Artista: La Grande Histoire Du Jazz
Lançamento: 2009
Selo: Le Chant du Monde
Gênero: Swing, Ragtime, Big Band, Early Jazz, New Orleans Jazz, Dixieland, Harlem Stride Piano, Gipsy Jazz (Jazz Manouche), Negro Spirituals/Gospel
O alvorecer da sofisticação: O jazz em transição para a modernidade ergulha no sétimo volume da coleção La Grande Histoire du Jazz situa-se em um dos períodos mais férteis da cronologia musical: a consolidação definitiva do Swing e o prenúncio da harmonia moderna. Se o volume anterior marcou a transição da polifonia rústica para a organização orquestral, este CD7 captura o momento em que as grandes orquestras se tornam as "máquinas de som" dominantes, elevando o jazz ao posto de música popular de massa enquanto, simultaneamente, os virtuosos começam a esticar as fronteiras do que era harmonicamente aceitável. O pano de fundo deste volume é o período de maturidade da era do Swing e a ascensão da indústria do rádio e do cinema musical. Esteticamente, o disco reflete o contraste entre a energia explosiva das big bands que animavam os salões de baile — projetadas para o movimento, para o corpo e para o entretenimento coletivo — e a busca por uma identidade artística individual, onde o solista começa a emergir como uma figura de autoridade quase mística, rivalizando em importância com a própria orquestra que o sustenta. A construção do gênero a evolução técnica neste volume revela um refinamento sem precedentes na articulação dos naipes e na escrita para jazz: A "Mecânica" do Swing: Observa-se a otimização dos arranjos, onde a escrita para metais e palhetas atinge um equilíbrio sofisticado. A força não vem mais da massa sonora caótica, mas da precisão milimétrica dos ataques e da "respiração" rítmica da seção de metais. O Papel do Contrabaixo: O uso do contrabaixo torna-se o alicerce fundamental, substituindo de vez a tuba e proporcionando o walking bass que define o balanço do gênero. Harmonias expandidas dos solistas deste volume começam a explorar tensões harmônicas (notas "fora" do acorde, mas que fazem sentido dentro da frase), algo que começava a ser uma marca de músicos que olhavam para o futuro. O improviso passa a ser menos sobre decorar melodias e mais sobre a compreensão profunda das progressões harmônicas. O surgimento da "estrela", o papel do frontman (seja ele cantor ou instrumentista) é solidificado. O carisma individual, a técnica vocal e a capacidade de fraseado tornam-se o coração emocional da música. A curiosidades históricas pertinente na tecnologia do CD remota período que coincide com a era de ouro do disco de 78 rotações. O tempo limitado de gravação (cerca de 3 minutos) obrigou os arranjadores a serem gênios da síntese; é fascinante notar como, neste CD, cada nota parece ter sido calculada para extrair o máximo de impacto emocional dentro dessa janela estrita. Os estúdios como Laboratórios e muitas destas gravações foram feitas sob condições que hoje consideraríamos precárias, mas que resultaram em uma estética sonora de "presença" inigualável. O uso de microfones únicos no centro da sala forçava a banda a ter um equilíbrio natural (o que chamamos de balance) puramente acústico, um segredo de sonoridade que a era digital tenta, muitas vezes, emular artificialmente. A evolução das "Jams" em algumas faixas neste volume capturam a energia que antes só existia nas jam sessions informais de Nova York ou Kansas City, trazidas agora para a formalidade estéril dos estúdios, perdendo um pouco da "sujeira", mas ganhando em precisão técnica. Este volume é um documento essencial que encapsula o "momento de ouro" do jazz. É o registro da música que deu sentido à vida americana durante a crise e a reconstrução, e que se espalhou pelo mundo como um símbolo de liberdade e sofisticação. Documentalmente, o CD 7 é indispensável: ele prova que o jazz, naquele momento, havia alcançado o ápice da sua aceitação comercial sem sacrificar a sua integridade técnica. É a audição obrigatória para entender por que, para várias gerações, o Swing não foi apenas um estilo, mas a trilha sonora de uma nova era de modernidade. Pergunta que fica é observando a elegância e a precisão alcançadas neste sétimo volume, pergunto: na sua análise pessoal, qual destas orquestras você sente que melhor equilibrou o peso da tradição de blues com a necessidade de inovação harmônica que o Swing exigia?
Boa audição - Namastê



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