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domingo, 6 de maio de 2018

Gravadora 'Blue Note Records'

A ‘Blue Note Records’ é uma gravadora norte-americana de jazz fundada em 1939 por Alfred Lion. O seu nome tem origem no termo de jazz e blues, blue note, que é uma nota musical que provém das escalas usadas nas canções de trabalho praticadas pelos povos afro-americanos. A característica musical resultante imprime um caráter de lamento à música podendo considerar-se que tenha surgido como uma consequência da dureza do trabalho nos campos. Consiste em criar uma nota que não consta na escala diatônica tradicional. Esta herança escalar migrou mais tarde para o universo jazzístico. A 'Blue Note Records' esteve desde cedo mais associada ao estilo 'hard bop', um gênero influenciado pelo rhythm and blues, gospel e blues, que desenvolveu-se durante as décadas de 1950 e 1960. Mas, a gravadora incluia também bebop, soul, blues, rhythm and blues e gospel. Horace Silver, Jimmy Smith, Freddie Hubbard, Lee Morgan, Art Blakey e Grant Green estavam entre os principais artistas da editora. Após a 2ª Guerra Mundial, no entanto, quase todos os músicos mais importantes gravariam para a 'Blue Note'.
Em 1925, aos 16 anos, Alfred Lion notou um cartaz de concertos para orquestra que aconteceria perto do seu local favorito de patinação no gelo em sua nativa Berlim, na Alemanha. Ele tinha ouvido muitos discos de jazz de sua mãe e começou a se interessar pela música, mas naquela noite do concerto a sua vida mudou. O impacto do que ouviu tocado ao vivo explodiu dentro dele como uma paixão e o fez partir para Nova York em 1928 onde trabalhou nas docas e dormiu no Central Park para chegar mais perto da música que tanto amava. Em 1938, Lion foi ver o concerto ‘Spirituals to Swing’ no Carnegie Hall. O poder e a beleza do piano ‘boogie woogie', um estilo de blues, caracterizado pelo uso sincopado da mão esquerda ao piano, dos mestres Albert Ammons e Meade Lux Lewis balançou e apoderou-se de sua alma. Exatamente duas semanas depois trouxe os dois pianistas para um estúdio de Nova Iorque para fazer algumas gravações. Eles se revezavam ao piano e a longa sessão terminou com dois duetos impressionantes. A ‘Blue Note Records’ finalmente tornou-se uma realidade e Alfred Lion construiu uma das maiores empresas de registro musical de jazz do mundo.
No final de 1939, o seu amigo de infância Francis Wolff saiu da Alemanha de Hitler com destino aos Estados Unidos. Ele encontrou emprego em um estúdio fotográfico e juntou forças com Alfred Lion no projeto ‘Blue Note’. No final dos anos 1940, o jazz havia mudado novamente, e Lion e Wolff já não podiam resistir mais ao movimento do bebop, uma das correntes mais influentes do jazz. O saxofonista Ike Quebec tornou-se um amigo íntimo e conselheiro para os dois. Logo eles estavam gravando Fats Navarro, Bud Powell, Tadd Dameron, Thelonious Monk, Art Blakey, entre outros. Lion e Wolff eram especialmente fascinados por Thelonious Monk e ajudaram a sua carreira em todos os sentidos possíveis. Apesar da resistência dos críticos musicais e das vendas fracas, eles gravaram com ele até 1952. O caso de Monk foi o primeiro grande exemplo do que Horace Silver descreveu em uma entrevista de 1980: 'Alfred Lion e Frank Wolff eram homens de integridade e realmente fãs de jazz. Deram a vários músicos a chance de gravar quando todas as outras gravadoras não estavam interessadas. E eles apoiavam o artista, mesmo que ele não estivesse vendendo quase nada.'
Em 1954, a ‘Blue Note’, partiu em direção a um sistema que foi muito semelhante a uma companhia de teatro usando um elenco de 'sidemen', músicos profissionais contratados para executar ou gravar com um grupo do qual não era um membro regular; e líderes que assegurassem a criatividade e a confiabilidade. Logo depois a gravadora colocou em movimento uma outra tendência do jazz. Seguindo o conselho de Babs Gonzales e outros músicos, Alfred Lion e Frank Wolff se aventuraram a ouvir um pianista da Filadélfia, que tinha abandonado o seu instrumento original e agora tocava um órgão Hammond no canto de um armazém alugado. E assim ouviram pela primeira vez Jimmy Smith em 1956, no seu primeiro show em Nova York. Descrito por Alfred como uma visão impressionante, um homem de rosto contorcido, agachado sobre o teclado em agonia aparente, os dedos em vôo e os pés que dançavam sobre os pedais. Um som que ele nunca tinha ouvido antes. Foi estarrecedor. Ao mesmo tempo, Wolff conheceu Reid Miles, um artista comercial, que era um devoto fã de música clássica. Miles se tornou o designer para o selo por 11 anos e criou gráficos maravilhosos para as capas dos discos. Os detalhes fizeram a diferença.
Na década seguinte a ‘Blue Note’ passou para um patamar mais elevado na indústria fonográfica. Com álbuns que foram sucessos inesperados, que tiveram longas estadias nas paradas pop além de continuar a sua tradição 'hard bop'. Alfred Lion permaneceu até meados de 1967, quando problemas de saúde o forçaram a se aposentar. Frank Wolff e Duke Pearson dividiram as tarefas de produção, mas o jazz foi se movendo para um novo ciclo de tempos difíceis, economicamente e artisticamente. A cena não fornecia um ambiente no qual poderia nutrir jovens talentos e se perpetuar. Frank Wolff se afastou da ‘Blue Note’ até sua morte em 1971. A gravadora conseguiu sobreviver através de um programa de reedições e material inédito. Esse programa sobreviveu até 1981. Em meados de 1984, foi contratado Bruce Lundvall para ressuscitar a etiqueta. E a ‘Blue Note’ renasceu. Fonte: Pintando Musica
Boa leitura - Namastê

quarta-feira, 2 de julho de 2008

1957 - Blue Train

Em 57, Coltrane gravou uma bateria de albuns freework, aproveitando a boa chanse que que soprava em sua direção. No final de 1956, início de 1957, Coltrane foi até os escritórios da Blue Note conversar com Albert Lion a fim de pedir alguns discos de Sidney Bechet. Ele e Alfred começaram a conversar sobre um possível contrato de gravação, mas Francis Wolff, empresário de Coltrane, estava viajando naquele dia. Coltrane acabou recebendo alguns discos de Bechet e saiu com um pequeno adiantamento em dinheiro, prometendo voltar em alguns dias. Assim Blue Train surgiu de forma inesperada. A história, segundo Michael Cuscuna no encarte do CD, em 1996 (relançamento), é a seguinte: "Em uma década fértil para o jazz, do meio dos anos 50 até meados dos anos 60, houve uma incrível proliferação de grandes discos de jazz e Blue Train - que Coltrane se referia como seu disco favorito entre todos que havia gravado -, era mais do que isso: era um álbum perfeito. Os ingredientes para tamanha alquimia não podem ser quantificados assim como o gênio que o concebeu e escreveu. Isso pode ser notado ao ouvi-lo.Nota-se claramente o virtuosismo de todos e sobretudo a liderança de Coltrane. A faixa título, que abre a obra, é longa (quase 11 minutos ) e ritmicamente com muitas “variações blues”. Um dos pontos altos de “Blue Train”. “Locomotion” também é uma melodia baseada em fraseados “riff blues”. Noutro lugar, o que seria um dos próximos LPs de Coltrane, “Giant Steps”, onde ele trabalha quebrando melódicas e harmônicas , em “Blue Train” temos um autentico álbum de HardBop da época. Dito isto, duas de suas músicas, “”Moment’s Notice” e “Lazy Bird” já antecipavam, de certa forma, o que viria pela frente. Por fim, “Blue Train” é alegre, contagiante e, ao mesmo tempo, de extrema elegância desde a abertura com a faixa título, passando por uma das mais belas baladas jazz já compostas, “I’m Old Fashioned”, e finalizando com a excelente “Lazy Bird”. Um prato cheio para os amantes de um bom Hard Bop. Este trabalho ainda continua sendo um disco extremamente popular e, em 60, durante uma entrevista, o próprio Coltrane o apontou como um de suas obras preferidas. A produção impecável, destas cinco faixas, ficou por parte de Alfred Lion e unico disco gravado pelo selo Blue Note Records. Todas as composições são de autoria de Coltrane, salvo “I’m Old Fashioned”, de Jerome Kern e Johnny Mercer.

Tracks:
01 - Blue Train
02 - Moment's Notice
03 - Locomotion
04 - I'm Old Fashioned
05 - Lazy Bird

Pessoal:
John Coltrane - Sax. Tenor
Lee Morgan - Trompete
Curtis Fuller - Trombone
Kenny Drew - Piano
Paul Chambers - Baixo
Philly Joe Jones - Bateria

Download - Here

Boa audição - Namastê.

sábado, 24 de janeiro de 2009

2006 - Blue Note Perfect Takes - Rudy Van Gelder Remaster Series

Se há uma coisa de que faço ou tento fazer é a absoluta questão de ser democrático. Então ai vai uma postagem do site Morphinne -"Rudy Van Gelder - O mago do som", sobre Rudy Van Gelder um dos maiores engenheiro de som na historia do jazz. Sei que tal escolha pode ser até considerada de natureza polêmica, mas como sua contribuição é marcada no jazz e existe uma grandeza escondidas para muitos, creio que tenho bons motivos (é o que não falta) para publicar essa materia. Para mim é até uma obrigação moral, passo que muitos musicos passaram nas maõs de Gelder e sua parafernalhias, nos fundo da casa dos seus pais. Segue Postagem - "Rudy Van Gelder nasceu em 02 de Novembro de 1924 na cidade de Jersey City - Nova Jersey, tornando-se o legendário técnico de som dos anos 50 até os dias de hoje. Rudy participou das mais famosas gravações de jazz dos anos 50 pelo selo Blue Note Records. Em 52 foi apresentado na gravadora Blue Note pelo então amigo e saxofonista "Gil Mellé". Rudy tentou fazer uma carreira paralela na Blue Note, mas consequentemente acabou associada ao jazz, gênero do qual Rudy se destacou pelas qualidades sonoras das gravações. Aos 82 anos, Rudy é o mais famoso engenheiro de som na história da música. Na lendária casa-estúdio em Englewood Cliffs, New Jersey, Rudy lembra: “Nasci aqui e nunca pensei em me mudar, sou privilegiado porque meu trabalho chegou ao mundo todo sem que eu precisasse sair de casa”, comenta o mais importante, famoso e melhor – sim, é possível afirmar sem pestanejar – engenheiro de som na história não apenas do jazz mas da música. Afinal, Van Gelder criou escola na área clássica (através das gravações para a etiqueta Vox) e continua ditando padrões também para o mundo pop através do eterno poder de fascinação dos trabalhos para os selos CTI, restige, Blue Note e Impulse!, redescobertos (e fartamente sampleados) por DJs, produtores e artistas a geração hip-hop. Tímido, introvertido, de fala mansa e baixa, gestos calmos e olhar atento, permanece um perfeccionista obsessivo. Em uma idade na qual a maioria pensa em se aposentar e desfrutar do remanso do lar, Rudy nem sonha em parar. Continua trabalhando de segunda à sábado, e eventualmente também aos domingos se for para atender a um cliente antigo em situação emergencial. Sua agenda está lotada. Os pedidos para reservas de horários chegam do mundo todo, especialmente do Japão, onde é reverenciado como um “deus do som”, colocado no mesmo patamar de Miles e Coltrane, para citar apenas dois gênios com quem muito gravou. Não há astro em ascensão que não ambicione gravar no estúdio de Van Gelder, a um alto preço que a fama do craque lhe permite cobrar. Mas, além do numerário exigido para bancar tal upgrade, os artistas ainda precisam disputar espaço com as grandes gravadoras que, ininterruptamente, solicitam remixagens e remasterizações de antigos trabalhos. Além da EMI (detentora do catálogo da Blue Note), agora também a Concord, que em novembro de 2004 adquiriu o conglomerado Fantasy com o acervo da Prestige por 83 milhões de dólares, onde investiu em uma linha de relançamentos com a grife RVG. Hoje, mais do que nunca e no mundo todo a “assinatura” de Van Gelder ajuda a vender um disco tanto quanto o nome do produtor ou do artista. Às vezes, até mais do que o artista, dependendo do caso. O engenheiro de som Toninho Barbosa cuja fama de “Van Gelder brasileiro” já chegou ao conhecimento do ídolo, é um exemplo típico do fanatismo. “Às vezes eu nem conheço o músico, mas se o disco for gravado pelo Van Gelder eu compro na hora”, confessa. E os músicos, que não raro enfrentam entreveros com engenheiros, tratam Rudy como um colega, reverenciando-o. Em uma famosa entrevista ao historiador Leonard Feather, publicada na DownBeat de 26 de abril de 1973, no auge do estouro de “2001”, Eumir Deodato deu crédito a RVG pelo sucesso de sua versão, comparando-a com as outras gravações: "They didn’t have Rudy Van Gelder! He made the whole difference”. Vinte e três anos depois, o próprio Rudy, em entrevista à Downbeat de fevereiro de 2006, sem falsa modéstia lembrou ter sido o primeiro engenheiro a receber crédito na ficha de um disco. “Foi num 78 rotações do Lennie Tristano, com as músicas “JuJu” e “Passing” em 1951, e ele colocou meu nome no selo de tão impressionado que havia ficado com o meu trabalho, porque eu já conseguia fazer overdubbing naquela época”, explica, lembrando que sua estréia profissional aconteceu para o selo Carousel, em uma gravação de “We’ll be together again” do organista Joe Mooney. Mais tarde em 1953 começou sua histórica associação com a Blue Note, motivada por um LP de 10 polegadas do saxofonista-baritono Gil Melle, gravado de forma independente e negociado pelo músico com a companhia dirigida por Alfred Lion e Francis Wolff. “Alfred ficou impressionado com a sonoridade, e me procurou perguntando se eu seria capaz de reproduzi-la em outros discos. Eu disse: “OK, nenhum problema, é só marcar”, e ele então começou a mandar todo o cast para gravar comigo”, relembra. As fotos daquele timaço, tiradas por Francis Wolff durante as sessões, estão reproduzidas no DVD durante o depoimento de Rudy e também na galeria (com 52 fotos) na seção de “extras”. Esta e outras histórias fascinantes são narradas de viva voz pelo próprio Rudy na entrevista concedida à Michael Cuscuna para o projeto “Blue Note perfect takes”, combinando CD e DVD. Van Gelder gravou quase tudo da BN no período 1953-1971, criando o famoso padrão RVG de qualidade, que logo depois colocaria à serviço de selos como Savoy, Vox, Prestige e todos os comandados em diferentes fases pelo produtor Creed Taylor (Bethlehem, Impulse!, Verve, A&M e CTI), até hoje um de seus maiores amigos e fãs. No album “Perfect takes”, porém, estão apenas faixas da Blue Note selecionadas por RVG de acordo com a sua preferência pessoal, “sem a obrigação de incluir as músicas mais conhecidas”, conforme explicita no texto do livreto. Curiosamente as duas primeiras faixas – “Four in one”, de Thelonious Monk e “Budo” de Miles Davis – não foram gravadas por Van Gelder e constituem raras exceções que ele aceitou remasterizar sem ter sido o engenheiro original. “Já lido com meus próprios problemas, então não quero ter que resolver os problemas dos outros”, justifica. Mas, ao ouvir as primeiras prensagens em CD de “Birth of Rhe Cool” de Miles e “Genius of Modern Music” de Monk, sentiu que ambos precisavam de sérios ajustes. Pediu para receber as fitas originais de cada uma das faixas de “Birth of The Cool” e fez uma nova masterização que soava infinitamente superior à do primeiro relançamento em CD, realizada a partir de uma matriz que era de terceira geração, cópia de cópia. As outras oito faixas nasceram com o autoditada Rudy, fascinado por eletrônica e rádio-amador, paixões que por um tempo conseguiu conciliar com a profissão de optometrista (ciência que trata da visão e problemas não patológicos sobre o ponto de vista físico). “See see rider”, nas mãos mágicas de Jimmy Smith, em 16 de junho de 1959, ainda pertence à fase inicial do estúdio improvisado na sala de estar da casa de seus pais, em Hackensack, onde nasceu também o antológico “Blue train”, de Coltrane em 57. No mês seguinte (julho de 59) nosso herói já estava operando um novo “Van Gelder Studio”, em Englewood Cliffs, no mesmo local onde permanece até hoje. “Alguns produtores queriam gravar à noite, e isso começou a incomodar meus pais”, detalha. Orientou os arquitetos, acompanhou todos os passos da construção e deu no que deu: uma acústica fenomenal, com teto em forma de abóbada policêntrica, com fascinante eco natural. Ali atingiu o ponto máximo no equilíbrio de instrumentos, de modo a gravar todas as sessões diretamente para dois canais, “ao vivo”, sem deixar de captar um detalhe sonoro sequer por mais baixo ou sutil que fosse. Proeza fartamente demonstrada nas faixas registradas entre 1960 e 1966 por Hank Mobley (“Remember”), Freddie Hubbard (“Arietis”, com McCoy Tyner, Elvin Jones e o esquecido Bernard McKinney no euphonium), Kenny Burrell (a célebre faixa-título de “Midnight blue”, trazendo Ray Barretto nas congas), Joe Henderson (“Mode for Joe”), Donald Byrd somando trompete e coral na peculiar atmosfera contemplativa de “Cristo Redentor”, Wayne Shorter na modal “Footprints” e Art Blakey em uma abordagem surpreendentemente incendiária de “Moon river”, com Hubbard e Curtis Fuller. “Quando ouço estas faixas, sabendo a limitação do equipamento daquela época, elas parecem resultar de um milagre”, comenta Rudy. No DVD apropriadamente intitulado “A work in progress” – emocionante desde a abertura com a vista panorâmica da Ponte George Washington que liga New York a New Jersey – RVG, na sala de controle do estúdio, conversa com o produtor Michael Cuscuna durante filmagem realizada em 22 de abril de 2004. O diretor Chuck Fishbein passeia com a câmera por quase todos os cantos do estúdio (faltaram apenas a cozinha e a sala dos “discos de ouro”), mostrando os dois Steinways empregados por Bill Evans na fase da Verve, o teto, o tratamento acústico nas paredes. Rudy mostra a máquina Scully de “corte”, usada para fazer a matriz do vinil, e relembra sua carreira e os trabalhos para todos os selos, não apenas para a Blue Note. Mostra carinho especial pela prolífica e contínua associação com Creed Taylor, iniciada no final dos anos 50. Enquanto a gravação de Eumir para “Zarathustra” soa ao fundo, desfilam pela tela as belas capas da CTI – LPs de Wes Montgomery (uma rara prensagem de “Road song” rebatizado “Cancion de ruta”), Milt Jackson, Hubert Laws, Joe Farrell e George Benson. Dá a Creed Taylor o crédito por tê-lo convencido a adotar o sistema de multi-tracks em meados dos anos 60 (“ele queria fazer discos com grandes formações orquestrais”), mas esquece de comentar que seu ingresso na era digital, em janeiro de 1984, também se deu por insistência de Taylor. Mais especificamente para o disco “Red on red”, de Claudio Roditi que, ironicamente, marcou a volta da gravação “ao vivo” no estúdio, captada pelo equipamento Mitsubishi X-80 com mixagem direta para dois canais. Cinco anos depois, em junho de 1989, Rudy se converteria definitivamente para o esquema de gravação digital em 24 canais, usando uma máquina Sony, novamente persuadido por Creed, que filmaria em alta definição, no Van Gelder Studio, a gravação do mega-projeto “Rhythmstick”, editado em CD e LaserDisc, juntando Dizzy Gillespie, Tito Puente, Hilton Ruiz, John Scofield, Airto, Flora Purim, Phil Woods e muitos outros. Por fim temos a fantástica “The Rudy Van Gelder editions – The complete collection”, lançada pela Blue Note reunindo 171 CDs à venda pela módica quantia de dois mil e setenta dólares. Mas é preciso correr, pois se trata de uma edição limitada. A sublime clareza, a apurada definição de timbres, o completo equilíbrio, a perfeita reverberação e a sedutora profundidade sonora, traços marcantes do padrão RVG, podem ser contemplados em discos como “Somethin’ else” (Cannonball Adderley), “Moanin’” (Art Blakey), “A new perspective” (Donald Byrd), “Cool struttin’” (Sonny Clark), “Blue train” (Coltrane), “Maiden voyage” (Hancock), “Action” (Jackie McLean), “Sidewinder” (Lee Morgan), “Newk’s time” (Sonny Rollins), “Song for my father” (Horace Silver), “Speak no evil” (Wayne Shorter), “Life time” (Tony Williams) e “The eminent J.J. Johnson”. A coleção – calcada na “RVG series” iniciada em 1999, quando a Blue Note convidou Rudy para remasterizar, com tecnologia de 24bits, estes e outros clássicos – abriga também a compilação “Perfect takes”, vendida separadamente. Ainda resta algum sonho para Van Gelder? “Eu gostaria de poder gravar novamente todos esses artistas, usando o equipamento que tenho agora”, devaneia o alquimista sonoro que, vejam só a grande ironia, nunca ganhou um Grammy, embora vários álbuns gravados em seu estúdio, uma das principais catedrais do jazz, tenham faturado a estatueta. Mas, com uma vida dessas quem precisa de Grammy?" Aprecie com moderação!.
Fonts: Artigo escrito por Arnaldo DeSouteiros em 6 de Novembro de 2006, publicado originalmente no jornal "Tribuna da Imprensa" com reprodução no website Clube de Jazz e postado em 27 de Juhno de 2007 por Everyone no Morphinne .

Faixas:
01 - Four In One - Thelonious Monk
02 - Budo - Miles Davis
03 - Remember - Hank Mobley
04 - Arietis - Freddie Hubbard
05 - Midnight Blue - Kenny Burrell
06 - Mode For Joe - Joe Henderson
07 - Christo Redentor - Donald Byrd
08 - Footprints - Wayne Shorter
09 - Moon_River - Arty Blaker
10 - See See Rider - Jimmy Smith

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Boa audição - Namastê.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Artista: VA
Lançamento: 2009
Selo: Blue Note Records 
Gênero: Jazz, Bebo, Hard Bob, Cool West, Free Jazz
Como parte da celebração de setenta anos da ‘Blue Note Records’, em 2009, o selo convocou jovens e experientes estrelas do jazz para executar composições ‘hard bop’, estilo estreitamente identificado com a gravadora nos anos 50 até meados dos anos 60. E assim foi gravado ‘Mosaic’. Uma curiosa coleção. Uma viagem nostálgica por canções famosas. ‘Mosaic’ é um título perfeito, peças assimétricas estabelecidas de forma organizada, intrigante e desigual. O CD 1 foi produzido pelo pianista Bill Charlap e líder do ‘Blue Note 7’, um septeto de jazz formado em 2008. O grupo é constituído por Peter Bernstein (guitarra), Bill Charlap (piano), Ravi Coltrane (saxofone tenor), Lewis Nash (bateria), Nicholas Payton (trompete), Peter Washington (contrabaixo), e Steve Wilson (sax alto, flauta). Bill Charlap é o único membro do grupo que assinou com a gravadora. No entanto, Ravi Coltrane tem ligações familiares importante com a ‘Blue Note’. Seu legendário pai, John Coltrane, gravou apenas uma sessão para o rótulo, ‘Blue Train’, mas foi um grande sucesso. ‘Blue Note 7’ é muito bem conhecido na cena do jazz em Nova York. O CD 2 é constituído pelas mesmas músicas, mas são as originais produzidas por Alfred Lion e interpretadas pelos magníficos artistas contratados na época.

Boa audição - Namastê

sábado, 28 de janeiro de 2012

1994 - The Complete February 1957 Jimmy Smith Blue Note Sessions - (3CD Box Set)

Em 11, 12 e 13, de fevereiro de 1957, Jimmy Smith registrou material suficiente para encher cinco álbuns em uma ampla gama de configurações que resume a importância do trabalho que ele fez ao longo de sua carreira na Blue Note. As sessões de fevereiro foram apenas um ano depois que ele foi descoberto em "Paraíso Small" pela Blue Note nas mãos de seu fundador, Alfred Lion. Seu parceiro, Francis Wolff, lembrou os primeiros dias: "Foi seu primeiro show em Nova York - Uma semana Ele era uma visão deslumbrante de um homem em convulsões, rosto contorcido, curvado sobre em aparente agonia, seus dedos voadores, sua dança de pés sobre os pedais. O ar estava cheio de ondas... de som que eu nunca tinha ouvido antes. O barulho era demolidor. algumas pessoas se sentaram em volta, confuso, mas impressionado. " Ele foi saudado como "Bird do órgão." Miles Davis teve uma reação similar: ". Este gato é a oitava maravilha do mundo". Praticamente ninguém tinha considerado as possibilidades de uso do órgão no jazz até Jimmy Smith rasgar essa cortina de fumaça imperada por anos pelo piano. Ele desenvolveu seu próprio estilo e sua voz é quase em segredo, tocando R & B no piano ao redor de Philadelphia, mas gastando cada minuto livre sobre o órgão Hammond, primeiro alugando tempo em um dólar por hora de um revendedor do órgão até que ele pudesse finalmente dar ao luxo de comprar um. Uma verdadeira aula aos neófitos e uma retrospectivas aos veteranos do jazz.

ArtistA: Jimmy Smith
Album: The Complete February 1957 Jimmy Smith
Lançamento: 1957
Selo: Blue Note
Genero: Soul Jazz, Hard Bop


CD 1

01. Falling In Love With Love
02. First Night Blues
03. Funk’s Oats
04. Groovy Date
05. I Let A Song Go Out Of My Heart

CD 2

01. Zing! Went The Strings Of My Heart
02. I’m Getting Sentimental Over You
03. Simmertime
04. Plum Nellie
05. Plum Nellie (Alt. Tk.)
06. Billie’s Bounce
07. Yardbird Suite
08. There’s A Small Hotel
09. All Day Long



CD3
01. Somebody Loves Me
02. The Third Day
03. All The Things You Are
04. The Fight
05. There Will Never Be Another You
06. How High The Moon
07. Buns A Plenty
08. The Duel
09. Blue Moon
10. Cherokee

Musicos:
Jimmy Smith - Órgão Hammond
Donald Byrd - Trompete
Lou Donaldson - Sax Alto
Hank Mobley - Sax Tenor
Eddie McFadden - Guitarra
Kenny Burrell - Guitarra
Art Blakey - Bateria
Donald Bailey - Bateria

Boa audição - Namaste.


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quinta-feira, 13 de agosto de 2009

1997 - The complete Blue Note recordings - Herbie Nichols

Sem sombra de duvida, uma das questões que mais tem deixado vários jazzófilo de boca aberta é o fato de ter músicos desconhecido ainda pelas estradas arteriais do jazz. Músicos de de extraordinária envergadura, bem como de respaldo a outros talentos conhecidos e obras seladas no tempo, com maestrias que só depois de uma boa olhada, nota-se com surpresa o surgimento de um novo nome na prateleira de muitos colecionadores. O pianista e compositor Herbert Horatio Nichols ou mais conhecido como Herbie Nichols (03-01-1919/12-04-1963), só passou a ser um capítulo especial na história do jazz muito tempo depois de sua morte de leucemia em 1963, quando tinha exatos 44 anos. A não ser o pessoal da Blue Note (Alfred Lion, Rudy Van Gelder), músicos como (Art Blakey, Max Roach, os baixistas Al McKibbon e Teddy Kotick) e alguns insider s, quase ninguém notou a falta de Nichols da cena jazzística, apesar de uma prolífica obra como compositor. Herbie Nichols era um músico diferente e obscuro, numa época em que pianistas como Marian McPartland (um ano mais moça do que ele), Hank Jones (um ano mais velho) e Dave Brubeck, já eram bem conhecidos. Brubeck tinha até sido capa da revista Time, em 1954. Trinta das composições de Herbie Nichols, por ele gravadas em trios, com alternate takes, foram reeditadas em 1997, na caixa de três CDs intitulada The complete Blue Note recordings. Muitos dos títulos dessas peças eram tão excêntricos para os anos 50 como a música que continham: Cro-Magnon nights, Amoeba's dance, Riff primitif. Os vanguardistas Roswell Rudd (trombone) e Steve Lacy (sax soprano) fizeram, nos anos 80, algumas escavações na obra de Nichols. Mas foram o pianista Frank Kimbrough e o baixista Ben Allison, integrantes do grupo Jazz Composers Collective, os grandes responsáveis pela revelação quase total do tesouro semi-aberto deixado pelo nova-iorquino Herbert Horatio Nichols. Como explicam Kimbrough e Allison - "O Herbie Nichols Project é uma work in progress". Com a formação em 1992, do Jazz Composers Collective (outros sócios importantes são os saxofonistas Ted Nash e Michael Blake, o trompetista Ron Horton e o baterista Matt Wilson), o projeto já gerou três discos: Love is proximity (Soul Note) de 1997, Dr. Cyclops' dream (Soul Note) de 1999 e Strange city (Palmetto) 2001, um dos mais atraentes álbuns de jazz lançados neste início de década. Strange city - a faixa-título do disco da Palmetto - é uma das cerca de 30 peças que Nichols nunca tinha gravado, e cujas partituras foram descobertas por Allison, Kimbrough e Horton na Biblioteca do Congresso. Com exceção de Shuffle Montgomery, as outras composições do CD eram também inéditas: Moments magical, Enrapture, Delights, Blue shout, Karna Kangi, The happenings, Change of season e Some wandering bushmen. As peças são arranjadas em formações diversas, reunindo Allison, Kimbrough, Horton, Ted Nash (sax tenor), Michael Blake (sax soprano), Wycliffe Gordon (trombone) e Matt Wilson (bateria). As composições de Nichols não eram apenas inspirados temas de sabor bop e dissonâncias monkianas. Eram desenvolvidas de modo bem estruturado, embora de simetria variável, fora dos padrões estabelecidos pela fórmula AABA - duas vezes o tema-base, ponte (bridge) e volta ao tema-base. Nas notas de contracapa que escreveu para um do LPs da Blue Note, o próprio Nichols falou de sua admiração por gente tão diferente como Jelly Roll Morton, Beethoven e Villa-Lobos. E acrescentou: ''Estou numa corrida constante para conciliar minhas 'teorias clássicas' e minhas 'teorias jazzísticas'''. Recentemente o guitarrista Eric T. Johnson (nada a ver com o homônimo texano especialista em blues) apareceu na praça com um CD, editado pela Summit, em que interpreta dez composições de Herbie Nichols, à frente de um quinteto com o saxofonista George Garzone e o trompetista Phil Grenadier. Entre as faixas, Love, gloom, cash, love (que Nichols gravou para a Bethlehem), Shuffle Montgomery e Lady sings the blues. Noventa anos depois de ter nascido e Quarenta e Cinco depois de sua morte, Herbie Nichols é cada vez mais reconhecido como um dos grandes inventores do jazz moderno.
Fonte: Luiz Orlando Carneiro JB Online.


Disco I
01 - Third World, The
02 - Third World, The - (alternate take)
03 - Step Tempest
04 - Dance Line
05 - Blue Chopsticks
06 - Double Exposure - (alternate take)
07 - Double Exposure
08 - Cro-Magnon Nights
09 - Cro-Magnon Nights - (alternate take)
10 - It Didn't Happen - (alternate take)
11 - Amoeba's Dance
12 - Brass Rings - (alternate take)
13 - Brass Rings
14 - 2300 Skiddoo - (alternate take)
15 2300 Skiddoo

Disco II
01 - Shuffle Montgomery - (alternate take)
02 - It Didn't Happen
03 - Crisp Day
04 - Shuffle Montgomery
05 - Gig, The
06 - Applejackin' - (alternate version)
07 - Hangover Triangle
08 - Lady Sings The Blues
09 - Chit Chatting
10 - House Party Starting
11 - Gig, The - (alternate take)
12 - Furthermore - (alternate take 1)
13 - Furthermore
14 - 117th Street - (alternate take)
15 - 117th Street
16 - Sunday Stroll

Disco III
01 - Nick At T's
02 - Furthermore - (alternate take 2)
03 - Terpsichore
04 - Orse At Safari
05 - Applejackin' - (alternate take)
06 - Applejackin'
07 - Wildflower
08 - Mine - (alternate take)
09 - Mine
10 - Trio
11 - Trio - (alternate take)
12 - Spinning Song, The - (alternate take)
13 - Spinning Song, The
14 - Riff Primitif
15 - Riff Primitif - (alternate take)
16 - Query - (alternate take)
17 - Query

Músicos:
Herbie Nichols - Piano
Al McKibbon, Teddy Kotick - Baixo Acustico
Art Blakey, Max Roach - Bateria

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Boa audição - Namastê.