A aurora da modernidade no nascimento da linguagem do Bebop Introduz o décimo primeiro volume dessa coleção marcando o ponto de inflexão mais drástico na cronologia do gênero. Se o CD 10 foi o crepúsculo das grandes orquestras, este CD é a aurora da revolução do Bebop. Estamos no meio da década de 1940, um período de radicalização estética onde o jazz abandona definitivamente o seu papel de música de dança para assumir o seu lugar como arte de vanguarda. Este volume captura a transição definitiva da "música de entretenimento" para o "jazz como discurso artístico". O pano de fundo é a atmosfera de fervura intelectual dos clubes da 52ª Rua em Nova York. A estética deste volume é marcada pela tensão e urgência. Há um contraste absoluto entre a cadência relaxada do Swing e a angústia frenética e tecnicamente exigente desta nova linguagem. O jazz deixa de ser o conforto das pistas de baile para se tornar um desafio auditivo. É uma música urbana, noturna, cerebral, que reflete a ansiedade do pós-guerra e a busca de uma identidade negra artística que não dependesse da aprovação da indústria de entretenimento comercial. A evolução técnica apresentada neste volume é uma verdadeira desconstrução dos pilares anteriores na abstração Harmônica onde os músicos começam a utilizar as extensões dos acordes (as nonas, décimas primeiras e décimas terceiras) não como enfeites, mas como a base melódica. A harmonia torna-se "cromatizada", com passagens rápidas que exigem um domínio absoluto do instrumento. A rítmica "decomposta", a bateria anteriormente o metrônomo da orquestra torna-se um instrumento de comentários com o uso do bumbo para "acentos inesperados" (os famosos bombs de bebop) e a condução fluida no prato de ride criam um pulso que não é mais de dança, mas de pura energia cinética. O fraseado "Dizziano" tornam-se longas, irregulares e assimétricas. A ideia não é mais terminar a frase no tempo forte, mas cruzá-lo, criando uma sensação de constante movimento para frente, típica da linguagem de mestres como Dizzy Gillespie ou Charlie Parker. O fim do arranjo de bloco, estrutura baseada em riffs orquestrais dá lugar à estrutura de Head-Solo-Head. O tema é exposto de forma uníssona e complexa (muitas vezes vertiginosamente rápida), seguida de uma série de solos que ignoram a melodia original para explorar apenas a estrutura harmônica subjacente. A estética da "irritabilidade", diz a lenda que o Bebop foi criado em parte para desencorajar a dança pois os músicos ficavam exaustos de tocar para um público que via a música apenas como trilha sonora para beber e dançar. O volume é um testemunho sonoro desse "afastamento" proposital. O ambiente de gravação de muitas dessas sessões foram gravadas em condições precárias em estúdios pequenos de Nova York. Isso, ironicamente conferiu ao Bebop uma sonoridade crua, direta e "spiky" (pontuda) que combina perfeitamente com a agressividade intelectual da música. A nova geração funciona como o batismo de uma nova linhagem de instrumentistas que viam o jazz como uma ciência. É fascinante ouvir como eles tratam a improvisação como uma forma de composição em tempo real, onde cada erro é uma oportunidade de re-harmonização. O CD11 é a peça mais corajosa desta coleção. Documentalmente, ele registra o momento em que o jazz escolheu a liberdade sobre a popularidade. É uma lição de história sobre como um gênero musical, ao atingir o seu ápice comercial, prefere destruir a si mesmo e renascer em uma forma mais pura e complexa do que se submeter à estagnação. Este volume não é apenas música; é um manifesto de independência artística, transição para o Bebop contida neste volume diria que a perda do público de massa foi um "preço inevitável" para que o jazz fosse finalmente reconhecido como uma forma de arte erudita, ou acredita que foi um erro tático que isolou o gênero num gueto intelectual?



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