Artista: La Grande Histoire Du Jazz
Lançamento: 2009
Selo: Le Chant du Monde
Gênero: Swing, Ragtime, Big Band, Early Jazz, New Orleans Jazz, Dixieland, Harlem Stride Piano, Gipsy Jazz (Jazz Manouche), Negro Spirituals/Gospel
Se o primeiro volume desta monumental caixa funcionou como uma certidão de nascimento, o CD 02 de La Grande Histoire Du Jazz: From Ragtime To Swing 1898-1952 é o registro da maioridade do gênero. Este disco captura o exato momento em que o jazz deixa de ser uma curiosidade regional ou uma música de dança puramente folclórica para se consolidar como uma forma de arte sofisticada, revolucionando a cultura global. A abordagem aqui é direta: este volume foca na transição crucial dos anos 1920 para o início dos anos 1930, documentando a consolidação das grandes orquestras e o amadurecimento técnico dos solistas. A estrutura e a evolução sonora é o valor estético e histórico deste segundo volume reside na sua capacidade de mostrar a evolução da complexidade harmônica e rítmica. A curadoria divide o panorama em movimentos muito claros: A consolidação de Chicago e New York: o disco ilustra como o centro de gravidade do jazz migrou do Sul para as grandes metrópoles do Norte. É a era das big bands pioneiras e do refinamento dos arranjos. O reinado do solista e a revolução de Armstrong: Se no CD 01 Louis Armstrong era uma promessa brilhante em bandas alheias, aqui ele (junto com seus grupos Hot Five e Hot Seven) assume o protagonismo definitivo. O valor dessa transição é imensurável: o jazz estabelece de vez a primazia do solista sobre o grupo. A arquitetura das grandes orquestras (Pré-Swing): O terço final do disco prepara o terreno para a era de ouro das Big Bands, introduzindo a sofisticação inicial de figuras como Duke Ellington e Fletcher Henderson. O jazz ganha texturas sofisticadas, misturando a crueza do blues com a erudição dos arranjos escritos. Já os valores consideráveis e pontos fortes é o maior mérito crítico deste CD 02 é o equilíbrio perfeito entre o instinto e a técnica. A revolução da escrita orquestral de Fletcher Henderson e o jovem Duke Ellington aparecem moldando o que viria a ser o "som de New York"perfazendo o valor histórico dessas faixas está em provar que o jazz sabia ser altamente disciplinado sem perder a sua alma síncope e a sua energia visceral. A engenharia de som e a restauração de áudio continuam merecendo destaque. A transição para o final dos anos 20 marca a introdução da gravação elétrica (microfones substituindo as antigas cornetas acústicas). O CD 02 se beneficia imensamente disso: há mais definição nos contrabaixos, o brilho dos metais é menos estridente e a dinâmica dos tambores ganha um peso que simplesmente não existia no primeiro volume. Análise crítica e desafio ao ouvinte que busca uma análise sem concessões, vale notar que o CD 02 exige uma escuta atenta para além do "charme retrô". Como o repertório cobre o período de transição que desaguaria no Swing, algumas faixas ainda carregam o ritmo rígido de "dois tempos" (two-beat style) herdado das marchas militares, o que pode soar um pouco datado se comparado à fluidez rítmica de quatro tempos que dominaria a década de 1930. Além disso, a profusão de faixas de Louis Armstrong e seus contemporâneos de Chicago pode parecer repetitiva em termos de estrutura (tema - solo - solo - tema) para quem não está atento às microrevoluções que aconteciam em cada improviso. O CD 02 é o miolo de ouro do nascimento do jazz moderno. Enquanto o CD1 plantou as sementes na terra, este segundo volume mostra a árvore rompendo o solo com uma força intelectual e artística avassaladora. É um disco vibrante, tecnicamente superior ao seu antecessor e absolutamente vital para compreender como a música negra americana reivindicou — e conquistou — o status de alta cultura.
Boa audição - Namastê



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