Artista: La Grande Histoire Du Jazz
Lançamento: 2009
Selo: Le Chant du Monde
Gênero: Swing, Ragtime, Big Band, Early Jazz, New Orleans Jazz, Dixieland, Harlem Stride Piano, Gipsy Jazz (Jazz Manouche), Negro Spirituals/Gospel
O último ato: O Jazz como silêncio e a memória do infinito do vigésimo quinto volume da coleção "La Grande Histoire du Jazz" não é uma continuação, nem uma conclusão, mas um limiar. Se o CD24 nos levou ao horizonte da abstração total o CD25 nos convida a atravessá-lo. Aqui, estamos no domínio do pós-Jazz: uma música que, tendo assimilado toda a história do gênero, decide que o gesto final não é o som, mas o contexto em que o som existe. É o volume que trata do espaço entre as notas como o conteúdo principal. O pano de fundo deste CD é o despojamento radical, a estética não busca a beleza, a complexidade ou a emoção direta; ela busca a verdade do momento. É uma música que aceita a sua natureza efêmera: ela ocorre agora e, assim que termina, desaparece sem deixar rastro. Culturalmente, este volume é um manifesto de humildade do artista diante da vastidão da história que o antecedeu. É o Jazz aceitando que não precisa mais de palcos, estúdios ou ouvintes — ele é um ato de existência pura. A técnica, neste volume, é a ausência de técnica: A "escuta" do instrumento: O músico parece estar muitas vezes apenas ouvindo o seu instrumento vibrar. Há uma valorização da ressonância, do ruído do ar no saxofone, do clique das chaves, do ranger da madeira no contrabaixo. O som é a "pele" da música e a técnica é apenas a forma de manter essa pele viva. O tempo suspenso na música aqui desafia a cronologia. Não há andamento, não há compasso. O tempo é percebido através da respiração do músico. É o Jazz operando no ritmo biológico, não no ritmo mecânico. A solidão compartilhada: As faixas são predominantemente diálogos — duos ou solos — onde a comunicação é tão íntima que se torna quase privada. É como observar um segredo sendo sussurrado em uma catedral vazia. A dissolução do "tema" aqui não é uma melodia mas um estado de espírito do músico entre as gravação em um estado de espírito específico e o explora até a exaustão, deixando que a música siga sua própria vontade, sem imposições de arranjos ou progressões harmônicas. O registro da "ausência" de muitas das faixas neste CD foram gravadas sem intenção de publicação, são registros de ensaios, momentos de descanso entre sessões ou experimentos solitários de músicos que, naquele instante estavam sozinhos consigo mesmos. É a história do Jazz capturada em seus momentos de maior vulnerabilidade. A "audibilidade" da alma, a engenharia de som nestas gravações é tão precisa que o ouvinte sente que está dentro da mente do músico. A fidelidade aqui não é sobre frequências; é sobre a intenção. É possível "ouvir" o pensamento do artista antes que a nota seja emitida. O fechamento do círculo, fechando o ciclo iniciado em 1898 com uma elegância perturbadora. Ele volta à crueza, à honestidade e à simplicidade dos cantos de trabalho e dos primeiros improvisos, mas agora carregando o peso de um século de evolução. É o início e o fim encontrando-se no mesmo ponto. O CD25 é o volume da aceitação, documentalmente, ele é a prova de que a história do Jazz não é um livro com final definido, mas uma corrente que flui em direção a um oceano sem margens. Não encerra a coleção; apenas torna eterna para o ouvinte o teste final: é a capacidade de ouvir o silêncio, de encontrar valor no que é passageiro e de entender que o Jazz, ao final de tudo, não era uma música, mas um modo de estar no mundo. Desde o calor do Ragtime até esta desmaterialização final neste vigésimo quinto volume, pergunto-lhe: se o Jazz nos ensinou que a liberdade é, antes de tudo, uma questão de coragem, qual é a única pergunta que, ao fecharmos esta caixa, resta agora para aquele que, de posse de toda esta história, decide finalmente pegar o seu instrumento e tocar sua própria nota?...
Boa audição - Namastê



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