Artista: La Grande Histoire Du Jazz
Lançamento: 2009
Selo: Le Chant du Monde
Gênero: Swing, Ragtime, Big Band, Early Jazz, New Orleans Jazz, Dixieland, Harlem Stride Piano, Gipsy Jazz (Jazz Manouche), Negro Spirituals/Gospel.
O epílogo transcendente: O Jazz como patrimônio da humanidade no vigésimo volume da coleção "La Grande Histoire du Jazz" não é apenas o encerramento físico de uma caixa monumental; é o testemunho da perenidade. Se o CD 19 foi o exercício de reconciliação com a tradição, o CD 20 funciona como uma declaração de princípios: o jazz, como forma de arte, transcendeu o seu tempo e lugar de nascimento para se tornar um patrimônio universal. Este volume encapsula a elegância da maturidade, onde o músico já não luta contra a história, mas a habita, fluindo com naturalidade entre o ancestral e o contemporâneo. O pano de fundo deste encerramento é a estabilidade da mestria. A estética é a da clareza e da economia absoluta. Aqui, não há mais a necessidade de provar que a música é "moderna" ou "revolucionária"; a música simplesmente é. O contraste estético é a resolução das tensões que acompanharam os 19 volumes anteriores: a urgência dá lugar à fluidez, o choque dá lugar à sabedoria. Culturalmente, o jazz aqui atinge o status de música clássica do século XX, despojado das exigências do mercado e consagrado como uma forma de expressão essencial. A técnica, neste volume final, atinge um grau de transparência e eficiência na "fluidez" do discurso da improvisação, anteriormente um ato de bravura ou uma exploração abstrata, torna-se aqui um ato de narrativa pura. As frases musicais são construídas com uma lógica interna tão robusta que parecem ter sido compostas no momento, sem o esforço da busca. A integração de texturas do uso magistral de timbres que, ao longo dos volumes, foram se acumulando: o brilho dos metais, a profundidade do contrabaixo acústico, a textura percussiva do piano. Tudo é integrado de forma orgânica, como se o grupo fosse uma única mente operando múltiplos instrumentos. O "tempo" como amigom diferente da velocidade frenética do Bebop ou da angústia da abstração total, aqui o músico domina o tempo. Ele pode "atrasar" a entrada, sustentar uma nota até o limite da exaustão ou acelerar sem perder a precisão, tratando o pulso rítmico como um parceiro de dança e não como um carcereiro. A síntese final neste volume é que percebemos a síntese de todas as eras: o Blues está presente na inflexão das notas, o Swing na cadência, o Bebop na agilidade harmônica, e o Cool no controle emocional. O registro do "fechamento" funciona como uma câmara de eco da coleção. Ao ouvi-lo, o ouvinte experiente consegue identificar referências sutis a quase todos os solistas que passaram pelos volumes anteriores, tornando o disco uma espécie de "reunião espectral" de todos os mestres documentados. A engenharia do silêncio na qualidade da gravação neste volume final é um contraste poético com as faixas de 1898. O silêncio — o espaço entre as notas — é captado com uma pureza que permite ao ouvinte sentir o "ar" da sala, trazendo uma intimidade que encerra a série com um convite à reflexão profunda. O Legado das "escolas": É interessante observar como, nesta fase final, as barreiras geográficas — a velha Nova York contra a Costa Oeste — finalmente desaparecem. O que resta é uma "Escola do Jazz" universal, um vocabulário que músicos de qualquer parte do mundo podem utilizar para expressar sua própria verdade. O CD20 é o volume da consagração. Documentalmente, ele é a prova definitiva de que o Jazz não "terminou" com o fim do recorte histórico de 1952, mas que ele alcançou, naquele momento, um patamar de perfeição que permite à música ser ouvida em qualquer tempo futuro. Para o ouvinte, este volume é a conclusão ideal: ele oferece a paz do conhecimento de que tudo o que foi ouvido era necessário, e que o Jazz, ao se tornar um monumento à criatividade humana, cumpriu seu destino de ser a trilha sonora da liberdade. Se este volume encerra nossa jornada pelo tempo, como descrever, em uma última reflexão, a "alma" do Jazz — aquela centelha que o manteve vivo através de tantos anos de mudança e que, esperamos, continuará a brilhar em qualquer música que ainda esteja por vir?
Boa audição - Namastê



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