Artista: Charlie Parker, Clifford Brown & Phil Woods
O álbum International não é um álbum de estúdio convencional, mas um documento histórico curado por Don Schlitten e o mérito crítico da obra reside no contraste: enquanto muitos "live boots" (gravações piratas) da época sofrem com qualidade abismal, a Xanadu conseguiu resgatar momentos em que o bebop atravessava o Atlântico, provando que a linguagem de Parker era, de fato, universal. O "Bird" em Solo Sueco (1950), Charlie Parker são o ponto alto. Musicalmente, ouvimos um Parker relaxado, porém afiado. É fascinante notar como os músicos suecos (liderados por Rolf Ericson) tentam manter o passo com a velocidade de pensamento de Parker. Em Anthropology e Cool Blues, Parker demonstra por que era o sol em torno do qual o jazz orbitava. Seu fraseado é fluido, quase sem esforço. Para o ouvido crítico, a curiosidade reside na interação: os músicos locais tocam com uma reverência audível, oferecendo um suporte sólido, embora às vezes comedido, para que Bird possa decolar. Clifford Brown, o elo perdido na Dinamarca (1953), traz na faixa Indiana o trompete em uma fase de ouro, pouco antes de sua morte trágica em 1956. Brownie exibe aqui seu timbre característico — quente, redondo e com uma articulação impecável mesmo nos andamentos mais rápidos. É um lembrete doloroso do que o jazz perdeu. A seção rítmica dinamarquesa é competente, mas o brilho individual de Brown eclipsa qualquer outro elemento da faixa. Phil Woods e a Herança de Parker (1957). As sessões de Phil Woods em Nova York (o "intruso" geográfico do disco, já que não foi gravada fora dos EUA) servem como uma tese sobre a evolução do bebop. Woods foi frequentemente chamado de "The New Bird" e aqui ele prova por que herdou o título. Sua técnica é mais "limpa" e agressiva que a de Parker, refletindo o refinamento do estilo no final da década de 50. A inclusão de Cecil Payne e Frank Socolow cria uma densidade de sopros que contrasta com a leveza do toque. Detalhes e Curiosidades e o "Erro" Geográfico: Embora o álbum se chame International Jam Sessions, as faixas de Phil Woods foram gravadas no coração de Manhattan. A Xanadu justificou o título pelo fato de Woods ser um dos músicos que mais tarde se tornaria um "embaixador" do jazz na Europa, mas, tecnicamente, apenas algumas musicas é internacional. As gravações de Parker na Suécia foram feitas em circunstâncias quase amadoras por entusiastas locais. O fato de o som ser audível e até prazeroso deve-se ao trabalho de restauração de engenheiros de áudio que limparam o ruído de fundo original. A conexão com a Xanadu é um exemplo perfeito da missão da Xanadu Records: preservar performances que não foram capturadas pelos grandes selos (como Verve ou Savoy), mas que mostram os gigantes do jazz em momentos de improvisação pura, longe da pressão dos estúdios comerciais. A reverência e "Birdology" na época da gravação de Woods (1957), Charlie Parker já havia falecido há dois anos. Tocar Yardbird Suite e Scrapple From The Apple foi um tributo explícito de Woods ao seu mestre, fechando o ciclo do álbum. Agora o veredito de International Jam Sessions é um item essencial para colecionadores não pela coesão sonora, mas pela sua importância como cápsula do tempo. Ele mostra o bebop como uma força da natureza que não respeitava fronteiras — seja nos clubes frios de Estocolmo ou nos estúdios esfumaçados de Nova York. Um O conceito arqueologia do Bebop.
Sax. Alto – Charlie Parker (faixas: 1 a 4), Phil Woods (faixas: 6 a 7)
Sax. Alto – Gigi Gryce (faixas: 5)
Sax. barítono – Cecil Payne (faixas: 6 a 7)
Baixo – Erik Moseholm (faixas: 5), Thore Jederby (faixas: 1 a 4), Wendell Marshall (faixas: 6 a 7)
Bateria – Arthur Taylor (faixas: 6 a 7), Jack Noren (faixas: 1 a 4)
Bateria – Ole Jorgensen (faixas: 5)
Piano – Duke Jordan (faixas: 6 a 7), Gosta Theselius (faixas: 1 a 4), Jorgen Bengtson (faixa: 5)
Sax. Tenor – Frank Socolow (faixas: 6 a 7)
Sax. Tenor – Clifford Solomon (faixas: 5)
Trompete – Clifford Brown (faixas: 5), Jorgen Ryg (faixas: 5), Rolf Ericson (faixas: 1 a 4)
Faixas 1-4: Gravadas em 22 de novembro de 1950.
Faixa 5: Gravada em 12 de novembro de 1953.
Faixas 6-7: Gravadas em 12 de agosto de 1957.
Boa audição - Namastê



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