segunda-feira, 6 de julho de 2026

Boxset: La Grande Histoire Du Jazz, do Ragtime ao Swing 1898-1952 (25CDs)

Lançamento: 2009
Selo: Le Chant du Monde 
Gênero: Swing, Ragtime, Big Band, Early Jazz, New Orleans Jazz, Dixieland, Harlem Stride Piano, Gipsy Jazz (Jazz Manouche), Negro Spirituals/Gospel


O crepúsculo do ragtime e a aurora do swingm a alquimia da modernidade se encontra no sexto volume desta monumental coleção francesa situa-se na encruzilhada definitiva da história do jazz: o período entre o final da década de 1920 e o limiar dos anos 30. Este recorte temporal não é apenas uma sucessão de datas, mas a crônica da transição do jazz enquanto "música de entretenimento regional" para o jazz como "linguagem cosmopolita". O CD 6 atua como o documento fundamental que sela o declínio definitivo das raízes coletivas do New Orleans e a ascensão da individualidade virtuosa e da organização orquestral que pavimentaram a era do Swing. A temáticam o pano de fundo deste volume é a "Grande Migração" e a urbanização desenfreada dos Estados Unidos. Esteticamente, o disco é marcado por um contraste fascinante: de um lado, a rusticidade quase telúrica de Johnny Dodds e Jelly Roll Morton, que mantêm o fogo da tradição crioula; do outro, a sofisticação urbana e o brilho metropolitano de Duke Ellington e Fletcher Henderson (via a presença dos McKinney's Cotton Pickers). Há uma tensão cultural palpável entre o jazz como catarse coletiva e o jazz como arte projetada, onde a escuridão dos clubes de Chicago encontra o glamour crescente do rádio e do disco de vinil. A Construção do Gênero evolutiva técnica aqui documentada é um estudo de caso sobre o refinamento da linguagem: A Revolução do Solista: O papel do instrumento muda drasticamente. Com Louis Armstrong e Earl Hines, o improviso deixa de ser um ornamento coletivo para tornar-se uma declaração de intenções individual — uma narrativa própria dentro da peça. A Arquitetura do Som: A transição técnica é visível na estrutura de grupos como The Missourians e Bennie Moten. Observamos aqui o nascimento do riff como elemento estruturante e o aprimoramento dos naipes (metais e palhetas) que começam a atuar em "chamada e resposta". A rítmica presença de Pinetop Smith (com seu boogie-woogie seminal) e Fats Waller exemplifica a consolidação de uma base rítmica mais insistente, o "4/4" que logo substituiria o balanço sincopado do Ragtime. O encontro da vanguarda inclusão de Frankie Trumbauer e Eddie Condon revela a intersecção do jazz com o lirismo melódico, desafiando a premissa de que o gênero deveria ser apenas agressivo ou frenético. A curiosidades históricas a morte de um gênio, inclusão de Pinetop Smith é um lembrete trágico; o pianista foi assassinado em 1929, pouco depois de gravar suas definições seminais de boogie-woogie, mal vivendo para ver o impacto que sua técnica de mão esquerda teria em todo o rock and roll futuro. O "som de Nova York"m as gravações de McKinney's Cotton Pickers são fascinantes por mostrarem como uma orquestra sediada em Detroit conseguiu "capturar" o som polido de Nova York, sendo uma das poucas bandas da época capazes de rivalizar com Ellington em sofisticação de arranjo. Tecnologia e intimidade na maioria destas faixas foi gravada utilizando o processo de gravação elétrica (introduzido em meados dos anos 20), que permitiu a captação de frequências graves antes impossíveis, conferindo a esse CD uma presença física (o timbre do contrabaixo e o brilho do clarinete de Jimmie Noone) que parece desafiar os quase 100 anos de história. Este volume é sem soma de duvida uma cartografia da evolução do intelecto musical afro-americano. Ao equilibrar nomes como Henry "Red" Allen — um trompetista que subverteu a lógica de Armstrong — com a elegância de Clarence Williams, o CD 6 não é meramente um repositório de música "antiga". É um arquivo vivo da modernização da cultura do século XX. Para o ouvinte atento, este disco revela que o jazz não "nasceu" pronto; ele foi sendo construído, nota por nota, através de uma negociação constante entre a tradição dos ancestrais e o desejo audacioso de inovação dos seus solistas. Um registro indispensável para compreender a espinha dorsal do que chamamos de música moderna. Como historiador musical, qual dos artistas presentes neste recorte — o virtuosismo pianístico de Earl Hines ou o arranjo orquestral de Duke Ellington — você acredita ter exercido a influência mais determinante para o que viria a ser o padrão do Jazz na década de 1940?
Boa audição - Namastê

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