodman continuou a sua ascensão meteórica ao longo do final dos anos 30 com sua big band, o seu trio e quarteto e um sexteto. Por meados dos anos 40, no entanto, as grandes bandas perderam muito de sua popularidade.



 Boa audição - Namastê